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A Corte de Luanda, parte III: A Cara do Pai

60m 7s

A Corte de Luanda, parte III: A Cara do Pai

Este episódio do podcast "Sob Escuta" traça a trajetória de Isabel dos Santos, desde sua infância no bairro de Alvalade, em Luanda, até se tornar a mulher mais rica de África. Filha de José Eduardo dos Santos, ela cresceu em um contexto de guerra civil e escassez, mas estudou em Londres, onde se formou em engenharia. Seu primeiro negócio, ainda jovem, foi a venda de ovos, seguido por um bar de praia e uma empresa de distribuição de bebidas. O grande salto veio com a Unitel, uma operadora de telecomunicações que ela ajudou a fundar, com apoio de parceiros como a Portugal Telecom. A relação com o pai foi central, mas também a tornou vulnerável às mudanças políticas. Com a saída de José Eduardo dos Santos e a chegada de João Lourenço ao poder, Isabel passou a ser alvo de investigações, incluindo o caso Luanda Leaks, que revelou documentos sobre transferências milionárias. Ela teve bens arrestados e perdeu o controle de empresas, enquanto enfrenta acusações de corrupção. O episódio também explora sua vida pessoal, como o casamento com Sindica Dokolo, e termina com a morte dele em 2020, em meio a um cenário de incerteza sobre seu futuro, com possíveis negociações ou um exílio prolongado. A narrativa destaca a complexidade de seu legado, marcado por sucesso empresarial e controvérsias políticas.

