Este episódio do podcast "Sob Escuta" traça a trajetória de Isabel dos Santos, desde sua infância no bairro de Alvalade, em Luanda, até se tornar a mulher mais rica de África. Filha de José Eduardo dos Santos, ela cresceu em um contexto de guerra civil e escassez, mas estudou em Londres, onde se formou em engenharia. Seu primeiro negócio, ainda jovem, foi a venda de ovos, seguido por um bar de praia e uma empresa de distribuição de bebidas. O grande salto veio com a Unitel, uma operadora de telecomunicações que ela ajudou a fundar, com apoio de parceiros como a Portugal Telecom. A relação com o pai foi central, mas também a tornou vulnerável às mudanças políticas. Com a saída de José Eduardo dos Santos e a chegada de João Lourenço ao poder, Isabel passou a ser alvo de investigações, incluindo o caso Luanda Leaks, que revelou documentos sobre transferências milionárias. Ela teve bens arrestados e perdeu o controle de empresas, enquanto enfrenta acusações de corrupção. O episódio também explora sua vida pessoal, como o casamento com Sindica Dokolo, e termina com a morte dele em 2020, em meio a um cenário de incerteza sobre seu futuro, com possíveis negociações ou um exílio prolongado. A narrativa destaca a complexidade de seu legado, marcado por sucesso empresarial e controvérsias políticas.
Vamos ver o que é que isso dá, acho que deve ser bom.
Esta é a Isabel dos Santos.
Está no mercado de La Boqueria, em Barcelona, na véspera de Natal de 2019.
É o que mostra na conta pública que mantém no Instagram.
Então aqui no Natal vou provar umas ostras na praça.
Isabel dos Santos está à procura de mangas, papaias, ostras, frutos secos, tudo para a ceia de Natal.
O pai, o ex-presidente da República de Angola, está em Barcelona há largos meses.
É em Barcelona que José Eduardo dos Santos está a receber tratamentos para um problema de saúde.
Isabel dos Santos sorri para a câmara do telemóvel e vai mostrando as bancadas com os produtos frescos.
Nesse mesmo dia, a 24 de dezembro, publica uma outra mensagem, também no Instagram.
Estou aqui para desejar-te. Para ti hoje, um Feliz Natal, que este ano traga para ti e para a tua família, paz, amor, carinho, muita felicidade e muita, muita, muita saúde.
Um Feliz Natal, boas festas e um Feliz Ano Novo.
Quatro dias antes desta publicação no Instagram, a 20 de dezembro de 2019, o Observador divulgava a entrevista à Isabel dos Santos.
Uma conversa com mais de duas horas que publicámos na entrevista.
A convidada de uma edição especial do Sob Escuta, esta semana, é uma das maiores empresárias africanas.
É também considerada a mulher mais rica de África e é filha do antigo presidente angolano.
E, além disso, é acionista em algumas das maiores empresas portuguesas.
Engenheira Isabel dos Santos, bem-vinda ao Sob Escuta.
Obrigada.
A filha do ex-presidente de Angola queixa-se de perseguição.
Hoje em Angola, para mim, não é um sítio seguro.
Mas eu queria ser um alvo específico, por ser quem é.
Não há dúvida que há uma tendência de tentar fazer parecer na sociedade que todos os males que haviam antes
eram um grupo pequenino de pessoas, que era o presidente e a sua família e que mais nada.
E, a partir daqui, a vida de Isabel dos Santos e da família mudou.
A 19 de janeiro de 2020, o Consórcio Internacional de Jornalistas
revelava uma entrevista à Isabel dos Santos.
É o caso Luanda Lix, no Expresso e na SIC.
Jornal da Noite, com Clara de Souza.
Sejam bem-vindos ao Jornal da Noite.
E começamos hoje com a maior investigação jornalística aos negócios de Isabel dos Santos.
Uma fuga de informação com mais de 715 mil documentos,
analisados por 120 jornalistas dos maiores órgãos de comunicação social de todo o mundo,
começam hoje a ser divulgados.
O Expresso e a SIC associaram-se a este Consórcio Internacional.
E esta noite vamos revelar como. Uma filha do antigo Presidente de Angola fez chegar pelo menos 115 milhões de dólares
dos cofres da Sona Angolpe a uma sociedade do Dubai,
controlada por pessoas próximas. Bem-vindos à Corte de Luanda.
Terceiro episódio.
A cara do pai.
É uma opinião unânime.
Isabel dos Santos é a filha preferida de José Eduardo dos Santos.
Até que ponto Isabel beneficiou desse facto?
Como foi o percurso de Isabel até ser considerada a mulher mais rica de África?
Isabel saiu de Angola e nunca mais voltou.
Nem sabemos se o fará nos próximos tempos.
Neste episódio, guiados por Filipe Fernandes,
vamos ficar a perceber como é forte a ligação de Isabel dos Santos ao pai e ao poder em Angola.
Filipe Fernandes é o autor do livro Isabel dos Santos, Segredos e Poder do Dinheiro.
Eu sou o Ricardo Conceição.
Bem-vindo, Filipe Fernandes.
Obrigado por teres vindo.
Onde está Isabel dos Santos?
Isabel dos Santos circulava entre Lisboa, Londres e o Dubai.
Barcelona, onde está o pai.
Era, digamos, este o circuito desde que saiu de Angola em agosto de 2018.
Nesta altura, eu creio que. Isto é uma forma dela se esconder mais ou estar menos próximo das polícias e da Interpol.
Penso que ela estará mais entre o Dubai e Londres.
Mas, sobretudo, no Dubai, que é um dos locais onde as elites africanas e asiáticas e algumas europeias
hoje em dia estão, porque é um sítio seguro.
Se refugiam, podemos dizer, refugiam.
Exatamente, é refugiado.
Isabel dos Santos tem cidadania russa, não é?
A segunda taça, em janeiro, diz que ela sempre foi cidadã russa.
A mãe é russa.
E, portanto, ela tem a cidadina em russa.
No entanto, a mãe também é britânica.
Portanto, há aqui um. Eu creio que ela tem um cartão de residência em Londres.
Portanto, ela pode estar a viver na Inglaterra.
Digamos que não é o sítio mais seguro, por razões óbvias.
Se houver, digamos, uma caça global, o sítio mais seguro será sempre o Dubai.
Isabel dos Santos é filha de uma cidadã russa e do pai, José Eduardo dos Santos,
cidadão angolano.
Angolano.
Como é que isto aconteceu, Filipe?
O pai, o José Eduardo dos Santos, aderiu ao MPLA, jovem,
e foi estudar para Baku, no Azerbaijão, na Rússia,
onde fez um curso de engenharia de petróleos
e depois, mais tarde, um curso de telecomunicações,
mas adequado à, digamos, à tecnologia militar,
para trabalhar nas telecomunicações do exército do MPLA,
na altura da Guerra Colonial.
E em Baku conheceu. Uma russa, Tatiana, tal como um amigo dele, que era um Vandunan também.
Tatiana, Kukanova.
Kukanova, exatamente.
Agora é Reagan, porque o do segundo casamento que, entretanto, teve.
