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A rede antivacina

67m 10s

A rede antivacina

O podcast "Ciência Suja" investiga o movimento antivacina no Brasil, destacando o grupo "Médicos pela Vida" (MPV). Fundado em Recife pelo oftalmologista Antônio Jordan, o MPV ganhou notoriedade na pandemia ao defender o "tratamento precoce" com medicamentos como ivermectina e cloroquina, apesar da falta de eficácia comprovada. Financiado pela fabricante Vita Medic, que teve aumento de 1200% nas vendas de ivermectina, o grupo atacou as vacinas contra a COVID-19, chamando-as de "experimentos" e promovendo desinformação. O MPV teve influência política, assessorando o governo Bolsonaro e tentando criar um "gabinete paralelo" para sabotar a vacinação. A reportagem expõe contradições: enquanto o grupo espalhava discursos falsos sobre vacinas, seus próprios membros e pacientes estavam imunizados. A sede do MPV era improvisada na clínica de uma pediatra, contrastando com os grandes congressos internacionais que organizavam, como o World Council for Health, onde teorias conspiratórias e negacionismo eram difundidos. O episódio mostra como essa rede de desinformação contribuiu para a queda na vacinação infantil no Brasil, colocando o país entre os 10 com mais crianças sem vacinas básicas, ao lado de nações como Congo e Paquistão. A equipe do podcast viajou a Recife para entender as origens do grupo, que usou a pandemia como oportunidade para ganhar relevância política e financeira, perpetuando um movimento perigoso que coloca vidas em risco.

