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#76 Paradiplomacia brasileira, saída em prol do multilateralismo?

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#76 Paradiplomacia brasileira, saída em prol do multilateralismo?

A paradiplomacia refere-se à atuação internacional de estados e municípios, que buscam parcerias, investimentos e financiamentos externos para complementar políticas públicas. O podcast destaca o caso da mineradora Serra Verde em Goiás, onde o governo estadual assinou um Memorando de Entendimento com os EUA sobre minerais críticos, exemplificando como a paradiplomacia opera paralelamente a operações econômicas e sinaliza abertura para cooperação, sem caráter vinculante. A polarização política influencia essa prática: estados alinhados ao governo federal seguem suas diretrizes, enquanto os não alinhados buscam parcerias próprias, como visto na compra de vacinas contra a COVID-19 por Maranhão e São Paulo. O crescimento da paradiplomacia é impulsionado pelo fim da Guerra Fria, globalização, tecnologia e pelo sistema federativo brasileiro, que compartilha responsabilidades em áreas como educação, saúde e meio ambiente. Estados e municípios recorrem a parcerias internacionais para suprir recursos, focando em áreas como desenvolvimento urbano, transporte, meio ambiente e atração de investimentos. Cidades fronteiriças, como Foz do Iguaçu, têm uma paradiplomacia mais natural devido ao contato cotidiano com países vizinhos. O termo é acadêmico; na prática, governos subnacionais usam nomes como "coordenadoria de relações internacionais". Apesar dos avanços, o Brasil precisa melhorar a coordenação entre níveis de governo para aproveitar plenamente o potencial da paradiplomacia, evitando conflitos e maximizando benefícios locais e nacionais.