Em Baku, ele e um amigo, que era o que fechou a ser o ministro dos negócios estrangeiros,
que era o Pedro Vandunan,
conheceram duas russas e os dois casaram ao mesmo tempo
e, em 73, nasce Isabel dos Santos.
Nessa altura, já. José Eduardo dos Santos estava na frente da guerra, em Cabinda,
que era uma das frentes de batalha do MPLA,
onde estava em 73, quando ela nasceu.
Portanto, Isabel dos Santos nasce em. Baku, no Azerbaijão.
Baku, no Azerbaijão.
Baku, no Azerbaijão.
Baku, no Azerbaijão.
E a infância, depois, é passada onde?
Com a independência, em 75, José Eduardo dos Santos vem para Luanda,
com a mulher e com a filha.
Entretanto, começa a assumir cargos no governo,
chegou a ser ministro dos negócios estrangeiros do governo angolano
e ela vivia num dos bairros mais, digamos,
que já no tempo. No tempo colonial era um dos bairros da elite,
que era o bairro de Alvalade.
O bairro de Alvalade, em Luanda.
Em Luanda, que se transferiu para, digamos,
para a elite do governo de Angola
e do Partido no Poder, que era o MPLA,
que estava em guerra civil com a UNITA e com o FNLA.
Portanto, eram tempos complicados,
porque Luanda chegou a estar cercada
e, portanto, eram tempos, apesar de tudo, complicados.
E tu contas que, no teu livro,
que Isabel é Isabel em homenagem a uma tia,
é exatamente, é uma homenagem, porque foi a tia,
como eram vários filhos e os pais dos Eduardo Cento
tinham que ir trabalhar, normalmente ele ficava com a irmã Isabel,
que era uma das mais velhas,
e que era um bocado a referência do irmão mais novo.
Isso foi uma espécie de homenagem.
O meu pai nasceu no São Paulo
e a minha avó Jacinta viveu no São Paulo.
Como eu vou educar,
e eles tiveram uma primeira filha que se chamava Isabel.
A minha avó saía de manhã muito cedo para ir trabalhar
e quem tomava conta do meu pai era a minha tia Isabel.
E por este respeito, este carinho,
este orgulho que ele teve na sua irmã mais velha,
ele deu-me o mesmo nome, Isabel.
Então leva-nos lá aqui de mais à infância de Isabel dos Santos,
no bairro de Alvalade, em Luanda.
Nessa altura há ali uma. Há um momento que há quando o pai se torna presidente de Angola.
Cumpro hoje o honroso dever de prestar-se a mão
nesta cerimónia solene de investidura
para assumir os cargos de presidente do MPLA Partido do Trabalho,
presidente da República Popular de Angola
e comandante em chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola.
Há ali um. Torna-se um pouco. Não era muito favorável que ele. Que o Jair Eduardo dos Santos mantivesse uma relação com uma branca.
Isto, dito assim, parece uma coisa muito dura,
mas é verdade.
Aliás, nessa altura. Estamos a falar de 1979?
79, 77, 79, quando morreu a coxinha.
E o facto de ter uma mulher branca seria um problema?
Isso seria um problema.
Apesar de eles já estarem mais ou menos afastados,
era continuar a ser.
E, portanto, houve ali uma separação.
E, nessa altura, a mãe trabalhava só na Angola.
era no departamento de Geologia e, portanto, ela continuava a viver no bairro de Almeida.
alvalade, a vida
na altura não seria muito
seria bastante difícil
e aí
há várias histórias
de ser um
de alguma falta
de acesso
a alimentos, a bens
e aí que vem a história
dos ovos
exatamente
Isabel dos Santos
numa entrevista, na altura
uma das poucas entrevistas que ela deu
foi ao Financial Times em 2012
ou 2013
e contava que ela já
era empresária desde pequena
e que até vendeu ovos
durante a sua infância
quando andava
quase na escola primária
obviamente com o país em guerra
sem divisas, o preço do petróleo
apesar de tudo não era
a indústria do petróleo não era tão forte
os diamantes não eram
havia sempre contingências
portanto Angola vivia
numa austeridade terrível
com uma guerra civil intensa
em que a maior parte do dinheiro
iria para compra de armas
e nessa altura com o êxito também
da população para Luanda
sim, tudo a concentrar-se em Luanda
portanto havia uma carência de bens alimentares
por outro lado era uma economia estatizada
portanto não havia iniciativa privada
e o que acontecia?
como em todos esses regimes
o que é que as pessoas
tinham as suas próprias galinhas
tinham as suas próprias hortas
enfim
e depois faziam a comercialização
disso entre
entre as pessoas
nos seus empregos, nos seus amigos
uma economia paralela
e a mãe trazia ovos
para vender aos colegas
e às colegas da São Nangol
e portanto ela quando vinha da escola
ia para São Nangol
para o pé da mãe
e portanto assistia
e de certo modo participava
eventualmente ela é que contava os ovos
ela é que separava as caixas
enfim, isso ela não se imaginava
mas estamos a falar ainda de Isabel dos Santos
miúda
miúda, enfim
início dos anos 80
teria 7, 8, 9 anos
enfim
podemos tirar já daí
essa lógica empresarial
ou estamos aqui a extrapolar demasiado?
eu acho que não
ela contou estas
o contexto
a forma como ela contou
ela conta a história
e a forma como conta
dá a ideia que a sua fortuna
quase que teria começado
agora, que ela tem um certo pendor
para uma iniciativa
há uma outra história
quando ela já vivia em Londres
dela comprar relógios
e joalheria de marcas
umas marcas mais
e quando ia de férias
a Angola vender no Natal
vender ao círculo familiar
comprava bens de luz
para revender depois em Londra
exatamente
portanto isso
fins dos anos 80
início dos anos 90
e
que mais
que outras características
de personalidade
é que tu consegues identificar
a Isabel dos Santos
ou que são identificáveis
por aquilo que é conhecido
acho que ela tem
é determinada
garota
oh garota
sabes bem que
te chamam assim
sabes bem que
te chamam assim
porque ninguém
porque ninguém
tu queres ouvir
oh garota
tu queres ouvir
tu queres ouvir
tu queres ouvir
tu queres ouvir
é bastante frio
na análise das situações
tem uma grande capacidade de trabalho
é uma pessoa
e tem um lado de iniciativa
que ela entusiasma-se muito
com o início das coisas
depois perde um bocadinho isso
e distancia-se
à história de um restaurante
que ela abriu
com uma das suas depois parceiras
a Paula Oliveira
que era um
como dizia alguém
onde se podia comer sushi
sem morrer
em Luanda
e portanto
ela no início
até as emendas
vigiava
e estava atenta
mas também tem outro na praia
esse foi o negócio inicial
segundo a Forbes
esse foi o primeiro
o primeiro negócio
como é que fez?
