#8 Fé no voto: a ação dos líderes evangélicos e a realidade dos fiéis
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O episódio do podcast "Uma Crise Chamada Brasil" aborda a ascensão do evangelicalismo no Brasil e sua interseção com a política, especialmente a partir de 2019, quando Jair Bolsonaro participou da Marcha para Jesus. A narrativa destaca a transição religiosa do país, que saiu de uma maioria católica para um crescimento expressivo de evangélicos, impulsionado por fatores como a urbanização, a migração para periferias e a oferta de assistência social por igrejas pentecostais e neopentecostais. A teologia da prosperidade e a guerra espiritual são características centrais desses movimentos, que também influenciaram a formação de uma bancada evangélica no Congresso, atuante em pautas conservadoras. O episódio mostra como essa bancada se fortaleceu desde a Constituinte de 1988, passando por momentos-chave como o impeachment de Dilma Rousseff e a eleição de Bolsonaro, que recebeu apoio maciço dos evangélicos. No entanto, também são discutidas as tensões internas, como a resistência de mulheres evangélicas ao armamentismo e a insatisfação com a politização das igrejas. A relação entre fé e política é complexa, com líderes exercendo influência, mas os fiéis não sendo meros manipulados. O episódio conclui que a compreensão desse fenômeno exige evitar estereótipos e reconhecer a diversidade e as contradições dessa população crescente, que reflete a realidade de grande parte do Brasil.
A nova Constituição já é desse povo, já estava lendo um livro quase sagrado, é como se fosse uma bíblia.
Essa espalhinha de Estado Láculam é Estado Cristo!
Poderem indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal.
Um deles será terrívelmente evangelho.
Podem me chamar de espanhástica, podem me chamar de louca.
Eu vou continuar louvando nosso Deus.
Que Deus abençoe essa grande nação.
Brasil acima de tudo, Deus acima de todo!
A transição religiosa ganhou um ritmo acelerado nas últimas décadas.
A predominância é quase absoluta do catolicismo se desfaze.
O número de evangelicos não parou de subir, não fenômeno que reforçou valores conservadores de partes significativa da população.
Valores, pregados em templos espalhados pelo país, em discursos políticos, em rádios e TVs comandados por pastores,
e também em aplicativos de mensagens que o acesso se tornou um novo jeito de igreja.
Era uma evidência clara de poder dos novos movimentos cristãos, especialmente pentecostais e neopentecostais.
Era um sinal de que o êxito em disputas eleitorais passaria pelo diálogo com esses movimentos que, apesar de heterogênios,
costumam convergir ao elencar uma prioridade à defesa da família.
Demanda que não raro esbarra em direitos reprodutivos e direitos civis.
Para entender uma crise chamada Brasil, é preciso entender a ação articulada dos líderes evangélicos em governos,
parlamentos e tribunais, os valores e as referências usadas por pastores e políticos e, principalmente, a maneira como isso é recebido pelos fiéis.
Uma população crescente e diversa cuja realidade é bem mais complexa do que leituras reducionistas fazem parecer.
Eu sou o Conrado Corsalette e este aqui é o Polítiqueso, pode que esse de política do nex.
Uma crise chamada Brasil é uma série de 10 capítulos que parte em busca da complexidade que trouxe a gente até aqui em 2022, um ano determinante para o país.
Se você ainda não houve os episódios anteriores, fica aqui o convite para você ir lá e conferir.
Agora, neste episódio 8, a gente começa em 2019.
Era 20 de junho de 2019, e pela primeira vez, um presidente da República subia o palco da marcha para Jesus, que estava na sua vigésima sete-medição.
Com muita alegria, o presidente da República Federativa do Brasil já imescia o sonário.
Vocês foram decisivos para mudar o destino dessa patra maravilhosa chamada Brasil.
Anunciado pelo apóstolo, esteve um Hernández da Igreja Nel Pentecostal, Renacer em Cristo.
O Jair Bolsonaro fez uma diferença aos eleitores evangélicos em sua fala inicial, diante de milhares de pessoas na zona norte de São Paulo.
Não era para menos, oito meses antes, quase 70% dos votos válidos dos evangélicos foram dados ao então candidato do PSL ao Palácio do Planoto.
Segundo projeções feitas a partir de pesquisas realizadas às vésperas do segundo turno, o Bolsonaro teve algo em torno de 11 milhões de votos a mais do que o então candidato do PT Fernando Adad entre a população evangélica.
Pro demógrafo e pesquisador do IBGE José Oztáquio de Nisaoves, os evangélicos foram determinantes na vitória do Bolsonaro, já que a diferença total entre ele e o Adad foi de 10 milhões e 700 mil votos em 2018.
O presidente tocou num ponto importante para os presentes à marcha de 2019, exaltou a família, a família tradicional nas palavras dele.
A família, nos vários aspectos que ele envolve, é um tema caro aos evangélicos, e é um tema abordado por Bolsonaro na maioria dos seus discursos públicos, antes e depois de seleito para comandar o Brasil.
No palco da marcha para Jesus, enquanto o Bolsonaro falava ao público, uma bandeira de Israel, um estado judeu, foi extendida à sua frente. E ali, naquele gesto, tinha outra mensagem, para além da proximidade do presidente brasileiro, com o então primeiro ministro de Israelense, ultra-direitista, bem-a-me em Netanyarro.
Era uma mensagem dirigida a igrejas Nel Pentecostais, que passaram a usar tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a imagem do país do Oriente Médio.
Segundo a créditão alguns religiosos Nel Pentecostais, religiosos que vem em uma continuidade dos eventos descritos na Bíblia, no mundo moderno, a criação do estado de Israel em 1948, está ligada ao prenúncio de profecias como o retorno de Cristo e o Apocalipse.
Ao Universal do Reino de Deus, uma das principais igrejas do Nel Pentecostalismo usa muito esse imaginário, chegou a construir no centro de São Paulo um templo gigantesco, uma réplica do templo de Salomão da Antiga Jerusalém, os ou inclusive pedras vindas de Israel para construir esse templo.
Você vai ver agora uma reportagem especial com imagens inéditas e os bastidores da construção do maior templo do Brasil.
Esse é o começo de uma longa reportagem do programa domingo espetacular da TV Record, que foi ao ar em 2014, uma reportagem sobre a inauguração do templo de Salomão Paulistano, recorde que é uma emissora de TV da igreja universal.
A Orquestra toca osinos de Israel e do Brasil.
Nas imagens da TV Record, logo após a Orquestra, aparece o Edirmacedo, Bispo, fundador da igreja universal.
Ao lado dele, está a Dilma Rousseff, então presidente do Brasil.
Ao lado dela, está o Michel Temer, então vice-presidente do Brasil.
Ao lado dele, o Geraldo Alquim, então governador Paulista, todos presentes na inauguração.
O Brasil é um país em que a fé é muito influente. Uma pesquisa data folha divulgada em setembro de 2022 mostrou que para 56% dos eleitores, a religião e a política têm que andar de mãos dadas.
Mostrou também que 60% consideram que é mais importante um candidato defender valores familiares do que ter boas propostas para a economia.
Essa fé tem várias cores, vários matízes, mas é majoritariamente cristã, uma fé cristã que vai fazendo sua transição do catolicismo pro protestantismo, protestantismo que também tem várias cores, tem vários matízes, formado por uma população diversa e plural, que frequenta igrejas de denominações variadas, uma população que cresce aceleradamente.
Nos anos 70, os Evangelicos representavam um pouco mais de 5% dos brasileiros, em 2022 já ultrapassavam 30%. Segundo projetos do demógrafo José Austáculo de Iniz Alves, o número de Evangelicos tende a superar o número de católicos no Brasil nos primeiros anos da década de 2030.
O Brasil está experimentando uma transição religiosa muito rápida sem precedentes na história da humanidade, não exagero dizer isso. A Europa demorou secos para transicionar o catolicismo para protestantismo e o Brasil está experimentando a transição de um país majoritamente católico para um país majoritamente evangélico em 60 anos.
Esse é o Victor Araújo, cientista político, pesquisador da Universidade de Desurique, na Suíça e autor do livro "A religião destraiu os pobres, o voto econômico de joelhos para morar os bons costumes de 2022".
