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Angústia: o mais valioso dos sentimentos

38m 38s

Angústia: o mais valioso dos sentimentos

O professor menciona sua paixão por realizar experimentos sociais, destacando um em que permite aos alunos escolherem livremente onde sentar na sala de aula. Inicialmente, os alunos se mostram entusiasmados e experimentam a liberdade de escolha. No entanto, com o tempo, o desconforto e a volta às posições originais revelam a complexidade da liberdade e das escolhas individuais. O conceito de liberdade é discutido a partir da angústia, que surge da responsabilidade das escolhas feitas. O autor relaciona o medo, reações a estímulos externos, com a angústia, um temor marcado pela responsabilidade das escolhas. A liberdade é vista como uma vertigem de possibilidades e escolhas, que muitas vezes resultam em decepções ou desafios, pois nem sempre as escolhas feitas garantem um resultado desejado. A reflexão sobre a liberdade, suas relações com a angústia e as escolhas individuais é apresentada como uma questão profunda e essencial na vida humana.

Transcription

5550 Words, 31863 Characters

Eu adoro experimentos sociais. Na verdade, em boa parte dos meus dias, eu adoro fazer experimentos sociais, mesmo que às vezes eu não conte para as pessoas, porque eu gosto de observar um pouco suas reações. E eu já fiz várias vezes alguns experimentos no espaço educacional mesmo, que mais tarde, aulas mais tarde eu acabo contando para os alunos sobre o experimento e sobre o resultado que é quase sempre muito recorrente. Eu adoro num dado momento do ano chegar para as turmas de incino médio e discutir um pouco sobre liberdade até chegar no ponto de falar assim, vocês não adorariam poder sentar no lugar que tissece na sala, vamos fazer um trato galera, e depois eles ficarem eufóricos, vamos fazer um trato então galera, vamos a partir de hoje nas minhas aulas, tá liberado, vocês podem sentar onde vocês quiserem no lugar que quiser. Se você quiser sentar até ali na mesa, a cadeira do professor tá tudo de boa, pode sentar, eu vou dar a minha aula do mesmo jeito, raviscando o quadro, que é sentar no chão, centa, sem crise, fechou meu irmão, fechou, só tem uma regra, vamos respeitar aí, não precisa também sair com o canto, trazer outra visserinha, cobertinha, que daí já é exagerar, dois fabricados com eles e começa, e eles levam muito a sério, então nas primeiras aulas, é muito comum que o aluno vai lá e realmente senta num canto, o outro senta no outro, de repente o grupinho que estava sentado no meio afastado na sala, decidem sentar todos no chão no meio da sala, é, parece aqueles pingüins que estão se protegendo do frio extremo na noite de 6 meses, e assim transcorrem as primeiras aulas, eu diria com uma certa euforia sobre essa ideia da possibilidade de sentar em outros lugares, mas é claro que as cadeiras que estão ali na sala foram feitas pensadas não apenas com base em um aspecto disciplinar na trajetória toda do desenvolvimento do sistema de ensino, mas as cadeiras também são mais confortáveis do que ficamos somente sentados pelo chão em locais inadecados na sala, então começa a vir um pouco de desconforto, mais um pouquinho, o aluno se encosta, sentado no chão, se encosta na parede, tenta se mexer e achar uma posição melhor, isso acontece por duas, três aulas talvez, até que eu já percebo alguns alunos voltando aos lugares de origem, se não aos lugares de origem primeiro, algum outro lugar, e mais tarde não dá ali cinco, seis aulas, os alunos já estão quase todos nos seus lugares de origem, e eu acho que aqui você já está captando com a ideia desse experimento, é um experimento facilmente reproduzível em diversos ambientes e diversas situações, é um experimento que sugere muito sobre nós, humanos, e sobre a forma como nós olhamos para a vida, e sobre como nós valorizamos muito, muito uma ideia de liberdade, sem talvez conhecer pra valer o que é na liberdade, e essa é uma pergunta muito profunda, na verdade ela é uma das raízes do próprio pensamento humano da filosofia, o que vem a ser liberdade, e também essa é uma pergunta recorrente que eu faço as pessoas, seja no contexto da sala de aula, ou seja, uma mesa do buteco, que é um ótimo lugar para se filosofar de essa de passagem, eu adoro perguntar isso, eu acho incrível como geralmente nós definimos liberdade a partir daquelas coisas, que naquele momento não podemos fazer, então você pergunta para o aluno dentro da sala de aula, durante o horário de aula, o que é liberdade, e ele pensa naquele momento que liberdade é ele poder cantar de uma forma diferente, ele poder estar com os livros guardados, ele poder estar caminhando sob o sol, ou até sentindo a chuva caindo na pele, poder estar em