Luiz Gustavo Dalus, jornalista com mais de 35 anos de carreira, foi um dos primeiros a chegar ao local do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. Com um helicóptero de reportagem equipado para transmissões ao vivo, ele conseguiu transmitir em tempo real a destruição causada pela lama que inundou o distrito do Corrego do Feijão. A cobertura foi profundamente emocionante, pois mostrou a dor das famílias, a dificuldade de resgate e a ausência de estruturas de apoio para a identificação e sepultamento de vítimas. O jornalista relata como o momento foi marcado por emoções intensas, como lágrimas, medo e um profundo senso de responsabilidade diante do sofrimento humano. Ele observa que, apesar da grande mobilização da imprensa e das forças de segurança, a empresa Vale não assumiu responsabilidades reais, continuando a promover uma imagem de recuperação enquanto o erro técnico — de colocar áreas administrativas e de refúgio abaixo da barragem — permanece inexplorado. A experiência transformou os profissionais em pessoas próximas à comunidade, criando laços de solidariedade com os moradores, que enfrentaram a perda de tudo: casas, pertences e vidas. O relato destaca não apenas a importância da cobertura jornalística em crises, mas também a necessidade de justiça e transparência diante de erros graves na engenharia e na gestão de riscos.
Meu nome é Luiz Gustavo Dalus, sou reporter na quase 35 anos, trabalho hoje na Repórter V e fui o primeiro jornalista a chegar a brumadinha assim que a barragem se rompeu.
Naquele 25 de janeiro de 2019, eu tinha saído de casa por volta de meio dia em 30.
E de onde eu moro até a recorminas, o trajeta de mais ou menos 40 minutos.
No meio do caminho, o celular tocou, mas eu estava dirigindo, então eu não atendi.
Tocou de novo, e aí eu já fiquei intrigado.
Na terceira vez eu olhei o número, e era de uma pessoa muito querida, um amigo meu, mas aí eu pensei, eu retorno depois, porque agora tudo trânsito.
Só que o telefone tocou de novo, e agora o número era da recor.
Aí é claro que eu já descobri, já percebi que tinha algo errado acontecendo, o que eu fiz, eu parei o carro, liguei para a renação, e me falaram que a barragem da vale em brumadinho havia se rompido.
Logo me veio a mente, as cenas de Mariana em 2015, que eu também cobri.
E eu me lembrei das pessoas nutelhados, acenando para o nosso helicóptero, para pedir ajuda, ali elas usavam lençóis, tualhas brancas, e o desespero estampado no rosto daquela gente.
Em trajetas assim, é fundamental para quem vai cobrir o evento, como foi o nosso caso, chegar ao quanto antes, e nessa hora nada é mais eficaz do que um sobrevou.
Para ganhar tempo, eu combinei com os meus colegas de renação, que em vez de ir para a imissora, eu iria direto pro aeroporto, e foi isso que eu fiz.
Lá, já estavam me esperando o piloto do barbate, e o câmera, especialista em imagens aéreas, amadeu barbosa, duas férias desse mercado, com quem eu tive a honra de trabalhar.
Aliás, foram eles que também cobriram comigo, Mariana.
E aí, gente, o helicóptero de reportagem, não é um helicóptero comum, é um maeronave, toda adaptada para fazer transmissões ao vivo, e com muitos recursos de filmagem.
Pouca gente sabe, mas existem câmeras, por exemplo, embaixo do helicóptero, e dentro dele, apontada diretamente para o reporte, que voa no banco do passageiro ao lado do piloto.
O câmera vai no banco de trás, e ali ele tem uma minestação de TV à disposição, para fechar ou abrir a imagem, que é o que a gente chama de zoom, para gravar alguma cena, para entrar ao vivo ou não, etc.
Assim que nós decolamos, o Dudu e o Amadeu comentaram comigo que eles tinham acabado de filmar a imagem do helicóptero dos bombedos, resgatando uma mulher no meio da lama.
