A Verdade Sobre o Perfeccionismo Que Ninguém Te Conta - Lia Plutarco [Ep. 193]
0m 0s
O episódio do podcast discute o perfeccionismo clínico, um traço transdiagnóstico que vai além da busca saudável pela excelência. A médica psiquiatra Juliana Fonseca e a psicóloga Lia Plutarco explicam que o perfeccionismo se caracteriza por padrões altos e rígidos, que geram sofrimento quando a pessoa nunca se sente suficiente. Diferente da excelência adaptativa, que inclui organização e desejo de melhoria, o perfeccionismo clínico envolve distorções cognitivas como a dicotomia (tudo ou nada) e a desqualificação de conquistas, onde até um 10 é visto como "fácil demais".
Os tipos incluem o perfeccionismo voltado para si, para os outros e o socialmente prescrito, comum em pessoas com ansiedade social, que acreditam que os outros têm expectativas inatingíveis. O perfeccionismo pode estar associado a TAG, TOC ou superdotação, causando prejuízos na socialização e autoestima. Um exemplo marcante é o paciente que se sente envergonhado por fazer tarefas bem-feitas, ou que interpreta uma pergunta simples como crítica ao seu desempenho.
A terapia ajuda o paciente a questionar metas automáticas e a escolher objetivos que façam sentido para sua vida, evitando a sobrecarga e a sensação de fracasso ao abandonar projetos. A chave está em reconhecer quando a busca por padrões altos deixa de ser saudável e passa a gerar sofrimento.
Desvendando o Perfeccionismo: Definição e Impactos Iniciais
Sejam muito bem vindos ao Wesley.
Podcast eu sou Juliana Fonseca, sou roxa aqui no canal sou médica psiquiatra também e hoje eu tenho a honra de trazer não uma psicóloga, mas a minha psicóloga pra falar de um tema que fez eu voltar com a terapia.
Então hoje eu recebo com muita honra.
Lia Plutarco, muito obrigada lia por ter vindo.
Pessoa 2
Ah, é um prazer estar aqui.
Ju, muito obrigada pelo convite.
Acho que participar do podcast como esse é assim.
Um sonho realizado para qualquer psicóloga, né?
Pessoa 1
Ah, que legal.
E a lia?
A lia é é psicóloga clínica, ela atende os pacientes, é supervisora também, então para psicólogos que querem aprender com ela.
Depois ela vai passar todas as informações.
E é doutorando em psicologia na Universidade Federal do Ceará.
Terminando aí, né?
Lia reto final.
Pessoa 2
Terminando pertinho da defesa.
Pessoa 1
O lia e conta pro pessoal, por que que eu voltei pra terapia?
O que que tava?
Pessoa 2
Acontecendo por conta do perfeccionismo, né?
Ju inclusive o teu caso.
Ele é um caso que já aconteceu com muitos outros pacientes meus, assim de que foi diagnosticado a vida inteira com tag.
Então é um paciente que tem essa ideia de que eu sou ansiosa.
Eu sou ansiosa e quando a gente vai ver é diferente, um pouquinho ali da ansiedade.
Um componente ansioso, mas tem um componente do perfeccionismo que muitas vezes não é identificado e não é tratado dentro da terapia.
Pessoa 1
Exato.
Eu fui diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada na adolescência, ali na época de vestibular.
E esse ano voltei para terapia.
Busquei a lia para tratar o perfeccionismo.
Então, vamos começar com a definição, porque acho que o perfeccionismo quando a gente pensa lia, tem muita gente que acha que é aquele defeito que a gente fala na entrevista de emprego.
Qual que é seu defeito?
Ah, eu sou perfeccionista, é quase um defeito chique ali, né?
Mas o que que é perfeccionismo?
Porque a gente vai falar de um espectro aqui hoje, né?
Qual é a definição de perfeccionismo?
Essa pergunta é uma pergunta.
Pessoa 2
Difícil.
Ju porque assim não tem uma definição concisa, clara, que seja unânime entre todos os autores?
A gente tem múltiplas definições de perfeccionismo, mas todas elas circulam em volta da pessoa a ter parâmetros altos e rígidos que ela precisa atingir na vida dela.
Então, mais ou menos, todas as definições vão nesse sentido.
Perfeccionismo Clínico e Seus Múltiplos Tipos
A gente tem uma definição que eu acho muito interessante, que é do próprio dicionário de Oxford, que ele fala que o perfeccionismo ele é você não aceitar nada abaixo da perfeição.
Pessoa 1
EEE quais são?
Assim nesse espectro?
Assim, onde que a gente vê o perfeccionismo dentro de diagnósticos e fora de diagnósticos?
Porque você fala muito sobre perfeccionismo clínico.
Pessoa 2
Mas não é um diagnóstico assim, não tá no dsm.
Perfeccionismo?
Não, não.
Ele é um processo transdiagnóstico.
Na verdade, esse termo perfeccionismo clínico, ele vem da Ross chaffran e do grupo de estudos dela.
Elas cunharam esse termo pra separar o que era o perfeccionismo da busca pela excelência, que a busca pela excelência seria ali o componente, o aspecto positivo do perfeccionismo.
E essa parte do perfeccionismo clínico seria quando o perfeccionismo ele assume características mais negativas.
Então, elas fizeram esse termo.
Mas a gente tem outros autores que falam do perfeccionismo enquanto uma característica multidimensional.
Esses modelos multidimensionais.
A gente tem um que é bem interessante, que ele divide o perfeccionismo em 3 tipos.
A gente tem o perfeccionismo voltado para a própria pessoa, a gente tem o perfeccionismo voltado para os outros e a gente tem um perfeccionismo socialmente prescrito.
Esse é muito comum em quem tem ansiedade social.
A pessoa com ansiedade social, muitas vezes ela acredita que os outros têm parâmetros inatingíveis, que ela não vai dar conta.
E isso às vezes alimenta a ansiedade social de muitas pessoas.
Então eu não vou tentar me apresentar em público.
Eu não vou tentar fazer alguma coisa porque vai estar muito aquém do que as pessoas esperam.
Pessoa 1
Mas é é um julgamento que ela faz do que o outro está pensando.
Pessoa 2
Exatamente que é esse perfeccionismo socialmente prescrito, isso.
Pessoa 1
Não, não condiz com com a realidade, muitas vezes.
Pessoa 2
Né, muitas vezes não.
Pessoa 1
Tá EE, qual que seria a diferença?
Assim, tem algum ponto de corte, porque sempre quando a gente fala algo que é espectral, sempre fica difícil a gente colocar o limite até aqui, ok?
É bem-vindo a partir daqui.
Isso vai ser disfuncional em alguma medida.
Onde que a pessoa tem esse traço e está ainda na busca pela excelência, aquela pessoa que busca fazer tudo com muito cuidado, né?
Com muita qualidade.
E a partir de qual momento essa pessoa se torna perfeccionista e começa a ter dificuldades ali na vida dela por conta disso?
Quando a Busca pela Excelência Gera Sofrimento
Eu acho que isso é uma definição assim, difícil em quase todos os sistemas de categoria que a gente tem hoje do dsm, né?
Então a gente entra naquela coisa do quando o sofrimento é clinicamente significativo.
Aí vai depender muito da pessoa que sente e do clínico que acompanha para eles tentarem definir qual é essa margem.
Porque assim.
Não tem um parâmetro claro que a gente possa usar, mas a partir do momento que aquilo causa sofrimento para própria pessoa ou para alguém que está próximo, eu acho que a gente começa a ver ali algum nível de prejuízo.
No caso do perfeccionismo, por conta desses parâmetros muito altos, uma das crenças mais comuns nas pessoas perfeccionistas é de que eu não fiz o suficiente, eu não sou o suficiente.
E aí isso acaba começando a gerar algum nível de sofrimento.
Porque eu começo a me cobrar.
Então começo a ter uma auto cobrança muito significativa, porque, Ah, eu nunca faço o suficiente.
Eu deveria ter feito mais, eu deveria ter feito melhor.
E aí adiante, de qualquer pequena coisa que a pessoa faz assim.
E é engraçado, eu observo muito isso nos meus pacientes, que às vezes, até quando a pessoa faz coisas boas, ela tem uma certa vergonha de ser do jeito que ela é, por ser diferente às vezes das outras pessoas.
Então, às vezes, por exemplo, a tarefa da terapia, o plano de ação, o paciente faz.
E ele faz super bem feito.
E aí ele entrega e ele fala, cara, eu estou com vergonha disso aqui que eu fiz, porque eu sei que está demais.
Não era para eu ter feito desse jeito ou não.
Está legal assim.
E aí tem esse sentimento de vergonha mesmo quando a pessoa faz.
Às vezes até eu tenho vergonha, até por ter feito muito.
E aquilo que.
Pessoa 1
Começa é o tipo de bullying assim que muitas vezes esse perfil sofre até durante a infância, né?
Da aquela pessoa que é que tem aquele estereótipo de ser muito certinho, de ser muito nerd, de tirar nota, nota alta.
Eu tive alguns episódios de eu errar.
Veio agora assim que eu lembrei de eu errar algumas questões de propósito em algumas provas específicas.
Assim para eu não gabaritar.
Pra pra eu sofrer menos bullying assim na escola é e é e é uma coisa bizarra, né?
A pessoa, ela ela tem aquele desempenho por mérito dela, né?
Porque ela, ela se cobra mais do que a média, mas ela sofre também quando ela não atinge os seus próprios objetivos e quando ela atinge, ela sofre do ambiente.
Se é um ambiente invalidante como esse, né?
Que que que tá penalizando, que tá punindo a pessoa pelo pela alta performance ali, pelo alto rendimento, ela é punida de qualquer forma, internamente ou externamente, né?
Pessoa 2
E às vezes, quando ela pede ajuda também, porque ela vai tentar pedir ajuda.
E as pessoas olham e falam assim, não, você dá conta, você consegue, não precisa de ajuda, você não, você não precisa de ajuda, você nunca precisou.
E isso às vezes é muito pesado para pessoa, porque em alguns momentos pesa, em alguns momentos ela precisa da ajuda.
E aí são pacientes que tendem a ser muito invalidados, porque as pessoas ao redor olham e falam, não, você pede muito de todo mundo e isso acaba deixando a gente.
Tipo assim, a gente se sente criticado por esse teu jeito.
Isso acaba, às vezes, começando a gerar algum prejuízo.
Mas esse perfeccionismo, quando ele vem Combinado com outros diagnósticos, é interessante porque ele muda muito de figura.
Ele se transforma um pouco, por exemplo, quando ele vem associado a altas habilidades e superdotação.
Normalmente tem um prejuízo maior na socialização.
São pacientes que não conseguem muito fazer amizades porque já tem uma dificuldade.
Ainda tem uma vergonha maior ainda, porque eu ainda tenho uma inteligência ali, uma aptidão, e eu quero mais ainda esconder.
Pessoa 1
Então, AA pessoa, por vergonha, não consegue, às vezes, tá, tá socializando que ela não se sente nem adequada para o ambiente, né?
Pessoa 2
Ela se sente diferente de todo mundo, diferente meio que meter.
Distorções Cognitivas e a Dicotomia Perfeccionista
EEE.
Quando a gente fala sobre traços assim, a gente sempre fala da questão do que é adaptativo e do que não é adaptativo.
Você consegue ter 11 definição assim do que que seria adaptativo do perfeccionista.
O que que o perfeccionista faz que é adaptativo?
Que deixa o perfeccionista muitas vezes tem um desempenho melhor do que a média.
E o que que não é adaptativo?
O que que produz geralmente esse sofrimento?
Pessoa 2
Tem algumas pesquisas muito legais que esclarecem isso para gente dentro de alguns modelos multidimensionais o perfeccionismo.
Ele é dividido em tipos, né?
Eu dei um exemplo aqui, mas existem outros modelos também.
E aí algumas dessas características, elas são mais associadas com essa, vamos dizer assim, um lado funcional ali do perfeccionismo.
Que características são essas características?
De organização, então, normalmente, o perfeccionista, ele é uma pessoa bem organizada, agenda organizada, vida organizada, o ambiente organizado e essa é uma faceta positiva, mas que quando exagerada, ela pode virar uma faceta um pouco negativa.
Isso acontece muito em caso de toque, transtorno obsessivo compulsivo, né?
Então, excesso de limpeza, excesso de organização e em caso de tecpoc também, que é o transtorno de personalidade obsessivo compulsivo.
Às vezes passa um pouco do ponto e começa a gerar prejuízo de alguma forma, mas é uma dimensão positiva a parte de organização, outra dimensão.
Pessoa 1
Aqui, gente, é até importante a gente explicar assim o pessoal que não sabe o que é toque.
