Go back

Brumadinho l EP. 3 - Bastidores da cobertura

24m 42s

Brumadinho l EP. 3 - Bastidores da cobertura

A cobertura da tragédia em Brumadinho, relatada pelo jornalista Vinicius Ranjel, começa com a descrição de um dia normal de sexta-feira, que se transforma em um momento de crise após o rompimento da barragem da Vale. As primeiras informações chegaram por ligações e vídeos, com pouca clareza, e a equipe da Recorte Veminas, liderada por Luciani Santiago, rapidamente atua para confirmar o ocorrido com a Defesa Civil. A confirmação do rompimento é crucial, pois aciona a rápida mobilização da redação, que suspende sua programação habitual e redireciona todos os repórteres para o local. Durante a cobertura, os jornalistas relatam imagens impactantes, como o resgate da menina Talita Cristina, e a dor das famílias que buscam seus entes desaparecidos. A equipe percebe que a tragédia é de dimensão colossal, com centenas de vítimas e centenas de famílias vivendo o luto diário. O jornalismo não só informa, mas também denuncia a falta de responsabilidade e de punição aos responsáveis, reforçando a necessidade de justiça e transparência. Durante os três anos seguintes, a dor persiste, com famílias ainda sem notícias e a tensão por novos riscos de barragens. A cobertura é vista como um dos maiores desafios da carreira dos jornalistas, pois envolve o sofrimento humano, a perda de memórias e a dor coletiva, exigindo não apenas a denúncia, mas também a consciência de que a tragédia não foi esquecida e continua atuando como um alerta constante para a segurança ambiental em Minas Gerais.