casa, poder jogar videogame, e vou dar mesma forma você pergunta para um trabalhador no nosso mundo atual, que é um mundo iniciado em trabalho para estemente, não pelo motivo material que eu não estou aqui elogiando, mas eu acho que pelo menos era um motivo, vamos falar assim, mais objetivo para o trabalho, não é pelo motivo material, não é pelo motivo financeiro, mas nós temos um mundo que é viciado em trabalho pela própria estética de trabalho, de estética do cansaço, como diz Gianti Urana, sua obra, a sociedade do cansaço, o indivíduo da sociedade de desempenho, ele tem um valor muito grande, a medida que ele consegue esteriorizar que ele não tem tempo para nada, que ele está cansado, que ele está totalmente ferrado, desgastado, inclusive com doenças neuronais, ostentáveis a essa sociedade que aprendeu a valorizar o esgotamento, e daí você fala com esse indivíduo, e naturalmente quando você pergunta para ele o que é liberdade, é muito normal que esse indivíduo também rementa a ideia dele de liberdade ao antagonismo daquilo que ele está fazendo no momento, então a liberdade é a hora que eu voltar para casa, a liberdade é a hora que eu não tiver que atender o chefe, que eu não tiver que ficar no escritório, que eu não tiver que complico a rotina, e blá blá, que a gente já conhece um monte, e esse indivíduo, uma hora vai pegar o ônibus ou pega o carro ou vai a pesei lá, volta para a sua casa, e a hora que volta para casa, o que acontece com muitas pessoas, é todo momento preso, mesmo que sem demandas do trabalho, ao próprio trabalho, então tá ali fussando o WhatsApp, que para mim é um dos maiores símbolos da degradação do trabalho no mundo contemporâneo, tá ali fussando o WhatsApp para dar com alguma questão do trabalho, ou abrindo planilhas, em outro que eu acho que é um dos símbolos da nossa tristeza interna, que é o Excel, aqui já tá virando um desabafo, o podcast, é brincadeirinhas a parte, e não é brincadeira, é muito interessante a gente pensar nisso, eu indivíduo idealizam uma ideia de liberdade, e no momento que ele supostamente tá naquela idealização de liberdade, ele traia aquela liberdade, e ele se prende novamente, e essa é uma conta que se repete a todo momento, nós temos um cálculo da liberdade, que é pautado naquilo que nos é privado naquele momento, mas será que liberdade é ter aquilo que eu não tenho num dado instante, ou será que liberdade é algo muito mais profundo, e que, de respeito ao meu momento presente também, independentemente, de certas variáveis ao meu redor, e essa é uma discussão fundamental, e não é a toa que eu gosto de fazer, experimentos como o que eu na rei agora pouco, com os meus alunos, para poder discutir com eles o que é liberdade, e poder discutir principalmente que liberdade não é um sinônimo de felicidade, também é outra palavra na qual miramos todos os dias, e não a toa encontramos tantas tristezas na vida, porque miramos num conceito muito errado de felicidade, pois costumamos mentalizar a felicidade apenas como edonismo, apenas como uma sucessão de prazeres e de compras e de gosos, e não é bem assim, então esse é um ponto que a gente começa a discutir agora, o que vem a ser liberdade, e um ótimo autor para começarmos aqui, a citação, é o famoso existencialista de Namarqueas, do século 19, que morreu um tanto jovem com 42, 44 anos, enfim, me falam a memória, mas é nessa casa, mais ou menos, o famoso Soren Kirchert, o Kirchert descreveu uma obra chamada o conceito de Angústia, e o Kirchert sabia do que estava falando, ele falava muito sobre esse sentimento da Angústia, que é um sentimento recorrente na história da filosofia, são muitos autores que descrevem essa sensação, até porque, especialmente em eras anteriores à nossa, nas quais a medicalização de certas sensações não era uma coisa tão simples e tão comum, até eu diria banalizada como é nos dias atuais, muitas vezes a melhor forma de você lidar com o sentimento de Angústia, que, digas de passagem, é um sentimento difícil de ser definido, mas para a melhor forma de você lidar era, escrevendo sobre Angústia, pensando sobre Angústia, tentando interpretá-la, experimentando no caminho, algumas formas que pudessem, ou silenciá-la um pouco, mas principalmente criar uma vida de aceitação com o próprio sentimento de Angústia, e o Soren Kirchert descreveu a essa obra, que é o conceito de Angústia, e um pouco no início ainda do livro, ele fala da seguinte forma, "A Angústia é uma qualificação do Espírito, que sonha, e pertence como tal a psicologia, na vigilha está posta a diferença entre meu eu e meu outro, no sono está suspensa e no sonho ela é um nada ensinuado, a realidade efetiva do Espírito se apresenta sempre, como uma figura que tenta sua possibilidade, mas se evade logo que se