Transcription

9042 Words, 53811 Characters

Portuguese
Entendendo a Paradiplomacia: Conceito e Atuação Subnacional Intriga Internacional, o podcast que te convida a entender a arte da diplomacia. Pessoa 2 Olá, eu sou o Leonardo macaxeiro. É um prazer receber você no Intriga Internacional. O fortalecimento do multilateralismo amplia horizontes da para diplomacia brasileira, permitindo que estados e municípios da esfera federal. No programa de hoje, a gente convida você a entender mais sobre as oportunidades que estão surgindo para as cidades brasileiras e para isso nós teremos a participação de 2 convidados muito especiais, Patrícia Oliveira e Daniel Veras. Venha com a gente. O Intriga Internacional começa agora. O Intriga Internacional tem o prazer de receber Patrícia Oliveira, que é doutoranda em relações internacionais pelo programa de pós graduação em relações internacionais da uerj e mestre em ciência política pelo programa de pós graduação em ciência política da uni Rio. Seja muito bem-vinda, Patrícia, ao Intriga Internacional. É uma honra recebê la aqui no nosso programa. Pessoa 3 Oi, tudo bom? Eu que agradeço. Fiquei muito feliz pelo convite. É um prazer estar aqui bater esse papo com vocês. Pessoa 2 Olha, Patrícia, o episódio de hoje a gente vai falar bastante sobre paradiplomacia. É um conceito que muita gente acaba não sabendo do que se trata. Então vou pedir pra você explicar pra gente, afinal, do que que se trata a paradiplomacia? Pessoa 3 Então a paradiplomacia assim, de forma bem simplificada, são as nossas regiões, né? No caso, falando do Brasil, os nossos estados e os nossos municípios. Fazendo relações internacionais, ou seja, eles fazem parceria com a com outras cidades, com cidades de outros países, às vezes até mesmo com com o governo central desses outros países fazem. Pessoa 4 Acordo de cooperação. Pessoa 3 Tentam atrair investimento, conseguem às vezes financiamentos, né? Externos, de grandes instituições financeiras internacionais, como o banco mundial. E algumas agências, né? De de desenvolvimento de de outros países. Então é isso, é. Imaginem a, por exemplo, a cidade do Rio de Janeiro fazendo uma parceria com os Estados Unidos, ou com uma cidade chinesa, ou com alguma cidade de Argentina? Para a diplomacia, de forma simplificada, é, é isso. Pessoa 2 Agora, Patrícia, recentemente a gente teve um caso que exemplifica bem o assunto do nosso podcast de hoje, que foi aquele caso da compra por parte de uma empresa norte Americana de uma mineradora aqui no nosso país da Serra verde, que fica em Goiânia. A Mineradora em Goiás: Paradiplomacia e Soberania Nacional Eu queria que você opinasse um pouco sobre esse assunto, já que essa compra envolve diretamente as terras raras, que é um assunto que está sendo muito discutido aqui no nosso país. O que que você? É acha sobre esse caso? Pessoa 3 Então é esse caso. Ele está bem assim, no meio do do caminho entre o que é 11? Operação econômica comum que que acontece no país. E a parasflomacia acabou ali acontecendo também, porque a compra e a venda de empresas brasileiras, ela não tem nada a ver, não está diretamente ligada, né, com a paraflomacia. São operações ali, financeiras, econômicas, que dependem de outros órgãos, não necessariamente um estado ou um município se metendo ali, né? Nesse, nesse assunto, empresas são compradas e vendidas, independente da no geral. Independente da atuação dos nossos governos, é regionais. No caso, ali a gente está falando do a para diplomacia acabou acontecendo de uma forma paralela, porque um pouco antes dessa compra, o governo do estado de Goiás assinou Memorando de entendimento com os Estados Unidos. Isso saiu em toda a mídia. Ele ele foi a São Paulo para fazer essa assinatura. E esse Memorando de entendimento é, foi justamente sobre minerais críticos. Então a gente viu ali um pouco dessa da atividade, desse, desse governo regional, que aí sim é uma atividade para diplomática. E logo em algumas semanas seguintes saiu a notícia de que a empresa foi vendida. É interessante observar que, a princípio, o governo, né? Do estado, ali quem faz as paradiplomacia, ele não tem gerência. Sobre a compra e venda dessa empresa, mas ele sinalizou que o estado está aberto, né? A cooperação nesse assunto. E aí a gente tem 11 grande polêmica em vários níveis, porque primeiro porque mineração é um atributo ali constitucional do governo federal e então ele estaria fora do escopo de ação do estado. Pessoa 4 E segundo, porque como não é? Pessoa 3 No geral, né? Do conhecimento do público geral que AA parasplomacia existe, né? Que os nossos estados, que as nossas cidades fazem, tem essas ações internacionais também teve muito esse questionamento de que é o estado não deveria é assinar o Memorando de entendimento, que esse Memorando de entendimento não tem qualidade, porque a política externa também é uma prerrogativa do governo central. Só que isso é 11. Ação rotineira, né? A assinatura de Memorando de de entendimento é uma ação rotineira, que acontece todos os dias. Aí pelo nas ações para diplomáticas No No Brasil e de fato ela não é vinculante, ou seja, não tem um peso jurídico, não tem validade jurídica. Memorando de entendimento. A sinalização é mais política, é mais dizer que olha, estamos abertos, né? O nosso estado está aberto para essa atividade, para essa cooperação com. Com os Estados Unidos, enfim, eu acho que é mais político do que jurídico, né? EE institucional essa ação aí. O Papel do BRICS e o Alinhamento Político na Paradiplomacia Perfeito agora é? Patrícia. A gente sabe que o Brasil faz parte do do brics e a gente é vem acompanhando aqui na metropolitana e também na Sputnik, o quanto que o presidente Lula é um defensor do multilateralismo e fala muito sobre a relação dos países que integram o brics. Eu queria que você avaliasse também pontos positivos e negativos. Com relação ao papel do brics na promoção da paradiplomacia, enfim, não falando só a nível, né, de países, mas também é a relação entre cidades, dos países desse bloco. Pessoa 3 O interessante é que deixa só eu eu organizar aqui o pensamento só para eu fechar sobre minerais críticos. E porque isso tem a ver com com os break? Ah, claro, a gente observar. Eu falei que é uma questão política justamente porque o que eu tenho observado ultimamente na para diplomacia é que ela acabou ali, é. Se ligando tanto com as questões geopolíticas, né, com com essa questão dos Estados Unidos, China, quanto com as nossas polaridade política. Porque justamente porque a paratiplomacia, ela está sentada ali no nível do meio, né? É, são estados, são cidades e elas obedecem o perseguir ali a partir do governo federal. Mas politicamente, como a gente também está polarizado, as ações internacionais, elas acabam saindo, polarizadas também. Então, o que que a gente vai observar? Estados que estão mais alinhados, né? Isso tem visto bem recente, principalmente do governo Bolsonaro pra cá. Era um pouco mais incomum antes, né? Anteriormente, o que eu tenho observado é o seguinte, quando o estado da cidade eles estão mais alinhados politicamente, ideologicamente ao governo central, eles tendem ali quando vão fazer a parasplomacia a seguir um pouco mais, né? O as prerrogativas do que o nosso governo central se propõe, inclusive na hora de fazer parceria. E quando esse essa região ela não estar tão alinhada assim, ela vai buscar as oportunidades que ela quer, mesmo que não estejam tão ligadas as prerrogativas do governo central. Que foi justamente o que aconteceu no caso ali de de Goiás, que a gente acabou de comentar da assinatura do do Memorando de entendimento sobre minerais críticos, né? E no caso dos brics, para aqueles que têm essa essa linha não para todos de uma maneira geral, mas a gente vai ver, por exemplo, que as cidades EE estados mais alinhados. Justamente ao governo federal, tendo mais acordos ali, com a China, principalmente, né, com regiões chinesas que chegaram no Brasil com eles têm muito, eles vêm muito. Há muitos anos eu cheguei a trabalhar na área Internacional do estado do Rio de Janeiro por, por 6 anos. Nós recebíamos muitas delegações chinesas do dos brics assim que a gente mais recebia. De fato eram delegações chinesas, algumas Russas, um pouco depois da copa. Mas os brics, eles oferecem oportunidades, né? O oportunidade. Cidades de de parceria, possibilidades de recursos, normalmente de cooperação, mas o que eu tenho observado é que os estados e as cidades vão aproveitar essas oportunidades de acordo ali, com o alinhamento político mesmo do do seu chefe, do executivo ou da sua burocracia ali. Pessoa 2 Perfeito, perfeito. Fatores do Crescimento da Paradiplomacia e Impacto na Soberania Patrícia, agora, eu queria que você explicasse um pouquinho pra gente o seguinte, quais são os fatores que explicam o crescimento da para diplomacia nas últimas décadas? E, de alguma forma, também? Patrícia, queria que você explicasse para a gente, para a nossa audiência, se a paradiplomacia, ela fortalece ou desafia de alguma forma a soberania nacional? Pessoa 3 Consigo ver vários fatores para o aumento da para diplomacia Na Na nas últimas décadas, né? Primeiro, a gente voltando ali com o fim da guerra fria, ali Na Na década de 8090. Então a gente tem ali os temas de segurança, deixando de ser os grandes temas centrais da política externa. A gente começa a ter novos temas na agenda. A gente começa a pensar em meio ambiente. A gente começa a falar mais sobre direitos humanos, a gente começa a falar sobre questões econômicas ali. Comércio, né? Então, essa diversificação da renda é um dos fatores importantes. A globalização, cada vez mais acirrada, é outro fator super importante. E aí junto com isso, a gente vem com o desenvolvimento tecnológico, né? A facilidade. A gente tem que fazer um podcast pelo telefone, então não existem mais longas distâncias. A gente encurtou as distâncias com com a tecnologia. E no caso brasileiro, especificamente, eu acho que um dos fatores assim que são muito importantes é a questão de sermos um sistema federativo e de termos uma Constituição em que. É, as responsabilidades em várias áreas políticas são compartilhadas ali. Várias áreas da política pública são compartilhadas entre a união, né? Que é o nosso governo central, nossos estados e os nossos municípios. Então a gente tem educação, saúde, segurança, meio ambiente, todos os sistemas principais aí de políticas públicas que a gente debate no dia a dia, que fazem parte do nosso dia a dia enquanto cidadãos também são compartilhados entre os 3 níveis de governo, mas nem sempre os os níveis de governos mais. Que não são do governo central, né? Nossos estados e nossos municípios conseguem o os recursos necessários para conseguir tocar todas essas políticas públicas. E aí uma das soluções para onde eles começam a olhar para onde vem o da, onde vem oportunidades. Então eles começam a ir para o ambiente Internacional e começam a buscar recursos para tentar melhorar ali o seu local, né? Tentar atender essas políticas públicas, conseguir tanto que se uma pesquisa inclusive de doutorado