A tragédia no Discord e a proteção de crianças e adolescentes na internet
29m 25s
O episódio aborda a tragédia de Ana, uma adolescente de 13 anos que foi induzida ao suicídio ao vivo em um servidor fechado do Discord, após ser aliciada por adultos que monitoravam suas redes sociais. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como homicídio, revelando um cenário de ameaça e chantagem. A plataforma Discord admitiu que seu sistema de proteção falhou, e a ANPD suspendeu preventivamente as transmissões ao vivo no Brasil, medida vista como correta, mas insuficiente, pois grupos violentos migram para outras plataformas, como Instagram e Telegram. Especialistas destacam que o Discord não possui moderação ativa de conteúdo, permitindo que violências ocorram sem intervenção rápida. A jornalista Renata Cafardo, autora de "O algoritmo das famílias", explica que o problema é sistêmico, envolvendo o design viciante de plataformas como o TikTok, que impactam a saúde mental de jovens. Ela enfatiza que a responsabilidade não é apenas dos pais, mas de toda a sociedade, e recomenda supervisão ativa, uso de controles parentais, conhecimento das senhas e diálogo frequente sobre os riscos digitais. A adolescência, marcada pela busca de pertencimento, torna os jovens vulneráveis a recrutamento em comunidades violentas, muitas vezes sem que os pais percebam. A solução exige uma combinação de regulação estatal, melhorias nas plataformas e uma parentalidade mais presente e informada, adaptada aos desafios do mundo digital.
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Antes de começar um aviso, este episódio contém descrição de violência
e aborda questões sensíveis.
Caso você seja vítimo conhece alguém que esteja passando por uma situação semelhante,
não deixe de procurar as autoridades.
Disquisem, há também o centro de valorização da vida
que atende 24 horas sobre o telefone 1-8-8.
Os participantes avisam que a live vai começar.
Uma voz masculina dá instruções para a jovem que vai ser a protagonista da ação.
Qualquer coisa se perguntar em solidar de ouro do tipo, você tem mais de 18 anos.
É diferente, né?
Ah, começou.
Ana era uma menina de 13 anos.
Ela vivia em uma cidade do interior do Mato Grusso do Sul.
Um município pequeno de aproximadamente 50.000 habitantes.
Mesmo assim, Ana tinha um acesso potencial a mais de 56 milhões de pessoas, a um clique de distância.
Ana é um nome fictício inventado para não identificá-la.
Assim como tanto jovens da sua geração, ela passava horas no quarto de antes de uma tela.
Ali o que ela via era uma janela para um mundo teoricamente mais interessante e divertido.
Com amigos jogos, Ana encontrava isso na plataforma de escorte.
Para quem não conhece o discord, imagine um prédio comercial recheado de salas.
Algumas são abertas como espaços de convivência.
Já outras são restritas como salas de reunião à portas fechadas.
Foi para uma dessas salas reservadas que Ana foi atraída.
E não por acaso, segundo a polícia, há uma prática comum nessa plataforma.
Adutos monitoram perfis públicos de crianças e adolescentes em redes abertas como Instagram ou TikTok.
As informações que a própria criança curte ou compartilha se tornam iscas para levá-las
para dentro dessas salas fechadas.
E ali, não tem registro de entrada.
Não tem nome, não tem idade, nada disso importa.
Naquela sala fechada, acessível apenas por convite, Ana se tornou a protagonista de um espetáculo macabro.
De antes de uma plateia, repleta de adolescentes e de adultos.
Ali, ela foi induzida ao suicídio ao vivo.
Uma transmissão que o próprio discordia admitiu ter levado quase duas horas para tirar do ar.
Algum, a mãe que terá a identidade preservada falou pela primeira vez sobre a morte da filha.
Sohendo, dizendo que já vai jantar e mandando um beijo, essas são as últimas lembranças que a mãe tem da filha.
A mãe faz um apelo que os pais irresponsáveis conversam mais com os filhos
e acompanhem mais de perto a vida digital das crianças e adolescentes.
Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio,
mas a investigação revelou um cenário brutal de ameaça e chantagem.
E por conta disso, a polícia se viu mudou o foco.
Agora, a morte dela é investigada como homicídio e a plataforma enfrenta o questionamento da justiça.
Vamos ouvir o que diz Maraisa Cesarino, ao produtor do assunto Carlos Catelan.
