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#81 Desejo, Pensamento e Ação (com Suely Rolnik)

85m 15s

#81 Desejo, Pensamento e Ação (com Suely Rolnik)

A conversa com Suely Rolnik, mediada por Rafael e Pedro Taan, aborda a relação intrínseca entre desejo, pensamento e ação como ferramentas de resistência micropolítica. O texto de abertura, baseado em Deleuze e Guattari, afirma que o desejo é essencialmente revolucionário e perigoso porque cria e rompe estruturas, mas também pode ser capturado pelo fascismo, que se manifesta como um modo de vida hierárquico e normalizador. Rolnik argumenta que é preciso desobstruir os fluxos de desejo, desmontar pirâmides de poder e buscar modos de vida anômalos e criativos, sem cair em promessas de paraíso ou harmonia eterna, que são ideias mortas e autoritárias. Ela compartilha sua história pessoal, desde a juventude na contracultura, passando pela prisão e exílio, até seu trabalho acadêmico e artístico, como o projeto sobre Lígia Clark, que buscava resgatar a memória corporal e política dessas experiências. Rolnik critica a separação entre macro e micropolítica, defendendo que a resistência deve ocorrer no cotidiano e nas relações, como exemplificado no encontro com Gabriela Leite, que fundou o movimento das prostitutas a partir de leituras de micropolítica. No contexto atual, ela propõe uma nova cartografia para enfrentar o neoliberalismo, que submete tudo ao valor monetário, e o autoritarismo, reforçando que a experimentação e a proliferação do desejo são caminhos para uma vida não fascista.