de 2010. Do iraniano de Bueno, se eu não me engano, ele fez uma pesquisa sobre um dos principais motivos para os estados brasileiros fazerem relações internacionais e a resposta, né? Daquela pesquisa, a grande maioria era por questões econômicas. Eles queriam atrair é, eles queriam conseguir investimentos, eles queriam atrair financiamentos externos, né? Financiamentos externos é quando o estado consegue um empréstimo, às vezes uma doação, e a questão de investimentos é quando ele consegue atrair uma empresa. Né? Para começar a produzir Na Na sua região. Então, essa questão econômica também pesou muito. Então esses os fatores principais que eu vejo assim com o multilateralismo, isso também foi facilitando, porque a gente não, não, não só vai atrás. Na verdade, a parasplomacia brasileira é até há pouco tempo atrás, a gente IA pouco atrás dos parceiros, muitos parceiros vinham bater nas na nossa porta. Então o tinateralismo de uma certa forma também é um dos fatores que contribuiu para o. Da parasplomacia, por outro lado, por mais que a gente não tenha, né, prerrogativa constitucional dos estados e dos municípios, pra atuarem no ambiente Internacional, a gente teve governo federal, nunca proibiu, vamos dizer assim, né? Nunca colocou é na mesa que isso é uma questão constitucional federal e vocês não podem atuar assim, pelo contrário. Teve vários momentos ali de uma tentativa de coordenação, existia AA uma acesso. De relações federativas parlamentares, que é a fepa. Existiu até edital em algum, algum momento da nossa ABC, né? Que é a nossa agência de de cooperação, se eu não me engano, ali por volta de 2012, em que o governo federal chamava as cidades brasileiras para fazer uma cooperação com cidades de outros países, acho que alguns da América Latina e alguns da África, enfim, então existe ali também é um pouco de de de cooperação e de. São as questões mais é, vamos dizer assim, conflituosas. Pela minha experiência prática e também pela minha pesquisa acadêmica, elas são. A parasplomacia, como a gente conhece hoje, né, que é uma parasplomacia que começou ali por volta da década de 80. Nesse formato, as questões conflituosas começaram mais após o governo Bolsonaro, esse acirramento aí da polarização política brasileira mesmo. Pessoa 2 Perfeito agora, Patrícia é. Áreas de Cooperação Internacional e o Exemplo da COVID-19 Na sua avaliação, quais áreas apresentam maior potencial, maior possibilidade para a cooperação Internacional, quando a gente considera as cidades ou estados brasileiros e. Cidades, enfim, de de outros países. Pessoa 3 Hoje a gente vê muito, é quando a gente olha para cidade, a gente vê muito a cooperação na área de de desenvolvimento urbano, de de transporte, de cidades inteligentes. Tem algumas boas possibilidades. Tem surgido também na área de meio ambiente. A gente tem visto os nossos, nossos estados e municípios muito ativos ali nas nas cópias, né? Nas nas grandes conferências da da da ONU para o meio ambiente. E é a área que eu normalmente esses nossos regiões vão atrás. É a questão financeira, né? Então ela é muito forte ali. A tentativa de atração de investimentos, principalmente a questão de tentar trazer empresas de fora, né? Um investimento direto estrangeiro, porque isso gera empregos, regira a economia. E aí são questões que. Que melhoram também pro a visão da daquele da pessoa que está no executivo ali, do, do prefeito, do governador. É uma questão eleitoral também. E isso é muito interessante, porque a Paris, como assim ela acenda nessa divisão, né? Entre o Internacional, entre o nacional e o local, que as eleições são locais, os os resultados, quando eles têm, quando eles se tornam políticas públicas ou quando se tornam um endividamento, porque isso às vezes acontece também, as consequências são locais. E então eu acho que assim. As áreas mais interessantes hoje são essas e minerais críticos. Está vindo aí também. Eu acho que a gente vai aguardar cenas dos dos próximos capítulos, né, entre porque vai, não vai ser 11, questão fácil, o governo federal, ele precisa ali, né, se colocar mais nesse assunto, porque é uma questão de soberania nacional, mas a gente está vendo esse, estamos vendo esse movimento aí dos estados, por enquanto foi Goiás, só de tentar se colocar nesse tema, que também é estratégico, então que eu tenha visto foram. Com esses, principalmente assim, teve alguma coisa bem legal também na área de saúde. Ali, durante a COVID-19, aumentou bastante a questão da cooperação subnacional, né? Da da parasitomacia na área da saúde. Inclusive, um dos pontos de atrito nessa época foi, vocês devem se se lembrar a compra das vacinas quando o nosso governo federal da época, né? Quando o Bolsonaro não quis comprar as vacinas, a gente teve ali o Maranhão e na época São Paulo correndo para fazer. Acordos internacionais e comprar as vacinas e conseguiram anuência do do nosso judiciário trazer as vacinas. Então ali foi 11 dos primeiros indícios. De uma paradiplomacia que deixa de ser só cooperativa ou mais cooperativa com o governo central. E passa também ali a ter suas próprias rusgas, seus seus pequenos conflitos. E, principalmente, por questões é políticas, ideológicas e eleitorais. Óbvio, né? Paradiplomacia em Cidades Fronteiriças e o Conceito Acadêmico Agora? Pessoa 2 Patrícia, as cidades de Fronteira e aí eu vou dar o exemplo aqui, enfim, de cidades do sul do Brasil, que podem se relacionar ali com regiões da Argentina, Paraguai, Uruguai, enfim, cidades de Fronteira. Elas possuem uma dinâmica um pouco diferente com relação a para diplomacia é de alguma forma mais fácil para elas ou ou você não considera isso? Pessoa 3 É mais natural? Talvez. Eu não diria mais fácil, mas é uma coisa mais natural. Talvez faça um pouco parte do dia a dia dessa cidade de Fronteira, porque elas já já tem esse. Esse contato é praticamente obrigatório e diário, né? Da cidade brasileira que está na Fronteira com a cidade é do outro lado. A gente vê ali em foge do Iguaçu. Por exemplo, não tem como esse contato, ele é, ele é, ele é cotidiano, ele é diário. Então, antes até de de virar uma coisa grandiosa, de virar para a diplomacia, de virar mercosidades, porque existe essa rede, né, da da mercosidade, essa ação, ela já faz parte do cotidiano. Ela vai se estruturando, né? Ela vai ganhando corpo e aí a gente começa a deixar mais para a diplomacia, e vamos dizer assim, mas faz parte ali da da rotina, das burocracias dessas cidades. Então talvez isso torne mais fácil, mas também não impede e não dificulta a vida, né? Da das cidades que que não estão na área de Fronteira. O que eu acho legal colocar é que quem usa o termo para asplomacia é a academia. Somos nós pesquisadores, né? É quem pesquisa, é um fenômeno da das cidades e das regiões fazerem relações internacionais. A quem trabalha com isso dificilmente chama para a diplomacia é, são pessoas. Do governo, às vezes tem 11 área ali institucionalizada, às vezes tem 11 Subsecretaria ou uma coordenação. Normalmente eles. O nome em si é de relações internacionais, né? É uma Coordenadoria de relações internacionais, é uma superintendência de relações internacionais, às vezes uma assessoria ligada ao governador ou ligada a um secretário dentro de uma Secretaria específica, isso está muito comum. Mesmo nas cidades que que tem uma área de relações internacionais, às vezes tem uma assessoria em outra Secretaria, tem uma assessoria de relações internacionais com a Secretaria de segurança, tem outra assessoria de relações internacionais na Secretaria de meio ambiente, então, também não é uma coisa tão centralizada assim quanto a gente possa imaginar, tá? E as pessoas? Vão, vão fazer elas trabalham, elas vão vão buscar suas parcerias, elas vão participar dos eventos, vão tentar ali fazer cooperação, alcançar seus objetivos, mas não se chamam para a diplomacia. Esse o nome é bem acadêmico mesmo, tá? Então eu acho legal. EE está muito bacana que está saindo da academia e chegando na mídia e chegando nas pessoas, porque aumenta, né? A as informações sobre o assunto. Pessoa 2 Com certeza é verdade, Patrícia. É importante cada vez mais a gente explorar esse assunto. Melhoria da Coordenação entre Níveis de Governo na Paradiplomacia Até. É pra gente entender também, né? O nosso objetivo aqui acaba sendo facilitar o entendimento também de quem nos ouve. Ou pela rádio ou então também no nosso podcast. Agora, Patrícia, eu queria entender com você o seguinte, você vê o Brasil aproveitando plenamente o potencial da para diplomacia ou ainda há o que melhorar? Pessoa 3 Eu acho que tem muito o que melhorar, principalmente na questão da coordenação. Tá, porque assim é. Eu já trabalhei na área com relação internacionais, né? Com com o que a gente chama de. Na área diplomacia, eu trabalhei em governo do estado do Rio de Janeiro por algum tempo, e o governo, o estado do Rio é um que que é muito interessante, porque ele não tem essa esse comportamento conflituoso saindo de dentro da área de relações internacionais, ele é mais raro. Acontece às vezes o do governador, né? Mas dentro da área de relação Internacional ele é mais raro. Mas o que eu vi é de dentro da estrutura, é que falta coordenação e eu sou uma pessoa super a favor da para diplomacia, mas eu acho que tem que haver mais coordenação. Ação entre o governo federal, EE as cidades, EE os estados. Veja bem, não é. É dar ordens ou dominar ou impedir. Mas eu acho que a gente tem mais potencial quando os nossos governos, nossas instâncias governamentais internas conversam, porque Oo resultado é muito mais interessante quando elas estão alinhadas do que quando elas estão desalinhadas. Vamos dizer assim, né? Porque senão alguns processos podem ser enterrados, alguns projetos podem não ir pra frente. E aí você tem ali um gasto de tempo, o empenho e as coisas acabam ficando paradas. Eu eu acho que a gente tem como melhorar, a gente tem como ir mais longe. Se essa conversa acontecer de uma maneira, é mais frequente, sabe, de uma forma um pouco mais coordenada. E aí é uma preocupação com a questão da soberania mesmo. Óbvio que uma cidade no estado não vai conseguir No No caso dos brasileiros, né, muito difícil. E aí já é para deixar o pessoal mais trancou. Aquilo que nos escuta não tem uma disputa. É de identitária no sentido de algum estado separatista, onde está tentando fazer isso pra, né? Com essa, com essa ideia, isso no Brasil de maneira geral não acontece. Mas eu acho que a gente tem um potencial melhor se a gente trabalhar de forma conjunta. E hoje a única área das relações internacionais ali, né? No No âmbito das cidades e dos municípios, que obrigatoriamente passa pelo governo federal, é na parte de. Financiamentos externos é é quando os estados da cidade tentam pegar o empréstimo, por exemplo, com o com o banco mundial ou com o banco inteiro americano de desenvolvimento. E aí essa ação, ela passa pelo governo federal obrigatoriamente ela passa pelo Senado, ela tem ok, do Senado. Então nessa nessa questão, a gente tem ali uma conversa. Mas eu acho que em outras questões a gente podia é cooperar