Olá, amigos e amigas do Sabeia. No episódio de hoje, vamos falar sobre a sociedade do espetáculo.
Você também tem a impressão de que tudo hoje parece falso e tem um ar de superficialidade.
Nós vivemos em uma sociedade na qual as imagens possuem mais força que as próprias coisas que deveriam representar,
sendo essa, uma das principais características daquilo que o autor francês, Gidebor, chamou de "espetáculo".
Em sua obra "A Sociedade do Espetáculo", lançada em 1967, isso é, lançado no ano anterior às revoltas estudantes de 68 na França,
de porto analiso o espetáculo e descreve suas principais características, algumas das quais apresentaremos neste episódio.
Hoje, cerca de 60 anos depois de sua publicação, a obra se mostra ainda mais relevante.
Tendo em vista, sobretudo, o desenvolvimento de alguns fenômenos analisados por debor ainda em sua forma insipiente naquela época.
Se debor ainda estivesse vivo para ver o impacto das redes sociais em todas as áreas da vida, inclusive na política,
e ver também a nova fase da inteligência artificial, eu acho que debor diria-se mesmo, é, o espetáculo só aumenta a cada dia.
Então, vamos lá, acompanhe.
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Voltemos, então, a nossa tema, a sociedade do espetáculo.
Para começarmos a compreender em que consiste o espetáculo, podemos examinar algo bem familiar a todos nós, as redes sociais.
Tenha em mente no entanto que, debor, publicou sua obra em 1967, de modo que sua reflexão se refere a aspectos ainda mais fundamentais que no entanto,
também se manifesta de forma inequívoca nas redes.
Logo no primeiro aforismo de sua obra, ele afirma o seguinte, abre aspas.
Tudo o que era vivido de forma direta, se transformou agora em uma representação, fecha aspas.
Mas uma vez essa passagem, veja, tudo o que era vivido de forma direta, se transformou agora em uma representação.
Esta é uma característica de todas as sociedades cujo modo de produção e relação entre os homens é capitalista,
nas quais reina uma imensa acumulação de espetáculos.
Observe que esta formulação de debor é uma paráfrica do início da obra o capital de Marx, onde o pensador alemão afirma que,
as sociedades capitalistas são caracterizadas por uma imensa acumulação de mercadorias.
Debor apenas trocou a palavra mercadoria por espetáculo.
Agora, este diagnóstico reflete uma característica essencial da dinâmica das redes sociais.
Enquanto o indivíduo produz e consome imagens, ele não está vivendo.
Mas se movimenta em um mundo ilusório que não apenas filtra e distorce sua apreensão e compreensão do mundo real,
mas que molda também sua subjetividade.
Estatísticas revelam que, no Brasil, por exemplo, o consumo de redes sociais supera a média mundial e pode chegar até 9 horas diáles.
Então vejam só, gente, nós podemos dizer que um indivíduo está de fato vivendo a vida,
quando passa 9 horas em redes sociais.
Agora, Debor que sabia que esta fuga da realidade é mais antiga do que parece.
A epígrafe do primeiro capítulo de sua obra é uma citação de a essência do cristianismo de Ludwig Feuerbach,
obra publicada em 1841.
Essa passagem diz o seguinte, abre aspas.
Sem dúvida, o nosso tempo prefere a imagem a coisa, a cópia ao original, a representação a realidade, a aparência ao ser.
Fech aspas.
Vejam só, essa passagem é de Foilbar em 1841.
Nelho diz, olha, o nosso tempo prefere a imagem a coisa, a cópia ao original, a representação, a realidade, a aparência ao ser.
Mesmo sem conhecer o contexto, nós poderíamos dizer que esta reflexão de Foilbar descreve também o nosso tempo e sociedade.
Mas o filósofo alemão estava falando, na verdade, sobre a relação de seus contemporâneos com a religião e o intenso debate desencadeado por seu livro.
Inclusive, essa é a primeira obra que nós estudamos em nosso curso crítica da religião, Foilbar, Nietzsche e Freud.
Então, o espetáculo cumpre em nosso tempo uma função análoga àquela desempenhada pela religião nos séculos passados.
No terceiro aforismo da obra, por exemplo, debora afirma que o espetáculo se apresenta como a própria sociedade, como uma parte dela e como um instrumento de unificação.
Vejam só, o espetáculo se apresenta como um instrumento de unificação.
Vejam só o paralelo, é porque o cristianismo foi, por muito séculos, o fator de unificação da Europa e de diversos países atuais antes da Constituição dos Estados Nationais,
dando, então, unidade cultural ao continente europeu.