Transcription

8466 Words, 47511 Characters

Portuguese
Vamos ver o que é que isso dá, acho que deve ser bom. Esta é a Isabel dos Santos. Está no mercado de La Boqueria, em Barcelona, na véspera de Natal de 2019. É o que mostra na conta pública que mantém no Instagram. Então aqui no Natal vou provar umas ostras na praça. Isabel dos Santos está à procura de mangas, papaias, ostras, frutos secos, tudo para a ceia de Natal. O pai, o ex-presidente da República de Angola, está em Barcelona há largos meses. É em Barcelona que José Eduardo dos Santos está a receber tratamentos para um problema de saúde. Isabel dos Santos sorri para a câmara do telemóvel e vai mostrando as bancadas com os produtos frescos. Nesse mesmo dia, a 24 de dezembro, publica uma outra mensagem, também no Instagram. Estou aqui para desejar-te. Para ti hoje, um Feliz Natal, que este ano traga para ti e para a tua família, paz, amor, carinho, muita felicidade e muita, muita, muita saúde. Um Feliz Natal, boas festas e um Feliz Ano Novo. Quatro dias antes desta publicação no Instagram, a 20 de dezembro de 2019, o Observador divulgava a entrevista à Isabel dos Santos. Uma conversa com mais de duas horas que publicámos na entrevista. A convidada de uma edição especial do Sob Escuta, esta semana, é uma das maiores empresárias africanas. É também considerada a mulher mais rica de África e é filha do antigo presidente angolano. E, além disso, é acionista em algumas das maiores empresas portuguesas. Engenheira Isabel dos Santos, bem-vinda ao Sob Escuta. Obrigada. A filha do ex-presidente de Angola queixa-se de perseguição. Hoje em Angola, para mim, não é um sítio seguro. Mas eu queria ser um alvo específico, por ser quem é. Não há dúvida que há uma tendência de tentar fazer parecer na sociedade que todos os males que haviam antes eram um grupo pequenino de pessoas, que era o presidente e a sua família e que mais nada. E, a partir daqui, a vida de Isabel dos Santos e da família mudou. A 19 de janeiro de 2020, o Consórcio Internacional de Jornalistas revelava uma entrevista à Isabel dos Santos. É o caso Luanda Lix, no Expresso e na SIC. Jornal da Noite, com Clara de Souza. Sejam bem-vindos ao Jornal da Noite. E começamos hoje com a maior investigação jornalística aos negócios de Isabel dos Santos. Uma fuga de informação com mais de 715 mil documentos, analisados por 120 jornalistas dos maiores órgãos de comunicação social de todo o mundo, começam hoje a ser divulgados. O Expresso e a SIC associaram-se a este Consórcio Internacional. E esta noite vamos revelar como. Uma filha do antigo Presidente de Angola fez chegar pelo menos 115 milhões de dólares dos cofres da Sona Angolpe a uma sociedade do Dubai, controlada por pessoas próximas. Bem-vindos à Corte de Luanda. Terceiro episódio. A cara do pai. É uma opinião unânime. Isabel dos Santos é a filha preferida de José Eduardo dos Santos. Até que ponto Isabel beneficiou desse facto? Como foi o percurso de Isabel até ser considerada a mulher mais rica de África? Isabel saiu de Angola e nunca mais voltou. Nem sabemos se o fará nos próximos tempos. Neste episódio, guiados por Filipe Fernandes, vamos ficar a perceber como é forte a ligação de Isabel dos Santos ao pai e ao poder em Angola. Filipe Fernandes é o autor do livro Isabel dos Santos, Segredos e Poder do Dinheiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Bem-vindo, Filipe Fernandes. Obrigado por teres vindo. Onde está Isabel dos Santos? Isabel dos Santos circulava entre Lisboa, Londres e o Dubai. Barcelona, onde está o pai. Era, digamos, este o circuito desde que saiu de Angola em agosto de 2018. Nesta altura, eu creio que. Isto é uma forma dela se esconder mais ou estar menos próximo das polícias e da Interpol. Penso que ela estará mais entre o Dubai e Londres. Mas, sobretudo, no Dubai, que é um dos locais onde as elites africanas e asiáticas e algumas europeias hoje em dia estão, porque é um sítio seguro. Se refugiam, podemos dizer, refugiam. Exatamente, é refugiado. Isabel dos Santos tem cidadania russa, não é? A segunda taça, em janeiro, diz que ela sempre foi cidadã russa. A mãe é russa. E, portanto, ela tem a cidadina em russa. No entanto, a mãe também é britânica. Portanto, há aqui um. Eu creio que ela tem um cartão de residência em Londres. Portanto, ela pode estar a viver na Inglaterra. Digamos que não é o sítio mais seguro, por razões óbvias. Se houver, digamos, uma caça global, o sítio mais seguro será sempre o Dubai. Isabel dos Santos é filha de uma cidadã russa e do pai, José Eduardo dos Santos, cidadão angolano. Angolano. Como é que isto aconteceu, Filipe? O pai, o José Eduardo dos Santos, aderiu ao MPLA, jovem, e foi estudar para Baku, no Azerbaijão, na Rússia, onde fez um curso de engenharia de petróleos e depois, mais tarde, um curso de telecomunicações, mas adequado à, digamos, à tecnologia militar, para trabalhar nas telecomunicações do exército do MPLA, na altura da Guerra Colonial. E em Baku conheceu. Uma russa, Tatiana, tal como um amigo dele, que era um Vandunan também. Tatiana, Kukanova. Kukanova, exatamente. Agora é Reagan, porque o do segundo casamento que, entretanto, teve. Em Baku, ele e um amigo, que era o que fechou a ser o ministro dos negócios estrangeiros, que era o Pedro Vandunan, conheceram duas russas e os dois casaram ao mesmo tempo e, em 73, nasce Isabel dos Santos. Nessa altura, já. José Eduardo dos Santos estava na frente da guerra, em Cabinda, que era uma das frentes de batalha do MPLA, onde estava em 73, quando ela nasceu. Portanto, Isabel dos Santos nasce em. Baku, no Azerbaijão. Baku, no Azerbaijão. Baku, no Azerbaijão. Baku, no Azerbaijão. E a infância, depois, é passada onde? Com a independência, em 75, José Eduardo dos Santos vem para Luanda, com a mulher e com a filha. Entretanto, começa a assumir cargos no governo, chegou a ser ministro dos negócios estrangeiros do governo angolano e ela vivia num dos bairros mais, digamos, que já no tempo. No tempo colonial era um dos bairros da elite, que era o bairro de Alvalade. O bairro de Alvalade, em Luanda. Em Luanda, que se transferiu para, digamos, para a elite do governo de Angola e do Partido no Poder, que era o MPLA, que estava em guerra civil com a UNITA e com o FNLA. Portanto, eram tempos complicados, porque Luanda chegou a estar cercada e, portanto, eram tempos, apesar de tudo, complicados. E tu contas que, no teu livro, que Isabel é Isabel em homenagem a uma tia, é exatamente, é uma homenagem, porque foi a tia, como eram vários filhos e os pais dos Eduardo Cento tinham que ir trabalhar, normalmente ele ficava com a irmã Isabel, que era uma das mais velhas, e que era um bocado a referência do irmão mais novo. Isso foi uma espécie de homenagem. O meu pai nasceu no São Paulo e a minha avó Jacinta viveu no São Paulo. Como eu vou educar, e eles tiveram uma primeira filha que se chamava Isabel. A minha avó saía de manhã muito cedo para ir trabalhar e quem tomava conta do meu pai era a minha tia Isabel. E por este respeito, este carinho, este orgulho que ele teve na sua irmã mais velha, ele deu-me o mesmo nome, Isabel. Então leva-nos lá aqui de mais à infância de Isabel dos Santos, no bairro de Alvalade, em Luanda. Nessa altura há ali uma. Há um momento que há quando o pai se torna presidente de Angola. Cumpro hoje o honroso dever de prestar-se a mão nesta cerimónia solene de investidura para assumir os cargos de presidente do MPLA Partido do Trabalho, presidente da República Popular de Angola e comandante em chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola. Há ali um. Torna-se um pouco. Não era muito favorável que ele. Que o Jair Eduardo dos Santos mantivesse uma relação com uma branca. Isto, dito assim, parece uma coisa muito dura, mas é verdade. Aliás, nessa altura. Estamos a falar de 1979? 