Transcription

10304 Words, 60242 Characters

Portuguese
O ciência surge até o selo da Rádio Guarda-Chulva, jornalismo para quem gosta de ouvir. Oi gente, só pra avisar que esse episódio faz parte de uma série de reportagens que estão sendo publicadas pela clóipinheiro da nossa equipe em diferentes veículos. E elas foram apuradas com o apoio do Pulitzer Center. Essa garota é muito chique, hein? E toda temporada só foi possível graças a um Instituto Cé rapileira, que fomenta pesquisa e a divulgação científica no país. Quem está cantando essa música é um cara chamado Antônio Venel Jordan. Ele é um capitão de fragata da reserva da marinha do Brasil. Ou como ele foi apresentado várias vezes no evento de onde tiramos esse áudio, o homem que consegue pousar um helicóptero num navio em movimento. O Venel, também é assessor especial da reitoria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e um dos principais articuladores de um grupo de médicos. Embora ele não tenha nenhuma formação na área segundo seu currículo Lats. Ele está passando essa vergonha aí no segundo Congresso Mundial do World Council for Health, médicos pela COVID-19. É, o nome é Macarrônico, meu redundante mesmo. Esse evento aí aconteceu em julho de 2022 em Fos de Guassu no Paraná. A canção é do próprio Venel em homenagem aos médicos que trabalharam durante a pandemia. Mas não é uma música para qual que é médico. Ele estava homenagendo, na verdade, um grupo do qual ele era bem próximo e que já em 2020 passou a atacar as vacinas contra a COVID-19 antes mesmo de ela chegar em ao Brasil. E esse grupo não parou mais. E já a primeira temporada do Ciência Suja, a gente está de olho no movimento antivacina no Brasil. Só que a gente não tinha falado até agora de um dos grupos mais importantes nessa história, o MPV, médicos pela vida. Ou médicos pela dúvida como a gente prefere chamar aqui. Qual é a inência do Conselho Federal de Medicina? Esse grupo cresceu na pandemia, ganhou influência política e chegou até a defender o golpe depois das eleições. Até hoje é um dos principais divulgadores de informações falsas sobre as vacinas. E esse é um movimento que não tem nada de nocente ou orgânico. Gente, nós temos muitos estudos sobre vermectina. Fraudemia. Agora vamos então falar sobre os olhos terapia. Da arma biológica que fizeram o sob forma, falso de vacina, tem elementos suficientes para dizer que estamos em guerra já. Graças a uma rede bem articulada de desinformação, da qual o MPV faz parte, pessoas em todo o Brasil repetem discursos falsos ou distorcidos sobre a vacinação. Como que tem vida? Você pula da abitção, não é? Sai de cunha vacinas, enfatei. E aí lá no hospital, o obstetre de lá falou para ela não tomar a quarta dose da vacina, para ela não se espou a vacina. E aí a enfermeira falou, é realmente porque a vacina não é 100% segura. Na hora que indignada verei fazer a senhora profissional da saúde, era uma menina bem jovem inclusive. Ela retrucou que ela acredita em Jesus, que quem cura é Jesus e não a vacina. O caso de meus parceiros é idoso e eu sempre tinha que estar falando, não é? "Ah, eu trabalho a vacina, não nossa é?" Essas falas todas não são antigas não. Foram audios que nós coletamos entre janeiro e março. E acredito se quiser, tem até parentes de membros desse podquest aqui, mais de um inclusive caindo nesses papinhos. "Ete senso, é um movimento de ciência, mata mais do que as armas de fogo e os acidentes de carro nos Estados Unidos." "Rodetrafic Accidents" É uma ciência ao médico norte-americano Peter Holtas, um dos maiores especialistas em movimento antivacina. A gente vai voltar a falar dele depois, mas o que ele disse agora, se entetiza bem o tamanho do problema. Tem muita gente morrendo não da vacina, mas por acreditar em mentiras sobre vacinas. E gente que nem pode escolher. O coronavírus matouitos 150 crianças e adolescentos no nosso país em 2022, quando boa parte desse público já podia ser vacinada. O Brasil, que já foi referência mundial nesse aspecto, está entre os 10 países do mundo com mais crianças sem nenhuma dose das vacinas infantis básicas, ao lado de Congo, do Pakistan, da Índia. Isso, segunda organização mundial da saúde. Neste episódio, a gente vai expor em detalhes a rede de disinformação antivacina. A gente é desenvolvenda de passa-porte vacinal falso, teorias da conspiração sinistras, muita propaganda da extrema direita e até conteúdo neonazista. A equipe do Censas Surja também viajou para Recife, onde o médico, pela vida, registrou seu CNP J, conversou com especialistas e assistiu a horas e horas de materiais negacionistas para entender porquê esses médicos seguem apoiando um discurso tão perigoso. Meu nome é Tello Presti. E essa é a estreia da terceira temporada do Censas Surja, o podcast que está aqui para mostrar de novo que incrime contra ciência as vítimas somos todos nós. Antes de se aprofundar nessa história, a gente quer apresentar o Pedro Nakamura. O Pedro é um jovem jornalista do Rio Grande do Sul, que foi entrevistado pro episódio de estreia da segunda temporada sobre a Proxa Lutamida contra Covid. E que compartilhou com a gente em informações importantes para esse episódio aqui? Dá um "oi" aí, Pedro, conta para a gente como o MPV chamou a sua atenção. Oi, eu sou o Pedro Nakamura e eu super recomendo que você escute o episódio do Censas Surja sobre as cobayas da Proxa Lutamida, que trata dessa série de experimentos que violaram todas as normas possíveis e impossíveis de ética em pesquisa. Inclusive, foram os médicos responsáveis por esses testes que fizeram eu me interessar pelo médico pela vida. Na época, lá pelo segundo semestre de 2021, eu investigava essa dupla de médicos, o infectologista recados e, memã e o endocrinologista Flávio Cadejani. E reparei que nas redes sociais, eles interagiam muito seguiam, compartilhavam materiais desse MPV. E como o grupo entrou no meu radar, eu fui acompanhando quanto ele se projetou a partir da CPI da pandemia. Eu achava que na atuação deles tinha um tipo de lobe muito bem organizado e vendo que eles falavam das vacinas contra a covid e olhando como a desinformação fez mal a imunização, eu achei que para contar a história de como o movimento antivacina fincou os pés no Brasil durante a pandemia, seria essencial contar também a história do MPV, quem são onde vivem e do que se alimentam. Ou melhor, como são financiados. Foi por isso que a gente chamou Pedro para participar dessa puração com a gente. O Médicos pela vida ou o MPV é uma associação de médicos com cerca de 15 mil membros espalhados pelo Brasil, segundo dados deles próprios. Alguns deles você já até ouviu falar aqui. A Maria Milha Gadella Serra, o Flávio Cadejani, a Lucifer e a Teanise e a Maguixe, que se diz "membro benemédita", só que quase nenhum deles entende de vírus ou de vacina. Um levantamento de 2021 mostrou que dos 209 profissionais cada estrada na plataforma só dois eram infectologistas. Mesmo assim, eles começaram a ganhar notoriedade pela defesa do tratamento precoce contra a covid. E assim, hoje em dia, até existem certos medicamentos que podem ajudar em casos iniciais em certas situações. Mas você sabe do que a gente está falando. Quando você ouvi tratamento precoce aqui, entenda como um uso de cloroquia, inivermecitina e outros remédios que fracassaram nos testes contra a covid. Em 2021, o MPV chegou a comprar espaço publicitário nos principais jornais do país para publicar o manifesto defendendo o tratamento precoce. Logo ficou claro que a Vita Medic, uma fabricante de vermicitina, tinha bancado ação por uma bagatela de mais de 700 mil reais. Ela também desenvolveu a plataforma do médico pela vida na internet. Entre 2020 e 2021, essa mesma empresa aumentou seu faturamento com a venda de vermicitina em 1200%. E foi responsável por 80% das vendas de vermicitina do país, 80%. Por volta de setembro de 2020, quando estavam para chegar às vacinas, o MPV passou a atacar os imunizantes. Para eles, não são vacinas, são experimentos. Ou são a concorrência da vermicitina, só que é uma concorrência que funciona, né? Mas do que apenas alinhados aos cursos do ex-presidente de Ayr Bolsonaro, eles serviram como apoio científico, ou pseudo-científico, para as decisões sobre os protocolos de tratamento do antigo governo. E depois, tentaram sabotar a chegada dos imunizantes. Conta aí, Pedro. Você se lembram daquela história do gabinete paralelo, que ficou famosa na CPI, né? Então, em setembro de 2020, 2020 teve uma reunião do MPV com o Bolsonaro arranjada pelo Deputado Federal Osmar Terra, em que surgiu a proposta desse gabinete que aconselharia informalmente o Bolsonaro sobre as questões da pandemia. Ela surgiu de uma fala do microbiologista Paulo Zanuto, que surgiu a criação de um Shadow Cabrant para auxiliar o governo federal. Um Shadow Cabrant seria uma espécie de gabinete oculto, um tipo de comite secreto que tomaria decisões sem debates públicos ou que a população soubesse. Mas tem aí um plot twist diferente do que a gente pensava, o objetivo dessa proposta não era acessorar o governo na prescrição de tratamento precoce. O objetivo era criar um comite financiado pelo Ministério da Saúde para analisar e aprovar vacina contra a covid. E isso não sou euco, estou dizendo, está num ofício que o MPV entregou o Bolsonaro no dia daquela reunião. E no contexto desse pleito que os Anôtus está falando na criação desse Shadow Cabrant. O MPV foi recebido no Ministério da Saúde, ele aborou ofícios, participou de audiências públicas para discutir a vacinação infantil e esteve em várias câmeras municipais e as sembras estaduais do Brasil, quase sempre convidado por parlamentares bolsonaristas. Mas a história deles começou no Recife, capital de Pernambuco, bem antes de terem influência no governo federal ou de existir coronavírus. É lá que o CNPJ da associação médicos pela vida está registrado. Em fevereiro de 2023, o Felipe Barbosa, o nosso editor, produtor, faz tudo aqui do Censia Sulja e o Pedro na Camura viajaram pra lá pra tentar entender como uma associação