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#9 O Taoísmo da Jornada

from BiYiNiao do Livro

14m 10s

#9 O Taoísmo da Jornada

O podcast "Bienéu do Livro" explora a filosofia chinesa antiga, focando especialmente no conceito de "Tal", uma sabedoria onipresente e eterna presente desde o início do universo. A tradição dividia a interação com essa sabedoria em três categorias: obter Tal (conexão total com a sabedoria), usar Tal (aplicação de sabedoria em feitos místicos) e falar sobre Tal (ação prática de decisão sábia baseada na conexão direta com a fonte universal). O verbo "falar", no contexto chinês antigo, tem raízes em rituais de clãs, onde agulhas e vasos simbolizam ataque e proteção, demonstrando que falar é uma ação concreta, não apenas teórica. A sabedoria talista não é apenas conhecimento intelectual, mas uma prática ética e transformadora, que exige escuta ativa e decisões diárias alinhadas à presença universal da sabedoria. A obra de Laudze, especialmente em "O Tal de Zim", mostra que falar sobre Tal não é uma tentativa de dominar a sabedoria com palavras, mas um processo de aproximação por meio de ações sábias. A verdadeira sabedoria, portanto, não está em acumular conhecimento, mas em viver com presença, responsabilidade e conexão com o todo, tornando-se uma prática essencial na vida cotidiana, mesmo em um mundo imperfeito. A transmissão desse entendimento é feita por meio de experiências vividas, não apenas por leitura, e o podcast destaca que todos podem alcançar essa forma de sabedoria ao praticar a escuta ativa e a ação consciente.