queira captá-la, e é um nada que só pode angústia, nós já continuaremos daí também a leitura, mas vamos comentar um pouco o que vem a ser esse sentimento a partir dessa, ele se inicio de definição que o Kirchert sugere para nós, liberdade não é poder sentar onde você quiser na sala de aula, liberdade não é você poder sair do trabalho num dado momento ou poder faltar o trabalho, ou poder mentir um atestado para faltar a aula ou o trabalho, liberdade não é você poder só negar um imposto ou coisa assim, liberdade essa soma de possibilidades que existem na sua cabeça a todo momento, e por isso o Kirchert sugere que a própria ideia de angústia tem a ver com este nada, e essa palavra é uma palavra difícil, o que é ou nada, tente agora que até coloque em pause depois dessa pergunta e tente pensar com você o que é ou nada, tente imaginar ou nada, e a nossa cabeça não consegue imaginar ou nada, porque na nossa cabeça, geralmente quando pensa no nada, talvez ela pensa no espaço totalmente escuro, desprovido de objetos, mas até esse espaço escuro é algo na nossa cabeça, então por que o Kirchert se refere essa ideia do sentimento de angústia como relacionado diretamente a um, nada dentro de nós? Veja, a possibilidade, sua sobre o futuro, ela é somente uma possibilidade, ela não é uma realidade, ela não é um momento, então você nunca vive o futuro antes de ele ser um presente, e quando você está mergulhado nesse presente, imediatamente o presente se torna um passado, logo, a partir do momento que eu faço para você a pergunta, o que é que você vai jantar hoje à noite? ou vamos mudar a pergunta ainda, porque torna ela ainda mais ampla no seu leque de possibilidades, ainda que neste exemplo, agora não seja algo dolorido, então impactante para a tua psiquê, mas se eu perguntar para você assim, o que é o tipo de comida que você quer pedir em algum aplicativo nesse momento? Pou, você automaticamente pensa em um milhão de possibilidades, e o pensamento das possibilidades não torna as possibilidades reais, pode ser que você peça uma comida e não peça todas as outras demais, pode ser que você peça mais de uma, e você tem então duas concretizações num dado momento, mas você tem ainda um leque infinito de possibilidades que não se realizaram, e você, mais do que tudo isso, é que a todo momento você está fazendo escolhas, mesmo antes deste exemplo de escolha que eu sugeri para você, você está fazendo escolhas, por exemplo, ao escolher me ouvir nesse momento, ao escolher me ouvir em velocidade 1.5x ou 2x, ao escolher fechar o audio agora e fechar o aplicativo de streaming, e você também vai estar escolhendo a comida que você vai encomendado aqui a pouco, ou não vai encomendar. Então, liberdade tem a ver com essa miria de possibilidades, só que liberdade não é só isso, nós tendemos a fazer escolhas pensando no máximo nosso de ganho, então você pensa assim, "Pô, eu acho que eu vou pedir hoje uma pizza, naturalmente você combate nas suas experiências do passado, de a mentaliza um local que você gosta mais da pizza, os sabores que você gosta mais, e assim você faz o teu pedido com a borda que você está afim, etc., chegou em casa, você vai se atracar, e ali você vai concretizar um projeto que você tinha, saber o que tem mais uma, outra infinidade de possibilidades, ainda que você peça de um lugar que você já conhece, não está garantido que essa pizza estará perfeita, pode ser que ela venha dessa vez, está mordendo lá e no meio, azeitona estava com um caroção que você não esperava, e quase quebra, os dentes, ou daquela mordida na língua, que tiram o teu tesão da pizza naquele instante e todo mundo já passou por isso, por mais bogo que o exemplo seja, ele explica para nós a forma como nós escolhemos a todo momento, nós tentamos ter algum tipo de garantia de antes das nossas escolhas, de que estamos fazendo escolhas certas, porém não há garantia nenhuma de que estamos fazendo escolhas certas, e não atoa nas nossas vidas, nos desamparamos em tantos momentos e sofremos tanto, porque nós queremos ter algum tipo mínimo de garantia de que o futuro será minimamente agradável, feliz, Instagramável, interessante, e espetacular fazendo aqui écos a filosofia de Gideborg, mas aí você faz as suas escolhas e você se depara às vezes com uma pizza chocha, ou com alguma situação na sua vida amorosa, que é muito diferente do que você idealizava quanto à uma vida amorosa, especialmente se você foi versado nas ideias de vida amorosa, que é Hollywood, por exemplo, você idealiza a sua carreira e você se depara com certos problemas, com certos entraves, com grosserias, com pessoas interesseiras, etc, que te fazem mal, e isso te faz querer tomar novas escolhas, novas decisões, e liberdade na verdade é isso, liberdade não é