O episódio do "Apartheid Tropical" apresenta uma análise histórica sobre a segregação racial no Brasil, desafiando a ideia de que o país nunca teve apartheid. O narrador, Thiago André, descreve a "Marcha contra a Farsa da Abolição" em 1988, quando milhares de negros protestaram contra a abolição incompleta e enfrentaram forte repressão militar e policial. A marcha, organizada pelo movimento negro, buscava denunciar como o Estado brasileiro usou leis para marginalizar a população negra após 1888. O episódio foca na luta política durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1986, quando o movimento negro tentou eleger candidatos para reescrever leis racistas. Apesar de figuras como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez não terem sido eleitos, Benedita da Silva, uma mulher preta e favelada, conquistou uma vaga como deputada constituinte pelo PT. Sua trajetória começou na favela do Chapéu Mangueira, onde atuou como líder comunitária, e culminou em sua eleição como vereadora do Rio de Janeiro em 1982, sendo a primeira mulher negra a ocupar esse cargo. O conteúdo ressalta a importância da representação política negra para transformar as estruturas racistas do Brasil.
Olá pessoal, aqui é o Thiago André, e não. Esse não é mais um episódio do "Stora Prita". Eu estou aqui para dividir com vocês um trabalho muito especial que a gente desenvolveu com a áudibul, o apartheid tropical. Nos últimos anos, o "Stora Prita" vem contando histórias fundamentais sobre o Brasil e sobre o povo negro. E uma dessas histórias cresceu tanto que virou uma áudia auxéria original da áudibul. Muitos dizem que não existiu a apartheid ou segregação no Brasil. Mas em apartheid tropical eu te mostro como o Brasil usou suas leis para impedir o progresso da população negra. Como após a bolição da escravatura, o Estado brasileiro escondeu em suas leis mecanismos sofisticados de segregação racial, com o objetivo de eliminar a população negra do país. Até hoje, esse conteúdo estava disponível exclusivo lá na áudibul. Só para assinantes. Mas como estamos prestes a lançar a segunda temporada de apartheid tropical, a gente conseguiu trocar uma ideia com a áudibul e disponibilizar a primeira temporada completamente de graça aqui no "Stora Prita". Espero que você goste desse conteúdo que é fruto de muita pesquise e trabalho coletivo. E se prepare em poucas semanas, sai a segunda temporada da apartheid tropical, exclusivo lá na áudibul. O serviço de áudio livros da Amazon. Vá lá conferir, dá para testar a plataforma de graça e maratonar todo o nosso conteúdo e muito mais. [MÚSICA DE FUNDO] Em 1988, no dia 11 de maio, as vésperas de completar 100 anos da bolição da escravidão, o movimento negro convocou uma passeata de protesto no Rio de Janeiro. [MÚSICA DE FUNDO] Esse é o áudio de uma filmagem daquele dia. Um registro histórico feito pela Enúbarujo Comunicações e digitalizado pela Servo Cútene. O vídeo começa com uma tomada ampla de um grupo de pessoas negras, segurando cartazes e se complementando. Eles ainda estão se concentrando no início da avenida presidente Vargas, principal viz para essa do centro do Rio de Janeiro. Ali seria o ponto de partida da marcha. [MÚSICA DE FUNDO] A voz que você ouve é de marco e joomão, militante que tenta organizar o início do protesto. O clima era de tensão. As imagens captadas por Raisa d'Alto mostra que há preocupação no rosto dos organizadores. Entre os manifestantes, há pessoas negras de todas as idades, famílias inteiras, crianças idosos, homens e mulheres. Depois de um corte seco, o vídeo exibe rapidamente o motivo da preocupação. Nas laterais, ao longo de toda a avenida, policiais de militares infelerados fazem um cordão de isolamento cercando os manifestantes. Eles seguram cacetetes e escudos. Uniforme escuro contrasta com os capacetes em azul claro. De pé, lado a lado, observando o seremente a multidão de negros que se organiza. São policiais formados na cultura política da ditadura. Onde protesta e contestação não eram bem vistos. A presença deles causa a desconforto. C causa desconforto, mas não surpresa. Todos sabiam que eles estariam ali. Durante meses, o protesto foi planejado para ser um grande ato crítico à situação do negro no Brasil. A data do centenário da bolição era perfeita para isso. Naquele mesmo momento, o governo brasileiro promoveu uma agenda oficial de celebração e comemoração da data. Em princípio, a Comissão de Organização desses festejos seriam liderados por descendente da princesa Isabel. O movimento negro em oposição decidiu fazer o seu próprio evento. O protesto que foi oficialmente chamado de "a marcha contra a faça da bolição". Como o nome sugere, o mote do protesto era denunciar aquilo que o movimento negro chamou de "abolição e conclusa". Que libertou os negros, mas os deixou abandonado a sua própria sorte. Você deve se lembrar que no primeiro episódio desse original, nós falamos sobre como foram os festejos logo depois da Senatura da Leora. Naquele episódio, falamos como a população negra estava feliz e tomada de esperança pelo horizonte de possibilidade que se abria. Sem anos depois, essa mesma população negra decidiu que não era a hora de festa. Era a hora de luta e protesto. A marcha foi anunciada em todos os veículos de imprensa. Cartásios colados pelas ruas, universidades e escolas convocavam a população negra pro ato político mais importante daquele ano. Prevendo a presença massiva da população nas ruas, o exército e a polícia militar foram convocados para reprimir o ato. Só vai ligar ação de que os negros pretendiam depredar o monumento "panteão do que de cachias" patrono do exército. O movimento negro se pôs em marcha. O plano era sair da igreja da candelária no início da avenida presidente Vargas e caminhar até antiga para a XI, onde ficava busque e homenagem em as umbidos palmares. Lá estaria um palco para que as lideranças fizessem seus discursos, mas no caminho entre a candelária e as umbidos palmares está o monumento de duque de cachias, em frente ao comando militar do leste, quartel general do exército. Alegando o proteger o monumento onde está os gestos mortais de cachias, os militares montaram ali em frente uma barreira para impedir que o movimento negro passasse. "Poxa no Rio de Janeiro, não tem absolutamente nenhuma diferença do apartheid, não há nenhuma diferença para aplicar no suco e está acontecendo hoje aqui." A noite já tinha