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BNCC: elementos para compreender uma ideia controversa (t 3 - ep 04 - 19/11/2021)

from 7070

24m 45s

BNCC: elementos para compreender uma ideia controversa (t 3 - ep 04 - 19/11/2021)

A discussão sobre a Base Nacional Comum de Curricular (BNCC) revela profundas tensões no campo da educação brasileira. Apesar de ser apresentada como uma solução unificada e moderna, a BNCC é criticada por promover uma padronização excessiva e centralização do currículo, ignorando as especificidades regionais, culturais e sociais. A influência de modelos internacionais, como o Common Core, é questionada por sua reducionismo e falta de flexibilidade. A proposta fortalece um modelo gerencial e avaliativo, onde a avaliação domina o ensino e o poder federal assume um papel predominante, reduzindo a autonomia das escolas e a participação local na construção do currículo. Além disso, a BNCC silencia questões importantes como gênero, diversidade e identidade, e restringe o campo de atuação da formação de professores, que passa a se alinhar apenas à BNCC. A reação de associações como a AMFOPE mostra claramente que a proposta é vista como incompatível com uma educação democrática, autônoma e justa. O processo de criação da BNCC, com milhares de sugestões e aprovação acelerada, demonstra um deslocamento do debate para uma decisão centralizada e tecnicista. Essa tendência representa um risco real para a diversidade educacional e a promoção da justiça social, colocando em xeque a autonomia escolar, a riqueza cultural e a qualidade do ensino público no Brasil.