isso é um negócio
que ela nunca fala
e diz que
porque era um indivíduo
que tinha um negócio
na praia
um bar de praia
um restaurante
e que estava sempre
a ser incomodado
pelas autoridades
estamos a falar
em meados dos anos 90
a seguir
de eleições presenciais
com
o senhor Eduardo Santos
estava em 92
portanto
estamos a falar
numa Isabel dos Santos
com 20 anos
20 e pico
sim, 22, 23
e num ambiente
que Luanda e Angola
ainda com um grande peso
do Estado
e da
digamos
da Polícia Política
e da
enfim
dessas
e ele
lembrou-se
conhecia
filha do presidente de Angola
vou
torná-la sócia
e vou obter o meu
paz
e vão acabar os problemas
vão acabar os problemas
e conta-se
a Forbes
aliás conta isso
num artigo do Rafael Mara
e os problemas acabaram
tu já falaste aí
várias vezes
em Londres
ela estudou em Londres
como é que foi
essa fase da vida?
quando o José Eduardo Santos
se casa pela segunda vez
ela se casa pela segunda vez
de certo modo
a mãe
aquilo deve ter sido um incómodo
e portanto a situação
também Angola
não seria o melhor sítio
para viver na altura
e como ela tinha
segundo vários
há depoimentos
de um general russo
nas suas memórias
que diz que
que o José Eduardo Santos
e Angola
a trataram muito bem
e portanto
isto é
permitiram-lhe meios
para ela viver em Londres
com a filha
e portanto
ela vai viver para Londres
com os seus
10, 12 anos
e portanto
vai para um colégio
e faz lá
faz lá
sua formação toda
como estudante
e se calhar
como parte
como pessoa
também muito
num colégio internacional?
sim
num colégio internacional
mas depois
vai para o King's College
fazer engenharia
em termos de referência
é uma grande referência
para si
seu pai
o facto de
de ser
seguir também
em engenharia
foi influência
por parte do pai?
sabes Pedro
o meu pai
foi a pessoa
que me ensinou a ler
foi a pessoa
também que me ensinou
a escrever
para mim
ele é uma grande fonte
de inspiração
ele é um homem extraordinário
é um homem muito simples
muito inteligente
e sem dúvida
eu acho que ele é uma referência
para mim
e para outros jovens
também angolanos
hoje sou engenheira
porque gosto de matemática
sempre adorei ciências
e enfim
segui um bocadinho
as passadas dele
se bem que hoje
a minha vida é diferente
da dele
mas é sem dúvida
um grande homem
e o regresso
depois a Angola?
o regresso
ela entretanto
quando acaba o curso
vai para uma empresa
que é
que é hoje
que propõe
mas integrou a PwC
onde esteve
dois ou três anos
em Londres
e em Lisboa
trabalhei
há alguns anos
numa grande
alguns anos não
alguns meses
numa grande empresa
de consultoria
que na altura
chamava-se Coopers
que depois fundou
que fundiu com a PwC
Pricewaterhouse
e hoje é
Pricewaterhouse Coopers
só que
aliás
na PwC
sempre acharam
que ela
tinha muitas solicitações
de Angola
quando estava a trabalhar
tinha que faltar
porque
vinha um ministro
vinha alguém
e vinha receber
ordens do pai
depois
a dada altura
em 95
ela decide ir para Angola
e regressa a Angola
para
ela diz muitas vezes
que até sentiu
essa
sentia essa necessidade
não é?
sentia
e eu compreendo
houve ali um momento
de euforia
em 92
quando se foi
assinada a paz
em 91
quando foi assinada a paz
depois de eleições
e depois houve ali
uma espécie de choque
quando não corre
acender
numa guerra civil
brutal
e portanto
eu acredito
que ela estivesse ali
num meio
muito dividida
como a Angolana
que é
falámos também
já aqui
das relações
familiares
mas as relações
com os irmãos
e há uma
resposta
de Isabel dos Santos
na entrevista
ao observador
eu não conheço
nenhum processo
judicial
em relação
aos meus irmãos
diz irmãos
para já
são meus
meios irmãos
portanto
nós não temos
uma relação próxima
e esta resposta
Filipe Fernandes
indicia que realmente
não há uma grande
relação entre ela
e os irmãos
meios irmãos
obviamente
que não há
uma grande intimidade
entre os irmãos
há relações
de familiares
e aliás
basta ouvir falar
de Xizé
de Isabel dos Santos
preservando
alguma
descrição
de alguma
intimidade
diz sempre
nunca tive
nenhuma relação
financeira
de negócios
com a minha irmã
Isabel dos Santos
e só
até
até
a agora
tirada
célebre
agora
devolve
devolve
paga o dinheiro
e resolve isto
exatamente
para ver se ficamos
todos em paz
o que é que está em causa
é a dívida
de 75 milhões
pague então
se estão a pedir euros
não querem quantos
apesar de pronto
um Estado
normalmente
deve querer sempre
receber na sua moeda
mas se o Estado
está a precisar de dólares
está a pedir a cidadã
que é a cidadã
que mais beneficiou
das oportunidades
de negócio
em Angola
está na hora
da cidadã
retribuir
tudo o que o Estado
lhe proporcionou
propiciando
que fizesse
grandes negócios
e hoje
tornasse a mulher
que é
e pronto
mande dinheiro
para Angola
há ali
uma relação
até porque ela viveu
no fundo
ela deu-se
dava-se com os irmãos
quando vinha
de férias
quando regressava
e depois
fez a sua vida
um bocado
à parte
e portanto
ela tem
e como é que surge
o casamento
com o congolês
a síndica do colo
o síndico
é de uma elite
Congolesa
E um pouco como ela
Também a mãe é dinamarquesa e, portanto, ele estudou na Europa, estudou na França, também estudou em Inglaterra. Portanto, há ali um trajeto semelhante.
Há um. E depois, obviamente, não sei se haveria, se Isabel dos Santos teria tantos partidos em Angola que lhe dessem essa dimensão, porque ele, de facto, tem também uma certa, digamos. Uma linhagem?
É uma linhagem e, ao mesmo tempo, é alguém mais cosmopolita, não é? Eles conhecem-se em. Conhece-se a história de amor ou não?
Não conheço. Sei, não tenho agora de memória, mas sei o dia que a Isabel dos Santos diz que tiveram o primeiro date, assim, que foi o início do seu primeiro encontro, que ela celebrou o ano passado em Itália.
E ele foi viver para Angola em 99, quando a situação é. No Congo, começou a estabilizar, o Mobutu já tinha saído em 1997 e ele foi viver para Luanda, que era um sítio mais, digamos, era um sítio mais seguro e, portanto, ali começa a haver, digamos, uma relação muito forte com o Congo.
Obviamente que não foi um casamento, como era, digamos, nas monarquias europeias e também nas monarquias angolanas.
Literalmente um casamento de casas reais, não é?
Exatamente. Não, e criar alianças e tal. Enfim, não foi isso. Foi, digamos, também há aqui um bocado aquele acaso que leva ao casamento.
Nesta altura, a Isabel dos Santos ainda era muito discreta. Nós sabemos alguma coisa? Como é que foi o casamento? Temos sempre notícias de casamentos de arromba.
Sabe-se porque ela disse. Porque eu ouvia, durante anos e anos, dizia, aliás, um jornal alemão falava em 10 mil convidados.
Em que os convidados teriam sido todos, haveria linhas aéreas quase.
Uma ponta aérea.
Uma ponta aérea quase para o casamento dela. E ela disse que não, foram 800 pessoas. Não é pouco, mas foram 800 pessoas.