Então, assim como cristianismo, uma vez unificou a Europa, o espetáculo hoje é também o fator de unificação das sociedades capitalistas.
A relação entre religião e espetáculo é novamente afirmada no vigésimo aforismo da obra.
Depora afirma que o espetáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa, e que a técnica espetacular não dissipou a nuvem religiosa, na qual os indivíduos haviam colocado seu próprio poder destacado de si próprios.
Vejam só, o espetáculo, então, é a reconstrução material da ilusão religiosa, reconstrução material.
Isso é que essa técnica do espetáculo não dissipou a nuvem religiosa, na qual os indivíduos haviam colocado seu próprio poder.
Vejam, mais uma vez, a referência aqui é foio bar.
É porque da mesma forma que os seres humanos projetam suas próprias características nos deuses que adoram, mas não reconhecem esses deuses, como suas próprias criações.
Esses indivíduos também não reconhecem que o espetáculo é apenas a base material na qual colocam o seu próprio ser.
Se essa projeção acontecia antes, em seres fantásticos de outro mundo, além de nossa realidade física, o processo acontece hoje em uma base material.
Mas a alienação continua da mesma forma.
Agora, como podemos definir o espetáculo?
Seria muito apressado nos agarrarmos a uma definição única e definitiva neste ponto de nossa reflexão.
Tendo em vista não apenas a complexidade do tema, mas também o fato de o próprio debor buscar definir o fenômeno por meio de aproximações parciais e gradativas ao longo de toda a obra.
Para tentar resumir no entanto, o que apresentamos até agora, vamos nos valer de uma explicação fornecida por José Arbex-Júnio.
Ele afirma que o espetáculo consiste na multiplicação de ícones e imagens, mas não se restringe no entanto aos meios de comunicação de massa,
incorporando também retuais políticos religiosos e hábitos de consumo, ou então tudo aquilo que falta a vida real do homem comum.
Isso é, celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias, isso é. Tudo que transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e osadia.
O espetáculo.
É também a aparência que confere integral de sentido a uma sociedade esfacelada e dividida.
Isso é, o espetáculo é a forma mais elaborada de uma sociedade que desenvolveu ao extremo o fetixismo da mercadoria.
Vamos falar um pouco sobre isso na segunda parte deste episódio.
Os meios de comunicação de massa, isso o déborda vai afirmar, são apenas a manifestação superficial
mas esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz no indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário
em meio à massa de consumidores.
Ou então, em apenas uma única frase, como afirmamos no início deste episódio.
O espetáculo é a vida mediada por imagens, quando a vida deixa de ser vivida diretamente.
Outro exemplo característico de nosso tempo e revelador dessa lógica de negação da vida são os chamados Reality Shows.
Programas de televisão como o Big Brother, por exemplo, são uma manifestação inequívoca do espetáculo.
O título Big Brother faz referência a um personagem da obra 1984 de George Orwell.
Na distopia orveliana, o grande irmão, o Big Brother, é um ditador que através de um tipo de câmera, chamado Tele-tela,
vigia todos os cidadãos em todo o tempo e lugar, inclusive dentro de suas próprias casas.
No caso deste tipo de Reality Shows como Big Brother, a falsa vida é apresentada e consumida por uma multidão hipnotizada e ávida por realidade.
Agora o que os espectadores encontram, no entanto, é apenas uma realidade esvaziada, assim como eles próprios.
O Big Brother é uma ficção do real e não a própria vida sendo televisionada.
Os participantes se submeten, por exemplo, a uma exposição às vezes, o milhante de sua intimidade,
apenas para se tornar em subcelebridades tão passageiras quanto a sua participação do programa.
Agora nós devemos ser cautelosos no entanto para não reduzir o espetáculo apenas aos seus aspectos mais superficiais, como afirmamos agora pouco.
Até o momento, nós falamos principalmente sobre o espetáculo enquanto imagem e substituição da vida real por ilusões,
mas debor deixa claro que este fenômeno vai muito além disso.
No quinto a foriasmo ele afirma, por exemplo, que o espetáculo não pode ser compreendido apenas como um abuso de imagens ou produto de técnicas de difusão massiva de imagens.
O espetáculo é uma visão de mundo tornada efetiva, traduzida materialmente e objetificada.
Inclusive, quando ele diz visão de mundo, ele até coloca a palavra alemã no seu texto, que é Veltanschaung, que às vezes traduzimos como "cosmo visão".