79, 77, 79, quando morreu a coxinha. E o facto de ter uma mulher branca seria um problema? Isso seria um problema. Apesar de eles já estarem mais ou menos afastados, era continuar a ser. E, portanto, houve ali uma separação. E, nessa altura, a mãe trabalhava só na Angola. era no departamento de Geologia e, portanto, ela continuava a viver no bairro de Almeida. alvalade, a vida na altura não seria muito seria bastante difícil e aí há várias histórias de ser um de alguma falta de acesso a alimentos, a bens e aí que vem a história dos ovos exatamente Isabel dos Santos numa entrevista, na altura uma das poucas entrevistas que ela deu foi ao Financial Times em 2012 ou 2013 e contava que ela já era empresária desde pequena e que até vendeu ovos durante a sua infância quando andava quase na escola primária obviamente com o país em guerra sem divisas, o preço do petróleo apesar de tudo não era a indústria do petróleo não era tão forte os diamantes não eram havia sempre contingências portanto Angola vivia numa austeridade terrível com uma guerra civil intensa em que a maior parte do dinheiro iria para compra de armas e nessa altura com o êxito também da população para Luanda sim, tudo a concentrar-se em Luanda portanto havia uma carência de bens alimentares por outro lado era uma economia estatizada portanto não havia iniciativa privada e o que acontecia? como em todos esses regimes o que é que as pessoas tinham as suas próprias galinhas tinham as suas próprias hortas enfim e depois faziam a comercialização disso entre entre as pessoas nos seus empregos, nos seus amigos uma economia paralela e a mãe trazia ovos para vender aos colegas e às colegas da São Nangol e portanto ela quando vinha da escola ia para São Nangol para o pé da mãe e portanto assistia e de certo modo participava eventualmente ela é que contava os ovos ela é que separava as caixas enfim, isso ela não se imaginava mas estamos a falar ainda de Isabel dos Santos miúda miúda, enfim início dos anos 80 teria 7, 8, 9 anos enfim podemos tirar já daí essa lógica empresarial ou estamos aqui a extrapolar demasiado? eu acho que não ela contou estas o contexto a forma como ela contou ela conta a história e a forma como conta dá a ideia que a sua fortuna quase que teria começado agora, que ela tem um certo pendor para uma iniciativa há uma outra história quando ela já vivia em Londres dela comprar relógios e joalheria de marcas umas marcas mais e quando ia de férias a Angola vender no Natal vender ao círculo familiar comprava bens de luz para revender depois em Londra exatamente portanto isso fins dos anos 80 início dos anos 90 e que mais que outras características de personalidade é que tu consegues identificar a Isabel dos Santos ou que são identificáveis por aquilo que é conhecido acho que ela tem é determinada garota oh garota sabes bem que te chamam assim sabes bem que te chamam assim porque ninguém porque ninguém tu queres ouvir oh garota tu queres ouvir tu queres ouvir tu queres ouvir tu queres ouvir é bastante frio na análise das situações tem uma grande capacidade de trabalho é uma pessoa e tem um lado de iniciativa que ela entusiasma-se muito com o início das coisas depois perde um bocadinho isso e distancia-se à história de um restaurante que ela abriu com uma das suas depois parceiras a Paula Oliveira que era um como dizia alguém onde se podia comer sushi sem morrer em Luanda e portanto ela no início até as emendas vigiava e estava atenta mas também tem outro na praia esse foi o negócio inicial segundo a Forbes esse foi o primeiro o primeiro negócio como é que fez? isso é um negócio que ela nunca fala e diz que porque era um indivíduo que tinha um negócio na praia um bar de praia um restaurante e que estava sempre a ser incomodado pelas autoridades estamos a falar em meados dos anos 90 a seguir de eleições presenciais com o senhor Eduardo Santos estava em 92 portanto estamos a falar numa Isabel dos Santos com 20 anos 20 e pico sim, 22, 23 e num ambiente que Luanda e Angola ainda com um grande peso do Estado e da digamos da Polícia Política e da enfim dessas e ele lembrou-se conhecia filha do presidente de Angola vou torná-la sócia e vou obter o meu paz e vão acabar os problemas vão acabar os problemas e conta-se a Forbes aliás conta isso num artigo do Rafael Mara e os problemas acabaram tu já falaste aí várias vezes em Londres ela estudou em Londres como é que foi essa fase da vida? quando o José Eduardo Santos se casa pela segunda vez ela se casa pela segunda vez de certo modo a mãe aquilo deve ter sido um incómodo e portanto a situação também Angola não seria o melhor sítio para viver na altura e como ela tinha segundo vários há depoimentos de um general russo nas suas memórias que diz que que o José Eduardo Santos e Angola a trataram muito bem e portanto isto é permitiram-lhe meios para ela viver em Londres com a filha e portanto ela vai viver para Londres com os seus 10, 12 anos e portanto vai para um colégio e faz lá faz lá sua formação toda como estudante e se calhar como parte como pessoa também muito num colégio internacional? sim num colégio internacional mas depois vai para o King's College fazer engenharia em termos de referência é uma grande referência para si seu pai o facto de de ser seguir também em engenharia foi influência por parte do pai? sabes Pedro o meu pai foi a pessoa que me ensinou a ler foi a pessoa também que me ensinou a escrever para mim ele é uma grande fonte de inspiração ele é um homem extraordinário é um homem muito simples muito inteligente e sem dúvida eu acho que ele é uma referência para mim e para outros jovens também angolanos hoje sou engenheira porque gosto de matemática sempre adorei ciências e enfim segui um bocadinho as passadas dele se bem que hoje a minha vida é diferente da dele mas é sem dúvida um grande homem e o regresso depois a Angola? o regresso ela entretanto quando acaba o curso vai para uma empresa que é que é hoje que propõe mas integrou a PwC onde esteve dois ou três anos em Londres e em Lisboa trabalhei há alguns anos numa grande alguns anos não alguns meses numa grande empresa de consultoria que na altura chamava-se Coopers que depois fundou que fundiu com a PwC Pricewaterhouse e hoje é Pricewaterhouse Coopers só que aliás na PwC sempre acharam que ela tinha muitas solicitações de Angola quando estava a trabalhar tinha que faltar porque vinha um ministro vinha alguém e vinha receber ordens do pai depois a dada altura em 95 ela decide ir para Angola e regressa a Angola para ela diz muitas vezes que até sentiu essa sentia essa necessidade não é? sentia e eu compreendo houve ali um momento de euforia em 92 quando se foi assinada a paz em 91 quando foi assinada a paz depois de eleições e depois houve ali uma espécie de choque quando não corre acender numa guerra civil brutal e portanto eu acredito que ela estivesse ali num meio muito dividida como a Angolana que é falámos também já aqui das relações familiares mas as relações com os irmãos e há uma resposta de Isabel dos Santos na entrevista ao observador eu não conheço nenhum processo judicial em relação aos meus irmãos diz irmãos para já são meus meios irmãos portanto nós não temos uma relação próxima e esta resposta Filipe Fernandes indicia que realmente não há uma grande relação entre ela e os irmãos meios irmãos obviamente que não há uma grande intimidade entre os irmãos há relações de familiares e aliás basta ouvir falar de Xizé de Isabel dos Santos preservando alguma descrição de alguma intimidade diz sempre nunca tive nenhuma relação financeira de negócios com a minha irmã Isabel dos Santos e só até até a agora tirada célebre agora devolve devolve paga o dinheiro e resolve isto exatamente para ver se ficamos todos em paz o que é que está em causa é a dívida de 75 milhões pague então se estão a pedir euros não querem quantos apesar de pronto um Estado normalmente deve querer sempre receber na sua moeda mas se o Estado está a precisar de dólares está a pedir a cidadã que é a cidadã que mais beneficiou das oportunidades de negócio em Angola está na hora da cidadã retribuir tudo o que o Estado lhe proporcionou propiciando que fizesse grandes negócios e hoje tornasse a mulher que é e pronto mande dinheiro para Angola há ali uma relação até porque ela viveu no fundo ela deu-se dava-se com os irmãos quando vinha de férias quando regressava e depois fez a sua vida um bocado à parte e portanto ela tem e como é que