simplesmente você poder romper com aquilo que no momento se apresenta como um condicionante, liberdade não é você poder romper com o fato de você estar sentado numa cadeira e poder sentar no chão por 40 minutos durante uma aula, 45, 50, liberdade não é você poder sair do teu trabalho a qualquer instante, inclusive se demitindo, liberdade é essa infinidade de escolhas, e o kirkard vai relacionar esse termo uma palavra que ele considera como fundamental para a existência humana, e uma palavra que não diz respeito às vidas de outros animais, por causa da forma como seres humanos e os outros animais experimentam a vida e a existência diferentemente, liberdade está relacionada, não a felicidade, liberdade está relacionada, não a poder e não a edonismo, liberdade está relacionada angústia, e por isso, na maior parte do tempo, quando nós acreditamos que estamos escolhendo livremente uma série de possibilidades que, aparentemente, nos traímos os maiores ganhos da existência, não raro, nós nos deparamos com decepções muito grandes, porque, em nenhum momento nas nossas trajetórias de vida, nós aprendemos a ser livres, nós aprendemos, primeiramente, a ser obedientes, e, no segundo momento, nós aprendemos a calcular de uma maneira utilitarista as nossas escolhas, é escolher o curso "A", porque ele dá mais dinheiro que o "B", é você escolher uma roupa "X", porque todo mundo usa essa roupa "X", então, você terá uma presença mais validada no dado círculo social, é você comprar um carro tal, porque ele é mais econômico do que o outro, e as nossas contas vão a todo momento nesse sentido, então, nós aprendemos tudo na sociedade, tudo na vida, menos o que é liberdade, porque liberdade não é engraçado, liberdade não necessariamente é um sinônimo de felicidade, ainda que possa ser gratificante, liberdade é antes de mais nada, extremamente, doloridamente, angustiante, e que o card segue adiante, o conceito de angustia, ele diz, não é tratado quase nunca na psicologia, e, portanto, tenho de chamar a atenção sobre sua total diferença em relação ao medo, e outros conceitos semelhantes que se referem algo determinado, enquanto que angustia é a realidade da liberdade, como possibilidade antes da possibilidade, por isso não se encontrará angustia no animal, justamente porque este, em sua naturalidade, não está determinado como espírito, eu jamais frasiaria tão bem a relação entre angustiante, a liberdade como o autor frasiou aí, e nos interessa muito, espremer um pouco desse escrito dele, vamos começar aqui, entendendo o que ele nos diz, sobre essa diferença entre angustia e o medo, uma boa forma de entendermos isso é, é também através do exemplo de outros animais, então eu estava ali jogando um videogame uns dias atrás, o meu Silent Hill 2, o Ador de Jogos de Teor, e estourou alguns fogos de artifício perto de onde eu moro, e imediatamente a gente é cara festinha, assim do vídeo imediatamente, os cachorros já colocando a cara ali desesperados, assim, saíram das casinhas e já tenho quatro cachorros e duas delas ficaram muito assustadas, com muito medo, isso é um sentimento de medo, porque elas tiveram algum tipo de estímulo externo que despertam nela esse espanto, elas não param para pensar sobre o que está acontecendo naquele momento, elas reagem instintivamente, e impossivamente aquele estímulo externo que foi a explosão, e ainda reverberam um pouco mais, eu não consigo nem imaginar o condolorido para um cachorro, entrar em contato com o som de uma explosão de um fogo de artifício, passa pouco tempo, o cachorro já está de boa, de novo, deitadão, com a barriga para cima, tomando sol, e assim vai, e nós experimentamos medos de forma semelhante, nós temos medo de certos estímulos, então você tem medo quando você vai, por exemplo, escolher a sua carreira, você tem medo, você tem medo quando o telefone toca, e é um número familiar, é um número de alguém da tua família literalmente, mas toca num horário inapropriado, num horário que você sabe que ninguém nunca te liga em sangue consciência, você tem medo, aquilo é um estímulo, e todo mundo que está ouvindo isso aqui já passou por isso, sabe qual é o frio na espinha que vem nessa hora, isso é o sentimento de medo, e esta sensação está muito relacionada a esses estímulos que não necessariamente controlamos, às vezes é claro, o medo também está relacionado aquilo que controlamos, mas o medo vem muito, daquelas condições exteriores, e que nos determinam, diferentemente do sentimento de angústia descrito por Kirchite, e que ele fala que é uma propriedade do espírito, lembrando aqui que quando o autor fala de espírito, ele não está tratando num sentido religioso, e ainda que este autor seja lido como parte dos existência-listas cristãos, mas essa é a ideia do