Pessoa 1
Isso aí já já estipula diversos problemas que eu acho que a gente enfrenta no próprio autoquestionamento do que é o homem sabe?
Do que a própria capacidade de colocar se em questão.
Pessoa 2
O erro interessante é o erro humilde.
É o erro.
É o erro que que não tá cheio de certeza, né?
E daí?
Talvez o acerto cheio de certeza seja tão ruim também quanto o erro, certo?
Pessoa 3
Ser homem é uma bosta.
A definição que a gente deu e as condutas que a gente tem para a masculinidade são ruins.
A de viver isso é ruim.
Fazer isso é ruim.
Pessoa 1
E aí, gente, qual é a boa?
Vocês estão bem?
Meu nome é Rafael.
Vocês estão ouvindo imposturas filosóficas?
Podcast razão no adequado?
Vocês viram que eu mudei toda a ordem das coisas hoje?
Pessoa 3
Mais equívoco?
Pessoa 1
Rafael, é equívoco.
Rafael, misteriosa, é, estou trazendo aqui.
Eu sou todas as os véus.
Estou jogando os véus para jogo.
Uma coisa que está constante é, meus amigos estão comigo, né?
Estamos juntos aqui para pensar.
Gabi jáx de novo dobradinha dobradinha de Gabi e Rafael Trindade oi gente, tudo bem?
Pessoa 2
Dobradinha de Gabi.
Pessoa 1
Ah, que Alegria, gente.
Antes de começar, a gente sempre tem recadinhos.
E o recadinho da vez é, está começando.
Mais um módulo dos seminários de formação.
Rafael, conta melhor pra gente, que que é isso?
Pessoa 3
Exatamente.
A gente terminou o primeiro módulo, que falava de esquizoanálise, e a gente tem recursos muito bons agora para o segundo módulo, que o título é descasos clínicos.
A nossa ideia é muito simples e muito interessante.
A gente vai pegar esses elementos conceituais da esquizoanálise para interpretar os casos freudianos.
Isso foi feito por delas.
Guattari, no caso dos lobos, tem um platô exatamente sobre esse assunto que vai aparecer no módulo e a gente vai falar sobre outros casos clínicos.
Vamos falar sobre o pequeno hanz, vamos falar sobre o schreber, vamos falar também da Dora, caso Dora.
A nossa ideia é fazer uma análise dos pontos interessantes do caso.
E dos pontos não tão interessantes.
No caso que tem muito a ver com o episódio de hoje, que a gente vai conversar, então a gente vai fazer essas 4 aulas, começa dia 14 de abril, os seminários de formação são toda terça-feira, 19 horas, então começa dia 14 de abril e vai até o dia 5.
A gente vai ler esses 4 casos, vai comentar sobre eles, pontos Fortes, pontos fracos e a primeira aula vai ser aberta, então fique esperto.
Pessoa 1
É isso?
Para fazer parte, você pode procurar aí o link na descrição do episódio e também pode fazer uma assinatura, porque você ganha desconto na inscrição para os seminários, além de receber os benefícios da assinatura.
Como vocês sabem, o nosso trabalho é financiado diretamente, depende das assinaturas para existir e tem vários benefícios, como por exemplo, desconto em projetos como oficina de reflexão escrita, seminários, deformação, certo?
Então vamos pro programa?
Vamos lá, vamos lá.
Pessoa 3
Decifra me ou devorate, a esfinge, é a figura do enigma, o Majestoso corpo de leão, asas de águia, cauda de serpente.
A cabeça, no entanto, é de mulher.
Seu tronco mostra a força das ligações heterogêneas, enquanto um rosto é capaz de linguagem.
Mas qual linguagem pode ter um corpo desses?
Ao encontrar édipo, a esfinge o desafia, responde, ou te devora quem anda com 4 patas de manhã, com 2 à tarde e 3 à noite.
Édipo não hesita na resposta, o ser humano apressado, ele não percebe que há mais na pergunta do que na resposta.
O problema que a esfinge coloca é na realidade.
Quem somos nós?
Muitas vezes, é o não saber que determina nossos atos.
De qualquer modo, o problema parece solucionado com a resposta tal como a chave que entra na fechadura e, no giro rápido, destrava a porta, o que leva a esfinge a lançar se do topo da Montanha para dentro do do abismo.
O inverso também acontece, homens confusos e perdidos.
Entram no oráculo de delfos para falar com as pítias, mulheres reclusas em contato com o Divino zenão diz, meu barco afundou, e agora o que devo fazer?
Torne se da cor dos mortos, elas respondem, quero fonte.
Pergunta, quero saber quem é o homem mais sábio da Grécia.
E a resposta surpreende, é Sócrates.
E quando Diógenes, expulso de Sinop, vai até o oráculo procurando um caminho, escuta, mude o valor da moeda.
Neste caso, a situação é inversa.
Por mais que a pergunta seja direta, a resposta é equívoca.
Eis como homens apresentaram na história a relação entre o masculino e o feminino.
Aqueles fazem perguntas objetivas e esperam respostas certeiras.
Enquanto estas provocam com perguntas maliciosas e dão respostas enigmáticas, eles querem uma solução apaziguadora, uma linha reta, mas não a obtém quando se encontram com o feminino a eles.
Parece que ao solucionar o enigma, tudo estará completo.
A própria mulher, construída pelo olhar masculino, aparece como este enigma ser decifrado e eles temem ser devorados.
Caso não consigam, talvez por isso, ao longo da história, sejam inúmeros dos modos com que procuraram submetê las, a mulher vivendo nessa estrutura social, aparece como portadora de segredos insondáveis como acessá Los, a psicanálise, também fruto de seu meio, se faz essa pergunta, afinal, o que querem as mulheres?
Sua resposta, claro, não deixe de passar pela figura central do homem europeu branco, com seu orgulho sempre em riste, a mulher concluir a Freud desejo, fala que não é um órgão masculino, mas encarna se na inveja deste e precisa de algum substituto equivalente.
Através dos Milagres das metáforas e metonímias, ela abdica de sua inveja do pênis ao ser contemplada com o filho.
A imagem lembra a virgem segurando Jesus, o desejo feminino encaixado no lugar que o homem lhe reservou, mãe, esposa e só.
A luz desta análise acredita esclarecer os recônditos do inconsciente, anulando o mistério, mas apenas subordina o desejo a um modo de vida completamente estruturado por uma ordem simbólica falocêntrica sem perceber.
A explicação da psicanálise recai em sua maior crítica, a de transformar a descrição de uma prática social em uma prescrição, uma prática normalizadora.
Infelizmente, o frescor do primeiro Freud se perde ao longo de sua obra e impede explicações melhores.
Depois do primeiro ato, as histéricas deixam a cena e os obsessivos sobem ao palco do teatro da psicanálise.
Dora é a última personagem conceitual a sair de cena.
As mulheres desaparecem da obra de Freud por 15 anos.
O medo da castração monopoliza o enredo dos pacientes masculinos que vivem suas próprias tragédias particulares.