Transcription

11964 Words, 67928 Characters

Portuguese
[Música] E aí gente, vocês estão ouvindo imposturas filosóficas, como vocês devem ter percebido, esse programa tá um pouquinho diferente. O que aconteceu foi que a gente conseguiu sentar pra conversar com a sua Elihoniq, que é professora do núcleo de subjetividade lá da Puk, de São Paulo. Mas as condições dessa conversa foram tais, que a gente começou a gravar do nada e terminou de gravar do nada. Você já parece que tá sem começo e sem fim, e é porque tá mesmo. Então gostaria de convidar a vocês a pensar que isso, na verdade, como se fosse um programa daquelas rares piratas que o Gata Ri tanto gostava nos anos 70. Além do Rafael e eu, junto da sua Elih, participou também o Pedro Taan, que foi quem articulou esse encontro, e ele já participou aqui do imposturas mais de uma vez. Então, a convida vocês a procurar também os programas que ele já esteve aqui. Certo, ficou agradecimento ao Pedro, e a gente gravou um texto aqui depois de ter conversado com a sua Elihoniq pra dar um pouco do tom, como a gente costuma fazer. Mas ele não foi lido, e portanto a conversa foi pra muito além dele, e fica com uma inspiração pra abrir o programa. Beleza? Então, vamos lá. Fucou. Façam que deseja a ação, o pensamento e os desejos. Sitação. Apesar do que pensam certos revolucionários, o desejo é em sua essência revolucionária. O desejo não afesta. Em nenhuma sociedade pode suportar uma posição de desejo verdadeiro sem que suas estudos turas de exploração e de sujeição e de jerarquia sejam comprometidos. É desagradável ter o que dizer com as as tão rudimentares. O desejo não ameaça uma sociedade porque é desejo direitar com a mãe, mas porque é revolucionário. Delas Gota Rin Antético. O desejo é uma vontade de se jogar na vida, de cortar a realidade com sua ação. O desejo é criação constante que entra em devir e nasce, novamente de uma maneira diferente. O desejo é perigoso porque cria, rompe, máquina, agencia, é fogo, que arde e se pode ver. Basta abrir os olhos. Não queremos descobrir a verdade do desejo. Nós aceremos em cavernas profundas, sua autorescaverna por trás dela. Não julgaremos o desejo num terengulo dípico, ele é apertado demais. Queremos proliferá-lo, encontrando novos modos de vida. Conclusão relâmpago, interpretada ruim, experimentada e bom. Sendo assim, decemos novamente o desejo para o campo das relações. Claro, afinal ele foi retirado de lá. Foi surrupiado enquanto ainda não tínhamos a força para nos apropriar nos dele. Jogado desejo para o campo das relações é procurado entender quais afetos ele investe e quais são os seus caminhos. Há tudo uma política para o desejo que nós desconhecemos, há toda uma maneira dele se organizar, que ainda não sabemos. Ora, desta maneira não precisamos mais olhar para cima para encontrar de onde ele é mana porque ele simplesmente se esparrama por toda a trama social. Desta maneira, e aqui é preciso cuidar, é importante perceber como o desejo fascista é ainda um modo de vida válido. Válido por quê? Porque não estamos sendo enganados. Não podemos nunca esquecer que as mais variadas formas de fascismo se exerceram com um apoio civil. Enquanto alguns dizem que o fascismo esteja com o vozco, outros, pronto, respondem ele estar no meio de nós. Isso não é óbvio, o fascismo é um modo de vida onde os fluxos de desejo se perdem na subdivisão e na hierarquização, pirâmidal. Se o desejo produz o fascismo, é porque algo está errado, bem errado, algo está engasgado, entupido, torto, estamos contaminados pelo poder, mergulhados em afetos importantes, medo, atresteza, o ódio, como fazer para proliferar o desejo, pensamento e a ação dentro destas condições. O primeiro é preciso limpar o terreno, é preciso desobstruir os povos, no marizado, o pensamento e cuidar de si. É preciso transbordar para outros terrenos, quebrar com o sujeito normalizado, unidimensional, moralizado e calculável. É preciso procurar por aquilo que é anúmalo, procurar por uma razão inadecada. A única alternativa que nos resta, então, é desmontar a pirâmide e a hierarquia onde sou forte possível, derreter o rosto que colocaram sobre nós, retirar todas as etiquetas, confundir todas as categorizações, como nos dessubjetivizar, como fazer para não entrar em relações de poder, não se deixar de seduzir pelo poder, onde querem reduzir o desejo a uma única figura, nós o queremos grande, crecente, proliferando, risou uma que se multiplica por todos os lados, não queremos nos confessar a um padre nem deitar no divan de uma analista, queremos ser artistas do desejo, pintar suas mais variadas matises e tocar seus mais variados tomos. Tanto foco quanto delas aceitaram o desafio netiano de que o pensamento não é refletir ou teodizar, mas sobretudo criar valores. Encontrar novas fornas de vida, desmontar máquinas para noicas e fascistas, desejo os pequenos modos de vida recentidos. Para ele ferrar pensamento e ação, ele guarda-se aquilo que é nosso, nossa capacidade de criar e viver. A autoridade é fruto do desejo criativo. Restandar saber quem comerá esse fruto. Nós ou o capitalismo? Cuidado, as liberdades que nos pregam podem ser apenas novas prisões. Isso porque mesmo o neoliberalismo é uma forma totalitária de vida. O mercado submete toda a diferença ao valor monetário. Fazer o desejo para proliferar. Sim. Quebrar com todo o desejo fascista. Claro. Mas como fazer isso? Com a experimentação? Se o desejo não é algo no interior do inconsciente, então ele é eminentemente social, prioritariamente social. Eles se fazem comunidade como outros cortos. Trata-se então apenas uma intensificação e promoção mutas. A ação para o alifério desejo. O desejo, o alifério pensamento. O pensamento faz crescer a ação. E assim por diante. Uma vida não fascista precisa atentar para a micro política do desejo. Aquilo que flui, aquilo que é ativo. Aqui uma pequena lição. A ação só é possível através de efeitos conjuntos. Lembrem-os, por exemplo, de mais de 68. Quanto mais fazemos amor, mais queremos fazer revolução. O que nos falta é a imaginação. Nossas cabeças estão loucas. Nossas mãos estão vazias. Desmontar as máquinas fascistas é encontrar novos fluxos por onde o desejo possa fluir. Como água? Em alguns momentos de maneira calma, desviando dos grandes obstáculos e em outros de modo violento, rachando a pedra no meio. A diferença entre poder e potência se faz necessário aqui. Nós seguimos por o caminho da multiplicação, da diferenciação, e eles, da divisão e da normalização. Para nós, todos os caminhos estão abertos porque queremos ir para além daquilo que somos. Mas eu falo para você, eu falo para a golferia. Que uma das coisas que eu mais gosto em você e que foi uma coisa que eu aprendi também com você, enfim, é não separar o pensamento da ação, não separar isso da ação e do exercício do desejo. Essas coisas não são realmente separadas. E às vezes para quem está trilhando um caminho acadêmico, mas eu quero me livrar dessa escração aqui. É muito fácil fazer um pensamento sem desejo ou então, uma escrita sem ação. ou então uma ação, entendeu? Sim, é uma paraf, que é uma paraf, porque a gente sim põe, porque é uma éfrica, não fica. De sim por fazer com essas três coisas, andem em concerto, digamos assim, é uma das coisas mais bonitas que eu acho, que tem para se fazer. Então, o que eu tenho trabalhado agora? Eu já tinha começado antes da pandemia, porque já tinha começado, depois que acabam meu livro, meu livro termina com a prisão do Lula, tipo assim, toda a questão, a instalação dessa nova modalidade de poder, no Brasil e outros países, mas aqui acho que é laboratório máximo disso. Foi laboratório máximo do tipo de golpe de estado que se dá, e é laboratório, mas lá eu falo nova modalidade de golpe, mas na verdade é uma nova modalidade de poder. E desde que esse instalo eu estava tomado por uma série de refeções do meu corpo dessa nova situação, e que me levava um que tornava, um cartográfico, a tracei até o meu livro, que foi a última que eu tinha traçado, ela se tornou inadecuada, inadecuada em alguns pontos, se os onos que não estão sendo vistas, tinham coisas em lugar errado, errado no sentido do inadecuado, que não está dizendo aquilo que vem. E depois começou a pandemia, eu como tenho 72 anos, então eu estou quase quatro meses isolado aqui, eu sou a vez de dois amigos, uma vez de semana, nunca me fizem, ou eu outro que vem. E aí eu também tive a oportunidade por essa situação privilegiada, que a gente se encontra na pandemia, de estar protegido no conforto do lar, eu comecei a trabalhar muito tudo isso, estava muito tomado por isso, e demorou, sempre demora até germinar uma coisa, é um produto ou um processo. Tive-me nesse momento muitas conversas com o perso, que eu não sou querido, que tem um trabalho extraordinário, e a gente tem muita sintonia nisso, e a gente conversou muito, e eu tinha muita troca de texto, de discussão por escrito e conversando, e finalmente, mais recentemente, começou a desenhar essa nova cartografia. E ela, de respeito às questões que vocês colocaram, que é esse arranjo da cartografia, esse novo arranjo, é para tornar mais presente, com as palavras mais precisas, para dizer dessa relação entre pensamento, ação, desejo, modo de existência, e resistência microplítica. Então, acho que eu vou começar falando um pouco o que eu redesenhei, e daí isso nos permite também traçar essas relações que vocês estão colocando. Porque, na minha livre, o objetivo maior que vocês escreveu aquele livro, era tentar dizer mais claramente, onde eu via um limite das esquerdas, embora, em todos os seus nipes, do mais negro ou mais rosa, ou sei lá, o verde, vermelho, em diferentes versões, é o que melhor temos nesse regime colonial, rassalizante capitalista, que fiz tala no século XVI, até hoje. E XV eles, né? E, naquilo de XVI, é que suja noção de raça, mas, enfim, cê é a cru XV. E, desde a minha adolescência que eu sou ligada nessa dimensão do microplítico, que é a dimensão da política do desejo, que é própria desse regime, porque o regime não é uma obstração, o regime, ele se encarna em modo de existência, ele se encarna no tipo de política de subjetivação, e num regime de inconsciente específico, que é o que dá a consistência existencial para o regime, que seria uma mera obstração. E desde lá, e principalmente desde a contracultura, porque era bem jovem, na contracultura, e participei muito intensamente, essa questão estava muito presente na época, entre aqueles que estavam resistindo, na esfera microplítica, que era, mas não só a pessoa da cultura, propriamente ditos, artistas e compositores, etc., mas era o movimento, meio, o movimento coletivo amplo da minha geração, na sua, no seu dia a dia, a gente dessa época, fica mais presente tropicalismo, enfim, as obras das artes plásticas, não concretizam, mas principalmente a Lígia Clark, e o Eliu de Sica, do Teatro José Celso, na música, o tropical é o momento tropicalista, etc., e no cinema, o cinema de Grownel, o Zulibressani, Rogeres Gonzela, etc., mas não por acaso, na nossa memória, brasileira não existe, isso tudo mais que havia acontecido, vagamente, falar, "A movimento hip, só que a contracultura, o movimento hip é um braço de gãoza, é um modo da contracultura", bom, e naquela época, fazer as ciensociais, eu sou de uma família judia