espírito na intelectualidade europeia de toda a era moderna e na verdade até a anterior, diz respeito justamente a psicologia do indivíduo a psiquê, e aí temos uma diferença muito bacante entre o medo e a angústia, enquanto o medo é esse nosso sentimento de espanto, diante de algum estímulo externo a nós, quando por exemplo está com o pé parado e você sente alguma coisa começa a caminhar sobre o pé, e você tem aquele chute na hora, porque justamente é um medo uma reação que você tem a um estímulo externo, a angústia é diferente, porque a angústia não se refere necessariamente ao estímulo que está vindo até você, a angústia segundo Ciergarde é esse atestado de que você também traz estímulos ao mundo, você escolhe dar carinho ou não no cachorro, você escolhe dar um tapa ou não numa certa pessoa, você escolhe cursar o curso ABC ou até a letra Z do Alfa Beto, você escolhe dar bom dia pra alguém e escolha a forma como você vai dar bom dia, você escolha aquilo que você escreve numa mensagem pra pessoa, e os hemódias que você vai usar depois do lado pra sugerir que você outa bravo ou ta feliz ou pouca coisa assim, e é diante destas e todas as demais escolhas que fazemos no cotidiano que vem esse sentimento, angústia, que ele se parece com o medo, mas ele é um medo marcado por responsabilidade, ele não é o medo da explosão que acontece ao teu lado e que somente tinha estiga a correr, não, ele é, angústia é como um medo, mas é um medo marcado pela responsabilidade, ou seja, pelo reconhecimento de que pode ser que você tenha algo ruim na frente e o pior, você tem a ver com a realização desse algo ruim, porque você está a todo momento fazendo escolhas, angústia que a Diergarde é a vertigem da liberdade, você a todo momento é livre para fazer escolhas, e uma hora testado disso, é esse sentimento, esse frio na barriga, essa incerteza de ser a pizza do novo lugar que você tá experimentando hoje, será boa, ou se você comerá ela com aquele arrependimento de não ter pedido o sabor do local que você já conhece, isso é angústia, angústia também é quando você decide, por exemplo, terminar um relacionamento amoroso, e você morre de medo, porque você, por um lado, quer terminar, por outro, você se prende a trajetória que você já tá com aquela outra pessoa, a certo tempo, você pensa nas conquistas que fizeram juntos, e você começa a mentalizar cenários e pensar mas, se eu terminar com essa pessoa e nunca mais encontrar alguém, ou nunca mais encontrar alguém que me ame, e se eu terminar com essa pessoa e encontrar alguém que me ame, mas esse alguém me trair, e se eu terminar com essa pessoa e acontecer isso, ou aquilo, aquilo, angústia, então está relacionada a este nada, esta soma de possibilidades que ainda não aconteceram, e no caso de uma delas acontecer todas as outras deixarão de acontecer, mas você, com todas as suas fragilidades, assim como eu, que temos esse defeito de fábrica que eu gosto de chamar de consciência desse, você é a partir do momento que fizeram uma escolha, não se contentará com essa escolha, e não será capaz de gozar essa escolha totalmente, e aí, angústia não sai de você, mesmo quando a tua escolha resultou em algo bom, em algo que você gostou, você ainda sim olha pra trás e fala, mas, e se, e se eu tivesse feito outro curso, e se eu tivesse me inscrito naquela prova há dois anos, será que hoje as coisas seriam diferentes, e se eu tivesse comprado aquela casa naquela cidade, e se eu tivesse trocado de carro, e se eu tivesse feito aquela viagem quando tive oportunidade, ou seja, angústia existe na nossa psiquê, nisso que o Kerkard se refere como um espírito humano, ela existe na nossa psiquê, relacionada a estinada, as possibilidades das possibilidades, as possibilidades que ainda não podem ocorrer, que são futuros de daqui um minuto, uma hora, um ano, dez anos, as possibilidades também que já não podem mais ocorrer porque você fez uma escolha e as possibilidades passadas. Acho que esse é um bom retrato da nossa, seres humanos, carne, oso e fraqueza. Kerkard, com as suas belíssimas palavras, continua e diz o seguinte, se quisermos considerar as determinações dialéticas da angústia, mostrar se há, que esta justamente possui uma ambiguidade psicológica. Angústia é uma antipatia simpática, e uma simpatia antipática. Vê se facilmente, penso eu, que esta é uma determinação psicológica, num sentido inteiramente diferente daquela da concupicência. A linguagem usual o confirma inteiramente, pois dizemos a doce angústia, a doce ansiedade e dizemos um angústia estranha, uma angústia tímida, etc. Convenhamos o Kerkard com toda a sua melancolia, ele era extremamente poético nas palavras. Ele falar que a angústia é ao mesmo tempo simpática, e antipática é uma forma belíssima de você