invadido o dia quando manifestantes negros se aproximaram da barreira imposta pelo exército. Mistériosamente, todas as luzes públicas da avenida foram apagadas. Suas luzes da câmera de Raisadalto conseguem iluminar os rostos dos manifestantes que continuam avançando rumo ao objetivo. Em dado momento, a multidão de mais de 5 mil pessoas negras se depara com forte aparato de repressão do exército e da polícia, todos fortemente armados. E nesse momento, precisam tomar uma decisão. Do meio da multidão, saiu um dos líderes do movimento negro no Rio de Janeiro, a Mauri Mendes. Ele tomou a frente e se pôs a falar. Mas, nesse momento, nos vemos barrados pela força policial. Estamos sentindo que esse é o limite imposto pelo racismo aos negros brasileiros. O que fazemos? O que fazemos? Sabemos que esse racismo. Sabemos que esse racismo é capaz de nos eliminar. Sabemos que o racismo é capaz de nos eliminar. Isso tem sido feito individualmente. Neste momento, é necessário frisar. E agora, quando estamos organizados, não podemos mesmo assim determinar nossos caminhos. Agora, estamos organizados. Mas favelas, em todo lugar onde o negro é massacrado, se diz que se mata negro porque são marginais, porque não tem reflexão, porque não tem consciência. Aqui, porque querem nos oprivir? Essa é a pergunta que o comando da marcha deixa. Porque aqui querem nos oprivir? Aquel era um momento crítico na política nacional. O Brasil estava saindo de uma ditadura e, agora, no mesmo ano do centenário da bolição, tinha oportunidade de escrever uma nova construção federal e reconstruir uma nova república. Esse era um momento importante para o movimento negro, um momento único, uma oportunidade que não podia ser desperdiçada. Era a chance política de reverter as leis e criar uma nova ordem social que pudesse, dessa vez, contemplar as necessidades da população negra. Nas ruas e no parlamento uma batalha estava sendo travada. E a luta pelos direitos básicos da população negra encontraria resistência. Ao pressionar o poder público nas ruas, os negros receberam a repressão como resposta. Mas ainda tinha um parlamento. E dessa vez, pela primeira vez, a população negra tinha uma representante nos corredores do poder. Uma mulher negra e favelada. Seu nome, benedita da Silva. Eu não me engano, André. E você está ouvindo a partagem de trope. um original áudio. Episódio final, movendo estruturas. A década de 80 foi um momento chave na política nacional, e o movimento negro se viu uma incruzilhada histórica na luta por direitos. Aqueles eram anos de abertura política, anos em que a ditadura militar encontrou seu fim e as forças políticas estavam se reorganizando no Brasil. No meio disso tudo, os negros organizados eram mais um grupo político a emergindo o debate público. Filhos de uma longa tradição de organização coletiva, a militância negra que surge ao longo da década de 70 e ganha força nos anos 80, florece graças ao acumulo de experiências das mais diversas organizações negras do século 20. Muitas delas re-trautadas aqui, neste original. Porém, essa geração de ativistas tinha uma coisa muito clara no seu horizonte. Para mudar as estruturas racistas do Brasil, teriam que entrar nas estruturas de Estado, e naquele momento da história só tinha um jeito de fazer isso, se candidatando a um cargo político. O Brasil tinha acabado de sair de uma ditadura que durou mais de 20 anos, por mais de 20 anos, o povo não pôde votar nas eleições. Então, o processo de abertura política foi profundamente marcado pela esperança e a valorização do voto, da candidatura, dos partidos, enfim, da democracia. Nesse contexto de efervescência política, os movimentos negros logo se organizaram para não ficar de fora dessa nova realidade. Então, a si, em todos esses momentos de abertura, o ememium teve participação, a gente não estava descolado só no dia discutindo o racismo. Essa é a Regina Santos, militante histórica do ememium, o movimento negro unificado. Por exemplo, quando começa a se levantar a questão da Constituclinte, a negrada no Brasil não só o ememium, começa a se organizar para ter um peso na interferência, em cima da questão da Constituclinte. Depois de década, a ditadura militar, o Brasil precisava de uma nova constituição, uma constituição democrática que refletisse os valores da nova república que emergia daqueles tempos difíceis. Em 1986, iria acontecer eleições gerais para escolher os parlamentares que integrariam a Assembleia Nacional Constituinte, ou seja, esses parlamentares seriam responsáveis por escrever a nova constituição, a carta magna, o corpo de leis que rege todas as leis da república. E como temos visto até aqui, desde 1888, ano de assinatura da Leiaura, que a população negra se viu marginalizada e muitas vezes prejudicada pelas leis brasileiras. Lesque de forma soratera foram utilizadas contra a população negra e impediu seu progresso. É o que eu tenho chamado aqui de "Apartal de Tropical". É o jeito brasileiro a serviço da segregação racial. A Assembleia Nacional Constituinte era a melhor chance da população negra virar esse ju. Era a única chance que tinham de reescrever as leis e de serem vistos pelo poder público. Mas para isso teriam que eleger os seus próprios candidatos. Lideranças do movimento negro se aproximaram e ajudaram a construir alguns dos partidos políticos que emergiram nessa abertura política. E a partir desses partidos, lançaram suas candidaturas à Assembleia Nacional Constituinte. O movimento negro se mobilizou ao redor de candidaturas de peso, de líderes históricos do movimento. É o caso de abdias nascimento e Leia Gonzales, que foram candidatos pelo PDT do Rio de Janeiro, que tinha forte ligação com o movimento negro. Abdias vinham de uma longa jornada de militância negra. Foi fundador do teatro experimental do negro ainda na década de 40. E atravessou as décadas como um dos principais nomes de militância negra no Brasil. Leia Gonzales era tudo e mais um pouco. Antropóloga, intelectual, militante, feminista e do movimento negro foi uma das fundadoras do MNU e do Partido dos Trabalhadores, com quem inclusive rompeu relações por considerar que o PT do Rio não dava devido valor a questão racial. Além desses também teve interesa Santos, que se candidatou pelo PMDB. Drama Turga e militante histórica integrou o teatro experimental do negro e fundou o secã, Centro de Cultura e Arte Negra, um dos bersos do MNU. Milton