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#518 - Ajahn Chah - Investigue o Sofrimento

18m 0s

#518 - Ajahn Chah - Investigue o Sofrimento

O Buda usa a metáfora de um chacal com sarna para ilustrar que o sofrimento humano não vem de circunstâncias externas, mas de visões erradas e apegos internos. Assim como o chacal sofre em qualquer lugar devido à sua condição, as pessoas sofrem porque carregam ilusões e desejos no coração. O sofrimento surge e cessa continuamente, e a felicidade é apenas um estado temporário em que o sofrimento desaparece. Na verdade, felicidade e sofrimento são como a cabeça e o rabo de uma cobra: ambos fazem parte da mesma realidade e podem causar dor se nos apegarmos a eles. O Buda ensina que a paz verdadeira não está na busca da felicidade ou na fuga do sofrimento, mas em transcender ambos, reconhecendo sua impermanência e deixando-os ir. O Dharma oferece um caminho prático para investigar a origem do sofrimento e abandoná-lo com sabedoria. O corpo inevitavelmente experimenta dor, doença e morte, mas a mente pode transcender o apego. Quando se vê claramente que todas as experiências são apenas condições impermanentes, a mente para de se agarrar e encontra paz além de causa e efeito, nascimento e morte. O Buda apenas indica o caminho; a realização final depende da prática pessoal de cada um. O objetivo é alcançar essa paz que liberta do sofrimento, onde não há mais nada a fazer.