frasiar. Esses exemplos que ele coloca na sequência, como dizemos, uma angústia estranha e também a doce. Angústia são muito interessantes. Então, se eu fosse exemplificar aqui com algo que faz parte do meu cotidiano profissional, que trabalho com pré-vestibulares, é muito interessante perceber isso quando conversa com anunos. E perceber que, especialmente no início do ano, na primeira metade do ano, o aluno tem um tempo há muito bom de preparo para o vestibular, e aquele aluno que está com a cabeça aberta, ele está disposto às indicações do professor sobre como melhorar seus estudos, etc. É interessante porque o aluno tem a ciência ali, de que a prova que o interessa está meses afrente dele. E ele sente nesse momento essa doce angústia. Porque ele tem uma conversa e eu converso com ele ou os meus colegas, conversam com esse aluno sobre a rotina de estudos, sobre as métricas de notas, perceber no que ele tem tido, uma melhora nos seus impenhos e ele fica feliz com isso. E ele fica com uma doce angústia. Porque ele consegue perceber que aquilo que ele está fazendo ou as escolhas que ele está fazendo no cotidiano podem resultar naquilo que ele acredita, naquele momento que ele está almejando, que é a aprovação no curso, no vestibular e etc. Então ele fica encantado por uma doce angústia porque ele percebe, principalmente após dois ou três provas, duas ou três provas simulados, que são marcados por um crescimento de rendimento, ele percebe que através de escolhas ele consegue sinta de alguma forma alcançar alguns projetos dele. Mas ao mesmo tempo que ele percebe isso, ele também começa a perceber que está muito na mão dele. É a possível não realização daquilo que ele almeja. E ao longo desses meses todos, ele tem que lidar com esta ambiguidade, assim como vocês e eu lidamos no dia a dia com estas ambiguidades. E nós pensamos assim, caramba, mas se eu seguir com essa e essa rotina, se eu seguir guardando dinheiro dessa forma ou estudando aquela parada do jeito que eu estou interessado, se eu seguir assim, eu vou chegar no meu objetivo. Mas isso também traz um peso absurdo, porque daí você pensa assim, cara, mas então eu sou responsável pela parada. Eu preciso encarar todo dia esse meu projeto, um por mais desagradável que talvez ele seja, eu preciso encarar esse caminho e as coisas desagradáveis do caminho para que eu possa chegar naquilo que eu estou colocando como um mel e sabendo que talvez aquele mel não seja tão doce assim. E, geralmente, quando estamos aproximando do mel, nós também sentimos, então, em vez da doce angústia, de meses antes da prova, de meses antes daquela viagem e assim por diante, nós começamos, então, mais na véspera, a experimentar, a estranha angústia, e se não dar certo, e se eu não passar, e se eu for demitido, e se, enfim, qualquer tipo de eventualidade que eu não gostaria. Isso é o peso de ser livre, e além disso, é claro, quando nós nos deparamos, então, com desfechos que talvez não sejam tão agradáveis, como adoraríamos, é comum que sintamos, então, um outro sentimento atrelado a esta angústia, que é a culpa, e que, card, na sequência, descreve essa sensação. Ao dizer que, a angústia que está posta na inocência primeiro, não é uma culpa e, segundo, não é um fardo pesado, um sofrimento que não se possa harmonizar com a felicidade da inocência. Observando-se as crianças, encontram-se nelas angústias de um modo mais determinado, como uma busca do aventuroso, do monstruoso, do enigmático. Esta angústia ocorre em todas as nações que consideram os traços da infância, com o típicos do sonho do espírito, e quanto mais profunda ela é, tanto mais profunda, é a nação. É apenas uma prosaica tolice e crê, que isso seja uma desorganização. Angústia tem aqui o mesmo significado que melancolia. No momento bem posterior, quando a liberdade, depois de ter percorrido as formas imperfeitas de sua história, deve chegar a ser ela mesmo, no sentido mais profundo da palavra. Eu loro quando ele fala da criança, porque nessa fala do Kirkard, nós temos uma noção da criança como um ser que vive a sua angústia, sem necessariamente questioná-la como algo bom ouro e, na verdade, olhando para ela como algo aventuroso, que temo maravilhoso que o autor utilizou aí. E, justamente, o que nós enxergamos na criança, essa fantasia grande, e na cabeça da criança existem essas inúmeras, incontáveis possibilidades de futuro. É tipo quando era criança eu falava assim que eu seria bombeiro, ou astronauta, ou arqueólogo, arqueologia, e que dá hora, porque eu virei historiador. Perto, é um pouquinho perto, mas essas são as possibilidades, essa coisa aventurosa, a criança não está tão preocupada assim com o caminho para isso, mas está mais preocupada com a realização, ou com a mentalização