progressista, como se diz, e que muito cedo me colocou, não, os mencionistas socialistas, a gente me entrada em movimentionista, mas eu tive educação de esquerda, e eu saí muito rapidamente desse movimento, porque tinha uma coisa que me incomodava profundamente, que era exatamente nesse plano da subjetividade do desejo, mas ao mesmo tempo totalmente, enfim, ligada à necessidade da luta macro-politica, e na época, entre os militantes macro-politicos e esses ativistas micro da contracultura, tinha um abismo, um abismo mesmo, tinha uma espécie de recentimento mutu, porque era um início de alguma coisa, ainda com muita confusão presente, funcionando muito por oposição ainda, e ainda dos dois lados ainda muito ligados, uma ideia de grã-finale, ou de péssimo final da poca-líptia do grã-finale, que o grã-finale para a macro-politica seria a sociedade revolucionária, socialista, perfeita, todos maravilhosos, todos iguais, e na contracultura seria aquela comunidade dos irmãos que vivendo de uma maneira muito sem conflito, muito harmoniosa, uma harmonia eterna, dos dois lados e visitiu uma espécie de ideia de harmonia eterna, que é uma ideia de "fasta, sinistra", que nos foi inculcada nessa tradição, colaneor racializante capitalista, mas que vem bem desde antes, desde que Roma cafete no cristianismo fundando a igreja católica romana, que foi a base do império romano, e depois, aos transladados para a Penísoa Libérica, foi a base desse regime todo que, no povo, a gente está há cinco séculos, nesse sentido, as pessoas que a gente deve sempre colocar em queisição, junto com a escravidão e a colonização. Sabendo que a em queisição foi o que a nossa querida Rainha Zabel, de Castia, a Revento, a Revento com a Tacovio lentamente, todas as culturas que funcionavam sobre um outro regime de inconsciente, que no caso, na Penísoa Libérica, tanto cristianismo pré-acatólica, a cultura de década medieval e a cultura árabe medieval. Então, tudo isso foi massacrado e as pessoas que se dedicavam a um trabalho mais ligado essa dimensão microfilítica, foram queimados nas fogueiras e considerados bruxas. E então, essa ideia de paraíso, ela vem dessa tradição monoteística, ajudar com cristão ainda, um certo, ajudar isso, porque os dez, não também são muitas vertentes como cristianismo também. A vertente predominante é essa que, que falam em sacrifício em culpa e para merecer o paraíso, então, o grande objetivo é produzir o paraíso. Paraíso é esse nome de morte, porque é um lugar onde a vida não se move mais. Ela ficou eternamente. A lei tem que aguentar aqueles anjinhos branquinhos rosados e o cheiro do sábado do convocado no nosso vivido de noite, que é uma pessoa que não acontece absolutamente nada e tem que ficar aqueles anjinhos e o cheiro do sábado com a água. Então, então, assim tanto, na contracultura como na militância, nazoia na 60-70, na Tinha, na Tinha, na Tava. A gente não tinha descoberto que a vida é por definição, potência de transfiguração. Toda vez que ela se vê, sufocada nas formas do presente, a gente não tinha essa noção. E por ele, em razões aqui, não vou me entender desse pedaço aí, né? Que esteja? mas do lado da contacultura havia uma despolitização também. Não havia a consciência de que era político que a gente estava fazendo, como experimentação existencial, sexual, etc. e de modo de habitação e tudo. Não havia essa noção de que aquilo era político, tão pouco parte dos participantes da contacultura também eram despolitizados do ponto de vista da tradição das esquerdas, do ponto de vista macro-politico. Tanto que uma sacra que a contacultura recebeu, que foi de goveolência, que a Guerra e a Rilha recebeu, muita gente foi presa, ou mesmo fui presa, fiquei dois meses presa, a minha imagem pública foi totalmente devastada, tinha 21 anos, eu virei que nem aqueles gatos desenhemado quando a porta abatinha em cima, que fica chatada, assim no chão, mas ou menos como eu fiquei, aquilo me destruiu quase até a morte, tem que ter inclusive uma insuicidade quando eu cheguei no isílio, mas eu não morri, porque não era como morrer. E fez 39 anos de análise para lidando com isso, e tudo mais está envolvido nisso. Bom, aí. Por essas aspectes que eu falei meio por alto, na memória do Brasil não existe a presença da contacultura como política, como política, mais especificamente, como resistência mica política, e também as pessoas que participaram muitas delas, se conviram a outra alma e outras ficaram em ressentimento, em todo caso, raramente elas puderam encarnar em seu corpo, em sua existência, a força política que aquilo tudo teve. Então, quando eu fiz o meu projeto em torno da Ligia Clark, a minha ideia não só, que entrevistei 65 pessoas, não só no Brasil, a minha ideia não só as pessoas contarem como tinha sido a experiência, as experiências tinham feito com a Ligia, ou das práticas artísticas dela, do convívio, isso era muito importante para mim, porque a Ligia estava sendo cafetinada pelo sistema da arte, que estava neutralizando tudo que ela tinha proposto, mas o que mais podia mesmo era que nas conversas com essas pessoas, e eu tivesse uma possibilidade de mobilização dessa memória do corpo, do que foi a contacultura, e que isso pudesse se integrar a auto-imagem de cada um, mas que é a auto-imagem, da as sensação de existir. E consegui, quase todos os casos, um cinco que eu não consegui, eu também deixei para lá, em incluir no arquivo. Então, foi muito bom encontro com Caetano, com Macale, com. sei lá, com várias pessoas com as putas que com quem a Ligia começou última obra dela, que era com as putas da Oadela, para a de Júnior, que é essa altura que eu não fiz o projeto, já participava no movimento das prostitutas, criados pela Gabriel Alete, que, infelizmente, amoreu, e foi muito louco porque quando eu fui conversar com a Gabriel Alete, para poder ter acesso a pela minha ajuda a encontrar essas putas de dos anos 70, as putas veias, e que nós já estamos em 2002, por aí, 2003, por aí, e nisso dos anos 2000, foi muito louco, assim, encontro com a Gabriel, inclusive ele também é uma das entrevistas do arquivo, porque conversa vai conversa vem, eu e a Gabriel não conversa, descobrimos que as duas faziam, tínhamos feito cem de sociais na USP, e as duas tinham abandonado cem de seis na USP, assim, no segundo ano. Eu abandonei, porque, primeiro, porque depois da prisão, não tinha como voltar para a faculdade, porque eu estava no fim do primeiro ano quando eu fui presa, porque eu fui totalmente estigmatizada pelos amiguinhos militantes de marca políticos, e não tinha como voltar, e também eu estava destruída, não tinha que voltar para a faculdade. Quando cheguei em Paris, eu estudei primeiro a sociologia e a topologia, e depois eu fui fazendo junto a filosofia e depois fui para a psicologia e para os canales. Mas, enfim, ainda conversa com a Gabriel, acho que vale a pena contar isso, foi muito louco, porque na pelas tâncias a gente descobriu isso, que ela morava na Vila Maria, na Iona e na Bafunda, e que a gente tinha feito na mesma época, primeiro ano, da Cem de As na USP, e que eu tinha ido embora, porque eu fui para o mês de Ilimpadi, e não pude voltar para a faculdade, que eu fui presa e sair da prisão, feverei os setenta em setembro e fui para a Paris, e ela, porque ela encontrou, ela se desviou para a boa imia popular, passou a viver as noites na coisa popular e tinha virado para a stituta. E nós descobrimos que tanto ela como eu, nos afastamos, não nos identificávamos planamente com a Cem de As na USP, porque o que a gente buscava não estava lá, e eu fui encontrar essa coisa no Paris para a 68, onde fiquei dez anos e nos encontros que eu fiz lá, logo de início, com a Lijaclárica, com o Delesco, com o Atari, e o Péacláctico, as pessoas, e ela encontrou a mesma coisa, a mesma coisa na vida da cultura popular, no noturno, na boémia, de São Paulo, depois do vio. E aí, ela contou que, aí a gente estava conversando, ela não sabia quem era, eu também não sabia dela. Aí ela falou, "Ai, eu como o prostituta mudei para o rio, e você puta no manga, quer dizer, a putaria mais popular mesmo, e que ali entra um cliente, outro que ela li, aquela lia, fucou, que lhei, esquilhe aquilo, até que um dia, caer nas mãos dela, o livro meica política, que eu fiz junto com o Atari, né. E que daí, quando ela leu aquele livro, ela teve um insight, aquilo deu uma consistência, não foi necessitema de que ela falou, é como eu já estou na randa, né. Mas aquilo deu uma consistência para que ela buscava, que era a resistência meica política, e foi a partir desse livro que ela criou o movimento das prostitutas, no Brasil. Então, quando, bom, aí a gente começou a chorar as duas, porque eu falei, "Gabrelas, a tal da sua ilha, esse livro sou eu." E aí foi muito louco, porque o que isso fazia esse livro, logo, eu cheguei, porque eu queria que isso circulasse mais rápido possível por aqui, porque eu tinha certeza que aqui ia proliferamento rápido de como, de fato, aconteceu, que isso trazia para nós uma pérola, assim, um instrumento fabuloso de pensamento, para identificar o que a gente estava. O que que uma parte nossa foi buscando, e também é o que está muito presente na cultura brasileira, tanto que não é para a caja que o Gata Ria dourava, vir para o Brasil, o Gata Ria dourava para o Japão, porque onde ele encontrava mais ressonância na alma local, daquilo que ele estava buscando elaborar, teoricamente, nas ações dele. Então, eu estou contendo essa longa história, mas acho que vai lá apenas. Ela está. Não se preocupa não, a gente está gostando de ouvir. Então, daí eu que, logo, antes de fazer esse livro Gata Ria, fiz um livro que depois gotó, porque a Brasileense fechou, foi a falência à editora Brasileense, mas eu fiz um livro que foi uma compilação de textos do Gata Ria que organizei, fiz um prefácio, chamava pulsações políticas do desejo, esse livro. E teve três edições, uma atrás da outra, mas depois da editora foi a falência e ficou pensando. - Esse é o repoloção molecular? - Não, não. - Então. - Não. Neste livro, na verdade, o Gata Ria estava. ainda não tinha feito a refletor molecular, e a gente tinha publicado ele chamado "piscanalis transversalidade", e eu usei alguns textos do piscanalis transversalidade, alguns textos que ele estava escrevendo que depois ele juntou no repoloção molecular, e outras coisas que foram surgindo, coletava preparando e fiz esse livro. - Mas não tem que ir uma coisa entre um e outro, né? - É, é. - Depois do Revolução Molecular. - Comfrança, por exemplo. - Oi? - Não existe. - Só existe no Brasil, e também não tem tanto interesse de ir à estina França, porque os textos que estão lá depois surgirem outros livros. - Não, eu tenho de Madrid, mas dentro de recorte é um recorte que foi feito pra gente mesmo. - É, fiz um recorte que eu fiz pra gente, que quando eu cheguei a primeira coisa que eu fui fazer, foi me ligar na saúde mental, eu fui trabalhar na medicina preventiva do HAC, me ligar na saúde mental, e foi quando começou o movimento de saúde mental, e eu trouxe tudo isso, e trouxe também que eu tinha participado anos 70, todos foram anos de Revolução Psiquiátrica, Europa, e com vários centros, né, uma era. e na França era mais entorno de laboro, que levava em conta inconsciente à micro-politica, né, na Revolução Psiquiátrica, o outro