de médicos local virou uma das protagonistas nacionais do movimento de vacina. Felipe aqui, gente, bom, nosso planer é tentar descobrir mais detalhes sobre o surgimento deles e até a sede do MPV pra falar com o fundador, um oftalmologista chamado António Jordan. Não confunda com o António Veneu Jordan, aquele militar da reserva que mencionamos no comecinho do episódio. A gente vai chegar nela ainda, mas é importante pontuar que tem dois personagens com quase o mesmo nome. O António Jordan, a gente vai chamar de Jordan e o militar da reserva vai ser só Veneu. O Jordan oftalmologista é um cara envolvido na política da categoria médica. Em 2007, ele foi líder de uma grave histórica dos médicos da rede pública em Pernambuco, só que como muita gente ficou sem atendimento por causa dessa paralização, a própria classe médica se dividiu sobre a estratégia do Jordan. E isso atrapalhou os planos eleitorais dele no Conselho Reginaldo Medicina e no sindicato dos médicos do Estado. Até 2019 foram algumas sintativas de eleição com a chapa de dignidade médica, o nome antigo do médicos pela vida. Mas desde aquela greve lá eles estavam meio nos trascidos e examinam o sucesso nos processos eleitorais. Então a pandemia serviu com uma oportunidade de ganhar relevância. Um pouco depois a gente percebe o início da movimentação desse outro grupo que havia no sentido contrário, havia no sentido de orientar a categoria médica para um determinado tratamento. O tratamento com a hidroxcloro aqui, com a vermetina, principalmente no início. Depois eles introduzem a asa, promissina, vitamina D, vitamina C, essas outras coisas que eles vão agregando em um quipe que eles chamavam de tratamento pré-posso. Essa voz é do médicos sanitarista Tiago Feitosa, doutora em saúde pública e professor pesquisador nos centros de cienças médicas da Universidade Federal de Pernambuco. A nossa primeira parada em Recife foi pra conversar com ele, porque o Tiago foi testemunha desses dois momentos da atuação da turma do António Jordan. Na pandemia o Tiago participou de outro grupo, a rei de solidária no defesa da vida, que reunia profissionais e pesquisadores penambucanos de diferentes áreas para ajudar a encontrar soluções de verdade pros problemas que surgiriam com a chegada da covid no Estado. Quando uma deta sai que entra o grupo de um estado da saúde que impulsionam nessas iniciativas com a florroquina e aí eles passam na teio também em algum eco governamental de seu próprio governamental. Isso só aconteceu muito a nível de um certo sub-mundo de relações e de serviços e de prescrições que muitas vezes não estavam à luz da observação da sociedade. Você não tem nenhum respaldo de nenhum entidade científica, houve uma abertura de uma investigação por parte do cremet, relação a esse grupo. Até hoje a gente não sabe o resultado, o que aconteceu com essa investigação. Uma outra fonte ouvida pela cloeia falou que ele chegaram a distribuir o que de covid de comunidades carens do Recife e aí quando a vacina chegou tinha gente que não queria se vacinar porque já estava entre aspas protegido. A gente procurou cremap para saber mais sobre essa denúncia, mas eles disseram que o processo corria em sigilo. O Ministério Público de Pernam-Boco recebeu duas denúncias sobre o assunto, mas não levou o caso adiante usando como justificativa o parecer 4 de 2020 do Conselho Federal de Medicina, que liberou uso de qualquer remédio contra a covid 19 com aquele papinho de autonomia médica. No dia seguinte da entrevista cutiago, a gente foi até o endereço que constava no CNPJ do Médicos pela vida. É uma casa espasso em boa viagem, um barrio de classe média alta bem conhecido do Recife. E ali fica a clínica de uma pediatra famosa na cidade, Avera Lopes. A Vera foi vereadora por dois mandados na capital e tentou se elegir como deputada federal na eleição passada. Curiosamente, quando ocupou uma cadeira na Câmara Municipal, uma das lutas da médica foi por mais vacinas na rede pública. Pelo internet, a gente descobriu que toda a quarta-feira fazem a tendimento gratuito para quem precisa. Então escolhem-me nesse dia para garantir que a clínica estaria aberta. Chegou aqui na frente do endereço que é o médico pela vida e. Chegando lá, a gente viu um muro branquinho em que estava escrito. Doutora Vera Lopes em letras azuis enormes. O espaço era dela. Do Médicos pela vida, nem sinal. Nenhum aplaca, ou referência indicando que ele era sede do grupo. É a sede do Médicos pela vida, não é um. não é um escritório, não é uma sede administrativa, aleinado de chefe, é uma clínica. Ao tocar a campainha, decepção. Não tinha ninguém. Aí a gente resolveu e até o posto de saúde um jordan trabalho no bairro do Pina. Chegando lá, deu para ver que era uma unidade bem simples. Pimentamos por ele na porta, uma funcionária foi lá dentro, anunciar que estava o músculo que ele estava falando com ele e um pouco para a nossa empresa, o jordan topo no CBCB. Nessa primeira conversa, a gente se apresentou e ele foi bastante inceptivo. E aí nós marcamos um novo papo para a sexta-feira dessa vez gravado. Ditar de a gente voltou na clínica da Vera Lopes e dessa vez o portanto estava aberto. Então a gente foi entrando. Lá dentro, tinha um monte de cadeiras na sala de espera, uma TV sintonizada numa novela bíblica da Recor e uma secretária simpática atrás de uma mesa falando com os pacientes. A Secretária disse que ele não tinha cede nenhuma da MPV. A gente estranhou, mas foi ficando. O Pedro, conta aí como foi essa interação com os pacientes e com a Secretária lá. Dava para notar que era um pessoal bem simples porque era a quarta-feira do atendimento gratuito. Então tinha gente de cidade, do interior de Pernambuco, pais de crianças pequenas, pacientes, renovando receitas e aí papo vem, papo vai, chegamos no assunto, vacinas. Nessa mesma hora, a Secretária chegou a celular e me mostrou um vídeo com imagens de pessoas desmaiando subtamente. Na legenda desse vídeo, tava escrito quem precisa de quarta dose em terrogação. Aí na mesma hora, eu perguntei para ela se ela tinha simulizado contra a covid e ela respondeu que sim com três doses. E aí o assunto da sala de espera virou quem tinha tomado vacina, quem não tinha, se sentiu algum efeito a diverso depois de tomar. E o mais ironico foi descobrir que ali na sala de espera do MPV, que desde 2020 fazia lobby contra a vacinação, tava todo mundo imunizado, vivo e sem sequelas. Algum tempo depois chegou a doutora Vera. Antes de começar a atender os pacientes, ela não chamou na sala dela para entender o que a gente estava fazendo ali. Como não foi uma entrevista formal, você não vai ouvir a voz dela. Ela também confirmou que a sede do MPV era ela mesmo, mas funcionava no andar de cima numa parte que a gente não teve acesso. E o motivo da sede de ser lá era porque ela tinha um espaço livre e aí cedeu para o colega, o Jordão no caso. Há uma hora doutora Vera decidiu ligar para o Jordão para avisar que estávamos lá. Minutos depois chegou o fundador do médico pela vida. O Jordão topou ante a espada com a gente, mas só depois os atendimentos. Aí foi um chá de cadeira. Já tava começando a escurecer lá fora quando o Jordão chamou a gente para a sala dele. O Jordão confirmou que a gente já sabia sobre a história do MPV e sustentou a ideia de que apenas uma pequena parte de um grande movimento de médicos. Uma são espontânea e motivada por um propósito maior. Sem ligações com políticos ou ideologias. essas fórmulas sepan de lado. E no caso do nosso movimento, isso é um movimento legítimo de médicos sem qualquer tempo para conceitos, sem vinculação ideológica, partitária, qualquer ou qualquer dos interesses miscinhos. Passando boa parte do dia ali no consultório de uma médica que se diz passo pro Jordão e que tinha um puxadinho sem me abandonado como sede da MPV, deu impressão de um movimento meio largado. E para mim, para o Pedro, isso entrava muito e conflito com o Congresso até grande que eles organizaram em julho de 2022, que tinha aquela cantoria toda que a gente trouxe no começo do episódio. Então vamos entrar nesse Congresso para você entender esses dois mundos diferentes. O que me parece, eu participei do segundo Congresso Mundial de Médicos pela vida em Fóthego Açú, foram cinco dias de Congresso intenso, manhã e tarde de palestras, veio gente absolutamente do mundo inteiro. Quem está falando aí é a Isáura Ferrari. A Isáura é uma socióloga da Universidade Federal de Santa Catarina que estuda a inserção de terapias alternativas no sul, e já estava atento aos médicos pela vida. Eles foram o tema do mestrado dela. A gente sabe que eles têm uma rede muito bem consolidada de médicos e outros profissionais no mundo que compõem esse grupo mais amplo, mas estendido de compartilhamento aí de algumas creências dentro da medicina. A Isáura analisou a spostagem de um grupo antivacina no Facebook com 15 mil membros lá para 2020, e logo termo médicos pela vida emergiu. Foi percebendo a importância que tinha a relevância discursiva que aparecia ali destes profissionais médicos que algumas vezes apareciam nomeados como médicos pela vida ali, mas aí isso foi mais no período que se aproximou a pandemia. A Isáura começou a perceber que havia toda uma rede de profissionais com práticas anti-scientíficas que se referenciavam através das mídias sociais e canais de YouTube, e aí ela publicou um artigo que mapeio perfil desse pessoal todo. Foi por causa disso que ela viu que até o encontro do MPV em Fos de Guaçú, como o planner continuou estudando eles porque não hiver de perto quem eram aquelas pessoas. Uma primeira para a estra, só be um médico lá e fala o seguinte, Corona nem é um vírus, porque vírus não sei o que é, a covid nem é causada por vírus, porque se você for ver, e aí ele faz todo mais potoção, várias slides, que parecem ciência e etc. Ok, aí é todo mundo bate pão. Deste cara, sabe um próximo cara. A apresentação é de 15 minutos, coisa rápida. Esse evento de Fos de Guaçú teve cobertura da TV Canção nova, que pertence a uma comunidade católica, e