A entrevista com Benedita da Silva, no podcast "Escute às Mais Velhas", traça sua extraordinária trajetória de ativista comunitária a deputada federal. Ela relata como sua liderança surgiu na favela Chapéu Mangueira, inspirada por sua mãe, em lutas por saneamento, saúde e moradia, organizando mulheres e criando associações. Benedita enfatiza a dupla discriminação por ser mulher, negra e favelada, destacando episódios como a defesa do acesso à água como uma questão feminista essencial. Na política, foi pioneira ao representar essas pautas no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e na Assembleia Constituinte, onde ajudou a criar a "bancada do batom" e avançou em direitos civis e trabalhistas. Ela também comenta a solidão da mulher negra nos espaços de poder e a importância do apoio coletivo. Por fim, aborda sua fé evangélica, explicando que não vê conflito com a política, pois interpreta o evangelho como um chamado à justiça social, ao cuidado e à liberdade religiosa, criticando discursos que distorcem essa mensagem.
[Música] Oi, eu sou a Sveli Carneira. Eu sou a Meca Feetubo. Esse é o escute às mais velhas, o porto que é sota da Fundação Titice Tuba, o produzido pela Rádio Novel. [Música] Aqui a gente aprende mais sobre a história do Brasil, a partir de mulheres inspiradoras que atuaram na sua construção desde a redemocratização. E a nossa conversa de hoje é com a ativista e deputada federal Benedita da Silva. [Música] Benedita da Silva é a mulher negra mais potente da história do Brasil. A sua trajetória é extraordinária e exemplar. Radas mulheres no mundo alcançaram realizar todas as funções públicas que ela realizou. [Música] Quem é Benedita da Silva por Benedita da Silva? Benedita é uma mulher como outra qualquer do planeta. Então, Benedita, conta pra gente que você, desde a sua joventude, você tem um histórico de liderança comunitária desde que você morava na favela. Como é que foi que surgiu isso em você? Olha, veio também de uma outra mulher. Minha mãe era uma liderança religiosa, era um bandista, a minha mãe era parteira e ela contaminou a nós, as mulheres da casa principalmente, nessa educação de sentimento, de compromisso e de envolvimento com as dificuldades que qualquer um tem nas comunidades, naquela época você tinha uma comunidade mais pacífica do ponto de vista da relação mas havia uma ausência enorme do poder público. Eu fui gerada ali naquela luta pela bicardago, na luta pro emprego, na luta pro escola, não combate ao preconceito que se tinha essa experiência boa e ruim que obtive na faculdade da vida me diplomou para que eu pudesse viver as próprias contradições. Passei pelo processo muito cedo de discriminação racial, passei por violência sexual, enquanto criança, disclusão social também, que vivi, que foi me amadurecendo na luta da própria comunidade. Então, eu comecei a trabalhar com as mulheres, não me considerava assim do movimento feminista, eu me considerava, é uma dona de casa com mais outras que nós estávamos ali lutando para ter uma casa decente, enfrentarmos de difíceis, carregamos muita lata da água na cabeça e íamos nos organizando por esses caminhos, por uma inclusão social. Mas tinha uma organização cometária, uma associação. A minha comunidade, chapéu-mangeira, era uma das comunidades mais organizadas do ponto de vista político. Nós reembidicamos a organização das favelas, nós reembidicamos ali o saneamento que não existia. Quando nós falavam de urbanização, nós estavam falando de via, de acesso, de atentimento público, para as comunidades, fizemos muitas obras na base do mutirão, gratuitamente, depois de uma semana de trabalho, aos domigos, nós tínhamos a organização, a organização das mulheres, a organização do comiteio de favelas, esse comiteio tinha muito apoio até da igreja católica, a nossa senhora do ruzário, nós nos organizávamos dessa forma, voltado mais para aquela demanda, nossa, né? Nós não tínhamos ainda esta luta da mulher para ter uma ideia, a associação de moradores, a mulher não votava na cebleia, quem votava a eram os homens, marido ou filho mais velho, porque não tinha marido. O nosso movimento de mulheres revolucionou, eu fui a primeira, só tinha eu, de mulher, a lar da diretoria, nós vamos levando, levando, depois criamos um departamento feminino, mudamos o estatuto, então ali nós começamos a fazer, esse trabalho de conscientização depois do departamento feminino, abriu um posto de saúde, então nós começamos a trabalhar, é mortalidade infantil zero, a questão do aborto também, nós tínhamos toda uma prevenção voltada, para que não houvesse a necessidade de aborto, porque aborto era direto, uma coisa assim e pessoas morriam, né? Uma coisa de tremeno, e a partir da ali, então nós começamos a pensar como dialogar