Transcription

1912 Words, 10705 Characters

Portuguese
O Lá, esse é o Bienéu do Livro, um podcast sobre literatura chinesa. Aqui, a gente passa pela vasta e rica tradição chinesa antiga de clássicos, lendas, mitos e pensamentos filosóficos. Tudo isso para tentar achar na chinesa antiga histórias ou discursões literárias que façam sentido para nós nos dias de hoje. Bom, hoje a gente vai conversar sobre um tema que eu tenho trabalhado muito em mesmo desde 2020, que é a questão da prática da sabedoria. E do por que, a gente investe tanto tempo em estudar, sempre tentando não desassociar o que a gente estuda com a nossa vida diária. Vamos lá? Bem, a palavra tal ismo em mandarim é tal de tal, o conceito filosófico que a gente já conhece, e de a que significa literalmente casa, mas que aqui tem a ideia de escola de pensamento, tal de a ou tal ismo. Então, como uma escola de pensamento é um conceito que não existiu, na verdade, até a dinastia han. A primeira menção ao termo é num livro de um historiador chamado Simathan, onde ele lista seis principais escolas de pensamento prétim, prédinastia tinha, que é praticamente a versão chinesa de antes de Cristo. E essas seis são Júdiá, Módia, Fádiá, Pindia, Inian, Diá e, por último, Taldiá, que é tal ismo. E nesse livro, ele diz que o pensamento tal ista é formado pelos escritos, pelas ideias de Juan T. e de Laudze, e a partir dele, desse historiador, outros historiadores famosos ali também da dinastia han, então começam a usar o termo Taldiá com mais frequência. Mas, vejam bem, antes do termo, então, ser usado significando uma certa tentativa acadêmica de tratar o corpo do pensamento que envolvia a sabedoria antiga do Tal, os sábios antigos dividiam em três categorias diferentes, as interações que o ser humano ou as interações que nós temos com o Tal. E nós vamos conversar sobre essas três interações e, mais especificamente, sobre a última delas. A primeira referia-se a Tal, como algo que algumas pessoas obtiveram. Tal seria a fonte, a raiz, ou a fundação de tudo que existe no universo. Então, tanto Juan T. e quanto Laudze mencionados, por mim, agora pouco, diziam que Tal não tinha começo, nem fim, nem forma e nem aparência. Mas existia desde os primeiros estágios da formação do universo, estava presente no grande caos inicial. Então, Tal incorpora-se no cosmos e no mundo, e em todas as coisas que existem por aqui. Com um atributo de onipresença, Tal estaria para o homem como a água está para o peixe. Então, o obter Tal seria ter a consciência total, ou a consciência da sabedoria do tal. Juan T. e ele nomeia esse estado de obter Tal como Tal, "tom ele", que significa conectar-se com Tal até se tornar um com ele. E parece bastante difícil, né? A segunda forma de interação com Tal seria o Zartal. E aí nós temos palavras como Tal, Fa, e Tal, Chu, e Mandarin. E usar Tal seria, na verdade, conseguir transferir a sabedoria, e o conhecimento de Tal, que é a fonte nesgotável, de vida e vigor, para o dia a dia, aprendendo a dobrar a matéria e abrir exceções nas leis da física. Então, aqui a gente vai ter várias pessoas, ditas detentoras do conhecimento de Tal, que são, hoje até consideradas, deuses, no tal ismo, pelos feitos miraculosos que fizeram. Então, a gente tem exemplos de curas, vida longa, restauração da matéria, pessoas que caminham nas nuvens ou até nos galhos mais finos de uma árvore qualquer. Seriam formas de usar Tal, fazendo com que o seu corpo físico torne um com ele e não só a sua mente. Mas na terceira categoria de interação com Tal, que era descrito antes da palavra do conceito Tal ismo, existir, seria falar sobre Tal. E aqui a gente tem uma questão importante a ser resolvida. Laudze, já na primeira ísma frase do seu livro, o Tal de Zim, que é considerado equivalente aos evangelhos de Cristo que nós temos, ele joga logo um banho de água fria dizendo que Tal feite, tal, que significa o Tal que pode ser falado, não é o Tal constante. Dando entender que toda tentativa de abranger a totalidade do Tal em palavras e conceitos, será falha e não vai alcançar o seu objetivo. Mas mesmo assim, após ele dizer isso, ele começa a descorrer sobre o Tal e a formar um livro sobre o Açum. Então já que laudze, no comecinho do seu livro diz que não vai ser a linguística, nem o estudo aplicado da retórica, que nos tragará, perfeita inmersão no conhecimento do que tal, o que traria, então, pronde começar. Se ele mesmo disse isso, mas gastou maior tempo, escrevendo um livro sobre o Açum, tentando explicar o Tal como que a gente resolve essa equação. Lembrando que essas categorias de interação com Tal, claro, não são antagônicas. É verdade elas são fáceis do mesmo processo, o processo de entender mais sobre as leis do universo, criadas pela sabedoria de Tal, que, aparentemente, uma lei de sustentação eterna que nutria a vida na Terra. Mas hoje, eu quero focar nessa última categoria de interação com Tal, a categoria de falar sobre o Tal. E o proponho que a gente comece pelo verbo falar no chinês antigo. A palavra falar também é um substantivo significando palavra, né, em mandarim ela se pronuncia Ian, e ela parece quando laudze diz que Tal é um ensinamento sem palavras, o Ian de Dial. Apesar de ser um ensinamento sem palavras no mesmo texto com tudo, ele diz que falar sobre Tal fazia com que ele conhecesse melhor ou chegasse nas profundidades de Tal. Nessa segunda frase, quando ele diz que falar sobre Tal fazia com que ele conhecesse melhor, ele usa o verbo falar de uma maneira diferente. Então veja bem, Ian pode significar fala, teoria, discussão, comentário, opinião, promessa, etc. Nesse sentido da palavra, laudze é bastante orgulhoso e decidido em dizer que Tal não é a sabedoria da teoria, dos pensamentos da opinião e da discussão literária. Interação com Tal não é ensinável como um conhecimento de que o +1 é igual a 2 e todo mundo sabe e todo mundo usa depois que ficou sabendo, mas existe um outro sentido da palavra Ian que é a base do conceito de falar sobre Tal, proposto por laudze, e é o que eu estou tentando aprender na minha vida pelo último ano inteiro. Numa