Transcription

3435 Words, 19545 Characters

Portuguese
Aquela era uma sexta-feira habitual, dia de sol e preparação para o final de semana. Eu deveria pegar serviço às 13 horas, mas o trânsito estava bom. Cheguei antes, bati o ponto meio dia e dez, eu não imaginava que, de 18 minutos depois, tudo começaria a mudar na redação. Eu sou o Vinicius Ranjel, coordenador de pauta da Recorte Veminas. No episódio de hoje, com a ajuda de alguns colegas, nós vamos te contar os bastidores da cobertura da tragédia em Brumadinho. As primeiras informações chegaram um pouco depois do rompimento. Por telefone, telespectadores falavam que a barragem da vale em Brumadinho tinha ido ao chão. Mas ninguém tinha uma foto ou um vídeo para enviar. Antônio Paulo é apurador da Recorte Veminas, está na emissora há 14 anos. Era dele a responsabilidade de confirmar o que tinha acontecido. A confirmação foi muito difícil. Ninguém estava tendendo, ninguém dizia nada, só que estava a caminho de Brumadinho. Então a gente passou por aqui que a gente vai ligar. Eu liguei para dois primos meus que trabalham na Vale, estavam lá em Tabira e eles não estavam sabendo de nada. Ou diziam que não dava sabendo de nada. Em casos como este, a redação toda se movimenta para entender o que de fato está acontecendo. Eu me lembro de ter saído do meu posto de trabalho e ido para a apuração ajudar o Antônio. O balanço geral estava no ar naquele momento e nós precisávamos informar os telespectadores. Luciani Santiago é a editora chefe do programa há 11 anos e se lembra bem daquele dia. As primeiras informações e vídeos chegando era de uma lama passando. Foi a primeira imagem que a gente recebeu foi de uma lama. Como Janeiro de 2019 a gente já estava recebendo muitos fake news. A gente primeiro foi ver se aquilo é a verdade. Ao mesmo tempo, a gente não conseguia falar em brumadinho. Mas isso tudo dura menos de dois, três minutos. Essa mesma hora a redação já foi recebendo vídeos telefonemas e a gente tinha certeza que a barra a gente tinha se rompido. Mas até então a gente não sabia do volume que foi aquela tragédia. Então a gente consegue ligar e fazer contato com uma pessoa muito forte dentro da defesa civil do Estado. Essa pessoa já estava formando o gabinete de crise. Ele não podia falar comigo no telefone. Antônio, não possa atender. Estou indo para o brumadinho. Deu. Compeu o barragem lá. Sim. Tem muita vítima. Sim, teve. E dirigiu o telefone. A partir daquela confirmação, já com a triste experiência vivenciada com a tragédia em Mariana, nós sabíamos que a situação era de catástrofe. A informação correta precisava ir ao ar. Como já estava tudo confirmado, eu alvisei ao nosso apresentador Mauro Tramonte que teria acontecido. No Mauro então fez a nossa primeira chamada. A gente foi a primeira equipe a noticiar que tinha se rompido a barragem. E que a gente até então não sabia a gravidade e o volume do que estava acontecendo. Mas a gente já avisou o telespectador. E nesse momento, a gente foi recebendo muitos vídeos, muitos vídeos. E a apuração me ligar e falar "A gente tem vídeo, a gente tem vídeo". O que eu fiz? A gente parou toda a redação, todos os editores do balanço geral. E eu virei falar "Ese gente, vamos agora tirar essas imagens e vamos colocar no ar com a informação". E a atenção imagens do rompimento da barragem entre Mario Campos e Brumadinho. Olha lá, olha aquilo! Até agora, não se sabe se tem vítima. Ele copo dos bomberos sobrevou também a região procurando pessoas ilhadas. Todas as casas, as margem do rio para o peba foram interditadas, devido ao aumento do nível do rio para o peba e o risco de atingir a cada. O museu In-O-T não foi atingido, mas o local está fechado para preservar as obras e os visitantes. A defesa civil estadual confirma o rompimento, mas ainda não sabe em que local exatamente. Não é possível, né gente? Não é possível, é outra coisa, olha ali, essa imagens aí do rompimento. E esse que você acabou de ouvir é o apresentador Mauro Tramonte, que conta como foi difícil dar a notícia ao vivo. A hora que nós ficamos sabendo essa notícia em que recebendo um ponto, olha, ele estourou uma barragem brumadinho. Me arrepiou até a alma, sabe? Porque quando você fale barragem, você já espera o pior. Mas eu não esperava que fosse tão pior desse jeito, né? Ou seja, uma tragédia que já estava anunciada, que já era anunciada infelizmente, né? Porque já tinha rompido uma barragem anteriormente. E depois, quando essa ia acontecer, eu fiquei assim, né? Naquela situação puxa a vida. Eu querendo dar a notícia, trazendo a notícia, mas estou orcendo para que tudo não passasse só de danos materiais, nada de vida, né? Então foi tudo muito repentino, tudo muito rápido e, ao mesmo tempo, tudo muito triste, né? Até esse momento, todo o jornalista, ele fica preocupado em cuidar da notícia, fica preocupado em passar informação. E a gente não tem noção do que o nosso coração está sentindo. Eu aquele momento, eu não era Luciani do que eu sou, né? É Luciani, eu era Luciani editora chefe que precisava de passar aquela informação, deixar