Marais é advogada, especialista em proteção de dados pessoais e nos direitos da criança e dos adolescentes em ambientes digitais.
A agência nacional de proteção de dados pessoais
identificou que existia um alto risco para crianças e adolescentes associados aos possibilidades de transmissões ao vivo em servidores fechados do Discord.
No âmbito dessa fiscalização, eles acharam por bem determinar uma medida preventiva
porque o Discord não tinha terminado de adequar a plataforma para atorná-lo ambiente mais saudável ali para os adolescentes.
Então eles suscenderam preventivamente só as funcionalidades de live, então de transmissões ao vivo
e durante um período determinado dentro desse procedimento de fiscalização.
O caso ocorreu em 22 de julho e a própria plataforma confirmou que seu sistema de proteção falhou.
No caso do Discord, o que a Líper D entendeu é que, primeiro, eles não possuíam um mecanismo de monitoramento dessa funcionalidade de transmissão ao vivo
e aí eles não conseguiam, então, tirar do ar, quando esse tipo de coisa está acontecendo ao vivo numa transmissão,
que foi o que deixou com o que a situação chegasse no ponto que chegou como essa adolescente de 13 anos.
Em uma resposta enviada ao Ministério da Justiça, o Discord disse o seguinte, admitiu que o sistema de proteção falhou
e mais informou ainda ao Ministério que o modelo de intervenção automática está sendo reizaminado,
inclusive para avaliar possíveis aprimoramentos nos critérios de priorização, portanto a empresa informando ao governo federal
que está reavaliando o atual processo. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência.
Proceguiu a plataforma, investigamos rapidamente e removamos o servidor privado,
acessível somente por convite em envolvido no caso pouco depois de sua criação e seguíamos cooperando com as autoridades policiais na investigação.
A decisão da NPD, portanto, vai além de um caso policial porque reforça um debate antigo.
Até que ponto uma plataforma deve ser responsável pelo que acontece dentro dela.
A Gense Governo dizem que o Discord não adotou medidas suficientes para proteger menores.
Uma visão também compartilhada por quem atua na ponta do combate à violência contra crianças.
Ouço que disse a juíza da infância e da juventude do Rio, Vanessa Cavaliere, ao produtor do assunto Marquantônio Martins.
A resposta é que isso acontece na Discord porque existe um problema, uma falha de segurança na concepção da plataforma.
Então essa é a falha de segurança, que não tem moderação ativa de conteúdo.
Então, se alguém começar uma live no Instagram, torturando um gato, se cortando muito provavelmente, essa transmissão vai ser derrubada pela plataforma em segundos.
Porque há uma moderação ativa de conteúdo, há um algoritmo, a inteligência artificial, e até pessoas que fazem essa moderação de conteúdo.
Isso não existe na Discord, não tem nenhuma moderação ativa de conteúdo.
O que está em jogo é o algoritmo que entrou na casa de milhões de brasileiros e brasileiros.
Uma engrenagem invisível que passou a organizar rotinas, definir escolhas e até mesmo mediar conflitos dentro da família.
Pais e mães passaram a disputar a atenção dos filhos com plataformas projetadas para não deixar que eles parem de olhar para a tela.
É a chamada dopamina barata, vídeos curtos, rolagem infinita e recompensas imprevisíveis que fazem o cérebro querer mais e mais.
Da redação do G1, eu sou Natus Anere, e o assunto hoje é, a tragédia no Discord, o modelo de atuação dessas plataformas e a proteção de crianças e adolescentes na internet.
Neste episódio, eu converse com Renata Cafardo, a autora do livro "O algoritmo das famílias", ela também é repórter especial e colunista do Estadão e presidente da Associação de Jornalistas de Educação, GEDUCA.
Sexta-feira, 14 de agosto.
Renata, você estudou bastante o mundo das plataformas dos algoritmos, das interações com crianças e adolescentes e eu quero te ouvir sobre como o Discord funciona.
No caso que a gente está tratando aqui nesse episódio, a gente pode entendê-lo como um exemplo da forma com a qual crianças adolescentes estão sendo expostos em plataformas.
O que você avalia sobre esse caso?
O Discord vamos despertar formas mais perigosas que existem, mas não é a única.
Vou te explicar um pouco como o Discord funciona, o Discord é difícil um pouco de entender, porque ele não é uma plataforma de rede social como a gente está acostumada.
Eles são servidores privados em que as pessoas entram sem convidadas, então você não tem uma live que é anunciada, por exemplo, como é anunciada no TikTok ou no Instagram e qualquer um entra.