forma bem mais antiga do que nós temos hoje, Ian era formado por dois caracteres diferentes, em cima a gente vai ver o sim e embaixo a gente vai ver o Cole. O que é o sim, o sim era como se fosse um objeto pontiagudo, cortante como uma navália e era do tamanho de magulha. E o Cole era um tensilho de cerâmica na forma de uma vasilha pequena, como se fosse um prato. O Ian lá no comecinho era um conceito usado durante guerras de clãs antigos chineses, que durante as batalhas armadas, também sempre usavam líderes religiosos para lançar feitiços ao clã inimigo. Postos juntos na mesa onde esse artifício é de feitiços era feito, as agulhas significavam as maldições lançadas ao inimigo enquanto a vasilha symbolizava o recebimento de palavras boas ou bençãos da divindade ou divindades que estariam protegendo o seu clã. Então se as agulhas eram o ataque, a vasilha, era o recebimento da dádio de divina ou a proteção de divina. Nesse caso, a ideia por trás da palavra Ian seria a passividade subjetiva do líder religioso ou da líder religiosa ali, em entender da divindade o que ela queria para aquela batalha especificamente e então atacar com palavras de maldição o clã inimigo. O conceito aqui seria então de tomar decisões em nome de deus, falar na Ian significava ações concretas geradas a partir da conexão direta com divino. É claro que lalds não usam o verbo aqui pensando em clãs antigos, batalhas ou em feitiços, ele usa exatamente para dizer que com tal funciona da mesma forma. Falar sobre tal o que fazia com que ele o conhecesse melhor e se aprofundasse em tal seria então conseguir tomar decisões sábias baseadas na ligação direta que você tem com a fonte unipresente de todas as coisas e saber então dar passos concretos na direção certa. A grande sabedoria de falar sobre tal na verdade seria essa. A paixão de lalds pela sabedoria que vinha de tal seria o ideal de vida baseado na purificação moral, juntamente com a leveza intelectual. não é meramente descorrer intelectualmente sobre tal, mas se inteir o próprio intelecto como chave de transferência da sabedoria que existe e sustenta todas as coisas, diretamente para a vida de área, num mundo onde nada é perfeito. A importância do amor pela sabedoria que se encontra escondida, barra revelada em tal, ela é intelectual, ética e também interapêutica. Não é um discurso ou uma teoria, é uma experiência formativa, um estilo de vida. O processo que desperta a gente e gera através de nós um avalante de acontecimentos, é esse, é você aprender a ficar metafóricamente presente e frente a agulha e a vasilha, tentando ouvir da sabedoria e agir de acordo, tomando decisões pontuais na sua vida de área. Obter tal, parece difícil. O Zartal, como Ledes, usou e saiu voando abraçado numa nuvem, também é difícil e eu acho que todo mundo concorda comigo. Mas parar para se conectar com a sabedoria unipresente é a dificuldade de escutar e agir. O que Laudze está querendo dizer que toda jornada começa com conhecer a direção do vento, esse é o primeiro passo. O talísmo da jornada, então, o amor pela sabedoria não significa ter uma vida enfiada nos livros antigos, como eu achei que era por muito tempo, quanto mais eu aprender mais livre você. O que o tal da jornada propõe, antes mesmo dele virar até uma escola de pensamento, é que você aja de acordo com aquilo que você já aprendeu e essa, na verdade, é a grande dificuldade da vida talvez mais difícil ainda do que andar numa nuvem. Mas é provavelmente essa achava de acesso à sabedoria, não saber sobre ela, mas saber usá-la, servir de ponte, de contato entre o tal e o mundo. Então, eu acho que de todas as coisas que Laudze gostaria que os seus leitores soubessem, focar e viver bem é uma delas. E se a história conta sobre pessoas que conseguiram isso, eu também consigo e você também consegue. Esse foi mais um episódio do Binyal do Livro. E para esse episódio ser feito, eu queria uma versão do tal da Zinha em Português, então eu joguei no Instagram do Binyal para ver quem tinha e quem poderia me mandar uma foto do parágrafo que eu estava buscando. Então, eu quero agradecer todo mundo que respondeu, em especial Andressa Rocha, que me respondeu e, prontamente, tirou as fotos e me mandou. E me mandou fotos da versão do professor Tiwiti pela editora Mantra. Algumas versões do tal da Zinha em outras línguas não traduzem o verbo ali na primeira frase que eu citei como falar, mas esse professor traduziu assim, e é exatamente o mesmo entendimento que eu tenho sobre o texto. Então, eu usei essa versão como referência e eu recomendo muito esse livro. É isso, pessoal. Obrigado por ouvir em. Até a próxima. [Música] [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. O conceito de "Tal" na filosofia chinesa antiga representa uma sabedoria onipresente, sem início nem fim, presente desde o início do universo e que permeia todas as coisas.
  2. Antes do termo "Talismo", os sábios dividiam a interação com a sabedoria em três categorias: obter Tal, usar Tal e falar sobre Tal.
  3. "Obter Tal" significa unir-se plenamente com a sabedoria primordial, um estado de consciência total que, segundo o pensamento, é difícil de alcançar.
  4. "Usar Tal" envolve a transferência de sabedoria para a vida cotidiana, com manifestações como curas, longevidade e habilidades místicas, ligadas a figuras consideradas deuses.
  5. A terceira categoria, "falar sobre Tal", é descrita por Laudze como um ato que aproxima o ser da sabedoria, não por palavras, mas por uma prática de decisão sábia baseada em conexão direta com a sabedoria universal.
  6. O verbo "falar" no chinês antigo (Ian) tem raízes em rituais de clãs antigos, onde agulhas simbolizavam maldições e vasos, bênçãos, indicando que falar é uma ação concreta de comunicação com o divino.
  7. Falar sobre Tal não é teoria ou discursão, mas uma experiência prática de vida que transforma o intelecto em ponte entre a sabedoria e a ação no mundo real.
  8. A verdadeira sabedoria talista é ética, intelectual e prática, exigindo escuta ativa e decisões diárias alinhadas à presença da sabedoria unipresente.