com o poder público. Então criamos uma federação das favelas, e a partir da federação das favelas, nós tínhamos muito mais força, né? Tínhamos aquela sembleiona, depois criamos a federação estadual, depois criamos a federação nacional de favelas, por aí então começou a nossas organizações. Como os políticos subiam na favela na época de eleição, porque a gente passou um período sem eleição evidente, e nós passamos umas amarguras que as pessoas não sabem, elas não conhecem como foi a nossa vida no período de 64, até os casamentos que eram tradicionais nessas comunidades, eles deixaram de acontecer, porque você se casasse e ficasse na favela, o seu barraco era derrubado. As pessoas deixaram de casar, pra não perder a sua casa, porque você não podia casar a sua filha e deixar um pedacinho pra sua filha morar com você. Já ali já tinha esse pensamento dos vazios e amentos das favelas, por esse método, criaram coisas incríveis, né? Era proibido ter luz direta da láite, você não poderia ter um telefone, você não poderia ter nenhum desses bens, naturais e comuns, pra. -Vais dizer. -Espavela, né? -Espavela, né? -Espavela, né? Uma coisa incrível. Então você não tinha também o direito à urbanização, as mulheres também, não podiam ter muitos filhos, tinha organizações que apareciam, né? Para esterelização das mulheres, são histórias que ainda minha geração, e outras não foram contadas ainda, mas tudo isso sem mais oquismo, mas nos deu muita força, muita energia, pra ir começar a dialogar com outros setores, que eram parecidos conosco, mas já estavam bem mais avançados, né? Como o movimento feminista, por exemplo, ele estava mais avançado no que diz respeito aos debates, mas ainda não incluía naquele momento o que é ser uma mulher negra-favelada. Então a mulherada negra foi começando a se organizar e a questionar e conseguimos ter encontros maravilhosos. Eu, por exemplo, quero dar favela, tive encontros maravilhosos, como suele carneiro, como mulher gonzales. Então nós fomos vendo a nossa imagem no outro espaço, né? E isso nos ajudou, nos estimulou, aqui nós pudéssemos estar ali também, porque elas passaram isso pra gente, né? Mas pera um pouquinho. Eu não me esqueço do impacto que você produziu, numa Assembleia feminista, em que a senhora se levanta e responde algumas liberdades, não é, que aquelas mulheres brancas de classe média estavam dizendo naquela Assembleia. E a senhora se levanta e diz que Bica d'água era uma questão feminista essencial para a sepsia do ato sexual. Aquilo foi um divisor de águas, para as feministas e para nós mulheres negras também, né? Eu acho que é isso, sou ele. Ah, isso. Lembra-me, né? Quando? Lembro, lembro. Foi no processo da Constituinte. Nós estava discutindo a questão da criação do Conselho. Ah, Conselho Nacional. Exatamente. Sim. Tinha um feminista que achava que a mulher d'água não tinha nada. Agora o meu corpo não me pertencia, porque eu tinha que carregar a água, a maioria de nós era um quarto. E o quarto era cozinha, né? No momento no outro era um quarto de dormir, que corpo que nós tínhamos, era um corpo cansado, usado, abusado, violentado, inclusive, pelas políticas públicas que não existiam para nós. Então, na minha avaliação, eu não podia fazer uma discussão do meu corpo me pertence, eu tendo a liberdade só para abortar. Quero ter a liberdade para não abortar. Como é que eu faço isso para não abortar? Eu tenho que lutar pelo meu trabalho, pelo meu salário, pelo saneamento, eu tenho que lutar para ter um bem-viver. É um bem-viver. Exatamente, um bem-viver. Então, por isso eu coloquei essa coisa porque a gente precisava entrar, né? E tem outras péroulas, né, Suí? Não, mas nós vamos resgatar todas. Vamos resgatar. São maravilhosas, só maravilhosas. Aí você e Lélie, quando é criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, vocês entram representando as mulheres megras. Como foi esse processo? Olha, eu confesso isso ali, que eu entrei muita assustada, né? E foi muito bom porque eu já estava num processo de ter numa narrativa para que eu pudesse de alugar com dominante. Eu fui para a Universidade, exatamente por isso. Eu tenho que conhecer o código do dominante para que eu possa dialogar com ele. Então, eu comecei a fazer o meu estudo para poder tratar daquele fenômeno que era o Conselho da Mulher, porque, na verdade, não se criou o Ministério da Mulher, criou-se o Conselho do Conselhão e foi muito rico porque ali surgiram os debates, as contradições existentes, também como sempre do Brasil. A maioria das mulheres eram mulheres brancas, conformação intelectual, e a penidita estava lá no meio daquela confusão toda, mas foi também um olhar para as outras mulheres, as outras mulheres que eu digo que estavam lá do de penidita. Que você