A gente aqui não é uma organização assim.
A gente arrumou essa mesa para poder gravar e para ficar bonito no vídeo para vocês.
E isso é uma organização normal.
A gente gastou um tempo aqui, fez uma vez e ficamos satisfeitos e começamos a gravar no toque.
A pessoa que tem essa questão da simetria da organização, às vezes da limpeza, faz isso inúmeras vezes.
Então esse, esse essa pessoa, ela perde muito tempo, né, lidi?
Organizando, reorganizando e vendo a simetria e limpando novamente.
Então, no toque já não é uma organização do do do que a gente considera ali, que é que seria Oo normal.
É é uma organização que a pessoa não fica satisfeita com a organização.
Ela perde tempo.
Por isso que entra na questão disfuncional.
Organização por si só é bom, mas no toque existe 11 dificuldade em fazer só uma vez e ficar satisfeito, né?
Isso e o.
Pessoa 2
Perfeccionismo no toque ele vai muito no na direção do ritual.
Então o ritual que a pessoa tem que fazer tem que sair perfeito para evitar consequências negativas.
Mas ele tem características compartilhadas com o.
O perfeccionismo de um modo geral, né?
Então ele tem o parâmetro muito rígido, tem que ser exatamente daquele jeito que ele pensou.
Ele tem o medo de errar, porque se eu errar, vão ter consequências desastrosas se eu cometer qualquer tipo de erro, que é uma característica evasiva, né, dentro do do que a gente entende por perfeccionismo, então essa organização, ela é uma dimensão positiva, mas em alguns casos, ela pode ali assumir essa característica mais adaptativa.
E a outra dimensão positiva são os próprios parâmetros altos de você sempre tá querendo melhorar, sempre tá querendo ser uma pessoa melhor do que o que você é hoje, atingir coisas maiores e melhores do que o que você atingiu até hoje.
E isso a literatura também mostra como uma parte positiva do perfeccionismo.
Só que eu costumo brincar com os meus pacientes, que a gente tem que ter cuidado pra não subir um degrau a mais, assim passar do ponto.
Porque enquanto a gente está só querendo ser melhor e tentar ter umas coisas melhores, tudo bem ótimo, né?
Essa busca pela excelência, o lado saudável do perfeccionismo.
Mas quando a gente perde a mão um pouquinho e a gente quer isso demais e a gente começa a sofrer, daí a gente começa a sentir culpa, vergonha, autocrítica, começa a aparecer ali uns sintomas que não era para estar aparecendo.
Aí a gente perdeu um pouco a mão.
Pessoa 1
Dá um exemplo de de né?
De algum paciente que você lembra ou de algo que é comum, das pessoas que colocam essa esse padrão alto demais.
Geralmente tem alguma área da vida assim, é financeiro, é trabalho.
O que que você vê que é mais comum?
Os perfeccionistas acabarem colocando esse degrau a mais?
Pessoa 2
Nossa, já vem em tudo, vou te ser sincero, aqui é pervasivo mesmo, é muito pervasivo, é tal hora a pessoa, ela está tipo, fazendo exercício físico.
Quando você vê, ela quer fazer a dieta de um jeito ideal, ela quer ter o corpo de um jeito ideal.
O elogio que ela espera receber é tipo, nossa, você tá com o corpo tão maravilhoso que eu nem sei o que que você tá fazendo, o que que aconteceu, porque quando é menor do que isso, ela fala, nossa, não deve tá indo tão bem, né?
Porque a pessoa me deu um elogio tão.
Pessoa 1
Sabe que eu tive um paciente?
Agora eu lembrei disso falando um paciente que eu perguntei na sessão se ele fazia a musculação e depois ele me trouxe numa terceira sessão, na quarta sessão, que isso foi um gatilho para ele.
Porque a partir do momento que eu pergunto se ele faz alguma atividade física, isso significava que o corpo dele não, não transparecia para mim que ele era uma pessoa que treinava de segunda a segunda.
E é uma pergunta normal de sessão, você faz alguma atividade física e tudo mais, por mais que eu veja um rapaz que tem uma estrutura.
Pessoa 2
Você não pode simplesmente assumir o que ele faz.
Pessoa 1
Exato.
E aí essa pergunta foi um gatilho pra você ver o quanto que essa autocobrança é.
É num nível assim, se a doutora não percebeu, se não ficou óbvio, isso significa que o meu resultado não transparece Oo esforço.
Aquilo que eu tô fazendo, né?
Pessoa 2
É e que o meu resultado tá péssimo, né?
A Luta Constante e a Procrastinação Perfeccionista
Porque o perfeccionismo, ele tem uma característica também muito importante, que é a dicotomia.
Então assim, se não tá maravilhoso, tá horroroso.
Não tem meio termo.
Pessoa 1
E isso é uma distorção cognitiva.
Pessoa 2
Do uma das mais características, eu acho que é essa.
E a distorção também, de minimizar aquilo que a pessoa faz.
Então ela faz as coisas a falar.
Mas tirei 10, mas também.
Pessoa 1
Não é nem uma.
Pessoa 2
Modéstia, né?
É 11 percepção falsa da da daquilo que acontece.
É uma desqualificação.
Acho que essa é a palavra assim.
É uma desqualificação mesmo.
Eu tirei 10, o 10, enquanto eu estava me esforçando para tirar o 10.
Ele parecia uma coisa muito importante, mas a partir do momento que eu tiro o 10, e isso acontece no perfeccionismo, o padrão, ele é sempre aumentado.
Então eu alcancei o 10, beleza, agora eu tenho outra coisa para eu alcançar aquilo ali já foi, já não é mais tão importante, não fiz mais que a minha obrigação.
Pessoa 1
Sabe que eu tive essa, essa impressão na última prova que eu fiz na vida, que foi a prova de título de psicoterapia?
É para eu ter o título.
E eu eu fechei a prova e eu saí com a sensação que eles fizeram uma prova fácil demais.
E aí qualquer um passaria.
E a partir do momento que eu vi que tinham colegas que não tinham passado, aí eu falei, mas eles não estudaram bem o suficiente?
Ou seja, não tem a possibilidade de eu ter estudado muito e ter ido do bem numa numa prova possibilidade.
Ou fizeram a prova fácil ou mesmo com a prova fácil.
As pessoas não passaram porque essas pessoas não estudaram o suficiente.
Então.
Existe até essa dificuldade de colocar nesse local, não de troféu, mas assim de parabenizar mesmo, né, cara?
Parabéns pra você que você foi bem numa prova que muita gente não foi.
Parece que é muito difícil entrar nesse local de satisfação interna, né?
De se sentir bem, com êxito.
Pessoa 2
A desqualificação ela é quase que automática, né?
Eu lembro que isso aconteceu comigo também quando eu passei em psicologia na federal.
Eu lembro que o primeiro pensamento que eu tive foi, caraca, como é fácil assar em psicologia na federal?
Porque assim eu passei e veio esse pensamento automático.
Ali é uma coisa muito rápida que você nem se dá conta, mas depois, quando você para para analisar, você tava desqualificando uma Conquista sua.
Pessoa 1
É EEA.
Gente, tem que tomar cuidado quando, né?
A gente vai conviver com pessoas, né?
As pessoas que tem filhos podem ter esse esse perfeccionismo.
É de uma maneira que o outro se sinta desqualificado, né?
Uma vez que eu atendi, é uma família onde o adolescente era atleta e no momento que a criança me trouxe a Vitória assim de um campeonato grande mundial, o pai já cortou a Alegria ali da Conquista e tava falando para médica dele, né?
O quanto que ele tava bem, da ansiedade, o pai cortou e falou assim, agora a gente tem que focar no brasileiro.
E eu falei assim, a gente pode tirar 5 minutos para a gente falar, Oo quão bom foi vencer esse mundial?
Que a gente pode tirar 5 minutos para comemorar, para falar o quão especial foi poder ganhar, né?
Em frente AAAA todos os países que que que que competiram.
E aí senti aquele, né engolindo seco do pai e ele falou assim, nossa, tô desculpa.
Eu falei, e o pai tem esse perfil perfeccionista também, era atleta quando criança.
Então tem até algumas profissões que a gente percebe que atrai, né?
Esse tipo de de personalidade, né?
Com esses traços perfeccionistas, né, que são pessoas de alta performance, são pessoas que vão liderar, são pessoas que têm essa, essa ambição maior do que do que a média.
Pessoa 2
E é tão engraçado.
Ju porque o perfeccionismo?
Ele é uma característica tão forte dessas pessoas que às vezes eu percebo que os meus pacientes, eles estão indo atrás de metas.
E eles não sabem nem porque que eles estão indo atrás.
Parece que o perfeccionista, ele não pode ver uma meta que ele quer pegar para realizar e aí você pergunta para ele assim, mas por que que você está correndo tanto atrás disso, né?
Qual a importância e tal?
Às vezes a pessoa tipo eu está aí, não sei, mas o correr atrás da meta faz muito sentido.
Para quem é perfeccionista, é a meta pela meta, é o desafio pelo desafio muitas vezes, e uma das partes importantes da terapia é exatamente trazer esse questionamento.
De olha começa a escolher qual meta que faz sentido, não sai pegando todas e querendo fazer todas só porque esse é o seu.
Pessoa 1
Automático e sentido até para o momento atual da vida, né?
Porque às vezes eu pego os pacientes assim, né?
Triatletas fazendo Iron Man.
Eu conversei com a Nicole No No episódio dela sobre isso e às vezes não tá cabendo naquele momento da vida, com filho pequeno, com empresa crescendo.
Treinar 20 horas por semana, que é o que que demanda ali 11 triatlo.
Então às vezes até isso eu eu tenho essa meta, tenho, mas talvez vai ter que ser em outra fase da minha vida, talvez não dê para fazer tudo que eu tô fazendo nesse momento e é difícil abandonar isso, né?
Eu falo por mim quando eu tenho que abandonar algo que fazia sentido, mas que eu vejo que não tá encaixando nesse momento.
É difícil porque isso é denota ali um como se fosse um fracasso.
A gente tem essa leitura, né?
Não de uma escolha.
É inteligente pra aquele momento, mas sim, como nossa, eu não dei conta exatamente.
E aí vem com e reforça a crença ali que né, você não tá dando conta e que você não é bom o suficiente, que é que muitas vezes tá sustentando isso, né?
Pessoa 2
Exato.
EE tem uma outra característica interessante desse funcionamento perfeccionista, que é a forma de resposta.
Essa resposta que você falou é muito comum, que é a resposta de luta.
Então é aquele perfeccionista que ele vai para cima, ele tá sangrando, mas ele continua, nada vai parar.
Ele.
Tem gente que tem essa resposta e tem gente que tem outras respostas diante do perfeccionismo.
A gente tem as pessoas que se resignam, que dizem, olha, eu sou um fracasso mesmo, não tá dando para alcançar, não vou mais tentar, nem vou, né?
Nem vou fazer a prova, nem vou participar, não vou porque não é para mim, já aceitei que eu fracassei mesmo.
E a gente tem as pessoas que procrastinam como uma forma de esquiva, porque eu sei que vai me dar tanto trabalho para eu alcançar aquilo ali está me parecendo tão impossível.
E eu sei que eu vou ter que sangrar tanto que aquilo começa a me gerar ansiedade e eu começo a me esquivar como uma maneira de tentar sobreviver aquilo sem sofrer tanto.
Mas obviamente, a procrastinação também faz sofrer.
Então, de todo jeito, nessas 3 respostas, a pessoa sofre.
Pessoa 1
EE aí da dentro da procrastinação, quando a pessoa tem um grande projeto, então um TCC, né, você está terminando o doutorado, né?
A Autoimagem Atrelada à Entrega de Resultados
A dissertação, eu estou no mestrado, a gente sabe que tem algumas coisas que são um processo em que demanda muita idas e vindas, né?
É uma dissertação, você não faz do começo ao fim, em ordem certinha, como se tudo fosse dar certo.
Do começo ao fim você faz e refaz, tem correção e rever muda o método.
É, e aí o perfeccionista, de alguma forma, ele quer fazer já da ordem certa, do jeito certo, como se como se tudo fosse sair perfeito, né?
E algumas coisas exigem essas essas correções, essas mudanças de direção.
Então acho que a procrastinação do perfeccionista também é muito relacionado a essas atividades que ele sabe que de início ele não vai bem.
Então é vai adiar, por exemplo, uma apresentação, né?
A gente fala, eu não vou no podcast porque.
Vai que eu gaguejo?
Vai que eu falo uma bobagem?
Eu não vou conseguir ser perfeito, mas a ideia aqui não é a gente ser perfeito.