as palestras foram transmitidas pela red social getter, com direito a tradução simultânea para outras línguas. E tinha também um apoio de um centro cultural religioso local. O site deste centro cultural vem de inclusive o livro de um dos médicos mais destacados e ativos do MPV, o Eduardo Leite, que é uma antivacina fã do Bolsonaro, e que se candidatua a variador em Feira de Santana em 2020, mas não foi eleito. Então, a igreja estava lá, tinha pada, representante do centro cultural da igreja. A Isauro até chamou atenção para a variedade de profissionais de diferentes áreas no evento. Muitos advogados, vários vários jornalistas ali presente, então temos aí jurídico, jornalista, religioso e financeiro de diversas empresas ali, das quais as que eu observei eram mais relevantes estes de produtos de terapias e tal, né, que eu comentei com vocês. E tinham muitas outras empresas no banner no fundo do palco, algumas bem estranhas, como a plateatforma de telemeticina Dr. Heite, que chegou a participar da distribuição gratuita de receitas do arquitco-vid. Tinha também a empresa de saúde quântica, fisiocante, e a biofau, que é focada em um meu patia e promove a cura pelo bio campo. E vale dizer que, na sua pesquisa, a Isauro descobriu que entre médicos que estavam listados no site do MPV, tinham muitos ameopatas e acupunturistas. A proporção de ameopatas era 8 vezes maior do que o esperado para os médicos em geral no Brasil. E tinham outras não ligadas a saúde diretamente. A gente destaca a rede de lojas avã, teve até recado do dono Luciano Hange no telão do evento. No segundo, com o Congresso Mundial de médicos pela vida. Isso também estamos patrocinadores desse evento. Quero também para avenizar, quero também dizer para todos vocês, continuem fazendo o trabalho que vocês não fazem. Pelo liberdade do médico e principalmente por vocês lutarem pela saúde do povo brasileiro do povo do todo mundo. Muito obrigado, um abraço, tudo se andam. Obrigado. O Hange aparece sempre muito junto do MPV. E por quê? Bom, é aí que a gente volta na figura do Antônio Venêu Jordan, o Venêu, aquele capitão de fragata do começo do episódio. Passamos a bola por comandante Venêu? Comandante Venêu, o homem que pilota a avião em mar revolto com o navio andando. O Venêu foi essa ponte entre o empresariado e o MPV. Eu não sei se você lembra, mas principalmente enquanto as vacinas estavam em desenvolvimento, houve uma pressão de empresários brasileiros para liberar completamente as atividades que comerciais no país. Para esse pessoal caiu como uma lua, usa o argumento de que já existiriam remédios capazes de proteger da Covid e que então não tinha pra quê a população ficar em casa. Era um apoio financeiro que fazia sentido. O Venêu é um cara bem relacionado em Brasília. Em 2018, ele foi coordenador da campanha do Bolsonaro na região do triângulo minero. Em 2019, ele foi nomeado a assessora especial da Universidade Federal do Triângulo Minero, função que acumulava enquanto articulava a relação entre empresários e médicos pela vida. O Venêu também é sócio de uma locadora de carros em Brasília que viu seu faturamento crescer mais de 10 vezes na gestão Bolsonaro. Seus principais clientes eram deputados bolsonaristas. O papel de articulador político do Venêu está documentado e foi confirmado pelo próprio Jordan na nossa conversa no Recife. Então, o Venêu é muita habilidade que já tinha participado ainda dentro das suas amadas em missões internacionais na África, aqui, outro lugar de tal. Tanto é que quando ele saiu, ele foi pronto para a área privada, dando consultoria, fazendo gestão de crises. Ele começou a coordenar esse grupo de empresários, conversar com um expô, e o pessoal chamava toda semana, tinha vinham reuniões, vundem ele e faziam a apresentação do número da Covid do mundo. A gente também tenta entrar em contato com a Universidade Federal do Triângulo Minero e com o Venêu para entender o que ele fazia lá, mas não recebemos retorno. E aí a gente volta para o presente e para aquela dúvida. Como uma associação que na metade de 2022, organizou um Congresso Internacional, aparece com a sede praticamente desativada no ano seguinte. Tem dois motivos para isso para ser bem simplista. O primeiro é que graças às vacinas, a vida está retomando o ritmo normal. Então não tem mais por quê empresário grande bancar a publicação de manifesto ou patrocinar congresso para estimular o povo a sair de casa, já tá todo mundo na rua. Na conversa com o Felipe o Pedro Nakamura, o Jordão disse que hoje as atividades formais do MPV sobrevivem a partir das doações dos próprios médicos. Essas conseguem manter essa estrutura com algum tipo de fissão, vocês mesmo, esquibando como também. A educação é dos médicos. Aí todo mundo da mensagem é quando a 50 é reivindá-se no da 200, e o presente. Sobrou um triquinho das expressões do povo do Congresso, a gente já dá suporto. Mas teve um outro momento da conversa entre eles que deixa bem claro qual o segundo motivo de acede do MPV da caídinha. Então isso aí, vai tocar porque o resto é produção intelectual, MTV, reprodução intelectual. Não é material. Eu vou repetir. O médicos pela vida é produção intelectual. Ou seja, é muito conteúdo nas redes, trocas em aplicativos de mensagens, organização de movimentos online. A sede física pode estar largada porque a sede de verdade do MPV é um mundo virtual. Na verdade, ela pode ser empritecido o mundo virtual. E lá meu amigo, o alcance deles é gigantesco na casa de centenas de milhões de visualizações. É sobre essa atuação deles no mundo virtual que a gente vai falar depois do intervalo. Esse intervalo é para lembrar que o ciência surge agora tem um programa de financiamento coletivo. Está gostando do episódio do nosso trabalho? Então considera assinar na plataforma Orelho um dos nossos quatro planos que vão de 10 a R$ 50,00 e que trazem benefícios. exclusivos. Pra conhecer as opções, acesse o nosso site www.ciênciasuja.com.br ou o oorelo.cc/ciênciasuja. E fica aqui um agradecimento especial aos nossos apoiadores que assinaram o plano Paladinos da Ciência. André Birnath, Maria Lucia Barbosa, Maria Ana Ferreira, Patricia Maria, Gustavo Mataruna, Cibeli-Han de Barbosa, José Galutineto, eu linda o Crivelaro, Maurício Terra, Romulo Neves e Valéria Correia de Almeida. No nosso mural da oorelo exclusivo para apoiadores, vamos criar um tópico para discutir esse episódio. O Ciência Suja também faz parte da Rádio Guarda-Chuva, uma confraria de podquestes jornalísticos com excelentes trabalhos feitos por colegas nossos. E hoje, a gente queria falar de um dos mais novos parceiros da Rádio Guarda-Chuva, o seção Sinigarin. Semanamente, as sextas, assuzando a vidigal, fala de cinema, filmes e séries, com um jeito todo especial. Assuzando é crack no assunto, vale bem a pena escutar. Dito isso, de volta ao nosso episódio. O Jordão de fato não parece ter enriquecido com o MPV, nem se tornado mais relevante. Mas, como ele mesmo disse, ele é só uma pequena parte de um grupo enorme de médicos, que digamos que eles encontrariam um senso comum. E assim, é tanta, mas tanta a gente ganhando uma boquinha que foi até difícil fazer a seleção do que trazer aqui para vocês. Tem até gente fechada na polícia. A gente escolheu alguns nomes desse multiverso, meio aleatóriamente, só para dar uma ideia para vocês do tamanho do mercado. A Lucifer, por exemplo, que a outra sua na grafista tem milhões de visualizações no YouTube e se tornou uma referência para falar de vermectina contra a covid. No Telegram, ela vem de curso sobre esse remédio, com uns continhos de 50% pros membros do MPV. Outro médico, que é usado como fonte de informação pelo canal do MPV, é o Victor Sorrentino. Taio figura em um vídeo dele no Instagram, associando a vacina infertilidade. Esse vídeo foi visto mais de 610 mil vezes e tem milhares de comentários. O Sorrentino tem mais de um milhão de seguidores no Instagram e protagonizou um vechamento internacional. Ele foi detido em junho de 2021, no Egito, ao importar sexualmente uma vendedora e uma loja e que depois ele voltou para filmar em um pedido de desculpas. Esse cara tá abrindo curso pago de medicina integrativa para 2024, porque a turma de 2023 já esgotou. Ele também vem de assinaturas para um clube de vida saudável online por 39 reais ao mês e cobra 5 mil reais na consulta. Ah, e em 2022, o tempo de espera pro agendamento dessas consultas era de um ano. Segundo a CPI da pandemia, a Vita Médica pagou diretamente alguns médicos do MPV como consultores, entre eles o Flávio Cadejane, que já tinha um cargo em outra empresa, aqui organizou os testes irregulares com a Proxy lotamidã no Brasil. Ele também é fã de vermectina. Esses são só alguns poucos exemplos de como essa turma lucra com a desinformação que eles promovem. E fora o dinheiro tem a questão da relevância. O lance é que ao nadar contra a maré, esse pessoal, que em geral não tinha muito destaque, acham um novo filão para explorar. As mentiras sobre as vacinas que eram ditas no Congresso do MPV são chocantes, mas não são nenhuma novidade para quem acompanha esse assunto no Brasil. Na verdade, às vezes a gente se sente até no multiverso da loucura quando escutam esses caras repetindo as mesmas coisas. Uma pandemia de pessoas com um imuno de eficiência causada pela Póscoa Vídeo ou pela Pós-Vacina. É formada fundada pela indústria farmacêutica, onde ele se encontra também fundações como Biomelinda Gates. Eu chamo todos os indivíduos que forçaram fazer essa vacina sem ter conhecimento adequado de genocidas e não o nosso presidente. Repito, sociedade brasileira de factoologia, FDA, CDC, ANVISA são entidades ligadas à indústria farmacêutica. E só para mostrar o toque de ciência à sua história, eu vou trazer um exemplo claro de distorção da realidade que a história das mortes súbitas associadas às vacinas da COVID. Tem muito vídeo ligando qualquer desmai ou caso de morte por parada cardíaca à vacina. O pessoal do MPV fala isso, o pessoal com medo da vacina crida e repete isso virou uma verdade