surge o casamento com o congolês a síndica do colo o síndico é de uma elite Congolesa E um pouco como ela Também a mãe é dinamarquesa e, portanto, ele estudou na Europa, estudou na França, também estudou em Inglaterra. Portanto, há ali um trajeto semelhante. Há um. E depois, obviamente, não sei se haveria, se Isabel dos Santos teria tantos partidos em Angola que lhe dessem essa dimensão, porque ele, de facto, tem também uma certa, digamos. Uma linhagem? É uma linhagem e, ao mesmo tempo, é alguém mais cosmopolita, não é? Eles conhecem-se em. Conhece-se a história de amor ou não? Não conheço. Sei, não tenho agora de memória, mas sei o dia que a Isabel dos Santos diz que tiveram o primeiro date, assim, que foi o início do seu primeiro encontro, que ela celebrou o ano passado em Itália. E ele foi viver para Angola em 99, quando a situação é. No Congo, começou a estabilizar, o Mobutu já tinha saído em 1997 e ele foi viver para Luanda, que era um sítio mais, digamos, era um sítio mais seguro e, portanto, ali começa a haver, digamos, uma relação muito forte com o Congo. Obviamente que não foi um casamento, como era, digamos, nas monarquias europeias e também nas monarquias angolanas. Literalmente um casamento de casas reais, não é? Exatamente. Não, e criar alianças e tal. Enfim, não foi isso. Foi, digamos, também há aqui um bocado aquele acaso que leva ao casamento. Nesta altura, a Isabel dos Santos ainda era muito discreta. Nós sabemos alguma coisa? Como é que foi o casamento? Temos sempre notícias de casamentos de arromba. Sabe-se porque ela disse. Porque eu ouvia, durante anos e anos, dizia, aliás, um jornal alemão falava em 10 mil convidados. Em que os convidados teriam sido todos, haveria linhas aéreas quase. Uma ponta aérea. Uma ponta aérea quase para o casamento dela. E ela disse que não, foram 800 pessoas. Não é pouco, mas foram 800 pessoas. E só tiveram presentes dois presidentes. E aí se vê, pronto, aí era mais quase geopolítica. Era o Kabila do Congo e o Sanujoma da Namíbia. E depois, obviamente, foi um casamento. Com alguma riqueza de. Nessas coisas, sempre aquela pergunta, sabe-se quanto custou ou não? Não, isso não se sabe, mas custou, aliás, não custou tanto como dizem, como falam assim, números absurdos. Foi um casamento caro, aliás, porque muitas das coisas foram de Portugal para lá. Portanto, digamos, foi um casamento, digamos, ao nível daquilo que Angola acha que a sua filha, do seu presidente, na altura, merecia. Filipe Fernandes, falámos aqui. Ou falá eu, na questão de ela ser mais discreta, nesta altura. Isto tudo muda. E passamos, há uns anos, a ter uma Isabel dos Santos nas redes sociais, muito ativa. O que é que aconteceu a Isabel dos Santos para ela passar de um registro mais discreto para um mais público? Há várias explicações, mas eu acho que a compra da. A compra da empresa Diamantes permitiu-lhe chegar a ir a Cannes e estar com todas as estrelas de cinema que lá estavam, jantar com elas, tirar fotografias com elas. E vemos isso no Instagram de Isabel dos Santos. Mas começa em 2014. Depois, eu acho que há aqui uma mudança que poderá ter a ver com a perspectiva de futuro dela. E ela achar que, estando mais exposta, mediaticamente. Estaria mais defendida. Mais protegida? Mais protegida de alguma alteração que pudesse haver em Angola. Que iria haver, inevitavelmente. Com a saída do pai? Com a saída do pai, porque o pai sairia, inevitavelmente. Não percebeu. Exposta politicamente, e se eu adicionar exposta, imediatamente, é um coquetel de molotov. Pode ser explosivo. Pode ser explosivo, não é? E, portanto. Mas, quer dizer, naquilo que estás a dizer. Isto é pensado, não é algo que resulta. Até porque a anterior situação era pensada. Olá, fazendo um pequeno live aqui da Rússia, na Bíblia do Morro, na Conferência Internacional de Económica. Porque ela tinha, por exemplo, um assessor de comunicação, um consultor de comunicação, que ele não poderia falar. Tinha a indicação de que ele não poderia falar por ela. Portanto, ela queria manter. Ela era empresária, discreta, enfim. Portanto, mantinha-se, aliás. Ela não dizia que não queria caros políticos, não queria nada. Ela era puramente empresária. E há ali um. Há ali um aumentar de disposição. Eu penso nisso. Depois há uma ou outra situação que eu acho que veio expor remediavelmente, digamos. E que, de certo modo, explica a situação em que ela se encontrou hoje. Há uma coisa que ela. Ela sempre fez o que o pai lhe pediu. E isso foi fatal, quando lhe pediu para ir para São Nangal. E ela foi, porque eu penso que o pai estava. A situação da São Nangal era desesperada e ele não tinha mais ninguém. Mas o caso mais emblemático, para mim, ainda é da Isabel dos Santos, não é? Esta é a voz de Reginaldo Silva. É jornalista e analista político. Entrevistado pela jornalista Dulce Neto, em Luanda, falava aqui dos processos judiciais em curso. Isabel é a cara do pai, diz Reginaldo Silva. Para mim é mais emblemático, em meu entender. Até pela proximidade que ela tem do presidente anterior, porque, eu devo confessar, eu sempre vi em Isabel dos Santos a cara do pai, em termos de, digamos, de influência, do seu próprio poder e da forma como ela foi subindo aqui, digamos, na hierarquia económica e social. Isabel dos Santos é a menina do papá. É. Então, em vários aspectos. Zé, não é? E por muito que ela queira apresentar a sua, digamos, a sua carreira empresarial como mérito seu, da sua inteligência, da sua capacidade de trabalho, enfim, aliás, ela dizia, ainda recentemente dizia, porque é que não me aplicam o mesmo princípio que aplica um europeu e a outras empresárias? Porque um africano pode ser um grande empresário como um europeu. Parece que, enfim. Ela tenta muito isso, mas ela não deixa de ser filha do presidente da República e há casos óbvios é que lhe foram entregues, sobretudo na última fase, projetos diretamente do Palácio Presidencial. Já lá vamos. Mas ela queixa-se mesmo. Na entrevista, por exemplo, ao Observador, pôs muita tónica nisso. Quer dizer, eu tenho culpa de ser filha de quem sou, não é? É basicamente o que ela diz. Mas acha que os presidentes não deviam ter filhos? Não, mas a minha. Ou se os presidentes tivessem filhos, os filhos não deviam morar naquele país, ou então mais, os presidentes podem ter filhos, podem morar no país, mas os filhos dos presidentes não devem ter os mesmos direitos que os outros cidadães. Ou seja, é ridículo. Ela não tem culpa, obviamente, que eu acho que há parte do seu percurso empresarial que pode ser desligado um pouco dessa. Agora, é inevitável que ela, por exemplo, com até parceiros como o Américo Amorim ou a SONAI, eles escolhem. Não só pelas suas capacidades pessoais e empresariais. Sabem ou pressentiam que, sendo filha de quem é, poderiam ter o caminho facilitado. Então vamos olhar aqui para o percurso empresarial de Isabel dos Santos. Tudo começa com um negócio de distribuição de bebidas. Há várias histórias. A questão é que há várias histórias do início. Nenhuma delas tem nada de. Transcendente. Transcendente. Eu acho que é uma questão dela se decidir a contar. Ela vai contando, não é? Primeiro essa do bar na ilha. Depois há duas versões. Uma é que ela foi para trabalhar para um grupo chamado Grupo Gembas, que tinha uma empresa que era a Urbana 2000, que fazia a limpeza de Luanda. E ela trabalhava lá como engenheira. E as comunicações lá na altura eram feitas por halki-talkis. Mas movimentações. E ela tem os primeiros contactos com o Erickson. E abri com um amigo meu, que também é formado nos Estados Unidos, uma empresa de logística. Nós fomos fazer uma startup. Portanto, logística, que ele dizia que era beverage delivery. Portanto, nós fazíamos distribuição de bebidas. E para controlar efetivamente os caminhões, porque tínhamos comprado caminhões em segunda mão, tínhamos dois caminhões em segunda mão, eu vendi o meu carro. Mas nunca diz quem é o amigo. Porque se fosse, digamos. Alguém com quem ela estudou. Com quem ela estudou nos Estados Unidos. E que depois estava em Angola. E, portanto, falavam a mesma linguagem. E que aí começaram. E depois tinham também o mesmo