O protestantismo é um movimento do século XVI inaugurado pelo Martín Lutero, um mújico que contestou autoridade da igreja católica e defendeu outras interpretações da Bíblia.
Os primeiros protestantes chegaram ao Brasil ainda no período colonial, em missões evangelizadoras de franceses e holandeses, que faziam frente ao catolicismo português.
O protestantismo é um grande guarda-chuva para os evangélicos no geral, e aí tem as especificidades, especificidades que começam numa primeira divisão entre dois grandes grupos, segundo o Juliano Espír, antropólogo que fez uma pesquisa de campo durante 18 meses, num barro da periferia de Salvador.
Uma pesquisa que resultou no livro "Povo de Deus", quem são os evangélicos e porque eles importam de 2020.
Eu acho que mais simples e importante é separar cristão evangélico das igrejas tradicionais históricas, por exemplo, a igreja batista, igreja metodista e igreja persiteriana, que são organizações criadas mais ou menos no contexto da reforma protestante.
E falar a partir do século 20, duma tradição que hoje eu acho que está entre as mais importantes do mundo, que é o Pentecostaligo.
Em grego antigo, Pentecoste significa quimpoagésimo dia, esse dia marca a passagem de 50 dias depois da Páscoa. No judaísmo, se refere a festa das semanas ou festa dos 50 dias, celebrado no quimpoagésimo dia depois da Páscoa judaica.
No cristianismo, é marcado por um evento em que cristãos acreditam ter recebido dons do Espírito Santo. Os Pentecostais acreditam na inerrância bíblica, ou seja,
[MÚSICA DE FUNDO]
O texto da Bíblia não contém nenhuma falha ou contradição, acreditam também que a volta
de Jesus Cristo à Terra está próximo.
O Juliano Espír citou o século XX como referência temporal do Pentecostalismo.
O ponto de partida está numa sequência de ventos ocorrido em um prédio informato quadrangular
na periferia de Los Angeles nos Estados Unidos entre 1906 e 1915.
Naquele templo de senador nos opúpto fiéis diziam ver a atuação direta do Espírito Santo.
Havia pessoas falando em línguas desconhecidas, a chamada Glossolalia.
Havia também relatos de cura de doenças.
O estilo da cerimônia fugia do comedimento e reserva dos cultos católicos e protestantes
tradicionais.
O clima era o fórico, barulento, condanças e gesticulações.
Centenas de pessoas começaram a frequentar o lugar, principalmente os negros americanos,
mas também tinham brancos e espânicos.
Dois emigrantes suécos que tiveram contato com o novo estilo de celebração religiosa nos
Estados Unidos vieram em 1910 para Belém do Pará, onde fundaram a primeira Assembleia
de Deus Brasileira, a Assembleia de Deus, que tem várias ramificações.
E atualmente é a principal denominação Pentecostal do país.
O Pentecostalismo é um fenômeno popular, numa igreja popular, que tem além desse elemento
do Mistério, mais explícito, de uma religiosidade dividida, de uma religiosidade muito sensorial
da música, do canto, das palmas, da interlocução com pastor, da imotividade, do soro, junto
com um processo muito disciplinador em relação a o que você pode e não pode fazer.
O Juliano Espírito, que você ouviu agora, lembra como o Esso do Rural Brasileiro, o grande
deslocamento populacional pra cidades, que teve seu auge entre os anos 60 e 80, impulsionou
a expansão das igrejas evangélicas no Brasil, um Esso do, em que as pessoas deixaram o campo
por não conseguir mais sobreviver da agricultura.
E quando elas vão pra cidades, elas ganham como espaço, recebem, são ofertadas, o espaço
mais confortável possível, que é o mais distante e com menos infraestrutura, e o espaço
que não tem igreja, porque igreja católica demora pra chegar no lugar, precisa ter disponibilidade
padre, nesse bairro que eu estava, tinha uma igreja católica, uma igreja, o padre aparecia
cada dois meses e meio, não porque ele não queria, mas que ele cuidava de outras igrejas.
Então o acesso a esse tipo de serviço, um serviço do acolhimento religioso, associado
à possibilidade de você estabelecer vinclos e relacionamentos, pra semelhantes aos
da família estendida, pra que você possa recorrer quando você tá em situações difíceis,
porque é a maior parte das vezes nesse bairro, porque são os bairros que têm uma presença
mais intensa da criminalidade, são os lugares onde não tem o hospital, são os lugares
que as escolas, os professores falcam, porque os professores não moram ali, porque ninguém
do bairro foi formado a conta de trabalhar na escola, que é a igreja, a igreja se torna
esse grande tampão de demandas, e que é profundamente desprezado e desconhecido como se fosse.
É nesse vácuo distado nessa ausência de serviços, num cenário de precariedade, que muitas
igrejas cresceram e ainda crescem, e crescem de forma descentralizada, pouco irarquica.
O vitoraraujo reforça aqui a ideia desse papel assistencial das igrejas.
Quinta e costalismo cresce muito no Brasil a partir dos anos 80, ele é muito fortemente concentrado
em áreas vulneráveis e pobres dos grandes centros urbanos brasileiros, então áreas periféricas
em geral, que é de jornal mesmo que colitanos como Rio de Janeiro, São Paulo, da Luzonte,
Recife, Salvador, tem uma concentração muito forte do quinta e costalismo, e nesses lugares
às igrejas pentecostais, elas são muito fortes, não apenas pelo religioso litúrgico,
mas também por oferecer um aparato de assistência social, muitas as igrejas têm cresce,
muitas as igrejas oferecem banco de emprego, é todo um sistema ali de proteção social
que atrai essas pessoas e façam que as pessoas fiquem.
Depois do pentecostalismo veio o Nelpentecostalismo, uma decidência iniciada por lideranças religiosas
dos Estados Unidos nos anos 60, essas lideranças passaram a ser chamadas também de Nelcarismáticas
ou Evangelicas Carismáticas, passaram a investir no uso dos meios de comunicação no tele-evangelismo
e deixaram mais explícita a questão da recompensa que parte da ideia de que o dísimo e a oferta
conduzem a prosperidade, ou seja, quanto mais se dou a igreja mais sucesso da purvir.
A questão da prosperidade aliás é central para os Nelpentecostais, elas se traduz
na teologia da prosperidade, segundo a qual o fracasso e a pobreza financeira são atribuídos
a falta de fé do indivíduo, muito mais do que a qualquer contexto social ou econômico.
Quanto mais fé e quanto mais dísimo, mais chances você tem de chegar lá, não apenas financeiramente,
mas espiritualmente, existem ainda outras características desse movimento decidente.
Uma delas é a ênfase numa constante guerra espiritual contra a figura do diabo e seus representantes
na terra, da cultura, a política.
A historiadora britânica Kate Bollard discreve a teologia da prosperidade esaltada em
grande parte das igrejas Nelpentecostais como uma convergência de três fatores.
O próprio Pentecostalismo, de onde saem os líderes que viriam adotar as práticas posteriormente
classificadas como Nelpentecostais, o movimento novo pensamento, linha espiritual de crenças
metafísicas do século XIX que exalta a força da mentalidade positiva e o som americano,
do sucesso individual, a partir de conquistas que dependem exclusivamente do esforço pessoal.
No Brasil, o movimento Nelpentecostal teve início com o bíscar de armacedo e sua igreja
universal do reino de Deus no fim dos anos 70.
Algumas diferenças entre igrejas Pentecostais e Nelpentecostais se diluíram com o tempo.
O número de fieis no país que frequentam igrejas Pentecostais como Assembleia de Deus
e Nelpentecostais como a universal é mais do que o dobro do número de fieis de outras
denominações evangélicas.
São movimentos que influenciaram inclusive a igreja católica em sua renovação carismática.
Em termos políticos, o vítor era o uso de estáca aqui uma diferença entre o Pentecostalismo
e o Nelpentecostalismo.
Eu costumo dizer que o Nelpentecostalismo é o centrão das igrejas.
É um movimento muito mais aderente à situação e muito menos preocupado com situações
morais, muito menos orientados por esse tipo de questão.
A opentecostalismo que bebe na fonte do Pentecostalismo americano, aí sim, essas igrejas
são muito mais preocupadas com isso, são muito mais voltadas a instruir os seus fieis
a como eles devem votar e usando como argumentação, essa argumentação moral.