representava, né? Eu representava ali aquele universo que era muita responsabilidade. Mas, uma das coisas que eu aprendi foi reconhecer a qualidade do outro. Quando a gente reconhece a qualidade nos outros, você também se apodera daquela qualidade. Então, eu sei ouvir. Então, ali eu vi, do né, todas elas enfrentando, nos ajudou muito na nossa organização e foi também importante para que a gente tivesse, na Assembleia Nacional Constituinte, o Lóbido Baton, o Lóbido Baton, ele suja, porque quando nós chegamos na Câmara dos Deputados, ali também existiam uma coisa terrível. Não tinha banheiro para mulher no plenário. Diziam o seguinte, que a gente ia brigar que a gente não ia se entender e que há essas sensões mulheres do baton. Aí nós pegamos um baton, fomos todas por plenário e que falava ser o Lóbido Baton. Aí nós criamos o Lóbido Baton na Assembleia Nacional Constituinte, que nos deu muita sustentação. Eu acredito que nós tivemos exito na Assembleia Nacional Constituinte. Claro que nós enfrentamos duas grandes discussões que não aconteceram. Primeira era a legalização do aborto e a outra era a reforma agrária. Era demais também, já que. E elevar tudo. E elevar tudo. Mas nós avançamos no que de respeito ao direito civil, na questão da relação de trabalho da mulher, de reconhecimento de diferentes profissões, da questão urbana também, que nós colocamos na Assembleia Nacional Constituinte. Então foi, para mim, um grande desafio, passei ali momentos difíciles, e eu sou Evangelica. E eu era a única Evangelica que tinha uma bandeira de defender o que eles chamavam de minoria. É a questão racial. Tinha que defender a orientação sexual. Eu tinha que defender a liberdade religiosa. Passamos criminamfrançável, a prática do racismo. Então tudo que nós conseguimos avançar tem as nossas digitais, dos nossos movimentos. E tudo foi feito coletivamente, com a sociedade civil e as organizações de mulheres. Eu acredito que ali foi um crescimento para todas nós. Depois, claro, não é que houve um racha, mas houve pelo contrário, um amadurecimento, forte alhecimento, e um diálogo mais plural. Entendeu que onde nós colocamos o nosso batalhão de frente aí, na sua ele carneira, na lélia, a González, vai saber contar perfeitamente isso. Eu sou depois de vocês duas. Eu sou herdeira das increncas que vocês arrumaram, até porque eu sou muito mais jovem do que vocês. Não, ó, sou ele. Você foi de uma importância, por conta da sua exigência e transparência da coisa. Você não tem ideia como você foi importante nas cobranças que fazia. A sua ele fazia cobrança até partidária. Ela virava. O seu partido. Você passava com o seu partido. Porque ele se. Até isso ela fazia. Imagina, eu estou visualizando. Então ela fazia e eu estava sempre ali. Tinha que responder com o preste. Não era fácil. Mas eu acredito que foi um grande momento. Você foi herói que continuou sendo. Escuta bem, né? Como você vê isso? Não, porque pra mim é um espanto atua trajetória. Você foi vereadora. Você foi federal, 4 mandá. 6, estou no 6, estou no 6. Nossa senhora. Até eu perdi a conta de conta. Você foi senadora. Você foi governadora. Ficem governadora. Ministra. Explica isso. É uma coisa tão extraordinária. Eu não conheço nenhuma outra mulher brasileira. Seja preto ou branca. Que fez isso tudo. Que tem essa trajetória, entendeu? E não acredito que no mundo tem muitas mulheres. Com esse desempenho político. Explica. Primeiro agradeço a Deus que me deu vida pra isso. Não é fácil fazer esses enfrentamentos. Sincenamente, do ponto de vista espiritual, muito confortável, muito fortalecida. Porque é uma luta de Davi Goliath. Na política você não tem espaço vazio. Ninguém dá nada pra ninguém. Você conquista aquilo. Que conquista significa batalha. E às vezes você se inferia na batalha. Mas uns caem, outros se inferi e vão em frente. Eu acho que comigo aconteceu exatamente isso. Porque também eu sempre tive retaguarda. Além de o espiritual material. Durante todo esse tempo que eu tenho de 42 anos de vida pública, é sempre coletivamente. Eu sempre consulto. Quando você discute debate no coletivo, você vai aprendendo, você vai acumulando. E tem uma coisa que, quando eu falo da questão espiritual, que é a solidão da mulher negra nesses espaços. A solidão é tremenda nesses espaços. Você olha para um lado, você olha para o outro, e com quem que você dialoga, com quem que você fala. E a disputa é uma disputa cruel dura com a mulher. E se essa mulher é negra, eu que já carregui um saco de cimento nas costas para sustentar filho. Então eu sei, é carre dar uma saca de cimento nas costas. O tempo inteiro, uma cobrança de tudo quanto é lado. Uma expectativa que você chegou vai resolver. Não pode errar. O menos você, a outra batalha, são as batalhas partidárias. Ela