sistema de halki-talkis. Um sistema de comunicação com os motoristas, não é? Exatamente. E que depois disso foi progredindo para uma empresa de telecomunicações, porque compraram o sistema da Motorola. Enfim. E, portanto, isto aqui é muito. Havia um empresário. que era o Horácio Roque, que dizia que cada fortuna tem a sua cestade. Portanto, cada um quanto há que quer. Mas, inevitavelmente, o grande negócio, digamos, é o NITEL. Esse aqui é, digamos, o. Que é a operadora de telecomunicações. Privada, que foi a segunda que veio concorrer com a Movitel, que era estatal em Angola. E que foi um sucesso brutal, porque. Pois aqui é preciso. Deixa-me interromper-te aí, porque ela, na entrevista ao Observador, a entrevista que está disponível em podcast, ela diz, põe a coisa. Tudo começou numa sala, numa pequena sala, éramos 15 pessoas, mobília emprestada, em segunda mão. As pessoas passam pela rua, vêm um hotel e dizem Puxa, grande hotel. Grande negócio. Mas o hotel não nasceu construído. Não é? Portanto, hoje olham-se para a rede da Unicel, e dizem, sim, pá, uma grande rede. Mas alguém teve que a construir. Isto é um período de investimento de 20 anos. Em termos de investimento, que é um investimento muito demorado. Agora, se me perguntar assim, de onde é que veio o dinheiro para a Unicel investir? E eu respondo-lhe. Todos os anos, os sócios reinvestiram. No início da Unicel, reinvestiam quase 100%. A partir do sexto, sétimo ano, começaram a reinvestir quase 80%, 70% do valor que ganhavam. Enorme. Ou seja. Ou seja, o retrato que tira dessa Unicel é uma coisa construída ali desde o zero. De certo modo, ela tem razão. Independente de ter começado assim, até pode ter começado assim. Porque a Unicel, quando começa, é simplesmente uma licença do governo de Angola para operar. E é preciso contextualizar. Porque 98 está em plena guerra civil. Digamos, é o culminar, digamos, da guerra civil. Momentos mais intensos, que é quando, nessa altura, que a UNITA começa a perder algum fogo. Porque, entretanto, surge a dificuldade de comercializar os diamantes. Enfim, que lhe tira algum suporte. Mas a guerra é muito intensa. E, portanto, o governo de Angola fez um concurso para a atribuição da segunda licença e ninguém concorreu, obviamente. E estou convencido que podia ter aberto até 2001, 2000, aberto vários concursos, que ninguém iria. Na situação em que está. E, portanto, a única opção foi dar a Isabel dos Santos, mais a Sonangol, ao general Dino e ao general Copeliba. Entretanto, e ela conta isso, mas ela vem à Europa procurar parcerias. Porque sabe, para construir uma empresa de telecomunicações daquelas, uma rede tem que ter parcerias. Portanto, poderá ter andado a pôr uma antena ou outra, mas, obviamente, não foi por aí que. E o ponto de partida. O ponto de partida é quando a PT, a Portugal Telecom, na altura, entra para o capital. E, em 2001, começa a operar. E, digamos, é, no fundo, é o grande. Tem apoio, também, dos Sederiksen e de outros que ela explica. E o sucesso, entretanto, dá-se à morte do Savimbi e a Angola fica em paz. Portanto, e isso. Portanto, e a Angola fica em paz. Portanto, as telecomunicações tornam-se um sucesso em Angola e em outros países da África, não é? Quer dizer, seguir à Europa. Mas foi um sucesso tremendo, não é? Pois aquilo torna-se uma cascauca. Quer dizer, aquilo começa a despejar dividendos, dividendos, dividendos. Quer dizer, basta fazer as condições. Com a Isabel dos Santos, depois são reinvestidos, reinvestidos, reinvestidos. E distribuídos, não é? A parte são distribuídos. Aliás, cada um deles terá recebido, desde 2001 até agora, por aí. Um fosco. Um fosco. Pai, 1,5 mil milhões de dólares. Quer dizer, é muito dinheiro. São 20 anos quase, mas é muito dinheiro. E depois, supermercados. Quer dizer, há uma série de investimentos. Sim. Ela começa depois a seguir ali com o português Fernando Teles e o Américo Amorim para fazer um Banco de Angola. Pois isso dá entrada na Galp. Entrada na Galp, que tem várias histórias. Então, vamos falar desses. Nos, agora, nos Landaleaks, o Sindica diz que foi ele que falou com o Amorim e que negociou com a São Angola a entrada na Galp. Andei na praia com o Sr. Amorim. Era um senhor, realmente, por quem tinha muito respeito, porque lembrava muito o meu pai, que tinha falecido há pouco, que era um homem que começou quase de nada. E com o sentido dos negócios, inteligência, determinação e visão. Fundamentalmente, os dois tinham uma grande visão. Conseguiram tornarem-se os grandes empresários de referência a cada um do seu país. Eu acho que, daquilo que sei do Américo Amorim, eu acho que o Américo Amorim já conhecia há muitos anos o presidente da São Angola. Da altura que era o. Manuel Vicente? Sim. Sim, era o Manuel Vicente. E ele conhecia-o muito mais. O irritante. Exatamente. O senhor do irritante. E que o conhecia há muitos anos. E, portanto, eu creio que isso estava. A entrada da São Angola e Isabel dos Santos, aquilo já estava na cabeça dele. E foi ele que percebeu que também isso era uma vantagem. Ter a Isabel dos Santos de um lado, ter a São Angola, isso seria positivo. Em seguida, começam a fluir os negócios. Entra na banca, entra nas televisões, na televisão. Estes negócios também têm. E isso em Angola, para além dos negócios cá, não é? É isso que eu. Porque há aqui uma lógica. Ela entra em negócios onde é importante que Angola esteja no centro. Ou os representantes angolanos estejam num centro de decisão que tenham a ver com Angola. Se nós repararmos, o caso do Banco Fomento. Do Banco Fomento de Angola, que era do BPI. E ela entra no BPI, portanto. Ela está no centro do BPI para defender os interesses do Banco Fomento de Angola também. E como se viu, quando foi necessário vender, isso foi importante. E como é que era a relação dela com os empresários portugueses? Com Érica Morim, Paulo Azevedo, nomes grandes. Eu penso que ela, apesar dessas coisas, nunca formou relações muito calorosas. Não são calorosas, não é? Aliás, depois, ela olha para os negócios, não olha para. Ela olha com grande frieza para os negócios. Sim, sim, sim. Aliás, o caso de Sonaia é lapidar, não é? Quer dizer, ela vai buscar o homem Sonaia que estaria a tratar da entrada em Angola, contrata-o e faz uma cadeia. Ela e a Sonaia ficam sem alternativa. E a seguir, ali, a Sonaia. Vai controlar a nós. Ou seja, estás aí a descrever alguém que tem um pensamento muito prático. Sim, aliás, ela vai buscar. Ela era com a Érica Morim, tinha dois bancos em Angola, tinha uma aliança na Amorim Energia, e vai buscar um dos homens fortes, que é o. Mário Leita Silva? Sim, sim. Que era um quadro da PwC, que depois passou por o grupo Américo Amorim, e ela tinha relações, negócios com a Américo Amorim, e foi buscar o homem forte para si. Começa agora o Jornal das 10 na Rádio Observador, com Carla Jorge de Carvalho. E, Carla, começamos com uma notícia de última hora sobre o Luanda Lix. O presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento de Angola renunciou ao cargo. Mário Leita Silva é gestor de Isabel dos Santos. A demissão tem efeitos a partir de 22 de janeiro. E sempre foi agindo assim, não é? Sempre com um grande sentido prático. Aliás, há alguém que me dizia que ela, como não consegue ter o feiticeiro, vai buscar o ajudante do feiticeiro. Também há quem diga. Lendo aquilo que tu escreveste, que ela perde rapidamente o interesse naquele negócio e depois deixa a equipa a tratar. Exatamente. Ela é muito de. É muita visão macro a partir da visão macro. E, portanto, entrega muito às suas equipas. Escolhe bem as pessoas, paga-lhes bem. Depois tem um lado que, entretanto, surgiu com as redes sociais é que estava em reuniões e tirava selfies, não é? Portanto. Mesmo com documentos sensíveis em cima da mesa. Em cima da mesa, exatamente. E isso não era muito bem visto, não é? Não, não. Porque era um bocado um ar leviano que. Enfim, mas. Claro. E os diamantes, Filipe? Como é que. Os diamantes é uma história que tem ligações. Também é um pouco a história da Angola. Os diamantes surgem. Havia dois empresários israelitas de origem russa. Que estavam em Angola. Um deles