Barbosa, fundador do MNU, que entrevistei no último episódio, também se candidatou adeputado constituinte, mas pelo Partido dos Trabalhadores que ele ajudou a fundar. Esses eram os nomes de peso que tinham grandes chances de eleição para deputados constituintes. A militância negra se envolviu e depositou as esperanças nesses nomes, mas para a surpresa de todos e um deles foi eleito. Os nomes negros que realmente brilharam nessas eleições passaram despercebidos pelo radar de muitos. Nos poucos negros eleitos em 1986, estavam um nome improvável que faria toda a diferença para o futuro da população negra, uma mulher preta e favelada chamada Benedita da Silva. Eu acho que não tenho como explicar o sucesso da Benedita enquanto deputada constituinte, desassociado da luta e da compatibilidade do movimento negro, e especialmente o movimento de mulheres negras. Essa é a Reiane Andrade, doutora em direitos humanos e cidadania com uma tese sobre Benedita da Silva. E este encontro na Assemblência Nacional Constituinte, acho que confere a ela desde um momento que é sabida a eleição, resultado na eleição, que é um papel de protagonismo, então ela não chega de maneira despercebida lá. Ela é aguardada lá. Benedita disputou a eleição parlamentar mais importante da década contra antigas japosas políticas. Gente com Cassife, filhos de famílias oligárquicas, e venceu. Como Reiane disse, em 1986, ela não era uma novidade. Na verdade, ela era aguardada e desejada para ser deputada constituinte. Mas como que isso aconteceu? Como uma trajetória política absolutamente improvável se tornou protagonista de um dos processos mais importantes da nossa democracia? Na minha leitura, enquanto precisador, vendo tendo acesso a essa história da Benedita, eu identifico que o envolvimento político dela começa com o do terreno da mãe dela lá no chapa um guieiro. Domovid e a mãe de Benedita eram uma mulher um bandista que no início do século 20, assim como muitos outros negros, botou os filhos dentro de um trem e partiu para o Rio de Janeiro. Primeiro ela sai de minas com filhos, embaixo do braço, o marido fica para trás, e ela vai tentar a vida no Rio de Janeiro no sul que o seu hidratório era muito comum naquele período. Como falamos nos episódios 2 e 8 de apartade tropical, sem acessar sua terra, boa parte da população negra rural migrou para as cidades para conseguir uma vida melhor. Foi o caso de Domovidia. No Rio de Janeiro, ela se instalou na favela da Praia do Pinto, que já não existe mais, mas ficava num dos espaços mais caros do Rio de Janeiro. Entre a lagor Rodrigo de Freitas e o Leblon. Nos anos 60, durante a ditadora militar, essa favela virou alvo prioritário na campanha de erra edicação das favelas, movida pelo governo federal e pelo estado da Guanabara. Mas antes que o processo de remoção fosse concluído, a favela sofreu incêndio, cuja causas nunca foram esclarecidas, que queimou mil barracos e deixou mais de 9 mil pessoas desabrigadas. A família de Benedita, saiu daquela favela num contexto de remoção e urbanização acelerada. Sua mãe se mudou para outra favela na zona sul-carioca, o morro do chapéu Mangueira, que fica no bairro do LEM e próxima copacabana. E aí lá ela está belece nesse terreiro que se torna uma referência muito grande para a comunidade. A partir do seu terreiro, a mãe de Benedita se tornou uma importante liderança comunitária. E eu acho que é a líquia que a Benedé, essa Benedé criança, começa a perceber que a existência na comunidade é uma existência coletiva. Então, eu coloquei este mar. Se a gente vai pensar no eixo dos espaços políticos mais tradicionais, o que que acontece? Essa menina que tem essa carga coletiva muito forte, a líquia da casa dela, da casa da mãe dela, começa a participar da associação de moradores, do chapéu Mangueira. Naquele tempo as favelas tinham uma estrutura muito precária.
Barracos construídos com madeira, latão e argila no alto do morro sem ruas ou calçamento. Esgotou-se ao aberto e ausência de água encanada. Benedita ajudava sua mãe, que era lavadeira, a entregar as trouxas de roupas nas casas dos patrões que viviam no asfalto. Precisava subir e descer muitas vezes pelos becos do morro, ainda sem calçamento. Sentia na pele a vida dura de um favelado. Foi nesse contexto que ela passou a atuar na associação de moradores do chapéu-mangeira, para revindicar direitos básicos para os moradores da favela, que naquele momento se concentrava em levar calçamento e saneamento básico para a comunidade. Pra isso articulava com outras lideranças dos movimentos de favela no Rio de Janeiro, e acabou se tornando conhecida pra além do chapéu-mangeira como uma importante liderança popular. É em meio a tudo isso que um jovem partido político se aproxima de pessoas com perfil de Benedita. O partido dos trabalhadores é sem criado, marcou reuniões com líderes de favela pra buscar soluções pra esses territórios e lançar candidaturas populares com a cara do povo. Que agalera da associação de dizer "Benedita, tudo vai pra essa reunião desse partido novo que estão criando" e porque isso não vai dar nada, porque não é esse lugar, porque vai dividir a esquerda e tal. Ela disse que essa abenheu a coisa, só porque é de ser o que não é pra ele, eu tô chegando pra dar reunião. Benedita se filhou, partido dos trabalhadores, no momento decisivo da história política brasileira. Em 1982, aconteceram as primeiras eleições ainda nesse processo de abertura política. E como vimos no episódio anterior, o movimento negro lançou suas candidaturas através de partidos de esquerda e centro-esquerda disponíveis no momento. O partido dos trabalhadores, no Rio de Janeiro, lançou a candidatura de Lélie Gonzalez pra deputada federal e duas líderes comunitárias de favelas para vereadores do rio. Jurem a batista e Benedita da Silva. E este PT, como diz o professor Walter Pommar, nesta fase histórica, aeróbica, tinha uma plataforma muito compatível, é muito diferente. Isso ajuda a entender como e porque o partido apostou suas fichas numa candidatura como a de Benedita, que tinha como bandeira o eslogam mulher, preta e favelada. Todos esses rótulos eram muito mal vistos na mentalidade social dos anos 80. E continuam ainda hoje mal vistos nesses mesmos círculos sociais. Inclusive, tem um episódio que ajuda a ilustrar bem isso que eu estou dizendo. Benedita estava numa agenda de campanha junto com duas candidatas ao Parlamento Estadual