A ideia aqui é a gente compartilhar conteúdo que vai servir pra população que tá assistindo.
A gente, então, às vezes até perde a oportunidade por conta desse, desse receio, né?
Desse medo, exatamente os perfeccionistas.
Eles têm muita pressa.
Pessoa 2
E isso eu acho que é comum a todos os diagnósticos.
Se você pegar o pessoal que tem toque, que tem que ter toque, né?
Tudo, tudo é urgente.
Fazer aquilo que eu preciso fazer e ter o resultado que eu quero ter, tem que ser para antes de ontem.
Então realmente qualquer coisa que envolva um processo é muito difícil e é muito sofrido.
E aí é interessante que parece que quando vai aparecer outro lado da da luta também, né?
Que a pessoa começa o projeto, aí ela também não para.
Então ela começa o projeto, ela não vai parar para comer, ela não vai parar para ir para academia, ela começa não, porque eu tenho que fazer isso aqui até terminar.
Pessoa 1
Agora eu volto a terminar e até que ponto você já viu?
Porque eu já vi paciente internado, fazendo reunião, internado assim, é esse nível assim que eu já vi assim, um cara com roupinha do hospital, com celular, o iPad, fazendo reunião, porque não pode faltar no trabalho assim.
É uma coisa que até a doença tem dificuldade de frear.
É, não sei se você pega os pacientes nesse nesse perfil.
Pessoa 2
Não total EE, isso é muito assim.
Até às vezes eu comento isso com meu marido.
Quando eu saio de algumas sessões com pacientes muito perfeccionistas, eu falo, nossa, eu acho que é o tipo de paciente que é mais fácil para mim ter empatia, porque você vê a pessoa ali sofrendo e ela não quer desistir de fazer o que tem que ser feito.
E você fica quase ali, tipo, pelo amor de Deus.
Eu, eu te imploro, só paro um pouco, né?
Porque a gente precisa fazer esse tratamento funcionar e você não tá me ajudando.
Mas realmente é muito difícil pra esses pacientes parar e falar assim, tá?
Nesse momento eu não dou conta disso aqui.
EE.
Pessoa 1
E pra que que é esse resultado todo assim?
Li.
Tem alguma função esse resultado?
Por que que essas pessoas que têm padrões mais altos ali?
É pra pra atingir.
E eles querem um resultado acima da média, um resultado perfeito, né?
Esse seria o ideal que o perfeccionista busca.
Para quê?
É para ele, é para os outros.
Ele quer provar alguma coisa para alguém assim, para que que é isso o modelo que a gente tem hoje?
Pessoa 2
Que explica essa manutenção do perfeccionismo, que é o modelo da terapia cognitivo comportamental dentro do da conceituação.
No centro dessa conceituação tá o fato de que a pessoa atrela a própria autoimagem a esses resultados.
Então aí é que o negócio pega, é porque se eu parar, o que eu penso sobre mim é só uma lista de coisas negativas.
Então eu não posso parar, porque senão eu viro uma pessoa, que é, que é insuficiente, que é fracassada, que é horrorosa, que é, enfim, aí entra problema com o corpo, problema com tudo, porque generaliza o negócio.
Então eu tenho que estar sempre entregando esses resultados para que eu tenha valor.
Se eu não entrego o resultado, eu não tenho valor.
E perder valor é uma coisa que machuca muito.
Então é isso que mantém a pessoa ali.
E esse valor está justamente nessa entrega, nesse resultado, nessa entrega.
O meu valor como pessoa está nesse resultado.
Pessoa 1
EE como que é o processo?
Eu não sei se você já atendeu esse paciente, que quando é ele não consegue mais entregar o resultado, seja por alguma limitação, seja um próprio atleta, né?
Que vai perder desempenho até.
Ele conseguir se aposentar, ou seja, uma aposentadoria, né?
Que ele não precisa mais ter esse resultado é um é um processo que vai sendo trabalhado ou geralmente desloca esse o mesmo perfeccionismo para outra esfera da vida.
Pessoa 2
Aquela resposta bem clássica da psicologia do depende, né?
Então depende muito de cada paciente.
Pode acontecer da pessoa deprimir e ir para aquela resposta de resignação que eu comentei.
Então assim eu fracassei, eu não presto mesmo, não dei conta, e ela entra nesse lugar e fica nesse lugar.
Então ela inicia um quadro de depressão, mas ela pode também passar para outros lugares da vida.
Então agora eu não estou mais trabalhando, então eu não tenho mais como ser perfeccionista no trabalho, mas agora, então eu vou ser a melhor mãe que eu posso ser na vida, porque agora eu tenho tempo para me dedicar para minha família e ela vai se cobrar para fazer isso na organização da casa, na limpeza da casa com os filhos, né?
Isso vai só ali, mudando de lugar.
Genética, Família e Ambiente na Formação Perfeccionista
Então tudo pode acontecer no melhor dos cenários, que é o que a gente espera que aconteça.
Quando o paciente faz psicoterapia, isso vai ser flexibilizado.
E aí ele vai entender que ele não precisa, talvez de padrões tão altos assim, que ele pode começar a ser um pouco mais flexível em algumas coisas.
Pessoa 1
EEE você percebe que a comparação com outras pessoas pioram, porque se a gente pegar o Instagram, a gente consegue ver ali blogueira de maternidade.
Que tem ali uma rotina impecável com o filho, que eu olhando aquela rotina eu falo, nossa, quando eu for mão e mãe, vai ser impossível seguir essa, essa essa rotina tão perfeita, né?
E isso já gera uma angústia e eu nem sou mãe ainda é.
Você acha que essa a comparação piora assim pro perfeccionista?
Acho que o perfeccionista é mais sensível a comparação.
Pessoa 2
Sim e não.
Eu acho que piora, mas por conta também de uma tendência do perfeccionista de se comparar com o exemplo mais alto da roda, é isso que acaba com o.
Pessoa 1
Negócio aí ele ele, ele pega Oo atleta de fisiculturismo pra comparar o shape ali, sendo que ele é advogado, né?
Não tem nada a ver com com o fisiculturismo.
Pessoa 2
Ele não vai pegar qualquer pessoa Pra Ele se comparar, porque o que atrai a visão dele, né?
O que tá dentro desse viés que a pessoa tá ali sempre buscando, é aquilo que se destaca muito.
Então o olhar vai para essa pessoa.
Então é uma pessoa que tá tipo organizando o fim da financeira.
Agora pensando em começar a ganhar dinheiro.
Ela tá se comparando com a galera que é milionário assim.
Ela não tá se comparando com aquela pessoa que conseguiu juntar 20000 e ela já tá perto de chegar nisso?
Jamais.
Pessoa 1
Aí compara com com o dono da meta e do e do da Amazon, exatamente.
EE tem alguma origem comum ou já tem explicação científica assim do porquê que certas pessoas é desenvolvem esses traços assim e tem algumas origens já.
Pessoa 2
Já tem algumas origens mapeadas, mas muda um pouco, né?
Aquela coisa do multifatorial, não tem para onde correr quando a gente fala de qualquer transtorno mental.
Assim, acho que o perfeccionismo não poderia ser diferente.
Então tem múltiplas origens, tem uma parte genética, inclusive.
É uma parte de estudos que eu acho muito interessante.
Que se fala de pessoas que são altamente sensíveis e os perfeccionistas tendem a ser essa pessoa.
Então, sabe aquela criança que não dá trabalho?
Aquela criança que a mãe fala uma vez e a criança já escutou aquela criança que não precisa?
A professora diz, ó, a prova é assim e é para fazer isso aqui.
Pronto, ela já sabe.
Ela não vai errar aquilo ali porque ela não quer ser repreendida.
Pessoa 1
É um Mini adulto.
Pessoa 2
É um Mini adulto.
Então, algumas pessoas são assim, já nascem com essa característica de não gostar de ser repreendido, não gostar de ser criticado, são muito sensíveis e aí isso é um fator de risco para o perfeccionismo.
Pessoa 1
Isso então está relacionado a características da personalidade.
Ali que a pessoa nasceu assim, exato, genético, genético, já do temperamento já vem assim.
Isso pode vir assim, uma família mega disfuncional.
E a criança vem assim esse Mini adultinho.
Pessoa 2
Assim, exatamente, a criança olha para aquela família mega disfuncional e ela diz não.
Essa galera não tá dando conta.
Eu tenho que ajudar eles, né?
Então pera aí que eu vou fazer minha parte.
Ainda vou dar uma ajudadinha aqui, porque eu acho que eu dou conta mais do que o que eles tão dando.
Pessoa 1
Então tem até uma compensação ali, né?
Pessoa 2
Isso.
E aí tem esse papel também do de onde a criança foi criada.
Então existe uma influência daquele meio, né?
Principalmente dos pais.
Então do estilo parental e alguns estilos parentais estão associados ao perfeccionismo.
Um deles, esse desorganizado.
Quando a gente tem essa família que é um caos, muitas crianças, elas tentam ser esse Mini adulto pra de alguma forma tentar dar conta daquele caos.
Pessoa 1
O que que é uma família desorganizada assim?
Lia faz uma foto assim pra gente entender que desorganizada o pessoal pensa numa casa bagunçada, né?
Mas talvez não seja só sobre a sua organização.
Pessoa 2
Física, né?
Não, não é mais sobre conseguir dar conta das necessidades da criança.
Então é aquele pai, aquela mãe, muitas vezes que nem por culpa é dos pais, mas assim que estão sobrecarregados e.
E aí não consegue muito dar conta de ajeitar o que a criança precisa para comer, para levar e tal, e pede ajuda dos filhos para fazer as coisas em casa.
Então, Ah, meu filho, estou muito cansado do trabalho.
Quando eu chegar, você já tenha, já tenha cuidado do seu irmão, já tenha feito a comida, já tenha.
Vai passando responsabilidade para criança antes do tempo, né?
Porque a criança olha e ela vê.
Nossa, meus pais não estão dando conta.
É difícil pra eles que não estão conseguindo pagar as contas, né?
De alguma maneira, não só por essa questão financeira, mas pode ser por questões, por exemplo, de adoecimento mental também.
Aí a mãe tem depressão, não consegue dar conta das coisas em casa, o pai trabalha, aí tem a mãe com depressão.
E no meio daquilo tudo, as crianças ficam ali dentro daquela sobrecarga.
Pessoa 1
Então, essa desorganização assim, a criança acaba tendo acesso ali AA preocupações e responsabilidades que Nem Ela nem deveria ter AA ciência que aquilo existe, né?
Ela nem deveria saber que não existe.
Então, o primeiro estilo parental ali, não sei se é estilo parental que que pode falar, seria o desorganizado isso.
Pessoa 2
Então, a criança tenta compensar o ambiente que ela cresceu.
Aí a gente tem outros estilos parentais também, como os pais perfeccionistas.
E aí passa pelo exemplo, né?
Então você convive com aquele pai, com aquela mãe, que a casa tinha que estar sempre muito arrumada.
As notas tem que estar sempre muito ótimas, você tem que ser bom em tudo que você faz.
E o pai está sempre ali dizendo para você que que pode parecer um cuidado, mas também é uma pressão de Ah, eu sei que você consegue ser o primeiro lugar, eu sei que você consegue se destacar, então está torcendo por você, mas está botando uma pressão também que você tem que de alguma forma, né, cumprir ali aquela expectativa.
Pessoa 1
Então.
Os pais mais exigentes que que.
E é difícil ter um esse equilíbrio assim, né?
Porque eu acho que muitos pais são mais exigentes, achando que estão fazendo bem para o filho ali, né?
Não?
Lógico que não é com a intenção de de causar um dano ali, de desenvolver um perfeccionismo na criança.
É.
É difícil ter esse equilíbrio muitas vezes, quando os pais são muito preocupados, porque tem muitas vezes os pais, muitas vezes tem aquela questão de dar para o filho aquilo que ele não teve na infância.
E aí às vezes, como isso acontece?
Através de muito sacrifício, aí rola aquela cobrança de poxa, você está tendo oportunidade que não tive, tem que dar valor, aí tem que fazer e tem que acontecer.
Então isso acaba privando ali AAA criança, às vezes até de suporte emocional, porque a criança entra muito no.
No fazer, né?
O que importa é aquilo que ela entrega e não aquilo que ela é como como indivíduo, lembra.
Um paciente que me falou 17 anos que ele tinha e tava na época já pressando vestibular, Enem.
E ele ele falou, não tem mais nada que eu não posso entregar para o meu pai, anão ser passar em federal em medicina e não queria medicina.
Ele era o tipo cara da engenharia, assim, computação, tudo mais.