o telespectador informado. Mas uma imagem me chamou atenção. Eu estava nessa loucura de passar a informação por mal atender ligações e tudo. E aí eu falei, gente, põe no ar. Vamos colocar o helicóptero no ar. E o Fleim Mauro vai na rano. E o Mauro foi na rano. E eu naquela loucura, eu não prestei atenção na imagem. Eu estava mais preocupado em pegar mais informações para supir o Mauro de Informações. Aí o Mateus, que é o operador de T.P. Ele olhe para ele. Ele estava chorando. Aí olhei Mateus. Olha para o seu monitor. Na hora que eu olhei, gente, era nossa imagem que rodou o mundo, né? Era a imagem da Talita Cristina. Esse nome nunca vou esquecer. A Talita sendo resgatada pelo corpo de bombeiros e o nosso helicóptero ali junto. Essa hora eu parei e falei, eu não acredito que eu estou vendo. O Mauro é muito firme. O Mauro virou, falou assim, gente, é um resgate. É uma moça. Olha lá, é uma mulher que está sendo resgatada ali. Vamos olhar do cidadão ali, agarrando a moça e tentando resgatar. Não é possível mais tragédia por roubimento que o barragem não vou me aguentar isso aqui. Não é possível mais que não vamos ter isso aqui em Minas Gerais. Não é possível, é inaceitável. Quando nós pedimos que o helicóptero fechasse, nossa helicóptero na época fechasse as imagens sobre o helicóptero que estava resgatando a menina, foi uma coisa impressionante. A gente via ali o desespero de todo mundo, dois rapazes no meio do preju, da lama e a gente tinha dimensão do que estava acontecendo porque a gente tinha acabado de chegar e não sabia que era uma coisa tão enorme, tão grande do jeito que foi. E quando começou a mostrar a menina, dois rapazes, acho que são dois primos tentando tirar a menina do preju, a menina de sua recida, o pessoal do helicóptero do bombeiro abaixando o máximo que podia. Eu ele falou e puxa a vida, é uma pilota que tá lá, eu achei mais interessante ainda da pilota, tá ali, né? Aquele negócio toda, aquela adrenalina em cima de todo mundo, sabe, foi uma coisa muito marcante aquilo ali. Então tem que essas imagens que foram exclusivas o balanço herão, elas vão dar no mundo todo, né? Ao mesmo tempo ali em que a gente torcia porque nada tivesse acontecido. A produção tinha preparado para a tarde daquela sexta-feira, oito pautas. Assuntos do dia a dia, como a economia, cidades, dicas para curtir as férias. Todas foram desmarcadas e as equipes redirecionadas para brumadinho. Uma delas foi a do repórter Rodrigo Diaz. Eu estava indo para Ibiritei fazer uma reportagem sobre furta-padaria quando a gente ouviu pelo rádio, o IME-équipe, nós ouvimos pelo rádio, que havia acontecido esse rompimento da barragem. Alguns minutos depois, ser de meia hora depois, alguém da minha chefia entrou em contato comigo e falou para a gente interromper aquela reportagem e seguirmos para brumadinho. No caminho a gente teve dificuldade porque os acessos, um dos acessos, ele estava impedido. E a gente chegou assim praticamente junto com algumas equipes dos bombeiros, também algumas equipes da Polícia Militar e pelo caminho, a gente encontrou muita gente falando, "Vai, vai, é ali mesmo, foi lá mesmo que aconteceu, pode seguir esse caminho aí mostrando, indicando o caminho." E quando a gente chegou, O que eu encontrei foram famílias desesperadas, muita gente chorando e muita gente tentando entrar na lama pra encontrar irmão, pra encontrar o pai. Na redação os telefones, o WhatsApp e as redes sociais não paravam. Por todo o canto chegavam relatos do que estava acontecendo. O desespero era real e já sentíamos o peso e a dor de tantas pessoas. Um dos telefones que eu atendi era do motorista dos donos da pousada Nova Estância. Alexandre estava sem rumo dizendo que tinha deixado os patroins lá e que não conseguia contato com eles. O local que era famoso e frequentado por diversos artistas foi varrido do mapa pela lama da Vale. Eu lembro que eu encontrei algumas pessoas que queriam acessar a pousada que acabou soterrado, só que as pessoas não sabiam que a pousada tinha sido soterrada, as pessoas achavam que os hospedes e as pessoas que trabalham na pousada, que essas pessoas estavam ilhadas. Ninguém tinha noção que a pousada tinha simplesmente desaparecido. E eu lembro muito bem que eu perguntei o que que aonde ficava a sede da Vale, naquele mar de lama, porque eu não conheci o local, então não tinha como identificar. E aí alguém me falou, olha, ficava naquela região ali, naquele monte ali e não tinha nada. E eu falei assim, mas o que que funcionava ali além da sede, tinha o refeitório, foi mais um refeitório para quantos pessoas mais ou menos, há umas 200 pessoas. Então quando me disseram que havia um refeitório para 200 pessoas e que esse rompimento foi na hora do almoço, o que que eu pensei, tinha muita gente lá. Então, naquele momento eu tive noção de que a quantidade de vítimas era muito grande como a cabo infelizmente, se confirmando depois. Eu tinha esperança que essas pessoas que estavam no refeitório tinham se salvado. Ao mesmo tempo, uma coisa que não sai da minha memória, uma das coisas, são as famílias