Quanto mais os pacientes reencenam o romance familiar, mais se afastam da abertura da sexualidade proposta nos primeiros anos de estudos psicanalíticos.
Esse é o caso de Dora.
Pseudônimo de ida Bauer, Freud tenta por diversas vezes convencer a paciente de que ela está apaixonada pelo senhor KE, portanto por seu pai e, portanto, por ele mesmo, o pai da psicanálise.
Uma leitura atenta nos faz perceber como Freud interpreta segundo os seus interesses, algo que qualquer supervisor abominaria.
Dora se incomoda às vezes, ri, às vezes se enfada.
E, por fim, interrompe a terapia, deixando o psicanalista com uma análise fragmentária a ser preenchida por sua imaginação fértil.
São necessários 15 anos até Freud perceber que Dora não estava apaixonada pelo senhor cá, que pode ser melhor descrito muito simplesmente como um assediador.
O amor de Dora se voltava, na verdade, para a senhora cá, e não para seu marido.
Não surpreende um homem acreditar que o mundo gira em torno da figura masculina.
Apesar de não ser aceitável, é compreensível.
Os fragmentos de Dora causam angústia em Freud.
Despertam nele o desejo de saber de colocar cada coisa em seu lugar, mesmo que tenha que preencher as lacunas do seu conhecimento com seus preconceitos.
Ainda assim, todo o saber que Freud tem a oferecer ainda é insuficiente a mulher olhada pelas lentes masculinas.
Continua sendo um mistério insondável, algo que Freud concluiu logo no começo de sua obra, afinal, a sexualidade é por necessidade confusa e desordenada, não há lei que a submeta.
Há sempre mais de uma resposta para a pergunta da esfinge e há sempre mais de uma interpretação para a resposta das pítias.
No final, a figura do feminino continua confundindo o olhar dominador masculino.
Caminhando pelas sombras de uma língua que almeja a clareza e se escondendo quando é assediada pelo exame dos olhos do opressor, as histéricas de Freud falam uma língua menor em devir, cujas palavras são polissêmicas e os modos de vida incompreensíveis.
Não apenas seus sintomas, mas toda a sua existência.
Questiona este saber iluminador e afirma uma maneira de viver distante da essência falocêntrica.
Tão distante que mal podem ser compreendidas Por Ela.
Ora, e não é esta a função de uma boa análise, colocar em questão um saber que tornou se opressivo e inquestionável?
O psicanalista faz perguntas estranhas os a termos que conduzem a vários caminhos diferentes.
Ele abdica de um furor sanande da medicina para caminhar pelas galerias de um inconsciente vivo.
Seu objetivo é colocar em questão as crenças mais fundamentais do analisando.
É aí que a figura feminina dá amostras, ao mesmo tempo da opressão que sofre e de sua persistência em encontrar novos caminhos.
Isso nos ensina algo muito interessante, que pode inspirar o trabalho do analista a fazer o oposto de Freud.
Em vez de fechar uma interpretação em caminhos estreitos, é necessário encontrar saídas aos corajosos.
Há muito que desaprender, porque talvez diferente de édipo, o melhor seja errar a resposta, abandonar os caminhos delimitados, se perder, explorar e até, quem sabe, ter a honra de ser devorado.
Pelo seu não saber?
Pessoa 1
É isso aí, então, um texto que parte de uma série de erros muito longa.
Chamada verdade, né?
Que dá no que parece verdade não deixa de ser uma série de longos erros, como diria foucault e.
A gente vai vendo o desembocar deles, né?
A construção do olhar, do do da mulher pelos homens, né?
E o desembocar disso na psicanálise.
Pessoa 3
Total.
Pessoa 1
E aí vamos começar, talvez trazendo o centro dessa argumentação, qual é o ponto mais fundamental que você queria trazer nesse texto e que talvez valha repetir pra gente começar essa conversa?
Pessoa 3
Boa tem.
Tem 2 coisas.
Você falou do erro, né?
É, é.
A gente até estava comentando antes de começar a gravar.
Tem erros que são interessantes e erros que são desinteressantes.
Então talvez seja seja a questão de de conseguir delimitar que erros são interessantes e que erros não.
Não queremos que coisas que não queremos errar mesmo que que é perigoso e ruim.
Mas.
Mas a ideia principal do texto quando quando me veio, né?
É, é foi para o lado da da da psicanálise que vai ser muito interessante poder conversar disso.
Mas AA primeira ideia era era mais geral, que vem bastante da Beauvoir.
Que é o segundo sexo, é um sexo que é definido como o outro, que é definido como o segundo.
E aí quando você define o segundo, já tendo definido um primeiro, meio que a definição pelo negativo, vira uma caixa que você vai jogando tudo que não coube.
Sabe aquela gaveta que você vai, joga um parafuso, joga um Monte de coisa que você não sabe de onde veio?
Por quê?
Porque você já montou a estante que você tinha que montar, mas de repente sobrou algumas coisas que elas são descartadas.
A essa definição pelo negativa é uma definição que que ela tem muito.
Ela é muito problemática no que a gente está conversando aqui sobre sobre a questão da feminilidade, porque tudo aquilo que não se encaixa nesse modelo racional que a gente está definindo como masculino, vai sendo jogado por um outro lugar.
E se é uma visão estrutural, onde cada um vai ficar com certos adjetivos e hierárquica, significa que em vários momentos a mulher vai ser jogada num lugar de inferioridade.
E em vários momentos ela vai ser vista como esse, com esse olhar do mistério, eu tenho a luz, eu sou um homem, eu sou o descobridor.
Eu penso, a mulher fica nesse lugar do segundo, esse lugar do misterioso, esse lugar do problemático.
Então.
AA, minha primeira ideia do texto é, a definição pelo negativo gera muitos problemas quando a gente vem falar sobre sobre esse assunto.
Essa era AA primeira tese, aí desembocou na psicanálise, porque.
Os seminários de formação vão falar sobre o assunto do do dos casos clínicos e é uma das críticas do do danangoatarrivico segue esse caminho aí eu peguei AAO bonde junto com eles pra embarquei junto com eles, massa.
Pessoa 2
Uhum é, eu fiquei pensando nesses arquétipos, né?
Que é feminino e masculino, que eu sinto que tem um procedimento machista em cima do outro, né?
O primeiro, hã.
O primeiro é o procedimento da categorização dessa.
Desse desse binário que define o masculino numa certa positividade e o feminino na negatividade, e daí, então, o primeiro machismo é essencializar traços e atribuir essas essências a cada um dos sexos, né?
Pessoa 3
E traços opositivos na maioria das vezes.
Pessoa 2
Né, opositivos?
Eu fui.
Eu fui anotando enquanto você lia.
As oposições que aparecem, então, aparece uma oposição apressado, lento, objetivo, subjetivo.
Resposta, pergunta, né?
Responder, devorar.
Pessoa 3
Aham.
Pessoa 2
Fixar, devir.
Pessoa 3
Né?
Pessoa 2
Aham, então, nessa primeira coluna da luz da racionalidade, do do objetivo masculino, e a segunda coluna do mistério, da intuição, do do subjetivo, da pergunta do devir.