Então, assim, a única coisa que eu posso entregar para ele a mais, para ele conseguir sentir orgulho de mim, é eu passar nessa federal em medicina, que aí seria do máximo esforço, daquilo que é mais difícil é fazer em termos de vestibular.
Tá, mas em que parte que você se conecta com isso?
Em que parte que é sua e em que parte que o seu pai se conecta com a pessoa que você é, né?
Um cara sensível, um cara doce, uma pessoa que é do bem, uma pessoa que se preocupe com os outros.
Do ser humano e não do resultado que esse ser humano gera em relação ao desempenho.
E aí isso o que que o que que?
É muito triste, né?
Quando essa pessoa não tem acesso, né, a um psicólogo, um psiquiatra, ali nessa hora para estar mostrando, essa pessoa passa uma vida tendo relações, onde ele tem que provar para os outros através desse desempenho, né?
Através dessa cobrança, através de.
De resultado, né?
E ele não.
Às vezes ele nem se conhece, né?
Ele, ele não sabe quem ele é.
Se ele não tá tendo esse papel de desempenhar, de ter grandes, grandes feitos, isso é, é, é causa bastante sofrimento assim, né?
Com.
Pessoa 2
Certeza.
Até porque você falou, né?
Ele não sabe quem ele é.
Se ele não tiver estando com essas grandes entregas, eu acho que é pior ainda.
É que ele sabe que se ele não fizer isso, ele é um grande fracasso.
Esse é o problema, né?
Se fosse uma dúvida era mais fácil da gente lidar, mas não é, é taxativa assim, se eu não fizesse entrega, então eu não presto, não presto como amigo, não presto como filho, não presto como aluno, não fui capaz e isso vai causando muito sofrimento.
E nisso que tu falou, ajuda essa parte dos pais.
Eu acho que a gente tem que tentar buscar muito por um equilíbrio, porque eu vejo que muita gente pega e fala, Ah, então não pode cobrar, então não pode pedir para o filho tirar 10, agora não pode mais nada.
Não pode, sim, mas 2 reflexões importantes, a primeira, como que você lida quando tem a falha?
Porque tudo bem, você tem essa criança que é um Mini adulto, só tira 10 e tal, tudo certo, aí ele tira uma nota baixa.
Você como pai e mãe, você tem o bom senso de dizer, cara, o meu filho só tira 10, ele tirou uma nota baixa, como que eu vou lidar com isso?
Ou você age como se aquela nota baixa fosse o fim do mundo, porque aí é como a gente lida com a falha, não é o padrão.
O padrão?
Menina, ótimo, ele tá só tira nota boa.
O padrão dele é nota 10, mas aí ele tirou 15.
Então a gente precisa lidar bem com essa falha, dizer se tá tudo certo, se é padrão nota 10, se é tirou 15 e tá tudo.
Pessoa 1
Bem, faz parte.
Pessoa 2
Faz parte.
Ninguém vai morrer por causa desse 5.
Relaxa.
Tudo certo, né?
Vida que segue e muitas vezes também.
Que aí é o segundo ponto, reafirmar outras características.
Porque às vezes o pai e a mãe, eles estão muito preocupados em cobrar, mas na tua fala tu trouxe isso assim que era um menino doce, um menino educado, um menino gentil.
Então vamos valorizar esse outro lado também, de falar isso para o filho, né?
Porque aí traz o equilíbrio.
Eu cobro para caramba, mas eu também falo para ele que ele tem um coração bom, que quando ele faz alguma coisa tipo, ele vai lá ajudar a vó.
Eu falo, cara, meu filho, você foi muito atencioso, você ajudou sua vó, que legal, né?
E eu reconheço isso também.
Pessoa 1
Não valorizar só os grandes feitos, né?
E tem mais algo que acontece na se tratando da infância, falou.
Então da questão genética.
A criança nasce já com esse perfil de de do perfeccionismo.
Tem os estilos parentais ali, tanto OOO, estilo parental, mais perfeccionista, tanto desorganizado.
Tem mais algo que acontece ali naquela infância.
Pessoa 2
E aí existem as experiências que a pessoa vive ao longo da vida.
Muitas vezes a escola, né?
Então, por exemplo, eu sei que tu já compartilhou isso várias vezes, né?
Você foi bailarina.
É um ambiente extremamente perfeccionista, porque o ballet, ele é uma dança associada de mais a perfeição.
Pessoa 1
É muita disciplina, né?
Pessoa 2
É muita disciplina.
Qualquer esporte que a pessoa leva a um nível profissional, né?
Tem uma exigência enorme.
Então esse tipo de ambiente, ele ajuda muito a moldar e forjar perfeccionismo também.
Pessoa 1
Então, crianças que tiveram uma carreira precoce ali, seja, né, na dança, no esporte, então, EE, acho que não só o balé que tem essa disciplina, essa rigidez, né, os movimentos tem que ser perfeitos mesmo, senão eles não são válidos, mas da questão de você ter uma grande responsabilidade no momento, que deveria ser lúdico, exato, né?
Então, Ah, esse final de semana eu não posso porque porque eu tenho balé, porque eu tenho treino, e lógico que isso aqui é até importante falar, né?
Livro, mas minha mãe vai assistir isso aqui.
Ninguém vai se sentir culpado, não quero que ela se sinta culpado, é, tem ganhos também, né?
Essa pessoa que que teve essa, esse ambiente, ela vai ter uma responsabilidade acima da média, ela vai ter 111 desempenho ali, ela vai lidar com as coisas de maneira muito mais séria do que a maioria das pessoas.
Disciplina, Relações e Alta Performance Perfeccionista
O que que o perfeccionista ganha por ser perfeccionista, qual que é a parte?
Seria a parte boa, entre aspas.
Pessoa 2
Há muitas coisas, isso que a gente falou da organização, né, da característica positiva, voltada pra si, voltada pros outros.
Eu acho que o perfeccionista, ele acaba ganhando muito, por exemplo, vou dar vários exemplos aqui.
Ele ganha nas relações, porque normalmente as pessoas perfeccionistas, elas tendem a querer ter boas relações por perto, porque elas esperam do elas sabem que elas entregam muito, então elas esperam receber também.
Acho que elas não esperam receber o tanto que elas entregam não, mas elas esperam receber 11 pouco assim.
E isso faz com que tenha um filtro nas relações.
Então é muito difícil você ver uma pessoa com perfil mais perfeccionista, por exemplo, num relacionamento abusivo, é mais difícil de acontecer, porque ela vai notar rápido ali alguns sinais, ela vai falar isso aqui não tá legal, eu me incomodo com isso aqui tá acontecendo.
Então esse incômodo, ele tem esse fator de trazer boas relações, boas relações de amizade, né?
Então, normalmente é uma pessoa que é preocupada com o que ela entrega para as pessoas e com o que ela recebe das pessoas.
Acho que esse é um lado muito legal.
Pessoa 1
Olha, eu nunca tinha pensado no nesse nessa característica do perfeccionismo nas relações assim é e de fato assim.
Eu percebendo assim da da minha vida.
Eu cultivo muitas questões de longo prazo assim, então é difícil eu ter amizades que foram pontuais.
Geralmente as pessoas que eu falo não esses são meus amigos, são pessoas de de longuíssimo prazo assim porque.
Esse investimento é muito custoso para o perfeccionista, né?
O investimento de tempo, o investimento na relação, então é quase que eu não tenho tempo para ficar desperdiçando aqui, né?
Se eu sou seu amigo, eu tô aqui, eu vou tá aqui sempre.
E acho que isso reverbera também nas relações amorosas, né?
De você começar uma relação já com aquela cabeça assim, não, isso aqui precisa chegar aqui no objetivo final, seja um casamento, seja uma família, ou seja, morar junto.
Não tô aqui para ficar, só saindo perdendo tempo, porque isso não faz sentido, né?
Então é realmente nunca tinha pensado.
Tem outras esferas assim que você vê ganhos.
Eu acho que laboral é o principal, né?
De trabalho.
Pessoa 2
Então, muita disciplina, né?
Normalmente, as pessoas perfeccionistas, elas têm um nível bom de disciplina, mas aí varia porque, como eu falei, tem outras respostas e outras histórias de vida, né?
Então, algumas pessoas vão ter dificuldade de disciplina e outras vão ter muita disciplina.
Então, para alguns isso é um ponto de vantagem, para outros, às vezes é um ponto de exatamente sofrimento, porque eu não consigo ter a disciplina que eu gostaria de ter.
Mas exatamente porque o meu padrão é muito alto e aí a pessoa acaba entrando nessa da procrastinação como uma forma de defesa, né?
Para para tentar sobreviver aos próprios padrões altíssimos que ela coloca, então.
Mas boa parte das pessoas tem isso como um ponto positivo, muito disciplinadas conseguem fazer aquilo que se propõe a fazer.
Então, muitas vezes, o perfeccionista, ele tem 11 boa, alta eficácia.
Ele fala assim, não, se eu falar que eu vou fazer, eu faço.
Pessoa 1
No auto, esse caso seria justamente isso, né?
A pessoa prometer algo e considere feito, né?
Eu tenho, tive 11 colega que sempre que eu pedia alguma coisa Pra Ele, considere feito.
É basicamente essa, essa pessoa assim que se você me pediu e eu estou falando que eu vou fazer, porque eu vou fazer, eu vou entregar da melhor maneira que eu, que eu consegui.
Exato, essa pessoa que você confia sempre, geralmente o perfeccionista é aquela pessoa que é gostou de trabalhar, porque você não tem surpresas.
Né?
Nesse sentido, essa pessoa que tem alta eficácia, que não é o perfeccionista, aqui pro kraschina, é a pessoa que entrega aquilo que promete, muitas vezes entrega até a mais daquilo que prometeu.
Pessoa 2
Às vezes, ele dá até uma pressionada nos outros sem querer assim, porque a galera que está ao redor vê aquela pessoa trabalhando, entregando e trabalhando e entregando, o pessoal fica tipo, valha, meu Deus, fulano, ali ó.
Bora, pessoal, vamos trabalhar e entregar também, porque tem que tentar chegar no ritmo dela, né?
Pessoa 1
É, se for um líder ali já já complica nesse sentido, né?
Pela pela comparação.
O Sofrimento Oculto por Trás da Perfeição Exigida
EE qual que é a consequência?
Assim, na autotima?
Porque eu fico pensando se essa pessoa, ela tem padrões que são quase inalcançáveis ali em vários aspectos da vida.
Tem hobby, né?
A pessoa começa a fazer 11 esporte, ela quer jogar igual o que ela vê na TV?
O profissional.
Eu entendo que isso afeta muito a autoestima, porque a pessoa está todos os dias sendo é sendo submetidos a frustrações sucessivas, né?
Seja no esporte, seja no casamento em que ela falou, nossa, hoje eu não fui uma esposa perfeita, uma mãe perfeita, um marido perfeito, seja no hobby.
Ali nosso não consegui aprender violão em 1 ano que eu tinha me prometido.
Isso afeta muito a autoestima, né?
Pessoa 2
Sim, e esse é um ponto que eu considero também positivo e negativo do perfeccionismo, que é a resiliência.
É resiliência, é exatamente a capacidade de passar por situações adversas, né?
Então os perfeccionistas, eles tendem a construir uma boa resiliência, porque eles estão sempre achando tudo ruim, porque o padrão dele é muito alto.
Então a tendência dele é olhar para as coisas de forma crítica, para ele mesmo e para os outros e para tudo.
Então ele vai criando uma boa resiliência.
Aqui ele vai acostumando a sempre estar passando por sentimento negativo.
Por um lado, isso é bom.
Mas por outro também é ruim, porque eu noto que quando o perfeccionista, principalmente esse perfeccionista mais da luta, quando ele adoece, ele adoece, valendo, quando ele deprime, ele deprime.
Quando ele entra numa ansiedade mais intensa, é muito forte também, porque exatamente por ele ter muita resiliência, ele vai contornando aquilo ali e ele só para quando está em estado grave.
Então tem.
Tem até uma dificuldade de.
Pessoa 1
Perceber esse, esse, esse limite, né?
Pessoa 2
De de dor, de ver o que que dá conta, né?
Total, porque ele não vê o limite como limite, ele vê algo a ser superado e aí ele vai nessa, até que ele diz assim, tá, não consigo mais ir.
Então, quando ele chega nesse ponto que ele chega no consultório, às vezes é complicado porque a gente fala, bom, você já chegou pra mim num ponto que você não consegue mais ir, então a gente vai ter que partir daqui, né?
E tem o perfeito, que eu não conheço nenhum.
Pessoa 1
Nunca tive um paciente com esse estilo, o perfeccionista que que tem 111 ego mais inflado por ser perfeccionista de eu entrego mais todo mundo.