Com o término do regime militar em 1985, quando os generais passaram o poder para as mãos
do civis, o Brasil entrou em efervescência política, diversos setores da sociedade se organizaram
e não foi diferente com os grupos evangélicos.
O Antigo Bordão, segundo qual, crente não se mete em política foi aposentado.
Em 1986, o José Silvestre, um assessor parlamentar do Congresso ligado à Semblédia de Deus,
lançou o livro Irmão Vota em Irmão, defendendo exatamente o que diz o título da obra.
Relijosos seguidores de determinada fé deveriam apoiar políticos daquela mesma fé.
Num trecho, o livro diz o seguinte.
A bancada evangélica eleita para a Semblédia Constituinte, que trabalhou de 1987 a 1988,
foi de 32 deputados entre os 559 parlamentares.
A maioria era ligada ao Pentecostalismo.
Esse é o Vinícius do Vale, cientista político e autor do livro entre a religião e o lulismo
de 2019.
Ele faz pesquisa de campo com evangélicos há mais de 10 anos.
Era um período marcado pela ascensão de novos movimentos sociais no Brasil, no contexto
da saída da ditadura militar.
Então, os evangélicos, eles, inclusive em vários textos, falam o seguinte.
A sociedade civil brasileira está se organizando, católicos estão se organizando, os movimentos
de trabalhadores estão se organizando, as feministas estão se organizando, os movimentos
negros estão atuando, os LGBTs e a gente não pode ficar pra trás, a gente precisa reagir
a isso.
Então, a gente vê nesse discurso já uma construção dessas lideranças em oposição
a esses movimentos sociais de esquerda.
com a jornalista pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião,
colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas e membro da Associação Mundial de Comunicação Cristã.
Lembra aqui quais denominações tomavam a frente dessa busca por mais influência política?
E a gente tem aí duas igrejas fortes, a igreja Assembleias de Deus.
As igrejas Assembleias de Deus pra ser mais correta, né?
Porque a gente não tem uma Assembleias de Deus, mas as Assembleias de Deus
e a Igreja Universal do Reino de Deus,
que colocam sim um projeto político, uma ação de membrezia pra se candidatar
de suas lideranças e seus vastores, né?
Então a gente vai ver essa articulação política mais intensa e isso já vai se dar ali
no Congresso Constituinte e vai ser um permanente, então nós vamos. A bancada evangélica na Constituinte não era monolítica, mas atuava a favor de pautas conservadoras,
segundo o Vinicius do Vale.
E nesse período o professor Flávio Perúte, sociólogo já falecido,
era professor da Universidade de São Paulo, investigou essa bancada evangélica
e disse que existia um pequeno núcleo de esquerda, entre os evangélicos,
mais um grande núcleo de direita que unia tanto conservadorismo econômico quanto um conservadorismo moral.
Então ele já estava falando ali e ele diz isso de uma nova direita que está surgindo
com a presença dos evangélicos, o espaço público brasileiro de então.
O número de políticos ligados aos movimentos pentecostais e outras designações cresceu gradativamente.
No fim dos anos 90, os evangélicos contavam com uma bancada de 44 deputados entre os 513 da Câmara.
Foi um caminho construído aos poucos, um caminho que passava pela busca de uma proximidade
com o poder segundo a Magalicunha.
Então nós vamos vendo esses grupos ocupando, mas a gente tem um grupo que são os evangélicos tradicionais
que não vão ter essa visibilidade tão intensa, mas vão atuar também com força,
prezo piterianos, batistas e com um projeto político, sim de uma aproximação aí com poder executivo,
de uma presença também no Judiciário. Então nós vemos dos anos, final dos anos 80 e dos 90 para cá,
o que significa depois da ditadura militar no Brasil, nesse processo de reconfiguração democrática
que nós vamos presenciar um quadro mais plural. Isso é interessante, porque é um quadro mais plural de uma presença religiosa.
Já não é mais a região imunicatólica, o domínio católico. Nós vamos ver essa presença evangélica
que vai dividir aí com os católicos, essa força e vai ser articulada assim e os políticos tradicionais,
eles vão se render essa presença e vão trabalhar essa aproximação, vão colocar evangélicos,
então como protagonistas no cenário político, no cenário eleitoral.
Como a agenda evangélica ligada a temas morais, aparece nas discussões de políticas públicas.
A jaqueline Testeira, Antropóloga, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religion e do Cebrap,
o Centro Brasileiro de Analis e Planejamento e também professora da ONB lembra o caso do plano
nacional de Direitos Humanos, que em 2009 chegou a sua terceira edição. Esse plano trazia aspectos
que agradavam a lideranças religiosas, principalmente lideranças mulheres, que vieram avanços no que
se refere à violência de gênero. E trazia também aspectos que desagradavam essas lideranças como a questão do aborto.
Havia de alguma maneira uma sensibilidade para tratar e para reconhecer a importância do Direito Humanos
para pensar determinadas temáticas e principalmente para pensar temáticas relacionadas ao Direito das Mulheres.
E é claro que nesse processo não é o aborto ou direito a interrupção voluntária da gravidez que entra como um tema
sensível, mas a questão da violência doméstica. Ali naquele período a gente tinha de aprovação da lembrea da Penha
poucos anos, a lei tinha sido aprovada em 2006, então já passava só quatro, cinco anos dessa aprovação.
A lei Maria da Penha já estava conseguindo construir espaço e significativos e todo uma pedagogia social significativa
para pensar o tema da violência doméstica e das violências familiares. E eu já vou percebendo ali o quanto esse tema
tem uma sensível para as mulheres evangélias e pouco a partir daí nos anos seguintes, eu começo então a acompanhar primeiro
na igreja universal e depois em outras denominações evangélicas, projetos desenvolvidos por mulheres evangélicas
pro atentimento de mulheres em situação de violência.
A terceira edição do plano nacional de Direitos Humanos dividiu Pentecostais e Neopentecostais.
Na igreja universal, o Pentecostal, o bíspio de Irmã-Cedo chegou a defender o aborto, buscando em trechos da Bíblia justificativas pro procedimento.
Alinhado ao governo do PT, partido dos trabalhadores, o Edirmã-Cedo estava ali exercendo seu papel de centrando as igrejas evangélicas,
como disse antes o Victor Araújo, numa referência ao grupo de parlamentares de viaz governista independentemente de quem seja o presidente da República.
Na Pentecostal, a Assembleia de Deus porém, a resistência ao plano nacional de Direitos Humanos foi grande,
especialmente em relação a questões relativas ao aborto, ligado aos Direitos Reprodutivos das Mulheres,
e a população LGBT em mais, população que pleteava avanços no campo dos Direitos civis.
O senador Magnumalta, ligado a igreja, era um ferrenho opositor do plano, dizia que ele iria criar um império homossexual no país.
O pastor Silas Malafáia também da Assembleia de Deus era outro forte opositor do plano, e aí o texto do plano precisou ser alterado diante das pressões.
Na parte dos Direitos Reprodutivos, por exemplo, a redação, que inicialmente dizia que era importante apoiar a aprovação de um projeto de lei,
que descriminalizasse o aborto, considerando autonomia das mulheres para decidir sobre os seus próprios corpos,
passou apenas a considerar o aborto, como um tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde.
Essa alteração foi feita no ano de 2010, quando o presidente era o Luiz inácio Lula da Silva, um político de esquerda que trabalhava para fazer sua sucessora, a Dilma Rousseff.
Nas eleições daquele ano, o principal adversário da Dilma Nasurnas, o Tucano José Serra, explorou o tema do aborto, resgatando entrevistas do passado em que a petista tinha defendido o procedimento como um direito da mulher.
O ano de 2010, eles podem fazer um recorte aí, é um paradigma, porque nós vinamos de dois governos do presidente Lula,
que tiveram uma aproximação com o evangélico e sim, havia uma rejeição à Lula grande, desde 89.
Mas se conseguiu herter isso nas eleições de 2002, então houve essa aproximação, Lula foi eleito, houve uma interlocução, uma aproximação, mais em 2010.
A eleição, a proposta de Dilma, como candidata, houve muita rejeição.