É feminino, então é isso.
Primeiro, o machismo é é quando a gente é diz que as mulheres não são racionais, né?
Ou ou e daí tem 111.
Segundo procedimento, eu acho machista que acontece que é pegar esses traços, que são traços que não necessariamente teriam um juízo de valor e que são traços humanos em todos os humanos.
Pessoa 3
E não necessariamente o positivos.
Pessoa 2
Não é e atribuir 11 hierarquia.
Então, não só homens são racionais e mulheres são intuitivas, como a racionalidade é melhor do que do que a intuição.
E eu acho que o texto, ele ele se propõe a fazer essas 2, criticar essas 2 coisas, né?
Então tem a crítica dessa construção, dessa dessas essências.
E também acho que até mais tem um certo elogio a esses traços que historicamente são inferiorizados depois de associados à feminilidade.
Então você também pode fazer um elogio ao intuitivo, ao misterioso, ao devir.
E daí?
Eu acho que existe um risco que eu observo muito em alguns espaços progressistas assim que é fazer só essa segunda parte, fazer esse elogio.
E não criticar o essencialismo.
Então essas paradas meio sagrado feminino.
Então é tipo, AI, se conecte.
O que que é o feminino que a gente tem que AI a gente aprendeu Oo machismo é terrível, porque ele ele ensina a gente que a nossa feminilidade, que é essa intuição misteriosa irracional, é ruim.
E a gente tem que se conectar com essa feminilidade e com a potência disso.
Eu acho que é importante todos os seres humanos se conectarem com as emoções.
EEE quebrar essa dicotomia racional, emocional, que é terrível e tal.
Legal essa crítica, mas eu acho muito grave quando essa crítica vem desacompanhada da crítica, da dessa essencialização dessas categorias.
Tipo, não, eu não sou menos racional que um homem, né?
Eu não sou não.
É só eu eu ser capaz de valorizar a minha intuição.
Mas eu também é tipo, cara, não é mais nacional do que, né?
Então acho acho bom que que que no texto aparece essas 2 coisas, porque muito frequentemente eu vejo só AA segunda crítica, né?
AI, gente, por que que o feminino é pior?
É tipo gente, feminino não é uma parada de verdade, sabe?
Essencial EE uhum é, enfim, é categórica dessa forma, tipo traços humanos, a gente pode.
Valorizar esses traços é mas, né?
Acho que sempre importante lembrar que é essas diferenças.
Já é inventada.
Não só a inferioridade de um sobre o outro é inventada, mas AA própria categoria é mentira.
Pessoa 1
Total.
Gabi fez uma ótima síntese, já trouxe um exemplo de casa assim, já trouxe um exemplo muito bom.
Acho que uhum vale a pena ouvir.
Se eu pudesse voltar a ter o controlezinho para voltar um pouco Na Na vida real aqui, eu voltaria para ouvir de novo.
Pessoa 3
Vocês podem fazer isso?
É.
Mas sabe qual é uma pena que os ouvintes vão perder a Gabi gesticula de um jeito que faz muito mais vendendo EE que os.
Infelizmente, quem está ouvindo o podcast não vai ver.
Pessoa 1
Isso não tem mais vídeo, infelizmente, a beleza se perde.
Pessoa 3
No mesmo é.
De algo?
Pessoa 1
É algo escapa, mas muito boa síntese, muito boa síntese.
E aí eu acho que, pensando o começo do texto, tem já a figura da esfinge como colocando um desafio que é respondido por um homem com uma resposta muito é rápida, simples e direta.
E aí você faz uma provocação que é muito boa, que é sobre a ideia da gente não se procurar, né?
Eu acho que tem.
Uma tendência de pensar o masculino como definidor.
O masculino é aquele que define as coisas, não aquele que hesita uhum.
Por isso que muitas vezes a dúvida ela é meio atribuída às mulheres, Ah, eu estou em dúvida, eu estou em conflito, eu estou em conflito e tal.
EE, isso é ridículo, né?
Pra começar, tipo, é, é, é muito, é.
É muito triste que a gente pense a masculinidade como dureza e como certeza.
EEE atribua a dúvida a feminilidade, porque isso isso aí já já estipula diversos problemas que eu acho que a gente enfrenta no próprio autoquestionamento do que é o homem sabe total do que a própria capacidade de colocar se em questão.
E a gente está falando disso como não como um traço feminino.
A gente está falando disso como uma virtude.
A capacidade de se procurar, a capacidade de se colocar perguntas em vez de dar respostas.
E aí eu acho que já é uma boa, uma boa coisa que você levanta no mito de nesse mito de édipo pra se pensar é né, quantas respostas são possíveis pra uma né, pra uma só pergunta e parece que que o homem é essa figura que não se permite dar 23, não é?
Nos permite encontrar vários caminhos pra uma pra uma pergunta, ele é aquele que recebe como tudo, tudo como.
Uma tarefa de é execução sim ou de acertar, de acertar acertar tem uma.
Pessoa 2
Pergunta eu tenho que responder, certo?
Pessoa 1
Exato.
Pessoa 3
E só tem uma resposta correta, uhum e é uma brisa, porque quando você vai crescendo, vai ficando meio óbvio que não tem muitas respostas corretas.
Assim, tudo dá para ser feito de mais de uma maneira só que parece que a gente tem um horror a ideia de que o mundo é mais múltiplo do que a gente imagina.
Então eu, eu, eu acho que esse também é um dos fios condutores do texto que é.
A gente não tá nem falando exatamente da ideia de feminino e de masculino.
E aí você você começou fazendo essa síntese No No.
No texto Gabi EE eu lembrei da da de de como a gente é azarado, no sentido de que a nossa, a nossa reprodução é sexuada, né?
Juntando 2 gametas e a gente tem uma lua e um sol no céu girando com 12 horas.
Então é tipo essas dualidades.
Elas conduziram muito o nosso imaginário.
E aí eu?
Pessoa 2
Acho que brisa tá lá.
Eu não lembro essas dualidades tem algumas dualidades materiais que levaram a várias.
Pessoa 3
Outras isso, exatamente isso tem dualidades que são que são dadas que num planeta que tem 3 sexos para se reproduzir, não sei qual, mas deve existir, não, não deve ser assim que se faz uma mitologia e um planeta que tem 3 luas já cagou o negócio, sabe, já que tem 2 sós e 5 luas, como é que você faz?
Não sei, mas tem alguma.
Eu não vou conseguir fazer um traço imaginário em.
O Sol é masculino e a Lua é feminina.
Ela vem à noite, quando não tem como fazer.
Será?
Pessoa 2
Que isso?
E repete muito, eu não.
Pessoa 3
Sei mitologicamente muito do.
Pessoa 2
Sol, ser homem e da.
Pessoa 3
Muito frequentemente mulher tem exceções Na Na Na mitologia japonesa, o Sol é feminino, não isso. o Sol é feminino e a Lua é masculino.
Mas é uma das exceções que quando eu estava estudando mais mitologia, eu eu encontrei.