E assim, características mais narcisistas.
Ou o perfeccionismo geralmente já caminha por uma questão mais alto, depreciativa, porque ele nunca tá chegando nessa meta?
Porque quando ele chega na meta e dobra a meta.
E aí ele nunca chega, né?
Então os pacientes que tem muita cobrança, a questão financeira, qual que é o seu número?
Aí eu chegar em 5000000, eu paro tudo, fecho em empresa, vendo a empresa, ele chega nos 5000000, ele vai dobrar a meta dele, porque 5000000 já ficou pouco, tem que ser 10.
Então o perfeccionista dobra a meta e eu e eu vejo muito mais esse aspecto de uma baixa autime, de se ver com uma pessoa inferior, de se ver com uma pessoa mais feia, é.
Tem outro lado desse perfeccionismo, de se ver como algo mais grandioso.
Pessoa 2
Na maior parte das vezes, não.
Ju perfeccionista, ele realmente é a pessoa que normalmente tem uma autoestima mais baixa, normalmente quer esconder um pouco essas habilidades que ele tem, porque ele se acha meio errado, meio culpado, fica meio envergonhado ali.
Então normalmente é assim agora em alguns casos, os pacientes com transtorno de personalidade obsessiva e compulsiva com t poc.
Às vezes eles podem parecer um pouco arrogantes, mas não é por me achar melhor do que os outros, é por achar que o meu jeito é o certo.
E aí, às vezes eles têm uma dificuldade ali, uma rigidez de.
Pessoa 1
Flexibilizar isso, então pode parecer a você seria mais pela rigidez de eu não consigo considerar outra forma de fazer o que eu já faço perfeito do que um.
Eu sou melhor do que você.
Pessoa 2
Exatamente, né?
Então, mas.
A topografia, né?
A forma do comportamento fica igual.
Então pra quem está vendo de fora pode muito parecer uma arrogância e às vezes, pra quem está vendo de fora pode parecer uma arrogância também.
As pessoas que são perfeccionistas do jeito normal delas, porque elas têm uma tendência ali a dizer não.
Mas eu acho que tem que ser desse jeito, não.
Mas desse jeito a gente vai mais rápido não, porque se fizer assim é melhor pra quem está vendo de fora, isso pode parecer uma pessoa mais.
Né, com autoestima mais inflada, assim, um certo ego.
Mas quando você vê o paciente em terapia, por exemplo, que você vai entender aquilo ali, jamais.
E se alguém fala para ele alguma coisa, ele se magoa e ele fica, meu Deus, falaram que eu tava errado e nossa, eu devo ser muito ruim.
O que que as pessoas estão pensando de mim agora?
Porque eu falei aquele negócio lá Na Na, no meio da reunião, agora tá todo mundo pensando que eu sou uma grande farsa.
Pessoa 1
Então tem um sofrimento, né?
Não, não é uma coisa que ele se alimenta ali.
Pessoa 2
Da mas às vezes ele mascara.
Ele tenta fazer parecer que não tem o sofrimento, porque ele também não quer se mostrar vulnerável, então ele tenta mascarar.
E aí, pra quem tá vendo de fora, pode parecer uma certa arrogância, mas quando você olha de perto, você vê que não tem arrogância nenhuma, que a pessoa tá se sentindo a pior pessoa do mundo e que essa arrogância é exatamente uma defesa de não, não quero que você veja o quão mau e minúsculo eu tô me sentindo nesse momento, porque sei lá o que que você vai fazer com isso e comigo?
Então pera aí.
A Crença de Desvalor e a Crítica Externa Perfeccionista
EEO que que sustenta isso ali?
Porque assim eu, né, fiz psiquiatria, fiz é especialização em psicoterapia, trabalho com isso.
Então, assim, eu tenho muita consciência dos processos, né?
Psíquicos assim que estão acontecendo.
Por que que isso?
Mesmo a gente tendo consciência e isso se sustenta de uma forma, é mais crônica.
Assim, tem alguma crença que você vê que está subjacente de todo o perfeccionista?
Alguma crença central assim, que é meio que global em comum ou depende de inúmeros fatores, comorbidades, vida pessoal.
Pessoa 2
Por incrível que pareça, essa crença mesmo que a gente falou assim de eu não faço o suficiente, né?
É o meu valor, tá atrelado aquilo que eu entrego a.
Pessoa 1
Crença central seria de desvalor é EE é.
Pessoa 2
É desvalor não tanto no sentido do Beck.
Porque o Beck fez essa divisão, né?
Entre desvalor, desamor e desamparo.
Mas quando a gente toda crença central, a gente vê outras divisões também.
E tem gente que critica essa divisão.
Enfim, mas pegando essa parte assim, é no sentido de ter valor mesmo como pessoa, de servir para algo, de ter qualquer valor que seja.
OA grande questão ali do perfeccionista, é que quando ele não tem as entregas, ele se sente algo completamente sem valor mesmo.
É como se ele deixasse de existir.
Se ele não entrega, ele é o quê?
E isso muitas vezes é uma coisa resistente a flexibilização, porque você entende, mas você continua fazendo.
Pessoa 1
Isso que perpetua assim, né?
E por isso que é difícil mesmo em terapia, né?
A terapia ajuda essa identificação.
Mas existe algo ali que que tá mais intrínseco ali, que é mais difícil de de ser trabalhado.
Pessoa 2
É porque AAA meta não muda.
Então assim, na sua cabeça, você entendeu tudo isso.
Mas aí tem ali uma coisa bem específica desse mês, por exemplo, que você pega e você fala assim, não, esse mês eu preciso conseguir 35000 aqui na empresa.
AI não, mas pode ser que você não.
Eu preciso conseguir 35000 aqui na empresa, não tem para não conseguir.
Então a pessoa entendeu tudo isso, mas a meta está lá, continua a mesma meta rígida, ela não vai mudar e ela tem 1800 justificativas do porquê que essa meta tem que ser esse valor e não tem como mexer nisso.
E o valor dela continua atrelado a isso, porque se ela não conseguiu os 35000.
Pessoa 1
Não muda o gol assim, né?
A meta, né?
Ah, você falou 1 hora sobre uma divisão, né?
Sobre a pessoa que tem o esse perfeccionismo em que acaba às vezes até cobrando mais o outro por conta disso, né?
Até esse estilo parental, mais perfeccionismo sobre isso é, tem uma divisão assim do perfeccionista que é mais pro autocrítica e pro perfeccionismo que estende essa crítica pro outro.
Porque eu percebo que eu não sou tão crítica em relação a.
Aos outros assim, eu tendo até dar uma suavisada, quando é quando são outras pessoas fazendo o mesmo trabalho que eu faria.
Parece que eu arranjo justificativas e falo assim, não, mas eu estou fazendo o melhor que ela pode.
Então é uma empatia para o outro que eu desejaria ter essa empatia comigo mesmo assim.
Existe outros tipos assim, no sentido da pessoa que externaliza essa crítica para o outro?
Pessoa 2
Sim, essas divisões que eu comentei contigo que tem nesses modelos multimodais, né?
Que eles vão criando ali diferentes dimensões multidimensionais do perfeccionismo.
Ele varia de pessoa para pessoa em cada dimensão.
Então você pode pontuar muito alto numa dimensão como nessa do perfeccionismo voltado para os outros e pontuar muito mais baixo no perfeccionismo voltado para você mesmo.
Isso pode acontecer.
Agora, uma coisa interessante para gente olhar é quando tem essa diferença para o outro.
A gente tem que olhar também o nível do perfeccionismo que a pessoa tem com ela.
Porque pensa comigo, se a tua exigência contigo é incrivelmente alta, e aí com os outros é menor do que a que é contigo.
Mas será que é baixa?
Pessoa 1
É uma boa pergunta, porque AOA régua já é uma régua muito alta, né?
Muito alta.
Pessoa 2
Então pode ser que seja 100 para você e para os outros.
Você cobra, sei lá, 60.
E aí você olhando, você fala, nossa, nem eu peço quase nada dos outros.
Sou muito legal com os outros, né?
Mas.
Pessoa 1
Talvez esses 60 para mim seja um 120 para o outro, né?
Seja impossível de alcançar.
Pessoa 2
Exatamente.
Então a gente precisa olhar muito as pessoas ao redor, se elas se sentem cobradas, porque às vezes é difícil para pessoa julgar isso, ela falar não acho que acho que eu não espero muito.
Realmente, comparado com o que ela espera dela, ela espera pouco, mas o que ela espera dela é muita coisa.
Então a gente tem que ter esse cuidado também, que às vezes tem 11 viés na hora de olhar, né?
E esse perfeccionismo socialmente prescrito?
Ele, eu, eu vejo muito mais ele em quem tem ansiedade social, né?
Então é muito de achar que o outro tem um olhar perfeccionista sobre mim, que espera muito de mim.
E já tem gente que tem um perfeccionismo alto pra si e pros outros, mas nem para pra pensar sobre isso.
Pessoa 1
Estou nem aí por que que os outros pensam?
E segue, né?
Porque é o único jeito que ele aprendeu a existir, né?
Então ele não tem muito parâmetro de fazer diferente.
Desenvolvendo a Autocompaixão e o Autocuidado Genuíno
O lia tem um grande parte do pessoal que vai assistir que às vezes nunca fez terapia, não sabe como funciona.
Como que essa questão da autocrítica é é trabalhada, que você falou algumas vezes de flexibilizar?
O que que seria essa flexibilização que a gente tá falando de uma mudança, de um padrão ali, de como a pessoa reage, como uma pessoa pensa, como que isso é feito em terapia?
Pessoa 2
Tá, eu acho que ficou aí mais ou menos 2 perguntas assim, flexibilizar é a base do tratamento para o perfeccionismo, porque a característica principal do perfeccionismo é rigidez.
Então tem que ser daquele jeito e é uma coisa que não muda.
E eu fico arranjando formas de não mudar, né?
Então.
Flexibilizar é o objetivo final do tratamento.
Assim, a gente espera que tudo fique mais flexível para que essa pessoa perfeccionista se torne.
Ela não vai deixar de ser perfeccionista, mas que ela saia.
Eu gosto muito desse termo, do busca pela excelência.
Então que ela deixe de ser perfeccionista e que ela se torne uma pessoa que busca a excelência sem sofrimento envolvido no processo, né?
Então acho que esse é o objetivo do tratamento como um todo.
Na autocrítica, especificamente, a gente vai trabalhar com 11 técnica, várias técnicas na verdade voltadas que a gente chama de auto compaixão.
Então a gente vai ensinar para esse paciente a ter uma voz interna que fala com ele de uma forma muito mais gentil.
E aqui é uma fase que é muito difícil para os perfeccionistas, porque eles acreditam que se eles forem mais gentis com eles, eles vão se tornar.
Indulgentes aquela pessoa que passa a mão na cabeça que diz, não, se eu deixar eu não faço mais nada, né?
Parece eu juro pra você Ju que às vezes eu penso que os pacientes e alguns que eu estou atendendo, eu falo assim, as pessoas só podem estar dissociando aqui na minha frente, porque ela não para 1 segundo de fazer coisa.
Ela tem uma exigência gigantesca.
Em que momento essa pessoa acha que Por Ela ser um pouquinho mais gentil com ela, ela vai se tornar uma pessoa que não faz nada?
Como é que ela vai sair de uma mudança tão brusca assim?
Como é que isso passa na cabeça da?
Pessoa 1
Pessoa é o 8 80, né?
Uma distorção cognitiva, né?
Do.
Pessoa 2
Exatamente.
Mas eles têm certeza que isso vai acontecer?
Então é um medo de auto compaixão enorme de não, eu não posso fazer isso porque se eu deixar, você não me conhece.
Pessoa 1
Oo que que é ter mais auto compaixão na prática assim o que que os seus?
O que que você vê de mudança assim?
Porque auto compaixão.
Aí acho que muita gente que né, que não né não, não, não tem entendimento.
Eu acho que é ter dó, né?
Assim, quase ter dó de si mesmo, né?
O que que significa, na prática, ter mais autocompaixão?
Pessoa 2
É de jeito nenhum, na verdade, a autocompaixão.
Ela se distancia muito dessa indulgência, né, de ter pena de ô, meu Deus, o bichinho, ô, não vá não, né?
Tu tá tudo bem, ô, tá doendo, pois pronto, passou, né?
É longe disso, assim, a autocompaixão ela tem a ver com você reconhecer que tá doendo.
E olhar para aquilo ali de uma forma muito mais gentil.
Então imagina que você está é, vou dar um exemplo aqui bem bem assim, caracterizado assim, só para a gente entender.