Eles acabaram de falar sobre isso, e o balanço geral apresentado aqui em minas pelo nosso amigo Mauro Tramonte, começou a mostrar aquele flagrante que eles estavam comentando comigo a bordo.
Notícia urgente, uma barrage acaba de se romper na cidade de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, policiais e bombedos estão no local.
E eu acho que aquela imagem simboliza toda a cobertura de Brumadinho, aquilo foi o momento único no jornalismo brasileiro, o momento histórico, como vente, e marcante, porque mostrava o esforço dos bombedos em salvar vidas, e o sofrimento daqueles que foram arrastados pela lama.
E aqui vai um registro muito pessoal. Antes de sermos jornalistas, nós somos contadores histórias, mas também somos seres humanos, e como qualquer pessoa, a gente também se emociona, chora, dar risada, a gente também tem hora que perde a paciência, fica triste quando uma reportagem não sai como a gente queria.
Por isso, ao ver aquela cena no ar, que depois seria repetida algumas boas centenas de vezes, em milhares de emissoras de televisão pelo mundo, não tinha como a gente não se emocionar, os olhos la crimejaram sim, e as lágrimas naquela hora foram inevitáveis.
Lá do alto, quase chegando a Brumadinho, eu confesso que eu fiquei me perguntando quem seria aquela mulher, quantos anos tinha, se tinha filhos, pais, irmãos.
Eu tentei imaginar o que não se pode calcular, a dor daquela sobrevivente e dos parentes dela, mas tarde eu soube que as protagonistas daquela imagem eram duas mulheres, a vítima, natália,
e a maior Carla, a competente piloto do helicóptero, que numa outra reportagem nossa, que a gente fez mais tarde, explicou que aquela manobra é extremamente difícil, porque é preciso controlar no ar, o peso do helicóptero, da vítima, dos bombeiros que ali estava.
Ou seja, a vida de todas aquelas pessoas, de todos aqueles personagens envolvidos naquela imagem, esteve por no fim.
Ali é um local muito complicado de trabalhar, porque por terra, por agressão é difícil, o militar desembarcou, para pegar a vítima, e ele afundou com a lama mais ou menos até a cintura.
Então, a dificuldade é estabilizar a aeronave, uma posição bem precisa, próximo, porque estava difícil de acessá-la, de mobilizar mais difícil ainda, e tinha que retirar ela rápido, porque estava correndo o risco de morte.
Então, é como equilibrar a amavassora na ponta dos dedos, ter que ter muita perícia e treinamento para conseguir ir precisando aquilo. E trabalho é equipe, porque quem está desembarcado precisa confiar no piloto, que aeronave está muito próximo, são mais de três toneladas, próximo o ano, e isso exige muita precisão.
Eu acredito que, se a gente não resgastasse, por exemplo, porque ele é vítima que estava ali naquela hora, possivelmente, ela poderia via óbito.
Mas o pior ainda estava por vir. Ao assim que a gente passou a última montanha no horizonte, o brumadinho apareceu diante dos nossos olhos.
Naquela hora, o relógio marcava uma imeia da tarde, tingida de marrom, lama escorrendo pelo rio, entrando nas casas, engolindo veículos.
Meu Deus, foram as minhas primeiras palavras de antes daquele caos. E a minha primeira pergunta para mim mesmo, quantos corpos estavam ali embaixo.
Exatamente por isso, eu pedi ao comandante do Du Barbat, que parasse o helicóptero por alguns segundos ali mesmo, antes da gente começar a gravar.
Genteio, como ele sempre foi, o Du Du atendeu ao meu apelo, e ali eu fiz uma breve oração.
Eu pedi a Deus por todas aquelas famílias que, da linha diante, começaram a sofrer, talvez os piores dias de vida, pedi pelos que partiram e perderam a vida ali.