que começaram a ligar para recorrer e falavam assim, meu filho trabalha no refeitório, meu marido é almoço essa hora, eu falei que ele um pouco antes estava indo por refeitório. Você tem notícia, me conta as pessoas congestionaram o telefone da recor, porque a gente era a única missora que estava no ar falando desse assunto. A gente não falou de outra sonda, a gente derrubou tudo para falar só da tragédia de brumadinho e eram relatos muito difíceis, pais, mães, mulheres, filhos, pegavam para recor. Essa imagem, aí ficava o refeitório, eles estavam aí, era a hora do almoço. Esses momentos, a gente foi tomando consciência do tamanho da tragédia. Naquele dia, o balanço geral teve o horário ampliado. A recor derrubou toda a programação para fazer a cobertura da tragédia. O Cidade Alerta Nacional entrou mais cedo. Os Jornais locais de Minas Gerais também se preparavam para atualizar os telespectadores com que se sabia até então. O Cidade Alerta Minas entrou com imagens feitas por celular de quem estava bem perto da lama. Na sequência, o MG Recor repercutiu o que tinha acontecido, como lembra o editor chefe do Jornal, Jonathan Cotta. O MG Recor deu sequência a uma cobertura de factual, que a gente fala que está acontecendo de momento. Foi uma cobertura que no dia 25 de janeiro à noite ela não tinha terminado. Eu lembro que no momento do Jornal à noite foi exatamente coincidiu com o horário em que as autoridades fizeram uma coletiva para anunciar qual era a situação. Estavam presentes bombeiro, defesa civil, polícia militar e era o que a gente tinha de momento ali. Como era busca, o número desaparecido, tudo que foi feito ao longo do dia, qual era a expectativa para os próximos dias? A Recor montou uma grande estrutura para os dias seguintes. Na base de comando, no centro de brumadinho, estavam seis equipes de reportagem. Outras oito, contando com as do interior e de São Paulo, estavam em corrego do feijão. O povoado mais atingido pela lama e onde ficava barragem. Eu fui para lá na segunda feira depois do rompimento e fiquei por uma semana fazendo a produção no local. Nós estávamos hospedados em Casa Branca, distante 11 km de onde havia sido montado os centros de operações para as buscas. O clima no distrito era de profundo silêncio. Ninguém acreditava no que tinha acontecido, amigos, parentes, clientes que se foram sem nem se despedir. E a dor estava ali, escancarada, como nos relatou na época uma moradora. Nós estamos de todo mundo aqui de brumadinho, trabalhando na Vale, sabe? Mas a Vale sabe, não trouxe essa coisa boa para nós. Olha, você vê, de destruição que trouxe para brumadinho. Daqueles dias, eu trago o cheiro que estava naquele lugar. Era forte, mas tão forte que era doia, e ainda dói no coração. Em uma das noites de trabalho, pouco antes do último jornal ao vivo, um fato me chamou a atenção. Uma retroescavadeira que se movimentava ao lado do pequeno semiterio do povoado e tinha 70 túmulos. O último interro de alguém ali havia sido em 2015. A tragédia fez tantas vítimas do vilarejo de córrego do feijão que o simiterio precisou ser ampliado. Essa triste realidade foi a pauta do jornal da Recordo Dia seguinte, junto com as buscas que não paravam. O número de mortos passou o de desaparecidos em brumadinho. E os bombeiros seguem nas buscas. Ao longo da semana, a RecordoTV minas exibiu mais de 100 reportagens inéditas sobre o que estava acontecendo. Muitas foram feitas pelo meu chará, o repórter Vinicius Araújo. Ele visteve por três meses empenhado na cobertura da tragédia em Mariana, e não acreditou que novamente teria que retratar algo semelhante. Viu desespero de quem não sabe onde está um ente querido, onde está uma pessoa que ama. No sábado de estilo dela, não sabe se escapou, se correu, se ficou, se foi arrastada. Vê isso assim, foi mais uma vez dolorido demais, duido demais. Durante uma das caminhadas ali, no entorno, de córrego do feijão, na área mais periférica, tentando chegar perto do local onde a lama passou, dos locais onde a lama estava depositada, a gente encontrou um senhor com um espéz de cajado na mão, enfim, ele ia tocando o chão e caminhando bem devagar com um chinel de dedo. E eu abordei assim, eu perguntei que ele estava fazendo. E isso, assim, já tinha cinco dias que tinha ocorrido o rompimento da barragem. A gente já tinha visto muita cena triste, e esse senhor caminhando ali sozinho, no lugar mais distante, e aí ao abordá-la, ele falou que estava procurando o filho. Foi esse oota sozinho aqui procurando o filho, do senhor. Eu disse sim, eu preciso dar um descanso pra ele, eu preciso sepultá-lo e chegar em casa e falar com a minha esposa que ele foi encontrado e que a gente vai poder dar um interro digno pra ele. E ele falou isso com uma serenidade, sabe, que bate na gente, sabe? Três anos depois ainda com poucas respostas em busca de desaparecidos, sem punições e com muitas dúvidas sobre a segurança de outras barragens. A dor de muitos que também pulsem nós jornalistas, vem com a certeza de que é preciso sentir brumadinho a cada dia. É preciso relatar, informar, se