são também outras que requer muita energia para você sustentar uma bandeira. Porque essa bandeira de mulher negra, favelada, você sustentar essa bandeira no universo majoritariamente masculino e branco. Não é uma coisa fácil. Então se você não tem o respaldo da organização da sociedade civil, se você não tem um movimento único, um movimento de mulher, se você não tem um movimento de favelas, não tem outro tipo de movimento, a juventude da criadaculada do estudante, você não consegue sobreviver naquele ambiente. Não consegue a vontade que você tem no primeiro momento é pegar tudo seu valor. Não, vou limpar. Eu não aguentaria um dia. Mas você também vai tendo o foco, né? O objetivo é, eu não quero ser mais deputada federal. Aí tudo não é benê, mas coro como você está tão bem, digo, não quero porque agora eu já tenho uma bancada da benedita. Elas é que vão tomar conta. Agora eu posso olhar, vejo um mulher preta do lado, vejo um mulher preta do outro, comprometida, porque não vale só ser mulher preta, se não tem comprometo, teimento nenhum com a causa no adianto. Mas aí eu olho para o lado do outro, digo, "Ah, que coisa bom". Eu vi o seu devenvoimento emocionado, no dia que foi aprovada, bancada, negra. O que você espera disso? E como foi que isso foi alcançado? Acho que as pessoas também não sabem, bem, né? Olha, sou ele. Um certo tempo. Nós tivemos um grande equivo com os nossos movimentos, que diziam que nós não deveríamos participar de partir político. O paramento era burguês demais, então não caberia nossa ilústria, por exemplo. E, por conseguinte, nós nos contaminamos também enquanto mulheres. Você fica num movimento totalmente reenvidicativo e você não tem uma voz para fazer essa briga por dentro de quem decide, de quem tem a caneta na mão. Aí, nós olhamos, e mesmo não, nós vamos criar também a nossa bancada. Para nós tratarmos também de projetos que dizem respeito a nós, que nos interessa conseguimos criar, então, essa bancada, bancada com acento no colégio de líderes. E como que é benedita nessa bancada com viver com partidos diferentes? É uma coisa incrível, né? Nós temos outros negros e negros. Mas, em geral, para fazer o debate, para fazer a discussão, é direita não vai para essas reuniões. É a única maioria que nós temos lá, é a bancada negra. E dentro. Aí nós levamos. E apresentamos também, né? Voltamos projetos de interesse da comunidade. Somos quantos? Olha, Suelion, não sei precisar aqui para você agora. Na minha bancada, acho que nós somos 16, eu sei da esquerda, né? Da direita não porque as pessoas têm que auto declarar, né? Mas eles ou não se auto declaram, ou não se envolvem nessa debate de questão racial, um exácio que isso não existe, né? Nós passamos dificuldade no governo anterior, com essa história, porque colocaram na Fundação Cultural Palmares, alguém que não acreditou nesse negócio de escravidão, que era a coisa da esquerda, e que a escravidão beneficiu a população negra. Então, entende, foi uma loucura para nós. Então, houve um grande retrocesso. Então, essa bancada também é uma forma de nós estarmos resgatando a nossa organização que já vinha gradativamente, avançando, e com a criação do Ministério da Igualdade Racial, também é mais um equipamento que nós chamamos para essa luta que nós estamos travando. E nós estamos numa campanha muito forte para as eleições municipais, para que a bancada negra, almente nas câmaras tanto mulheres negras como homens negros. [Música] Queria ir para uma questão que hoje tem sido tão discutida, que é a questão da religião evangélica, né? Hoje se fala tanto, e você é uma mulher de fé religiosa, evangélica há muito tempo. E eu queria saber como que você se tornou evangélica dentro de uma família, de matriz africana, eu entendo isso. Como que foi esse processo e como você se vê hoje dentro desse mundo que se fala tanto na questão evangélica hoje? Olha eu me sinto muito bem, sabe? Porque eu não vejo nenhuma contradição entre minha fé e a política. Eu fui criada no secretismo lógico, minha mãe, era um bandista, mas no Brasil todo nós sabemos que as religiões do matriz africanas sempre tiveram com a igreja católica, essa questão do secretismo, né? E é manjar a nossa sua da concessão, e por aí vai, né? Então nós aprendemos isso. E aí quando eu fiz 26 anos, foi quando eu fui para igreja evangélica. Aos 26 anos parecia que eu já estava com 50 ou até mais, tão mal tratada pela vida, de tão mal tratada pela coisa, de tanta culpa na cabeça, de tanta coisa, eu já não tinha mais o conforto espiritual, a paciência, aquela coisa, e tive momentos difíceis, sabe? E queria acabar com a vida, não tem jeito, é muita coisa, e fui para a igreja, no momento em que o meu irmão sofreu um grande acidente, aí começaram e o Evangelho cuja lá