Transcription

1387 Words, 8011 Characters

Portuguese
O Buda disse, "Monges, vocês viram aquele chacal correndo por aqui a noite?" De pé ele sofria, correndo ele sofria, sentado ele sofria, deitado ele sofria. Na verdade aquele chacal tem sarna. O desconforto dele não vinha do arbusto, da árvore e oca ou da caverna onde tentava se esconder, mas sim da sarna. Vocês são iguais. O desconforto de vocês vêm de suas visões erradas e de se apegar em as ideias que são venenosas. Vocês não exessem contenção sobre seus sentidos e por isso culpam outras coisas. Vocês não sabem o que está acontecendo dentro de vocês. Onde quer que vocês vão, vocês sofrem. Por que carregam essas visões erradas em seus corações? As coisas são simplesmente do jeito que são. Elas não nos dão sofrimento. Por exemplo, um espinho, um espinho fiado nos dá sofrimento? Não, é apenas um espinho. Ele não incomoda ninguém. Mas se pisarmos nele, sofreremos imediatamente. O sofrimento vem de nós. Todo mundo já passou por sofrimento, mas não sabem como desfazer o sofrimento. Não sabem de onde ele surge. Então pensam, pensam e no final choram. Não conhecem a saída. Eu digo que tem que investigar. Tem que investigar. Tem que haver um caminho para resolver o problema. Porque Buda ensinou que o Dharma desfaz o sofrimento das pessoas. Resolve de verdade o sofrimento que nasce do coração das pessoas. Mas nós não sabemos quando o sofrimento surge. Temos que traçar de onde é que esse sofrimento vem e descobrir a forma de resolver. Investiga o sofrimento. Quando o sofrimento surge, nós temos que refletir para entender com inteligência. Na verdade o sofrimento é contínuo, mas não estamos se índices disso. Onde estamos agora é só sofrimento. Quando o sofrimento surge, chamamos de sofrimento. Mas quando o sofrimento desaparece, chamamos de felicidade. Não enxergamos claramente. Pensamos que felicidade só porque o sofrimento desapareceu. Mas quando desaparece, reapparece em seguida e sofremos. Sofrimento surge e desaparece. Então é felicidade e agarramos. Agarramos o sofrimento. Agarramos a felicidade. Pensamos que são coisas distintas. O Buda ensinava. Só há sofrimento surgindo e desaparecendo. Não há nada além disso. Pode investigar. Vai ver que é assim. Sofrimento surge e sofrimento desaparece. Sinace, pensa. Isso é sofrimento. Se desaparece, pensa. Isso é felicidade. Mas na verdade é só sofrimento na senda e desaparecendo. E nós agarrando aqui e ali. Só agarramos sofrimento. Nada mais. Mas nós dizemos que são vários. Às vezes é como felicidade. Às vezes é como sofrimento. Tanto a felicidade quanto a tristeza vem dos mesmos pais. O desejo e a ilusão. Desejamos felicidade. Mas felicidade é um sofrimento refinado que nós ainda não enxergamos. Pensamos. Eu gosto de felicidade. Quero felicidade. Preciso procurar felicidade. Pensamos que felicidade não tem um lado ruim. Mas não é assim. Felicidade é a número um. Ela mesma já é sofrimento. O prazer escondidador e adores escondidopraser. O errado encobre o certo e o certo encobre o errado. Olhando apenas para um lado, nosso conhecimento não é completo. Devemos enxergar de modo completo enquanto ainda temos vida. Que a seja felicidade ou sofrimento são como uma mesma cobra. Sofrimento é como a cabeça da cobra. Felicidade é o rabo da cobra. Femos que essa cobra é longa e pensamos. É. A boca é perigosa. O rabo não tem perigo. Não vou chegar perto da boca se não voltou mar uma picada. É melhor pegar pelo rabo porque a boca está daquele lado. Mas quando pegamos, o rabo ainda é rabo de cobra. Não é? A cobra se vire e vem motor. É sofrimento do mesmo jeito. Porque a cabeça da cobra está na cobra. O rabo da cobra está na cobra. Mas nós não sabemos disso. Não sabemos que felicidade é assim. Sofrimento é assim. Na verdade eles estão na mesma cobra. Nós só construímos sofrimento. Só isso. Por isso, o Buda ensinava. Não há muito mais além de sofrimento surgindo e sofrimento desaparecendo. Só isso. Se procuramos a felicidade é por pensarmos que felicidade é bom. É bom demais. Pois então, gera ainda mais sofrimento. Porque não vemos que é sofrimento. Felicidade e sofrimento se olhar são iguais, são o mesmo. Mas em uma ocasião se chama felicidade e em outra se chama sofrimento. Portanto, caso deseja felicidade quando esta desaparece surge sofrimento. Nós passamos do surgimento para a cessação do sofrimento, mas nunca realmente entendemos a verdade de que tudo isso é apenas um surgir e cessar. Na verdade, se realmente conhecemos o Dharma e o vemos continuamente, não há felicidade ou sofrimento. Se você entende que a felicidade e sofrimento são impermanentes, você não se apega a eles. E assim, o coração está em paz. Dessa forma, o Buda ensinou que devemos ter paz. Está livre dessa felicidade desse sofrimento. Isso é a paz. Tendo paz, quando o sofrimento surge, sabemos. É, não é isso, laga. Entendemos o que é. Quando a felicidade surge, é a mesma coisa. Não se apegue, é apenas algo comum. No caminho trilhado por um sábio pacífico, não há felicidade nem sofrimento. Esse caminho é sem nascimento ou morte, sem alto ou baixo, sem bem ou mal. É pacificamente livre de prazer e dor, alegria e tristeza. Experiência do isso, a mente pode parar de fazer perguntas e não há mais necessidade de buscar respostas. Quando a paz já se desvinculou da felicidade e do sofrimento, essa é a fundação do ensinamento do Buda, que isso fique de lição de casa para todos vocês. A prática do Dharma é para levar a transcendência do sofrimento. O corpo não pode transender o sofrimento, tendo nascido ele deve experimentar dor, doença, envelhecimento e morte. Apenas a mente pode transender o apego e o ato de agarrar. Quando o sofrimento surge, você deve notar de onde ele vem. Ele vem do apego e da fixação que ainda resta onamente. Todo o sofrimento vem de uma causa. Tendo criado a causa, você é a abandona com sabedoria. Se é a verdadeira paz, a paz que surge do conhecimento claro sobre como as coisas são. Se você vê uma forma, você é a contempla. Se ouve um som, você é o contempla. Você se torna abilidoso na contemplação de objetos mentais. Se você vê claramente a felicidade e a deixar ir, vê o sofrimento e o deixar ir. Onde quer que os veja, você o soltam ali mesmo. Dessa forma, nenhum objeto mental será capaz de manter o controle sobre a mente. Essa é a razão pela qual estudamos o Dharma. É para buscar uma maneira de transcender o sofrimento e alcançar a paz. Se continuarmos investigando, eventualmente chegaremos à realização da nossa condição real. Veremos que o prazer é apenas prazer. A sensação é a pena sensação. A memória é apenas memória. O pensamento é apenas pensamento. A felicidade é apenas felicidade. Sofrimento é apenas sofrimento. Tudo o que existe é apenas assim. Não há felicidade ou sofrimento real. Os condições meramente existentes. Sem felicidade e sem infelicidade, permanecendo apenas com o conhecimento. Sem carregar as coisas por aí. Essa é a verdadeira paz. A paz que transcende o sofrimento é o objetivo último. Essa é a paz que está além. Tanto do conforto quanto d'adoa. Esse é o destino. Uma vez que tenham chegado a esta paz, não resta mais nada a fazer. O Buda nos levou apenas ao início do caminho. O resto depende de nós. Ele é apenas aquele que mostra o caminho. A verdade não pode ser ensinada a ninguém. Não pode ser estudada. Ela só se manifestará através da prática pessoal. O objetivo do Buda é que você transcenda o sofrimento. Que investigue as coisas e abandone a pego à forma. Sensação, percepção, formação mental e consciência. Pare de se apegar a essas coisas e você transcenderá o sofrimento. Essas condições são resolvidas, a mente está em paz na ausência de causa e efeito. Nascimento e morte, prazer e dor. Nessa paz não a causa e efeito, porque a mente foi além deles. Esse é o nosso objetivo final na prática. Que o Buda ensinou exatamente isso. O que resta é viajarmos até esse ponto. Que esta prática leve a felicidade. Que o ajuda a crescer na verdade. Que você se liberte do sofrimento do nascimento e da morte. É um bom tempo. [MÚSICA DE FUNDO]