Summary:

O podcast "Bienéu do Livro" explora a filosofia chinesa antiga, focando especialmente no conceito de "Tal", uma sabedoria onipresente e eterna presente desde o início do universo. A tradição dividia a interação com essa sabedoria em três categorias: obter Tal (conexão total com a sabedoria), usar Tal (aplicação de sabedoria em feitos místicos) e falar sobre Tal (ação prática de decisão sábia baseada na conexão direta com a fonte universal). O verbo "falar", no contexto chinês antigo, tem raízes em rituais de clãs, onde agulhas e vasos simbolizam ataque e proteção, demonstrando que falar é uma ação concreta, não apenas teórica.

A sabedoria talista não é apenas conhecimento intelectual, mas uma prática ética e transformadora, que exige escuta ativa e decisões diárias alinhadas à presença universal da sabedoria. A obra de Laudze, especialmente em "O Tal de Zim", mostra que falar sobre Tal não é uma tentativa de dominar a sabedoria com palavras, mas um processo de aproximação por meio de ações sábias. A verdadeira sabedoria, portanto, não está em acumular conhecimento, mas em viver com presença, responsabilidade e conexão com o todo, tornando-se uma prática essencial na vida cotidiana, mesmo em um mundo imperfeito.

A transmissão desse entendimento é feita por meio de experiências vividas, não apenas por leitura, e o podcast destaca que todos podem alcançar essa forma de sabedoria ao praticar a escuta ativa e a ação consciente.

FAQs

Tal representa a sabedoria unipresente, a fonte eterna e onipresença do universo, presente desde o início do cosmos e presente em todas as coisas.

As três formas são: obter Tal (conectar-se com ele para se tornar um com ele), usar Tal (transferir sua sabedoria para a vida cotidiana), e falar sobre Tal (compreender melhor ele por meio da reflexão e diálogo).

Falar sobre Tal não é apenas discutir ideias, mas tomar decisões sábias com base na conexão direta com a sabedoria unipresente, agindo com intenção e consciência.

Porque o Tal é uma sabedoria eterna e onipresente que transcende o conceito, e toda tentativa de explicá-lo com palavras é insuficiente e falha.

O verbo 'falar' (ian) era usado em rituais antigos para receber bençãos ou lançar maldições; no contexto do Tal, significa tomar decisões sábias por conexão direta com a sabedoria universal.

Obter Tal é a conexão espiritual total com a sabedoria universal, enquanto usar Tal é aplicar essa sabedoria no dia a dia, como curas, vida longa ou movimentos mágicos.

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