Mas é mais comum Oo sol ser masculino e ativo.
E aí de novo, né?
De novo essa ideia, né?
O homem é ativo, a mulher é feminina, a mulher recebe a potência masculina para engravidar essa, né?
Você vê que que o imaginário ele vai se construindo em torno disso.
E aí eu comecei a falar e perdi, o que que eu IA dizer?
O que?
Pessoa 1
Que eu IA dizer não tem problema?
Pessoa 3
O fio condutor.
Pessoa 1
A gente descobre umas coisas quando se perde, na verdade, é assim mesmo que funciona.
Pessoa 3
O fio condutor do texto.
Pessoa 2
Que o azar, o fio da binaridade.
Pessoa 3
É que a.
Apesar da binaridade EEO, fio condutor do texto é tentar mostrar que OA gente poderia ter conduzido o nosso imaginário de uma maneira muito mais múltipla, que não reduzisse a uma dualidade.
Que você tivesse que estruturalmente colocar cada coisa em cada lugar, porque parece que tem um quadro.
Eu, eu, eu fiquei pensando até no texto anterior que a gente falou de linguagem.
Parece que tem um quadro que tem, né?
Só sempre 2 palavras e você tem que colocar no azul.
Homem ativo é, sai para.
Caçar no, no, no.
Rosa.
Mulher é passiva, colhe frutinha na aldeia com o nenê nas costas.
Por que que a gente?
Por que que a gente precisa criar uma estrutura onde a gente coloque cada coisa em seu lugar, sendo que é muito, muito mais bagunçado do que isso?
EEAE aí a palavra bagunçado usado no seu terno.
Bom que né?
Que seja mais bagunçado do que isso.
Pessoa 1
Sabe o que me faz pensar logo de cara, tipo, é o problema da epistemologia binária, né, da do organizar AA experiência em dualismos.
A experiência é tão complexa e a razão é um esforço, a gente tem que sempre lembrar disso, né?
A razão não é uma iluminação de uma ideia que vem pronta e de repente somos gênios, ela é um esforço, a razão, né?
OA racionalidade é um esforço da gente tentando organizar uma.
Um caos.
E eu acho que a experiência dela é tão complexa.
É uma hipótese, né?
Ela, ela ela é tão absolutamente complexa que a gente usa um procedimento muito simples.
E esse procedimento muito simples dá conta de algumas coisas, por exemplo, calor e frio, inverno é verão e inverno, ainda que a situação tem 4, precisaremos.
Pessoa 3
Pensar e ainda tem os fatores tipo umidade.
Pessoa 1
Né?
Mas é tipo, está calor, está frio.
Isso é importante para a gente se organizar.
Mas sim, quando a gente entra no campo da linguagem e da subjetividade, né?
E por isso tem relação com o que a gente estava falando no programa anterior.
Quando a gente entra num campo de de comportamentos extremamente complexos, por exemplo, a Constituição de gênero ou de sexualidade ou o que é que seja, isso não vai funcionar.
Esse, esse, esse arquétipo de pensar, essa estrutura muito básica de organização dos fenômenos, vai até a página 20.
Ela não passa muito mais é disso, né?
A gente poderia até entrar aqui na questão da da da insistência em biologizante para das pessoas que insistem Na Na biologia para justificar gênero total, que é uma.
É ridículo, né?
EEE que que eu acho que é de novo insistir num mecanismo muito idiota, que é tipo uma identificação aproximativa, muito rasa e cega as diferenças.
Para atribuir características universais que que redistribuem sabe que organizam em 2 gêneros diferentes, né?
Em uma dualidade, é.
É toda a experiência, os comportamentos humanos, sabe?
É.
Pessoa 2
Eu acho que aparece também muito nesses binarismos de feminilidade e masculinidade, claro, uma questão de poder, né?
Então, 111 binário que apareceu muito.
Pessoa 3
Importante é.
Pessoa 2
É uma questão de poder, assim de 11 binário que apareceu várias vezes.
É meio do controlável e o.
Incontrolável.
E daí porque, né?
Se você é parte de um grupo que está é controlando o outro grupo, é claro que é vai acontecer de você definir o grupo que você quer controlar e que evidentemente não quer ser controlável.
Exato, porque opressão aham é como incontrolável, né?
E daí isso aparece em várias, é estruturas de opressão, né?
Quando você vai é então essa.
Oposição entre é homem e mulher, então a mulher é o descontrolado nas oposições de raça.
Ela é louca, né?
Coisas assim.
O indígena, pessoa negra, tipo, sempre tem esse par de AI, incontrolado selvagem, né?
Então.
Pessoa 1
Todos os o.
Pessoa 2
Hétero, gay, tipo sempre o grupo que está é sendo oprimido, vai ser.
Classificado como é nossa de de difícil controle, porque pessoas são de difícil controle, mas quem está controlando não está se colocando nessa lente de de difícil de controlar.
Pessoa 3
Né?
É, é, é.
E aí, e aí para provar que eu não só falo mal da psicanálise e eu falo mal com muito respeito.
EE, isso foi uma grande genialidade do do do Freud, que é quando quando eles.
Se se prestou a sentar e ouvir um sintoma que parecia um sabonete na mão dos médicos, ninguém conseguia pegar eles.
Ah, porque AE aí recaia num num estatuto moral.
Então, a histérica, ela tem sintomas, mas nenhum médico consegue resolver os sintomas dela.
Por quê?
Porque você resolve o sintoma em um lugar.
Ele broca em.
Pessoa 1
Outra.
Pessoa 3
E aí ele reaparece em outro lugar e ele reaparece de uma outra maneira, ele aparece mais fraco e um pouquinho, é quase um deboche sintoma, histérica, quase um deboche, sim, do conhecimento, mas não, ele não.
E aí, e aí na medicina, isso recai numa questão moral, Ah, elas estão enganando, elas têm que estar enganando é, né?
É, é, é louca essa palavra você usar, você usar isso é, é, é puramente moral.
Pessoa 2
Para o sofrimento, né?
E que é?
Pessoa 3
Para o sofrimento.
Pessoa 2
Acontece muito de é.
Ah, você tá, você quer atenção?
Pessoa 3
Exato, exato.
E aí eu acho que que que a genialidade foi a de sentar e ouvir e perceber que a produção desse sintoma ele vinha de algo que era maior do que aquilo, que se encaixava numa sociedade, que tentava colocar a mulher numa determinada posição.
E aí, e aí, se você para pra ouvir os casos histéricos do, do, do Freud, logo No No no começo, os casos AAA Ana, ó EEO, caso Elizabeth e outros, você vê que são sempre mulheres que não cabem no que estava sendo delimitado.
Pra é o caso, Dora, que que que a gente vai falar um pouco hoje?
São mulheres que não se encaixam nessa posição de AI.
Que bonitinha essa menininha ela vai crescer, logo ela vai casar, logo ela vai ter filho.
A maioria desses casos, a mulher, ela já era meio rebelde, ela já estava estudando, ela já estava tendo sonho, ela já estava querendo fazer alguma coisa e vem toda uma sedutora social que esmaga.