centro importante era na Itália, que vinha o Bazar, que vinha de uma tradição mais comunista, que era mais macro-politica, que fez muitas coisas, mas nesse plano macro-politica tinha belge, que espanha, enfim. E a gente se encontrava no momento, mais de mil pessoas, cada vez de uma cidade, e eu quis ligar isso com aqui, né. E no começo foi muito legal, mas aí o movimento tomou uma direção muito mais macro-politica, porque as pessoas que se engajaram eram mais gente da tradição, de terça macro, na saúde, na saúde. Então eu também que aí fora, sei porque não tinha mais ressonância, interessante, para aquilo que eu estava buscando, mas foi importante esse movimento deu muitos frutos ali, mas já não nem haver com a dimensão que eu trazia ali, né. Bom, então eu quis logo botar isso na roda, a publicação em que isso, e quando eu levei igual, tá? E igual, tá, reveri, 7 vezes. em Brasil depois que eu voltei. E a cada vez eu fui em ene contato com fazer uma agenda super lotada, começava de manhã até madrugada. E em 82, quando estava no calor, lá do movimento pela redri-mocratização, o nascimento do PT e o nascimento do Rúlalo Comunil de Olegre Japulítica, não só sindical, foi a viagem que deu origem ao livro. A gente foi, eu fiz uma agenda em cinco estados brasileiros durante o mês, a gente ficou trabalhando de manhã cedo até a alta madrugada, em cinco cidades, do Brasil, sim, no capitais. E nos encontrando aquele tal livro, com todo tipo de âmbito da vida social que estava se movendo. Então tinha tantas coisas mais dos direitórios do PT em varacidades, mas tinha também a luta já o movimento gay, tinha o movimento feminista, tinha o movimento negro, as coisas estavam, tinha. Eu coloquei em contar também com os ficando alistas locais, aliás, isso foi o que menos rendeu naquele momento. E também com um pouco no âmbito da arte, não tanto. E aí isso, tudo retranscrito deu três mil páginas, e eu fiquei quatro anos editando essas três mil páginas para a origem que ele livo. Bom, tudo isso para dizer. que acho legal compartilhar esse pedaço da história. Eu já dei entrevistas sobre isso fora do Brasil, mas eu acho que não tinha falado isso. Eu acho muito legal porque tem muita gente que está te ouvindo, mas tem muita gente também que talvez não conheça. E aí é legal você exatamente fazer essa volta toda para mostrar um pouco da sua história. Mas também de que a gente está conversando, né? O quanto a história tem a ver com a vida, que tem a ver com o pensamento, então, tudo junto, já estamos vendo como está tudo junto já. Exatamente. O que te conhece é que eu não sabe dessa história todo. É. É, eu por momento tempo no Brasil não falei da minha prisão porque foi tão traumático quando eu voltei a não mencionar isso. Isso só para ser e botar para circular bem mais tarde e mais tarde ainda. Eu fiz o pedido de reconhecimento pela Comissão da Nistia, porque me dei conta que a Comissão da Nistia só levava em conta os guerrilheiros e que a Contra Cultura nem existia. A gente enlouça, foi muito lindo esse processo também, mas isso aí não vou falar agora. Bom, mas aí então eu sempre tive como estar claro, aí, de contar minha história, sempre o que me habitava, meu corpo, que necessitava encontrar suas palavras, né? Que é o que eu sei fazer, é o âmbito que eu sei trabalhar melhor com palavras, não há muito mais um tipo de. Como diz a Donaharov, a ficção especulativa, né? Então eu sempre tive as voltas com não só encontrar uma maneira de colocar em palavras, criar um cenário com personagens conceituais, disso que é a luta microfluíptica, e ao mesmo tempo poder dizer com mais clareza qual é o limite da esquerda, que é a esquerda é fundamental, é o melhor que sempre tivemos, mas o que é que aonde é o limite da L.S. Barra, e ao mesmo tempo como desenvolver esse outro âmbito da resistência, ao mesmo tempo, como pensar articulação entre esses âmbitos que é complexo e difícil, porque não está dada, né? Então, por aí, estou dizendo que o que o meu avi-pensamento são os efeitos do mundo nosso corpo, que é o deles de Gataixão e de Afeições, né? E mas afeições são. Afeições são só estados do nosso corpo, que a gente padece esses estados, mas ainda não tem a evacuação, né? E agora eu entre um pouco mais do que eu quero contar, dessa. desseas mudanças na minha catografia, esse âmbito dos efeitos do mundo nosso corpo, é o âmbito onde a gente, onde o sujeito, né? Ele tem uma dimensão da experiência dele que é imersa, num ecossistema, onde o humano ali, ele é um elemento desse ecossistema, entre os demais elementos viventes e não só viventes e todos os elementos animados que compõem esse ecossistema. Enquanto o elemento desse ecossistema, ele é tão responsável com todos os demais, pelo equilíbrio vital desse ecossistema. E. então o que que acontece? Como é que isso se opera num humano, né? Então o sujeito, ele tem uma dimensão da experiência dele que é essa, que seria o extra pessoal, né, onde ele é parte dessa ecossistema, que é a experiência dele enquanto vivente, né, parte dessa ecossistema. E ele tem uma outra dimensão da experiência que eu chamo de pessoal, né, é isso que eu falei, é extra pessoal, que eu chamo de pessoal, que no meu livro eu chamava de sujeito, eu falei de sujeito, que eu achei na adequada. Então eu chamo o sujeito, tenho a sua experiência pessoal e extra pessoal. E na experiência pessoal, essa experiência que ele dá condições de situar-se na cartografia só escutural na qual ele está inserido, né? Então é o âmbito da. da. da. nessa condição só escutural, é o âmbito do modo de existência, né, da forma desse modo de existência atual, os personagens que compõem os escritos desse modo de existência com suas expectivas funções, né, as dinâmicas da relação entre eles, seus universos referência com seus códigos, suas representações, seus sentidos, e nesse âmbito da experiência pessoal do sujeito, ele apreende as formas do mundo, né, e seus códigos, etc., isso que eu acabei de falar, e nessa experiência o outro, é algo externo ao sujeito, né, sobre qual ele projeta representações, né, porque nesse âmbito, a apreensão do mundo se dá pela vida da percepção, do sensorial, e a percepção, ela. e nós, ela está totalmente já estruturada, segundo um determinado repertório só escutural, né, então, o seu vejo vocês, ou essa rádio, porque não só sei concreto, né, vejo o oso, é isso que eu vejo o oso, ele imediatamente eu associo com o que eu dispõe no meu repertório, seja de licorfor, e eu projeto essa representação sobre essa rádio, sobre vocês, né, o sobre o que está acontecendo aí, no estado brasileiro, ou sobre a covid, isso lá, né, eu projeto essa representação, e com isso eu atribuo um sentido que eu estou vendo ou vindo, e eu posso me relacionar com se tu afrente a isso e se tu aí esfrente a mim, né, então essa experiência do sujeito pessoal, e, no entanto, como eu falei, tem a experiência do sujeito esta pessoal, onde ele apreende o mundo através dessas afecções, dos efeitos, das forças, que compõem esse conjunto de elementos e as dinâmicas de sua relação no éco-systema, tal como atinge em nosso corpo, né, e elas atinge nosso corpo, produzindo nesse corpo um estado, um estado de intensidades, que é específico, que tem qualidade específicas, mas enquanto intensidade, enquanto frequência de vibração, porque não tem, não tem palavras, não tem imagens, não tem linguagem, não tem gestas, não tem nada, e, no entanto, não é uma nada, não é um vazio, é um cheio, é um cheio de um estado que é real, olha, eu diria que a dimensão do real é exatamente essa, é o real do corpo, dos efeitos do mundo, no nosso corpo, naquele momento. E esse estado, ele que fricciona a nossa experiência, enquanto sujeito pessoal, porque ele fricciona a cartografia, na qual eu me encontro estruturada e na qual eu me oriento e me situ, porque aquilo que está ali em germe, no meu corpo, não encontra a possibilidade de lugar, nessa cartografia. Então, tensiona, fricciona, né, essa cartografia. E isso produz um sujeito, um estado de estranhamento, produz primeiro esse estado, produz um estranhamento, e essa ficção entre esse estado, e o sujeito pessoal produz uma experiência de desestabilização, porque nosso repertório fica desestabilizado, nossa alta imagem, a imagem do mundo, tudo se desestabiliza. A linguagem que a gente dispõe não dá conta disso, né? Então, a linguagem no sentido amplo não só verbal, né? Bom, essa fricção, essa desestabilização, ela nos coloca no estado de fragilidade, por conta mesmo da desestabilização. E ela funciona como uma espécie de alarme vital, um alarme vital em que a vida diz que ela está sufocada, naquela vida se encontra sufocada, naquela forma, em que ela se encontra atualizada, porque ela tem algo, já em outro lugar, e que aquilo passa a ser sufocante, até aquela, o slogan, a palavra de ordem do movimento negro, a Cambridge, que eu não vou me apresar. eu priar, porque mesmo que eu queira dar um outro sentido, porque isso pode criar uma série de mãos entendidos, já que ela é uma palavra de ordem que veio do lugar do negro na cartografia, isso é a esfera macro-politica, eu queria trazer ela para a esfera micro-politica, que aí atravessa todos e não só as classes que estão abaixo dessa sinistra e irar aqui inventada pelo homem branco, antropofalo, ego, logo, centro, sob esse regime de consciente colonial racializante capitalista, então isso aí saiu como fala do lugar que eles ocupam, né? É que a macro-politica é desde um lugar identitário que seu culpa que saia fala, você tem que, por essa fala, pra existir, mas tu pônde vista micro-politico, não se trata de ocupar o lugar de fala, mas de falar já desde um outro lugar a ser criado, né? O que por si só já desmânechas as relações de poder e o lugar identitário que cada um ocupam nela, bom, então, porque a gente é um lugar que não existe sendo meio lugar nem a fala, né? É, é, é, é, é, é, é, é, porque esse lugar de fala, quando a fala sai, uma fala que foi licenciada, é muito importante que ela sai, então beleza, é fundamental na macro-politica, na micro-politica se trata de como que eu me deslocue desse personagem, que compõe essa cena de relação de poder onde eu tenho esse lugar, e como é que eu performo um outro personagem que arrasta consigo a ser inteira e essa dinâmica de poder que tem entre os dois personagens naquela cena, então, em vez de ser revindicar um lugar de fala, porque tá criado, que é muito importante na esfera macro-politica, nessa outra esfera se trata de revindicar, de, de, de, de encarnar a possibilidade de criar um outro lugar, levando consigo toda a trama, do tecido social, de uma outra fala também. E aí, já uma outra fala, um outro lugar, um outro personagem, uma outra dinâmica de relação, né? Que por si só já prepara, já já já cria o terreno, pra luta macro-politica ser mais precisa, porque seja não fala a partir do ter lugar de primido, seja fala a partir de um outro lugar pra lutar contra o pressão, macro-politicamente, né? A gente vê isso em alguns líderes maravilhosos que nós temos hoje, os pensadores mais fantásticos, os melhores líderes políticos hoje são os negros e os indígenas, quando você vê o aí, o tão falando, o agreda quilômbro quando ela fala, ou o próprio Silvio Almeida, que fez aquele, aquele roda-viva, ele já fala a partir de um outro lugar, não está falando a