nesse multiverso. Inclusive tem um documentário entre aspas chamado "Dite Suddenly", em tradição livre algo como morreu repentinamente, que a Associa a vacina da COVID a supostos com águulos no sangue e a um aumento de mortes súbitas. Ele também escondido em algumas redes sociais, mas chegou até 15 milhões de views só em um link. Isso nesse mundo paralelo que muita gente nem sabe que existe. E tem vários pontos aí. Primeiro, não dá para saber o que de fato aconteceu com as pessoas nos vídeos ou se eles se quessam recentes. Segundo, nem tudo o que acontece depois da vacina acontece por causa da vacina. Na verdade, é muito raro que elas provoquem reações adversas graves, só que quando uma população gigante é vacinada ao mesmo tempo, esses milhões de pessoas seguem se machucando, desmaiando, adoecendo, fazendo besteiras, se espondar riscos. Enfim, eles continuam vivendo e continuam morrendo infelizmente. Um infectologista Alexandre Nheim da Universidade Federal de São Paulo explica como os antivacina usam esses acontecimentos como munição. Aí como é que funciona a fake news que eu já falei? Você pega esses estradas, que são verdadeiros e coloca no outro contexto. Um contexto de morte súbita. Morte súbita de jovem? Você que aconteceu? Que tinha alguma ritmeia? Não. Não. Delegam no esticado? E quem acaba? Evoluendo para o morte súbita é uma entidade que acontece em jovem. Mas quando você tem um contingente muito grande de pessoas vacinadas, alguns médicos inoscopulosos começam a atribuir isso a vacina. E não é que as vacinas não possam despertar reações adversas? Nós temos alguns adversos graves relacionados a vacina assim. Então existem algumas pessoas aplatar forma de vacina de adenovirus que podem ter manifestações voculares, fazerem trombimbolismo e se transformar em questões relacionadas a VCE ou a manifestações do meu card and card. Em relação às as cenas de RMS agiuro, existe a possibilidade do meu cardite. Uma informação musical cardíaco, principalmente pessoas mais jovens. Em mim, essa maioria das esleves sem repercussão nenhuma. E quando você tem meu card e tipo mais grave, ela é tratável. Ou seja, esse pessoal transforma essa inserção em regra para inverter o discurso. A vacina é mais espirigosa que o vírus. E aí, inverte com toda uma cara de ciência essa lógica. Eles trazem documentários, depoimentos de supostos especialistas, artigos publicados em periódicos e por aí vai. Mas tem outros elementos para além dessa maquiagem de dados que fazem uma mensagem negacionista colar. A sensação de perigo é um deles. Como explicar Adriana Ilha, professora da Universidade Federal do Espírito Santo que coordenava o laboratório de estudos sobre imagem e cybercultura da Universidade. E agora está no Ministério da Saúde. Então, se você folhar os prindes, por exemplo, principalmente dos grupos, e tal, sempre são impactantes. Sem comprovação nenhuma científica lídica, e realmente, todas as pessoas possam ter vida óbito. Em decorrência da vacina ou de uma reação adversa da vacina. Mas só o fato de elas terem virem a óbito por algum motivo, após tomar vacina, eles já colocam esses processos como se fosse decorrentes e ocasionados pela vacina. Então, eu vou falar que é uma política do terror. E esse perigo nem sempre vem com argumentos sobre saúde. Agora, a gente vai ouvir o cientista de dados João Guilherme que é pesquisador no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital. O risco é nefaramente contextual, como o que é religioso a mesma coisa, que a pessoa não é necessariamente estar com medo de que o chip da base entri nela, mas se vacinar para aquele grupo representa muitas vezes, perder uma rede de apoio que está enraizado na rede de álbum. De um jeito que não aconteceria em grupos mais elitizados que têm uma rede de apoio que segue em outros motivos. Então, o CRDG1 é a maior rede de apoio de alguns grupos, é óbvio que a rede de álbum vai ter um impacto ali. Uma diante se é falado parte de totalmente de chi, uma diante se é fulgina. É muito mais completo do que só, almoço abaseado na credibilidade da informação. E aqui entra outro fator crucial por uma mentira sobre vacinas pegar. A repetição, e atualmente, é muito mais fácil bombar de alguém com a mesma mensagem sem parar. Eles entendem muito bem sobre o algoritmo da rede para que as suas ideias sejam disseminadas, em grupos, em chates, em qualquer lugar. Então, eles entendem como que é o movimento que eles têm que fazer para ter uma hora alcance e impacto. A gente costuma falar de um jeito genérico sobre disinformação nas redes sociais. Mas a mensagem que chega nos ápidos da sua tia é só a parte visível de um subimundo complexo, cheio de plataformas de vídeo e aplicativas de mensagem, com pouca ou nenhuma moderação e atores com os interesses mais diversos possíveis. Agora você vai ouvir o Atos Cavalini, que trabalhou a quadre anailha e roda análise semanais sobre essa rede de disinformação online. Mas o movimento antivacina em si a gente identifica que eles estão em cima de quatro grandes pilares. A gente tem um grupo que são uns cientificamente incorretos, né? Aqueles que negam a sensidade de fato, negacionistas, eles acreditam que as vacinas têm efeitos colaterais gravíssimos, que não têm evidências científicas. A gente tem uns conspiracionistas, uns conspiracionistas acreditam em teorias conspiratórias envolvendo as vacinas, o discurso geralmente relacionado a nova ordem mundial, uma teoria de que um grupo de pessoas muito poderosas domina o mundo e estão trabalhando pelo controle populacional e aí as vacinas são parte disto. A gente tem a galera antistable, antitradicionais, que só se opõe as vacinas por múltiplos curamente dialogicos ou religiosos. E tem um quarto pilário, que é o de pessoas genuinamente preocupadas com o problema. Dentro do conceito de disinformação, a gente tem essa sobra de disinformação, ela vai afetando algumas pessoas que mesmo que não estejam tão integradas no movimento, elas acabam ouvindo aquilo com muita frequência e aquilo se torna uma preocupação. Então a gente não tem a espelada aquelas pessoas que não necessariamente estão imersas nessa teoria da conspiração ou imersas num negacionismo gravíssimo. O grupo do Atos, o Labik, monitora em Instagram, Facebook, Twitter e o YouTube e o Telegram. Ele percebe uma variação constante entre quem é o ator mais influente em determinado período e em quais redes. Mas adivinha só quem sempre se destaca, pois é, o médicos pela vida. O João Guilherme, que também se debruçou sobre esse ambiente em salubri, fala que ter uma estrutura capilarizada como a do MPV, é chave para disinformação prosperar. Você tem grupos com essa estrutura capilarizada como méticos pela vida, você tem rapaz, não produzem conteúdo, você tem grupos em cada estado, repercutindo aquele conteúdo, você tem grupos de mobilização de rua que vão, então, maçam os políticos com base naquele conteúdo, essa estrutura é muito propensa a viralização de formação modalestrada. E é aquilo, se você recebe uma mensagem WhatsApp que confirma o que você ouviu de um médico no YouTube e que, por sua vez, diz o mesmo que uma live no Instagram, que usa como referência uma manchete de estorcidinho jornal grande, como que pode se mentira? Depois de toda a polêmica sobre a influência das redes sociais nas eleições, os atores maiores, o Instagram, YouTube, Facebook, o próprio WhatsApp, passaram a vigiar melhor a desinformação, mas os antivacinas sempre dão jeito de burlar fiscalização. A da E-Ana marchado, uma pesquisador da Unicamp, publicou um estudo mostrando que os canais do YouTube mudam letras ou usam números e emojis para escapar da moderação e continuam monetizando os vídeos. E tem ainda as novas plataformas de vídeo, muito menos reguladas. Entre essas, tenho tal do BITCHOOT, onde o Felipe aqui do Ciência surge encontrou a íntegra do Congresso do MPV, tem o Getter, que é uma plataforma criada nos Estados Unidos, que exalta a liberdade e despreção, ou melhor a liberdade de postar fake news mesmo, né? A gente volta nessas plataformas de vídeos já já, mas antes é importante falar um pouco do telegram, que é o aplicativo de mensagens alternativa ao WhatsApp e com muitas funcionalidades que facilitam a disseminação de desinformação. Ele está em dois de cada três celulares no Brasil, segundo uma pesquisa do site MobileTime. Sob o pretesto de proteger a privacidade, é fácil criar contas falsas no telegram, inclusive com números internacionais descartáveis. E lá você tem uma rede bem estruturada em tivacina. Em menos de um mês, a CLOEP-NERO, a produtora que do Ciência surge responsável por essa parceria nossa como Pulitzer Center, levantou mais de 50 canais e grupos com essa pegada. O Labik, onde o Atos trabalha, viu muito mais do que isso. O software deles encontrou 248 canais relevantes que veiculam conteúdo em tivacina, e eles já interagiram com outros mais de 6000 canais menores. Tem aquela abravac, né? A associação brasileira dos vítimas de vacina, alguma coisa nesse sentido. Pois é, o Atos está falando da associação brasileira de vítimas de vacina, a Abravac, que foi o tema do nosso episódio, a antivacina contratácam da segunda temporada. Se você não viu, vai lá depois. Mas a Abravac adivinha. Sim, eles também estão sempre ali no entorno do Métrix pela vida. Eles mudam de nome, abrem outro canal, usam códigos, a própria Abravac mudou o nome do seu grupo pra este aguardião e passou a oferecer riquea distância e afocar mensagens religiosas e conspiratórias. O canal antitulado Métrix pela vida trocou alguns meses seu nome pra SOS forças armadas, depois virou gel política e atualidades, e aí, quando a tentativa de golpe deu errado, ele acabou bloqueado pelo TSE. E uma coisa importante acedita aqui. Por conta das configurações do Telegram, não dá pra verificar quem é o dono verdadeiro dos grupos e canais. No caso do Métrix pela vida, agente os grupos de estudos como Labic consideram o canal gel política e atualidades como parte do ecossistema virtual ligado ao MPV, porque a roba, ou seja, ao