Podcast Summary

Key Points:

  1. O sofrimento não vem de causas externas, mas de visões erradas e apegos internos, como a sarna de um chacal.
  2. Felicidade e sofrimento são na verdade a mesma coisa
  3. Apegar-se à felicidade gera mais sofrimento; a verdadeira paz está em transcender ambos, vendo sua impermanência.
  4. O Dharma é o caminho para investigar a origem do sofrimento e abandoná-lo com sabedoria, levando à paz além de causa e efeito.
  5. O Buda apenas mostra o caminho; a realização da verdade depende da prática pessoal e do desapego aos cinco agregados.

Summary:

O Buda usa a metáfora de um chacal com sarna para ilustrar que o sofrimento humano não vem de circunstâncias externas, mas de visões erradas e apegos internos. Assim como o chacal sofre em qualquer lugar devido à sua condição, as pessoas sofrem porque carregam ilusões e desejos no coração. O sofrimento surge e cessa continuamente, e a felicidade é apenas um estado temporário em que o sofrimento desaparece.

Na verdade, felicidade e sofrimento são como a cabeça e o rabo de uma cobra: ambos fazem parte da mesma realidade e podem causar dor se nos apegarmos a eles. O Buda ensina que a paz verdadeira não está na busca da felicidade ou na fuga do sofrimento, mas em transcender ambos, reconhecendo sua impermanência e deixando-os ir. O Dharma oferece um caminho prático para investigar a origem do sofrimento e abandoná-lo com sabedoria.

O corpo inevitavelmente experimenta dor, doença e morte, mas a mente pode transcender o apego. Quando se vê claramente que todas as experiências são apenas condições impermanentes, a mente para de se agarrar e encontra paz além de causa e efeito, nascimento e morte. O Buda apenas indica o caminho; a realização final depende da prática pessoal de cada um.

O objetivo é alcançar essa paz que liberta do sofrimento, onde não há mais nada a fazer.

FAQs

O Buda compara os monges a um chacal com sarna para mostrar que o sofrimento deles não vem do ambiente, mas de visões erradas e apegos internos, assim como o desconforto do chacal vem da sarna.

O sofrimento surge do apego e da fixação mental, causados por visões erradas e desejos. O Buda ensina que é preciso investigar a origem do sofrimento para resolvê-lo.

O Buda diz que felicidade e sofrimento são como a cabeça e o rabo de uma cobra: ambos fazem parte da mesma coisa. Felicidade é apenas sofrimento refinado, e apegando-se a ela, gera-se mais sofrimento.

Transcender o sofrimento significa alcançar a paz que está além da felicidade e do sofrimento, soltando o apego a sensações e objetos mentais, e vendo que tudo é apenas impermanente.

Devemos investigar o sofrimento para entender de onde ele surge, usando sabedoria para abandonar as causas, como o apego, e assim encontrar a verdadeira paz.

O objetivo final é a paz que transcende o sofrimento, onde a mente está livre de causa e efeito, nascimento e morte, prazer e dor, alcançada através da prática pessoal.

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