Transcription

1828 Words, 11035 Characters

Portuguese
[BLANK_AUDIO] [BLANK_AUDIO] [FOREIGN] [FOREIGN] [FOREIGN] [FOREIGN] [FOREIGN] [FOREIGN] [FOREIGN] [FOREIGN] aprendiz como um todo, nós temos que aprender a trabalhar o conhecimento como um todo, isso não é desconhecer os limites das disciplinas, mas é entender que essa divisão metodológica é meio disciplina, ela ajuda a compreender em maior detalhe, questões que estão colocadas para aquele objeto de estudo, mas ela também precisa ser vista, dentro de uma perspectiva maior do que o conhecimento é esse que faz diferença para a gente, e aí por fim, aquela ideia de que algumas disciplinas parecem naturalmente receber maior ou menor valor dentro o currículo, o fato concreta que essa valoração de um determinado disciplinas é meramente artificial, ela não é uma resposta a uma questão concreta que esteja efetivamente colocada, né? E por isso tudo, o currículo se mostra como uma arena na qual as tensões vão aflorar, e elas têm a ver com questões que dizem respeito aos distintos campos epistomológicos, mas têm a ver também com a disputa egemônica sobre o projeto de sociedade que está colocado, e por sua vez isso vai se refletir nas práticas culturais, e que, no caso da escola, também vão equiar fortemente na indústria do material de dático e de testagem, então a gente vai observar, por exemplo, que um movimento como uma nova base nacional como um curricular vai alimentar a indústria de material de dático, na direção de dizer, olha, isto aqui está de acordo com essa proposição, e acaba sendo também realimentado pela própria cultura de avaliação que coloca na ponta da linha a avaliações patternizadas que estão relacionadas com esses objetivos centralmente definidos pro país inteiro a respeito das singularidades regionais, então isso é um problema que vai aflorar e que vai se mostrar particularmente nesse momento histórico que a gente está vivendo, como um momento de bastante tensão, em torno de uma proposição que é absolutamente homogenizadora para o país inteiro, mas a gente falou de onde vem a ideia de uma base nacional como um curricular, mas a pergunta é de onde vem a inspiração para essa base nacional como um curricular. Durante o processo de construção dessa ideia da base, vários países foram citados como possíveis inspiradores dessa base, se falou, por exemplo, na questão do currículo australiano, inclusive associações nutridas por financiamento de fundações, troceram especialistas e propuseram algumas discussões de cima para baixo, mas é importante, talvez, fazer uma relação entre a ideia do Common Core, dos Estados Unidos, como uma inspiração para a base nacional como um curricular. E aí nós vamos ter tanto gente que se alinha com essa ideia e está na ideia da poio, como também aqueles que vão se opor a isso. E dentre aqueles que se alinham tanto o Common Core para a propriedade da BCC, vem muito no discurso a ideia de que a isso é uma ideia aprovada e aprovada internacionalmente. E essa é uma questão controversa, a pesquisa tem mostrado que essa é efetivamente uma questão controversial, é de que funciona bem internacionalmente, não é exatamente assim, há bastante selema no que diz respeito aos resultados dessa visão reducionista da educação. Entre os argumentos de quem apoia essa ideia, também a ideia de que isso é uma forma mais rigorosa de ver o ensino, e de que uma base como uma mais fechada tende a favorecer a mobilidade dos estudantes, que pode ir para qualquer lugar e é sempre a mesma coisa, mas é exatamente isso. É sempre a mesma coisa, então você vai ter pouca distinção entre o que está no amapá e o que está em Santa Catarina, apesar das diferenças regionais, mesmo costerando a identidade que a gente tem como nação, não é possível desconsiderar as identidades locais e regionais. A própria ideia também, de quem apoia esse tipo de iniciativa tem a ver com a incorporação do que está de mais moderno em pesquisa. E se a gente vai observar, por exemplo, a própria base nacional como um curricular, você faz uma busca seletiva de pesquisas que suportam determinado tipo de argumento, muitas vezes centrados em avaliações padronizadas que não levam em consideração o contexto local. De maneira geral, essa crítica mais severa vai estar centrada exatamente nos aspectos mais salientes da própria defesa que fazem os proponentes de uma base com essas características que a gente tem aqui. E quem se opõe esse tipo de ideia geralmente da conta de que a avaliação passa a ter um papel muito mais predominante no organização do currículo, do que propriamente o ensino. Você direciona todo o processo de ensino para a avaliação que está lá no final da ponta. Além disso, ele coloca um papel muito forte no gerenciamento federal sobre a educação no país inteiro, tirando boa parte daquilo que é o controle local para esses propósitos múltiplos de educação que não são necessariamente aqueles alinhados com as questões que estão colocadas ali. E por fim, mas não menos importante, o fato de que uma proposição como esse de uma base nacional como um curricular gera um imenso mercado de serviços e de produtos relacionados à implementação desse curriculo. E isso também tem muito a ver com o próprio processo através do qual o BNCC foi produzida. Essa é uma primeira versão lá em 2015 com alguns eventos públicos que acontece. E saiu um primeiro rascunho construído por experts e consultores. E essa primeira versão, quando entra em consulta pública, recebe 12 milhões de sugestões. Eu não estou brincando aqui, a número é esse mesmo, são 12 milhões. E um desafio, como fazer com que esse curriculo não seja uma visão simplificada e obrigatória do tipo que um tamanho serve para todas as questões. A segunda versão que aparece lá em período março a maia de 2016, obviamente, se quem quiser estudar o período da história recente do país vai entender que nós vivíamos um momento muito complicado da democracia invertigem no país. Então, foi um período bem difícil. E nesse período as organizações como concede que reuni os secretários de educação dos estados. E há um dime que são reuni os secretários de educação dos municípios. Passa de alguma forma a ter um papel muito mais preponderante nessa proposição. E vão ser fortemente apoiados pelas fundações