Pessoa 2
Ela, Ah, ela é meio masculina, né?
Nesse e.
Pessoa 3
Nesse esses termos, às vezes, Ah, ela fuma charuto?
Ela, exato coisa assim, exato charuto, ler livros feministas igual é isso?
Pessoa 2
E o e o pai dela?
Ele está, né?
Igual?
Pessoa 3
EE aí é claro que essa força, essa impetuosidade que está tentando se manifestar é tipo um vazamento, né?
Você fecha num lugar, vai ficar.
Pessoa 2
Vai entrar pro?
Pessoa 3
Outro vai sair?
Pessoa 2
Aparece, por exemplo, essa coisa do charuto.
É tipo, Ah, ela fuma charuto como eu e como o pai dela, então ela está emulando os homens.
Mas nós não estamos emulando uns aos.
Pessoa 1
Outros tipo por que que o?
Pessoa 2
Senhor cá não está imitando o Freud ou o pai dele, né?
Tipo, é um comportamento que homens fazem e eles estão se imitando, evidentemente.
E daí?
Quando uma mulher imita algo que é de um campo fora do dela, na verdade ela está sendo mais original do que eles, né?
Mas ela que fica no ônus da da emulação.
Pessoa 3
É porque ela, se ela quer sair de um, de um lugar de repressão, ela automaticamente vai ser vista como um homem, se ela não quer ser a oprimida.
A única coisa que eu consigo imaginar sem do homem, se ela não quer ser reprimida, ela quer, ela quer oprimir, então ela quer ser um homem.
Então, e aí eu acho que de novo a gente recaindo nesses olhares muito estruturais.
Que perde uma sutileza absurda daquilo que que está acontecendo, né?
Pessoa 1
Com certeza.
E aí eu acho que a gente cai nesse campo contraditório que existe em praticamente qualquer campo, de saber que é às vezes o de paralisar o objeto para tentar compreender.
E isso é problemático, por exemplo, quando a gente quando a gente tem um físico querendo entender o que é o tempo de maneira apenas cronológica, uhum, certo?
Ele entende alguma coisa dentro de um pressuposto anterior muito limitante.
Aham aqui, mas a gente não fala mal dele por fazer isso.
A gente só fala poxa, tempo, não é só isso.
Aqui a gente tem 11 processo semelhante, que é alguém perguntando o que querem as mulheres?
Quando foi que alguém?
Pessoa 3
Quando foi que alguém?
Pessoa 1
Perguntou isso na Alemanha vitoriana.
Que perguntou, né?
Tipo, perguntou sobre isso.
Então eu acho que escutar as mulheres e registrar isso, a gente não tem como tirar esse lugar do Freud assim ou.
Pessoa 3
Eu não dá para tirar, não tem como eu.
Pessoa 1
Tenho que fazer Oo contrapeso aqui.
Porque, tipo, não tem como tirar esse isso como uma virtude da psicanálise e escutar nesse lugar, no lugar do do desejo.
Pessoa 3
É, né, é isso?
Pessoa 1
Mesmo.
Então, o que querem as mulheres?
É uma pergunta que talvez É Ela não é, ela não é banal.
EE que talvez a gente não, não, não, não possa tratar dessa maneira.
Agora é agora.
Eu acho que o problema vem quando a gente só consegue entender isso dentro de uma estrutura que é absolutamente falocêntrica, como você colocou.
E a gente né não ter.
AO Freud, acho que por muito tempo não ter essa capacidade e atribuir talvez um peso demais a hipóteses que são, obviamente é centralizadas na experiência masculina.
Mas mas também é aquela coisa de tipo, eu já vou adiantar 2 questões, que não é passando pano, mas que eu acho meio preguiçoso também quando a gente fica só culpabilizando o autor.
Eu acho que a primeira delas é aquela coisa, é um homem de seu tempo, né?
A segunda coisa é que a gente atribui muito poder a ele.
A gente acha que o Freud era o Maurício também, sabe que ele criou isso?
Não, ele foi lido por um Monte de homem e por um Monte de mulher também.
Ele foi lido e a figura dele foi trabalhado de forma que o Freud hoje não é o autor mais.
O autor está disperso em um Monte de livro e em cada livro ele estava também mudando de ideia, ele estava meio perdido, ele não sabe, ele estava lendo cada hora uma coisa diferente, uhum, então assim, eu acho que.
Tem 111 perigo nosso de cair num ressentimento em relação ao autor e acabar, tipo, sabe ficar batendo num num, sabe num, numa caricatura, eu, eu acho.
E aí eu acho que que só eu acho que aqui tá, tá o meu ponto de tipo.
Eu é, vamos, vamos criticar tendo esse, levando isso em consideração, virtudes.
E também que essas críticas na verdade são a um pensamento e não a um autor, sabe?
Pessoa 3
Eu concordo plenamente, eu acho.
Acho muito válido o que você tá dizendo.
E eu acho que a gente consegue ser ainda mais específico para evitar que a crítica seja caricatural.
Eu tenho eu, eu tenho tomado um cuidado.
Eu, eu, eu brinquei no o projeto anterior era o tornar se psicanalista que eu que eu que que a frase que mais me me centrava No No projeto era, eu estou prestando contas do que eu gosto e do que eu não gosto, da psicanálise.
Só que eu eu estava meio cansado de falar de um jeito meio aberto.
Né?
Ah, Freud acertou e errou, com certeza Freud acertou e errou, mas agora eu tô meio obsessivo, do tipo, mas o que que ele acertou e errou, sabe?
E aí um dos jeitos que eu acho que tem da gente responder tem vários jeitos de responder, porque a obra freudiana é bem viva mesmo, é um dos jeitos de responder, é, existe uma passagem, tá, tá, tá.
Até no texto o caso Dora é é marcante nesse sentido.
Existe uma passagem que é quando Freud vai abandonando a questão dessa AAO perverso, polimorfo aquela ideia da sexualidade como algo bem aberto, que eu adoro essa ideia OA sexualidade como algo muito aberto.
Ela é a libido se movendo em diversos sentidos diferentes?
É.
Pessoa 2
Muito bom essa coisa, imagina você tipo no século?
Pessoa 1
E falando de criança?
Pessoa 2
No comecinho do século 20, cola o cara e fala assim, o bebê.
Pessoa 3
Mulheres de.
Pessoa 2
Criança poliforme.
Pessoa 3
Nossa, é de cair da cadeira, tá ligado?
É de cair da cadeira.
Pessoa 2
Lacrou.
Pessoa 3
E aí eu acho esse começo.
E aí eu eu eu falo eu porque sou eu mesmo.
Mas mas tem um livrinho chamado psicanálise, sem édipo.
Que que que eu concordo muito com com o que eles escrevem?
Que que é essa tese que eu estou dizendo, que é o começo da psicanálise?
Tem uma sexualidade muito, muito viva e muito aberta.
E essa sexualidade, o Freud ainda tem certos preconceitos quando ele vai fazer interpretações No No do do caso da histeria, tipo a mulher.