E só tiveram presentes dois presidentes. E aí se vê, pronto, aí era mais quase geopolítica. Era o Kabila do Congo e o Sanujoma da Namíbia.
E depois, obviamente, foi um casamento.
Com alguma riqueza de. Nessas coisas, sempre aquela pergunta, sabe-se quanto custou ou não?
Não, isso não se sabe, mas custou, aliás, não custou tanto como dizem, como falam assim, números absurdos.
Foi um casamento caro, aliás, porque muitas das coisas foram de Portugal para lá.
Portanto, digamos, foi um casamento, digamos, ao nível daquilo que Angola acha que a sua filha, do seu presidente, na altura, merecia.
Filipe Fernandes, falámos aqui. Ou falá eu, na questão de ela ser mais discreta, nesta altura.
Isto tudo muda.
E passamos, há uns anos, a ter uma Isabel dos Santos nas redes sociais, muito ativa.
O que é que aconteceu a Isabel dos Santos para ela passar de um registro mais discreto para um mais público?
Há várias explicações, mas eu acho que a compra da. A compra da empresa Diamantes permitiu-lhe chegar a ir a Cannes e estar com todas as estrelas de cinema que lá estavam, jantar com elas, tirar fotografias com elas.
E vemos isso no Instagram de Isabel dos Santos.
Mas começa em 2014.
Depois, eu acho que há aqui uma mudança que poderá ter a ver com a perspectiva de futuro dela.
E ela achar que, estando mais exposta, mediaticamente. Estaria mais defendida. Mais protegida?
Mais protegida de alguma alteração que pudesse haver em Angola.
Que iria haver, inevitavelmente.
Com a saída do pai?
Com a saída do pai, porque o pai sairia, inevitavelmente.
Não percebeu. Exposta politicamente, e se eu adicionar exposta, imediatamente, é um coquetel de molotov.
Pode ser explosivo.
Pode ser explosivo, não é?
E, portanto. Mas, quer dizer, naquilo que estás a dizer. Isto é pensado, não é algo que resulta. Até porque a anterior situação era pensada.
Olá, fazendo um pequeno live aqui da Rússia,
na Bíblia do Morro,
na Conferência Internacional de Económica. Porque ela tinha, por exemplo, um assessor de comunicação,
um consultor de comunicação,
que ele não poderia falar. Tinha a indicação de que ele não poderia falar por ela.
Portanto, ela queria manter. Ela era empresária, discreta, enfim. Portanto, mantinha-se, aliás.
Ela não dizia que não queria caros políticos, não queria nada.
Ela era puramente empresária.
E há ali um. Há ali um aumentar de disposição.
Eu penso nisso.
Depois há uma ou outra situação que eu acho que veio expor remediavelmente, digamos. E que, de certo modo, explica a situação em que ela se encontrou hoje.
Há uma coisa que ela. Ela sempre fez o que o pai lhe pediu.
E isso foi fatal, quando lhe pediu para ir para São Nangal.
E ela foi, porque eu penso que o pai estava. A situação da São Nangal era desesperada e ele não tinha mais ninguém.
Mas o caso mais emblemático, para mim, ainda é da Isabel dos Santos, não é?
Esta é a voz de Reginaldo Silva.
É jornalista e analista político.
Entrevistado pela jornalista Dulce Neto, em Luanda,
falava aqui dos processos judiciais em curso.
Isabel é a cara do pai, diz Reginaldo Silva.
Para mim é mais emblemático, em meu entender.
Até pela proximidade que ela tem do presidente anterior,
porque, eu devo confessar, eu sempre vi em Isabel dos Santos a cara do pai,
em termos de, digamos, de influência, do seu próprio poder
e da forma como ela foi subindo aqui, digamos, na hierarquia económica e social.
Isabel dos Santos é a menina do papá.
É.
Então, em vários aspectos.
Zé, não é?
E por muito que ela queira apresentar a sua, digamos, a sua carreira empresarial
como mérito seu, da sua inteligência, da sua capacidade de trabalho,
enfim, aliás, ela dizia, ainda recentemente dizia,
porque é que não me aplicam o mesmo princípio que aplica um europeu e a outras empresárias?
Porque um africano pode ser um grande empresário como um europeu.
Parece que, enfim.
Ela tenta muito isso, mas ela não deixa de ser filha do presidente da República
e há casos óbvios é que lhe foram entregues, sobretudo na última fase,
projetos diretamente do Palácio Presidencial.
Já lá vamos.
Mas ela queixa-se mesmo.
Na entrevista, por exemplo, ao Observador, pôs muita tónica nisso.
Quer dizer, eu tenho culpa de ser filha de quem sou, não é?
É basicamente o que ela diz.
Mas acha que os presidentes não deviam ter filhos?
Não, mas a minha. Ou se os presidentes tivessem filhos, os filhos não deviam morar naquele país,
ou então mais, os presidentes podem ter filhos, podem morar no país,
mas os filhos dos presidentes não devem ter os mesmos direitos que os outros cidadães.
Ou seja, é ridículo.
Ela não tem culpa, obviamente, que eu acho que há parte do seu percurso empresarial
que pode ser desligado um pouco dessa. Agora, é inevitável que ela, por exemplo, com até parceiros como o Américo Amorim ou a SONAI,
eles escolhem. Não só pelas suas capacidades pessoais e empresariais.
Sabem ou pressentiam que, sendo filha de quem é, poderiam ter o caminho facilitado.
Então vamos olhar aqui para o percurso empresarial de Isabel dos Santos.
Tudo começa com um negócio de distribuição de bebidas.
Há várias histórias. A questão é que há várias histórias do início.
Nenhuma delas tem nada de. Transcendente.
Transcendente. Eu acho que é uma questão dela se decidir a contar.
Ela vai contando, não é?
Primeiro essa do bar na ilha.
Depois há duas versões.
Uma é que ela foi para trabalhar para um grupo chamado Grupo Gembas,
que tinha uma empresa que era a Urbana 2000, que fazia a limpeza de Luanda.
E ela trabalhava lá como engenheira.
E as comunicações lá na altura eram feitas por halki-talkis.
Mas movimentações. E ela tem os primeiros contactos com o Erickson.
E abri com um amigo meu, que também é formado nos Estados Unidos,
uma empresa de logística.
Nós fomos fazer uma startup.
Portanto, logística, que ele dizia que era beverage delivery.
Portanto, nós fazíamos distribuição de bebidas.
E para controlar efetivamente os caminhões,
porque tínhamos comprado caminhões em segunda mão,
tínhamos dois caminhões em segunda mão, eu vendi o meu carro.
Mas nunca diz quem é o amigo.
Porque se fosse, digamos. Alguém com quem ela estudou.
Com quem ela estudou nos Estados Unidos.
E que depois estava em Angola.
E, portanto, falavam a mesma linguagem.
E que aí começaram.
E depois tinham também o mesmo sistema de halki-talkis.
Um sistema de comunicação com os motoristas, não é?
Exatamente.
E que depois disso foi progredindo para uma empresa de telecomunicações,
porque compraram o sistema da Motorola.
Enfim.