um pouco mais também, sabe, para parecer ter menos esquizofrênico No No ambiente externo, quando a gente for. No ambiente externo, de uma certa forma, também ali pensando durante as vacinas, foi interessante o conflito, né? Porque quando? Quando houve um certo vácuo do governo central naqueles assuntos ali, né? Principalmente na época de meio ambiente e nessa questão da saúde, os estados ali, em alguns municípios tentaram ocupar esse vácuo de maneira anão deixar a população tão é desamparada. Mas é no final das contas, é o governo central que vai ter essa habilidade. De fazer com que isso aconteça de maneira igual pelo país inteiro. Então não é, é. É interessante, por exemplo, que São Paulo tenha conseguido comprar as vacinas? É, mas não é interessante que o resto do país não tenha conseguido na mesma velocidade. Então eu acho que o potencial ele fica muito melhor. Ele é muito mais interessante quando tem uma conversa um pouco maior entre as 3 instâncias, e aí não entre Oo governo central, os estados e os municípios, porque às vezes capitais, né, capital da cidade. A capital do estado estão ali juntos e não conversam também também. Então eu acho que o potencial tem um potencial perdido aí nessa desorganização não é bem uma desorganização, mas nessa falta de de de alinhamento mesmo, sabe? Pessoa 2 Perfeito. Agora aproveitar que a gente já está fazendo um pouco aí de exercício de futuro. Conflitos, Minerais Críticos e Resiliência Ambiental: Tendências Futuras O que que você enxerga Patrícia como tendência que deve marcar a para diplomacia brasileira nos próximos anos, enfim. Pessoa 3 O que eu tenho visto como tendência é justamente. A questão do conflito, que até então é novidade, não é um conflito direto, porque a palavra conflito fora da academia, ele é muito forte. Mas essa disputa um pouco maior ali, né, entre é estados, cidades e o governo central. Porque essa disputa ela está centrada na nossa polaridade política que é uma realidade no Brasil nos últimos anos e que eu acho que está longe de ser desfeita e. Dentro dessa disputa interna, baseada nessa polaridade política, eu acho que é outra tendência. É isso também. Se refletir em questões não políticas, em com quem esses estados, esses municípios, vão conversar mais de acordo com o lado que eles estão mais alinhados, né? Ideologicamente, vão conversar mais com as potências ocidentais ou vão conversar mais com a China? E aí a questão dos minerais críticos também vai vir com muita força. E a gente pensa, está pensando em Goiás, mas a gente tem ali também no norte do país. A gente tem o Pará, que é um dos maiores exportadores de minérios, do do do Brasil também. Então eu acho que vai estar muito em pauta, não só no âmbito, né, do da da questão da soberania no âmbito do governo federal, de como eles vão levar isso, enquanto é questão estratégica na nossa política externa, mas também do desses dos próprios estados e dos municípios que tem esse onde, onde esses minerais críticos estão, como que eles vão se posicionar se. Vai ter uma coordenação aí maior com o governo central ou se essa rusga ali política vai permanecer? Então eu acho que isso também é uma tendência muito forte no âmbito das cidades. A gente vê muito realmente é a questão das cidades inteligentes. Acho que uma outra tendência interessante é do do da resiliência ambiental, porque a gente vai estar vendo aí, com o aumento do do, das das questões climáticas, do aquecimento global, a gente está vendo cada vez mais tragédias, né? De uma forma muito triste, mas também de uma forma muito consistente. Todos os anos a situação vai ficando mais difícil. Então eu acho que a parasfomacia vai acabar adentrando também, se não de forma, porque tem interesse, mas talvez de forma obrigatória. Olha porque não tem mais para onde correr, né? No No debate sobre o meio ambiente também sabe? Em acordos para para tentar entender ali o que que podem fazer para se tornar mais resilientes. E aí nesse ponto, as cidades são muito importantes. Eu acho que as cidades já estão na dianteira desse assunto da resiliência ambiental em termos de debate Internacional mesmo. A Importância da Divulgação e Cobrança Cidadã na Paradiplomacia Agora, Patrícia, eu queria deixar esse espaço para as suas considerações finais, se você tiver mais alguma coisa que de repente a gente não abordou e você quis. Quiser colocar como fala sua, o espaço fica aberto para você? Pessoa 3 Eu acho que a gente abordou de uma forma bacana assim, né? Transversal EE simplificada o tema da parasplomacia. Eu acho que é importante esse tema ser divulgado e as pessoas entenderem que que ele acontece e que não é a parasplomacia em si. Ela não é boa ou ruim, mas ela pode gerar ali consequências. É importantes. Boas, né? Que vão ser interessantes para a população e. E consequências que talvez não sejam tão interessantes. E aí é como toda qualquer e outra política pública, muitas pessoas vão concordar. Pessoa 4 Outras outros grupos vão. Pessoa 3 Discordar. EEE é isso, assim, mas ela vai continuar acontecendo. Eu acho muito difícil. A gente é dar ré nesse processo, né? Já é um processo de longa data. É um processo que eu acho que não tem retorno, então. Eu acho que o mais interessante mesmo é que a população entenda até pra pra gente conseguir cobrar, né? Enquanto os cidadãos dos nossos governantes, porque a ação do governo federal, ela atinge a vida das pessoas, mas a ação da cidade, né, a ação do município, principalmente a ação da do estado, ela ela atinge diretamente o cotidiano da população. Então, se a gente sabe que existe, a gente sabe que esses estados, que esses municípios fazem, esses acordos internacionais, eu acho que a gente consegue também cobrar. Como eleitores, para que essas ações sejam se tornem políticas públicas ou sejam ações que nos beneficiem enquanto cidadãos. Então, eu acho muito importante essa divulgação também. Fiquei muito feliz pelo convite, por causa disso, principalmente. Pessoa 2 Essa foi Patrícia Oliveira. Ela que é doutoranda em relações internacionais pelo programa de pós graduação em relações internacionais da uerj e mestre em ciência política pelo programa de pós graduação em ciência política da unirio. Patrícia olha, muito obrigado. Tá por ter aceitado o convite de participar do nosso programa. Volte aqui sempre, sempre muito bom. Recebê LA 1 abraço para você. Pessoa 3 Eu que agradeço. Eu fico muito feliz pelo convite, fica aberta aí para próximos convites também. É muito obrigada mesmo. Foi muito legal poder falar com vocês, conversar com vocês sobre esse tema, que é um tema que é o que é o tema meu tema de pesquisa e um tema que eu gosto muito mesmo assim e pra saber que vai ser divulgado, me deixa muito feliz. Obrigada. Pessoa 1 Destrinchando. Daniel Veras: Diferenças entre Paradiplomacia e Diplomacia Tradicional O Intriga Internacional tem o prazer de receber? Daniel Veras, que é professor da pós graduação em China contemporânea da PUC Minas e doutor em ciências sociais pela PUC de São Paulo, Daniel, quero muito agradecer por ter aceitado o convite da nossa produção em participar do programa e seja muito bem-vindo. Pessoa 5 E como vai? É um grande prazer estar aqui de novo. Muito obrigado. Pessoa 2 Daniel, a gente tem como eixo central aqui nesse episódio de hoje, falar. Sobre para diplomacia, conceito aparentemente difícil de entender para quem não está tão habituado ao assunto, aqui a gente sai um pouco da unidade, digamos assim, da união ou da soberania nacional e pensa em entidades como estados e municípios. No caso do Brasil, vamos começar a tocar essa bola da seguinte forma, como é que essa ideia de para diplomacia se diferencia das ferramentas de diplomacia tradicional, digamos assim que conhecemos que. Que exemplos você consegue nos citar em relação ao Brasil? Eu peço que você dê uma explicação desse quadro, por favor, para nossa audiência. Pessoa 5 Então, esse é um assunto bastante interessante, porque é uma modalidade de diplomacia bastante peculiar. Quando a gente fala de diplomacia, a gente sempre pensa, né? No, no caso brasileiro, no Itamaraty, nos corpos diplomáticos em nível nacional, porém, AA para diplomacia é uma. Na verdade, é uma definição bastante rápida assim. É a diplomacia que ocorre nos níveis subnacionais. Não é nada mais do que isso. Algumas pessoas podem considerar atores não estatais também como indústria cultural, né? Mas eu eu creio que mais define a para diplomacia. Seria esse caráter descentralizado de diplomacia em que está gerindo, né? No caso brasileiro, entre estados, municípios, num caso chinês ou canadense, por exemplo. E municípios, que tem uma característica um pouco diferente administrativamente. Então a gente parte de uma coisa, né? Como é que os países executam a paradiplomacia? Por exemplo, se você pensar num exemplo da República popular da China, ela se válida para a diplomacia como estratégia de política exterior. Há um caso clássico na China, em que a província de junan, que fica no sudoeste do país, é ele faz Fronteira com com a região do grande mecon. O mecon é um Rio que corre, né? Pela China, Camboja, Laos, mianma, Tailândia e Vietnã. É um grande Rio muito importante. E nessa região. A província de nan desempenha um papel muito importante para facilitar o comércio e os investimentos transfronteiriços. Então, no caso chinês, ela é estratégica porque ela combina ações locais com a política nacional, numa coordenação que tem como objetivo fortalecer a soberania centralizada. Então são uma série de ações. E tem esse objetivo de intensificar o comércio e impulsionar o dinamismo Internacional das regiões fronteiriças. E aí você melhora o país. No caso chinês, também tem 11 caso clássico, que são as zonas econômicas especiais. Que a partir de 1978, com a reforma e abertura, são regiões que que se abriram ao mercado e que, por isso, atraíram investimentos internacionais, por exemplo, diretamente. O primeiro caso foi a cidade de Schengen, na província de juandonn, né? E depois pipocaram outros exemplos. Então o chinês também tem um pouco isso da da sua política. Eles fazem uma experiência numa num ambiente controlado. E que quando é bem sucedida é replicada. Então isso é muito comum na política chinesa e a para diplomacia se presta isso. Então as zonas econômicas especiais são exemplo clássico e a mais atualmente. Macau, né? A região especial administrativa de Macau cumpre esse papel também. E eu quero também destacar sobre a China, que a China ela incentiva a competição entre províncias, entre municípios, para criar um círculo virtuoso de de progresso. Ela vai incentivando as províncias e municípios a competirem entre si, e atrair dessa competição atrai seus melhores investimentos. Isso é importante. Paradiplomacia Brasileira: Inconsistências e Irmanamento de Cidades No caso brasileiro, o caso brasileiro, eu acho que a para diplomacia ocorre por uma outra razão. Nós somos um país que tem o sistema da democracia, uma democracia em construção, ainda que sob ameaça da Extrema direita. E quem oferece muitas vantagens. O processo de consulta popular o é a