pelo Partido. O compromisso era uma reunião com os moradores do Grejaú, bairro de classe média na zona norte do rio. Em dado momento um sujeito se levantou e disse, "Eu não sou mulher, não sou negro e nem favelado." O que eu tenho a ver com a sua campanha? Benedita então perguntou a ele as horas. Era quase minha noite. Então ela disse, "Ate agora tem uma pessoa que está ali servindo café. Essa pessoa tem a ver comigo. Alguém vai sair daqui e o motorista vai esperar lá embaixo. Esse motorista tem a ver comigo. Ele vai ter que voltar para deixar o seu carro na garagem e pegar um ônibus para voltar para casa. Então essa pessoa tem a ver comigo. E se elas tem a ver comigo, então você também tem, porque eu vou lutar pelo direito dessas pessoas. Foi essa firmesa de propósito que fez de Benedita um nome promissou naquelas eleições. Ela não era favorita ao pleto. Todos achavam que Lélie Agonzález se sairia melhor. Já era conhecida no meio negro e no movimento feminista. Mas quando o resultado das eleições chegou, todos se surpreenderam. Lélie tinha sido a segunda candidata mais votada do partido no Rio de Janeiro. Mas isso não foi suficiente. Perdeu as eleições por apenas 800 votos. Quase todo mundo do PT perdeu em 82. Menos uma. Benedita da Silva foi eleita-vireadora do Rio de Janeiro. A primeira mulher negra eleita-vireadora no Rio de Janeiro. Confesso que a primeira vez em que estive nessa tribuna, as pernas batiam uma na outra. Eu tremia e olhava para tudo quanto era lado aqui. E eu sovia as comunidades. Eu sovia um morro, eu sovia gente negra, eu sovia os trabalhadores, eu sovia essa gente, e eu sabia que não estava só assim nessa tribuna. Como você pode ouvir nesse discurso que ela fez em 2010 na Câmara dos Vireadores do Rio, Benedita sentiu a pressão e o peso da responsabilidade que carregava. Muitas pessoas confiaram nela, porque viam no seu rosto na sua história mais igual. E se tornar a vereadora, frequentar os espaços de poder, mudaram um pouco a rotina de Benedita. Ela ainda era a mulher negra e favelada, que enfrentava a jornada dupla às vezes tripla de trabalho. Pois dividia sua atividade como vereadora, com os afaseiros domésticos e o estudo universitário, que chegou tardeamente em sua vida. E estudava e chegava cansada para fazer as provas, sem saber as matérias, mas ela ia e dividia os pontos universitários junto com a filha. Então ela chega como é o marcador muito forte para as mulheres negras, ela chega mais tarde dentro dos bancos universitários. E ela só chega lá depois de ter conseguido um emprego mais estável. Antes, a Benedita trabalhou de tudo. Tudo o que você possa imaginar. Ela trabalhou vendendo limão na rua, carregando cachote na feira, como lavadeira com sua mãe, além de trabalhadora da mesca. Tudo o que está no repertório da do acesso ao trabalho para as pessoas em comunidades, especialmente para mulheres negras, a Benedita Frazin. Benedita da Silva sofreu o drama do apartágio tropical. Ela sozinha, viviu na pele quase todos os pontos abordados neste original áudibol. Sua mãe foi forçada sair do campo por falta de acesso a terra e território. Sem destino, na cidade foi obrigada a morar numa favela. Porém, a especulação imobiliária, essa agrigação racial na cidade, fez de sua família mais uma vítima das remoções e demolições das favelas. Teve que subir o morro morando em lugares precários, pulando de subemprego ou em subemprego, para por comida na mesa. Como veio de perto com o anofabetismo, foi educadora popular, e por contingências da vida, frecantou muito tarde os bancos universitários. Sem representantes na política, decidiu ela mesma fazer o que devia ser feito. Mas será primeira e única mulher negra no Parlamento Carioca? Não foi fácil. Contra sua vontade, Benedita experimentou o sabor amargo desse racismo brasileiro. Ela não leu ou estudou sobre. Ela viveu na pele ou a partagem tropical. Essa é uma filmagem resgatada pelo acervo Coutner. A veriadora Benedita da Silva discursa no palanque da marcha de 1983, no dia 20 de novembro, dia da consciência negra. A filmagem, inclusive no rosto da Benedita, abre o plano lentamente para mostrar uma multidão negra que estava reunida em frente à sembléia legislativa do Rio, em protesto pela condição do negro. É um enorme amor diferente. E essa cor diferente nos condenou. Avisamos mais generalizados dessa sociedade. E é preciso que saiba que nós não somos apenas forte para trabalhar e para carregar peso. Mas nós somos o ambiente forte para resistir e resistir e o mundo e o que é o arco de usted da região. O principal legado do movimento negro nos anos 70 e 80 foi justamente questionar e, por enxerque, a ideia de democracia racial. Essa ideia é a circula, imaginária por palavras ilheiros, por muitos séculos, com diferentes nomes, mas com o mesmo sentido. Diziam que no Brasil não existia racismo de verdade. Aqui não teve nada parecido com as leis de segregação dos Estados Unidos ou África do Sul. Essa ideia perigosa é espinha dorsal daquilo que, inspirado em miltonçantos, tem um chamado de "apartade tropical". Cada lei usada de forma sorratera para impedir o progresso da população negra ajudou a dar um verniz de legalidade ao racismo brasileiro. E contribuiu para que a ideia de que vivemos no Brasil
paraíso das raças fosse disseminada. Enquanto pessoas brancas viviam sua ilusão da República Democrática e Gualitária, os negros estavam armados desesperadamente contra a faça que é esse país. Por isso, quando chegou o ano de 1986, ano de legegeros deputados constituintes, aqueles que escrevem as novas regras pro jogo democrático, a militância negra se mobilizou para eleger os seus representantes. Nesse momento, benedita já não era mais uma candidata improvável, tinha se tornado uma das principais vozes do movimento negro no Brasil. Como vereadora, ela atuou para limitar a construção dos arranhaceles no Rio de Janeiro, afim de frear a especulação imobiliária que provocava remoções de favelas, lutou também para mudar o código de obras da cidade e aumentar nos apartamentos os espaços destinados ao trabalho e ao descanso das impregadas domésticas. Em cabesso calorosos debates para a criação de um fundo municipal de ampar as pessoas em situação de rua. Além disso, criou um projeto de lei para que lideranças comunitárias pudessem participar com voz ativa em seções na câmara de vereadores. O projeto considerado o controverso foi rejeitado pela maioria. Um