Para os que ficaram, e para os que ficariam consequentas, para os que ficariam órfãos, viúgos, viúvas, e para os que teriam que enfrentar a maior dor que um ser humano pode suportar, a dor de enterrar o próprio filho.
Nessas horas, a gente precisa buscar muita coragem, sabe, para encarar a vocação que Deus nos deu, que é o jornalismo.
Porque no cenário tão crítico, para qualquer ponto que a nossa câmera acontece, havia uma história contato.
Pela primeira vez, a pacata Brumadinho teve consistionamento no céu, eram dezenas de helicóptero, se comprimindo no espaço aéreo sobressidade.
E a prioridade, naquele momento, obviamente, era encontrar sobreviventes.
Mas ao contrário de Mariana, dessa vez, nós não vimos pessoas pedindo socorro nos telhados das casas.
O que a gente viu foi uma lama desenfreada, destruindo tudo que encontrava pela frente, como se fosse folha de papel, inclusive vivia adultos, máquinas pesadíssimas da própria Vale.
E ali, eu saí narrando tudo o que eu estava vendo. E pouco mais de duas horas sobre Brumadinho, eu já tinha material mais que suficiente para mostrar ao telespectador o tamanho daquela tragédia.
Na volta ao aeroporto, uma equipe da TV já estava me esperando. E a gente queria ir direto para o corrego do feijão, o distrito mais afetado pelo tsunami de lama.
Só que a polícia tinha interditado a estrada e barrou a gente ali alguns poucos quilômetros do povoado.
Porque até então, a gente não sabia para onde a lama estava indo e o que os estragos que ela ainda poderia provocar.
Nós paramos em frente a uma escola estadual, para onde estavam sendo mandados os donativos para quem tinha acabado de perder tudo.
E ali, nós vimos pessoas chegando de Brumadinho, que tinham escapado do barro, ela chegava de barro da cabeça aos pés e apareciam para a gente como se fossem zumbis, os olhos arregalados, um choro compulsivo.
E a cena foi ainda mais apavorante, porque foi já no cair da tarde, já no início da noite.
Eu cheio que entra ao vivo no Jornal da Record ali.
alguns minutos. Meu colega de emissora, o Edu Ribeiro, ele estava a caminho vindo as preças
de São Paulo, mas até a chegada dele a bola estava comigo. E eu tinha tanto que contar
que poderia ficar ali um jornal inteiro falando sem parar, que ainda teria assunto pendente.
Nós abrimos a edição do jornal da Recona aquele dia, o Edu chegou já com o jornal ainda
no ar e ofegante tratou de assumir logo ali as entradas ao vivo da linha india. Já
passava das 10 horas da noite quando nós acabamos a cobertura daquele dia, mas a adrenalina
gente era tanta, que a gente não queria embora. E aí é isso que surge assim no meio da penumbra
o Leandro Santana, o produtor do Minho espetacular, que também veio de São Paulo para Minas
para reforçar para ajudar na nossa cobertura. Eu queria um banho quente e cama, porque eu estava
exausto fisicamente e emocionalmente, mas o Leandro que é como a gente chama o Leandro
Santana carinhosamente, queria a ação. E o que ele fez? Ele pegou uma câmera de mão pequena,
se despediu da gente e já desaparecendo no breu disso e que estava indo para o feijão e a pé.