organização invejada por outros países, como AAO, uso da urna eletrônica, etcetera, mas. Tenho. A desvantagem do nosso sistema democrático é que a sucessão de projetos de poder antagônicos retira da nossa política a coerência e a consistência. E aí nós perdemos o Horizonte temporal para planejamento. Ele fica muito mais reduzido. Então a gente tem no Brasil, no caso brasileiro. É, a gente tem muito mais políticas de governo em certos assuntos do que de estado. Por exemplo, é a estratégia em relação à China. Ela vira muito mais uma política de governos que se sucedem. Cada um tem 11 diferente abordagem do que uma política de estado. EE é essa a característica, essa deficiência, inconsistência no Brasil? Daí de ter essa consistência que abriu caminho para a paradiplomacia aqui, que é diferente do caso chinês, que a paradiplomacia entra como uma estratégia no Brasil, ela acaba vindo para suprir essa inconsistência. Eu acho que um exemplo mais claro disso foi a questão da pandemia que você tinha de um lado governadores brigando com o presidente da República, né, que na época era o Bolsonaro. Os governadores queriam comprar vacinas, insumos médicos. Epi da China e o governo Bolsonaro? Ele negava a gravidade da doença. Imitava o Donald Trump ao no diz respeito a China difundia informações anti vacina contra quarentenas. E é, é. Mostrava uma falta de compromisso na compra desses insumos, de vacinas e equipamentos. E aí foi que os estados se viram obrigados a negociar diretamente com a China na época da pandemia, comprar diretamente, cooperar diretamente. Pessoa 2 Bem, Daniel, pensando o caso brasileiro, através dessa distinção, digamos que a gente tem quando se compara com a China, pensando a complexa estrutura federativa do Brasil, também há muita seu. Contralização em termos de política externa, no âmbito federal, no âmbito da união, a soberania nacional está lá, mas nós temos nossos entes. E como você falou muito bem em relação a pandemia, isso se coloca também. Me permita pensar com você, por gentileza, como às vezes a gente escuta falar em títulos de cidades irmãs, algo nesse sentido, né? Algo desse tipo. Como é que essa condição leva ao fortalecimento de estratégias ou a proeminência, talvez de municípios e estados? Dados do Brasil que exemplos a gente pode entender de parcerias? Algo relacionando Brasil, China ou cidades brasileiras ou províncias chinesas, enfim, quais são os caminhos que o Brasil pode ter diante desse quadro? Pessoa 5 É o irmanamento de cidades. É um instrumento já antigo de gerar cooperação. É. É um gesto simbólico muito forte e de aproximação, amizade e intensificação do comércio e que se reflete também em áreas como. Educação é saúde, cultura. Os casos mais recentes que nós temos são de 2025. Por exemplo, você tem um hermandamento recente entre a cidade de wuhan e São Paulo, então a capital de hubei, com a capital do estado de São Paulo, EE, que foi firmado em novembro de 2025, quando da visita da delegação chinesa ao Brasil. Wuhan, ele é é uma cidade. Que pode contribuir muito na No No ramo educacional, porque tem mais de 80 universidades, é um polo de inovação e tecnologia. Ela tem relações amistosas com 127 cidades em 65 países, e São Paulo é sua 30ª cidade. Irmã, então é uma coisa também muito é fomentada e valorizada pela China e. Oo São Paulo, né? É um grande polo industrial de também de educação dentro do Brasil. O objetivo dessas cooperações é, estão em comércio, ciência, tecnologia, é intercâmbios e projetos em em todas essas áreas, né? Incluindo também esportes, formação profissional, etcétera. Outro exemplo de 2025 é o irmanamento entre Juiz de Fora, Minas Gerais, e a Yan, na província de runan. Que são cidades com certa indústria. E aí ela é um centro tecnológico industrial. Juiz de Fora também tem indústria, indústria têxtil, tem educação, também, tem produção de alimentos também. Então é uma cooperação estratégica entre setores petroquímico, têxtil, fabricação de equipamentos e fortalece as cadeias de produção de ambas as cidades. Então, ao compartilhar conhecimento, tecnologia, oportunidades. E pontes de inovação e prosperidade também. O Caso de Goiás: Tensões entre Paradiplomacia e Soberania Federal Daniel vamos tentar pensar em outra faceta da para diplomacia. Quer dizer, não dá para diplomacia em si, mas de maneira como pode ser exercido. E eu queria explorar um caso do Brasil que já não é novidade para ninguém, que desde as tarifas do presidente Trump ao Brasil, toda essa questão relacionada aos minerais de terras raras, governo Lula tem feito uma defesa da soberania por razões que, enfim, são bastante. Óbvias, mas internamente nós temos atores e atores. Quero citar aqui o caso de Goiás, em que bem estamos falando, do governador Ronaldo Caiado, que é pré candidato à presidência da República, de oposição ao governo Lula. Eu cito o caso que a gente teve, a compra da mineradora Serra verde, né? Por uma empresa norte Americana e o governo de Goiás em si, defendendo a legitimidade de um Memorando de entendimento que foi assinado com os Estados Unidos, pois, aliás, em que o governo Lula é contra, dizendo, entre outras palavras, o território da união pertence à união. E ainda mais nesse tema que é tão sensível, como conseguir coordenar a diplomacia brasileira com exercício da paradiplomacia, de modo que atores não estatais? Ou mesmo estados e municípios não contrariem as diretrizes que nós temos, enfim, em termos da nossa própria Constituição. Em outras palavras, como é que você avalia esse caso de Goiás especificamente? Enfim, que tensões há nessa avaliação, Daniel? Pessoa 5 Eu acho que é reflete um pouco isso que eu falei sobre OA sucessão de projetos antagônicos de governo faz com que tenha esses choques? Isso se deu de um jeito. No caso da pandemia, então, você tinha. No caso da pandemia, você tinha um governo federal que era entreguista, que era submisso, muito problemático em relação a essas questões. E os governadores que eram progressistas ou minimamente mais esclarecidos que o governo federal, passaram aí a dificuldade. E agora nós temos um exemplo oposto. Você tem no exemplo aí de Goiás, assim como você tem uma postura em Minas Gerais, no estado. De São Paulo mesmo, no Rio de Janeiro, aí que tá envolvido com com questões internas para resolver, mas que também tem essa postura mais entreguista também, né? Está sem governador, inclusive, né? EEE. Você tem aí um caso que também se choca e que pode. Por exemplo, você tem esses governadores que podem vir a prejudicar até a própria soberania do país. E então eu acho que a paradiplomacia no caso. No caso brasileiro, vem tentar flexibilizar algumas divergências com o governo central, né? Enquanto no na China ela é fomentada como estratégia incentivada à competição entre entidades subnacionais, no Brasil você tem aí ainda essa, essa perda de Horizonte, né? De planejamento político que você tem na China. A China faz plano pra décadas e às vezes até séculos. Né, coisa que no Brasil ainda é muito complicado, né? É uma é uma guerra de interesses e que quando o governo sucede o outro, desfaz o que Oo anterior fez. Então é muito difícil você ter 11 Horizonte assim, que você consiga ter políticas de estadual a longo prazo e que resulta também nesse choque de interesses que existem, né? Então a paradiplomacia, nesse caso que você mencionou ele, ele é uma coisa que vai contra até o interesse da união, né? Do país. Então é interessante isso aí também. A Estratégia Pragmatista da China e a Iniciativa Cinturão e Rota Pois é, Daniel, pensando em China mais uma vez e é claro que a gente já explorou um pouco e pode voltar a explorar os potenciais das parcerias estratégicas entre províncias e cidades chinesas, como estados, municípios brasileiros e como você fala muito bem sobre essa questão de como isso é fomentado, como? Ou uma política estratégica na China? Como é que o exercício da paradiplomacia é exercido do ponto de de vista chinês para com parceiros do seu entorno estratégico? Que outros exemplos você pode citar pra gente que são exitosos? E como é que tem sido essa política quando a gente pensa em parceiros do entorno estratégico chinês? Pessoa 5 Olha, a China é sempre pragmática. Então, para começar é, ela investe muito na relação bilateral, né? País, país é e. Inclusive gosta de de negociar nessa questão mais do que com regiões, né? Mais do que negociar com regiões, a China gosta de fazer aquela negociação, país, país. Essa é a primeira coisa. A segunda coisa é que a política externa chinesa está dentro de um contexto de iniciativa cinturão e rota. É a política, é o carro chefe da política Internacional chinesa. Dentro disso, os projetos. São subsequentes a esse contexto mais amplo? Então a gente tem não pode perder de vista. Então, por exemplo, se você, no contexto da iniciativa cinturão e rota, tem 5 conectividades, a coordenação de políticas, o comércio desimpedido, integração financeira, integração de infraestrutura e intercâmbio entre os povos. Tudo isso deve ser considerado. E aí você abrange ações locais muito fortemente. Por exemplo, integração de infraestrutura. Você vai beneficiar as cidades pelas quais passa uma ferrovia, por exemplo, porque isso vai integrar. Outras cidades do mundo, né? Do da região. Na Ásia, isso está sendo muito visível. Então você tem alguns investimentos que a China faz. Por exemplo, Macau está sendo uma Pérola da para diplomacia, porque ela está se aproveitando uma proximidade cultural entre o mundo Latino e Macau histórica. Porque Macau teve presença portuguesa intensa, né? Desde o século 16 até 1999, era um entreposto português dentro da China. E, aproveitando essa vocação histórica, a China usa Macau como uma ponte, um nexo entre o mundo Latino e a China. Porque ela expande, tem essa origem lusitana, mas expande para os espanoblantes também. Inclusive nas 2 sessões de 2026 e no 15º plano quinquenal, que vale de 2026 a 2030, a área da grande Bahia tem se empenhado aí um papel importante como modelo de desenvolvimento, modernização, inovação. Então, ela conecta serviços, avanços legais, transição energética, desenvolvimento sustentável, inovação. Então tudo isso é conectividade, né? Então a China, por exemplo, se aproveita disso, né? Pessoa 2 Daniel, e qual tem sido na sua avaliação? O Papel do BRICS, Desafios e Cooperação Brasil-China E eu peço que você, por favor, explore pontos positivos e também os pontos negativos ou que pode avançar, melhorar, enfim, mas como é que tem sido o papel do brics na promoção da paradiplomacia, digamos, entre cidades e estados e de países aliados do brics? Pessoa 5 Eu acho que em termos de brics, brics está sobre ataque, né? De uma maneira geral. E não está institucionalizado, que é uma falha grande que já devia ter sido corrigida há muito tempo. Não somos assim. Brics tudo bem, une, né? O Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul. E depois expande para os brics, mais que envolve os Emirados e o Egito. Outros países também, porém, é isso tudo. Eu acho que está muito incipiente ainda. Eu acho, por exemplo, que é eu vejo