na nossa casa, fazer visita, aqui, orar, mas aí já tinha acabado com os terreros das comunidades, já tinham fechado, essa coisa de percebição não é uma coisa nova, não, isso é ó, sem antigo. Minha mãe, muita das vezes, foi para delegacia com as filhas de santo, toda com santo deutabacia, para delegacia. Eles prendiam mesmo, devava para a delegacia. Então, aí eles começaram a frequentar lá em casa, aí eu fui me sentindo bem ali viada, com aquela presença, com aquela visita, e sobretudo, com o cuidado, que é uma das coisas que a gente precisa ter, o cuidado à atenção, eu não sou teóloga, então eu não tenho um profundo estudo, mas como eu sou PT-costal, a gente sabe que Deus fala com a gente, o Espírito Santo, pode-toura a gente ler a palavra aí, e a gente crê, e é verdade, com o Espírito Santo, nos dá a interpretação. Então, por isso mesmo não sendo teóloga, eu sigo a Cristo e Cristo foi de uma generosidade, então ele não disse que a gente ia pegar a quebra o terreno do outro, ele não disse que a gente ia pegar os LGBT-IA, "Mandá, matar", ele não disse nada disso. Se eu tenho uma paz interior, eu quero essa parte para todo mundo. Eu acho que liberdade religiosa tem que ter, as pessoas precisam ter. Aí ele disse assim, até a palavra de Deus, vocês querem partidarizando, não estão partidarizando nada, a Bíblia apareceu antes do meu partido, e lá está escrito que diga o obreiro do seu salário. Como é que você não luta pelo salário do trabalhador? Você lá está escrito que trabalhará às de noite para não ser pesado ao seu irmão, para você trabalhar de noite, para não ser pesado aos outros, você tem que ter trabalho, e você tem que ter trabalho digno. Crescei multiplicar e você encher a faça da terreno. Você vai encher a faça da terra sem prego, sem casa, sem nada. Como é que é isso? Como que interpretação é essa que você dá no evangélio de hoje? Porque para mim o evangélio é uma coisa viva. Para mim o evangélio renova-se a cada amanhã, falta amor naqueles que fazem essa perseguição. Porque foi o único mandamento que Deus colocou, sabe? Como "deder nosso" é a maivos uns aos outros. Se você tem amor, "ah, o amor no mata, o amor no maltratat", o amor é o amor, e ele faz tudo para que você seja feliz para que você esteja bem, para que você tenha comunhão com seus iguais e com seus diferentes. É o que eu acho. - Maravilhosa. - É isso lindo. - É isso. - É isso. E aí você fala que você não vem compatibilidade de ser evangélica com a política, e você também não vê compatibilidade de ser evangélica em ser feminista e a questão dos direitos reproduzivos, como você vê isso da mulher, como que você vê essas questões do aborto, enfim. - Como você liga com isso? - Olha, eu tenho uma posição que é minha. A minha religião, a minha religião, ela diz, "Pra não abortar a minha religião", diz que o casamento é de pessoas de sexo diferente, eu obedeço a essa doutrina. Eu obedeço a essa doutrina. Mas a deputada, ela tem uma constituição que diz que todos são iguais perante a lei, liberdade de culto, a liberdade de você ter sua residência, de você criar sua família. Tá escrito ali na nossa constituição, por exemplo, uma pessoa pergunta bem indica, você queria tanto ser prefeito, então você ia acabar com o carnaval, eu disse, "Não, o carnaval ia ser o melhor carnaval do mundo". Porque é uma coisa que tá ali, tá constitucional, tá ali, tá escrito, não vou acabar com o carnaval. Eu posso não ir no carnaval, mas eu vou colocar toda a infraestrutura para que o carnaval, que a festa da cidade, a festa do povo, vou aconteça. Como tem pessoas que não fazem festa de Natal? Ele tem o direito de não fazer festa de Natal. Eu quero fazer festa de Natal. É dessa forma que eu encaro esses direitos que são individuais e são também coletivos. É lógico que nós precisamos ter uma política mais preventiva. Mas a nossa constituição também, ela já coloca em que situação você pode fazer o aborto. Como é que eu posso? Eu que fui ver o leandado aos 7 anos de idade, para aceitar no mundo de hoje que uma formação se dá tão cedo. A gente fica olhando assim, para essas meninas que estão sendo mandando a casa. O que eu estou fazendo é que a gente resolve isso. Aí a gente vê barbaridades como "Pai estou prando o filho, irmão, tio". E tem aquele acobertamento. Aí você chega, tem uma decisão. É que tá escrito ali na constituição que você tem direito. E aí você faz? As pessoas falam religiosas até diz assim, "Não, mas podia pegar e dar doação. Pega você. Se você fosse toprada e ficar grávida, você que tem essa fé e que tem essa convicção que não deve fazer, não faça. Mas você não pode impedir que os direitos das outras pessoas não sejam cumpridos. É só isso. Eu faço esse debate. Não tinha ninguém para defender LGBT. Chamei o arco-íris. Falei, "Vim