mandato de benedita, como vereadora, foi pautado por temas que eram muito caros à população negra. E ainda que estivesse em desvantagem no mérica na câmara, acabou se destacando por ter uma agenda progressista, considerada muito radical naquele início dos anos 80. Servereadora, dela ela, tempo de fala e projeção no debate público. Assim, naturalmente ela virou uma figura importante no movimento negro. Por tudo que viveu pessoalmente pela trajetória política que estava construindo parecia ser a melhor pessoa para representar os negros no Parlamento. Como que seria ter um acenbrer nacional constituintiores no Brasil? Eu acho que o resultado e eu sei muito e aí é uma avaliação minha, muito parecia com que foi de 88. É de disputa ferroins. E nesse momento decisivo da nossa história, movimento negro organizado não podia se fortar a oportunidade de ir à luta. Um time de peso foi escolhido entre os líderes do movimento negro para disputar as eleições gerais de 1986. Lele Gonzalez, Abdias Nascimento e Carlos Alberto Caó sairiam pelo PDT, Teresa Santos pelo PMDB, Edson Cardoso, Milton Barbosa e Benedita da Silva pelo PT. Porém, de todos esses apenas Carlos Alberto Caó e Benedita conseguiram se eleger deputados constituintes. Nos seus hombros carregavam toda esperança e expectativa de um povo que há quase 100 anos esperavam por sua verdadeira liberdade. Mulher negra e favelada. Esse foi o slogan de Benedita da Silva na sua campanha para a Câmara Federal. E hoje, Benedita é a única mulher negra a ter entrado no recinto da Câmara Federal como uma deputada. Ela está aqui ao nosso lado e vai conversar um pouco com a gente sobre este 20 de novembro de 1987. Bene, o que significa esse 20 de novembro para você como uma deputada negra? O que significa o grito da liberdade? Nós estamos comemorando um dia de uma ideia, de uma liderança que os humbidos palmares pode conquistar. Em um dos primeiros dias como deputada constituinte, Benedita foi pegar um elevador, vestir um terrinho elegante, saia até o juelho e o cabelo compenteado o característico parecido com o que sua mãe costuma abusar. Quando tentou entrar no elevador, foi impedida pelo funcionário da Câmara. O sujeito muito gentil educado se apreçou em dizer que aquele elevador era só para deputados e ela não poderia usar. Olhando nos olhos do moço e sorrindo, Benedita disse que bom, aqui que é o meu lugar e entrou sem muita cerimônia. Você trabalhava nobre constituinte, Benedita da Silva? A minha presença nesta casa justifica-se pelo fato de que nesta sociedade pela primeira vez, resultado do esforço comum das comunidades faveladas de um partido político que garantiu o espaço da maioria silenciada, das mulheres, dos negros, dos trabalhadores e da trabalhadora. Nós estamos presente pela primeira vez na condição de mulher, de negra e de favelada. Essa é uma parte da primeira fala que Benedita fez como parlamentar constituinte. No espaço profundamente imbranquecido, lotado de velhas oligarquias políticas, ela fez questão de lembrar pelo que e porquê instava ali. Ela não era a única pessoa negra no Congresso. Os 559 parlamentares eleitos para constituinte, apenas 11 eram negros e, desses 11, apenas 4 de fato, estavam publicamente comprometidos com a pauta racial. Além de Benedita e Carlos Alberto Caó, que eram candidatos diretamente ligados ao movimento negro, dois deputados negros se juntaram a causa anti-racista, vindo os do movimento sindicalista, Paulo Paín do PT e Ed Milson Valentin do PC do B, formariam junto com Caó e Benedé aquilo que ficou conhecido como a bancada negra na constituinte, apenas 4 pessoas para representar os mais de 50 milhões de negros do Brasil. Gente deles estava o maior desafio de suas vidas. O Semblé Nacional Constituinte, uma emenda feita na Constituição em vigor, permitiu que deputados e senadores, eleitos em novembro do ano passado, têm um poderes para elaborar a nova constituição. O presidente da Semblé Nacional Constituinte é o deputado Lícias Guimarães. A Constituinte chega a você, diariamente, pela voz e pela imagem deste diário. O programa exibida em rede nacional, o deputado Lícias Guimarães explicou a população que aquela constituição elaborada em 87, não tinha texto prévio, portanto seria escrito do zero e com participação popular. Mas você também pode chegar a Constituinte, enviando suas gestões, suas ou através de seus sindicatos, entidade de classe, associações de moradores. Diz-se o movimento negro se articulou de forma intensa para participar interferindo o processo de construção da nova constituição. Não só mandando sugestões, mas participando presencialmente de audiências públicas dentro das subcomissões de elaboração. O movimento negro estava bem articulado e preparado para esse momento da história. Durante a década de 80, eles promoveram reuniões e congressos em diferentes partes do Brasil para levantar as demandas. Em 1986, Véspera da Constituinte realizaram a convenção nacional do negro e a Constituinte. O evento ouviu 185 representantes de 55 entidades do movimento negro, vindo as de 16 estados da federação. As resoluções do encontro de origem ao documento com as demandas do movimento negro que foi encamiada para o Congresso entregue ao presidente da República. Esse documento seria o norte que guiaria aí de Milson Valentin, Paulo Paín, Carlos Alberto Caó e benedita da Silva na Constituinte. A missão deles era conseguir que as pautas negras fossem levadas a sério, mas não iria demorar para que a bancada negra tivesse o primeiro bag. A Assembleia Nacional Constituinte se dividia em nove comissões temáticas e 24 subcomissões. Em cada uma dessas subcomissões seriam discutidos os seus respectivos temas, produzindo um relatório que, ao fim, junto com os relatórios das outras subcomissões, daria origem ao texto constitucional. A subcomissão que trataria dos direitos dos negros, povos indígenas, pessoas com deficiências e minorias, estava debaixo do guarda-chua da Comissão de Ordem Social. A composição dessas comissões e subcomissões foi desenhada a partir de um grande acordo entre os partidos PMDB e PFL. Ambos eram o herdeiros políticos dos dois únicos partidos da ditadura militar, o arena e o MDB. Juntos eles tinham 431 constituintes, ou seja, 77% do Parlamento. Nesses arranjos políticos entre o PMDB e o PFL, a bancada negra na constituinte foi dividida. Somente, benedita da Silva conseguiu ficar na subcomissão dos negros.