Então imagina que tem uma pessoa que levou uma queda, eu fazer isso de uma forma autocrítica com essa pessoa que aí seria crítica, né?
Porque é uma pessoa externa, mas eu olharia para ela, falaria, levanta, levanta, sacode a poeira, limpa a mão aí e continua, porque essa frescura?
Bora?
Que é o que o perfeccionista normalmente faz.
Pessoa 1
Com ele mesmo?
Pessoa 2
Passar a mão na cabeça seria o meu Deus, caiu, minha nossa senhora, o que que a gente faz, né?
Aquele desespero?
E não, não se mexa mais um drama danado que também não tem nada a ver o que que é de fato a autocompaixão é o caminho do meio que você para e diz assim, espera aí, você caiu, você machucou, está doendo em algum lugar?
A gente precisa fazer alguma coisa.
Tem certeza?
Vamos tomar Um gole d'água.
Dá para continuar a caminhar?
Dá, dá para continuar, pronto, então vamos, se doeu.
Se você perceber que não dá, você me avisa.
Mas vamos lá tentar continuar, beleza?
Beleza.
Pessoa 1
Tem equilibrado.
Ao mesmo tempo que variedou, né?
Não fez um drama ali e continuou.
Pessoa 2
Teve um cuidado, né?
Um cuidado, uma gentileza de parar para olhar, de reconhecer que existiu a queda, de reconhecer que a queda do eu e que eu posso.
Continuar olhando para aquilo, né?
Então assim ó, observa, vê se vai continuar doendo, vamos ver o que que vai acontecer, vamos ver até onde você consegue ir, se não conseguir, tudo bem, a gente volta, mas se conseguir também é ótimo, a gente vai seguindo, né?
Então a autocompaixão é mudar essa voz interna, é aquele primeiro pensamento que vende embora, levanta, sacode a poeira, não tem tempo não a gente eliminar isso aí, ou pelo menos tentar eliminar o máximo, né, porque é muito difícil eliminar.
Principalmente para quem é perfeccionista, mas tentar trazer essa gentileza vai com calma.
Pessoa 1
EEE.
Geralmente eles tem mais dificuldade de tirar esse tempo de de autocuidado, de Descanso.
E aqui eu falo, autocuidado não necessariamente ir no salão de beleza e fazer massagem, mas de autocuidado assim, de perceber que tá cansado.
EE dormir mais cedo ou de perceber que tá cansado e não trabalhar um final de semana?
É mais difícil pausar para o perfeccionista assim, com certeza.
Pessoa 2
E isso não, não necessariamente é mais difícil só pausar.
Eu acho que é mais difícil atender as próprias necessidades.
Uma das características também do perfeccionista é negar as próprias necessidades.
Então ele acha que ele tem que ser uma pessoa de baixa manutenção, que não dá trabalho para os outros, que não incomoda, que não atrapalha e até ele espera isso, que ele seja uma pessoa que não dá trabalho para ele.
Então ele meio que se irrita um pouco quando ele precisa das coisas, tipo AI, que saco, eu já estou tendo que comprar roupa de novo.
Para mim, parece que nunca estou com tudo organizado, então ele tem um movimento um pouco assim, de invalidar as próprias necessidades, sabe aquilo que ele precisa?
E aí é muito difícil às vezes em terapia, porque eles vão para esse lugar sendo, Ah, é porque eu não estava afim de descansar.
Não é para você descansar não tem uma regra, é para você entender o que você precisa e fazer.
Autocuidado tem a ver com isso, com eu entender as minhas necessidades daquele momento e fazer e às vezes até ter.
Pessoa 1
Essa eu, eu da da última semana.
Eu fiz esse exercício com o paciente de ele pensar sobre questões de autocuidado que fazem sentido para ele.
Ele começou aí toda semana fazer a barba de um lugar que ele achava que era legal, que tinha sinuca, que tinha um pessoal que ele gostava.
E aí na terceira semana ele Ju.
Eu não suporto mais aquele lugar.
Os papos são os mesmos, o pessoal falando umas besteiras que não funcionam para mim e assim eu estou fazendo o que você mandou, como se eu tivesse prescrito para ele alguma coisa.
Eu estou indo toda quinta-feira à noite lá antes do futebol, não sei o que.
Então virou outra obrigação assim, virou outra agenda ali no Google Agenda dele para ele cumprir essa função de autocuidado, o que que faria mais sentido.
Ah, faria mais sentido eu tirar essa horinha e ficar no videogame, cara, vai ser o seu autocuidado da semana, vai ser você ter 1 hora livre para jogar sem culpa, sem ninguém em casa, sem você se sentir que aí tem aquele julgamento, nossa, mas jogar videogame?
Eu vou parecer um adolescente, tá?
Mas é o momento que você consegue descansar a cabeça, o momento que você desliga das obrigações.
Então o autocuidado nem sempre vai ser aquilo que as pessoas entendem, como autocuidado geral, né?
Às vezes vai ser uma coisa muito específica, que é aquele jeito que aquela pessoa descansa.
Porque tem algumas pessoas que ao descansar da maneira que as pessoas acham que é descansa, quer ficar no sofá vendo série, estressam.
Por isso que é importante esse esse autoconhecimento também no sentido, o que que faz você descansar?
Ah, é ir pra é ir pra praia, então vai pra praia nesse dia é ir pro salão e ficar 2 horas no salão, então vai pro salão, ficar 2 horas no salão.
E aí a gente tem que entender o que que cada um entende como autocuidado, mas o que que eu vejo de problemática tanto para mim quanto meus pacientes?
E isso vira mais uma lista, mais um checklist ali na lista.
E isso acaba sobrecarregando, às vezes ainda mais.
Então como que a gente equilibra isso do autocuidado, dessa, dessa questão do Descanso?
Não virá mais uma coisa se fazer de forma perfeita, né?
Como se tivesse um Descanso perfeito, é.
Pessoa 2
O difícil às vezes eu acho que esse é o difícil do tratamento em psicoterapia.
Não é só com o perfeccionismo, não é com tudo é que o paciente tem que entender e às vezes ele ainda não entendeu.
Então, quando acontece isso que você falou que o paciente achou que a prescrição era ir fazer a barba, né?
Então, ó, autocuidado, fazer barba. quinta-feira todas as quintas feiras às 19:00.
Jamais nenhum psicólogo ou psiquiatra vai passar isso como uma tarefa de casa para ele, né?
Se passar, é um experimento comportamental do vai para você experimentar, ver o que que acontece, a gente tirar alguma coisa daí, né?
Porque não faz sentido um autocuidado ser igual toda semana e virar, anão ser que realmente tem uma galera que ele ama ali e são muitos amigos e tem que ser uma coisa muito boa para fazer sentido de você fazer toda semana.
O Impacto do Perfeccionismo na Saúde Mental e Críticas
E aí tem esse período de experimentação que é um problema, né?
Porque se a gente for pensar, é uma pessoa que não quer errar, é uma pessoa que evita erro.
Então, toda fase de experimentação é uma fase problemática em si nesse sentido de, mas pode ser que eu esteja perdendo tempo, que eu poderia estar investindo em algo que faça mais sentido.
Então, esses testes também são problemáticos.
A gente falou de alguns diagnósticos.
Liz, você trouxe o tecpoc tag, o toque, que tem essa característica também do perfeccionismo, né?
Num grau variado ali.
Qual que é a consequência?
Assim, para a saúde mental, assim, de pessoas que têm esses traços mais perfeccionistas.
O que que você vê na prática?
Como que essas pessoas chegam até você?
Pessoa 2
Para responder de forma curta, Ju muito sofrimento.
Eu acho que essa é a consequência.
Assim, dá para ver que a pessoa, ela chega assim, mal mesmo sofrendo muita ansiedade, muita raiva, às vezes muita tristeza.
Então, no início do tratamento, é muito comum os meus pacientes mais perfeccionistas.
A gente tem muitas sessões com muito choro, porque é uma coisa que quando eles começam a falar sobre, dói muito.
Até porque eles tendem anão falar sobre com ninguém, a tentar não parecer vulnerável pros outros.
Então, quando eles chegam na terapia, que eles começam a mostrar esse lado mais vulnerável, você vê muita dor ali por baixo.
Pessoa 1
E que AO esconderador, também faz parte desse processo, né?
Porque a partir do momento que eu.
Né?
Tento alcançar essa essa perfeição.
Demonstrar vulnerabilidade não faz parte do pacote da, da, dessa, dessa perfeição, né?
Então existe uma dificuldade de suprimir isso também, né?
Pessoa 2
É e é o suprimir.
É muito uma defesa, porque existe um medo do que o outro vai dizer.
O perfeccionista.
Ele tende a ser muito sensível, então qualquer crítica ele pensa nisso, né?
É uma pessoa que tá ali o tempo inteiro se criticando.
Ele é o pior crítico dele mesmo o tempo todo, então, quando vem alguém de fora para dizer alguma crítica, acabou, ele não tá dando conta.
Pessoa 1
E ele ignora as evidências no sentido de que, às vezes, aquela crítica foi dentro de 1000000 de elogios.
Ele pega a crítica.
Vou dar um exemplo para vocês, para vocês serem mais gentis comigo nesse canal.
Eu leio os comentários pra ver o que que o pessoal tá pedindo, né?
Até pra trazer temas convidados, é por exemplo, o pessoal tava falando Ah, você tá trazendo um profissional que atende um particular, traz alguém do SUS, trouxe um médico do SUS pra falar sobre o SUS, então eu tô sempre lendo os comentários da galera e aí nos vídeos geralmente tem assim pra cada 200 elogios, tem um criticando é, eu cheguei falando aqui hoje né, o pessoal tá falando que eu tô falando muito aran EE é porque eu tô pensando no que a pessoa tá falando, eu tô falando aran, então eu tô
segurando hoje aqui.
Mas como que é uma crítica dentro de 200 elogios ali do episódio?
Parece que a crítica ela brilha em luz Neon ali, porque aquela coisa não foi 100% elogio.
Teve uma pessoa ali que às vezes ser mal humorado não foi com a minha cara.
Enfim, e pode acontecer, né?
A gente não agrada todo mundo mesmo.
Pessoa 2
E deveria estar tudo bem, mas para quem é mais perfeccionista, não está tudo bem, porque dói muito.
Essa crítica, como a pessoa já chega?
Essa é a sensação que eu tenho, que os pacientes, eles chegam na terapia meio que em carne viva.
Eles estão tão sensíveis que qualquer crítica assim abala muito.
Aí, conforme a gente vai trabalhando e a pessoa vai melhorando, ela vai ficando mais capaz ali de aguentar.
Quando a crítica vem, é ainda uma coisa muito difícil e dolorosa para ela, mas ela já consegue ponderar mais.
Mas quando está muito em carne viva, a pessoa meio que se fecha totalmente como uma defesa assim, porque ela sabe que se a crítica vier, ela vai desmoronar.
Pessoa 1
EE, as pessoas têm consciência do que é perfeccionismo.
Quando chegam até você, as pessoas já chegam falando ali.
Eu estou procurando porque tem uma auto exigência, uma autocrítica muito grande, ou elas chegam com outras queixas assim, sou muito ansioso, estou em burnout, estou em depressão.
E depois que você vai vai melhorando esses sintomas, né?
Mais Agudos.
Aí sim, você consegue ver o perfeccionismo.
Como que isso chega assim No No consultório?
Pessoa 2
É eu.
Eu hoje em dia, por trabalhar muito com esse tema, acho que eu já estou conseguindo ver mais rápido.
Antes eu demorava um pouco mais para ver, principalmente quando a pessoa chegava muito abalada, às vezes ansiosa.
Características mais depressivas, né?
Eu demorava um pouquinho mais para identificar.
Hoje em dia eu já consigo identificar mais rápido os perfeccionistas que tem o perfil ali do perfeccionismo clínico, tal qual o da rosháfran que a gente falou ali no início.
Eles se identificam muito com o perfeccionismo quando você traz para eles o que que é.
Mas normalmente eles entendem, eles entendiam antes do tratamento como a coisa boa.
Então eles tem assim uma relação meio que mais de amor do que de ódio com o perfeccionismo.
Aí vai passando o tratamento, eles vão dizendo é, tem um tem umas coisas ruins que isso aqui me traz mesmo, né?
E muitas vezes eu acho muito engraçado.
Eu gosto muito de usar o workbook de perfeccionismo para passar a leitura junto com a terapia para pessoa refletir sobre algumas coisas.
É muito comum os pacientes chegarem na sessão falando não gostei desse capítulo, me ofendi em várias partes.
Teve várias coisas que ele falou assim que eu tô até agora, chegou, tô meia tonta, tentando aqui da conta aí.
Pessoa 1
A pessoa começa a ver a parte ruim assim, né?