E, portanto, isto aqui é muito. Havia um empresário. que era o Horácio Roque, que dizia
que cada fortuna tem a sua cestade.
Portanto, cada um quanto há que quer.
Mas, inevitavelmente, o grande negócio, digamos, é o NITEL.
Esse aqui é, digamos, o. Que é a operadora de telecomunicações. Privada, que foi a segunda que veio concorrer com a Movitel,
que era estatal em Angola.
E que foi um sucesso brutal, porque. Pois aqui é preciso. Deixa-me interromper-te aí, porque ela, na entrevista ao Observador,
a entrevista que está disponível em podcast,
ela diz, põe a coisa. Tudo começou numa sala, numa pequena sala,
éramos 15 pessoas, mobília emprestada, em segunda mão. As pessoas passam pela rua, vêm um hotel e dizem
Puxa, grande hotel.
Grande negócio.
Mas o hotel não nasceu construído.
Não é?
Portanto, hoje olham-se para a rede da Unicel,
e dizem, sim, pá, uma grande rede.
Mas alguém teve que a construir.
Isto é um período de investimento de 20 anos.
Em termos de investimento, que é um investimento muito demorado.
Agora, se me perguntar assim,
de onde é que veio o dinheiro para a Unicel investir?
E eu respondo-lhe.
Todos os anos, os sócios reinvestiram.
No início da Unicel, reinvestiam quase 100%.
A partir do sexto, sétimo ano, começaram a reinvestir quase 80%, 70% do valor que ganhavam.
Enorme.
Ou seja. Ou seja, o retrato que tira dessa Unicel é uma coisa construída ali desde o zero.
De certo modo, ela tem razão.
Independente de ter começado assim, até pode ter começado assim.
Porque a Unicel, quando começa, é simplesmente uma licença do governo de Angola para operar.
E é preciso contextualizar.
Porque 98 está em plena guerra civil.
Digamos, é o culminar, digamos, da guerra civil.
Momentos mais intensos, que é quando, nessa altura, que a UNITA começa a perder algum fogo.
Porque, entretanto, surge a dificuldade de comercializar os diamantes.
Enfim, que lhe tira algum suporte.
Mas a guerra é muito intensa.
E, portanto, o governo de Angola fez um concurso para a atribuição da segunda licença e ninguém concorreu, obviamente.
E estou convencido que podia ter aberto até 2001, 2000, aberto vários concursos, que ninguém iria.
Na situação em que está.
E, portanto, a única opção foi dar a Isabel dos Santos, mais a Sonangol, ao general Dino e ao general Copeliba.
Entretanto, e ela conta isso, mas ela vem à Europa procurar parcerias.
Porque sabe, para construir uma empresa de telecomunicações daquelas, uma rede tem que ter parcerias.
Portanto, poderá ter andado a pôr uma antena ou outra, mas, obviamente, não foi por aí que. E o ponto de partida. O ponto de partida é quando a PT, a Portugal Telecom, na altura, entra para o capital.
E, em 2001, começa a operar.
E, digamos, é, no fundo, é o grande. Tem apoio, também, dos Sederiksen e de outros que ela explica.
E o sucesso, entretanto, dá-se à morte do Savimbi e a Angola fica em paz.
Portanto, e isso. Portanto, e a Angola fica em paz.
Portanto, as telecomunicações tornam-se um sucesso em Angola e em outros países da África, não é?
Quer dizer, seguir à Europa.
Mas foi um sucesso tremendo, não é?
Pois aquilo torna-se uma cascauca.
Quer dizer, aquilo começa a despejar dividendos, dividendos, dividendos.
Quer dizer, basta fazer as condições. Com a Isabel dos Santos, depois são reinvestidos, reinvestidos, reinvestidos.
E distribuídos, não é?
A parte são distribuídos.
Aliás, cada um deles terá recebido, desde 2001 até agora, por aí. Um fosco.
Um fosco.
Pai, 1,5 mil milhões de dólares.
Quer dizer, é muito dinheiro.
São 20 anos quase, mas é muito dinheiro.
E depois, supermercados. Quer dizer, há uma série de investimentos. Sim.
Ela começa depois a seguir ali com o português Fernando Teles e o Américo Amorim para fazer um Banco de Angola.
Pois isso dá entrada na Galp.
Entrada na Galp, que tem várias histórias.
Então, vamos falar desses.
Nos, agora, nos Landaleaks, o Sindica diz que foi ele que falou com o Amorim e que negociou com a São Angola a entrada na Galp.
Andei na praia com o Sr. Amorim.
Era um senhor, realmente, por quem tinha muito respeito, porque lembrava muito o meu pai, que tinha falecido há pouco,
que era um homem que começou quase de nada.
E com o sentido dos negócios, inteligência, determinação e visão.
Fundamentalmente, os dois tinham uma grande visão.
Conseguiram tornarem-se os grandes empresários de referência a cada um do seu país.
Eu acho que, daquilo que sei do Américo Amorim, eu acho que o Américo Amorim já conhecia há muitos anos o presidente da São Angola.
Da altura que era o. Manuel Vicente?
Sim.
Sim, era o Manuel Vicente.
E ele conhecia-o muito mais.
O irritante.
Exatamente.
O senhor do irritante.
E que o conhecia há muitos anos.
E, portanto, eu creio que isso estava. A entrada da São Angola e Isabel dos Santos, aquilo já estava na cabeça dele.
E foi ele que percebeu que também isso era uma vantagem.
Ter a Isabel dos Santos de um lado, ter a São Angola, isso seria positivo.
Em seguida, começam a fluir os negócios.
Entra na banca, entra nas televisões, na televisão.
Estes negócios também têm. E isso em Angola, para além dos negócios cá, não é?
É isso que eu. Porque há aqui uma lógica.
Ela entra em negócios onde é importante que Angola esteja no centro. Ou os representantes angolanos estejam num centro de decisão que tenham a ver com Angola.
Se nós repararmos, o caso do Banco Fomento. Do Banco Fomento de Angola, que era do BPI.
E ela entra no BPI, portanto.
Ela está no centro do BPI para defender os interesses do Banco Fomento de Angola também.
E como se viu, quando foi necessário vender, isso foi importante.
E como é que era a relação dela com os empresários portugueses?
Com Érica Morim, Paulo Azevedo, nomes grandes. Eu penso que ela, apesar dessas coisas, nunca formou relações muito calorosas.
Não são calorosas, não é?
Aliás, depois, ela olha para os negócios, não olha para. Ela olha com grande frieza para os negócios.
Sim, sim, sim.
Aliás, o caso de Sonaia é lapidar, não é?
Quer dizer, ela vai buscar o homem Sonaia que estaria a tratar da entrada em Angola,
contrata-o e faz uma cadeia.
Ela e a Sonaia ficam sem alternativa.
E a seguir, ali, a Sonaia. Vai controlar a nós.
Ou seja, estás aí a descrever alguém que tem um pensamento muito prático.
Sim, aliás, ela vai buscar.
Ela era com a Érica Morim, tinha dois bancos em Angola,
tinha uma aliança na Amorim Energia,
e vai buscar um dos homens fortes, que é o. Mário Leita Silva?
Sim, sim.