Os outros três foram espalhados por outras subcomissões dentro da Comissão de Orda Insocial. Agora, sozinha, ela teria que brigar pela garantia de que o negro estaria contemplado na constituição. Sozinha, teria que lutar contra toda a história do racismo no Brasil. A subcomissão dos negros, populações indígenas, pessoas deficientes, vindo rias, que a negra a Comissão da Orda em Social, recebeu hoje um resumo de todas as rei-oidicações do movimento negro nacional. O convidado especial foi o cantor e compositor Gilberto Gil, que veio a Brasília presegiar o movimento. A sessão foi presidida pela Constituinte Benedita da Silva do PT do Rio de Janeiro. Nós temos que não somente sensibilizar o Congresso a fim de que possam entender essa proposta e dizer que não estamos de pídeis nas mãos, mas estamos nesse momento escrevendo uma parte da nossa história e que foi rasgada. Na primeira reunião da subcomissão, apenas 12 parlamentares compareceram, mas o coro mínimo era de 21 parlamentares. De cara, Benedita percebeu que os direitos da comunidade negra não eram prioridades para aqueles homens que acercavam. Todos homens, a entender a importância histórica do que estava sendo feito. No dia 9 de abril daquele ano, Benedita subiu a tribun na pisando firme e, expõe o esvaseamento político e o boicote dos parlamentares a subcomissão dos negros. É impossível para nós darmos procedimento a esse trabalho, entendendo que alguns deles aparecerão apenas na hora da votação. Eu penso que nós somos apanhados em flagrantes, na medida em que nós estamos nesse momento fortalecendo os preconceitos e não dando devido valor ao que o tema merece. Nós estamos também numa preocupação fora, no momento em que nós temos recebido várias comissões, entidades do movimento indígena, negro, deficiente, de minoria, que estão esperando muito desta subcomissões que, no entanto, a nível político tem recebido a consideração necessária. Neste sentido, nós temos a obrigação e o dever de poder compreender que nós sofreremos um grande desgaste na medida em que não priorizamos estas comissões, essas subcomissões, como é tão importante como qualquer uma ouça. Depois desse discurso, a frequência da subcomissão não melhorou muito, mas benedita e outros parlamentares lutaram para manter o coro mínimo e usou isso como estratégia para passar pautas caras ao movimento negro. Benedita, estratégicamente, no momento de debate público, abriu a tribuna para que dois dos melhores nomes que o movimento negro dispunha pudesse falar pros parlamentares. Eraam elas as intelectuais negras, lélia gonzales e Helena teodoro. A presença das duas naquela sala foi o ponto alto da subcomissão. A fala de ambas foi na direção de fazer um raiuchiz do racismo brasileira e denunciar a farsa da democracia racial. Alguns parlamentares, brancos nunca tinham ouvido falar daquelas coisas e ficaram boqueabertos com a situação do negro no Brasil. Ao pegar o microfone, o relator ao ceniguerra se disse chocado com o quadro de isolador do racismo no Brasil apresentado por Lélia Gonzales e Helena teodoro. Ele ouviu da boca dela pela primeira vez da vida que o Brasil era um país segregado e desigual racialmente e estava perplexo com o que chamou de metralhadoras giratórias de argumentos apresentados por Lélia Gonzales. Com firmeza, Lélia defendeu a ideia de que o texto constitucional deveria garantir a igualdade racial, deixando bem claro letra por letra que o negro, indígena, tem os mesmos direitos que os brancos. Foi nesse momento que alguém ensinou que isso não era necessário, pois todos eram os iguais perante a lei, o que Lélia prontamente respondeu. Somos iguais perante a lei, mas quem somos nós? As grandes populações dos presídios da prostituição, da marginalização no mercado de trabalho. Ela estava falando do apartado tropical. Todas as vezes que o Brasil garantiu direitos iguais a todos, sem dizer exatamente quem estava incluído nesse todos, as populações indígenas, os negros ficaram de fora da tal igualdade. É o que eu tenho dito aqui ao longo de todo esse original. Lélia González, então, defendeu a igualdade, sugerindo que posesse a palavra "isonomia" no texto constitucional. A isonomia é uma palavra incomum que esconde um significado interessante, porque ela pressupõe que o estado tem que provê a representatividade proporcional à composição racial da população, ou seja, se os negros são 55% da população, eles idealmente devem ser 55% em espaços importantes do país, como governo universidades e outras instituições. Essa palavra "isonomia" daria base necessária para que no futuro tivéssemos a lei de cotas asciais. Assim, Lélia usou a estratégia do apartado tropical contra o apartado tropical, escondendo na lei sorrateramente um dispositivo legal que seria usado para reduzir a desigualdade racial no Brasil. Naqueles dias, benedita subiu na tribuna do plenário para denunciar a discriminação racial. Os planos do movimento negro era fazer com que o racismo fosse considerado "crimina fiançável e imprescritível". Algo inédito nas nossas leis. É duro ser negro numa sociedade que tem como modelo pertenceira e etnia branca, ser macho, ser originário das classes dominantes. É doloroso abrir a porta do apartamento que ocupa em Brasília enquanto deputada e ouvira a pergunta. "Tama d'am estar, isto porque sou negra, sou uma negra de alma negra". O mito da democracia racial é extremamente difundido e a teoria do embarquecimento ainda é profundamente entrogetada nos corações e mente da população brasileira, inclusive entre os próprios negros imisigenados. A força da dominação ideológica e cultural é assustadora. No calor da feitura de uma nova carta constitucional e as vésperas das comemorações do centenário da abolição, o de pensar e repensar a questão do racismo em relação o negro no Brasil. Todos na comissão pareciam acreditar que o racismo era algo terrível, que precisava ser estirpado da sociedade brasileira. Mas para boa parte dos parlamentares brancos, a ideia de crime inafensável parecia uma pena muito dura, mas a militância negra estava articulada e continuava avançando as suas pautas. Foi Carlos Alberto Caodo, PDT do Rio de Janeiro, que apresentou uma emenda que incluiu de vez no texto constitucional a ideia de racismo como crime. É o que ele explica nessa reportagem pro programa Diário da Constituinte. Está incorporado definitivamente ao texto constitucional a criminalização do racismo, mas não ficou sonido apenas a nova constituição. Ela estabelece que o ensino de história em todos os níveis deverá levar em conta a contribuição da diversas etinias e culturas para a formação do povo brasileiro. Essa era uma demanda muito cara para o movimento negro. A nova constituição estava garantindo a educação gratuita para todos os brasileiros como uma garantia fundamental. Mas a bancada negra conseguiu inserir no texto, a ideia de que o espaço educacional precisa promover a igualdade e ser um ambiente de acolhimento. O ensino de história negra era uma demanda estratégica de combate ao racismo. Eles acreditavam que a educação poderia ser um caminho para que a sociedade brasileira enxagasse o negro com mais humanidade. No fim, a subcomissão que tinha apenas benedita como negra constituinte aprovou dispositivos legais importantes para a comunidade negra, além da exonomiya representativa da criminalização do racismo e da educação antirracista, conseguiram garantir no texto a proteção e a promoção da cultura afro-brasileira, que implicou no tombamento de documentos históricos e de sítios arqueológicos. Com base nisso, por exemplo, é que a Serra da Barriga, antigo quilombo dos palmares, se tornaria patrimônio histórico. Que seria mandatório ao Estado brasileiro a preservação