era o Gaidamarek, que era. Tinha sido fornecedor de armas e, enfim, tinha andado pontificado. Aliás, e que recentemente ganhou um concurso para a construção de uma refinaria e usou o nome, como é conhecido em israeles, o nome, digamos, judaico e não o nome russo. E, portanto. E, quando descobriram, tiveram. Tiveram que lhe tirar a concessão da construção. porque, enfim, aquilo poderia dar alguns problemas esses dois que fizeram uma empresa de distribuição de diamantes já estavam metidos também num negociamento com a conivência do governo de Angola para, digamos, terem uma alternativa à De Beers portanto, que era a Ascorp e nessa empresa surge como acionista uma empresa chamada Tais que é Tatiana Isabel A Tais, que ninguém confirma que é mesmo Tais Tatiana Isabel Não, isso não confirma, mas confirma que a Isabel dos Santos era a sócia a Isabel dos Santos e a mãe entretanto, um ano ou dois depois, muda de nome e passa só para a mãe e depois, quando há uma fuga de um banco suíço em meados dos anos 2005, 2006 apareceu uma conta da Tatiana a mãe de Isabel dos Santos Tatiana Koukanova e que tinha 5 milhões de dólares na conta mas depois há a questão da empresa suíça como é que tudo isto entra nesta história? A empresa suíça, que supostamente é só de sindica ela diz que não era ela eu não faço parte da Saudiam porque eu acho que isto já foi a Saudiam é uma empresa a 100% estatal eu não sou sócia mas na altura eu acho que seria dos dois surge desse relacionamento o sindica, a sua circulação pelos mundos das artes, das feiras e conhece o dono dessa empresa suíça que estava com algumas dificuldades e eles perceberam ali um negócio que poderia ser interessante para a Saudiam enfim, interessante para eles sobretudo, não é? e portanto o negócio começa aí com a ideia de que a Suíça desde o momento que conseguem aliciar a Saudiam entraram no capital desde 2011, 2012 a altura em que foi decidida a participação da Saudiam nesse negócio o Estado não beneficiou de um único dólar este é Eugênio Bravo da Rosa presidente da Saudiam em entrevista à SIC no início de 2020 estamos aqui a falar de uma perda para o Estado de cerca de valores que no total poderão rondar acima de 200 milhões de dólares efetivamente faria sentido não sei se de termos teóricos faria sentido em termos como depois se executou provavelmente não ela tem uma presença também muito forte no mundo empresarial em Portugal como é que era a relação de Isabel dos Santos com tanto poder empresarial português e político temos que distinguir ou podemos juntá-los? podemos juntá-los? acho que havia ali uma grande uma grande admiração e uma grande passadeira vermelha e tentava-se uma grande proximidade aliás o Marcelo o atual presidente da República chegou a dizer que a PT seria muito interessante se ela conseguisse obter a PT na OPA que fez em 2014 das intenções à prática Isabel dos Santos registra esta sexta-feira a sua oferta pública de aquisição sobre a PT-SGPS a empresária angolana retira todas as condições anteriormente impostas para avançar com a OPA e que dependiam da OI Isabel dos Santos revê as condições mas não o valor da oferta o caso do negócio da EFASEC é claramente isso é uma empresa portuguesa que está com problemas não há muito não há quem avance era preciso dinheiro resolver o problema e de facto ela avançou e quando é que tudo isto começa a virar isto começa a virar eu tenho a impressão que a minha ideia a SONANGOL é o ponto-chave que é ela torna-se objetivamente um alvo ao mesmo tempo ela diz que não foi para a SONANGOL por decisão do pai não foi não foi escolhida pelo meu pai foi escolhida pelo governo angolano foi escolhida pelo governo angolano e quem é que era o presidente da Angola à altura? o governo angolano não é uma pessoa o governo angolano são várias pessoas durante 36 anos com uma pessoa à cabeça durante 36 anos com o presidente da república por exemplo o que o Adolfo Tredes Costa que na altura era e que hoje é um braço direito do João Lourenço foi que esteve na decisão dela ir para a SONANGOL em tempos formais e que hoje é um braço direito do João Lourenço e que hoje é um braço direito do João Lourenço formais sim, mas obviamente mas ele assinou a responsabilidade é dele também não é só do presidente da república mas é aí que começa tudo a virar? eu acho que expõe muito em Angola o facto dela estar no centro do vulcão e a SONANGOL é o Estado é o outro Estado é o grande pilar da economia angolana é o Estado enquanto houve dinheiro aquilo estava para tudo aliás o Estado estava para tudo geriu lojas alimentares em tempos de coisas e tentar mudar é criar inimigos obviamente, isso é inevitável e ela criou muitos com o seu tempo na SONANGOL e isso torna um alvo político e isso foi a base desta decisão do governo de Angola por exemplo, o arresto dos bens e das contas tentar tentar asfixiar uma eventual tentativa de financiar movimentos contra o governo de Angola uma campanha política e isso poderia ser uma tentação porque estava o caminho era esse porque ela estava-se a assumir quase como uma adversária política do João Lourenço Jornal das 10 no Observador com edição de João Felipe Cruz Boa noite João um tribunal angolano decretou o arresto preventivo de empresas e contas de Isabel dos Santos foram arrestadas contas pessoais da empresária angolana e também nove empresas nas quais detêm participações sociais mas tudo isto também coincide, como estavas a explicar com a saída de cena do pai portanto o pai sai de cena e de repente tudo começa a mudar é, e tinha que mudar e digamos que José Eduardo dos Santos para quem entra de novo e tem que ganhar as próximas eleições e tem que governar um país em que não tem nada a fazer em crise tem que arranjar algum bode expiatório alguma forma de tentar criar um caminho novo não é não tendo responsabilidade sobre o caminho anterior mesmo que tivesse a bajulação e a impunidade que se implantaram no nosso país nos últimos anos e que muitos danos causam a nossa economia afetam a confiança dos investidores porque minam a reputação e a credibilidade do país este é João Lourenço em setembro de 2018 no 6º congresso do MPLA nesta cruzada de luta o MPLA deve tomar a dianteira ocupar a primeira trincheira assumir o papel de vanguarda de líder mesmo que os primeiros a tombar sejam militantes ou mesmo altos dirigentes do partido mas naquele congresso do MPLA há a frase de João Lourenço com José Eduardo Santos sentado na sala muito poderosas a indiciar que as coisas vão mudar e têm que mudar porque se nós analisarmos as eleições livres em Angola os resultados do MPLA cada eleição perde 10% portanto se nas próximas eleições o MPLA perdeu 10% fica com 51% e isso é uma linha muito tenue já e aí as coisas vão ter de virar mesmo podem ter de virar mesmo e portanto há vários aspectos a questão aqui é muito porque se nós formos a ver aquilo que vale para os filhos do José Eduardo Santos se formos aplicar à elite angolana digamos que não se salva ninguém mas se levar esse rigor Angola volta a ser decapitada e fica novamente um Estado não tem estrutura administrativa para poder funcionar como um país uma democracia ocidental moderna é preciso tempo o que é facto é que o cerco se aperta e o que é que poderá acontecer a Isabel dos Santos se fizermos aqui um exercício quase de vinhação do futuro achas que ela vai ficar num degredo dourado no Dubai ou algo do género vai tentar negociar para conseguir resolver as coisas e voltar eventualmente à Angola é provável que já estejam porque o momento da negociação passou a negociação quase de igual para igual que nunca é porque um presidente da República não negociaia de igual para igual mas ela teve essa chance quem não aproveitou esta oportunidade é todas as consequências que puderem vir daí. que são apenas da sua inteira responsabilidade. Esta é a voz de João Lourenço em entrevista à Deutsche Welle no início de fevereiro de 2020. E perante a pergunta, gostaria de ver Isabel dos Santos atrás das grades, João Lourenço respondeu. Eu prefiro nem responder a isso. Isto é uma decisão da justiça, eu não sou juiz. Provavelmente a ideia que eu tenho e daquilo