filantrópicas de risco para poder produzir uma versão que sofre muitas críticas nas discussões isoladas no meio de uma turbulência imensa. E, por fim, a terceira versão que surgiu em 2017, em abril de 2017, ela vem no bojo da reforma curricular do ensino médico que foi colocada de forma inédita e assustadoramente inédita sobre forma de uma medida provisória. As 12 milhões de sugestões parecem desaparecer e a aprovação pelo consilio nacional de educação acontece numa velocidade assustadora, mesmo com um processo pretensamente de audiências públicas. Algumas que se quer conseguir uma acontecer, porque era tão polêmica a proposta de tal forma que acabou acontecendo um processo de desculpa muito seletiva. E isso baixa como a Norma, ou esse documento de caráter normativo, que é do tipo em Gulas. Não tem opção para isso. E, portanto, esse debate apurado que expressa ali em se uma visão muito clara de um viés gerencialista com foco no resultado, centrado em processos avaliativos, que tem mais a ver com a lógica empresarial do que com os desafios singulares dos processos educativos. E também uma crítica muito forte sobre a concentração de esforços nessas matérias do CERN, então a línguas e matemática. E um desaparecimento de algumas áreas e que vão virar assuntos isolados nessa base nacional, [MÚSICA DE FUNDO] comum curricular. Também chama a atenção o silenciamento e a omissão sobre as questões de gênero, de diversidade e outras tantas que são importantes conquistas dos últimas duas, três décadas. E por fim, o fato de que proposta uma base nacional para a formação de professores, que não faz mais do que espelhar a BMCC na formação dos professores, então, isso é um argumento assim que vai muito forte na direção de uma desprofissionalização da profissão. Você passa a tentar criar um currículo que é a prova de professor. E é por essa aí por outras razões que especialistas sobre currículo e sobre políticas públicas, tem uma recepção muito negativa dessa BMCC e associações também se movimentam. Então, por exemplo, a AMFOPE, que é a associação nacional pela formação de profissionais da educação, emite um parecer muito contundente, porque a AMFOPE sempre defendeu uma base nacional, uma base comum nacional, mas dentro daquela perspectiva de uma sociedade democrática, da possibilidade de que as questões locais preponderem ou tem um papel preponderante na construção curricular. E locasa que me refiro não só a questão regional, mas a própria comunidade educativa. Então, por exemplo, numa nota de setembro de 2018, da AMFOPE, acho que o leco que fica mais fácil, a AMFOPE diz, consideramos esta base nacional comum curricular, uma proposição curricular anacronica e ultrapassada que recupera a concepção de competências e habilidades, que aponta para a implantação de processos de centralização, padronização e controle incompatíveis à formação integral de estudantes e professores, desrespeitando a rica de versidade cultural e autonomia das escolas brasileiras. A BMCC é inaceitável do ponto de vista curricular, pedagógico e educacional, pois intensifica processos de precarização do ensino nas escolas públicas, prejudicando principalmente os estudantes ou rionos das camadas populares. Essa nota da AMFOPE traduz muito daquilo que se possa ver como as principais restrições à BMCC. Mesmo aqui, na OPS, que durante o processo das audiências, uma delas aconteceu aqui em Florianópolis, ou numa mobilização em vários desses argumentos foram trazidos também, como uma preocupação grande em relação à própria questão da BMCC. E é isso que agora estamos no momento em que a BMCC tornou-se uma norma e que a problematização disso e, por exemplo, da implantação do curriculum do ensino médio, tem mostrado que várias dessas preocupações que estão muito bem explicas na nota da AMFOPE são, efetivamente, não mais um risco, mas algo que está batendo a nossa porta. Então, é preciso, sim, discutir a respeito da BMCC. É preciso conhecer a BMCC para entender que os seus principais riscos têm a ver com esse processo de padronização exacervada do currículo, de uma centralização e genisadora do currículo, que visa tirar dele as discussões e mesmo o espaço de crescimento para a educação que dizem respeito a um ambiente que é democrático, um ambiente que é diverso e é um ambiente que necessariamente deve focar na promoção da justiça social. Como deu para ver, esse é um assunto bastante rico e complexo e é preciso que a gente siga discutindo a respeito. Um abraço, até a próxima semana! Esse foi o 7070, o podcast para quem quer aprender e ensinar inglês. Uma realização do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSC, novos episódios sempre as sextas feiras, as quatro da tarde, 70-70, uma produção de Hamilton de Godoive e Levyck e Priscila Fabiane Farias. UFSC, fazendo educação de qualidade.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A divisão metodológica entre disciplinas ajuda aprofundar o entendimento de temas específicos, mas deve ser vista dentro de um olhar mais amplo sobre o conhecimento e sua construção social.
  2. A valorização de certas disciplinas no currículo é uma construção artificial, não respondendo a necessidades reais de aprendizagem ou contexto local.
  3. A proposta de uma Base Nacional Comum de Curricular (BNCC) gera tensões epistomológicas e sociais, refletindo disputas sobre projetos de sociedade e controle educacional centralizado.
  4. A BNCC é influenciada por modelos internacionais, como o Common Core dos EUA, mas essas influências são contestadas por sua reducionismo e falta de consideração às especificidades regionais.
  5. A BNCC promove padronização e avaliação massiva, diminuindo a autonomia das escolas e a diversidade cultural, além de fortalecer um modelo gerencialista e empresarial.
  6. A proposta ignora questões essenciais como gênero, diversidade e identidade local, e reduz o papel das áreas do saber e da formação de professores.
  7. O processo de construção da BNCC, com 12 milhões de sugestões e aprovação rápida, revela uma centralização do poder e um controle político sobre a educação.
  8. Organizações como a AMFOPE criticam a BNCC como anacronista e prejudicial à formação integral de estudantes e professores, especialmente nas comunidades de baixa renda.