de documentos sobre a escravidão e locais de memória como o "cas do Valongo" redescoberto em 2011. Isso era um movimento negro obrigando o Brasil a não se esquecer da nossa história e cultura. Além de tudo isso, posaram no texto da carta máquina no artigo 68, o reconhecimento da propriedade definitiva das terras de todas as comunidades quilomboulas do Brasil, e se algo absolutamente extraordinário. Isso foi possível graças às estratégias da comunidade negro organizada. Esse texto passou despercebido, graças a ignorância dos parlamentares brancos, que achavam que no Brasil deveria ter só um. de dois ou três comunidades quilombolas se enganaram. Segundo o senso de 2022, o Brasil tem cerca de 7.666 comunidades quilombolas, formadas por 1.5 milhão de pessoas. Todas essas pessoas foram diretamente impactadas pelação coletiva da comunidade negro-organizada que contou com a sagacidade outra teja de benedita da Silva, um feito absolutamente extraordinário. Agora esse texto precisava ser votado e aprovado por mais de 500 parlamentares, e essa não seria tarefa fácil. A primeira barreira veio do relatório da comunição de sistematização, que disse publicamente, queria aprovar o texto que ele mesmo julgasse melhor. Bernardo Cabral, o tal relator, era responsável por pegar o texto de todas as subcomissões e sintetizar em uma espécie de rascunho da construção e entregar para o Parlamento votar a versão definitiva do texto constitucional. Porém, ao receber as demandas das subcomissões, disse a imprensa que escreveria o relatório da constituição como bem-tem-desse, ou seja, as discussões e textos aprovados nas subcomissões não valeria de nada, quando sobediço o movimento negro reagiu, foi as ruas em protesto e ocupou as galerias do Parlamento. Benedita da Silva, combativa, foi a tribuna denunciar a medida de escapida. Quando na Comissão de Sistema de Ação, apesar das constitações feitas por nós percebemos que tivemos alguns avanços, nós percebemos um grupo de interesse que hoje denominado Centrão desejo e está hoje na sua maior participação tentando mudar a regra do jogo, que foi aceitado no primeiro momento, e que agora, segundo seus interesses, não querem deixar que a Comissão de Sistema de Ação passa alguns artigos que querem, daqui, denunciar de que considero serem por demais antigos. Nós somos as pessoas e as ideias mais antigas do universo. Sobed forte pressão dos movimentos sociais e da sociedade organizada, o relatou recuô da sua decisão e as pautas do movimento negro seguiram para a votação no plenário. Agora, era hora decisiva, se o texto fosse aprovado, mudaria tudo. Foi nesse contexto que o movimento negro foi as ruas de denunciar a faça da bolição da escravatura. Aquela marcha que relatei no início deste episódio, foram 100 anos de humilhação injustiça racial praticado a partir de leis que não contemplavam a comunidade negra. Agora, era hora de reverter o jogo. O movimento foi duramente reprimido nas ruas, e nos corredores do poder, benedita subiu a tribuna mais uma vez para denunciar o racismo brasileira. O negro continua suspeito para polívia, onde estão os governantes do rio e desse país que não impedem de que a violência policial seja o terrô cotidiano da comunidade negra. Quanto custou aquele aparato ao trabalhador? Senhor presidente, dá para comemorar 100 anos de abolição? Não, são 372 anos de escravidão, mas 100 anos de abolição temos 172 anos de opressão, que vergõem para este país dizer que vivemos uma democracia racial, pergunte o Senhor presidente. Somos livre? Não, a bolição de fato pressufa entre as formações profunda, que vão desde uma justa de distribuição de renda, acessa o trabalho reforma agrária, a participação política social, econômica e respeita a cidadaria. O movimento negro não tem que me dará. E não se intimidou, quando começou a fase de votação da Constituição, movimento negro se fez presente em Brasília para pressionar o parlamento e tentou entrar nas galerias, mas foi impedido. E aqui eu me manifesto contrário a esta decisão da mesa, em coibira entrada de pessoas que nós sabemos responsáveis e que estarão aqui acompanhando o processo da votação imprenário. Obrigado. Aqueles eram momentos decisivos, uma incursilhada histórica na conquista de direitos da população negra. Graças à organização coletiva dos movimentos negros e a condução destemida de benedita no parlamento, as pessoas negras desse país conseguiram incluir na construição a criminalização do racismo, o reconhecimento de preservação da cultura negra, a educação gratuita universal que garante espaços seguros a pessoas negras indígenas, o ensino de história africana e origenária, o reconhecimento e titulação de terras quilombolas indígenas. Entre 1888 e 1988, ano da aprovação da nossa Constituição, a comunidade negra se organizou de diferentes maneiras. Foram 100 anos das mais diferentes formas de mobilização da população negra no Brasil. 100 anos existindo a um projeto escancarado de eliminação da população negra. 100 anos de sobrevivência ao pior dos sistemas de segregação e injustiça social, um sistema dissimulado, sorratero e que se envergonha de dizer o que é. A população negra passou por demolições e remoções como a do cabeça de porco. Sobreviveu ao imbranquecimento racial, viu a samba quase morrer na mão da polícia e da lei da vadiagem. Creou o primeiro partido político negro de nossa história e viu ele ser extinto pelo autoritarismo. Existiu as perseguições eligiosas pela força de Shanguo e de todos os orixais voduns inquises. Sem terra ou território, só criaram seus quilombos e aquiloombados no campo e na cidade criaram o movimento social forte e transformador. Todos esses caminhos e o acúmulo de experiência das nossas lutas ancestrais trouxeram todos os ataques instantes. Como se cada avanço e recul, cada vitória e derrota, a sorriso e lágrima derramada nos levasse como um povo um pouquinho mais adiante. Como se cada um dos passos dados por cada negro no Brasil nos trouxesse até esse momento. Momente que foi protagonizado por uma mulher, preta e favelada. Uma mulher que viu a pior face do apartado de tropical. A população negra coletivamente conseguiu impensável e trouxe a realidade com impossível. Juntos conseguiram mudar o ordenamento jurídico de todo um país e movimentar as estruturas da partida de tropical. Essa história aqui que eu estou te contando começou com a pressão dos movimentos abolicionistas e as abelionas nas senzalas que desagul em 1888, no momento em que uma mulher branca e princesa com a caneta na mão assinou a lei mais importante do século 19. E agora essa história termina 100 anos depois, com a pressão dos diferentes movimentos negros do século 20, que desagou numa mulher preta e favelada que trilhando coletivamente os passos dos seus ancestrais, os ou estar nos corredores do poder e escrever as leis que abrirão um novo caminho pros negros do Brasil naquele ano de 1988, no dia 13 de maio, benedita da Silva subiu a tribuna e mais uma vez fez o seu discurso. 13 de maio de 1888, uma voz na baranda do passo é cor, e está a extinta escravidão. Negros cantou, dançou, pulou, gritou, rezou, sei tudo que pode para comemorar a data, era o dia da abolicção. A lovação foi feita, lovaros que bem mereceram e deixar o ruíze lado. Naquele momento, a lembrança não passava pelo navio negrero, o armazenamento, a mercadoria, azoite, gemido, ais, sensá-la, tronco, etc. Aquele momento não era apenas uma idadeva da classe dominante, significava o resultado da resistência negra a cobardia, a curiosidade da classe dominante. Sora avante o novo tipo de escravidão surgia, sutil, sorratera, pérsida, tirando qualquer perspectiva de a sensão social, política ou econômica. Trocaram chicosis.