indignar e dar voz para que tudo não fique na lama. Tem que noticiar isso aí todas às vezes, é uma coisa que não só é ruim pra gente, mas ruim também pra família, que tá vendo aquilo ali, vendo o passar o filme toda hora, né? Mas a gente tem que dar informação, a informação tem que vir. E além da informação, tem a cobrança que nós sempre cobramos e vamos continuar cobrando aí, uma definição pra isso, uma possível punição pra os responsáveis. Não pode dizer que simplesmente são há casos que acontecer um incidente e que ninguém teve responsabilidade sobre isso, ou seja, acabando com 270 famílias, isso é muito triste, então, além de mostrar, nós estamos sempre na cobrança de que alguém tem que responder por isso. Foi realmente assim um desafio muito grande, acho que com certeza o maior desafio da minha carreira preferir não ter participado desta cobertura, preferir que isso não tivesse acontecido, assim que eu me sinto porque não dá pra se orgulhar de fazer parte da cobertura de uma tragédia como essa. E eu penso assim, o ideal é que a gente transmitisse apenas [MÚSICA DE FUNDO] boas, mas infelizmente na nossa profissão a gente tem também que levar esse tipo de informação e é muito difícil, assim como para os bombeiros que tem que atuar lá resgatando as vítimas, para os médicos, para os policiais, para nós também, jornalistas, é muito difícil acompanhar de perto o sofrimento dessas pessoas. Quando aconteceu o Mariana, que também foi a maior tragédia ambiental que esse país já viveu e a gente viu cenas horríveis, as famílias andando noite inteira, procura de um lugar seguro, as pessoas em hotéis perderam tudo, uma vil inteira acabou, a gente achou que tinha aprendido, mas a gente não aprendeu, a gente não aprendeu, a tragédia de bombadinho, ela nos choca porque ela foram vidas humanas, foram mais de 200 famílias, seis corpos ainda não foram enterrados, seis famílias vivem o luto diariamente e isso não vai ficar, e isso nunca será esquecido, a gente fez apenas o nosso trabalho como jornalista. Eu te digo que nunca imaginei que algo de tamanho é grandeza, de tamanho é gravidade, iria ser quando eu recebi a informação do rompimento da barragem, e é triste, porque não dá para poder participar de uma cobertura dessa e voltar ao mesmo para casa depois. É uma cobertura que não tem fim, quando se fala em barragem o tempo inteiro, já é um assunto que deixa todo mundo aprensivo, até porque a cobertura de bombadinho ainda não terminou, três anos ainda a gente tem famílias com antes desaparecidos, a gente ainda vive essa angústia dessas famílias que querem, alguma notícia querem fechar esse ciclo, que ainda não foi fechado, e ainda a gente vive essa situação de barragens, o tempo inteiro, a nível de risco, de emergência, e que deixa todo mundo muito aprensivo, qualquer situação, uma chuva, poucos dias nós tivemos a situação do Dick de Valoré aqui na 040, que não era uma barragem de rejeitos, mas num primeiro momento sem saber ainda a confirmação, deixou todo mundo muito aprensivo, então é uma situação que a gente vive a tempo inteiro, é uma tensão que existe e parece não ter fim. A perda da memória, a perda da identidade, a perda do ar, tudo isso provoca um vazio muito grande, nas pessoas, e em quem tá ali com as pessoas, venciando o dia-dia delas, conversando com elas, experimentando a angústia delas, e tanto em Mariana, nos distritos arrasados pela barragem de fundão, da Samarco e tanto em Corgo do Fejão, no Desastre da Vale, a gente sentia essa dor das pessoas, e não sabia o que fazer pra consolá-las, a gente sabia que a gente tinha que formar, e nós papelerem formar, era denunciar, era pedir ajuda de tempo desse, contribuir de alguma maneira, pra estar ali colaborando com essas famílias, cobrar la justiça, do Ministério Público, ações efetivas, e mais do que isso, é denunciar toda a ambição que provocou esse desastres, esses desastres. Este podcast teve produção de Vinicius Rangel com a edição de texto de Flávia Martins e Miguel, edição de áudio Diego Fiálio, direção de jornalismo, Marco Nascimento. Para ouvir outros episódios do podcast Brumadinho três anos, acesse o perfil da Recorte Viminas nas plataformas de áudio, você também pode conferir a série sobre o tema produzida para TV, acesse r7.com/minas, no siga ainda nas redes sociais, Facebook, YouTube, Instagram e Twitter, @recorteviminas.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A cobertura da tragédia em Brumadinho começou com informações iniciais vagas, como lama e relatos por telefone, e foi confirmada por ligação com a Defesa Civil, que confirmou o rompimento da barragem.
  2. A redação da Recorte Veminas rapidamente suspendeu sua programação normal, redirecionando todas as equipes para a cobertura, com o balanço geral ampliado e a equipe de campo instalada no local.
  3. A reportagem destacou a tragédia humana com imagens exclusivas, como o resgate da menina Talita Cristina, e revelou que o número de mortos excedeu o de desaparecidos, com muitas famílias vivendo o luto e sem respostas sobre responsabilidade ou punição.