endereço, é Métrix pela vida. E boa parte do conteúdo contrário às vacinas que circulou lá era produzido pelo MPV. Além desse, existe mais um canal, com a roba MPVC 19 oficial e o super grupo MPV, com a roba Métrix pela liberdade, que faz referência ao canal maior Métrix pela vida na descrição do grupo. Pra comprovar que eles são propriedades do MPV, seria necessário uma investigação policial ou uma ação na justiça. Mas mesmo se não forem, esses canais e grupos levam o nome deles, repercutem o material do site deles e atraem muita audiência no Telegram, o que sem dúvida acaba beneficiando o esponjo a marca. A clô, com ajuda do Henrique Higgher, do núcle jornalismo, está fazendo uma análise dos números de engajamento dessa turma, um apiamente completo, vai sair no próprio site do núcleo, também como parte do projeto apoiado pelo Pulitzer. Mas ela adiantou alguns números pra gente. Fala aí, clô. Nos dois canais, associadas do MPV, foram 5 mil mensagens enviadas em 2 anos e vale dizer que no canal do Telegram, só o criador envia mensagem. Essas mensagens forem caminhadas 1,6 milhão de vezes, um número que pode estar subestimado por conta de uns bugs que a gente viu no hora de raspar esses dados e essas mensagens foram visualizadas 166 milhões de vezes. Olha, eu já acompanhei diariamente a audiência de site jornalístico relativamente grande e esses números aí são impressionantes. Esse volume de conteúdo gruda mensagens na cabeça das pessoas. E imagina o tanto de dinheiro que não dá pra tirar dessa audiência. Dessa centenas de milhões de visualizações, quantas dessas não são de profissionais de saúde dispostos apagar um curso com conteúdo anti-científico? Ou de famílias com medo, atrás de um tratamento caro pra se desintoxicar entre aspas da vacina? A politização da pauta das vacinas fez com que o assunto bombasse em 2021 e 2022. Hoje o interesse dos políticos no discurso diminui um pouco, como o próprio Jordan falou pro Felipe e pro Pedro. Mas em 2023 esses grupos seguem superativos e sendo substituídos por outros. E tem três pontos aí que deveriam deixar a sociedade mais preocupada. Primeiro, os picareitas agora têm uma rede muito maior pra oferecer alternativas piceu do científicas as vacinas. Segundo, os políticos podem até ter vergonha de dizer que são antivacina, mas muitos entendem o potencial de uma audiência tão grande e engajada por seus projetos de poder. Terceiro, discursos e ações bem radicais estão brotando desse ecossistema. Além das notícias falsas e das teorias de conspiração, no telegram tem crimes mesmo, como a venda de falsos passaportes vacinais. Olha aqui o Nipe dessa mensagem, que é só mais uma de várias que circulam nesses grupos. Fique livre desse veneno, adquira agora mesmo seu passaporte vacinal. A gente vai deixar o príncio dessa mensagem nas nossas redes e no site. Basicamente ela promete inserir o comprovante de vacinação direto no sistema do SUS, inclusive das doses bivalentes, sem que a pessoa precise tomar as doses e tem um negócio interessante. Agora essas mensagens começaram a incluir a venda de comprovantes de vacinas do calendário infantil. Febre a amarela, HPV, patites e todas as outras. É chocante e sim, e mostra que é desconfiante em relação às doses da covid, pode estar se espalhando para outras vacinas. Por enquanto a exitação vacinal não é a principal causa das quedas nas coberturas, mas mesmo ela tem ascensão sugerindo os estudos. É muito fácil achar no perfil desses desinformadores e nos grupos do telegram mensagens atacando as outras vacinas. O próprio Eduardo Leite, aquele que é um dos médicos mais engajados do NPPV, fez um poste em março de 2023, sugerindo que as taxas de altismo estão aumentando por causa das vacinas. Fora isso, no telegram ainda rola solta a venda de armas, discursos racistas e até a pologia a unasismo. Em marzo de 2022, o INS intercepte fez uma matéria com o título "Grupos antivacina no telegram viram celeiro de Nel nazistas", ela foi escrita pelo Victor Hugo Silva. Aliás, um salve pro Victor que faz um baita trabalho investigativo. Olha só o que ele escreveu sobre um desses canais. Um deles, segundo Caldeira, tinha indício claro de Nel nazismo. Foi um conteúdo produzido no canal derrubando as pedras da Georgia, com 24 mil inscritos. Que relatava que o vírus era a coroa da besta e que os não vacinados seriam aniquilados e concentrados. No monitoramento que a cloeta é efeito junto com o núcleo, o pico de audiência do canal Médicos pela Vida foi no 8 de janeiro, o dia dos atos terroristas cometidos em Brasília. No dia 21 de Marche, 2023, um rumor de que o Donald Trump seria preso nos Estados Unidos espalhado pelo próprio Trump levou para as ruas de Nova Iorque a poedores do ex-presidente. Nas fotos, tinha um broche dizendo "Vacina isso" e um dedo do meio apontado. São dois exemplos de como falar de a desão a vacina é invariávelmente falar de política. A cloa conversou com o Peter Hottes, um médico americano que é referência em movimento antivacina. Ele aliás ajuda a fabricar a vacina sem dinheiro da Big Farma. Fala aí, cloa. Então, o Peter começou a se preocupar com o assunto quando a filha dele foi diagnosticada com a autismo lá nos anos 90. Nessa época, se espalhava muito uma mentira de que a vacina do sarampo causava autismo. E vale dizer que essa mentira foi criada por um ex-médico inglês que só queria ganhar dinheiro com a própria vacina e com processos judiciais de familiares contra os fabricantes das vacinas. Bom, está no nosso episódio uma ameaça antivacina da primeira temporada. E, enfim, aí o Peter escreveu um livro chamado "As vacinas não provocaram a autismo da minha filha" e acompanhou os antivacis de age então. Olha só o que ele me falou. A cerca de 10 anos, eles começaram a se transformar num movimento político ligado à extrema direita. E isso começou aqui no Texas, com o movimento tipart, no Partido Republicano, ao redor de conceitos como liberdade na saúde ou liberdade médica. A partir de momento que a extrema direita se apropriou dessa pauta, a exitação vacina ao crescer muito nos Estados Unidos. O Peter me mostrou uns gráficos que deixam muito claro essa diferença nas coberturas a partir de 2013, em especial no estado dele, o Texas, que é super conservador. "Ah, eu disse que descobri que metade das 92 mil mortes pro covid no Texas aconteceram depois que a vacina já estava disponível. Mas, como as pessoas se recusaram a tomar, elas morreram. E nos Estados Unidos esse número está em 200 mil." O Peter se preocupa tanto com esse assunto que até escrevei num novo livro sobre esse movimento anti-ciência como ele chama. Ele considera isso mais perigoso do que outras coisas mais mediáticas como os tiroteios em escola que acontecem muito lá nos Estados Unidos. "Então, o objetivo desse livro é falar dos ataques antivacinas ou ataques anticiência vindo da extrema direita, que se tornar uma grande força assassina na nossa sociedade. 200 mil americanos morreram por conta de ativismo antivacinas promovido por membros de extrema direita do Congresso." "Anti-vaccine activism promoted by far right members of congress." Quaseção do Trump do Bolsonaro ao poder, a unha presença das redes sociais, a polarização e a pandemia, essas ideias se espalharam como fogo no palheiro. E o MPV foi um dos que mais risco a fósforos negacionistas em solo brasileiro. Agora você vai ouvir o atos falando do MPV. "Já era bem percepitível que eles eram essa cola entre os dois movimentos, né. Eles contribuíram muito no momento de trazer informações internacionais pro Brasil, e especialmente no caso deles eles tiveram um peso muito grande com relação a audiência, porque eles se colocam como médicos, de fato, né, um grupo de médicos. Então é algo do tipo, se os médicos estão falando isso, quem sou eu para ir contra." Mais do que um bastião da defesa dos medicamentos ineficazes e do ataque às vacinas, o nome do grupo foi usado como um braço político da extrema direita nas redes sociais. Tanto que como a gente mencionou, o canal que usa o nome do médico pela vida chegou a mudar de nome para coisas como SOS, Forças Armadas, e gel política e atualidades. A extrema direita se apropriou da discussão sobre vacinação da população, porque ela envolve o debate das liberdades individuais, um tópico que esse pessoal valoriza muito, muito mais do que os deveres da vida em sociedade. Tem também o lance de ser um gasto público para toda a população, incluindo os mais pobres, e esse pessoal acredita que o Estado deveria ser o mais insuto possível. E por fim tem a questão de usar o caos ao seu favor. Porque o grande objetivo deles é o quê? É usar rupturas. E quem causa rupturas não pode ter necessariamente algo para colocar na lugar. E essa é uma das grandes características do fascismo se vocês forem pensar. Essa aí foi a isaura social loga de novo, e tem todo um jogo de trocas de grupos, ou mudanças de nomes de grupo, para fugir de punições e aproximar o negacionismo das ideias políticas extremistas. Pelo menos pela vida tava num cluster, a antivacina, e aí de repente ele dá um salto pro cluster político da rede, pula pro outro lado. E o grupo de discussão associado continua no cluster antivaciano. E aí depois de um tempo é claro que esse grupo de discussão atendência que ele se aproxime mais. Ou seja, eles vão puxar a base de dados deles, as pessoas que participavam para a outra discussão. E aí é uma via de mão dupla. O cara mais ligado às ideologias alabolsonários se aproxima do discurso antivacina. E o antiváxer vai pakeirando cada vez mais com políticas extremistas. Isso não no grupo do MPVNC, mas nesse éco sistema complexo de interações. Na prática funciona assim. Um desavisado entre um contato no grupo do MPV, ou em outros, com a teoria da nova ordem mundial. Que é uma conspiração das mais famosas sedutoras que diz com um pequeno grupo de pessoas comando mundo e vai implantar um regime totalitário. Mas antes disso esses super vilões vão matar milhões de pessoas com vacinas. E a gente tem princes de mensagens como essas em grupos de