dar reforça aqui". Então dá lá na constituição. A questão da orientação sexual. Não tive nenhum problema. Eu tive problema com alguns muito tradicionais, fizeram processão lá na frente, fizeram um monte de coisa. É fizer um monte de coisa. Aí nessa hora juntou evagélico, tocou cartólico, foi tudo, tudo foi pra lá. E foi de uma humilhação tão grande, mas eles humilharam tanto o líder do arco-íris, tanto tanto, que eu falei, "Gente, isso é coisa desumana. Se uma pessoa pensa assim, em relação à negritura ele vai me botar na parede e vai me metralhar. Então você tem que pensar nisso, né? Nessa coisa diferente." E depois fica uma hipocrisia, sabe? Família nobre brasileira tem que ter LGBT. Não é possível que não tem. Claro, claro. Eu já te falei claro que não é possível que não tem. Tem. A ver nevou, você é ótima. Só ótima. Agora fala de um tema com a você dedicou toda a sua vida parlamentar. A questão trabalhadora doméstica. Exatamente. Fala dessa agenda que você segurou com tanta coragem, com tanta resiliência. E foi evitoreosa. Eu desde 1982 que foi, pelo Imerileição como vereadora, também baseada no quarto de despês, que é bom que a gente diga. E como trabalhadora que fui, trabalhadora doméstica, me comprometi com a geoméstica, que elas teriam a profissão regulamentada. Porque era o que a gente discutia no movimento, o nego que era a relação casada grande, senzala, trabalhadora doméstica, né? A século, século. E nós começamos a fazer uma discussão e eu fazer essa discussão com a pastoral da igreja católica. Eu ia para lá, para a igreja, eu nia com a trabalhadora doméstica, e elas iam pontuando as coisas e nós, com a assessoria, né? E também dentro do movimento negro, ajustando ali, para que a gente pudesse garantir. Imaginem. Eu apresentei essa proposição na Constituinte e as pessoas diziam, "A Constituição não é para isso, não é para isso. A Constituição é assim, para reconhecer trabalhadora, a gente vai reconhecer a assistente social, a gente vai reconhecer auxiliar de enfermagem, a gente vai reconhecer técnico de enfermagem, é uma profissão trabalhadora doméstica. E nós vamos fazer isso, vamos conseguir. Ali, trabalhando junto com elas, botéi-la casa, coachonete, por tudo contará. No lugar do gole, vocês ficam por aqui, ninguém tem que ter ido a passar, para ir voltar, que a gente não sabe o que iria que iria que iria voltar, vamos ficando por aqui." E foi muito bonito. Foi muito lindo, porque elas ficavam na galeria, até de madrugada esperando passar. Não deu para passar tudo, mas já ficou lá registrado, porque era importante que a Constituição reconhecesse que existe a categoria. E isso ficou na Constituição. Aí depois veio a regulamentação, levou mais de 10 anos, eu batalhando aqui, boté aqui, boté aqui. Tivemos a regulamentação em 2015, né? E eu posso lhe dizer, sem nenhum erro, vocês podem até achar que não. Mas foi uma das causas que eles apresentaram contra a Presidenta de uma Rousseff. Porque ela foi para o Congresso. Porque ela foi pressionada, não sancionar o projeto. E o único que não votou no projeto, na Câmara, foi o ex-presidente da República. Wow, sério. Só teve o voto contra, ele foi dele. Wow. Então, a Dilma foi muito firme. Não, ela disse, "Não, ela disse, "Não, eu quero dessa um terceiro, eu quero férias, remunianadas." E esse é o projeto que eu quero sancionar. Conseguimos, e elas conseguiram, né, também, com o trabalho dela. Mas isso para mim era uma questão de honra. Se eu terminar o meu mandato, naquele momento estaria satisfeita. Porque essa foi uma bandeira que sempre me acompanhou. Eu fui trabalhadora doméstica e eu estava até dizendo que hoje eu moro numa rua e que eu trabalhava. E eu ia pé para o LEMI. Tinha dia que eu não tinha um centavo. E eu ia trabalhar a pé. Às vezes eu passo lá na porta do prédio, né? Aí eu fico de gintima. Como eu chegava lá no LEMI, e dá-se um dia aquela ladreira, depois subiu o morro, como imagine. Então, eu sei o que é ser uma trabalhadora doméstica sem direito. Porque é digno. Eu adoro cozinhar. Eu adoro o trabalho doméstico. A sua ele se abenessa, ele que eu adoro o trabalho doméstico. Tive o privilégio de comer muitas vezes da sua comida maravilhosa, especialmente agalinhada. Pois é. E eu tive o privilégio de cozinhar para sua elegania. Você tem que registrar isso? É indente! Agora é benedita. Você e Antônio Pitenga. Nas que eu vou ouvir falar também um pouco. Você não pode ter que contar um insergente. É que é ser casada, conheciou. Eu me encorrei. A gente tem que saber tudo do casamento. Tem que saber. Aí, umas amigas minhas, não vou dizer um homem. Você está maluca. Esse cara vai pirar sua cabeça. Olha a sua responsabilidade política. Aí, as amigas do Pitenga. Você está maluca? Casaca, aquela mulher