daquela realização, da estética, daquela conquista. E o que nós aprendemos socialmente não é necessariamente, no nosso mundo atual, principalmente, a valorizar esse sentimento de angústia, e a sua relação com a ideia de possibilidades, mas, principalmente com a ideia de responsabilidades, nós aprendemos o contrário disso, a temer angústia. É como se a angústia fosse um sentimento que é apavorante, e que por isso ele tem que ser de alguma maneira silenciado, e o que mais me assusta essa tendência que na nossa sociedade temos, e parece-me que nos dias atuais, e ainda mais intensa do que em outras eras, essa tendência que temos de silenciar a angústia através de nemecanismos criados por nós para essa finalidade, como, por exemplo, o nosso vício em entretenimentos, ou muitas das nossas recorrentes e na habilidades de lidar com as próprias consequências das próprias escolhas. E é claro, não podemos esquecer aqui do suicídio filosófico, que é esse momento em que nós abdicamos da nossa qualidade de pensar, da nossa capacidade de filosofar, de questionar o mundo, de olhar críticamente para os fenômenos ilógicamente, olhar críticamente para você mesmo, e nós abdicamos disso em favor de algum tipo de narrativa que simplesmente faça sentido para nós e nos coloca como o epicentro do universo, e, às vezes, inclusive, como vítima, assim, tirando de nós o peso, a responsabilidade da existência, a responsabilidade dos próprios atos, a responsabilidade de ser livre. Às vezes, eu me pergunto sobre porque é que vocês dão play nesses episódios. Eu, às vezes, me pergunto também porque é que eu gravo, e eu já falei um pouco sobre isso em alguns momentos, mas, eu acho que, se você chegou até aqui nesse devaneio de hoje, você chegou, talvez, por perceber a própria angústia algum momento do dia, e talvez bater o olho no nome do episódio, pensou que isso o reçoava. Dentro do teu estado emocional daquele instante deve ter alguém que está passando por isso, e, às vezes, nesse momento, que nós mais queremos, mais desejamos, é silenciar a angústia, é querer de alguma forma, poder olhar para nós mesmos como se fosse com essa inocência, descrita pelo Kirkard, que alivia a nossa culpa das próprias escolhas, e que traz até uma felicidade inocente também. Mas, depois que você aprendeu a pensar, mínimamente, sobre as suas próprias responsabilidades, é necessário, uma ginástica mental, eu duplipensar muito grande para que você silenciar a sua angústia, e é assim que eu deixo para você esse convite, tem de perceber que o sentimento de angústia é provavelmente o mais valioso do sentimento de um ser humano, provavelmente o maior sentimento que temos e que nos impulsiona não apenas a escolher diante das possibilidades, mas também, quando desenvolvemos nossos termos com a angústia, a reconhecemos as nossas responsabilidades, a reconhecemos que ser livre não é simplesmente levantar e sentar no chão, que ser livre não é simplesmente sair do trabalho na hora que deu o teorário, que ser livre é algo não opcional para todo o ser humano que vive. Enquanto você vive, você tem essa condinação, que é a sua própria liberdade, enquanto você vive, você é livre, e o maior sentimento que você tem atestando isso é o sentimento de angústia, ele não é só medo, o seu sentimento de angústia é a sua consciência, fazendo juízo, não só das suas possibilidades futuras, mas as suas possibilidades do passado. E é sempre a angústia, a sua existe a partir do momento que tem também essa reflexão sobre possibilidades e consequências, e é esse reconhecimento de que aquilo que eu faço tem repercussões, não sómente sobre mim, mas sobre o mundo ao meu avedor. Então você é livre 5, quando você está dentro da sala de aula, você é livre quando você está no teu escritório, eu sou livre quando eu estou dando aulas, somos livres a todo momento. Mesmo quando queremos ignorar esse fato, mas agora sem querer dar spoilers, e talvez já dando spoilers do nosso próximo possível encontro, será que as coisas são bem assim? Ou será que não existe algum tipo de ambiguidade também na própria liberdade? Então é isso meu povo, um grande abraço a todos vocês, para mim é sempre uma honra, e se você é mais um sujeito, angustiado com a vida, angustiado através da filosofia, por favor passe a sua e a minha angústia existência exagante e compartilha esse episódio, por favor. Um beijo a todos vocês, e obrigado, vocês sabem pelo quê, por querer saber mais hoje do que ontem.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O professor realiza experimentos sociais no ambiente educacional para discutir conceitos como liberdade.
  2. O conceito de liberdade é explorado a partir de experimentos com alunos.
  3. A liberdade é relacionada à angústia e às escolhas individuais.