E no vigésimo quarta-foriasmo, debor afirma ainda que os meios de comunicação de massa são apenas uma manifestação superficial embora a mais avassaladora do espetáculo.
Estes exemplos introduitórios foram apenas para destacar um dos aspectos, uma das formas em que o espetáculo se apresenta.
Agora, outra característica do espetáculo se manifesta na degradação do ser alter.
Debora observa que a primeira fase da dominação da economia sobre a vida social, o que historicamente corresponde à instauração da sociedade capitalista, isso levou a uma degradação do ser inter.
Vejam só, degradação do ser inter.
Porque vejam, se para as sociedades anteriores, ser era mais importante que ter, pelo menos em seus sistemas de valores oficiais e para a maioria dos indivíduos, hoje a questão é vista de outra forma.
Segundo debor, a fase presente da ocupação total da vida social em busca da acumulação de resultados econômicos conduce a uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o ter efetivo perde o seu prestígio imediato e sua função última.
Isso é, hoje, no capitalismo tardio, é mais importante parecer ter algo do que efetivamente possuí-lo, de modo que toda a realidade individual se tornou social e diretamente dependente do poderio social obtido.
Vamos examinar essa situação em maiores detalhes. Quando um indivíduo é algo, ele ou é individualmente e não tem necessidade de prová-lo ou mostrar-lo aos outros, o que é bem diferente no caso de parecer ter.
Porque vejam, se eu quero parecer ter algo, eu preciso que outros vejam o que eu pretendo mostrar e obter o reconhecimento dos outros.
Agora, se pelo contrário, eu quero apenas ser algo, isso depende apenas de mim.
Quando o indivíduo de fato é alguma coisa, ele não precisa anunciar isso a ninguém.
Agora, quando alguém insiste em dizer a todo momento o que é, isso aponta para dúvidas e insegurança sobre o que está sendo afirmado, dizendo de outra maneira, quem é algo não precisa afirmar.
Nós podemos constatar essa degradação do ter, ao parecer ter diariamente em nossas avenidas.
Os proprietários de muitos carros extravagantes, desfilando em nossa cidade são pessoas de classe média que moram em apartamentos minúsculos.
O valor de tais automóveis certamente poderia acrescentar alguns metros quadrados se fossem investidos em uma nova moradia, mas em uma sociedade, na qual parecer ter,
é mais importante do que, de fato, ter algo tais indivíduos consideram mais prestigioso, serem vistos em tais carros, enquanto desfilam pelas cidades, do que, de fato, usufruir de um espaço maior em casa.
Tendo em vista aqui, quase ninguém usve dentro de suas próprias casas.
E aqui, mais uma vez, também as redes sociais nos fornecem exemplos abundantes desta característica do espetáculo.
Individuals simulam possuir não apenas certos bens materiais, mas até mesmo certas habilidades.
Um escândalo recente revelou que um determinado músico construiu grande parte de sua repotação através de uma fraude.
É que vários vídeos em que ele, supostamente, estava tocando ao vivo, eram, na verdade, editados para corrigir sua performance.
O que decepcionou um grande número de seus seguidores?
Agora, vejam, para este músico, o grau de sua habilidade parecia não ser suficiente.
Ele precisava parecer ter uma habilidade que, de fato, não possuía naquele grau.
Agora, outros exemplos de parecer ter são mais comuns em nossas redes e dispensam maiores detalhes.
A maioria de nós conhece alguém cuja vida virtual não corresponde exatamente a sua realidade material concreta.
Assim como também encontramos cada vez mais perfis, cujo conteúdo é majoritariamente gerado por inteligência artificial.
Hoje em dia, nem mesmo a falsificação é produzida pelo próprio indivíduo,
mas a própria falsificação é ela também fake.
Se antes era necessário possuir, pelo menos, a habilidade de falsificar,
hoje isso deixa de ser um pré-requisito com a inteligência artificial.
Isso é, até o falso se tornou ainda mais falso com AIA.
Como se isso fosse possível?
Tornará algo falso ainda mais falso, mas AIA tornou isso possível.
Nós faremos agora a nossa clássica pausa musical a fim de que você absorva melhor o conteúdo exposto até agora
e revigou a concentração para o restante do episódio.
Você ouvirá um trecho da obra "Rollberg Suite" op. 40 número 3 de "Crick".
Esta é uma continuação da obra que ouvimos no episódio anterior.
Edvard "Crick" nasceu em 1843 em Berge na Noruega e faleceu em 1907 também em Berge na Noruega.