muito mais relações bilaterais é sendo desenvolvidas do que isso é no Brasil. É bem forte, inclusive, né? Você tem, é, por exemplo. Uma cooperação Brasil China para diplomática envolve outros estados, ainda que demasiadamente centrados na região sudeste, mais desenvolvida. Você tem muita conexão via educação e tem exemplos do estado de São Paulo, Rio de Janeiro é tem também de transporte também tecnologias de trem vindo para o estado de São Paulo, é empresa, construtora de trem. É nova linha de metrô vindo com tecnologia chinesa totalmente elétrica. Você tem exemplos de educação? Em 2024, foi criado um centro China USP. Isso é muito importante porque conecta a as entidades educacionais de nível superior a Unesp. A universidade estadual Paulista está criando também novos cursos em cooperação com a China. No estado do Rio de Janeiro você tem? Alianças de cooperação com a escola pública, isso é muito interessante. Escola pública entra no município do Rio de Janeiro, no município de Maricá e de Niterói em nível estadual. Então tem muita coisa acontecendo. No Rio de Janeiro tem OOO. Prefeito Eduardo Paes. Ele se colocou também no objetivo de transformar Rio de Janeiro como um palco para grandes eventos globais, Olimpíada, Copa do Mundo, os shows mega. Shows, né? Da Shakira, Madonna, Lady Gaga e que precisa de recursos humanos qualificados pra todos esses eventos. Por isso que está investindo No No ensino de mandarim, No No ensino público, por exemplo, né? Então você tem uns exemplos que alguns envolvem também cooperações antigas, como o instituto confuso e outras. Mas o que eu acharia de ponto negativo? Eu acho que ainda há essa questão do desconhecimento. Mútuo entre Brasil e China a China acha muito que se centra muito no sudeste e perde oportunidades em outros lugares do Brasil. A Relevância da Paradiplomacia em um Cenário de Crise Multilateral Pois bem, Daniel, a gente está falando de para diplomacia assim, de maneira bem, ampla mesmo, né? A gente está tentando discutir e sempre está tentando discutir como é que os países e seus atores se relacionam. Tudo bem. Só que a gente está num problema de forma de se relacionar, falando num contexto histórico de profunda crise, do multilateralismo dos. Tema multilateral liberal, pós segunda guerra ou sei lá, pós queda do muro de Berlim, pós derrocada da União Soviética. Enfim, o grande ponto é se a gente está tendo uma crise nas relações diplomáticas como um todo. E aí? Pessoa 6 É que a. Pessoa 2 Para diplomacia, aparece como uma resolução residual, como algo que deve ser investido. É necessário ampliá la nesse momento em que as grandes arenas de discussão tido, por exemplo, o conselho da ONU, por exemplo, a assembleia da ONU, parecem dar sinais. Que não funcionam mais. E aí eu quero entender com você. Qual o papel da para diplomacia neste mundo em tamanha intensa transformação? Daniel? Pessoa 5 Boa pergunta, você tem essa série? Dificuldades, mesmo que que o multilateralismo. Que está sob ataque, né? Você tem 111, China e os brics como um todo, lutando por um mundo multipolar. E você tem os velhos, é líderes hegemônicos lutando para manter essa hegemonia, seu privilégio, que seria o ocidente, né? Então você tem essa configuração e um problema também de enfim, de como garantir esse esse multilateralismo. E eu acho que OOA para diplomacia é uma das ações que é possível. E ela é executável também, às vezes menos burocrática, soluções, né? Mais factíveis. Então essa essa coisa da da integração de infraestrutura e intercâmbios culturais, eles funcionam com muita agilidade nessa questão do do nível municipal, estadual, provincial. E isso é o curso, né? Do dessas grandes cooperações, né? Entre entidades educacionais é culturais e os intercâmbios entre os povos, que é 11 das políticas previstas aí pela China de forma estratégica. Eu acho que envolve tudo isso. Então é, eu acho que assim, a paradiplomacia não vai resolver realmente esses problemas, mas vai ajudar bastante, inclusive quando você tem a maioria. Dos países que tem um Horizonte temporal limitado de planejamento, então isso vai ajudar muito. Eu acho que é um grande aliado nesse sentido, que nem todo país é uma China que pode planejar décadas, né? Pessoa 2 Esse foi Daniel Veras, professor da pós graduação em China contemporânea da PUC Minas, doutor em ciências sociais pela PUC de São Paulo. Mais uma vez aqui conosco no Intriga Internacional. Daniel, muito obrigado. Volte sempre aqui no nosso programa SC. Sempre muito bom recebê lo um abraço para você e até a próxima. Pessoa 5 Muito obrigado, abraço. Pessoa 1 Xeque, mate. Henry Kissinger: Estrategista Brilhante ou Figura Controversa? Poucos diplomatas se tornaram personagens tão controversos quanto Henri Kissinger. Para alguns, ele foi um estrategista absolutamente brilhante, um dos maiores arquitetos da política Internacional de todo o século 20. Mas para outros, ele foi símbolo de uma diplomacia usada para justificar guerras, golpes e massacres, tudo isso em nome do poder norte americano. É difícil dar razão total a um dos lados, mas a gente precisa explorar os argumentos. Kissinger pertence a uma geração de pensadores moldada pela experiência da Segunda Guerra Mundial. Judeu alemão, fugiu do nazismo ainda jovem e se refugiou nos Estados Unidos. E a ascensão de Hitler deixou nele a convicção de que a política Internacional não pode ser guiada por ilusões Morais, mas sim pelo equilíbrio muito concreto de poder. Essa visão marcaria a história de Kissinger nos anos 70, como o conselheiro de segurança nacional e depois secretário de estado dos governos Nixon e geraldford. Kissinger tornou se um dos homens mais influentes do mundo. Ele ajudou a redefinir completamente a estratégia Americana durante a guerra fria. É o que se chama de real politic. Na prática, significava abandonar idealismos e negociar com qualquer outro governo que fosse útil aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Democracia, direitos humanos, valores universais iam se tornando coisas secundárias diante dessa lógica de equilíbrio. Foi assim que Kissinger conduziu uma das jogadas diplomáticas mais importantes de todo o século 20, que foi a aproximação entre os Estados Unidos e a China. Como a gente já ouviu aqui em outros episódios do Intriga Internacional, quando ele percebeu o desgaste da União Soviética e o conflito sino soviético, entendeu que Washington poderia explorar aquela divisão e promoveu uma virada histórica de Nixon a Pequim, isso em 1972, o que alterou toda a arquitetura da guerra fria. Essa diplomacia triangular que foi criada por Kissinger ajudou a enfraquecer a posição soviética e abriu caminho para uma nova configuração mundial. Mas essa atuação não se limitou apenas a China. Ele também teve papel importante nas negociações de distensão entre americanos e soviéticos, na assinatura de acordos nucleares e também nas complexas negociações do Oriente médio. A diplomacia itinerante de Kissinger tornou se quase lendária, mas é aí também que começam as críticas mais duras, porque, em nome de cálculos considerados estratégicos, ele apoiou algumas das decisões mais violentas e controvérsias da política externa norte Americana. Durante a guerra do Vietnã, por exemplo, ele participou da ampliação dos bombardeios secretos no Camboja e no Laos, operações que provocaram uma enorme destruição civil na América do sul. O nome de Kissinger está muito associado ao apoio dos Estados Unidos a regimes militares e também a operações de repressão anticomunistas. No Chile, a derrubada de Salvador Allende, isso em 1973, é frequentemente ligada ao ambiente incentivado pelos Estados Unidos e por Washington, na Argentina, no Brasil e também em outros países. Documentos históricos já revelaram o grau de tolerância e também de incentivo dos Estados Unidos às ditaduras militares desse período. Para quem critica Kissinger, ele transformou direitos humanos em uma variável muito descartável. E é essa uma das contradições do prêmio Nobel da Paz recebido por ele lá em 1973. O prêmio, na época, foi concedido pelas negociações de cessar fogo no Vietnã. Só que a guerra terminou e muita gente ainda morreu depois disso. Na época, a premiação gerou uma indignação Internacional que se reenchergava a política Internacional quase como um Tabuleiro histórico permanente, no qual as grandes potências precisavam evitar o caos através de pactos de estabilidade, mesmo que esses pactos fossem imperfeitos. E essa visão ganhou uma relevância recentemente, uma vez que o mundo anda cada vez mais fragmentado, a ascensão da China, as questões no leste da Europa, o enfraquecimento da ordem liberal construída após 1945. Há muita gente que volta a citar Kissinger para tentar compreender a transição para um sistema multipolar. Mas, afinal de contas, será que Kissinger ainda segue vivo? É o que muita gente ainda se pergunta. Despedida do Intriga Internacional e Créditos Finais O Intriga Internacional de hoje vai ficando por aqui. Agradeço a você que ficou com a gente até o final desse episódio. Nosso programa é uma realização da agência de notícias Sputnik, transmitido pela Rádio Metropolitana 80.5 FM, no Rio de Janeiro. A produção é de Jennifer Alves. A edição fica por conta de Maciel Amaral e Wellington Vieira. Você pode acompanhar todos os episódios do Intriga Internacional na nossa plataforma metropolitana, no rio.com.br ou então na sua plataforma de áudio favorita. Até a próxima. Pessoa 1 Intriga Internacional, o podcast que te convida a entender a arte da diplomacia.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Paradiplomacia é a atuação internacional de estados e municípios, buscando parcerias, investimentos e financiamentos externos.
  2. O caso da compra da mineradora Serra Verde em Goiás ilustra a paradiplomacia, com a assinatura de um Memorando de Entendimento sobre minerais críticos entre o estado de Goiás e os EUA.
  3. A polarização política influencia a paradiplomacia
  4. Fatores para o crescimento da paradiplomacia incluem o fim da Guerra Fria, globalização, avanços tecnológicos e o sistema federativo brasileiro, que compartilha responsabilidades de políticas públicas entre União, estados e municípios.
  5. A paradiplomacia não desafia a soberania nacional, mas atua de forma complementar, especialmente quando estados buscam recursos para políticas públicas que o governo central não consegue suprir.
  6. Áreas com maior potencial de cooperação incluem desenvolvimento urbano, transporte, cidades inteligentes, meio ambiente, atração de investimentos e saúde, como exemplificado na compra de vacinas contra a COVID-19 por estados como Maranhão e São Paulo.
  7. Cidades fronteiriças têm uma paradiplomacia mais natural, devido ao contato cotidiano com países vizinhos, mas isso não dificulta a atuação de outras cidades.
  8. O termo "paradiplomacia" é acadêmico; na prática, governos subnacionais usam nomes como "coordenadoria de relações internacionais".
  9. O Brasil ainda precisa melhorar a coordenação entre níveis de governo para aproveitar plenamente o potencial da paradiplomacia.