Né?
Se curou e casou várias vezes.
Termina assim o caso e você fica tipo, calma lá, cara, mas mas, mas a mulher é sexual, a mulher tá querendo viver, a mulher tá querendo expressar alguma coisa.
A mulher tem voz, ela ela está sendo ouvida.
Tudo isso é muito potente. oOoOO que o que esses autores vão dizer é, tem um endurecimento desse momento inicial, onde essa libido fluía de uma maneira mais solta, que começa a se perder em um determinado roteiro de como essa libido flui.
Que vira o roteiro do complexo de édipo, conforme a psicanálise vai.
E aí eles dizem, e eu?
Eu concordo, é em ainda de um jeito meio geral, mas eu concordo.
A psicanálise vai endurecendo o Freud do final.
Ele está mais enrijecido do que o Freud do do do começo.
Sim, o Deus fala de um jeito legal, que é o Freud explorador, o Freud que eles salvam Colombo.
Vira um Freud mafioso, que começa a eliminar quem não concorda com ele para manter a teoria dele coesa.
E a psicanálise é maior que Freud porque tem Jung, porque tem Reich porque tem, né?
Os discípulos dele que discordam dele, EE não foram expulsos do do da psicanálise porque tem diversos continuadores geniais, né?
Tem o lacan, tem o winnicott.
Então, então a psicanálise é maior do que do que esse autor e ela é muito viva mesmo, isso é verdade.
Pessoa 2
É EE acho que Oo final do texto, ele tem um elogio ao erro.
Que cabe muito a esse primeiro Freud, né?
Cabe então, tipo mesmo o caso Dora, ele, ela desistiu do, do, do da.
Ela saiu da análise.
Ele podia não ter publicado, né?
Ele podia não ter.
Pessoa 3
E isso é uma coragem.
Pessoa 2
Né?
É ter selecionado.
Ah, porra, ela, ela, ela não quis mais, né?
Então ele, ele.
Pessoa 3
Publica que errou, que errou, sabe então, 15 anos depois?
Pessoa 2
Então não é só Ah, eu vou escutar essas mulheres e eu vou.
É admitir que eu escutei errado, né?
Que eu que eu conduzi, mas ao mesmo tempo, lendo o caso, Dora, acho que.
Pessoa 1
Vamos entrar nela e querem fazer uma exposição, tá bom?
Pessoa 2
Vamos.
Pessoa 1
Expor do que é esse caso?
Pessoa 3
AAAAAA paciente Dora, ela tinha sintomas leves?
É então ela não eram aqueles casos de histeria mais mais teatrais.
Ela tinha sintomas leves.
E aí, OOOO, Freud analisa 2 sonhos da Dora e ela começa e ele começa a interpretar.
Eu não vou lembrar exatamente alguns detalhes, tá?
O sonho, por exemplo, mas ele ele ele começa a interpretar que os sintomas aconteciam porque existia 111 demanda sexual reprimida da Dora em relação ao senhor k?
Então, ela queria ficar com ele, mas ao mesmo tempo ela não queria ficar com ele.
E é nesse conflito que os sintomas começavam AAA aparecer.
Só que o Freud vai contando a história de um jeito que a resistência.
Pessoa 1
O senhor cá é amigo do pai?
Pessoa 2
É o senhor?
Pessoa 3
É cá, é amigo do pai.
Pessoa 2
Exatamente.
É assim?
É, é assim?
Olha, é, é casos de família.
Babado.
É tipo.
Pessoa 3
Assim é muito assim o.
Pessoa 2
Jeito que ele escreve.
Pessoa 1
É muito bom.
Pessoa 2
É, tem um casal que é o senhor e a senhora k?
E daí tem o pai e a mãe da Dora é, e a Dora tem um irmão também.
Aí o senhor k tem um caso com é não, não é isso?
OOO, pai da Dora, é isso.
O pai da Dora tem um caso com a senhora.
Pessoa 3
K isso e o senhor KEO?
Pessoa 2
Senhor k fica fazendo investidas sexuais em relação a Dora, uhum a cena.
Maior assim de uma investida dele é quando ela tinha 14 anos.
Pessoa 1
É Hum.
Pessoa 2
Aí, e daí?
Tem essa coisa AI, anacronismos, tá bom, a gente aprendeu que isso é uma merda.
Pessoa 1
Aham.
Pessoa 2
Tipo, não só por pela diferença da idade, mas pela reação da Dora.
Tipo ele, ele é um tá bom.
Então tem esse velho que fica e fazendo essas abordagens sexuais para uma menina de 14 anos.
E ela tem nojo.
Ela não quer exatamente isso.
Ela ela pede para o pai cortar relações com o senhor k ela, ela tranca a porta, eles vão já juntos, ela fica trancando a porta.
Ela pede para voltar antes da viagem.
Ela, tipo, tem uma sequência de expressões da Dora dizendo, eu não gosto disso, eu não quero isso, eu não quero proximidade com esse cara e de uma revolta da Dora porque ela ela parece muito esperta mesmo, tipo, ela lê.
Essa situação de que ela ela percebe que o pai tem um caso com a com a mulher do amigo e ela percebe, né, ela?
Pessoa 3
Que ela ela consegue ter essa leitura estrutural do que está acontecendo, que ela é meio que deixada pelo pai e para o senhor.
Pessoa 2
É para como moeda de troca, tipo, eu estou comendo sua mulher, então você pode dar em cima da minha filha.
Uhum.
Então agora ela, se ela ela e ela expressa isso é de uma revolta de tipo, pô, é, eu estou nesse lugar, abid.
Certo?
Assim de de de ser moeda de troca para o meu pai poder transar com a vizinha, sabe?
EEE isso revolta ela.
E daí tem uma coisa que é muito tipo, dá muita revertério mesmo lendo que não é uma coisa do Freud, é uma coisa do machismo.
Você fica revoltado com.
Pessoa 1
O machismo, a banalidade.
Pessoa 2
Do da época e de agora, né?
Então, porque É Ela, ela faz esses protestos e isso é interpretado como é resistência do desejo dela, não tipo.
Então, evidentemente você deseja, deseja esse cara, porque é muito.
É forte demais esse afeto de raiva e revolta que você está para.
Pessoa 1
Não.
Pessoa 2
Ser é, na verdade, tesão, tipo, isso aparece 1000 vezes, e tesão.
Por esse cara, pelo seu pai e por mim.
EE daí tem um trecho também que eu acho que dá um block que é AO ele, o senhor k dá em cima dela, faz né, uma investida sexual, e aí ela quer ir embora, eles estão viajando e daí ela é tudo tipo, a descrição é a descrição de um de um assédio, né?
Porque ele ele faz assim vestido, daí ela fala para o pai, eu quero ir embora, eu não quero mais ficar aqui uhum e não diz por quê?
E daí mais tarde ela fala para mãe, não para o pai.
Que Ah, eu, eu quero ir embora, porque esse cara fez isso.
Ele, ele, ele, ele tentou ficar comigo.