que me disseram, ela teve essa possibilidade. E teve a arrogância de dizer que não, foi isso? Fez, faz sentido. E depois, como me dizem, João Lourenço também não é uma pessoa de grande flexibilidade nestas situações. Portanto, partir para a guerra vai ser difícil recuar. Você vai ter de 15 a 20 anos para ter de volta isto. Porque todos nós que estamos ligados ao processo, sabe como é que isso começa e quando é que acaba. Recursos atrás de recursos. Empugnações e não sei o quê. Vai-se arrastar. Esta é a voz de David Mendes, é deputado, presidente da Associação Mãos Livres e foi entrevistado em Luanda pela Dulce Neto. Mas toda a gente diz isso, porquê que ele não quer? Demonstra que, não é? Primeiro, confirmação de que você não tem um sistema judicial independente. Porque não é o presidente que vai dizer que eu não quero. Ele não é o Estado. E mais, se estamos a falar de uma situação judicial, os órgãos judiciais é que têm que encarar o que é melhor em cada uma das fases judiciais. No meu entendimento, negociar com as pessoas de forma aberta e sincera é o caminho mais lógico. Agora, há uma negociação mais subterrânea e mais lenta que demorará depois daquele excesso de aparecimento quando foi. quando foi o congelamento dos bens em Angola, o arresto dos bens em Angola e o facto dela tentar resolver rapidamente os problemas que tem em Portugal das empresas e sair de cena. E, Filipe Fernandes, tu acreditas que ainda vamos ver Isabel dos Santos candidata à presidência de Angola? Tenho muitas dúvidas. Da família, a única que eu veria era a de Xizena, porque é uma política nata. Aliás, basta ouvir. Seguir os grupos dela do WhatsApp para se perceber que ali, com uma capacidade discursiva, que nós não conhecemos tão bem, não é? Exatamente, tem esse. Eu acho que ela não é, nem nunca quis ser política e não estou a ver, até porque, digamos, Isabel dos Santos não é uma figura popular em Angola. Olha, nós somos do MPLA. Eu acho que disso não há dúvida, não é? Somos do MPLA há muitos anos. Achou que era? Se nas próximas eleições gerais o candidato do MPLA continuar a ser o presidente João Lourenço e se o programa não fugir muito daquilo que hoje está a ser defendido pelo MPLA, vai votar no outro partido? Eu espero que o MPLA consiga realmente rapidamente trocar a sua visão, trocar esta estratégia, deixar de culpar o passado. E se não trocar? Vai votar na Unita? Eu não sei quantos partidos é que vai haver em. Em 2022. Portanto, não tenho dificuldade em fazer futurologia. Quando a Unitel começou, aquilo era conhecido como Isabel. Hoje é a Unitel, que é uma grande empresa, enfim, não sei o quê. Mas era Isabel. Ela não é uma figura popular. Há algumas elites, aliás, o Jornal de Angola dava como exemplo, enfim. Mas ela não é uma figura popular, nunca foi. E, portanto, não vejo que ela conseguisse ser, transformar isso num capital político capaz de disputar. E depois o MPLA é um partido complexo, é um partido com muitas variáveis, aliás. O MPLA, até 77, quando há um golpe, uma tentativa de golpe, o MPLA nunca foi unido. Ele tinha várias facções. E sempre teve. E nesse momento tornou-se, aliás, deixou-se praticamente, não havia militantes, tornou-se ali uma endogamia muito grande. Aliás, nós quando olhamos para os governantes hoje, eles tiveram todos uns com os outros, uns contra os outros, portanto, aquilo é uma coisa complexa. Portanto, não é fácil ser candidato a presidente da República. Catedral de Westminster em Londres, 17 de novembro de 2020. Obrigada, Senhor, pela vida de Sindica, que, em baptismo, foi dada a pedaça da vida eterna. Sindica mostrou muita amor por outros na sua vida. Ele agora experimenta a misericórdia amorosa de Deus. 19 dias depois de morrer, no Dubai, o marido de Isabel dos Santos, Sindica do Colo, foi suportado em Londres. Nós pedimos para os rapazes de sua alma que ele permaneça em paz e aproveite a companhia dos santos na presença de Deus. Aqui está a nossa pedaça. As cerimónias fúnebres decorreram simultaneamente em Luanda, Chinchaça e Londres. E foram transmitidas durante cerca de cinco horas e meia na ZAP, um canal de televisão. Um canal de televisão que pertence em 70% a Isabel dos Santos e em 30% à portuguesa NOS. O império de Isabel dos Santos está a ser alvo de escrutínio apertado das autoridades judiciais de vários países, com Angola no topo da lista. Isabel dos Santos perdeu, por via judicial, o controle da Unitel, a empresa de telecomunicações que fundou. Por cá, deverá perder a posição que detém na EFA, No início de novembro de 2020, o jornalista do Observador, Luís Rosa, escrevia que Angola não desiste de tentar ser ressarcida dos alegados prejuízos provocados pela filha de José Eduardo dos Santos. A Justiça angolana pediu o alargamento do valor do arresto das contas bancárias e dos bens móveis e imóveis que Isabel dos Santos tem em Portugal até um valor de 5 mil milhões de euros. O juiz Carlos Alexandre aceitou o pedido. No próximo episódio, e último desta série, João Lourenço é a figura em destaque. Muda um império, sei lá. É preciso que os cidadãos sejam mais ativos. João Lourenço é uma escolha que o partido faz avançar, algumas pessoas dentro do partido fazem avançar, para haver ali uma espécie de recado de José Eduardo dos Santos a dizer que nós também temos alguma vontade. Eu sempre achei que o dilema de João Lourenço, seria entre salvar o Estado ou salvar o MPLA. E ainda não sei bem dizer qual é que ele preferiu salvar. Estes são alguns dos sons que vamos ouvir no próximo episódio. O Mimoso. Neste terceiro episódio, ouvimos sons retirados das contas públicas de Instagram de Isabel dos Santos e da irmã, Gisele dos Santos. Ainda sons da entrevista de Isabel dos Santos ao Observador e vários registos das entrevistas feitas por Dulce Neto em Angola. Ouvimos sons da SIC, nomeadamente na abertura do Jornal da Noite, de 19 de janeiro de 2020, e da entrevista ao presidente da SODIAN. Há também um som da TVI e uma peça emitida em novembro de 2014. Há registros de uma entrevista de Isabel dos Santos e de outra, de Síndica do Colo, no programa Hora Quente, da TPA. Há sons históricos de Isabel dos Santos e de outra, de Síndica do Colo, e históricos do MPLA, que estão disponíveis no Canal do Partido, no YouTube, e ouvimos também João Lourenço em entrevista à Deutsche Welle. No final, escutámos ainda os sons do funeral de Síndica do Colo, retirados de uma emissão da TV Zimbo, que está disponível na íntegra no YouTube. Quanto à música, ouvimos um tema tradicional do Azerbaijão, Mugam, retirado de um disco de 1988, que reúne música folclórica da União Soviética, do disco A Vitória Certa, ouvimos Revolução, Revolução. E escutámos ainda Garota, dos do Ouro Negro. E claro, Balu Mequeno, de Bonga, esta música que estamos a ouvir em fundo e que nos acompanha nos quatro episódios. A sonorização é da Beatriz Martel Garcia. Este é um podcast da Rádio Observador, disponível no site e nas habituais plataformas de podcast. Legenda por Sônia Ruberti Bye.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Isabel dos Santos é apresentada como filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e uma das empresárias mais ricas de África, com negócios em Angola e Portugal.
  2. A narrativa destaca sua infância em Luanda, os estudos em Londres, a carreira como engenheira e o início de seus negócios, incluindo a distribuição de bebidas e a criação da Unitel.
  3. O episódio aborda a relação próxima com o pai, a influência dele em sua trajetória e a percepção pública de que ela era a "menina do papá", beneficiando-se do poder familiar.
  4. A partir de 2020, Isabel dos Santos enfrenta investigações do Consórcio Internacional de Jornalistas (Luanda Leaks), acusações de desvio de fundos da Sonangol e o arresto de seus bens em Angola e Portugal.
  5. A mudança política em Angola, com a ascensão de João Lourenço, é apontada como o ponto de virada, levando a um cerco judicial contra ela e sua família.
  6. O episódio termina com a morte do marido, Sindica Dokolo, e a incerteza sobre o futuro jurídico e político de Isabel dos Santos, que vive exilada entre Dubai e Londres.