Que era um quadro da PwC, que depois passou por o grupo Américo Amorim,
e ela tinha relações, negócios com a Américo Amorim,
e foi buscar o homem forte para si.
Começa agora o Jornal das 10 na Rádio Observador,
com Carla Jorge de Carvalho.
E, Carla, começamos com uma notícia de última hora sobre o Luanda Lix.
O presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento de Angola
renunciou ao cargo.
Mário Leita Silva é gestor de Isabel dos Santos.
A demissão tem efeitos a partir de 22 de janeiro.
E sempre foi agindo assim, não é?
Sempre com um grande sentido prático.
Aliás, há alguém que me dizia que ela, como não consegue ter o feiticeiro,
vai buscar o ajudante do feiticeiro.
Também há quem diga. Lendo aquilo que tu escreveste,
que ela perde rapidamente o interesse naquele negócio
e depois deixa a equipa a tratar.
Exatamente.
Ela é muito de. É muita visão macro a partir da visão macro.
E, portanto, entrega muito às suas equipas.
Escolhe bem as pessoas, paga-lhes bem.
Depois tem um lado que, entretanto, surgiu com as redes sociais
é que estava em reuniões e tirava selfies, não é?
Portanto. Mesmo com documentos sensíveis em cima da mesa.
Em cima da mesa, exatamente.
E isso não era muito bem visto, não é?
Não, não.
Porque era um bocado um ar leviano que. Enfim, mas. Claro.
E os diamantes, Filipe?
Como é que. Os diamantes é uma história que tem ligações. Também é um pouco a história da Angola.
Os diamantes surgem.
Havia dois empresários israelitas de origem russa.
Que estavam em Angola.
Um deles era o Gaidamarek, que era. Tinha sido fornecedor de armas e, enfim, tinha andado pontificado.
Aliás, e que recentemente ganhou um concurso para a construção de uma refinaria
e usou o nome, como é conhecido em israeles,
o nome, digamos, judaico e não o nome russo.
E, portanto. E, quando descobriram, tiveram. Tiveram que lhe tirar a concessão da construção.
porque, enfim, aquilo poderia dar alguns problemas
esses dois que fizeram uma empresa
de distribuição de diamantes
já estavam metidos também num negociamento
com a conivência do governo de Angola
para, digamos, terem uma alternativa à De Beers
portanto, que era a Ascorp
e nessa empresa surge
como acionista uma empresa chamada Tais
que é Tatiana Isabel
A Tais, que ninguém confirma que é mesmo Tais
Tatiana Isabel
Não, isso não confirma, mas confirma que a Isabel dos Santos era a sócia
a Isabel dos Santos e a mãe
entretanto, um ano ou dois depois, muda de nome e passa só para a mãe
e depois, quando há uma fuga
de um banco suíço
em meados dos anos 2005, 2006
apareceu uma conta da Tatiana
a mãe de Isabel dos Santos
Tatiana Koukanova
e que tinha 5 milhões de dólares
na conta
mas depois há a questão
da empresa suíça
como é que tudo isto entra
nesta história?
A empresa suíça, que supostamente é só de sindica
ela diz que não era ela
eu não faço parte da Saudiam
porque eu acho que isto já foi
a Saudiam é uma empresa
a 100% estatal
eu não sou sócia
mas na altura
eu acho que seria dos dois
surge desse relacionamento
o sindica, a sua circulação pelos mundos
das artes, das feiras
e conhece o dono
dessa empresa suíça
que estava com algumas dificuldades
e eles perceberam ali um negócio
que poderia ser interessante para a Saudiam
enfim, interessante para eles
sobretudo, não é?
e portanto o negócio começa aí
com a ideia de que a Suíça
desde o momento que conseguem aliciar a Saudiam
entraram no capital
desde 2011, 2012
a altura em que foi decidida
a participação da Saudiam
nesse negócio
o Estado não beneficiou de um único dólar
este é Eugênio Bravo da Rosa
presidente da Saudiam
em entrevista à SIC no início de 2020
estamos aqui a falar
de uma perda para o Estado
de cerca de
valores que no total
poderão rondar
acima de 200 milhões de dólares
efetivamente faria sentido
não sei se
de termos teóricos faria sentido
em termos como depois se executou
provavelmente não
ela tem uma presença também muito forte
no mundo empresarial em Portugal
como é que era a relação de Isabel dos Santos
com tanto poder
empresarial português
e político
temos que distinguir
ou podemos juntá-los?
podemos juntá-los?
acho que havia ali uma grande
uma grande admiração
e uma grande
passadeira vermelha
e tentava-se uma grande proximidade
aliás o Marcelo
o atual presidente da República
chegou a dizer que a PT seria
muito interessante se ela conseguisse
obter a PT na OPA que fez
em 2014
das intenções
à prática
Isabel dos Santos registra esta
sexta-feira a sua oferta pública
de aquisição sobre a PT-SGPS
a empresária angolana retira
todas as condições anteriormente impostas
para avançar com a OPA
e que dependiam da OI
Isabel dos Santos revê as condições
mas não o valor da oferta
o caso do negócio da EFASEC
é claramente isso
é uma empresa portuguesa
que está com problemas
não há muito
não há quem avance
era preciso dinheiro
resolver o problema e de facto ela avançou
e quando é que tudo isto
começa a virar
isto começa a virar
eu tenho a impressão que a minha ideia
a SONANGOL é o ponto-chave
que é
ela torna-se objetivamente
um alvo
ao mesmo tempo
ela diz que não foi para a SONANGOL
por decisão do pai
não foi
não foi escolhida pelo meu pai
foi escolhida pelo governo angolano
foi escolhida pelo governo angolano
e quem é que era o presidente da Angola à altura?
o governo angolano
não é uma pessoa
o governo angolano são várias pessoas
durante 36 anos
com uma pessoa à cabeça
durante 36 anos
com o presidente da república
por exemplo
o que o Adolfo Tredes Costa
que na altura era
e que hoje é um braço direito
do João Lourenço
foi que esteve na decisão
dela ir para a SONANGOL em tempos formais
e que hoje é um braço direito do João Lourenço
e que hoje é um braço direito do João Lourenço
formais
sim, mas obviamente
mas ele assinou
a responsabilidade é dele também
não é só do presidente da república
mas é aí que começa tudo a virar?