crende, carfona. Aí, o Pitenga. Eu vou casar com a crende. E casou com a crende. Tem 31 anos. Passa logo. É uma pessoa fantástica, maravilhosa. Ele é cuida mesmo. Se preocupa. Onde vai liga. Como você está? Você tomou seu remédio hoje? É. Como você está sentindo que é legal. Mas como é que é? Ele é uma celebridade. Você é uma celebridade. Camila Pitenga, uma celebridade. Ojuta tenta celebridade. Pelo amor de Deus. Não, é porque. Não, é porque. Graças a Deus, é um acerto muito grande. Todo mundo lá é muito gente. A gente tem uma liberdade plena e poética. Não invadimos o espaço do outro. Às vezes o Pitenga me leva na igreja. Ele sabe que eu gosto muito de me engal. Aí você tem que ir a minha gausinha. Aí eu me engano. É um pitenga. É um que eu não. Mas é assim. E um espera o outro. A gente namora até hoje porque a gente vive assim. O dia que eu chego, o Pitenga não está. Às vezes é assim. Por exemplo, ele está viajando. Ele vai chegar hoje. Mas ele já vai viajando. Parece que oito ou sexta-feira. Então é assim, a nossa vida. Para lá e para cá. E ele tem sido muito homenageado. Muito que bom que homenageado em vida. É muito legal. E os filhos curtem ele também. O trabalho que ele faz. Agora só uma coisa. Você falou de homenagem em vida. Eu vi homenagem que você recebeu lá no Peregun. Lá em Brasília foi muito lindo. Foi lindo essa homenagem. Como é que você está recebendo essas homenagens todas que você tem recebido. E está conto um pouco como ele. O primeiro por conta é uma coisa para você. Eu falei assim, Pitango, acho que nós vamos morrer. Porque nós estamos recebidos. Eu também sempre. Mas ela também está recebendo muito homenagem. É muito bom que a gente recebe a bola que a gente está aqui. E é muito bom ver você também recebendo todas essas homenagens. Muito lindo. Eu recebo as homenagens, mas eu choro muito. Eu pico toda a chorosa. Às vezes surpresa de bêsimo. Tem mais que a ingosta do que quem não gosta. Que bom. E aí a gente fica feliz com o que faz. Eu sou feliz com o que faço. Eu gosto do que faço. Eu sou não tão gostando daquele congresso de uma mente. Tu reza, tu reza, tu reza, mais do que eu faço. Eu gosto. Fala da família, da Nilceia, das crianças, netos, netas. Gente, bisnetos. Viz cinco. Ah, cinco. Co bisnetos. E aí eu tenho um dito suéli que meu quilombo está em branquecendo. E agora a última que nasceu é a branquela. É a branquela. É a retável. E be da. E be da. Aí eu ento que entendo. Aí aqui o mundo é pardo. Aí eu falo com meu neto. Você não tinta forte porque não é possível, gente. Essas crianças toda branca assim. E você isso que é que é isso. Mas são lindos, lindelizão todos lindos. Agora não é fácil, viu? Dona a sele. O quê que vai fazer? Tebes neto branco. Por quê? Os pais é que sabem. O meus netos é que sabem o que. Ah, gente. Já mudou criança até da escola. Mas eles são felizes, adoro o pai, adoro a mãe. É, são felizes, bem tratados. De 15 dias tem um moço lá em casa deles. Que é a única coisa que eu posso fazer. Não posso visitar ninguém. Aí eles albósa daqui a pouco eu faço assim. Gente, você não quer ir e não. Eu acho que vai ficar tarde. Não tem. Eu não aguenta a salsa. Depeiteu a cresce lá, psico. Ah, não. Olha. E tem que abrir a bom receite, né? Ah, gente. Mas eu estou muito feliz com a família, sabe? É que bem, pregui. É que bem, pregui. Então, a gente sempre fecha benedita com uma pergunta. Como é que tem sido emvelhecer para você? Ah, querida. Bom, eu estou na idade do Condor. E tem isso. É do nosso idade do Condor. E tem, tem 2 anos, mas o envelhecer para mim, envelhecer com toda a beleza que a idade é traz. Porque eu não relaxo nunca. Eu vou para a minha fisioterapia. Eu vou para a academia. Eu faço tudo que gosto. Sou campeã cabelitoral que ninguém tem. É um acabeleitoral como eu. Eu nem o candidato. Porque eu ando muito. Tenho disposição. Graças a Deus. Agora, envelhecer só fica caro, né? Eu dou graças a Deus que eu tenho um envelhecimento saudável. Mas a gente precisa dar mais recurso para os suos e tratar mais essa política do envelhecimento. Porque o Brasil também está envelhecendo. E eu não deixo de fazer nenhuma da minha atividade. Eu arrumo o tempo para tudo o que eu tenho que fazer. Às vezes a pessoa "mas você não vai dar, porque o tempo é mil". Enquanto eu tiver por aqui, aí eu vou dormir, "tarde, quando eu morreu do direto, não tenho problema". Agora eu quero, não sei quem dorme, não vive, gente. Porque a gente precisa ver as coisas, andar para cima e para baixo. Acho que encerramos. E assim, com toda a gratidão pela sua vida, por tudo o que você é, por tudo o que você fez, tudo o que você faz e continuará fazendo. Obrigada por tudo. A gente te agradece por acompanhar o escute às mais velhas. Siga o podcast no seu aplicativo de