Você é convidado e essas crianças é adolescente em geral são convidadas em outras redes sociais, mais abertas, consideradas seguras como Instagram, como WhatsApp, são chamadas para esse ambiente, onde muitas vezes acontecem.
Essas reuniões estão chamadas redes de ódio unilistas.
Servidores são comunidades do Discord que podem ser totalmente fechadas.
Um comportamento observado é o de tirar uma foto com o nome do servidor para ser aceito entre os membros, tudo pode acontecer.
E a menos que alguém grave, fora da plataforma, nada fica registrado. Suja em fotos e vídeos de pessoas ferindo o próprio corpo com uma lâmina.
Aqui é a menina que ela está se auto-mutilando na região genital, uma menina se auto-mutilando ao vivo, que o rouro. Ela está escrevendo o nome do grupo.
No Brasil, o incentivo à auto-mutilação é crime, mas tem no Discord.
Os pesquisadores tentem sentir que eles não vêm a sentir na vida.
existe um arredi que é muito pesquisada por pesquisadores e as áreas chamada com sete meia quatro.
É só uma rede que surgiu mundialmente, ela é até difícil de explicar para as pessoas que não é uma coisa herárquica,
como a gente pode falar do PCC, do comando vermelho, ela não tem essa veraquias muito definidas,
ela é colaborativa, ela recruta, a meninos e meninas, e ela ainda faz essa inversão de papéis,
muitas vezes as vítimas depois citou a nãoagressores, ela é muito complicada porque ela vem dessa
desensibilização que acontece muitas vezes pela exposição à violência na internet, com adolescentes e crianças,
o caso dessa menina muito triste, era muito grosso, ela estava num grupo em que havia violência contra animais,
contra o próprio gatinho dela, e disse que tinha que ela havia cometido violências contra o gatinho,
e depois foi ali, de alguma forma sendo induzida ao suicídio, ali ao vivo,
e não só em lives dessa diferença do Discord, eles compartilham as telas também, não é só uma live,
são compartilhamento de telas, então as automotilações ou as violências são mostradas compartilhando tela,
muitas vezes o que é mais difícil da polícia e desembiscadores encontrarem,
porque vocês barram na lei de proteção de dados, porque você precisa entrar,
não é algo que está o vivo para todo mundo, tá, você compartilhando uma tela privada, não servidor privado,
então muitas vezes é mais difícil ainda de se localizar essas violências que estão acontecendo.
Você citaria outras plataformas, outros aplicativos, que também acabam por expor ainda mais crianças via adolescentes ao risco.
Eu acho que o TikTok é bem complicado, bem prejudicial, porque o design do TikTok é algo para você ficar cada vez mais imerso,
ali nos vídeos e vídeos com conteúdos muito inadequados, com um algoritmo muito bom,
muito bom no sentido de rapidamente, ele entende qual é o interista, aquela criança ou daquele jovem,
e faz ele mergulhar cada vez mais naquele mundo, aquela carga de dopamina que vai deixando ele cada vez mais viciado
e buscando aquela recompensa de estar sempre ali, grande questão ali das redes sociais,
é que elas atuam no número de transmissor que é dopamino, que é muito ligada ao prazer,
mas também a recompensa e que em sistemas cerebrais de crianças que iram ter estão desenvolvimentos.
Então o TikTok é mais dopamimérgico nesse sentido, né, porque ele te deixa ficar o tempo todo lá,
não estou falando de conteúdo, mas talvez de exposição e do design que ele pode causar pra saúde mental,
não que você vai encontrar morque, as pessoas se matem ou roumetam grandes violências tanto quanto no Discord,
mas eu acho tão prejudicial pra saúde mental quanto ou menos prejudicial que por exemplo o Instagram,
talvez você pode ir trocando a tela de um vídeo, para um card, de um carro céu,
ou se você não ficar só ali naquela parte de cima também que só tem vídeos.
Eu acho que um vídeo vai trás do outro, eu não acho, as pesquisas mostram isso, os vídeos curtos,
obviamente eles captam muito mais atenção, eles são mais prejudiciais pra saúde mental,
você fica lá, a gente vê com uma gente adulto, fica lá às vezes uma hora,
e vem perceber o que está fazendo daquele tempo, né, por isso pras crianças ainda,
tada vez mais que prejudicial.