Summary:

A paradiplomacia refere-se à atuação internacional de estados e municípios, que buscam parcerias, investimentos e financiamentos externos para complementar políticas públicas. O podcast destaca o caso da mineradora Serra Verde em Goiás, onde o governo estadual assinou um Memorando de Entendimento com os EUA sobre minerais críticos, exemplificando como a paradiplomacia opera paralelamente a operações econômicas e sinaliza abertura para cooperação, sem caráter vinculante. A polarização política influencia essa prática: estados alinhados ao governo federal seguem suas diretrizes, enquanto os não alinhados buscam parcerias próprias, como visto na compra de vacinas contra a COVID-19 por Maranhão e São Paulo.

O crescimento da paradiplomacia é impulsionado pelo fim da Guerra Fria, globalização, tecnologia e pelo sistema federativo brasileiro, que compartilha responsabilidades em áreas como educação, saúde e meio ambiente. Estados e municípios recorrem a parcerias internacionais para suprir recursos, focando em áreas como desenvolvimento urbano, transporte, meio ambiente e atração de investimentos. Cidades fronteiriças, como Foz do Iguaçu, têm uma paradiplomacia mais natural devido ao contato cotidiano com países vizinhos. O termo é acadêmico; na prática, governos subnacionais usam nomes como "coordenadoria de relações internacionais". Apesar dos avanços, o Brasil precisa melhorar a coordenação entre níveis de governo para aproveitar plenamente o potencial da paradiplomacia, evitando conflitos e maximizando benefícios locais e nacionais.