alto favorito para não perder nenhum episódio. Nesse redes sociais da Fundação de Titi Setu, a roba Fundação Titi e da Rádio Novello, a roba Rádio Novello, você pode repercutir o podcast, deixar comentários, elogios e críticas sobre as entrevistas. Escute as mais velhas, é um podcast da Fundação Titi Setu, ouba o produzido pela Rádio Novello. A coordenação em produção são da Ashley Kauf. A direção criativa é da Paul Scottin e da Flora.son Revolo. A direção executiva pela Rádio Novello é da Marcella Casarca. A edição executiva é da Natalha Silva. E a gerência de produto é da Juliana Iecker. A montagem desse episódio é da Luisa Silversi-Lemme e a sonorização em Mixagem, São da Mariana Leão. A trilha sonora original é da Estela Nessin. O desenvolvimento de produto é audiência da B.R.B.E.R.O com apoio da Isabel Santana. A identidade visual é da Larissa Ramos. A coordenação de ilustração e design é do Gustavo Lascimento. E a análise administrativa financeira é da Tainan Oguida. A pesquisa desse episódio é da Tainan Mesquita. Essa entrevista foi gravada no estúdio Trampolim, São Paulo e no estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. A gerente de comunicação da Fundação de Setubo é Fernanda Nóbre. Eu sou a Anacasetupo e eu sou o suelicateiro. A gente se encontra no próximo episódio. [MÚSICA DE FUNDO]
Podcast Summary
Key Points:
Benedita da Silva destaca suas raízes comunitárias na favela Chapéu Mangueira, onde a organização coletiva, especialmente de mulheres, foi crucial para conquistar direitos básicos como saneamento e saúde.
Ela descreve sua trajetória política pioneira, enfatizando a luta contra o racismo, o machismo e a exclusão, e como representou mulheres negras e faveladas em espaços de poder, como o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a Assembleia Nacional Constituinte.
Benedita reflete sobre a importância da fé evangélica em sua vida, rejeitando contradições com a política e defendendo uma interpretação social do evangelho, focada em justiça, cuidado e liberdade religiosa.
Summary:
A entrevista com Benedita da Silva, no podcast "Escute às Mais Velhas", traça sua extraordinária trajetória de ativista comunitária a deputada federal. Ela relata como sua liderança surgiu na favela Chapéu Mangueira, inspirada por sua mãe, em lutas por saneamento, saúde e moradia, organizando mulheres e criando associações. Benedita enfatiza a dupla discriminação por ser mulher, negra e favelada, destacando episódios como a defesa do acesso à água como uma questão feminista essencial.
Na política, foi pioneira ao representar essas pautas no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e na Assembleia Constituinte, onde ajudou a criar a "bancada do batom" e avançou em direitos civis e trabalhistas. Ela também comenta a solidão da mulher negra nos espaços de poder e a importância do apoio coletivo. Por fim, aborda sua fé evangélica, explicando que não vê conflito com a política, pois interpreta o evangelho como um chamado à justiça social, ao cuidado e à liberdade religiosa, criticando discursos que distorcem essa mensagem.
FAQs
Benedita da Silva é uma ativista e deputada federal, considerada uma das mulheres negras mais potentes da história do Brasil. Sua trajetória exemplar inclui múltiplas funções públicas, como vereadora, senadora, governadora e ministra, marcando a luta por direitos desde a redemocratização.
Seu ativismo surgiu na juventude, influenciado pela liderança religiosa e comunitária de sua mãe. Ela se envolveu na luta por melhorias na favela, como saneamento, urbanização e combate ao preconceito, organizando mutirões e associações de moradores.
Ela trouxe uma perspectiva única ao feminismo, destacando questões como o acesso à água e saneamento como essenciais para as mulheres negras e faveladas. Sua atuação ajudou a ampliar o debate para incluir as realidades dessas mulheres, promovendo maior inclusão social.
Ela relata que a solidão é tremenda, pois há poucas mulheres negras nesses ambientes majoritariamente masculinos e brancos. A cobrança e as expectativas são altas, exigindo resiliência e apoio de movimentos sociais para sobreviver e avançar nas lutas.
Foi uma iniciativa criada por mulheres na Assembleia Nacional Constituinte para fortalecer sua atuação política. Simbolizou a união feminina em busca de direitos, como a criação de banheiros para mulheres no plenário, e contribuiu para avanços em questões civis e trabalhistas.
Ela não vê contradição, interpretando o evangelho como uma mensagem de amor e justiça social. Defende que a fé deve promover cuidado, liberdade religiosa e lutas por direitos, como trabalho digno e igualdade, alinhando-se a causas como a racial e a de orientação sexual.
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