Uma premissa do AR Digital compreender que existe um problema que o estado pode ajudar a modular nesse modelo de negócio.
Então, o artigo 8, também lá no artigo 17, a gente vai ver obrigações que se refletem no dia a dia como adoção de medidas
pra evitar o uso contossivo, ou excessivo.
E o artigo 17, inclusive, ele é bem específico assim, em relação a mecanismos como reperunção automática,
notificações constantes, recompensas e funcionalidades que prolongem artificialmente o uso daquela rede social,
como fide infinito, e outros tipos de mecanismos de técnicas.
Então, eu entendo que você fala que há riscos em ambos ou praticamente todos os casos, né, de desenho semelhante,
mas há uma gradação de risco no Discord, a exposição a esse risco é muito maior do que em outras, a exemplo do TikTok. É isso?
Não sei se é exposição, não é necessariamente a exposição, é porque ele é uma gente mais fechada e mais difícil ser fiscalizada.
Quanto a polícia faz, ou os próprios plataformas tentam derrubá-las, um identificando alguns sinais,
ou ia, né, a inteligência artificial dela vem identificando sinais de coisas problemáticas ali,
no que está sendo postado ou divulgado, isso é uma coisa estática, num poste, é mais fácil dar a inteligência artificial verificar.
Isso é algo que, dinâmico, que está acontecendo com um live, com um compartilhamento de dela, é mais difícil.
Então, zoom quer dizer que não pode ser feito e deve ser feito, né?
O que o Discord agora precisa justamente apresentar é um plano de um melhor monitoramento,
por inteligência artificial, contumano, né, que nesse caso ele falhou,
esse momento que eles tentam, ele precisa ser aprimorado.
Espero um pouquinho que eu já volto pra continuar minha conversa com a Renata.
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Agora, Renata, entrando mais na posição da agência nacional de proteção de dados,
a NPD, de suspender as transmissões do Discord.
Eu vi críticas, ou vi elogios, eu quero entender qual é a tua avaliação,
tendo estudado esse debruçado muito sobre esses temas todos.
E perguntar pra você se é uma medida que resolve o problema.
Um resolve o problema definitivamente.
Ela é correta, ela vem no momento certo, mas ela não resolve todos os problemas.
Essa medida tem que ser vista como começo.
O início, uma das medidas mais duras depois do início do eca digital.
Então, a gente estava ainda na fase de orientação, supervisão.
E, finalmente, essa fiscalização parece que foi mais dura
e passa um recado para a sociedade e para as plataformas de que a NPD está agindo.
Mas não é suficiente.
Primeiro, o que eles estão banindo, inicialmente, são as lives.
Ele disse de alguma forma que se estende, também aos outros recursos,
mas tem esse compartilhamento de telas com um pouco mais difícil de você conseguir proibir.
E ainda não só banir o Discord, resolve o problema nesse caso específico,
desse retolicente do Natal Grosso Sul, a gente investigou lá no estado,
e teve acesso a alguns printes que mostram que o suicídio teria cidadão no Instagram e nem no Discord.
Porque o Discord havia sido alertado pela polícia de que estava acontecendo esse ambiente de violência.
Então essa live, essa comunidade onde ela estava,
ali é estado pela polícia e não foi o Discord que identificou sozinho, não.
E eles conseguiram derrubar essa live que estava acontecendo enquanto a linha estava viva.
Isso também é o que o Discord já lega.
Esse grupo então migrou para o Instagram e a morte teria cidadão com uma live do Instagram.
Então para dizer com eles migram o tempo todo de plataforma para o plataforma telegram, por exemplo,
tem diversos manuals desses grupos ensinando como fazer manipulação psicológica,
como fazer a menina se cortar diante ali da live, matar um animal, fazer uma tortura, eles ensinam.
Eu já li essas manuals, é algo perturbador.
Só de ler, já é muito difícil de ter que são feitos por meninos de 14, de 13 anos, as vezes são traduzidos,
já vem de outros manuals que estão fora então.
Esse manual está no telho, é assim eles derrubam uma live no Discord e eles correm por Instagram.
Então a gente tem que entender que isso não resolve o problema.
Não pode a sociedade ficar com a sensação de agora banimos os lives do Discord,
nada mais vai acontecer.
Não, porque eles vão de um lugar para o outro, o sistema todo.
Não é seguro e os pais, a sociedade tem que estar atento com relações,
que nasceu adolescente sem ambiente de editar.