Summary:

A discussão sobre a Base Nacional Comum de Curricular (BNCC) revela profundas tensões no campo da educação brasileira. Apesar de ser apresentada como uma solução unificada e moderna, a BNCC é criticada por promover uma padronização excessiva e centralização do currículo, ignorando as especificidades regionais, culturais e sociais. A influência de modelos internacionais, como o Common Core, é questionada por sua reducionismo e falta de flexibilidade.

A proposta fortalece um modelo gerencial e avaliativo, onde a avaliação domina o ensino e o poder federal assume um papel predominante, reduzindo a autonomia das escolas e a participação local na construção do currículo. Além disso, a BNCC silencia questões importantes como gênero, diversidade e identidade, e restringe o campo de atuação da formação de professores, que passa a se alinhar apenas à BNCC. A reação de associações como a AMFOPE mostra claramente que a proposta é vista como incompatível com uma educação democrática, autônoma e justa.

O processo de criação da BNCC, com milhares de sugestões e aprovação acelerada, demonstra um deslocamento do debate para uma decisão centralizada e tecnicista. Essa tendência representa um risco real para a diversidade educacional e a promoção da justiça social, colocando em xeque a autonomia escolar, a riqueza cultural e a qualidade do ensino público no Brasil.

FAQs

A BNCC é uma proposta de currículo nacional que busca padronizar o ensino em todo o Brasil. Sua inspiração vem de modelos internacionais, como o Common Core dos Estados Unidos e o currículo australiano, e foi desenvolvida por uma equipe de especialistas com apoio de fundações.

Muitos critiquam a BNCC por promover uma padronização excessiva do currículo, ignorando as diferenças regionais e culturais. Isso pode desconsiderar a rica diversidade local e limitar a autonomia das escolas e comunidades educativas.

Sim, a BNCC silencia questões essenciais como gênero e diversidade, que são conquistas importantes da última década. Isso é preocupante porque exclui temas fundamentais para uma educação inclusiva e democrática.

A BNCC propõe que a formação de professores siga exatamente o que está na base, o que é criticado por desprofissionalizar a área, reduzindo a liberdade pedagógica e transformando o professor em um executor de um currículo rígido.

Sim, muitos especialistas afirmam que a BNCC segue uma lógica gerencialista e avaliativa, centrada em resultados, o que se assemelha à lógica empresarial e não à necessidade pedagógica e social do ensino.

A BNCC centraliza o currículo nacional, reduzindo o espaço de decisão das escolas e autoridades locais. Isso enfraquece a capacidade das instituições locais de adaptarem o ensino às suas realidades específicas.

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