Aí o senhor, o pai da da Dora, vai lá falar com o senhor, cá perguntar, Ah, você fez isso?
E daí o senhor canega e diz que, na verdade, ela deve ter fantasiado, porque ela está lendo esses romances eróticos.
É?
Então tem essa coisa de de tipo pegar.
Uma menina que é que tem uma expressão de sexualidade meio é atípica ou ou pelo menos subversiva pra pro que esperam dela.
E daí?
Ah, você não gosta de transar?
Então você queria transar com esse cara que tá te assediando?
Tipo, tem várias coisas que dão muito nervoso nesse caso, mas é isso, tipo, dá nervoso porque a gente.
Fica nervoso com o machismo, que é claro que vai estar nesse texto, né?
Não é uma coisa do Freud, mas eu entendo, tipo, uma certa agressividade que aparece no texto, que que acaba sendo colocada na imagem de Freud, que não precisava ser na imagem de Freud, mas que é revoltante, sabe?
Tipo, é.
É talvez menos revoltante que ele escreveu dessa forma, mas que as pessoas ainda leem sem críticas.
Pessoa 1
Mesmo, sabe, tipo?
Pessoa 2
É, e reproduzem a mesma lógica de isso de AI, essa mulher é muito sexual, então será que é assédio mesmo?
Você olha, mas você, nossa, ela tá sempre falando de de sexo e tal, e daí vai dizer que, Ah, histérica.
Tipo isso a gente vê hoje as pessoas atribuírem histeria AA uma mulher que é sexual, mas não comigo, né?
Pessoa 3
E é uma brisa, porque isso não invalida as teses da psicanálise.
Isso não invalida as teses da psicanálise, mas mostra uma limitação ainda muito grande Na Na capacidade de fazer uma leitura do que está acontecendo com aquela paciente que é uma mulher aham.
Então é, é, é, é esse ponto que que que que eu acho que que o caso do Dória é perfeito pro pro pra esse texto que é AAA mesmo que eu olhe pro pro feminino e me questione, nossa, mas o que querem as mulheres?
Eu estou abrindo?
Eu estou tentando entender.
Isso é legal.
Eu chego lá e eu vou olhar.
Ainda assim, eu estou limitado pelo meu tempo, pelos meus preconceitos, por um olhar ainda muito falocêntrico, onde quando eu começo a interpretar o sonho dela, o desejo dela, et cetera, eu deslizo muitas vezes num olhar que não dá conta de, de de entender o que está sendo colocado ali.
É revoltante.
Tem 2 cenas, uma bem no começo.
Que o senhor cá tenta beijar ela antes ainda da viagem, uhum na loja, quando estão os 2 sozinhos, 14 anos, é.
E aí ele, ele roça o pinto nela, sabe?
Umas coisas assim.
E aí, OOOO, Mano, mas a interpretação eu nem me lembro.
Pessoa 2
Direito ela sente nojo.
Ela descreve para o Freud, tipo, eu tenho isso é uma coisa muito.
Que que é delicado também, que é eu tem um motivo que a gente acaba localizando no Freud é porque ele é, está muito escancarado o poder que ele tem e o acesso que ele tem é então, tipo, essa menina confia nesse cara, sabe?
Tipo, ela vai contar só para o Freud que aconteceu essa cena em que ele, tipo, pressiona ele, ele chama ela para ir para a loja dele falando que a mulher vai estar lá, que a senhora cá, que ela ama, ela ama a senhora cá, então ela ela vai lá e.
E daí?
Ela chega lá e ele está sozinho, aham.
E daí?
Ele pressiona ela contra a parede e ela sente a ereção dele.
E ela sente nojo, Vasco?
Pessoa 3
Que vira o contrário na interpretação ela queria, ela já sabia que.
A esposa dele podia ter um, tinha como ela ter deduzido.
Pessoa 2
Que ela IA estar sozinha e Ela Foi mesmo assim.
Portanto, ela quer uhum EEE.
Ela sentiu o asco e isso é é.
Pessoa 1
Péssimo sintoma histórica e a gente é é o que eu estou dizendo.
A gente pode ficar batendo no homem, frota, mas a gente não está mais falando disso.
A gente já está falando de psicanálise, a gente já está falando de nossos nossos tempos de 100 anos lendo esse negócio.
E aí o problema realmente que a gente tem que estar falando está lendo, criticar o pensamento assim tá batendo no Freud, adianta de quê?
Tá?
Tá um homem machista que foi escroto.
Uma paciente está cheio desses aí agora, agora, fazendo isso totalmente.
Esse é o problema?
Sim.
E talvez justificados.
Pessoa 3
E talvez justificados.
Pessoa 1
Bater no Freud para gerar esse efeito.
Mas eu acho que a gente não chega nessa discussão.
Se a gente ficar só debruçado, pessoalizando, entende que o Deus quem sou eu?
Vou pôr minha mão para defender qualquer velho da literatura?
Não ponho nem pelo Nietzsche.
Não ponho nem pelo Nietzsche, não pelo Nietzsche.
Pessoa 3
É um dos menos.
Pessoa 1
Não ponho, não coloco aham, então não.
Mas assim, a gente tem que pensar, tipo que eu acho que AA grande questão aqui é, por que que a gente por que que as nossas leituras são tão enviesadas pelo gênero, mesmo quando a gente está se propondo a pensar de maneira clínica e complexa, né?
Clínica é uma bagunça clínica não é teoria, vai, não adianta.
Não tem teoria que vai dar conta de experiência clínica nenhuma, né?
Pessoa 2
É e o mais revoltante realmente não é?
Um cara no século 20 interpretou assim.
É essa repetição, né?
É o fato de quantas vezes hoje é.
Pessoa 1
Alguém passar esse texto em sala e não apontar para isso e não apontar.
Pessoa 2
Isso e não só isso, não é só o texto, é tipo, quantas vezes uma menina vai denunciar?
Um assédio EAE vai encontrar a resposta, Ah, mas você não sabia que ele estava sozinho?
É tipo, Ah, mas pois é, tipo, você sabe que ele gosta de você.
E você foi lá mesmo assim.
Aí você foi vestida.
Pessoa 3
Desse jeito e na clínica?
Isso acontece na clínica de abusos de homens com mulheres, na clínica uhum.
Então é, é, é, é.
Isso acontece todo dia e é um cuidado enorme.
AAAA se tomar.
E aí o que eu o que eu estou pensando é, realmente não vale a pena a gente ficar.
Batendo no Freud, acho que tem todos os defeitos que a gente aponta, mas não vale a pena a gente perder muito tempo nisso.
Então.
OOO que que vale a pena?
Vale a pena a gente tentar pensar uma, tentar olhar para uma teoria que é viva e que pode se transformar e que cabe a gente olhar quais são os pontos que podem se transformar ou não.
Então vale a pena toda vez que você ler o caso, Dora na clínica, você tem um olhar crítico.
Pra isso, pra dizer, tá vendo isso?
Não tem nada a ver com psicanálise.