Summary:

O professor menciona sua paixão por realizar experimentos sociais, destacando um em que permite aos alunos escolherem livremente onde sentar na sala de aula. Inicialmente, os alunos se mostram entusiasmados e experimentam a liberdade de escolha. No entanto, com o tempo, o desconforto e a volta às posições originais revelam a complexidade da liberdade e das escolhas individuais.

O conceito de liberdade é discutido a partir da angústia, que surge da responsabilidade das escolhas feitas. O autor relaciona o medo, reações a estímulos externos, com a angústia, um temor marcado pela responsabilidade das escolhas. A liberdade é vista como uma vertigem de possibilidades e escolhas, que muitas vezes resultam em decepções ou desafios, pois nem sempre as escolhas feitas garantem um resultado desejado.

A reflexão sobre a liberdade, suas relações com a angústia e as escolhas individuais é apresentada como uma questão profunda e essencial na vida humana.

FAQs

Liberdade é mais do que simplesmente poder fazer escolhas imediatas, envolve a compreensão da infinidade de possibilidades e a responsabilidade por essas escolhas.

Ele aponta que liberdade não é sinônimo de felicidade, e critica a ideia de felicidade baseada apenas em prazeres e consumo.

A liberdade está relacionada à angústia, sendo um sentimento marcado pela responsabilidade das escolhas e pela incerteza do futuro.

A liberdade é considerada angustiante porque envolve a constante tomada de decisões, com a incerteza sobre as consequências e a responsabilidade sobre essas escolhas.

Enquanto o medo é uma reação a estímulos externos, a angústia é um sentimento marcado pela responsabilidade das escolhas e pela incerteza do futuro.

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