Rejeição, por conta, dela ser mulher, a questão do patriarcado, do missoginia, ela é forte entre grupos religiosos geral, né? Então a rejeição, ela ser mulher, e a pauta que vinha, do plano nacional, direitos humanos, trem-te,
que era uma pauta que se abria muito, as questões LGBT, a des criminalização do aborto, né?
A Magalicunha lembra dessa dificuldade da Dilma com líder nessas evangélicas. O período do primeiro mandato da presidente Aliás, é apontado como o momento em que houve um discolamento dos líderes em relação ao PT e ao governo, segundo Vinicius do Vale.
Durante os governos Lula e Dilma, a gente viu alguns setores evangélicos relevantes na base desses governos petistas e lulistas, né? Mas ali entre 2010 e 2014, quase que a unanimidade dos setores evangélicos com representação política, relevante, caminharam para oposição ao PT.
E, nessa leva, eles começaram a se reindicar como de direita.
Em 2011, primeiro ano do governo da presidente de Morsef, o Ministério da Educação, com andado por Fernando Adad, lançou em parceria com organizações de defesa da população LGBT+, o projeto Escola Senhor Mofobia, chamado de Kitgei, pelo então deputado Jair Bolsonaro.
No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal reconheceu o direito ao União Estável, uma ofetiva, diante do imobilismo do Congresso em relação ao tema, congresso que já contava com uma bancada evangélica de 63 deputados.
Em 2012, o Supremo ampliou as possibilidades de aborto legal no Brasil, além de vítimas de stupro e casos em que a gravidez põe risco a vida da mulher, o direito ao procedimento também passou a existir nos casos em que o feto é anencefalo.
Uma mudança realizada sobre protestos dos religiosos.
Naquele mesmo ano de 2012, o ministro da Secretaria General da Presidência, Gilberto Carvalho,
defendeu que a esquerda atravasse uma disputa ideológica com líderes evagélicos, na busca por mais influência, junto às setores que vinham ascendendo socialmente nos governos petistas.
Na visão de integrantes do PT, muitas famílias que tinham chegado a nova classe média não associavam a melhoria de vida, as políticas públicas do governo.
Associavam essa prosperidade a outros fatores, a esquerda precisava, portanto, conquistar essas pessoas que continuavam ligadas ao campo conservador evangélico.
A declaração do Gilberto Carvalho foi feita.
Durante o Forno Social Mundial de Porto Alegre, pastores e políticos da bancada evangélica
se rebelaram contra o governo Dilma por causa da fala do ministro, que teve que se explicar.
Eu fiz uma conta da passada política, vários companheiros militantes, de quem, de fato, tinha
presença na periferia no Brasil.
Quem fala com a necessidade da classe, que se fosse tudo CDI, é ação às igrejas evangélicas,
e por tanto, essa importância tem de ser reconhecida, por certo, essa presença é real e efetiva.
- Mas é uma época de ver.
- Não tem nada de meta do governo, estamos falando para governantes, estamos falando para militantes
dizendo que era por isso que se reconhecia, que não é a esquerda, não são os partidos que
a demonismo setores, que a gente trabalha com setores, de fato, que não constituem famílias
que em combate as drogas são dos evangéritos, eu estava pelo contrário fazendo reconhecimento
da importância desse segmento, e todo mundo me conhece, sabe que eu proponho, inclusive,
uma aliança do governo, com esses setores, com setores bem-intensionados, com setores séries
do mundo evangélico, que efetivamente contribuem para a recostição das pessoas, para a reunicação
famílias do secreto.
- O governo do PT não conseguiu abrir o diálogo com os evangélicos, e os pastores, por
sua vez, decidiram ele extravar uma disputidológica nos espaços, antes ocupados majoritariamente
pela esquerda, dentro do Congresso.
Em março de 2013, o deputado Marco Feliciano, pastor evangélico da Assembleia de Deus,
foi leito o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Em meio às manifestações de junho também ali em 2013, o pastor Silas Malafaya comandou
um grande ato em Brasília, no qual os evangélicos pediam um engavetamento do projeto de criminalização
da homofobia em tramitação no Congresso.
A igreja de Vangélico no Brasil na ditadura foi uma igreja bastante alinhada ao regime.
E aí se a gente dá um pulo e pensa nisso no posse de democratização, nunca ouve um movimento
progresista de fôlego ou de substância nesse movimento no Brasil.
E o que acontece ali em 2013, nas manifestações de 2013, já se viam claramente que eles tinham
um posicionamento majoritário contra o governo ali.
E as lideranças evangélicas operaram e foram de fundamental importância para a perda
de apoio da Dilma.
Esse é o vítore Araújo, lembrando da atuação dos religiosos naquele momento de ebulição
das ruas.
Na campanha eleitoral de 2014, ao disputar a eleição, a Dilma passou a defender o projeto
de lei que criminalizava homofobia.
A gente já sabe que o PT só procura os evangélicos de quatro em quatro anos.
O restante do tempo trabalha contra tudo, tudo, tudo aquilo que é relativa a nossas
crenças e valores.
Esse é o pastor Silas Malafáia durante aquela campanha eleitoral.
Segundo Vinicius do Vale, além da oposição de algumas lideranças, a resistência
do PT já começava a aparecer também entre os fiéis.
Tudo isso eu observei o que encanto, primeiro que um grupo que já não gostava do PT, passou
a apresentar um discurso antipetista muito mais agressivo e o grupo que tinha identificação
ali com Lula, com os governos petistas, com os programas sociais, ele diminuiu e também
teve menos mobilizado, as pessoas falaram que para mim, nesse período, olha, vou votar
na Dilma, mas as coisas vão tão muito bem, ela não é como era Lula.
O Brasil entrou em 2015, enfrentando uma recessão econômica e também uma crise política,
com milhares de pessoas nas ruas, protestando contra de uma Rousseff, que tinha acabado
de ser reeleita.
No Congresso, a bancada evangélica tinha subido para 75 deputados, cerca de 15% de todas
as cadeiras disponíveis.
Naquele ano, um político da Assembleia de Deus, o Eduardo Arruquinha, virou presidente
da Câmara dos Deputados.
Os deputados da bancada evangélica costumam se dividir em vários partidos, entre eles,
o PSC, o Partido Social Cristão, que abriga muitos políticos Pentecostais da Assembleia
de Deus e o PRB, que viria a se tornar republicanos, partido ligado à igreja universal.
As parlamentares também costumam integrar outras frontes dentro do Congresso, como a chamada
bancada da Bala, cuja prioridade são pautas relacionadas à segurança.
Em 2015, alguns projetos desses parlamentares que se destacavam iam da defesa de uma inexistente
cura-guei, a redução da maioridade penal.
Na presidência da Comissão Especial, que tratava do Estatuto da Família, o Deputado
Socines Cavalcante disse naquele ano de 2015 que aborto só seria votado passando por
cima do cadáver dele.
Cavalcante, que já tinha trabalhado junto com o pastor Silas Malafaya.
Sobre o tema aborto, a bancada não agiu só na defensiva.
O próprio Eduardo Cunha conseguiu fazer avançar um PL, um projeto de lei, que dificultava
o aborto legal para mulheres vítimas de estupro.
E as mulheres foram para as ruas, na chamada Primavera Feminista.
Por essa lei do Cunha, a mulher tem que premierar a polícia, fazer voletido ao Congresso,
fazer examem corpo de delito, ela tem que comprovar o estupro, ou seja, isso significa
ela ter que estar com esferma na roupa, esferma no corpo, se as mulheres já têm dificuldade
de denunciar.
Imagina, a hora que se acabou de sofrer uma coisa dessa, não pode nem te levar a possibilitar
ou sei passar na polícia antes, é demais, né?
Essa é a jornalista trezinha Vicente, numa entrevista ao jornal Folha de São Paulo
durante a Primavera Feminista.
A mobilização das mulheres conseguiu frear o projeto de lei, que dificultava o aborto
legal em caso de estupro, o texto acabou engavetado.
A crise política avançou sobre 2016, o Eduardo Cunha aceitou analisar um pedido de
impeachment contra a Dilma na Câmara, e a base aliada da presidente se desfez.
Nos templos religiosos, o clima era de hostilidade ao PT, segundo Vinicius do Vale.
Eu ainda estava fazendo pesquisa de campo, todo autorado, de forma sistemática, e vi esse
discurso antipetista tomar conta de quase todo mundo dentro das igrejas.