eu acho que expõe muito em Angola
o facto dela estar
no centro do vulcão
e a SONANGOL é o Estado
é o outro Estado
é o grande pilar da economia angolana
é o Estado
enquanto houve dinheiro
aquilo estava para tudo
aliás
o Estado estava para tudo
geriu lojas alimentares
em tempos de coisas
e tentar mudar é criar
inimigos
obviamente, isso é inevitável
e ela criou muitos
com o seu tempo na SONANGOL
e isso torna
um alvo político
e isso foi
a base desta decisão
do governo de Angola
por exemplo, o arresto dos bens
e das contas
tentar
tentar
asfixiar
uma eventual
tentativa de financiar
movimentos contra o governo de Angola
uma campanha política
e isso poderia ser uma tentação
porque estava
o caminho era esse
porque ela estava-se a assumir
quase como uma
adversária política
do João Lourenço
Jornal das 10
no Observador com edição de João Felipe Cruz
Boa noite João
um tribunal angolano decretou o arresto preventivo
de empresas e contas
de Isabel dos Santos
foram arrestadas contas pessoais
da empresária angolana
e também nove empresas
nas quais detêm participações sociais
mas tudo isto também
coincide, como estavas a explicar
com a saída de cena do pai
portanto o pai sai de cena
e de repente tudo começa a mudar
é, e tinha que mudar
e digamos que
José Eduardo dos Santos
para quem entra de novo
e tem que ganhar as próximas eleições
e tem que governar um país em que não tem nada a fazer
em crise
tem que arranjar algum bode expiatório
alguma forma de
tentar criar um caminho novo
não é
não tendo responsabilidade
sobre o caminho
anterior mesmo que tivesse
a bajulação e a impunidade
que se implantaram no nosso país
nos últimos anos
e que muitos danos
causam a nossa economia
afetam a confiança
dos investidores
porque minam
a reputação
e a credibilidade do país
este é João Lourenço
em setembro de 2018
no 6º congresso do MPLA
nesta cruzada de luta
o MPLA deve tomar a dianteira
ocupar a primeira trincheira
assumir o papel de vanguarda
de líder
mesmo que os primeiros a tombar
sejam militantes
ou mesmo altos dirigentes do partido
mas naquele congresso
do MPLA
há a frase de João Lourenço
com José Eduardo Santos
sentado na sala
muito poderosas a indiciar
que as coisas vão mudar
e têm que mudar
porque
se nós analisarmos
as eleições livres em Angola
os resultados do MPLA
cada eleição perde 10%
portanto se nas próximas eleições
o MPLA perdeu 10%
fica com 51%
e isso é uma linha muito tenue já
e aí as coisas vão ter de virar mesmo
podem ter de virar mesmo
e portanto há vários aspectos
a questão aqui é muito
porque se nós formos a ver
aquilo que vale para os filhos
do José Eduardo Santos
se formos aplicar
à elite angolana
digamos que não se salva
ninguém
mas se levar esse rigor
Angola volta a ser decapitada
e fica novamente um Estado
não tem estrutura administrativa
para poder funcionar
como um país
uma democracia ocidental
moderna
é preciso tempo
o que é facto é que o cerco se aperta
e o que é que poderá acontecer
a Isabel dos Santos
se fizermos aqui
um exercício quase de
vinhação do futuro
achas que ela vai ficar
num degredo dourado no Dubai
ou algo do género
vai tentar negociar
para conseguir resolver as coisas
e voltar eventualmente à Angola
é provável que já estejam
porque
o momento da negociação passou
a negociação quase
de igual para igual
que nunca é porque um presidente da República
não negociaia de igual para igual
mas ela teve essa chance
quem não aproveitou esta oportunidade
é
todas as consequências que puderem vir daí.
que são apenas da sua inteira responsabilidade.
Esta é a voz de João Lourenço em entrevista à Deutsche Welle no início de fevereiro de 2020.
E perante a pergunta, gostaria de ver Isabel dos Santos atrás das grades,
João Lourenço respondeu.
Eu prefiro nem responder a isso.
Isto é uma decisão da justiça, eu não sou juiz.
Provavelmente a ideia que eu tenho e daquilo que me disseram,
ela teve essa possibilidade.
E teve a arrogância de dizer que não, foi isso?
Fez, faz sentido.
E depois, como me dizem,
João Lourenço também não é uma pessoa de grande flexibilidade nestas situações.
Portanto, partir para a guerra vai ser difícil recuar.
Você vai ter de 15 a 20 anos para ter de volta isto.
Porque todos nós que estamos ligados ao processo,
sabe como é que isso começa e quando é que acaba.
Recursos atrás de recursos.
Empugnações e não sei o quê.
Vai-se arrastar.
Esta é a voz de David Mendes, é deputado, presidente da Associação Mãos Livres
e foi entrevistado em Luanda pela Dulce Neto.
Mas toda a gente diz isso, porquê que ele não quer?
Demonstra que, não é?
Primeiro, confirmação de que você não tem um sistema judicial independente.
Porque não é o presidente que vai dizer que eu não quero.
Ele não é o Estado.
E mais, se estamos a falar de uma situação judicial,
os órgãos judiciais é que têm que encarar o que é melhor em cada uma das fases judiciais.
No meu entendimento, negociar com as pessoas de forma aberta e sincera é o caminho mais lógico.
Agora, há uma negociação mais subterrânea e mais lenta que demorará
depois daquele excesso de aparecimento quando foi. quando foi o congelamento dos bens em Angola, o arresto dos bens em Angola
e o facto dela tentar resolver rapidamente os problemas que tem em Portugal das empresas
e sair de cena.
E, Filipe Fernandes, tu acreditas que ainda vamos ver Isabel dos Santos candidata à presidência de Angola?
Tenho muitas dúvidas.
Da família, a única que eu veria era a de Xizena, porque é uma política nata.
Aliás, basta ouvir.
Seguir os grupos dela do WhatsApp para se perceber que ali, com uma capacidade discursiva,
que nós não conhecemos tão bem, não é?
Exatamente, tem esse. Eu acho que ela não é, nem nunca quis ser política e não estou a ver,
até porque, digamos, Isabel dos Santos não é uma figura popular em Angola.
Olha, nós somos do MPLA.
Eu acho que disso não há dúvida, não é?
Somos do MPLA há muitos anos.
Achou que era?
Se nas próximas eleições gerais o candidato do MPLA continuar a ser o presidente João Lourenço
e se o programa não fugir muito daquilo que hoje está a ser defendido pelo MPLA,
vai votar no outro partido?
Eu espero que o MPLA consiga realmente rapidamente trocar a sua visão,
trocar esta estratégia, deixar de culpar o passado.
E se não trocar? Vai votar na Unita?
Eu não sei quantos partidos é que vai haver em. Em 2022.
Portanto, não tenho dificuldade em fazer futurologia.
Quando a Unitel começou, aquilo era conhecido como Isabel.
Hoje é a Unitel, que é uma grande empresa, enfim, não sei o quê.
Mas era Isabel.
Ela não é uma figura popular.
Há algumas elites, aliás, o Jornal de Angola dava como exemplo, enfim.
Mas ela não é uma figura popular, nunca foi.
E, portanto, não vejo que ela conseguisse ser,
transformar isso num capital político capaz de disputar.
E depois o MPLA é um partido complexo, é um partido com muitas variáveis, aliás.
O MPLA, até 77, quando há um golpe, uma tentativa de golpe,
o MPLA nunca foi unido.
Ele tinha várias facções.
E sempre teve.
E nesse momento tornou-se, aliás, deixou-se praticamente, não havia militantes,
tornou-se ali uma endogamia muito grande.
Aliás, nós quando olhamos para os governantes hoje, eles tiveram todos uns com os outros,
uns contra os outros, portanto, aquilo é uma coisa complexa.
Portanto, não é fácil ser candidato a presidente da República.
Catedral de Westminster em Londres, 17 de novembro de 2020.
Obrigada, Senhor, pela vida de Sindica, que, em baptismo, foi dada a pedaça da vida eterna.