Enquanto você aprecer essa música, eu gostaria de pedir que você avaliu nosso podcast com cinco estrelas no Spotify
ou em qualquer outra plataforma através da qual você nos ouve.
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[Música]
[MÚSICA DE FUNDO]
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Então, o espetáculo é o momento em que a mercadoria chega a ocupação total da vida social,
como a firma de borne, uma furismo 42.
Vejam só.
O espetáculo é o momento em que a mercadoria chega a ocupação total da vida social,
porque ele diz isso, ocupação total.
É que, nas sociedades anteriores, a capitalista, a troca de mercadorias ocupava um papel marginal
na vida social, ocorrendo apenas com o excedente da produção.
Agora, já na sociedade capitalista, toda a produção é feita diretamente para o mercado,
e isso traz reflexos desestabilizadores nas relações entre os seres humanos.
Vamos avançar então para as nossas considerações finais, e o que é que podemos dizer a guisa de conclusão.
Vejam, debora a firma que o espetáculo é a negação do real,
é a vida deixada de ser vivida diretamente para ser vivida através do consumo de imagens,
o que está hoje em dia mais explícito que nunca.
No décimo aforismo da obra, debora a firma que o espetáculo é a afirmação da aparência
e a afirmação de toda a vida humana ou social como mera a aparência.
Por isso, nós afirmamos no início dessa reflexão de hoje, que tudo hoje no capitalismo parece falso.
Tudo hoje parece sem substância, tudo parece fake.
Observe também que o próprio consumo de mercadorias perde sua importância diante do espetáculo.
A degradação do ser alter chegou a tal ponto que parecer ter é mais importante que de fato possuir algo,
o que se mostra também em certos padrões de consumo criticados por debor.
Ele chama a atenção para o fato de que muitas vezes os indivíduos querem uma roupa,
apenas porque ela foi utilizada por um determinado ator em um filme.
Outro exemplo é o fenômeno dos objetos colecionáveis.
Os indivíduos compram certos produtos, não devido ao seu valor de uso para, de fato, fazerem algo com eles,
mas apenas para compor uma determinada coleção como uma coleção de chaveiros, por exemplo.
Para debor, tais padrões são a manifestação de um abandono místico a transcendência da mercadoria.
Agora, de fundamental importância são os reflexos do espetáculo na consciência dos indivíduos
e como isso afeta suas próprias vidas.
Nós estamos falando de questões meramente teóricas que não nos dizem respeito.
Estamos falando de questões que afeta nossas próprias vidas em nosso cotidiano.
No trigésimo aforismo da obra, debor afirma o seguinte, abre aspas.
A alienação do espectador, em proveito do objeto contemplado,
que é o resultado da sua própria atividade inconsciente, exprime-se assim.
Quanto mais ele contempla, menos vive.
Quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade,
menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.
A estereoridade do espetáculo em relação ao homem que age, aparece nisso,
os seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que lhes apresenta.
É isso porque o espectador não se sente em casa em parte alguma,
porque o espetáculo está em toda a parte.
Fecha aspas. Vejam só, gente.
O texto é de 1967, mas descreve exatamente o comportamento de telespectadores
e usuários de redes sociais hoje.
Quanto mais eles contemplam, menos eles vivem,
e isso tem reflexos inclusive no próprio desejo dos indivíduos.
Por isso, debor nos fala também sobre as pseudo necessidades
criadas artificialmente pelo espetáculo.
Como afirma debor no aforismo 2015,
o espetáculo é a ideologia por excelência,
porque o espetáculo manifesta em sua planetude a essência de todo o sistema ideológico,
o empobrecimento, a servidão e a negação da vida real.
O espetáculo é a ideologia inconsciente, mas real,
de todos aqueles que não se rebelam conscientemente contra ele.
Então vejam, quem nunca se deu conta de que o espetáculo existe
e não sabe o que ele é, provavelmente vive de acordo com ele.
Agora, o principal objetivo da obra de debor
é justamente a luta contra este estado de coisas,
como ele afirma em um prólogo que ele escreveu em 1992,
dois anos antes de seu falecimento.
Ele afirma o seguinte, abre aspas.
É preciso ler este livro considerando que ele foi deliberadamente escrito
na intenção de se opor a sociedade espetacular.
Nunca é demais dizer-lo, fecha aspas.
Por isso, ele aborda também outros temas relacionados à prática política
que acabaram ficando de fora deste episódio,
no qual buscamos apresentar em linhas gerais o diagnóstico do espetáculo
e algumas de suas principais características.
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