Então, foi entre 2014 e 2016, um momento chave, eu coloco ali na minha tese, como de fortalecimento
do antipetismo.
Segundo o Victor Araújo, esse posicionamento majoritário contra o governo da época teve impactos
políticos relevantes.
Eduardo Cunha, um cara ligado a Assembleia de Deus Madureira, que conduziu o processo da Dilma,
que formatou todo o processo que construiu o apoio para derrubar a Dilma, com o amplíssimo
apoio de outras derenças vangélicas, dentro do Congresso e fora do Congresso.
Outro processo de impeachment avançava, em 2016, o Deputado Jair Bolsonaro decidiu ir para
Israel.
Você ouviu agora o momento em que o pastor everal do Batizou Bolsonaro nas águas do Rio
Jordan.
Católico ultra conservador, o Bolsonaro, casado com Michel e uma evangelica batista, fazia
ali um aceno aos evangélicos com esse batismo.
O pastor everal do que realizou a cerimônia é um importante liderança da Assembleia de
Deus, e também é dirigente do PSC, o Partido Social Cristão.
A ligação entre o Bolsonaro e as igrejas evangélicas foi se estreitando.
O Deputado levantava a bandeira do combate ao que teguei, essa visão homofóbica e distorcida
de um projeto que nunca foi adiante, e fazia discursos inflamados a respeito da importância
da influência da religião sobre a política.
Aí o Bolsonaro, num discurso de 2017, quando já estava em pré-campanha para disputar
as eleições presidenciais do ano seguinte.
Um Bolsonaro que colocava o cristianismo nesse nível de supremacia, de aponto de escolher
essa coisa com inserir a verdade, a verdade, os libertará, o Brasil acima de tudo,
Deus acima de todos, essas frases muito fortes de assumir para a responsabilidade de
dizer, eu vou fazer um governo em que o cristianismo tenha prioridade, em que igrejas
tenham a prioridade.
Esse é o roníso Pacheco, pastor Batista e professor do Departamento de Filosofia da Universidade
de Oclaroma nos Estados Unidos.
Por Pacheco, que é um teólogo progressista, a ascensão da extrema direita no Brasil,
com a chegada do Exército Exército ex-deputado Jair Bolsonaro, a Presidência da República,
está intimamente ligada à atuação de líderes e políticos evangélicos.
Eles integram essa ascensão, eles são parte da extrema direita brasileira, muito semelhante
que acontece nos Estados Unidos, o consurgimento da direita religiosa do Nelconceladonismo,
pro final da década de 70, nisso da década de 80, por razões muito semelhantes, e essa
ideia de recuperar aquilo que eles consideram que foi perdido, com avanço, ou as conquistas
do movimento pelos direitos civis, o fim da segregação, direita voto para as pessoas
negras.
Eu conheço mais.
direito da comunidade LGBT queia mais, a revolução, a chamada revolução sexual e o reconhecimento
né, da legalização da bordo pela Suprema Corte, o revogado agora, mas enfim.
O Ronil suscita a revogação do direito ao aborto nos Estados Unidos, uma revogação feita
pela Suprema Corte americana, Suprema Corte cuja composição ficou mais conservadora
com indicações do ex-presidente Donald Trump, um dos ícones da extrema direita mundial.
A decisão de junho de 2022, derrubou um direito que era garantido às mulheres do país desde
1973, a facada sofrida pelo Bolsonaro durante a campanha de 2018, celou uma narrativa, segundo
a qual, mais do que um defensor do povo de Deus, aquele político agressivo que defende a
tortura, o armamento da população e a imposição da vontade da maioria sobre uma minoria era
um escolhido de Deus, ouça a magalicunha.
Quando Deus salva alguém é porque tem um propósito para essa pessoa, todos esses símbolos
que vão ser trabalhados aí, para que houvesse esse apoio tão significativo nas eleições
de 18.
Porque não é só o discurso autoritário, que os evangéricos também têm uma identidade
histórica com discurso autoritário, discurso autoritário, medo do comunismo, pânico
humoral em torno das pautas da moralidade sexual, mas esse imaginário forte de alguém que
tem uma identidade com os evangélicos e uma esposa evangéria.
Isso também é muito importante.
O Bolsonaro foi eleito presidente com o apoio da grande maioria dos evangélicos, e a bancada
evangélica voltou a crescer, elegeu 112 representantes, se tornando um anteparo para o presidente
em 2019, dando algum fôlego até que o Bolsonaro conseguisse fechar um acordo com o centrão
em 2020.
Durante o seu governo, o Bolsonaro tentou atender as demandas evangélicas, seja na defesa
da manutenção das igrejas abertas durante a pandemia de COVID-19, seja na concessão
de benefícios fiscais.
Além das citações mais diretas, a questões religiosas, diretas e frequentes, o presidente
buscou também fazer várias outras referências à crença cristã, a fim de associar a sua
imagem à ela.
Não tinha nada para estar aqui, nem levam jeito, nasci para ser militar, as que é por 15 anos
e às vezes o presidente entenda a política meio por acaso.
Dizer-se incapaz é recorrer uma imagem bíblica, uma imagem presente em várias passagens
da Bíblica, trata-se de uma ideia, segundo a qual, deus usos incapazes como instrumento
da vontade divina, trata-se de uma ideia recorrente usada pelo Bolsonaro antes e depois de
virar presidente.
Ideia repetida em igrejas, ideia repetida a vários públicos, como neste áudio, de junho
de 2022, quando ele discursa para empresários em São Paulo.
Eu acredito, por favor, pode discordar que Deus putou a mão sobre o Brasil.
O uso da religião ficou ainda mais intenso por parte do presidente da República depois
que ele se lançou candidato à reeleição, e a primeira dama Michel, Ivan Gélico, passou
até papel central na estratégia eleitoral, ouça o que ela disse num culto em Belo Horizonte
em agosto de 2022.
Porque por muitos anos, por muito tempo aquele lugar foi um lugar consagrado a Demônios.
Consagrados a Demônios, cozinha consagrada a Demônios, planalto consagrado a Demônios
e hoje consagrado ao Senhor Jesus.
Existe uma série de pontos que aproximam o Bolsonaro do Eleitor Evangelico, pontos
que passam por atitudes que fazem referência à religião, e por falas que se dirigen
diretamente essa população aos valores dessa população.
Mas existem também pontos que afastam alguns sectores Evangelicos do presidente.
Dois desses pontos são especialmente sensíveis entre as mulheres.
O primeiro foi a atitude do Bolsonaro na pandemia de COVID-19, que deixou mais de 680.000
mortos no Brasil.
Mesmo que tenha defendido os templos abertos, o presidente falou em gripezinha e desdeceu
o sofrimento da população, chegando a imitar até gente com falta de ar, um dos principais
sintomas da doença.
Isso teve impacto.
Como o presidente de uma nação, ele podia usar mídia pelo menos para dar um conforto.
Isso eu fiquei triste, sabe? Porque muitas vezes uma palavra, esquem, você está sofrido,
você está machucado, litras esperanças e muitas das vezes a resistência.
Essa que você ouviu é Luciene de 49 anos, Eleitor do Bolsonaro em 2018, integrante da
Assembleia de Deus de Salvador, numa entrevista à BBC Brasil.
O segundo ponto que pesa contra o Bolsonaro entre as mulheres Evangelicas é a defesa do
armamento da população, como conta o Victor Araújo.
O Bolsonaro tem uma resistência forte entre mulheres, inclusive entre mulheres Evangelicas
e o que essas mulheres retratam é, quando utilizamos algumas metodologias como entrevista
e profundidade, grupo-focal, é que elas resistem muito essa pauta armamentista do Bolsonaro.
Elas rejeitam essa pauta.
Então, os Evangelicos que apoiam essa pauta são os mesmos que estão em outras frações
da população.
São os homens.
São os homens brancos que estão a favor das armas do Brasil.
Acho que tem que ser dito com as palavras de forma bem clara e idade.
São os homens brancos brasileiros, são a favor das armas, homens negros e mulheres
rejeitam essa pauta.
Porque como a gente está falando de um público que é atravessado por esse recorte de
raci-class, a gente está falando de um público tão filido, muito diretamente, com os efeitos
das violências e das violências produzidas por políticas armamentistas.