partir do lugar do primido. E é o falar de deixar outro lugar, ele é capaz de dizer com uma contundência total, que, que, que, que, que, que, que, que, que tem que acabar, nessas relações de poder, mas ele não fala com ressentimento, ele fala afirmativamente, já desde um outro lugar, e aquilo tem poder de contaminar, inclusive quem está ocupando lugares distintos na, na trama social, né? Bom, então, aí estava falando do sujeito pessoal, do sujeito, isso é a dimensão pessoal, isso é a dimensão extra pessoal, e estava falando que essa fricção entre ambos, porque de qualquer maneira, todo sujeito está vivendo ao mesmo tempo essas duas esferas, nessas duas esferas, que a gente tem a consciência ou não disso, que a gente leve sem consideração ou não, né? Então, essa fracilidade ela se dá em qualquer um de nós, seja em que, que possamos te ocupar aí na cartografia social. Essa fracilidade, como eu disse, ela é, ela é, é um sinal de Almeida, a vida que está tocando esse sinal, dizendo que ela está sofocada nas formas presentes, que ela não tem como respirar, né? E esse, e essa, esse grito, ele, ele, e essa sensação de desistabilização, não dá pra ficar nela, né? Então, isso convoco desejo, que é o desejo que nos age, convoco desejo pra agir de maneira a recuperar um equilíbrio, e a gente pode se livrar dessa sensação estranho de desistabilização, tá? Agora, aqui é que entra uma coisa importante, a esfera da, da micro-politica, é a esfera das distintas respostas do desejo, é isso chamado tal, e do imbatem entre essas distintas respostas, por isso é um campo político, né? Existem várias respostas do desejo possíveis, e existem batas de outras diferentes tipos de respostas, e essas respostas variam, dá mais ativa, a mais reativa. Então, eu vou começar falando da ativa, que é, que é, mais fácil, depois pensar a reativa, que somos nós, né? Que é o regime de consciente dominante da nossa cultura, ele é totalmente reativo, ele é o princípio mesmo da política de subjetivação, na nossa cultura, essa reatividade, micro-politica, então, vão falar do ativo. Que é que, como que desejo age e como o sujeito fica nessa destabilização na micro-politica ativa? O sujeito na micro-politica ativa é alguém que está, que consegue se sustentar, ao mesmo tempo, nessas duas experiências, e no paradoxo que eles estabilizador que existem entre elas. Ele não tem medo que vá acabar o mundo, porque esse sujeito, ele se vê como vivente, e a única, e ele tem uma coisa que ele confia, segamente, que é a vida, a vida, como diz a espinosa, quer perceberá, e a vida em sua essência é potência de transfiguração, e a vida para perceberá, no caso do humano, a pulsão, né? Para perceberá, o destino ético em uma condição é, se que se consiga essa transfiguração. Isso não só no campo humano, em geral, na biosfera, então, por exemplo, tem aquela famosa, que ele famoso exemplo do "aí eu estou crinando, que ele repete um e vezes, e eu também já repite um e vezes, eu já repite junto, quando fiz alguma coisa junto", que os crinando moram a na beira do ridor, se no trechinho lá, e por causa da vale, o Rio estava todo, foi indo, poluindo, poluindo, né? E como os indígenas, na cultura indígena, o sujeito, ele é a mecúpulítica ativa, é predominante, e todos eles vivem coletivamente essas duas dimensões, a ficção entre elas, duas dimensões da experiência subjetiva, como vivo, e como cultural social, né? E como eles têm essa, estão totalmente ligados a sua condição de parte de um ecossistema, então todos os elementos daquele ecossistema contam, então, se tem um elemento que é o Rio, que está totalmente poluído, não é só o Rio que está podrecendo, é o conjunto do ecossistema que inclui a comunidade humana e cada um dos humanos que tem ali, que está num desequilíbrio, a vida está sufocada, aquele elemento leva o sufoco, ele daquele ambiente e cológico do seu dinheiro, né? Então, isso implicou mil rituais no seu quieto, todo um trabalho gigantesco para lidar com essa doença da ecologia local, com a doença do Rio, até que o belo de Rio secou, não tinha poluído tanto que secou, tanto pode vista da percepção, você vê um Rio sec, você vai dizer, sim, e eu está morto, né? Beleza, mais acontece que dois anos de vez, eles eram mil rituais para essa história da morte do Rio, isso ok? Até que dois anos depois o Rio aparece no subterrâneo, na mesma região, mas por baixo da terra, então como que a gente pode interpretar isso, né? O Rio aparentemente estava morto, mas o germe de vida que tinha se atualizado sobre aquela forma, encontra a maneira de se atualizar sobre outra forma ali, por debaixo da terra e voltar a fluir e a vida voltar a respirar, né? Então isso que acontece em qualquer elemento do ecu-systema, de que aquilo que a gente chama "natureza", né? Mesma palavra-vpésima, porque ela sempre veio junto com a oposição "natureza cultura", que faz parte desse sujeito sentido que nós somos, de qual eu vou falar, falar da política reativa, né? Então vamos dizer "seca o sistema", isso acontece também no humano, né? Então assim, o humano que está vivendo uma situação com o que nós estamos vendo nesse momento, por exemplo, não só dessa outra direita, de uma nova moda de poder, é nessa dobra aí do regime financeirizado, neoliberal, que se unem a um nel conservadorismo bem específico aí, porque conta com tecnologia de comunicação e algoritmos e robôs para tornar propaganda de narrativas fake para manipular a subjetividade muito mais poderosa do que era um arrado, a propaganda nazista via arrado, né? É muito diferente, num dá o preço que não dá para chamar de fascista, o nazista que já é uma outra, né? Tem comum essa coisa propaganda e da manipulação da subjetividade através da propaganda, feito por narrativas fake e negacionista sobre a realidade, mas já é de uma outra maneira como outra um outro poder, né? Então, quando a gente se encontra com a gente de uma situação como essa, como um rio, como os crinac se encontrado de gente da morte do rio, e a gente se encontra tomado por um estado estranho no nosso corpo, né? Que não encontra as palavras, asções possíveis dentro do nosso repertório, porque é uma situação nova, né? E quando a vida soltua a larma dela bem forte e fala não estou respirando, não estou podendo respirar, você. que me desculpe os negros que eu estou usando, essa frase que é deles, mas acho que ela vale o nosso sentido para esferar a mecapulítica. Então, como é que acontece a mecapulítica ativa? Qual vai ser a resposta do desejo a esse alarme, a essa demanda evital? O sujeito que está no regime de inconsciente onde predomina uma mecapulítica ativa, ele vai conseguir se sustentar na corda bamba, como um equilibrista, se sustentando na corda bamba e esticada entre o mundo que já não é e o mundo que está por vir. Hoje, podemos dizer que um trapesista que consegue se manter a travesção ao abismo, entre o mundo que já não é, ele se lança ali, para chegar na borda do outro mundo que está por vir. Então, a resposta do desejo vai ser um processo de criação, desejo vai fazer desconexões e conexões ali e pegar os materiais disponíveis de palavras, sons do que for, imagem, para criar uma imagem de pensamento, disso que está por vir, e que já está nos corpos. Que quando consegue chegar da corpos presção para isso, isso se apresenta na cartografia atual, isso tem o poder de arrastar consigo toda a trama do tecido, que compõe essa tecido social dessa cartografia. Então, o sujeito na Mica Política sobre um regime de inconsciente gerido por uma Mica Política ativa, vai conseguir se sustentar sobre esse abismo, ou se sustentar, se equilibrar nessa corda-bamba, dando o tempo necessário, para que aquilo que está em germe, em forma de embrião, o larvar possa germinar até na C, ganhar um corpo prespeção visível, ou dível, e que participe da cartografia, e que leve a desmanchamento, a reconfiguração. Então, esse é o sujeito sobre o regime de uma Mica Política, de um regime de consente, regido por uma Mica Política ativa, e que vive ao mesmo tempo essas duas esferas da sua experiência, pessoal e extra pessoal. Bom, na Mica Política ativa, então, vamos primeiro dizer que esse sujeito da Mica Política ativa, então, a gente pode dizer que ele é um sujeito, se a gente quiser qualificar ele, ele é um sujeito. porcional, ele é um sujeito processual, ele é um sujeito. deixa eu pegar aqui, tem uns vários nomes em que eu depra ele. em segundo. se eu tira aquele "nada é quarta". Não, a gente, eu vou falar de uma Mica Política. Eu não acredito que eles são, na verdade. Eu vou falar disso, eu quero que vocês voltem, que vocês, quando eu falo, vocês voltem, é isso que você acabou de colocar para a gente pensar junto, construir junto, tá? Então, esse sujeito pode ser um mal de processual, ou sujeito em obra, ou sujeito alto poietro, ou sujeito. porcional, tá? Bom, aí o que acontece na Mica Política ativa, eu vou buscar. já entrar com o custórdio de corde, na década. Na Mica Política ativa, o sujeito, ele está ascendido da sua experiência extra pessoal, ele reduz a sua experiência e que vai conduzir suas ações e ideias, etc. a sua experiência pessoal, como pessoal, né? Então, por essa razão, ele toma aquela cartografia só escutural, como absoluta, o que ele tem a menor ideia de que, enquanto vivo, que a vida, ela é a sua essência de transfiguradora, de produzir diferença, toda vez que isso se faz necessário. Não tem menor ideia, ele está meio que grudado, né? Colado nessa cartografia, na imagem que ele tem de si, nessa cartografia, modo como ele está estruturado, né? Na imagem que ele tem de mundo, etc. Então, o que acontece com esse sujeito que está ascendido? O que acontece com ele, quando ele se vê tomado por essa disestabilização e essa fragilidade? Como ele não sabe que isso é o sinal de alarma que tem que se ponha ação para. para transfigurar o sinal de alarma e toca de qualquer maneira, o desejo é acionado a G, de qualquer maneira, para recobrar aquele livro, seja em químico político, a Fora, só que de que maneira que o desejo vai buscar recobrar esse equilíbrio, numa espécie de recomodação da cartografia existente, então, eu é um equilíbrio ilusório, que ele se elivia por 2 segundos, depois que começa tudo de novo. Além do má, essa fragilidade no sujeito sentido, ela não é só um desconforto que esse desconforto é o que chama, é o alarme, né? E que foi o desejo hoje? Ela se transforme em angústia do sujeito pessoal, tá? Angústia do sujeito pessoal. Então, ele vai. aí entra a coisa de causas adequadas e nada adequadas, porque como ele está ascendido da sua dimensão, sua experiência extra pessoal, ele vai entender aquela digestabilização, ele não sabe encontrar as causas adequadas daquela digestabilização, né? Então, ele vai projetar sobre essa digestabilização causas inadecuadas. Então, as causas inadecuadas que ele vai projetar são seguidos. Tomado pelo pavor de que o mundo está desabando, porque ele só conhece esse, e ele se desegregando junto com esse mundo, tomado por esse pavor traumático, ele vai responder, ele vai tentar explicar, né? Encontrar a causa, aí é muito simples, ele vai apoiar a causa inadecuada, e, em si mesmo, o a causa inadecuada no outro, naquilo que ele considera seu outro. Então, ou ele se enche de culpabilidade, e se considera uma bela porcaria, e é porque ele é uma bosta. "Ah, sou