O tronco e outras coisas mais, por caneta, mesa, livro, porta-sofial, Panteão. Portanto levando o negro a viver desnorteado, foi como legião do despossuído deram continuidade voluntária às condições de piedosas que eles foram importa. Mora onde trabalhar em que estudar como valeria interrugar? Isto tão livre? Não, todos deserdades, milhares, milhões de alcohols, desempregados, marginais, prostitutas, devem mentar o fabilado, acorrentado pela cobreza do preconceito racial legião do floreado. Cureu era terrido outra gênero, mesmo assim em condição desigual o negro profeite. Senhores deputados, senadores, companheiras, companheiros, autoridades, presentes, eu quero vos dizer. Valeu-os um bem, o grito forte do domane que corre a terra, sels e madres. Queremos proclamar a nossa bolição. Não é ódio, nem rancor, apenas um grito de liberdade. Esse é um original áudibol. Produzido por áudibol originals benove e história preta. Escrita é apresentado por mim, Thiago André, desenvolvido por história preta. Produção executiva e desenvolvimento criativo original áudibol, leonóima e Luisa Migueiz. Produção executiva benove por Carlos Merygo e Alexandre Potachefe. Financer o portal mazenário. Produção executiva foi realizado por Caio Santos, a produção por Ruth Raihani. Edição de voz, song design, mixage, posterização por Jana Inolivera, músico original e trilha sonora por Jornatas Cristino, pesquisa por Jerônimo Cruz e Thiago André. Edição de texto por Jerônimo Cruz e Caio Santos. Checagem de fatos por Jacqueline Rodrigues, indentidade visual por Raimundo Brito. Time de conteúdo áudibol Brasil, diretor áudibol estudos Brasil, leonóima, gerente Luisa Migueiz, de renação criativa Juliana Dendem e Arcanjo. Desenvolvimento e aquisição latã, Claud Esteves, aquisição Camila Leme, coordenação Giovanna Garcês, produção Fernando Cher e Tim Warner, assistente de produção, Alisson Borges, estagiária de conteúdo, Ingrid Félix, líder de conteúdo latã, Paulo Lembrubber, diretor a geral Brasil, Adriana Alcântara, líder de produção áudibol studio, Mike Tiarzick, líder global de conteúdo Rachel Guiaza, consultoria criativa Mariana Romano, consultoria de desenvolvimento de conteúdo Isadora Dia de Vieira, copyright 2024 por áudibol Inque, copyright da gravação de som 2024 por áudibol Inque.
Podcast Summary
Key Points:
O podcast "Stora Prita" e a Audible lançaram "Apartheid Tropical", que revela como o Brasil usou leis para segregar a população negra após a abolição.
A primeira temporada do original Audible está disponível gratuitamente no "Stora Prita", enquanto a segunda temporada será exclusiva da Audible.
Em 1988, o movimento negro organizou a "Marcha contra a Farsa da Abolição" no Rio de Janeiro, denunciando a abolição incompleta e enfrentando repressão militar.
Durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1986, o movimento negro buscou eleger representantes, mas apenas Benedita da Silva, mulher preta e favelada, foi eleita deputada constituinte.
Benedita da Silva, filiada ao PT, tornou-se a primeira mulher negra vereadora do Rio de Janeiro em 1982, após uma trajetória de liderança comunitária na favela do Chapéu Mangueira.
Summary:
O episódio do "Apartheid Tropical" apresenta uma análise histórica sobre a segregação racial no Brasil, desafiando a ideia de que o país nunca teve apartheid. O narrador, Thiago André, descreve a "Marcha contra a Farsa da Abolição" em 1988, quando milhares de negros protestaram contra a abolição incompleta e enfrentaram forte repressão militar e policial. A marcha, organizada pelo movimento negro, buscava denunciar como o Estado brasileiro usou leis para marginalizar a população negra após 1888.
O episódio foca na luta política durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1986, quando o movimento negro tentou eleger candidatos para reescrever leis racistas. Apesar de figuras como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez não terem sido eleitos, Benedita da Silva, uma mulher preta e favelada, conquistou uma vaga como deputada constituinte pelo PT. Sua trajetória começou na favela do Chapéu Mangueira, onde atuou como líder comunitária, e culminou em sua eleição como vereadora do Rio de Janeiro em 1982, sendo a primeira mulher negra a ocupar esse cargo.
O conteúdo ressalta a importância da representação política negra para transformar as estruturas racistas do Brasil.
FAQs
'Apartheid Tropical' é um áudio original da Audible que mostra como o Brasil usou suas leis para impedir o progresso da população negra após a abolição da escravatura, com mecanismos sofisticados de segregação racial.
A primeira temporada de 'Apartheid Tropical' está disponível gratuitamente no 'Stora Prita'. A segunda temporada será lançada exclusivamente na Audible.
Foi um protesto organizado pelo movimento negro em 11 de maio de 1988, às vésperas do centenário da abolição, para denunciar a 'abolição inconclusa' que deixou os negros abandonados à própria sorte.
Benedita da Silva foi a primeira mulher negra e favelada eleita deputada constituinte em 1986, representando a população negra na elaboração da nova Constituição brasileira.
Foi a chance de reescrever as leis brasileiras para combater o racismo estrutural, já que desde a abolição de 1888 as leis haviam marginalizado e prejudicado a população negra.
Candidatos como Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez, Milton Barbosa e Benedita da Silva se candidataram, mas apenas Benedita foi eleita.
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