Mas nós sabíamos que nós indicaríamos ali as próximas semanas à brumadinha. Nós trabalhamos
14, 16 horas por dia e a gente saia sempre com a sensação de que ainda havia algo mais
a fazer. Eu confesso que eu nunca vi tantos helicópteros subindo e descendo no campinho
de futebol, lá do correo do feijão, ou seja, no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Ele copter
os das polícias de Minas, de São Paulo, de vários outros estados, do corpo de Bomberto,
também de vários outros estados. E no nosso segundo dia de cobertura, eu reencontrei
o Marcos, um amigo querido que eu tinha conhecido pouco tempo atrás. Ele estava lá no meio da
confusão conversando com Bombero, Polícia, indicando o caminho aqui e outro ali. Foi ele que havia
me ligado imediatamente após o rompimento da barragem e eu não atendi porque eu estava
no trânsito. E nesse nosso rei encontro, além do meu pedido formal de desculpas por não ter
atendido o amigo na hora que ele me telefonou, eu descobri que ele tinha uma relação muito próxima
com o Brumadinha. A família do Marcos tinha negócios ali perto, ele conhecia tudo e todos
na região. Por isso ele se tornou uma peça chave para as forças de segurança, virou um
tipo de consultor das equipes de resgate. Assim que anoiteceu o Marcos e eu sentamos na escada da
igrejinha que tem lá no corrego do feijão, em frente ao campo de futebol, onde o Bombero tinha instalado
o que de da crise, né? Ali todas as forças de segurança ficavam concentradas para decidir como
fazer as operações de resgate. E nós sentamos ali porque o acesso ao distrito tinha sido liberado na
quele dia pela defesa civil. E nós estava comendo um sanduíche e tomando um supo ou um refrigerante,
eu não me lembro bem, quando ele apontou um oficial dos Bomberos com uma sacola de supermercado
na mão. E aí o Marcos me perguntou assim, sabe o que tem ali naquele saquinho? Eu respondi na hora
que eu não tinha a menor ideia, são víceras de alguma vítima. Eu não podia acreditar no que ele
estava me falando. Víceras, e ele disse sim, víceras, quer ver só o tenete e o tenete olhou para ele na hora.
O que que tem aí? E o tenete respondeu. Ah, são pedaços de copo que a gente pegou ali, mas nós não estamos
sabendo o que fazer com isso. De fato, não apenas o oficial, mas ninguém envolvido ali naquele
calçabia direito como proceder com os restos mortais, porque foi uma experiência nova e nositada para
todos nós, a tragédia de brumadinho, né? Eu me lembro de ver filas de caminhões frigoríficos parados
ali no córrer do feijão e as partes humanas sendo jogadas lá dentro. Depois aquelas partes humanas,
aquelas víceras eram levadas por E.M.L. em Belo Disonte para tentar identificar as vítimas por meio de
DNA. Mas ali, no meio daquela situação caótica, iam também pedaços de corpos de animais, o que levou os
peritos do E.M.L. e a exaustão. Não apenas por isso, mas eu me emocionei muitas vezes em corrego do
feijão, como no dia em que os bombedos terminaram o expediente, fazendo a oração do painosso, agradecendo pelo
dia vivido e entregando aquelas vítimas nas mãos de Deus, mais ou menos o que eu fiz lá do alto do
nosso copo. Eu também me emocionei na entrevista com a mãe de um menino de cinco anos que me disse que o
filho pegou o pavor de elecóptero. E eu perguntei por quê? A mãe respondeu por que toda vez que ele vê
passar por cima da gente, ele sabe que os elecópteros estão trazendo pedaços de alguém que a gente amava
ou conhecia. Então voltaram feijão todos os dias, foi uma experiência muito dolorosa. Muitas
famílias choraram diante das nossas câmeros. Muitos pais confessaram para a gente que sonhavam com
milagre de ver o filho entrando novamente pela porta. Essas pessoas acreditavam que sem corpo ainda
podia haver esperança. Só o com o passar do tempo foi dado a elas a exata noção do que estava
acontecendo e dador que essas pessoas teriam que enfrentar. Eu me lembro, por exemplo, de uma mulher
que contou que estava no quarto com o marido assistindo a televisão e os dois filhos estavam no
quarto. E essa mulher teve sede. Ela levantou da cama, foi pra cozinha e ela não se lembra de mais
nada. O impacto da lama jogou a casa dela no chão, arrastou e matou os filhos e o esposo. Ela
corta que quando ela retomou a consciência, ela estava presa no Lamassau com um barro já quase no
pescoço. E ela virou a noite ali a espera de socorro. E ela me contou algo muito assistador. A noite
toda ela escutou pedidos de socorro. Vindos de todos os lados, eram pessoas que também estavam
presas no barro a espera de ajuda, só que o socorro só veio na manhã seguinte. Ela saiu do atolero,
mas as vozes haviam se silenciado. Ou seja, muita gente morreu esperando pelo resgate.