Sindica mostrou muita amor por outros na sua vida.
Ele agora experimenta a misericórdia amorosa de Deus.
19 dias depois de morrer,
no Dubai, o marido de Isabel dos Santos, Sindica do Colo, foi suportado em Londres.
Nós pedimos para os rapazes de sua alma que ele permaneça em paz
e aproveite a companhia dos santos na presença de Deus.
Aqui está a nossa pedaça.
As cerimónias fúnebres decorreram simultaneamente em Luanda, Chinchaça e Londres.
E foram transmitidas durante cerca de cinco horas e meia na ZAP,
um canal de televisão.
Um canal de televisão que pertence em 70% a Isabel dos Santos e em 30% à portuguesa NOS.
O império de Isabel dos Santos está a ser alvo de escrutínio apertado
das autoridades judiciais de vários países, com Angola no topo da lista.
Isabel dos Santos perdeu, por via judicial, o controle da Unitel,
a empresa de telecomunicações que fundou.
Por cá, deverá perder a posição que detém na EFA,
No início de novembro de 2020, o jornalista do Observador, Luís Rosa,
escrevia que Angola não desiste de tentar ser ressarcida dos alegados prejuízos
provocados pela filha de José Eduardo dos Santos.
A Justiça angolana pediu o alargamento do valor do arresto das contas bancárias
e dos bens móveis e imóveis que Isabel dos Santos tem em Portugal
até um valor de 5 mil milhões de euros.
O juiz Carlos Alexandre aceitou o pedido.
No próximo episódio, e último desta série,
João Lourenço é a figura em destaque.
Muda um império, sei lá.
É preciso que os cidadãos sejam mais ativos.
João Lourenço é uma escolha que o partido faz avançar,
algumas pessoas dentro do partido fazem avançar,
para haver ali uma espécie de recado de José Eduardo dos Santos a dizer
que nós também temos alguma vontade.
Eu sempre achei que o dilema de João Lourenço,
seria entre salvar o Estado ou salvar o MPLA.
E ainda não sei bem dizer qual é que ele preferiu salvar.
Estes são alguns dos sons que vamos ouvir no próximo episódio.
O Mimoso.
Neste terceiro episódio, ouvimos sons retirados das contas públicas de Instagram
de Isabel dos Santos e da irmã, Gisele dos Santos.
Ainda sons da entrevista de Isabel dos Santos ao Observador
e vários registos das entrevistas feitas por Dulce Neto em Angola.
Ouvimos sons da SIC, nomeadamente na abertura do Jornal da Noite,
de 19 de janeiro de 2020, e da entrevista ao presidente da SODIAN.
Há também um som da TVI e uma peça emitida em novembro de 2014.
Há registros de uma entrevista de Isabel dos Santos e de outra,
de Síndica do Colo, no programa Hora Quente, da TPA.
Há sons históricos de Isabel dos Santos e de outra, de Síndica do Colo,
e históricos do MPLA, que estão disponíveis no Canal do Partido, no YouTube,
e ouvimos também João Lourenço em entrevista à Deutsche Welle.
No final, escutámos ainda os sons do funeral de Síndica do Colo,
retirados de uma emissão da TV Zimbo, que está disponível na íntegra no YouTube.
Quanto à música, ouvimos um tema tradicional do Azerbaijão, Mugam,
retirado de um disco de 1988, que reúne música folclórica da União Soviética,
do disco A Vitória Certa, ouvimos Revolução, Revolução.
E escutámos ainda Garota, dos do Ouro Negro.
E claro, Balu Mequeno, de Bonga, esta música que estamos a ouvir em fundo
e que nos acompanha nos quatro episódios.
A sonorização é da Beatriz Martel Garcia.
Este é um podcast da Rádio Observador, disponível no site e nas habituais plataformas de podcast.
Legenda por Sônia Ruberti
Bye.
Podcast Summary
Key Points:
Isabel dos Santos é apresentada como filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e uma das empresárias mais ricas de África, com negócios em Angola e Portugal.
A narrativa destaca sua infância em Luanda, os estudos em Londres, a carreira como engenheira e o início de seus negócios, incluindo a distribuição de bebidas e a criação da Unitel.
O episódio aborda a relação próxima com o pai, a influência dele em sua trajetória e a percepção pública de que ela era a "menina do papá", beneficiando-se do poder familiar.
A partir de 2020, Isabel dos Santos enfrenta investigações do Consórcio Internacional de Jornalistas (Luanda Leaks), acusações de desvio de fundos da Sonangol e o arresto de seus bens em Angola e Portugal.
A mudança política em Angola, com a ascensão de João Lourenço, é apontada como o ponto de virada, levando a um cerco judicial contra ela e sua família.
O episódio termina com a morte do marido, Sindica Dokolo, e a incerteza sobre o futuro jurídico e político de Isabel dos Santos, que vive exilada entre Dubai e Londres.
Summary:
Este episódio do podcast "Sob Escuta" traça a trajetória de Isabel dos Santos, desde sua infância no bairro de Alvalade, em Luanda, até se tornar a mulher mais rica de África. Filha de José Eduardo dos Santos, ela cresceu em um contexto de guerra civil e escassez, mas estudou em Londres, onde se formou em engenharia. Seu primeiro negócio, ainda jovem, foi a venda de ovos, seguido por um bar de praia e uma empresa de distribuição de bebidas.
O grande salto veio com a Unitel, uma operadora de telecomunicações que ela ajudou a fundar, com apoio de parceiros como a Portugal Telecom. A relação com o pai foi central, mas também a tornou vulnerável às mudanças políticas. Com a saída de José Eduardo dos Santos e a chegada de João Lourenço ao poder, Isabel passou a ser alvo de investigações, incluindo o caso Luanda Leaks, que revelou documentos sobre transferências milionárias.
Ela teve bens arrestados e perdeu o controle de empresas, enquanto enfrenta acusações de corrupção. O episódio também explora sua vida pessoal, como o casamento com Sindica Dokolo, e termina com a morte dele em 2020, em meio a um cenário de incerteza sobre seu futuro, com possíveis negociações ou um exílio prolongado. A narrativa destaca a complexidade de seu legado, marcado por sucesso empresarial e controvérsias políticas.
FAQs
Isabel dos Santos estava no mercado de La Boqueria, em Barcelona, na véspera de Natal de 2019, conforme mostrou na sua conta pública no Instagram.
José Eduardo dos Santos, ex-presidente de Angola, estava em Barcelona há largos meses a receber tratamentos para um problema de saúde.
Isabel dos Santos nasceu em Baku, no Azerbaijão, em 1973, filha de José Eduardo dos Santos e de Tatiana Kukanova, uma cidadã russa.
O primeiro negócio de Isabel dos Santos, segundo a Forbes, foi um bar de praia em Luanda, onde se tornou sócia de um indivíduo que era incomodado pelas autoridades.
Isabel dos Santos estudou no King's College, em Londres, onde se formou em engenharia, seguindo as passadas do pai.
Isabel dos Santos circulava entre Lisboa, Londres e o Dubai, mas acredita-se que estará mais entre o Dubai e Londres, sendo o Dubai considerado um sítio seguro para ela.
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