É exatamente isso que eu quero tratar com você agora.
No capítulo 1 do teu livro, você cita o caso de uma mãe, a Claudia,
que descobriu que o filho dela, de apenas 10 anos de idade,
consumia pornografia nas redes sociais.
E aí eu queria entrar no aspecto dos responsáveis por essas crianças,
que tipo de conduta se deve ter para evitar situações como essas.
É não dar o celular aos filhos a um debate internacional.
É enorme, outros países falando de não poder ter redes social antes de 16,
de 15, tentando definir uma idade para isso.
E eu queria ouvir um pouco, de como as mães, os pais, os responsáveis estão nesse contexto.
E o primeiro dos dois dizer que a gente não tem que compar só os pais,
acho que a sociedade inteira tem que estar olhando para isso,
são programas do nosso tempo, a sociedade está se transformando,
ao mesmo tempo que a gente tem que educar essa geração.
Então, é muito difícil mesmo, eu sou mãe de adolescentes de criança,
eu sei o quanto é difícil educar crianças hoje.
Esse é com o sistema digital tão imperfeito que a gente tem hoje.
A geração está aqui agora e a gente vai ter que ir dar com isso.
Não dá para ter os dois extremos, tem os pais que totalmente demonizam a tecnologia
e aí mandam só sair do celular, sair do celular, não explica o porquê.
E ao mesmo tempo estão no celular, então, obviamente, completamente contraditouro
daquela casa, daquela família, ou os outros que simplesmente deixam,
porque acham que não tem jeito e a tecnologia chegou e ele não sabe como fazer.
E se preocupa, inclusive, porque a criança sabe mexer mais tecnicamente,
mexer melhor nas tecnologias do que ele,
mas o que os pais têm que entender é que a habilidade técnica não é a mesma coisa,
que a maturidade emocional ou ética para lidar com a tecnologia.
Então os pais precisam estar próximos e supervisionar.
Não é controlar, mas é supervisionar essa experiência digital.
A partir do momento que tem o dispositivo, que a criança tem esse dispositivo,
ele tem que ter duas coisas.
Primeiro, ele tem que estar logado, seja, antes que tipo de dispositivo que você tem,
mas você tem que estar logado com a idade da criança.
Não pode ser um dispositivo que está logado com a idade de um adulto.
Por padrão, tem que estar.
a paedade correta da criança, porque por padrão ele já tem algumas barreiras.
Então mesmo que você não tem nenhum controle para orientar ou hoje em dia,
no passado não era assim, mas hoje em dia todos os sistemas fazem um deixou entrar em alguns conteúdos na adequada,
os pede em autorização para os pais para uma coisa outra,
mas na minha opinião isso também não é suficiente.
A segunda coisa é ter 5 controles parentais.
Então, ou tem um aplicativo específico baixado disso,
ou usar os controles parentais que já existem em alguns sistemas operacionais,
mas não deixar uma criança e um adolescente também,
porque existe essa ideia de que a adolescente precisa ser autônica,
no conquistar sua independência, sim faz parte,
mas a gente também não deixa o adolescente fazer qualquer coisa fora dos ambientes digitais,
porque é que nos ambientes digitais a gente acha que precisa ter mais privacidade.
Tem alguns muito bons que inclusive passam pros pais,
e pesquisas foram feitas, que vídeos foram acessados.
- Ah é? - Sim, eu recebo.
Eu recebo diariamente quais foram as pesquisas feitas do público.
E para quem está nos ouvindo e querem buscar essas aplicações de maior controle parental,
como é que se busca isso?
- O aplicativo que eu recomendo, que eu uso e que eu recomendo, é o custódio.
É um aplicativo pago de custódio com que?
Ele conseguiu me recomendar do Pela Juíza Vanese Cavalieri,
do Rio de Janeiro, que faz um trabalho incrível ali na Vardéia Fãs de Seja Juventude.
Ele, de fato, te dá ao longo do dia para as notificações.
Ele pode ter as notificações pelo celular ou por imenio.
Você pode ser tapas, fazer uma setacha, nem do que você quer se notificar,
porque é algo que é coisa.
A criança pesquisa uma coisa em trabalho de história,
não precisa ficar chegando para você.
Se você quiser entrar no aplicativo e ver essas crianças,
você consegue ver todas.
Mas ele te dá essas notificações quando é algo considerado que ocupa.
Então, você coloca lá.