Outro fato marcante foi elogística adotada pela imprensa que tinha que cobrir muitas histórias ao
mesmo tempo. Na recorre, por exemplo, vieram reforços de equipamentos e de profissionais do Brasil inteiro.
E ali naquele vale da morte, eu reencontrei vários colegas de profissão que hoje estão trabalhando
em veículos diferentes, são coisas do mercado. Nós compartilhamos experiências, informações,
a gente traçava algumas estratégias em conjunto, sugeria em entrevistas em conjunto,
ou seja, a imprensa se uniu a dor daquelas pessoas. E como toda a grande cobertura,
os casos vão brotando aqui e acolar dia após dia. A gente tinha vários telejornais pra alimentar,
e além do estresse físico emocional, a gente ainda tinha o dever de planejar o dia seguinte.
Eu me lembro do couvero de brumadinho nos contando da falta de covas na cidade e de gente pra
interrar tantas pessoas ao mesmo tempo. Só que como a gente ficava no feijão a maior parte do tempo,
nós nos tornamos amigos dos moradores daquela comunidade. Aí a gente entrava nas casas,
tomava água, tomava café, a gente divulgava as aflições daquele povoado que teve a vida virada pelo
avesso da noite pro dia. E era gente uma rotina muito cruel, acordar, buscar água no posto da coleta
da Vale, se alimentar e esperar pela notícia dos bombeiros sobre as buscas. Uma vez por semana,
essas famílias se reuniam com as equipes de resgate pra saber como era que estava a operação,
onde é que os bombeiros iam continuar procurando, mas às vezes as pessoas saiam tão impactadas com
o que foi falado ali, que mesmo com a gente que já tinha alguma proximidade, elas se recusavam
a conversar. Passavam direto por nós deixando estampado no rosto aquela mensagem de dor. Difícil entender
a afrição de quem tem a vida transformada de uma forma tão cruel e rápida. Uma senhora dona de uma
papelaria no correo do feijão, por exemplo, nos mostrou chorando o estoque de material escolar que ela
tinha comprado pra revender. O que vou fazer com isso agora? No favor, me ajude ela repetir pra mim.
Obviamente que ela esperava lucro porque o ano letivo estava pra começar, já que o acidente foi
janeiro e as aulas retornariam em fevereiro. E aí, pessoal, por mais que você seja uma pessoa com
experiência profissional, não há como não ter reação de uma entrevista assim, sabe? A maioria dessas
gravações terminava em choro, abraços de consumo, até hoje eu recebo ligações e mensagens pelo WhatsApp
dos moradores de correo do feijão, porque elas se tornaram pessoas do nosso ciclo de convivência. E elas
sabem que elas podem contar conosco. A mídia tem esse lado importante, né, de interlocução entre
eu, primidos e opressores. Eu me lembro também que todas as autoridades que eu entrevistei diziam que
Mariana não iria se repetir. Mas efetivamente eu te pergunto o que aconteceu? Nada, quase nada, ou muito pouco.
O que a gente vê que é a Vale gasta milhões em publicidade para dizer que indenizou
não sei quantas pessoas que está recuperando o meio ambiente, etc., mas ela nunca sumiu
o erro.
Como é que pode, gente?
Uma empresa de esta mãe cometeu um erro primário de engenharia e construiu um refetório
e a parte administrativa da mina bem debaixo da barragem.
Será que a minera dura subestimou o que jamais poderia acontecer e jamais imaginou a possibilidade
daquela estrutura gigantesca ruim?