intelectual de quinto, sou uma fraude, eu sou uma mulher horrorosa, ninguém me quer, eu sou no seu quê, não sei transar, sei lá, tudo que, eu sou uma burra, sou uma fraude de como intelectual, ou sei lá, enfim, ou eu pequei, e é por isso que está me acontecendo isso, ou ele vai projetar no outro, não sei o que é pior." As duas são teríveis, porque daí é "Ah, bom, aí, a causa do que eu estou sentindo, é da Dilma, a culpa é da Dilma, a causa do que eu estou sentindo, é a presença desses vagabundas, dessas vagabundas, essas moeias que saiu do seu personagem esposa e virar numa puta de uma vagabunda, ou então a culpa é do artista, porque é um absurdo que ele expressa, é completamente imoral e relação a família, etc. O a culpa é do negro, porque é um bande vagabundo mesmo, tem mais aqui matar todo mundo, que é pelo amor de Deus, que é isso, só pode ser ladrão mesmo. Enfim, a culpa é do pobre, coitado, com interducação, e essa projeção que eu faço da causa inadecuada no outro, ela vai desde uma estigmatização mais light, assim, de um certo olhar, assim, de despeso, até matar mesmo, e como o blucenário já conseguiu armar mais a população, sempre tende a armar mais completamente, o limite disso é assassinato do outro mesmo, e a gente sabe que há cada 20, 3 minutos, um negro, jovem negro assassinado no Brasil, sendo a população negra, 60% ao pós do da população brasileira. Bom, então esse sujeito, sentido, a resposta do desejo vai ser essa, e aí estabelecendo essa causa inadecuada, isso que esse desconforto vai ser transformado em angústia, para ele se aliviar, vai se transformar ou em culpabilidade, ou em recentimento, contra o outro. E aí, para o desejo agir, para recobrar o equilíbrio, isso já dá uma bela aliviada, e o que vai acontecer? Como que é próprio da pulsão, que é a vida na altura do humano, isso é uma pulsão, na altura do humano, não sentido que é superior, mas a vida no humano, o frágil conhece uma nova de pulsão, que é bem interessante, então o que acontece? Como a pulsão? Não pode complice ao destino ético, que seria a transfiguração, daquele modo de existência, daquele corpo de expressão de maneira que a vida recobre um equilíbrio, nesse outro corpo, nessa reconfiguração, como isso não é possível, porque não tem escuta nenhuma pra isso, e o desejo não vai seguir a em suas ações, pela bústula da vida, pela bústula vital, a bústula ética, ele só pode seguir pela bústula. moral, que é moral, não se entende moralista, não se entende do sistema de valores no qual está estruturado, aquele que ele escolheu ou foi estruturado, ou mesmo que escolheu depois, mas é um sistema de valores, ele está estruturado, e essa bussula moral que vai guiar, vai guiar em uma bussula ética. E com essa bussula moral, o que ele vai fazer? O processo de criação, criação, propriamente, dito isso depois, pode nos ajudar a pensar, como a gente entende a produção, a prática do pensamento, esse processo de criação, como eu coloquei na minha política ativa, ele diz respeito a algo que já está ali, uma espécie de germe de futuro, e que, no processo de criação, isso vai nascer num corpo expressão. Vai ser criado, esse corpo expressão. Isso é a criação. Mas isso é muito diferente de criatividade, porque aqui a criatividade é apenas uma habilidade que a gente tem que ter para poder criar, que juntar-la é com cré, é com por uma coisa, a meisa, como os americanos, que a meisa quer dizer interessante, mas como quer dizer divertido também, os nossos macacos dos sistemas da arte, traduziram por divertido, eles vêm a obra e falasse "Ah, é divertida, para me estar americano, na verdade quer dizer interessante". Bom, mas enfim, eu detesto a palavra divertido, tal como é lhesada nos temas da arte, aqui pela geração em cima da tede, alheza a minha geração, mas enfim. Então, é foda, porque este é um poder muito nefasto, mas enfim, então, a criatividade, por si só, como é só essa habilidade, ela não garante coisa nenhuma. Então, estando interrompido a potência de criação da opulsão, para o sujeito sentido, esse que se reduz ao pessoal, então, o que resta é a criatividade, sem toda essa espessura da criação, essa natureza da criação, que diz respeito a criar um corpo de expressão, para aquilo que a vida está pedindo, que já está ali em forma de um estado real que está nos nossos corpos. Então, ao se separar, o processo de criação se reduzir a criatividade, essa criatividade vai ser utilizada para que? Como é que o desejo vai usar a criatividade para recobrar um equilíbrio? A travessa, a criação de senão, a cenário para a cumulação de capital, não só econômico, mas também político e narcínsico, e também para alimentar a vorastar de consumo. Então, nesse sentido, é a própria. Então, o resultado dessa ação do desejo, ele recobre que é totalmente ilusório, que é só uma recomodação ali do que já está, mas é muito mais grave do que isso, porque é com o próprio desejo que o sujeito, sentido, produz essa cafetinagem da pulsão, que é a matriz do regime de inconsciente colonial, racializante, capitalista. O que eu quero dizer? Nesse quadro que eu acabei de descrever, em que é interrompido o processo de criação pulcional, a pulsão fica estagnada ali em termos de criação, e essa energia é todo usada para criatividade, para criação desses cenários que eu falei. Então, se esses cenários, o que resulta desses cenários, aí eu me entendo cada vez mais a cumulação de capital, econômico, político e narcínsico, e alimentar o consumo, quer dizer que neste regime de inconsciente, porque é um regime de consciência, se define pelo tipo de distribuícento e microplíquico ativa e reativa, que predomina naquela sociedade, a combinação específica ali entre o ativo e o reativo. Nesse que eu estou descrevendo, predomina absolutamente o microplíquico reativa. Então, na base desse inconsciente gerido por uma microplíquica ativa, é que a energia opucional, ela vai ser toda a posta serviço dessa acumulação, ou seja, a matriz mesmo desse regime colonial-asalizante capitalístico, é o abuso da pulsão, ou a cafetinagem da pulsão, ou a explopriação da pulsão, para a serviço de um destino, totalmente desviado de seu destino ético. Então, é com o nosso próprio desejo, enquanto sujeito sentido, que o desejo investe nessa direção e produz esse mundo que a gente não vai ganhar mais. Bom, então, a gente falou da causa inadecuada, que ele, que ele, que ele, que ele delira ali, pre-explica o que está acontecendo, né? Que ele coloca a causa numa inadecuação de si, ou numa inadecuação do outro, para que a vida possa estar bem, né? Enquanto que na míquia política ativa, o sujeito, ele encontra a causa adequada, né? Que quem encontrar a causa adequada, diz que está me acontecendo, é que forças, "Ah, meu Deus, eu barulhão, que peraí". Que forças nessa cartografia estão produzindo esse estado, e onde que estão as linhas de fuga dessa cartografia, que permitiriam sair desse estado. Então, todo o processo de criação pulsional, que vai acontecer ali pelas ações do desejo, vai ser na direção de dar essa linha de fuga, um corp expressão, e fazer com que ela prolifere, né? E a proliferação dessa linha de fuga por si só desmancha a trama do texto do social sobre esse regime, né? Então, isso implica, em effect, em resultar consequências totalmente distintas, né? Em termos de que tipo de subjectividade que é produzida, em uma e outra míquia política, e que tipo de formações no campo social se produzem, em uma parte daí, né? Então assim, eu retomando um pouco, eu estava falando a este sujeito, sentido, também é legal falar, este sujeito sentido, que é o sujeito que prepon. É a política de subjetivação que predomina desse regime colonial racializante capitalismo, a gente pode chamar ele sujeito sentido, sujeito a sujeitado, sujeito colonial, o beijamento é uma imagem muito linda pra falar isso que ele chama de homem e stojo, e o dele ítale é uma imagem muito bonita pra falar disso, que é o homem que somos, que somos sobre esse regime, né? Até bom que seja homem, a palavra, porque já tem outras connotações aí também, né? Então. Digamos, nesse regime, além dele funcionar sobre essa. primeiro assim, dizer uma coisa antes disso, né? O que. como é que eu tô definindo inconsciente no estudo que eu tô falando? Eu tô definindo inconsciente como um âmbito da fábrica de mundos, né? A fábrica de mundos, né? Onde se dá os processos de produção de mundo? Essa fábrica. de mundos, o que ela vai produzir depende muito quem é o seô dessa fábrica? Se o seô. se o seô que rege a produção dessa fábrica, ele é mais pro lado da míquia política reativa, o seô é mais pico política ativa, se bem que nada é sua ativa ou reativa, mas enfim, diferentes graus entre esses dois extremos, né? E o seô da fábrica de mundo desse regime de consciente é como disse a míquia política reativa, né? Então, assim, a resistência no âmbito míquia político, se na resistência macro-politica no tempo do capitalismo industrial se dizia como. passava por ocupar a fábrica concretamente, né? O operariado com o passo fábrica. Hoje em dia, na macro-politica, eu não sinto nada mais com na mácrona, apenas o ocupar a fábrica, vezes eu ocupas ruas, eu culpava a sexualidade, eu culpava. enfim, né? - O ocupar o quê? - O quê? - As visibilidades representam a tipidade. - Então, mas por quê? Porque este regime, o tipo de cartografia, com o Sousa Cultural dele, o que distribui os lugares nessa cartografia, está baseado nesse delírio sinistro de um mirarquia, entre as justintas espécies humanas, no topo da qual estaria o homem branco, macho, heterosixóiter, normativo, patriarcal, o antropofalo ego, logocente, europeuidental, colonial, acalizante, capitalista, estaria no topo. E a partir desse topo, como a gente sabe que se mede todos os demais de graus desse hierarquia, esse início totalmente delirante, e na base, e a cada patamar desse hierarquia, tem um valor, do mais, por menos, de cima, pro baixo, e a cada patamar esse valor nesse hierarquia, a esse valor corresponde um valor daquela existência que está naquele patamar, sendo que, no a base desse hierarquia, o valor de existência tem de a zero. Bom, isso nós estamos vendo essas imagens todas de como a população precarizar a população, a população precarizada, está precarizando muito mais e muitos outros estão se tornando precarizados, a gente vê como a existência deles nesse regime é valor que tem de a zero mesmo, né? Enfim. Então, estando sobre o julgo da cirarquia, o sujeito sentido, além dele fazer essa calzina adequada que eu falei, além dele ficar tomado pela angústia com medo de desabamento, e ter que ficar projetando a causa no outro ou em uma suposta na adequação dele mesmo, além disso, o sujeito sempre está tomado, ele quer pertencer, essa famosa coisa de pertença, pertencimento, ele age para poder pertencer sem reconhecido num certo âmbito social, mas ao mesmo tempo ele está sempre na cidade, na angústia, de poder subir, acender nessa escala dos valores de existência, ele também o desejo dele vai sendo levado nessa direção quando ele vai se recompor quando está em desequilíbrio, então isso marca essa cartografia, essa é uma marca dessa cartografia fundada mesmo, com início da colonização, de capitalismo, descravidão, de inquisição etc. Então você amara a tudo de um jeito que me faz ver, que ao mesmo tempo que o capitalismo