Por exemplo, violência, pornografia, tema de saúde mental.
Por exemplo, se a criança procura alguma coisa que dá a entender,
que ela está ali, como ansiedade, uma depressão.
Tudo isso chega.
Se eu queremos se notificar o seu filho pesquisou isso,
sua filha pesquisou aquilo no Google.
Também dá para ver os vídeos que foram vistos no YouTube.
E as pesquisas feitas no YouTube,
pesquisam muita coisa no YouTube.
Então, você consegue ver todos os vídeos que foram vistos.
Eu vou falando isso tudo, mas aí os pais se compensam.
Mas que horas que eu vou fazer isso?
Não é que horas que eu vou checar isso tudo.
Eu já não tenho tempo para nada.
Sim, é um trabalho a mais que em geral fica com as mulheres,
mais uma sobre cada para as mulheres,
mas é um problema do nosso tempo.
A gente tem que incluir isso na nossa parentalidade,
na nossa forma de educar.
Não tem como achar que o celular é uma diversão,
é algo que você vai deixar com eles.
Só quando você não pode estar com eles,
então, uma substituição, né, a babá digital.
Não é tudo menos isso.
Se a opção da família for dar esse celular,
ou permitir as redes sociais,
tem que estar sempre supervisando.
Também a conselho, olhar de tempo,
em tempos o WhatsApp, sim.
Fazer disso uma rotina e a criança adolescente saber.
Não dá para uma criança,
quando adolescente tem um celular,
os pais não sabem a senha, tem que saber a senha.
A gente já ouvi falar de casos de crimes cometidos
em que a polícia chega na casa,
porque viu que o crime está sendo cometido pela internet,
mal-trato, de animal chega lá,
e pede para ir para o pai abra,
ou como ir à criança no estado,
ele se pede para a tua abra,
o computador ao celular,
e pai não tem a senha.
Não sabe qual é a senha.
Isso ainda é imissível.
Não existe privacidade.
Isso é como assim.
Você, por acaso, deixa o seu filho atravessar ruas,
sozinho, você não fala para ele sobre os perigos,
de outros tipos de violências que são físicas,
e você não quer estar lá do lepe a proteger,
então você precisa proteger também no ambiente digital.
É claro que isso, de acordo personalmente com a idade,
então a criança vai crescendo um pouco mais, com 16, com 17,
você pode ir dando um pouquinho mais de autonomia,
mais curto criança,
adolescente sem sabendo que esse celular vai ser olhado.
Não é uma coisa que você vai lá, escondidil,
e olha, tem que saber que vai ser compartilhado,
porque aí tem perigo,
e tem que explicar para a criança,
por que você está fazendo isso,
que é para proteger-la,
assim como você recomenda,
o pédio, para que ela não comatura,
ou assim, para que ela não fume,
para que você conversa sobre bebida alcoólica,
sobre sexo, seguro,
você vai conversar sobre navegar no ambiente digital
de maneira segura,
e do porquê você tem que estar ao lado dela.
Eu acho que essa conversa frequente em casa.
A tecnologia não pode ser só vista como uma diversão em casa.
Ela tem que estar muito claro os perigos que são inerentes,
ao celular, e as redes sociais.
Para as crianças de acordo com cada facetária,
calta, e não vai ficar falando para a criança de cinco anos,
sobre porografia.
Carregás, coisas são graduadas.
Eu presenciei uma conversa de um adolescente,
com o pai de uma criança de oito anos.
E esse adolescente,
que manuseia muito bem,
o universo digital,
disse para esse pai "nunca",
mas nunca deixe a sua filha entrar no discord.
E eu fiquei impressionado.
Eu fiquei impactada.
Porque esse adolescente esteve no discord.
Esse adolescente sabe o que está acontecendo ali
e da dificuldade de supervisão.
E aí, isso abre um flanco para eu te perguntar
sobre o momento em que o celular deixou de ser apenas uma ferramenta
de aprendizado, de socialização.
O contexto da adolescência,
o contexto da adolescência
em que o adolescente é adolescente,
eles simplesmente querem ser aceitos.
Então, incentivo a violência,
ou a automotilação,
ou a crueldade com um animais,
também passa por esse fator psicológico,
da própria pré-adolescência e da adolescência.
Do pertencimento, né, na tonsa de querer pertencer.
E muitas vezes, eles encontram pertencimento
nessas comunidades de odi-violentes,
porque eles não estão sendo vistas,
enxergados, ouvidos pelos pais.