Pessoa 2
E é e é uma parte ruim que ela fala.
Eu nem sabia que isso era uma parte ruim, eu não tinha nem me tocado que isso estava aqui.
E agora que eu tô vendo que isso está aqui, eu não sei mais como dizer.
E tá, tá muito ruim, né?
Tá me incomodando.
Então é um processo assim de reconhecer aquilo ali mesmo.
Eles normalmente chegam sem nem saber o que é perfeccionismo assim.
Superando a Culpa e Aprendendo a Estabelecer Limites
EEA?
Avaliação ela, ela precisa ser muito cuidadosa, porque tem 11 aspecto cultural que você tem que estar muito atenta, né?
Lice?
A gente pega uma pessoa que nasceu em Londres, que nasceu em Japão.
Né?
Com a família, por exemplo, né?
Tradicional e japonesa.
Aí vai ter um nível de autocrítica ali, de autocobrança às vezes maior por um aspecto cultural, né?
Do que se pegar 11 brasileiro é esse aspecto cultural.
Você vê na, na, na consulta assim, ou você acha que isso é menos importante do que AA questão do dos modelos parentais?
Você acha que é o aspecto cultura, país que nasce.
É, isso é mais relevante do que a família ou você acha que está mais ou menos no mesmo patamar?
Pessoa 2
Eu acho que vai variar de pessoa para pessoa, né?
Alguns pacientes, a parte cultural vai ser mais importante, porque o perfeccionismo dele foi mais forjado nas experiências culturais, sociais que ele viveu ao longo da vida.
Outros vai ser mais forjado ali dentro de casa, né?
Então o estilo parental vai ser mais importante.
Outros vai ser mesmo a característica mais individual da pessoa.
Então acho que isso varia muito.
Mas o principal parâmetro tem que ser o sofrimento mesmo dentro da clínica, né?
Porque a gente vai trabalhar com sofrimento individual daquela pessoa que tá ali em sessão.
Então, parâmetro é independente de qual contexto ou de quais foram essas origens, a origem ela é muito.
E eu acho que a as TCCS, as terapias de terceira ondas, elas tem um pouco essa característica que até a faixa da psicanálise, né?
De não ligar tanto pra origem.
Ah, mas por que que eu me tornei perfeccionista?
O fenômeno é esse.
Vamos tratar o que a gente está vendo.
Você se tornou por isso, por isso, por isso.
Mas e aí, em que que isso acrescenta?
A gente não tem muito ali.
É legal para pessoa ter uma espécie de catarse ali, perceber, né, de onde tem, acho que o.
Pessoa 1
Entendimento às vezes, quando a gente fala sobre esses modelos parentais, é mais para até a gente entender, né?
Se a gente quer.
Né?
Ter filhos ali da gente não reproduzir às vezes um modelo que é muito que a gente aprendeu a ser daquela forma, né?
Geralmente a gente copia os modelos que a gente já teve, então acho que é interessante pra entender nesse ponto.
Mas realmente entender qual?
Se é um Alelo do do, do do DNA ou se é do modelo parental, o fenômeno é o mesmo fenômeno clínico.
Ali é da pessoa que tá se cobrando muito, que tá sangrando e que não consegue parar.
Pessoa 2
Exato.
E assim a gente vai falar sobre isso, né?
Tem ali 23 sessões que às vezes a gente tira só para falar sobre a origem, para a pessoa entender e realmente mergulhar um pouco na origem dessas crenças, inclusive, né?
Para mapear isso foi ao longo da vida, com as experiências que você teve, que você acha que lembra do perfeccionista.
É muito interessante porque quando as os pacientes, eles leem esse capítulo e a gente fala sobre isso, eles lembram de vários episódios da infância e aí eles falam, nossa, eu comecei a perceber que desde muito cedo isso que acontecia, eu fazia isso.
Eu era assim, né?
Então tem sua importância, sua relevância, mas para o tratamento em si, né, para o ok, o que que a gente faz com isso?
A origem, ela não tem tanta importância.
Pessoa 1
EAA uma das consequências que eu vejo é a questão da pessoa.
Que é uma culpa muito grande, principalmente quando ela não atende as expectativas das outras pessoas, né?
Então, em alguns momentos na minha vida eu fiz terapia com aquela coisa, AI, eu não sei dizer não, né?
Ah, eu sou muito boazinha, faço tudo que todo mundo quer e às vezes eu nem sei o que eu quero, porque é tão inato eu atender as demandas das outras pessoas que eu não tinha tempo nem de processar.
Mas o que que a Juliana quer?
E isso, inclusive, faz muito sentido eu escolher medicina, porque é uma profissão de muita doação e ao mesmo tempo muito perigoso, né?
Porque aí você pega uma pessoa que tem dificuldade de falar, não dificuldade, polimite, e coloca essa pessoa no meio, onde as pessoas realmente precisam porque estão doentes.
Então é um ciclo, é perigoso ali.
Por que que acontece essa dificuldade, essa culpa?
De não atender esses modelos, de não atender esses pedidos.
Assim, você vê esse padrão comum entre perfeccionismo e culpa.
Pessoa 2
Sim, entre perfeccionismo em culpa e entre perfeccionismo e também falta de assertividade.
Que é o que você falou, né?
Não saber dizer não ou querer agradar todo mundo, né?
Isso é muito comum, muito característico do perfeccionismo do funcionamento.
E isso vem.
Em várias raízes em com tudo isso aqui que a gente falou, né?
Então, por exemplo, a coisa do não querer desagradar as pessoas, né?
Eu quero conseguir fazer tudo que todo mundo faz, porque se eu desagrado, eu recebo crítica, e se eu recebo crítica, se eu sou passível de crítica, eu não fui perfeito, eu não dei conta do jeito que era pra eu ter dado, falhei alguma coisa, né?
Então isso atinge de alguma maneira, mais uma vez, a dificuldade de validar as próprias necessidades que a gente falou também.
Então como é que eu vou ser assertivo e dizer não, sendo que você está me pedindo para fazer uma coisa e a minha necessidade?
Eu não acho que é tão importante.
Então é claro que assim.
Pessoa 1
A necessidade do a necessidade do outro vem antes, né?
Com certeza.
EE, isso tem essa raiz comum da dificuldade, da dessa validação da própria pessoa com ela.
Pessoa 2
Isso como eu não valido as minhas necessidades, eu não estou acostumada a botar isso.
Empatamar de importância nenhum, porque é dicotômico, né?
Então não é que eu coloque alguma importância, normalmente é nenhuma mesmo, eu deixo pra depois.
Então, Ah, você me pediu um negócio, pô, mas tinha um queria hoje fazer, tinha um capítulo de livro que eu tinha separado pra ir lá em casa, não, mas eu leio mais tarde, depois eu faço, vou fazer primeiro que a Juliana me.
Pessoa 1
Pediu EE.
Como que lida com esse, com essa, com essa culpa?
Porque eu entendo que no começo.
É, vai ser muito incômodo começar a colocar limites.
Então é uma pessoa que passa uma vida, né, sem colocar limites ali, atendendo mais a expectativa do outro do que a própria, do que a própria expectativa.
É o começo.
É para ser doloroso mesmo.
Não tem muito jeito de atenuar.
Mesmo com psicólogo junto ali é mais difícil.
Pessoa 2
É o começo.
É muito doloroso mesmo assim.
EEE por isso.
Assim, porque a pessoa começa a se dar conta de que ela tem que dizer aquele não.
Agora, a partir do momento que ela começa a conseguir também é muito libertador.
E aí a pessoa parece que ela respira aliviada assim, ela fala, AI falei, não, eu não queria ir e eu falei não e eu não fui.
E, óbvio, foi ótimo, porque ela fez o que ela queria fazer, né?
Então também tem essa característica de libertação assim, que no começo tem muito sofrimento.
A partir do momento que ela começa a conseguir, ela vai vendo que tem muitos benefícios também.
E ela vai descatastrofizando algumas coisas.
Então, já tive paciente que chegou para mim, né, quando a gente estava falando de falar mesmo nas relações mais íntimas, assim falar, olha, eu estou preocupada com você.
E aí a paciente chegou para mim e falou, não, não posso falar isso para ela não, porque se eu falar que eu estou preocupada com ela, é mais um peso para ela.
Ela já está mal.
Eu ainda vou falar para ela que eu estou preocupada com ela, que pessoa horrível que eu vou ser se eu fizer isso.
Aí eu trouxe um outro olhar.
Eu falei, será que ela vai achar que você está colocando um peso e uma cobrança?
Ou ela pode pensar assim, nossa, que legal, fulana está preocupada comigo, ela gosta de mim, ela quer me ver bem.
Talvez ela queira me ajudar.
Será que ela não poderia olhar dessa outra forma?
A paciente foi lá, tomou coragem, passou a semana inteira tomando coragem por falar.
Pessoa 1
Treinando no espelho, treinando no.
Pessoa 2
Espelho, vou falar, vou falar que eu estou preocupada com ela.
Vou falar, vou falar para minha amiga que eu estou preocupada com ela.
Chegou, falou para amiga a amiga.
Eu nunca imaginei que você estava preocupada comigo.
Eu achei que você não se importava.
Pessoa 1
E é curioso como que isso vai motivar ela é ter mais ações como essa, né?
Motivar porque de fato tira um peso, e motivar porque teve um efeito.
É não catastrófico, né?
Teve um efeito que foi.
Pessoa 2
A amiga ficou feliz que ela falou que estava preocupada com ela.
A amiga falou, nossa, e assim até criou uma iniciativa para se cuidar mais, para fazer algumas coisas.
Falou, caramba, você está preocupada comigo?
Não, então eu vou fazer umas coisas diferentes.
E aí ela chegou na terapia super feliz, dizendo, nossa, ela não se sentiu cobrada, foi ótimo, que bom que eu falei, né?
Mas.
Até ela falar é um movimento muito doloroso, porque na cabeça daquela paciente ela IA estar cobrando a amiga que já estava mal, jogando um peso de dizer, e ainda, você ainda está me preocupando?
Pessoa 1
Nossa, é muito curioso isso, né, porque é um esse movimento de culpa.
A gente coloca vários motivos do porquê não fazer e aí os motivos do porquê fazer, que são os motivos que de fato vão te motivar a ter alguma atitude, falar não para alguém colocar algum limite.
Eles ficam assim, quase que que que que assim você não consegue nem enxergar, né?
Porque os motivos catastróficos, eles ficam ali em mais evidência.
Pessoa 2
Mas aí Ju, por que que você não consegue nem enxergar?
Porque os motivos muitas vezes tem a ver com as tuas necessidades, com a necessidade da pessoa que é perfeccionista e ela não valoriza.
Pessoa 1
Isso é o motivo ali, você.
Você ter mais bem-estar?
Não.
Mas eu ter bem-estar não é tão importante quanto a necessidade do outro.
Exato.
E eu acho que uma das coisas que fazem as pessoas não procurarem em ajuda ali.
E tomara que as pessoas procurem muito, mas ajuda depois de assistir a gente.
É com aquele receio de que o processo da psicoterapia é quase que um jeito de mudar a pessoa no sentido de eliminar o perfeccionismo.
E como a gente falou aqui nesse episódio, o perfeccionismo tem coisas boas que ele traz, né?
Na questão de desempenho, de organização, é o que que você fala para o pessoal que está em casa, qual o momento que é para buscar terapia e por que que a terapia não vai eliminar esse perfeccionismo?
Bom, né, que é a parte que leva a pessoa a ter um desempenho.
Pessoa 2
Eu acho que isso vale para o perfeccionismo e vale para qualquer outra coisa que a pessoa for tratar.
Em terapia, as partes que você gosta não serão eliminadas, porque não faz sentido, porque que eu vou tirar de você uma coisa que você gosta e que é boa para você?
Eu, como psicóloga, não vou querer fazer isso.
Você, como paciente, não vai querer fazer isso.
Então a gente vai identificar juntos o que que está causando sofrimento ali e essa parte que está causando sofrimento.
A gente vai tentar modificar o que está bom, vai ficar do jeito que está.
Então tudo que é bom e tudo que você gosta será preservado e mantido.
A gente só vai.
Pessoa 1
Mexer se você chegar na conclusão que aquilo de alguma forma te prejudica e o ponto de corte para procurar ajuda, seria sofrimento assim.
Pessoa 2
É, e isso me preocupa até um pouco.
Ju porque, como eu te falei, essa resiliência que os perfeccionistas muitas vezes vão assumindo.
Eles tem muito essa ideia do eu.
Não preciso de ajuda.
Ou eu não deveria precisar de ajuda?
Eles até percebem que precisam, mas tem muito esse pé atrás do olha.