médico. Mas enfim, daí o desavisado vai ver de onde veio essa mensagem meio conspiratória e acaba caindo em um grupo grande, mais voltado, justamente para teorias da conspiração. E daí esse grupo pão encaminha mensagens de outro grupo, ainda mais escondido e talvez mais extremista. E a mensagem vai piorando a cada degrau que você desce. A vacina faz mal. A vacina foi feita por alguém que quer fazer mal. Esse alguém que quer fazer mal, é judeu. E então talvez Hitler não tava tão errado assim. Entendeu? A lógica. Então as teures da conspiração, elas têm dominado a discussão. E aí infelizmente elas levam o público que tava só a palavra só meio pesada para isso, mas só no movimento antifascina. E acabam puxando esse público para outras teorias que são muito mais graves. Como essa teoria da nova ordem mundial que é uma teoria que traz essa ideia de que seis ou oito famílias de judeus mandam no mundo. E aí eles trazem todo esse discurso antiseminita, essa associação com nazismo e com néonazismo. O Felipe da nossa equipe também encontrou imagens de suásticas nesse circuito mais fechados. E o Atos destacou as conexões de um canal específico, que usa os efeitos colaterais das vacinas no nome. Mas poste estudos nazistas que nada tem a ver com saúde. Esse canal foi citado em pelo menos outros 24 grupos em 2022. Ou seja, os participantes estão a um clique dele e há dois ou três de vários outros. No último relatório do Labique, lá onde o Atos trabalha, feito em março desse ano, tá escrito o seguinte. É necessário acompanhar o potencial surgimento de microcomunidades, contendência ao aumento do extremismo. Desde que a gente começou a investigar um movimento antifascina no Brasil, tinha uma suspeita aqui no grupo da ligação com os cursos néonazistas. Como esse é um tema delicado, a gente resolveu não publicar nada até que tivéssemos evidências suficientes. Mas nesse episódio aqui não deu. Além do que a gente já mencionou, quase todas as fontes que ouvimos falaram do fascismo. Olha a Adriana Ilha como exemplo. Então você tá vendo essa perspectiva nazista muito forte, né, fascista muito forte, nesses movimentos, né? As sociais em movimentos também ativacila que fazem parte disso. E o Atos também. Então assim, a gente tá realmente, o movimento antifascina tá realmente muito próximo do néonazismo, do nazismo e de movimentos extremistas no geral. Os próprios estudos das redes e os lugares onde os desenformadores estão se escondendo, reforçam esse argumento. E agora a gente volta rapidinho para aquelas plataformas de vídeo mais suspeitas. O Getter é um conhecido reduto dos trampistas nos Estados Unidos e mais leniente com a desinformação. Embora ainda haja alguma regulação por ali. E vale reforçar que o Getter ajudou méricos pela vida a divulgar os conteúdos do Congresso e prometeu traduzir os conteúdos para inglês e espanhol. Já o tal do BitChute, onde tava a íntegra do Congresso do MPV, é chamado pela Liga Antitifamação, que é uma instituição que luta contra os discursos de ódio a 100 anos de um abre aspas "versário do ódio". Eles têm uma reportagem extensa sobre a presença ampla de discursos nazistas e supremacistas no BitChute. E escrevem. Dos 25 canais antisemitas e supremacistas brancos no YouTube identificados pela Liga Antitifamação, 14 tinham contas no BitChute. Enquanto 11 dos canais originais no YouTube foram banidos ou suspensos, suas contas correspondentes no BitChute foram vistas por mais de 10 milhões de vezes. Resolveu o problema da desinformação não só sobre vacinas, mas em em geral é um assunto que renderia muitos episódios. E a gente vai acabar falando disso mais vezes ao longo da temporada. Tem que regula melhor as plataformas, tem que estudar os contextos socioeconômicos, tem que investigar os possíveis crimes cometidos pelos informadores, tem que educar a classe médica, mas tem um aprendizado que é especial para a comunidade científica. É muito fácil a gente ficar apontando precisadores, sem pensar por que até hoje, para uma parte tão grande da população a ciência algo tão opar, é quase um dólar. A ciência vem, você obedece até a menor ideia de como aquilo foi feito. E aí uma pessoa pode falar, olha, eu sou aqui o porta-vole da ciência, passa isso, que é a João Lai e de alguma outra credida. A exitação vacinal é considerada pela OMS uma das maiores ameaças à saúde pública mundial. E a resposta para ela envolve a comunidade científica sim de a já politicamente. A ciência sozinha não vai dar conta. Na entrevista que deu para a clô, o Peter Rotez falou qual é uma das coisas mais difíceis para ele fazer como médico. Então, essa é uma das coisas com as quais eu estou me debatendo como cientista. Nós dizemos que você não deve ser político, certo? Mas, Josef Frodo-Blatte, o ganhador do nobal da paz, era um físico, cientista, mas se posicionou contra o uso de armas nucleares. Ele diz que o conceito de que ciência deve ser neutra ainda permanece. Mas isso é um risquício da mentalidade da torre de marfim. Mesmo que a torre de marfim tenha sido demolida para a bomba de Hiroshima. "Ese exemplo das armas nucleares foi abordado no nosso episódio a ciência da guerra da segunda temporada. Na segunda guerra mundial, os cientistas começaram a perceber que seria necessário se posicionar politicamente contra o conflito para salvar vidas. Em vários dos episódios do ciência suja, esse alerta volta a suar. Para ficar na analogia bélica, nós estamos vivendo uma batalha para manter de pé a política da vacinação, uma das estratégias que mais salvou vidas na história da humanidade. E vamos precisar de mais gente na linha de frente." Depois que a gente gravou o episódio, aconteceram duas coisas dignas de nota. E a gente vai mencionar elas aqui, porque elas ajudam a confirmar algumas hipóteses que foram levantadas durante o episódio. A primeira é que a clove, o que algum jornalista de saúde norte-americanos começaram a receber mais ataques no Twitter a partir da última semana de março. Depois que o Elon Musk assumiu, a rede virou meu que um entro de desinformação e vários perfis que estavam bloqueados voltaram à ativa. Aí passaram uns dias e os ataques chegaram até a própria cloeia. E os ataques iniciais contra ela foram feitas pelo perfil "azlan TT", que também é o nome de um canal no Telegram. Esse perfil, além de cente váxer, esbara no discurso "Nel nazista" que a gente acumentou aqui. E isso reforça a conexão da extrema direita com o negacionismo científico. A segunda coisa é que o médico, pela vida, descobriu que a gente ia fazer um episódio que tocava neles mais ou menos um mês antes da publicação. E aí começaram ataques dos membros e dos fãs do MPV as nossas redes. Eles também soltaram uma nota meio mais norte-report, aquele filme com Tom Cruise sobre a polícia que prende pessoas antes que elas cometem uns crimes. A nota rebate os pontos que eles achavam que a gente abordaria antes mesmo de saber quais eram. Em resumo, eles começam com uma mentira, a de que uma fonte de dentro do ciência surge teria revelado que faríamos um episódio. A gente tem quase 100% de certeza que ninguém da nossa estência equipe de cinco pessoas vazou essa informação. É mais provável que eles saibam porque fomos até a sede e falamos com o idealizador do movimento mesmo. Depois a nota diz que a gente escondeu propositadamente estudos que mostrariam danos das vacinas. Mas parte dos artigos que eles citam vem naquele formato de prepinte. Quem ainda não foi revisado por outros pesquisadores e nem publicado em periódicos científicos. Já outros artigos eram, na verdade, artigos de opinião ou estudos publicados em revista científicas de baixo impacto. Ou seja, que tendem a avaliar os trabalhos de um jeito bem menos criterioso. Ali passa a qualquer negócio. E mais importante do que isso. O método científico presa pelo conjunto de evidência sólidas. É um montão de pesquisas sérias que formam o tal consenso científico. Não um ou dois artigos, meu mequetrefs, que estão disponíveis em algum canto. E as evidências disponíveis até agora apontam para um consenso de que as vacinas contra a covid são eficazes e seguras. Elas têm mesmo um risco de reações adversas, mas esse risco é baixo e muito, muito menor do que o benefício que trazem. Hoje a discussão é quem priorizar para as doses de reforço. E mesmo se certos grupos poderiam tomar menos reforços pensando em custo econômico. Também estão falando de qual tipo de vacina tomar. Mas ninguém é sério, está falando que é melhor deixar as pessoas não vacinadas ou que reforços fazem mal. Isso é mentira. Esse editorial do MPV e os ataques as nossas redes são mais uma prova de como a desinformação que eles propagam é organizada. E não mensagens espontâneas de gente bem intencionada. O ciência surge apresentado por mim, taísmanarini. E por mim, ta o Rupreste. Esse episódio teve apuração da clóipinhairo, do Felipe Barbosa, do Pedro Belo e do Pedro Nakamura. O roteiro foi escrito pela clóé e pelo Felipe, com revisão e observações minhas, do tel e dos pedros, o belo e o Nakamura. A edição de som e as trilhas nesse episódio são do Felipe Barbosa. As vozes complementares e o conteúdo extra são do Pedro Belo. As artes de capa do episódio são obra da dupla Mala Tanfer e Guilherme Henrique, que tão conosco em mais uma temporada. Sempre uma honra ta com vocês. Para esse episódio, nós usamos áudios de palestras e apresentações do segundo encontro Mundial, World Council for Health, Médicos pela Vida, que foram publicados na internet em diferentes meios, da TV Canção Nova, do Instagram do Victor Sorrentino e do Jornal Metrópolis. Essa terceira temporada tem mais uma vez o apoio do Instituto CERRA-Pileira. O CEMS-A SUJA é uma produção da NAVY reportagens, para mais informações sobre o podcast, para virar um apoiador e para ter acesso aos materiais complementares desse episódio, acesse o nosso site, o www.ciênciaassuja.com.br Ou as nossas redes sociais. A gente está no Twitter, no Instagram, no Facebook e agora, o TenoTik Tok. A gente se vê daqui duas semanas, com um episódio inédito. Até lá!