FAQs

Os principais desafios incluem a falta de estrutura institucionalizada, já que muitas cidades não têm uma área de relações internacionais dedicada, e a necessidade de coordenação com diferentes secretarias, pois a paradiplomacia costuma ser descentralizada. Além disso, há o risco de tensões políticas com o governo federal se as ações não estiverem alinhadas ideologicamente.

Eles podem iniciar entrando em contato com instituições financeiras internacionais ou agências de desenvolvimento, participando de conferências e redes como as da ONU. É comum assinar Memorandos de Entendimento, que são acordos políticos não vinculantes, para sinalizar abertura e atrair parcerias.

O Memorando de Entendimento não é juridicamente vinculante, ou seja, não tem validade legal como um tratado. Ele serve como uma sinalização política de intenção de cooperação, enquanto tratados são acordos formais que exigem aprovação do governo central.

A polarização faz com que estados alinhados ao governo federal busquem mais parcerias com a China, por exemplo, enquanto os não alinhados podem optar por outros parceiros. Isso limita o aproveitamento uniforme das oportunidades do BRICS, que são maiores para regiões com alinhamento político com o governo central.

O risco principal é o endividamento excessivo, pois os recursos obtidos podem não gerar os resultados esperados em políticas públicas locais. Como as consequências são locais, isso pode impactar negativamente a gestão e a imagem do governante local, especialmente em períodos eleitorais.

Nessas cidades, o contato diário e obrigatório com municípios de outros países torna a cooperação internacional parte da rotina, facilitando a criação de redes como a Mercocidades. Isso não impede que outras cidades também atuem, mas a paradiplomacia fronteiriça é mais orgânica e menos dependente de estruturas formais.

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