Eu acho que se eu respirar fundo, tirar uns 2 dias, eu consigo sozinho.
Então vou tentar aqui pela 15ª vez, conseguir sozinho.
Se realmente eu não conseguir, aí eu peço ajuda.
Pessoa 1
Aí qual o que?
Que seria um ponto de corte pro pessoal ter o ideal?
Seria todo mundo conseguir ter uma avaliação psicológica ali. 11 consulta e o terapeuta ajudar nesse paciente a entender esse sofrimento, já que esse sofrimento muitas vezes, né?
Oo próprio paciente não consegue perceber.
Mas para quem às vezes não tem acesso fácil ali.
AA um psicólogo teria alguns sintomas assim que você vê assim, nossa, isso aqui é 11 Bandeira vermelha assim que faria com que a pessoa tivesse que realmente iniciar uma terapia.
Sinais para Procurar Terapia e Ferramentas de Apoio
Eu vou deixar um recado especial do coração para todo mundo que vai assistir nesse podcast, quem assistiu e se identificou?
E aí, passou assim pela sua cabeça?
Ah, eu acho que está pesado, que eu não estou dando conta sozinho.
Pessoa 1
Já é um sinal?
Pessoa 2
Acredita nisso?
Dá uma procurada, pede ali uma ajuda.
Pessoa 1
Essa identificação, a identificação não é necessariamente 111 certeza, né?
As vezes a gente se identifica com coisas que que que a gente tem de distorção.
Mas se houve identificação, já valeria a pena.
Pessoa 2
Já valeria a pena porque é isso, como existe uma tendência de ter essa régua muito alta.
Talvez se você ficar esperando, esperando, esperando, esperando, quando você passar pela avaliação, você já vai estar muito adoecido, então vai logo.
Se você acha que tem uma suspeita aí, que isso pode ser um problema e que merece um pouco de atenção, vai faz umas 10 sessãozinhas, dá uma flexibilizada logo, preventiva, né?
Que não vai ser ruim não e claro, assim, e você até como psiquiatra pode comentar isso também, assim que quando a paciente passa pela avaliação, já aconteceu comigo, do paciente chegar na terapia e falar, AI, porque eu vim para terapia?
Porque.
Mundo fala que precisa de terapia e deu chegar para esse paciente e falar, eu acho que você não precisa fazendo aqui a avaliação com você.
A gente fez toda anamnese, observou.
Realmente ele veio para terapia porque falaram para ele vir.
Não tinha demanda nenhuma, não tinha nenhuma indicação, então.
Pessoa 1
É o máximo que vai acontecer.
É o psicólogo, né?
Falar não, não tem.
Porque te te manter aqui em terapia e tem alguma coisa que as pessoas possam fazer.
Mesmo sem ajuda de um psicólogo pra tentar flexibilizar isso, tem alguma coisa que você indica de ou de literatura ou de exercícios que a pessoa possa fazer sozinha ali, sem uma ajuda de um terapeuta?
Pessoa 2
Ah, e o workbook de perfeccionismo clínico?
Ele é muito bom porque ele é tipo um tratamento autoaplicável que a pessoa pode ler e tentar implementar várias estratégias no dia a dia dela.
Então acho que é um livro que eu indico, ele é bem interessante.
Pessoa 1
Qual que é o autor para o pessoal buscar depois?
Pessoa 2
Não vou lembrar agora, decorado, que.
Pessoa 1
Eu que eu tenho, depois eu ponho nos comentários.
Pessoa 2
Oo autor que eu vou passo para vocês.
Mas o nome em inglês dos Estados Unidos para decorar é mais difícil?
Não, não tem problema.
Depois eu eu acho que é sheram alguma coisa, mas não tenho certeza.
Pessoa 1
Tá.
Pessoa 2
E.
Então esse livro, eu acho que é um ótimo livro para as pessoas tentarem lidar com isso.
E se for com mórbido, aí fica mais complexo.
Eu acho que o ideal é realmente procurar um psicólogo, porque vai mudando muito a apresentação, como a gente falou, né?
Então, se tiver ali uma característica já de fazer ritual ou de ser alguma coisa, porque as pessoas, por exemplo, com transtorno de personalidade, obsessivo compulsiva, elas não se identificam muito com essa coisa de sempre querer o melhor, sempre querer mais.
Não, elas só querem do jeito delas, é daquele jeito.
Pessoa 1
Elas são rígidas.
Pessoa 2
Elas são rígidas, é o padrão.
O padrão não necessariamente é alto, mas ele é rígido.
Então, às vezes tem essas modificações que você não vai se identificar muito com tudo.
E a gente na clínica vai conseguir diagnosticar, entender o porquê, né?
E aí para esses detalhes assim, eu acho que o geralzão seria o livro para pessoa dar uma lida e tentar fazer uma autoterapia.
Mas se for alguma coisa mais complexa, realmente procurar avaliação do psicólogo, do psiquiatra, né, pra gente poder ver o que que está acontecendo.
Pessoa 1
Muito bom e lia quem quer fazer terapia com você?
Onde que o pessoal te te acha?
Pessoa 2
Pode me achar no Instagram e aí do Instagram, você me acha em todos os outros lugares, porque aí no link da bio tem lá o redirecionamento, né?
Então lia Plutarco, PSI.
Só me procurar por lá.
Pessoa 1
E além de atendimento, o pessoal tem muito psicólogo aqui, né?
Que assiste a audiência do, do, do Wesley, é o que que você faz além da supervisão?
Pessoa 2
Então eu tenho um grupo de supervisão em TCC, né?
Então eu dou supervisão em terapia cognitivo comportamental.
Eu estou agora no final do meu doutorado, sou bem apaixonado por essa área da docência.
Então eu também tenho um projeto para dar aula para psicólogos que a gente estuda, capítulos de livros, como se fosse um grande conjunto de grupos de estudo que se chama acervo.
E aí tem o acervo, tem o ápice, que é o meu grupo de supervisão.
E a ideia realmente é crescer junto com esses profissionais, conseguir compartilhar esse conhecimento, porque eu sempre tive essa ideia, sabe?
Ju assim de eu, sozinha eu consigo fazer muito pouco.
Então eu consigo atender ali 2530 pacientes, no máximo, com agenda lotada, e todas as outras pessoas que precisam de ajuda precisam de bons psicólogos e a gente sabe que a supervisão é um Pilar muito importante, né?
Então, desde muito cedo eu já fui pra essa carreira de mestrado, doutorado, porque eu queria trazer esse ambiente de supervisão assim, seguro, sem julgamento, pra outros psicólogos que quisessem trabalhar com psicoterapia baseada em evidência e levar mesmo pros pacientes aquilo que a gente tem de melhor hoje pra essas intervenções.
Pessoa 1
Muito bom.
Então assim o psicólogo que quer que identificou, né?
Falou, nossa, um paciente aqui, tag.
Descobri que ele é perfeccionista, não tinha anotado.
Ele pode te buscar para fazer supervisão individual também.
Isso para você ajudar.
Pessoa 2
E dentro do acervo, inclusive na segunda temporada, tem toda a explicação de como trabalhar com esse protocolo dentro da clínica, né?
O protocolo da ros chafron para perfeccionismo clínico, que eu vejo que é um protocolo pouco conhecido.
Ele é trans.
Diagnóstico muito aplicado e muito aplicável, né?
Em muitos casos e.
E poucos psicólogos hoje conhecem ele ainda.
Pessoa 1
Muito bom, muito obrigado.
Li você que despencou lá de Fortaleza, pegou 2 gols, veio de longe para estar aqui com a gente.
Muito obrigado pela por ter vindo.
É falar com você sempre. 11 prazer, a gente teve uma aula aqui de de hiperfeccionismo.
Espero que muitas pessoas que vejam, busquem ajuda, busquem a sua ajuda, busquem ajuda com os psicólogos que você ajuda também, porque isso muda a nossa vida.
Pessoa 2
Ah Ju, muito obrigada, muito obrigada pelo convite, foi uma delícia estar aqui poder conversar contigo.
Digo mesmo assim, é sempre muito bom estar com você, né?
Super competente, uma querida.
Então muito, muito obrigada por hoje eu reforço o que você falou.
Espero que esse vídeo ele chegue em quem precisa e que muitas pessoas se identifiquem, que busquem ajuda realmente através do nosso conhecimento compartilhado aqui.
Pessoa 1
Muito bom, gente, então foi isso.
Então olha, a gente está trazendo convidados de muito longe, então reforcem o nosso comportamento de vir aqui toda semana gravar.
Para vocês, se inscrevam no canal.
Curta um episódio, compartilhe com aquele amigo que você fala assim, cara, esse cara é certinho demais, mas ele é perfeccionista, ele deve estar sofrendo.
Compartilhe esse vídeo com esse seu amigo.
O nosso episódio acontece graças ao apoio do reservatório de dopamina.
Então, para quem quer desenvolver um estilo de vida saudável e quer se conhecer melhor, o reservatório de dopamina é um ambiente que você pode ter aulas ali com Wesley, com outros professores, comigo e eu tenho certeza que você vai amar estar nesse ambiente, assim como estou há 3 anos, 4 anos de RD já, então vou colocar o link aqui do RD para vocês.
Gente, é isso.
Muito obrigada pela audiência.
De vocês e coloca aqui nos comentários, que que vocês estão achando um beijo?
Podcast Summary
Key Points:
O perfeccionismo clínico é definido por padrões altos e rígidos que causam sofrimento, diferenciando-se da busca saudável pela excelência.
Existem três tipos principais de perfeccionismo
A característica central disfuncional é a dicotomia (tudo ou nada) e a desqualificação automática de conquistas, gerando autocrítica e vergonha.
O perfeccionismo pode estar associado a transtornos como TAG, TOC e superdotação, com impactos na socialização e na autoestima.
A terapia foca em questionar metas automáticas e ajudar o paciente a escolher objetivos que façam sentido para sua vida, evitando a sobrecarga.
Summary:
O episódio do podcast discute o perfeccionismo clínico, um traço transdiagnóstico que vai além da busca saudável pela excelência. A médica psiquiatra Juliana Fonseca e a psicóloga Lia Plutarco explicam que o perfeccionismo se caracteriza por padrões altos e rígidos, que geram sofrimento quando a pessoa nunca se sente suficiente. Diferente da excelência adaptativa, que inclui organização e desejo de melhoria, o perfeccionismo clínico envolve distorções cognitivas como a dicotomia (tudo ou nada) e a desqualificação de conquistas, onde até um 10 é visto como "fácil demais".
Os tipos incluem o perfeccionismo voltado para si, para os outros e o socialmente prescrito, comum em pessoas com ansiedade social, que acreditam que os outros têm expectativas inatingíveis. O perfeccionismo pode estar associado a TAG, TOC ou superdotação, causando prejuízos na socialização e autoestima. Um exemplo marcante é o paciente que se sente envergonhado por fazer tarefas bem-feitas, ou que interpreta uma pergunta simples como crítica ao seu desempenho.
A terapia ajuda o paciente a questionar metas automáticas e a escolher objetivos que façam sentido para sua vida, evitando a sobrecarga e a sensação de fracasso ao abandonar projetos. A chave está em reconhecer quando a busca por padrões altos deixa de ser saudável e passa a gerar sofrimento.
FAQs
Na infância, pode levar a evitar errar em provas para sofrer menos bullying, como errar questões de propósito para não gabaritar. Na vida adulta, aparece em áreas como exercício físico ou trabalho, com a pessoa buscando metas sem saber por quê, e sentindo vergonha até de conquistas.
O perfeccionismo pode gerar procrastinação porque a pessoa tem medo de não atingir padrões perfeitos, adiando tarefas para evitar o sofrimento da autocrítica e da sensação de fracasso.
Pessoas com altas habilidades e perfeccionismo tendem a ter prejuízo na socialização, pois sentem vergonha de sua inteligência e aptidão, escondendo-se e evitando fazer amizades por se sentirem diferentes.
A dicotomia é uma distorção cognitiva onde a pessoa vê as coisas como tudo ou nada: se não é perfeito, é horrível. Por exemplo, um elogio menor do que o esperado é interpretado como fracasso total.
A terapia ajuda a questionar metas automáticas, escolhendo aquelas que fazem sentido para o momento de vida, e a reduzir a autocobrança, ensinando a pessoa a celebrar conquistas em vez de desqualificá-las.
É quando a pessoa minimiza resultados positivos, como tirar nota 10 e achar que a prova era fácil, ou passar em um vestibular e pensar que foi sorte, em vez de reconhecer o próprio esforço e mérito.
Chat with AI
Loading...
Pro features
Go deeper with this episode
Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.