Podcast Summary

Key Points:

  1. O episódio da terceira temporada do podcast "Ciência Suja" expõe a rede de desinformação antivacina no Brasil, focando no grupo "Médicos pela Vida" (MPV).
  2. O MPV, fundado pelo oftalmologista Antônio Jordan em Recife, cresceu durante a pandemia defendendo o "tratamento precoce" com medicamentos ineficazes, como ivermectina e cloroquina.
  3. O grupo foi financiado pela fabricante de ivermectina Vita Medic, que lucrou 1200% com vendas, e atacou as vacinas contra a COVID-19, chamando-as de "experimentos".
  4. O MPV teve influência política, assessorando informalmente o governo Bolsonaro e tentando sabotar a vacinação, incluindo a criação de um "gabinete paralelo".
  5. A reportagem revela contradições
  6. O grupo participou de congressos internacionais, como o World Council for Health, divulgando teorias conspiratórias e negacionismo científico.

Summary:

O podcast "Ciência Suja" investiga o movimento antivacina no Brasil, destacando o grupo "Médicos pela Vida" (MPV). Fundado em Recife pelo oftalmologista Antônio Jordan, o MPV ganhou notoriedade na pandemia ao defender o "tratamento precoce" com medicamentos como ivermectina e cloroquina, apesar da falta de eficácia comprovada. Financiado pela fabricante Vita Medic, que teve aumento de 1200% nas vendas de ivermectina, o grupo atacou as vacinas contra a COVID-19, chamando-as de "experimentos" e promovendo desinformação.

O MPV teve influência política, assessorando o governo Bolsonaro e tentando criar um "gabinete paralelo" para sabotar a vacinação. A reportagem expõe contradições: enquanto o grupo espalhava discursos falsos sobre vacinas, seus próprios membros e pacientes estavam imunizados. A sede do MPV era improvisada na clínica de uma pediatra, contrastando com os grandes congressos internacionais que organizavam, como o World Council for Health, onde teorias conspiratórias e negacionismo eram difundidos.

O episódio mostra como essa rede de desinformação contribuiu para a queda na vacinação infantil no Brasil, colocando o país entre os 10 com mais crianças sem vacinas básicas, ao lado de nações como Congo e Paquistão. A equipe do podcast viajou a Recife para entender as origens do grupo, que usou a pandemia como oportunidade para ganhar relevância política e financeira, perpetuando um movimento perigoso que coloca vidas em risco.

FAQs

O MPV é uma associação de médicos com cerca de 15 mil membros no Brasil, que ganhou notoriedade na pandemia por defender o tratamento precoce contra a COVID-19 e atacar as vacinas, divulgando informações falsas.

O MPV serviu como apoio pseudo-científico para as decisões do governo sobre protocolos de tratamento, tentando sabotar a chegada das vacinas e propondo um 'gabinete paralelo' para analisar imunizantes.

Antônio Jordan é um oftalmologista e fundador do MPV. Ele liderou uma greve histórica de médicos em Pernambuco em 2007 e usou a pandemia para ganhar relevância política.

A Vita Medic, fabricante de ivermectina, bancou o manifesto do MPV com mais de 700 mil reais e desenvolveu sua plataforma. A empresa aumentou seu faturamento em 1200% com a venda do medicamento.

A sede do MPV fica na clínica da pediatra Vera Lopes, em Recife, em um espaço simples e sem identificação oficial, o que contrasta com os grandes eventos que organizam.

O MPV defendia o 'tratamento precoce' com cloroquina, ivermectina e outros remédios sem eficácia comprovada, além de atacar as vacinas como 'experimentos'.

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