Eu acho que a adolescência é um período difícil.
E, às vezes, eles estão sendo vistas e enxergados,
e ainda assim, eles estão envolvidos com esse perigo, né?
É muito difícil.
Essa questão de pertencê,
de como ele se sente, pertencente,
os pais, às vezes, não alcança.
Não, pai acha que está ouvindo
o que está fazendo, ele pertencia aqui em ambiente,
mas ele está sofrendo bullying na escola,
ele está se sentindo muito mal
e, ali, aparece uma pessoa
que seduz no internet,
que diz como ele é legal,
ou não, pela pelotas características
que não estão sendo olhadas
pelo outro grupo,
e ele acaba se envolvendo,
sendo recrutado
para grupos violentos.
Muito se diz que dá para notar, né?
As pescadoras dizem que cuidam disso,
falam que é possível notar nas crianças,
nos adolescentes que estão passando
por esses recrutamentos,
principalmente porque elas se cortam,
porque elas ficam mais isoladas,
né, crianças mais sozinhas,
crianças com menos amigos,
como tem vontade de sair de casa,
ou que já começou a se motivar.
As garotas são as vítimas mais frequentes,
quando os líderes de um servidor
conseguem dados comprometedores,
como fotos de Nutez,
nome real,
e contatos da família,
é como se o quarto se tornasse um palco
com todos os holofotes
voltados para a vítima,
que passa a ser shantageada
a cumprir desafios.
Durante essas interações,
que se tornam seções de tortura psicológica,
os agressores se sentem protegidos pelo anonimato,
e se tornam cada vez mais cruéis.
Tem uma história muito triste
daquele livro,
que chama acontecer com a minha filha,
não sei se você já leu,
e o autor que usam o seu dono e ele fala,
que ele se arrepende de não ter
feito esse controle para entrar no celular da filha dele,
que ele queria que a filha tivesse
uma educação mais independente,
como ele teve,
achando que estava estimando a autonomia dela,
mas ele estava na verdade sendo negligente,
porque os muitos tempos são outros.
Essa é uma questão interessante
que eu descuto também no livro
sobre a parentalidade de hoje.
A gente tem, já tem uma parentalidade hoje,
dita mais democrática,
que é muito bom, claro.
A gente ouve os filhos,
a gente não quer ser autoritário,
a gente quer saber o opinião deles para tudo,
a gente quer que eles não se frustram muito,
isso também as vezes é um problema,
que superprotege demais,
mas a gente tenta ouvir,
a gente tenta a boldar,
claro, aqueles valores,
mas sempre com muita compreensão,
com pouco autoritarismo,
e com medo de ser autoritar,
muitas vezes os pais não querem fazer esse controle parental,
mas é preciso ter nuâncias,
nisso, entender que os contornos
também ajudam a crescer.
Se desenvolver, entender que o pai,
o pai, a mãe, a mãe,
que naquela hora ele vai dizer "não",
porque ele sabe,
ele tem maturidade,
ele tem mais experiência naquilo,
e aquilo não vai ser feito,
porque os pais são dizendo "não",
estava falando um pouco da adolescência,
uma adolescência tem essa questão
do pertencimento,
mas tem também um pouco
do desconhecimento dos pais,
ainda muito os pais chamam
os adolescentes de aborrecentes,
não entendem que qual é o período
do desenvolvimento,
porque eles estão passando
que eles ficam dessa forma, então,
eu acho que é muito importante
a gente conta um pouquinho
no livro também,
sobre o seu movimento cerebral do adolescente,
só muito importante que os pais se informem sobre isso,
é curioso que esses mesmos pais e mães
que não sabem nada sobre o desenvolvimento adolescente,
quando a criança era pequenininha,
devorar no manual de,
sei lá, pato, humanizado,
aprender a trocar fal,
descer do método para o bebê dormir,
depois, parece que, quando cresce,
eles acham que vai educar por imestra,
já sei, agora eu já sei.
Mas tem muita coisa para aprender
sobre o desenvolvimento do adolescente,
é também as pesquisas,
são mais recentes,
mas tem muita coisa boa para procurar,
eu tenho um livro chamado,
o Serba do adolescente,
muito interessante,
eu sinto bastante no meu livro,
foi usado como biografia também para mim,
então, entender,
que momento seu filho está passando
e não apenas ficar ali torcendo,
para ele passar vivo,
para o adolescente, entendeu?