etc, amara a tudo no sentido de amarrar o pensamento, amarrar a ação e amarrar os desejos de um pacote só e levar para um lado, ao mesmo tempo, quando você fala dessa linha de fuga, você vão entre tudo isso se desamarram junto, a ação se desamarram junto com o pensamento, que se desamarram junto com o desejo, né, é bem o que a gente estava comentando, exatamente, no prefácio do antídeo, né, a ação e o pensamento do desejo se fecham juntos, mas então o contrário é também a verdade, a ação o pensamento do desejo se desamarram e crescem se pro eleferam juntos. É muito legal se ter lembrado desse nosso início, né, porque acho que é muito central isso, sobretudo para nós que somos do campo da produção intelectual e acadêmica, né, é importante deixar isso claro, que do ponto de vista, como é que se produz pensamento no sujeito, sim, vamos pensar primeiro no sujeito processual, tá, processual, funcional, etc., auto-poetico, né, o que é o pensamento, agora vamos falar do pensamento teórico, o pensamento todo mundo pensa, vamos falar num hábito teórico, né, o pensamento é ele se dá como se dá o pensamento no hábito da arte, deveria se dá, né, na mecúpula eiticativa ele se dá assim, é o que é o pensamento, quando desejo se põe em ação, para recuperar o equilíbrio vital, ele pode ação dele, pode ser uma ação de produção de um cenário, em termos, um cenário conceitual, que dá uma espécie de imagem conceitual, que dá corpo, expressão para uma linha de fuga, tá, então ele a perspectiva que orienta o pensamento nesse tipo de mecúpula eiticativa, é uma perspectiva ética da vida poder perceberá e é uma perspectiva estética, porque se trata de um processo de criação e não de um processo de reflexão de algo que já está aí ou de explicação, né, mas é um processo que passa pela implicação do extra pessoal, né, a implicação do extra pessoal, a implicação com a responsabilidade nesse ecossistema de encontrar um corpo expressão no caso conceitual, para aquilo que a vida tá pedindo, né, para a linha de fuga que já tá se apresentando ali no nosso corpo, ainda a subafórmula de um germe, fazer aquilo germinar, erredundando num outro cenário conceitual, que por sua vez, se ele logra isso, ele tem o poder de mobilização de proliferação, dessa linha de fuga, ele é uma linha de fuga, um devir que se dá a lina aquela cartografia e que arrasta a trama junto, né, como é que que acontece a produção do pensamento do sujeito sentido, e nisso a gente vê o que predomina na tradição radêmica, embora ela tenha sido sempre atravessada, a produção do pensamento, era o peusidental, sempre foi atravessada também por pensadores, regidos por uma micro política, activa, e que é esses que a gente ama, espinosa, berg, sonha, nit, delízo, gotarri, e pra ir vai, né, então isso para falar no âmbito teórico, porque claro tem muitas outras coisas nessa mesma direção, e outros âmbios, né, mas o que predomina na tradição acadêmica, ela está sobre, regida, sobre, por esse inconsciente, reativo, né, por esse regime de inconsciente, com gestão, com o ciô, ele age, ele conduz essa produção num ponto de vista de uma micro política, estritamente, reativa, né, que inclusive nessa cartografia só escutural, nós não dispombos de nenhum dispositivo que sustente a possibilidade de agir no segundo uma micro política ativa, né, eu entendo que o Freud foi quem introduziu a possibilidade de pensar isso, mas também um dispositivo para produzir isso, nossa subjetividade, é esta reconexão com essa pessoal, não entanto o Freud, não tinha noção, nem posso cobrar isso dele, já fez muito nosso querido, ele não tinha noção do quanto aquilo que ele chamou de "generoso", que ele conseguiu cartografar também, e ele conseguiu criar o dispositivo que ele chamou de "ficinalístico" para tratar dessa defmode subjetivação neurótico, ele não tinha nem ideia de que isso era modo de subjetivação dominante no regime colonial salizante capitalístico, e não universal, daí o antédiplo, né, mas também não se deu conta que o que ele estava fazendo era gestar dispositivos de resistência micro-politica, ficou muito trancadinha no âmbito da medicina, assim, no costóriosinho ali a dois, no máximo que pode acontecer quando a gente é do bem, é que não vamos atender sua rico, vamos atender também pobre, né, mas a potência micro-politica desse dispositivo tá para ser desenvolvida, que beleza guardar rica, criar as bases para que a gente desenvolva isso, tem muito trabalho pela frente, né, então eu estava falando o pensamento voltando, né, então a tradição, o que predomina na tradição acadêmica, é uma produção de pensamento, g-serida, por um regime de consciente, reativo, fundamentalmente reativo, então esse sujeito, sentido que é o próprio desse regime de consciente, sentido do extra pessoal, o que que vai ser o pensamento, a produção de pensamento nele, como é que ele vai agir, ele vai agir exatamente como eu descrevi, mas produzindo pensamento, ele vai buscar, diante de problemas que se colocam, problemas são sempre essas experiências de desestabilização, né, ele vai buscar, recomodar, criar um cenário conceitual onde aquilo que já está lá se recomoda, ele não vai, o conceito não vai ser um ato de criação a partir de um germe que já está ali no real, habitando nossos corpos, compondo nossos corpos e que está pedindo passagem, e que se apresentaria, sob a forma de conceito, um cenário entre personagens conceituais, ele vai produzir palavras sem alma, como diz o Goreni, né, para eles falarem o termo palavra, o termo linguagem, ele vem sempre acoplado a alma, e a alma para eles é o extra pessoal, porque a alma para eles não só é o princípio vital, que anima tudo, mas é também o saber orientado por esse princípio vital, é o saber ali do pessoal, saber porcional, saber do corpo, saber e cosófico, saber e coetológico, sei lá, mil nomes para ele, né, então como ele está se indido, o que ele vai produzir é justamente palavras sem alma, porque como eu disse, sempre os Goreni, palavra, o linguagem vem junto a coplado com a alma, e a alma não só vocávolo, e a alma vem junto sempre acoplado com palavra expressão, com palavra linguagem, porque para eles todas as doenças, mentais emocionais orgânicas, sociais, etc, cententhém como origem a separação entre palavra e alma, ou seja, sempre tem como origem a redução a experiência pessoal e a sissão em relação ao extra pessoal, então, e é mais grave do que isso, porque quando é intelectual, é um trabalhador acadêmico, produz esse cenário a partir de sua sissão, como, em geral, ele vem das classes médios altas, ou elite, portanto o cupo topo, de Iraqia, da famosa Iraqia Sinistra, ele tem um poder de persuasão de sedução gigantesco, porque ele é idealizado, então, no trabalho como professor, acadêmico ou no trabalho com seus textos em relação aos seus reitores, ele ao invés de colaborar para a gente atravessar essa sissão, ele colabora ao contrário para manter essa sissão mais blindada ainda, Conte são os exemplos que a gente tem. alumnos da gente que vão para. Bom, acho que é isso que me fez em bora também da ciência sociais, a Gabriela, laxou melhor a vida aputa, porque na cultura popular encontrou mais possibilidades de juntar a alma com palavra, com expressão, né? Então, é muito nefato. Quantas vezes a gente viu a alumnos da gente contarem, eu vejo lá no meu pós, né? No nosso núcleo lá que eu chamo de núcleo de resistência, no nosso núcleo. Quantas pessoas chegam que tinham feito, já a mestrado, sei lá, o que mais orientado por essa tradição acadêmica e que tinham travando a sua produção a três, quatro, cinco, sete anos, travou. Até eu tenho uma história que eu gosto de contar, que é de um amigo meu, do Amio Caspar, que é um artista, teórico, muito legal, não sei se conhece, um amigo que eu disse quando começou a fazer filosofia na USP, faz muitos anos, né? E ele estava tendo uma aula com professor X que eu não preciso expor aqui, tudo bem, porque também respeito a essas pessoas naquilo que elas fazem, que é uma contribuição também, mas tem FPD essa pegada. Ele levantou a mão pra perguntar algo, pra dizer, eu penso que o professor em sua centenha tem que pensar nada. Cala, tua boca e ofis, tem que aprender. E o amigo ficou travado na escrita e na produção teórica por muitos anos. E eu vejo também muita gente que fez a ECA, artistas que fizeram a ECA que cuja produção foi totalmente travada, mas travada por isso, porque de antes desse super ego acadêmico, ocupado por essa figura do mestre idealizado, que foi aquele cara que fez escola privada e São Paulo tipo Santa Cruz, né? E aprendeu tudo a falar tudo direitinho, a decora bem, que o CEO Piosfalo fazia tudo bem lindo, bem composto, formalmente falando, tem um poder de persoção terrível, um poder de massacre da pulsão criadora terrível, né? Então realmente dá um guata-ri-fala que o pensamento de vire para um paradigma estético, né? O que ele quer dizer com isso é recuperar o pensamento uma perspectiva de criação, né? Saí dessa perspectiva da explicação ou da reflexão ou reflexividade, né? Então, por isso que eu gosto daquela coisa do Narrar, aquela chama de ficção especulativa, é ficção porque se trata de um processo de criação, é especulativo no sentido de ir criando ali uma cena nesse âmbito teórico, que não tem a ver com explicar nada, ter a ver com trazer e também não ter a ver com iluminar, iluminar hoje aquilo que é a verdade, que está na buscuridade da ignorância. É, cléon, né? Ela não fica mais pesada ainda, é que está língua pesada, bom, então eu hoje em dia não tenho vontade de viajar para o lugar nenhum, não sei, é América Latina, eu gosto de ficar na língua Latina, nas línguas Latinas aí, mesmo? Tudo bem, também, eles têm uma grande contribuição, todos têm, né? Em todas as culturas variam muito esse grande espectro entre o ativo e o ativo, né? Então, é isso, tem uma relação intrínseca entre produção de pensamento, desejo e ação do desejo, tanto no Paulo mais no ativo quanto no Paulo ativo. E num Paulo e no outro, o que resulta disso como produto de um processo, é totalmente distinto, tanto tipo de subjectividade, como as formações no campo social de cada um desses regímes de consciente, é totalmente distinto. Já visto que nós estamos vivendo, quer dizer, antes de ver como o vídeo, a gente estava no limite, esse regime, como a base que o política dele é a cafetinagem da vida, né? Pra produzir que a petal, a vida não só humana, o planeta estava com assistindo, de tanto que eles cafetinaram as águas, as terras, as plantas, os animais, o céu, e os animais, né? Nesse fala, e precarizando cada vez mais, o manja acumulando cada vez mais capital, a gente estava na borda da borda do fim desse mundo, que é o brinco com o aí, então que ele não tem que dizer a ideia de parar de já, eu fim do mundo, dizer a ideia é para ajudar esse mundo em agonia a morrer, né? Então, Benitiano, né? Benitiano, né? Ah, adoro, Nite, adoro, mas eu gosto muito do que eu vou ter Benjamin também, adoro, né? Bom, nem se compara com o resto de escola de Frank, porque é tudo o sujeito sentido, são legais, são super responsáveis, são bacanas, já eram dedicar na vida, são lindas, tem nada de ver que esse aí tem que ter calô, né? Fome o batedro, é a coisa, é a coisa, é a coisa legal, é a gente do banho, né? Simples, mais é que o baço, não é um segundo um pouco, né?