Então, esse posicionamento do Bolsonaro em relação às armas também é um ponto de distanciamento
do outro.
A Jaqueline Teixeira, que você acaba de ouvir, lembra também de fatores que aproximam
o Bolsonaro das mulheres evangélicas.
Na verdade, ela lembra de uma figura que promove essa aproximação pra lenda Micheli,
fez a ponte do marido com a população evangérica.
Acho que uma posta fundamental, né, e que foi necessária feita pelo governo Bolsonaro
pra tentar minimamente manter o construir uma aliança com esse público, foi realmente
trazer a damariz alves pro governo.
Pastora da igreja do evangélico adrangular e da igreja batista da laguinha em Belo Horizonte,
a damariz alves, virou ministra da mulher, da família e dos direitos humanos.
Ao tomar posse, ela cunhou o seguinte bordão.
Mesmo o vechazo, que veniu a beste rola!
Desde quando esse governo começou, eu sempre tenho dito que damariz nunca foi curtina de
formação.
Ela sempre teve uma atuação muito forte, porque ela sempre foi um ponto de representas
atividades específicas, que é a ideia das políticas públicas familiares.
E isso aí é uma questão incontornável.
Segundo uma pesquisa do Instituto da Tafolha realizada em dezembro de 2019, a população
evangélica no Brasil é composta por 58% de mulheres e 59% de pretos oupardos.
Também é uma população mais jovem, 62% tem entre 16 e 44 anos.
Quando a gente vai ver a composição só de econômica doze evangélicos no Brasil, a gente
percebe que eles são o grupo que tem a renda percarta familiar, proporcionalmente mais
baixos entre os demais segmentos religiosos.
Então, quando a gente vai no migrejo do Evangelho, é comum a gente vê pessoas pobres,
pessoas pretas, pessoas periféricas ali dentro.
Esse é o perfil socio-economico dos evangélicos no Brasil hoje predominantemente.
Esse perfil de fiel, descrito pelo Vinicius do Vale, especialmente o fiel de igrejas
pentecostais e o pentecostais, ajuda a explicar a centralidade da família em meio a essa população.
Existe um elemento moral?
Sim, mas também existe um elemento de assistência de amparo que a família proporciona.
Em momentos de dificuldade, a igreja de modo mais amplo e a família de modo mais específico,
mais próxima ainda, aparecem como suporte.
A família ajuda a mobilizar recursos, tanto recursos econômicos quanto recursos afetivos.
Para a Magalicunha, o problema está no fato de ter ocorrido uma instrumentalização da
política junto aos evangélicos, uma instrumentalização do discurso em torno da família.
O tema da família foi capturado pelas campanhas de extrema direita e de salvar família e
o pânico moral em torno da família. Isso não deve ser olhado como uma pauta de direita,
mas é uma pauta cultural do Brasil.
Família é um tema que toca a realidade das pessoas.
Por mais que sejam arranjos diferentes, por mais que as pessoas sejam diferentes e sozinhas
desgarradas de sua família, família tem um apego.
É um tema de apego, de apego.
Então, não pode abandonar o tema, porque a extrema direita capturou.
Então, é um tema que tem-se atratado com dignidade, mas olhar a família de que forma,
daquilo que são as necessidades, daquilo que são os medos e daquilo que são as esperanças.
Então, todo e qualquer linguagem que queira atingir, Rogelho, precisa atratar.
[MÚSICA DE FUNDO]
e esperanças em torno de dois temas. Família e segurança. As pessoas têm muito medo de morrer
nas periferias, nas mãos de policiais e bandidos e criminosos. As pessoas têm medo que seus filhos
não voltem pra casa, que seus maridos não voltem pra casa, tem os medos e a segurança. Família,
essa segurança afeto, esses são aspectos valorizados pelos fiéis. E mesmo quando lideranças
apelam pro pânico moral, esse medo exagerado de um suposto mal que ameaça as sociedades vezes
um mal inexistente ou quando apelam pra desinformação pur e simples, a maneira como isso é recebido
é bem diferente do que muitos imaginos, segundo a Jaqueline Teixeira.
Toda aquela coisa do que te gay, da mamadeira de pirroca, era nada mais do que uma posta em dizer
o governo anterior corrupeu as políticas públicas gastou dinheiro público em coisas que não fazem sentido nenhum
em coisas que de alguma maneira seriam moralmente reprováveis enquanto devia gastar o dinheiro com saúde, com a educação.
A questão do serviços públicos como suporte da vida familiar é central pra quem procura compreender as demandas
políticas dessa ampla e diversa população evogélica, afirma a Jaqueline Teixeira.
A gente está falando de um público, está sempre muito à mate das políticas públicas, mas não é um público que
defende o estado mínimo, é um público que defende esse estado e que defende que esse estado precisa ter
responsabilidades, é um público que defende o sul, é um público que defende, por exemplo, as escolas públicas
que defende tudo isso, muito atrelado a essa concepção que eu acho que menos moralizante e mais quase que existencial de família.
Como ocorre a intercessão entre as relações criadas em torno da igreja e a política?
Essa rede se forma de maneira muito afetiva, os membros da igreja vem muito menos um pastor que defende um presidente,
que defende a ditadura e mais alguém que é sempre solicito pra atender a comunidade, alguém que é amigo no dia a dia da comunidade,
ele ainda está sempre presente, né? O ronil supa checo que você ouviu agora chama atenção pra um ponto importante quando o tema é a
influência da religião na política. A social discurso de um líder, a atitude de um fiel de forma automática, é um erro comum.
O que é preciso entender, segundo quem isso tudo tema, é a rede criada ali e as influências naturais que essa rede exerce.
Não é o voto de cabreço, como muita gente acredita ser, segundo Vitor Araújo.
As igrejas têm crests, essas igrejas oferecem sexta-basica, essas igrejas várias delas oferecem, apoie o acompanhamento psicológico,
essas igrejas oferecem, tratamente reabilitação conta drogas, tem uma série de coisas que essas igrejas estão oferecendo ali,
elas são estados em muitos sentidos e em muitos localidades, então tem um contexto até chegar no momento de eleição,
onde é a solidarance indicar em que você deve votar e você seguir. Então, obviamente, se são essas pessoas que compõe a sua rede,
são essas pessoas que, no momento de afluição, oferecem pra você uma mão, outra expressão, uma ajuda,
é esperado que essas pessoas tendem a estarem alinhadas também no momento electoral, com essas lideranças,
com essas pessoas que estão ligando com você da mesma fé, pro meu lugar, e também oferecendo uma rede de assistência.
Segundo Vinicius do Vale, a discussão a respeito dessa influência dos pastores sobre os fiéis,
vem ficando premente dentro das próprias igrejas.
Não é porque as lideranças políticas de vangelicas têm uma determinada posição que os fiéis vão ter automaticamente essa posição.
Na verdade, a gente vê muitas vezes o contrário, a gente vê a população de vangelica aos fiéis,
discordar dos representantes evangélicos, discordar em da politização dentro das igrejas.
O geleno Espírito acrescenta que a necessidade de haver um olhar um pouco mais complexo quando se fala dos fiéis.
O evangélico em muitos aspectos não é esse ignorante manipulado e que está seguindo as ordens do pastor,
como se o pastor pudesse fazer isso. Só que nunca frequentou o migrejo de vangelica,
desconhece o quanto de tensão existia ali, de dissenso, de argumentação, de posições sendo debatidas e negociados.
O migrejo é mínima, né, até as igrejas maior.
E, por outro lado, o quanto esse evangélico é consciente e está exaúrido dessa mistura cansativa e destrutiva para a igreja
que é o resultado da associação da igreja comunítiva.
A religião é uma questão de foro íntimo e a constituição disclaramente abre aspas. É infilável a liberdade de consciência e de crença,
sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei a proteção aos locais de culto e as suas liturgias fechadas.
Não existe ameaça real contra os cristãos do Brasil. A ideia da existência de uma alegada cristofobia e a ideia já defendida pelo Bolsonaro não se sustenta.
A ongue, portas abertas, que auxilia cristãos que sofrem perseguição religiosa pelo mundo, nunca incluiu o país entre aqueles que reprimem católicos ou evangélicos.