Summary:

A cobertura da tragédia em Brumadinho, relatada pelo jornalista Vinicius Ranjel, começa com a descrição de um dia normal de sexta-feira, que se transforma em um momento de crise após o rompimento da barragem da Vale. As primeiras informações chegaram por ligações e vídeos, com pouca clareza, e a equipe da Recorte Veminas, liderada por Luciani Santiago, rapidamente atua para confirmar o ocorrido com a Defesa Civil. A confirmação do rompimento é crucial, pois aciona a rápida mobilização da redação, que suspende sua programação habitual e redireciona todos os repórteres para o local.

Durante a cobertura, os jornalistas relatam imagens impactantes, como o resgate da menina Talita Cristina, e a dor das famílias que buscam seus entes desaparecidos. A equipe percebe que a tragédia é de dimensão colossal, com centenas de vítimas e centenas de famílias vivendo o luto diário. O jornalismo não só informa, mas também denuncia a falta de responsabilidade e de punição aos responsáveis, reforçando a necessidade de justiça e transparência.

Durante os três anos seguintes, a dor persiste, com famílias ainda sem notícias e a tensão por novos riscos de barragens. A cobertura é vista como um dos maiores desafios da carreira dos jornalistas, pois envolve o sofrimento humano, a perda de memórias e a dor coletiva, exigindo não apenas a denúncia, mas também a consciência de que a tragédia não foi esquecida e continua atuando como um alerta constante para a segurança ambiental em Minas Gerais.

FAQs

As primeiras informações chegaram por telefone, com telespectadores relatando que a barragem da Vale havia se rompido, mas sem fotos ou vídeos iniciais.

Ele foi responsável por confirmar a gravidade do rompimento, ligando para colegas da Vale em Tabira e verificando se havia informações oficiais sobre o incidente.

A redação se mobilizou imediatamente, parou todas as reportagens programadas e redirecionou todo o pessoal para cobrir a tragédia em Brumadinho.

A primeira imagem foi de uma lama se espalhando, que confirmou a gravidade do desastre e foi essencial para iniciar a cobertura com base em evidências visuais.

O vídeo mostrava uma cena emocionante e real: a resgate de uma menina pelo corpo de bombeiros, com um helicóptero ao lado, que gerou grande impacto emocional e de urgência.

Ela percebeu que muitas pessoas estavam no refeitório no momento do rompimento, o que indicou que o número de vítimas era muito alto, confirmando a gravidade do desastre.

Chat with AI

Loading...

Pro features

Go deeper with this episode

Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.