Podcast Summary

Key Points:

  1. O programa "Imposturas Filosóficas" apresenta uma conversa com a professora Suely Rolnik, gravada de forma espontânea e sem edição, sobre desejo, micropolítica e resistência.
  2. O texto introdutório, inspirado em Deleuze e Guattari, destaca o desejo como força revolucionária e criativa, que deve ser experimentado e não julgado ou reprimido.
  3. Suely Rolnik critica o fascismo como um modo de vida que se infiltra nas relações cotidianas, alertando para a necessidade de desmontar hierarquias e máquinas fascistas.
  4. Ela relata sua trajetória pessoal, incluindo a participação na contracultura, a prisão durante a ditadura militar e o exílio, como experiências que moldaram sua visão sobre a micropolítica.
  5. A professora enfatiza a importância de não separar pensamento, ação e desejo, propondo uma nova cartografia para enfrentar o neoliberalismo e o autoritarismo contemporâneo.
  6. Ela menciona seu projeto sobre a artista Lígia Clark, que visava resgatar a memória corporal da contracultura e conectar a experimentação estética à resistência política.

Summary:

A conversa com Suely Rolnik, mediada por Rafael e Pedro Taan, aborda a relação intrínseca entre desejo, pensamento e ação como ferramentas de resistência micropolítica. O texto de abertura, baseado em Deleuze e Guattari, afirma que o desejo é essencialmente revolucionário e perigoso porque cria e rompe estruturas, mas também pode ser capturado pelo fascismo, que se manifesta como um modo de vida hierárquico e normalizador. Rolnik argumenta que é preciso desobstruir os fluxos de desejo, desmontar pirâmides de poder e buscar modos de vida anômalos e criativos, sem cair em promessas de paraíso ou harmonia eterna, que são ideias mortas e autoritárias.

Ela compartilha sua história pessoal, desde a juventude na contracultura, passando pela prisão e exílio, até seu trabalho acadêmico e artístico, como o projeto sobre Lígia Clark, que buscava resgatar a memória corporal e política dessas experiências. Rolnik critica a separação entre macro e micropolítica, defendendo que a resistência deve ocorrer no cotidiano e nas relações, como exemplificado no encontro com Gabriela Leite, que fundou o movimento das prostitutas a partir de leituras de micropolítica. No contexto atual, ela propõe uma nova cartografia para enfrentar o neoliberalismo, que submete tudo ao valor monetário, e o autoritarismo, reforçando que a experimentação e a proliferação do desejo são caminhos para uma vida não fascista.

FAQs

A conversa aborda a relação entre pensamento, ação, desejo e resistência micropolítica, destacando a importância de entender o desejo como força revolucionária e social.

Porque a gravação começou e terminou abruptamente, sem uma introdução ou conclusão formal, devido às condições do encontro com a professora.

Pedro Taan participou, sendo responsável por articular o encontro, e já havia participado do programa em outras ocasiões.

Ela afirma que a contracultura foi uma forma de resistência micropolítica, mas foi despolitizada e não reconhecida como tal, sendo muitas vezes marginalizada ou esquecida na memória brasileira.

Elihoniq entrevistou 65 pessoas para mobilizar a memória do corpo e da contracultura, buscando resgatar a força política das experiências com Lígia Clark, que estavam sendo neutralizadas pelo sistema da arte.

Ela explica que o fascismo é um modo de vida onde os fluxos de desejo se perdem em hierarquias, e que é preciso desmontar essas estruturas para proliferar o desejo criativo e revolucionário.

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