Nunca se quer colocou o país entre aqueles que tão em observação por apresentar riscos moderados de intolerância contra os cristãos.
Na verdade, as religiões que sofrem com a intolerância no Brasil são as religiões de matriz africana.
A intolerância vinda de alguns líderes evangélicos aliais.
Além de religião sequestão de foro íntimo, o estado brasileiro é laico, estado formado por executivo legislativo e judiciário.
Estado laico é um estado não submitido a uma religião e que, na verdade, garante a existência de todas as religiões,
um estado em que Deus seja lá qual for, não está acima de todos.
Um estado que tende ser imparcial em relação aos seus cidadãos, independentemente da crença.
Um estado laico que, segundo pastor Ronil Supa-Checo, é ameaçado por alguns líderes religiosos ultra conservadores.
Então, estão muito confortáveis com toda a condição de desterro, violência, negação de direitos,
com toda a disposição de um privilégio de supremacista do cristianismo e em detrimento a outras religiões.
No Brasil, a destruição do estado laico, um estado laico que acontece numa formaridade, mas que, efetivamente, não acontece.
Uma perspectiva fascista, inclusive, de uma quase dola-tria, um líder, uma das características do fascismo.
Essa dola-tria, esse apego ao líder político, que é coerente com a realização desse projeto de destruição e negação do outro.
No Governo Federal, em governos estaduais e em governos municipais, as centenas de iniciativas que tentam interferir nessa laicidade,
tentam mexer em currículas escolares a partir de argumentos equivocados relacionados a uma suposta sexualização precoce das crianças,
um suposto estímulo ao mostrexualidade.
Essas questões todas acabam por atrapalhar políticas públicas realmente importantes para a vida das pessoas,
atrapalhar uma educação que dá ferramentas para uma criança saber, por exemplo, quando está sendo vítima de um abuso sexual,
abuso normalmente praticado por um parente, por alguém próximo.
São inúmeras as iniciativas de acrescentar em leis locais, leis de cidades e de estados,
toda a ideia do movimento escola sem partido, um movimento que se descontra essa alegada ideologia de gênero,
um movimento que intimida professores a partir de valores morais religiosos, que faz a salas de aula, virarem um campo de batalha,
são iniciativas que vão parar na justiça, vão parar no supremo.
Corte aliás, que já teve um ministro indicado por Bolsonaro, o André Mendonça, pelo fato de ser vangelico.
André Mendonça, que vai julgar todas essas questões.
André Mendonça, que antes de virar ministro do Tribunal, quando era advogado geral da União,
defendeu que manifestações feitas dentro de igrejas não fossem caracterizadas como homofobia.
Homofobia que passou a ser enquadrada como crime similar ao de racismo após uma decisão do supremo em 2019.
Ouça um trecho do voto da ministra Carmen Lucia.
Todo preconceito é violência. Toda discriminação é causa de sofrimento.
Mas eu aprendi que alguns preconceitos impõem mais sofrimentos que outros,
porque alguns são feridas curtidas já em casa.
A tese, discluído ao cânce da lei, o que adito dentro das igrejas sobre homossexuais, desde que no ágil um discurso de ódio,
acabou aceita pelo Tribunal.
André Mendonça é presbiteriano uma denominação dos protestantes tradicionais.
Assim como é também o Milton Ribeiro, pastor que foi ministro da educação do Bolsonaro,
e acabou apeado do cargo em meio às suspeitas de corrupção no uso de dinheiro público intermediado por outros pastores,
pastores estes com grande influência no MAC, o Ministério da Educação.
No poder executivo, os Evangelicos ganharam um eslogan, Brasil acima de tudo,
Deus a se. acima de todos, ganharão influência na distribuição de verbas públicas, ganharam
cargos chave, como ministérios e uma vaga no supremo elite do judiciário.
A busca por mais influência nesse poder, o poder judiciário aliás, é um dos objetivos
da Ana Júri.
A associação de juristas evangélicos tem mais de 700 advogados, procuradores, juízes e
desembargadores ligados a ela.
A Ana Júri, que plaiteia desde 2017, devosa em discussões das Nações Unidas sobre direitos
humanos.
Um pleito ainda não atendido.
No poder legislativo, os evangélicos vem crescendo a cada legislatura, com a seção de 2006,
quando o escândalo do sangue Sugas avariou o integrante da bancada.
Deputados ligados às igrejas, foram os principais destinos de propinas pagas no esquema de
fraudes em licitações para compra de ambulanças com dinheiro público segundo apontou a CPI
que investigou o caso.
Os políticos religiosos, porém, logo se recuperaram, retomaram e aumentaram seu espaço no Congresso.
E ganharam, por fim, guarida no Bolsonaroismo.
Esse é o link por tela, vice-presidente da Câmara dos Deputados, parlamentar do Pélio,
partido liberal, integrante da bancada evangélica, pastor da igreja batista solidária e também
Bolsonaroista.
A igreja universal do reino de Deus, que no passado abraçou os governos petistas, passou
a publicar em janeiro de 2022 em seu site oficial, textos que exploram a questão desse medo,
ex-temporano e do comunismo.
Num desses textos é dito que os esquedistas abri aspas, se travessen de defensores do povo
quando, na verdade, querem repetir no Brasil fórmulas desgastadas e ineficazes, incluindo
os saímos regímes digitatoriais e espalhar ainda mais o caos para que suas atitudes de
desgoverno não sejam notadas, fechadas. Em agosto de 2022, um vídeo viralizou na internet,
nele, um pastor da igreja presbiteriana renovada de Santa Feino, Paraná, diz que Jesus
é de direita, grita a fogo no PT da cabeça aos pés e ainda expulsa quem é simpático
ao partido.
"O discurso de parte dos políticos evangélicos se assemelhem alguns aspectos ao discurso do
polemisto ao Lávoo de Carvalho, o gurudo Bolsonaroismo que morreu em março de 2022.
Tem muito fantasma inexistente, tem uma tentativa de criar pânico moral, esses discursos
normalmente vem associados à desinformação. Uma desinformação que circulou e ainda
circula com muita intensidade nas comunidades evangélicas, é de que, em caso de vitória
de um governo de esquerda, as igrejas podem fechar, como lembra aqui, a Jaqueline Teixeira."
"A gente está falando de alguma maneira de igrejas que chegam de qualquer jeito, como
garagem, como lájo, e que chegam em regiões, que são regiões de ocupação, que são comunidades,
favelas e que, consequentemente, por conta do nosso pódigo civil que permite que essas
igrejas tenham seu CNP joga, elas se tornam a primeira associação civil daquele espaço,
daquele território. Então, essa centralidade e a sensibilidade, o entendimento sobre essa
centralidade, atravessa muito essa experiência religiosa dessas mulheres a ponto de, de
fato, ser sensível e produzir medo, qualquer possibilidade de atuação ou proposta política
em que se diga que isso pode estar enrispo, que as igrejas vão fechar, que você não vai
mais poder ter a sua liberdade religiosa."
Segundo uma pesquisa da UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro de 2021, 49% dos
Evangelicos entrevistados nas cidades de Recife e Rio de Janeiro afirmaram ter identificado
mensagens com conteúdo falso ou enganoso nos grupos de WhatsApp religiosos dos quais participam.
A Magalicunha atuou nessa pesquisa.
"Então nós estávamos alimidindo essa circulação, como é que ela é intensa pelo nível de confiança,
de pertença, que se estabelecem grupos religiosos, então os grupos religiosos têm essa vulnerabilidade
de maior, justamente por esse sentimento de pertença e de compromisso com a comunidade."
Essa sensação de pertencimento dentro dos grupos de WhatsApp ocorre por causa da centralidade
que o aplicativo de mensagens ganhou no dia a dia dos fiéis, segundo a Magalicunha.
"O WhatsApp não só transmite informação para os grupos Evangelicos, mas se tornou uma
nova forma de ir à igreja. Muito antes da pandemia, o WhatsApp já ocupava esse garbo ir à igreja.
Pelo WhatsApp, as pessoas recebem orações, recebem a conselhamento dos postores, recebem conteúdo
de estudo, de música, de entretenimento religioso, e o WhatsApp já identificado naquela pesquisa com essa forte
característica, e está lá escrito no relator da pesquisa, o novo ir à igreja, ou seja, preenche
todos os espaços, a pessoa vai a igreja naquele determinado diorário, mas quando não está lá,
está no WhatsApp, recebendo aqueles cotidos."