Todas as vezes que eu fui a Vale eu vou observer algo muito curioso.
Eu não sei se você já foram lá, mas se forem, notem que a empresa exige do visitante
que está se une de re por uma questão de segurança, ou seja, existe uma preocupação com o estacionamento
e um descoito com as barragas.
Essa é uma lógica que eu nunca entendi, assim como eu não entendo como as autoridades
permitem que o produto extraído da nossa Terra Minas Gerais fique acima de vidas humanas.
Este é o meu relato do que vivi em Brumadinho, um dos maiores eventos jornalísticos que
eu já cobri.
Este podcast da Recorte de Veminas teve a produção de Romi Rocha, edição de Diego Fialio,
a direção de jornalismo é de Marco Nascimento.
Até a próxima!
Podcast Summary
Key Points:
Luiz Gustavo Dalus foi um dos primeiros jornalistas a chegar ao local do rompimento da barragem em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019, utilizando um helicóptero de reportagem adaptado para transmissões ao vivo.
A cobertura foi marcada por emoções intensas, com momentos de dor, tristeza e reflexão, especialmente ao ver pessoas em situação de perigo e ao perceber o sofrimento de famílias que perderam entes queridos.
A imprensa se uniu para cobrir a tragédia, com equipes de todos os estados e especialistas em resgate, gerando uma grande mobilização de recursos, mas também revelando a falta de preparo para lidar com a escala e o impacto humano da crise.
Summary:
Luiz Gustavo Dalus, jornalista com mais de 35 anos de carreira, foi um dos primeiros a chegar ao local do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. Com um helicóptero de reportagem equipado para transmissões ao vivo, ele conseguiu transmitir em tempo real a destruição causada pela lama que inundou o distrito do Corrego do Feijão. A cobertura foi profundamente emocionante, pois mostrou a dor das famílias, a dificuldade de resgate e a ausência de estruturas de apoio para a identificação e sepultamento de vítimas.
O jornalista relata como o momento foi marcado por emoções intensas, como lágrimas, medo e um profundo senso de responsabilidade diante do sofrimento humano. Ele observa que, apesar da grande mobilização da imprensa e das forças de segurança, a empresa Vale não assumiu responsabilidades reais, continuando a promover uma imagem de recuperação enquanto o erro técnico — de colocar áreas administrativas e de refúgio abaixo da barragem — permanece inexplorado. A experiência transformou os profissionais em pessoas próximas à comunidade, criando laços de solidariedade com os moradores, que enfrentaram a perda de tudo: casas, pertences e vidas.
O relato destaca não apenas a importância da cobertura jornalística em crises, mas também a necessidade de justiça e transparência diante de erros graves na engenharia e na gestão de riscos.
FAQs
O helicóptero foi essencial para alcançar rapidamente o local, com câmeras embaixo e dentro do veículo, permitindo transmissões ao vivo e registros de cena em tempo real.
Ele percebeu imediatamente que havia algo grave ao ouvir o número da empresa de resgate, o que o levou a parar o carro e ligar para a Renovação para confirmar o rompimento da barragem.
Na Brumadinho, não houve pessoas pedindo socorro nos telhados, ao contrário de Mariana, e o que se viu foi uma lama descontrolada que destruía tudo ao seu redor.
Ele descreveu o cenário como um caos: o céu tingido de marrom, lama escorrendo pelas casas e veículos, e a primeira pergunta que teve foi: 'Quantos corpos estavam ali embaixo?'
A vítima era uma mulher chamada Natália, e a ação foi realizada por Carla, a piloto do helicóptero, que explicou que a manobra exigia grande precisão e treinamento para evitar a morte da pessoa.
Ele pediu por todas as famílias afetadas, pelos que morreram e pelos que ficaram órfãos, buscando coragem para enfrentar a dor e a vocação jornalística em um momento crítico.
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