Não aconteceu nada muito grande.
Renata, que bom te ouvir,
importante te ouvir,
eu te agradeço muito
pelo teu tempo aqui
e recomendo seu livro.
Obrigado, eu quero agradecer.
Este foi o assunto,
pode ter este diário disponível no G1,
no YouTube,
ou na sua plataforma de áudio preferida.
Comigo, na equipe do assunto,
estão Luís Filipsilva,
Carlos Catelã,
Luís Gabriel Franco,
Juliane Morett,
Stephanie Nascimento,
e Marco António Martins.
Colaborou neste episódio,
Tomé Granemão.
Eu sou Natus Anérei
e fico por aqui,
até o próximo assunto.
anos de credibilidade.
"BetmgM" é padrão "vegas" de diversão.
Podcast Summary
Key Points:
O caso de Ana, uma menina de 13 anos do Mato Grosso do Sul, que foi induzida ao suicídio ao vivo em um servidor fechado do Discord, após ser alvo de aliciamento e chantagem.
A investigação policial mudou o foco de suicídio para homicídio, e a plataforma Discord admitiu falhas em seu sistema de proteção.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu preventivamente as transmissões ao vivo no Discord no Brasil, devido ao alto risco para crianças e adolescentes.
Especialistas, como a advogada Maraisa Cesarino e a juíza Vanessa Cavaliere, destacam que o Discord não possui moderação ativa de conteúdo, permitindo que violências graves ocorram sem intervenção rápida.
A repórter Renata Cafardo, autora do livro "O algoritmo das famílias", analisa que o problema não se limita ao Discord, citando o TikTok como outra plataforma prejudicial à saúde mental de jovens.
Grupos de violência migram entre plataformas, como Instagram e Telegram, onde compartilham manuais de manipulação psicológica, dificultando o combate.
A recomendação para pais é supervisionar ativamente a vida digital dos filhos, usar controles parentais (como o aplicativo Custódio), saber as senhas e manter diálogo aberto sobre os perigos online.
Summary:
O episódio aborda a tragédia de Ana, uma adolescente de 13 anos que foi induzida ao suicídio ao vivo em um servidor fechado do Discord, após ser aliciada por adultos que monitoravam suas redes sociais. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como homicídio, revelando um cenário de ameaça e chantagem. A plataforma Discord admitiu que seu sistema de proteção falhou, e a ANPD suspendeu preventivamente as transmissões ao vivo no Brasil, medida vista como correta, mas insuficiente, pois grupos violentos migram para outras plataformas, como Instagram e Telegram.
Especialistas destacam que o Discord não possui moderação ativa de conteúdo, permitindo que violências ocorram sem intervenção rápida. A jornalista Renata Cafardo, autora de "O algoritmo das famílias", explica que o problema é sistêmico, envolvendo o design viciante de plataformas como o TikTok, que impactam a saúde mental de jovens. Ela enfatiza que a responsabilidade não é apenas dos pais, mas de toda a sociedade, e recomenda supervisão ativa, uso de controles parentais, conhecimento das senhas e diálogo frequente sobre os riscos digitais.
A adolescência, marcada pela busca de pertencimento, torna os jovens vulneráveis a recrutamento em comunidades violentas, muitas vezes sem que os pais percebam. A solução exige uma combinação de regulação estatal, melhorias nas plataformas e uma parentalidade mais presente e informada, adaptada aos desafios do mundo digital.
FAQs
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Ana, uma menina de 13 anos, foi atraída para um servidor fechado no Discord, onde foi induzida ao suicídio ao vivo, após sofrer ameaças e chantagens. O caso é investigado como homicídio.
A ANPD determinou a suspensão preventiva das funcionalidades de transmissão ao vivo (lives) no Discord, devido ao alto risco para crianças e adolescentes nos servidores fechados.
O Discord permite servidores privados e fechados, sem moderação ativa de conteúdo, dificultando a identificação e remoção de violências, como automutilação e incentivo ao suicídio.
O TikTok é considerado prejudicial devido ao design viciante e à exposição a conteúdos inadequados, enquanto o Instagram também foi usado em migrações de grupos violentos após derrubadas no Discord.
Recomenda-se supervisionar o uso de dispositivos, manter os aparelhos logados com a idade correta da criança, usar aplicativos de controle parental como o Custódio, e conversar frequentemente sobre os riscos online.
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