Os setores progressistas da sociedade acabam por não saber como lidar com esses grupos tão amplos
e diversos, não sabem como acessar um mundo com os valores que são desconhecidos para eles.
Segundo o Roníso Pacheco, esses setores progressistas, setores de uma esquerda tão atacada nos templos
precisam mudar a chave para tentar acessar aos Evangelicos.
Em muitos aspectos, a esquerda ainda se aproxima de uma maneira muito aquela perspectiva iluminista da detenção do conhecimento,
as pessoas que estão ali no dia a dia, e a igreja tem um papel importante nessa rede solidariedade,
elas têm sua leitura política, elas fazem suas análises de conjunto.
É procurar saber como essas pessoas lidam com o dia a dia, com as suas dificuldades,
com a leitura que essas pessoas fazem, como que elas lidam com as dificuldades no dia a dia que está para além das eleições.
E como que elas articulam a fé com isso? Isso existe um aprendizado, uma aproximação, uma escuta. "A quase une presença das igrejas evangélicas nas periferias das grandes cidades brasileiras traz uma série de reflexões
que passam pela ausência do poder público, pelas redes de proteção proporcionadas pela religião,
por valores que dão centralidade a família justamente por ela ser também parte dessa rede de proteção,
pela vida em comunidade, pela sensação de pertencimento."
Sim, passam também por tentativas de manipulação política promovida por parte dos líderes,
por casos de exploração financeira de fiais, pelas suspeitas de lavagem de dinheiro que pesam contra algumas igrejas,
pelo espalhamento de desinformação a fim de criar pânico moral, pela instrumentalização da religião, no geral,
pela interferência da fé em questões de estado, pelo discurso reacionário contra os direitos reprodutivos e os direitos civis.
O que parece urgente em toda essa discussão é não se apegar a estereótipos relacionados a uma população crescente que no fundo é a cara de boa parte do Brasil,
um Brasil que não se explica com generalizações.
- Você bateu nele? - Matisse, hein. - E ele te bateu? - Não.
Foi assim que a igreja te ensinou, está certo nos mandamento a isso.
- Sabriga a trapalha quebrada e a trapalha igreja, não ajuda ninguém.
Pora que a gente se perde e não quer certo e não quer rado.
Você ouviu agora o áudio de uma cena da série "Sintonia" da Netflix, uma série brasileira que retrata a vida de jovens na periferia de São Paulo,
cercados por funk, drogas, violência e religião, produzida por pessoas que nasceram na periferia,
a série consegue fugir dos estereótipos.
O sentimento da vida em comunidade, a colaboração mutua, aparece no esforço da personagem Rita para construir um novo tempo no bairro.
Nada lita a esquemmatizado e separado.
As contradições estão expostas e o quadro geral se aproxima bastante da vida real,
onde quem é visto como fantóche não é tão fantóche assim,
quem é visto como fanático não é tão fanático assim.
A realidade não separa pessoas em caixinhas, e as contingências da vida falam muito mais alto do que o pastor,
que faz propaganda política durante o culto.
No próximo episódio. No que toca a lei de anestia, eu entendi que não se pode anistiar a torturador.
Os militares ganharam um protagonismo político inédito no período pós-redemocratização,
interferiram nas disputas de poder, fizeram ameaças,
aderiram a candidatura de um escapitão do exército,
e uma vez vencidas as eleições obtiveram espaços em dimensões inéditas da máquina pública.
A farda virou uma espécie de partido político.
Generais da reserva ocuparam cargos chave da administração.
Quartés foram agraciados com mais e mais verbas, e as forças armadas foram usadas como
chanceladoras de um discurso golpista, mesmo que internamente houvesse discordâncias.
Se você quer entender de um jeito claro e equilibrado que essa crise chamada Brasil,
fica de ouvido no fide do politiqueso, o podcast de política do nexo.
Eu, com o Rado Corsalético, no roteiro, na produção e na coordenação geral.
A maludeu-gado, tá na edição, na produção e na reportagem.
A Beatriz Gatt, tá na produção e na checagem.
O Roberto Soares, tá na edição de áudio.
A Rafael Aranzânia, tá na direção de arte.
O Quito Frontés, que tá na coordenação de marketing e distribuição.
A Letícia Coverde, tá na supervisão.
A Marina Menezes, tá na coordenação de relações institucionais.
E a Paula Mirález, tá na direção geral.
A gente espera você na próxima quarta.
Bom dia, boa tarde.
[MÚSICA DE FUNDO]
Podcast Summary
Key Points:
O episódio analisa o crescimento acelerado do evangelicalismo no Brasil e sua influência crescente na política, especialmente a partir da redemocratização.
A transição religiosa do catolicismo para o protestantismo, com destaque para pentecostais e neopentecostais, é um fenômeno sem precedentes históricos, com projeção de ultrapassar os católicos na década de 203
A bancada evangélica no Congresso cresceu de forma constante, atuando em pautas conservadoras como família, aborto e direitos LGBT, e foi decisiva na eleição de Jair Bolsonaro em 201
Igrejas evangélicas, especialmente em periferias, oferecem assistência social e redes de apoio, o que explica sua centralidade na vida dos fiéis, mas também são espaços de disseminação de desinformação e pânico moral.
A relação entre lideranças religiosas e fiéis é complexa, com tensões e dissensos, e não pode ser reduzida a manipulação automática.
Summary:
O episódio do podcast "Uma Crise Chamada Brasil" aborda a ascensão do evangelicalismo no Brasil e sua interseção com a política, especialmente a partir de 2019, quando Jair Bolsonaro participou da Marcha para Jesus. A narrativa destaca a transição religiosa do país, que saiu de uma maioria católica para um crescimento expressivo de evangélicos, impulsionado por fatores como a urbanização, a migração para periferias e a oferta de assistência social por igrejas pentecostais e neopentecostais. A teologia da prosperidade e a guerra espiritual são características centrais desses movimentos, que também influenciaram a formação de uma bancada evangélica no Congresso, atuante em pautas conservadoras.
O episódio mostra como essa bancada se fortaleceu desde a Constituinte de 1988, passando por momentos-chave como o impeachment de Dilma Rousseff e a eleição de Bolsonaro, que recebeu apoio maciço dos evangélicos. No entanto, também são discutidas as tensões internas, como a resistência de mulheres evangélicas ao armamentismo e a insatisfação com a politização das igrejas. A relação entre fé e política é complexa, com líderes exercendo influência, mas os fiéis não sendo meros manipulados.
O episódio conclui que a compreensão desse fenômeno exige evitar estereótipos e reconhecer a diversidade e as contradições dessa população crescente, que reflete a realidade de grande parte do Brasil.
FAQs
Segundo o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, os evangélicos foram determinantes na vitória de Bolsonaro, pois ele teve cerca de 11 milhões de votos a mais que Fernando Haddad entre essa população, enquanto a diferença total foi de 10,7 milhões de votos.
A teologia da prosperidade, central no neopentecostalismo, defende que o fracasso e a pobreza são atribuídos à falta de fé do indivíduo, e que quanto mais fé e dízimo, mais chances de sucesso financeiro e espiritual.
O pesquisador Victor Araújo descreve a transição religiosa brasileira como muito rápida e sem precedentes na história, pois o país passará de majoritariamente católico para majoritariamente evangélico em cerca de 60 anos, enquanto a Europa levou séculos para uma transição semelhante.
Segundo Victor Araújo, o neopentecostalismo é mais aderente à situação e menos preocupado com questões morais, enquanto o pentecostalismo, influenciado pelo americano, é mais voltado a instruir os fiéis sobre como votar, usando argumentação moral.
As igrejas cresceram em áreas periféricas devido à ausência de serviços públicos e à oferta de assistência social, como creches, bancos de emprego e apoio psicológico, além de proporcionar uma rede de acolhimento e vínculos afetivos em contextos de precariedade.
A bancada evangélica na Constituinte não era monolítica, mas atuava a favor de pautas conservadoras. Havia um pequeno núcleo de esquerda e um grande núcleo de direita, que unia conservadorismo econômico e moral, e esse grupo cresceu gradativamente ao longo dos anos.
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