Summary:

Este episódio do podcast "Sob Escuta" traça a trajetória de Isabel dos Santos, desde sua infância no bairro de Alvalade, em Luanda, até se tornar a mulher mais rica de África. Filha de José Eduardo dos Santos, ela cresceu em um contexto de guerra civil e escassez, mas estudou em Londres, onde se formou em engenharia. Seu primeiro negócio, ainda jovem, foi a venda de ovos, seguido por um bar de praia e uma empresa de distribuição de bebidas.

O grande salto veio com a Unitel, uma operadora de telecomunicações que ela ajudou a fundar, com apoio de parceiros como a Portugal Telecom. A relação com o pai foi central, mas também a tornou vulnerável às mudanças políticas. Com a saída de José Eduardo dos Santos e a chegada de João Lourenço ao poder, Isabel passou a ser alvo de investigações, incluindo o caso Luanda Leaks, que revelou documentos sobre transferências milionárias.

Ela teve bens arrestados e perdeu o controle de empresas, enquanto enfrenta acusações de corrupção. O episódio também explora sua vida pessoal, como o casamento com Sindica Dokolo, e termina com a morte dele em 2020, em meio a um cenário de incerteza sobre seu futuro, com possíveis negociações ou um exílio prolongado. A narrativa destaca a complexidade de seu legado, marcado por sucesso empresarial e controvérsias políticas.

FAQs

Isabel dos Santos estava no mercado de La Boqueria, em Barcelona, na véspera de Natal de 2019, conforme mostrou na sua conta pública no Instagram.

José Eduardo dos Santos, ex-presidente de Angola, estava em Barcelona há largos meses a receber tratamentos para um problema de saúde.

Isabel dos Santos nasceu em Baku, no Azerbaijão, em 1973, filha de José Eduardo dos Santos e de Tatiana Kukanova, uma cidadã russa.

O primeiro negócio de Isabel dos Santos, segundo a Forbes, foi um bar de praia em Luanda, onde se tornou sócia de um indivíduo que era incomodado pelas autoridades.

Isabel dos Santos estudou no King's College, em Londres, onde se formou em engenharia, seguindo as passadas do pai.

Isabel dos Santos circulava entre Lisboa, Londres e o Dubai, mas acredita-se que estará mais entre o Dubai e Londres, sendo o Dubai considerado um sítio seguro para ela.

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