Isso aqui é um cara sendo machista no seu tempo e tentando justificar isso com a teoria dele e tentando às vezes incorporar isso Na Na Na teoria de um jeito que a gente tem que olhar e dizer, psicanálise não pode ter isso não, isso aqui tem que tá, isso aqui tem que tá fora.
EE, esse olhar crítico é um olhar que e aí eu acho que a gente começa a voltar para o que a gente tava dizendo no começo, que é quando você faz uso de uma determinada epistemologia, você corre riscos.
Essa epistemologia, quando ela fica muito dualista, você corre riscos.
E aí acho que que o que a gente tava falando no podcast passado, e que vale a pena retomar aqui, é embaralhar um pouco esses lugares, né?
O que que é e é, vou dar exemplos, tosco, mas é só pra gente começar que é o que que é, o homem usa saia, o que que é a mulher usa calça, isso já confunde há 100 anos atrás, já confundiu tudo, tá ligado?
Então, quando você começa a embaralhar esses signos.
É a tentativa de encontrar alguma coisa mais interessante, que vem pro campo existencial, um campo ético e que tem um campo de uma epistemologia no qual você tá tentando entender o que que é o ser humano.
A gente sempre vai ter os os, os preconceitos, e a gente sempre tem que criticar eles, mas talvez pensar é propositivamente, como a gente pode?
É, é.
É evitar isso, né?
E aí que eu falei que tem os erros ruins.
O Freud sendo machista na clínica e dizendo, você está afim de mim?
Porque você eu sou a figura que mais se parece com o seu pai e ela larga terapia.
Isso é um erro ruim.
Não façamos isso.
Quando a gente vê alguém fazer isso, fala que está errado, quando, quando que o erro é bom, né?
E aí eu acho que que a brincadeira é quando essa epistemologia começa a se embaralhar um pouco, quando você começa a mergulhar nesse desconhecido tentando.
Experimentar alguma coisa nova tentando viver alguma coisa nova tentando.
E aí que eu acho que é a definição do negativo como como algo interessante que é ser homem é uma bosta.
A definição que a gente deu e as condutas que a gente tem para a masculinidade são ruins.
Aliás, de viver isso é ruim fazer.
Pessoa 1
De gênero?
Pessoa 3
Então, o quanto você consegue ir?
O quanto você consegue ir passando pelo lado disso, por baixo disso, questionando isso, dirimindo isso?
Isso, né?
Eu eu acho que aí o erro é é bom.
Pessoa 2
É, eu estou pensando nessa nessa autoridade de erro ruim.
Erro bom, porque, né?
Parte de permitir o erro é você é, né?
Para você errar, não dá para você tentar só errar, certo, né?
Mas talvez, mas talvez, mas talvez. 11.
Pessoa 3
Muito psicanalista diria isso de Freud?
Pessoa 2
Um bom jeito de de dividir, não sei, seria o erro.
Interessante é o erro de quem sabe que não sabe, né?
Talvez o problema maior do erro do erro, no caso, Dora, não não tenha sido nem o machismo no sentido de que ele era meio, sei lá, vai.
E é lógico que ele IA errar de formas machistas, é e pra tentar fazer as coisas tipo, você vai cair nesse tipo de erro também.
Mas OOO mais grave é em uma prática.
Que se propõe, né?
Desde o início, como você falou, uma abertura e 1 e 1 mergulho no desconhecido, ter certezas demais, né?
Então a adorei.
É, eu lembro que quando eu fiz a disciplina com o Safatle, em 2014, a gente leu muito o caso Dora é EEE.
Eu lembro muito dele falar que o problema.
Dessa interpretação de que a Dora era apaixonada pelo senhor k?
Não é que ela estava errada, mas que ela o jeito que Ela Foi apresentada Na Na clínica, era autoritário, tipo ele interrompia a.
Associação livre e é esse o problema.
Pode ser se ela estivesse mesmo apaixonada por ele.
EE em conflito, o ainda teria sido uma conduta clínica equivocado.
O jeito que isso era apresentado, com esse autoritarismo de tipo de de de de de sugerir demais, né?
Na clínica, esse é o ponto, é, então é, talvez é isso, né?
Tipo, o erro interessante é o erro humilde, é o erro, é o erro que que não está.
Cheio de certeza, né?
E daí?
Talvez o acerto cheio de certeza seja tão ruim também.
Pessoa 1
Quanto eu retornar para ligar com o começo do texto para não parecer que a gente está fazendo 2 discussões completamente diferentes, né?
Uhum, você fala sobre 11 retorno à função psicanalítica.
E aí quando você descreve a função psicanalítica, parece muito uma função oracular, né?
EEA, gente, estava falando no começo do texto da esfinge e das pistas, né?
Do oráculo de delfalo, de de delfos.
Desculpa, que são justamente maneiras de colocar questões.
Sem impelir nenhum tipo de resposta.
Pessoa 3
O problema é mais importante.
Pessoa 1
A ideia, quando a esfinge apresenta o enigma, parece que ela está esperando a resposta certa, mas na verdade ela só está colocando o enigma.
Tem muitos jeitos de responder quando uma Pete que né?
11 Pete é uma sacerdotisa que inala lá as cinzas do vulcão.
E fala alguma coisa para você.
É um oráculo e é uma função social, né?
O oráculo de elfos é uma coisa muito legal, porque é tipo, ela é, né?
Essa sacerdotisa, ela vai se comunicar com com o Deus ou Apolo, né, o Deus da medida.
Mas ela vai lá, inalar 111 enxofre, vai ficar muito doida e vai te falar alguma coisa.
E aí, pra retomar Sócrates ou pra retomar, né?
Outras outras figuras da da filosofia antiga.
É meio que eles tomam essa pergunta ou essa ou essa coisa como um desafio.
O que que eu entendo disso, né?
Essa coisa que me é dita não é uma verdade pronta, é uma hipótese.
Eu acho que quando a psicanálise assume esse lugar de de provocação, aonde ela quer deslocar, é alguma coisa que a pessoa tem certeza sobre si mesma, quer abrir pra se repensar, pra se recolocar em ela assume uma função oracular, ela põe tudo a perder.
Se ela.
Quem é?
Como você diz no texto, né?
E aqui?
Ecoando dules, guattari substitui uma descrição seguida de uma pergunta por uma prescrição, uma pergunta que já induz uma interpretação, uma interpretação fechada, perfeito.
E eu acho que por que que é um grande problema quando quando o paciente vai embora, porque parece que ele percebe que.
O analista, ele não está querendo, ele não está colocando uma pergunta, ele está sugerindo uma interpretação correta, ele está sugerindo EAE.
Às vezes, prestem atenção nos seus analistas.
Atenção é porque às vezes, se você tem essa suspeita, se você está, se você está na posição de analisando, se você tem a suspeita de que tem um tipo de pergunta que está sendo recorrente para aparecer, colocar uma hipótese muito chata, questiona, tipo, você está querendo dizer alguma coisa com isso?
Tipo, você coloca a sua, né?
Porque às vezes é é preciso enfrentar a figura do essa figura, porque se essa figura tiver certeza demais sobre o seu discurso, é, tem alguma coisa errada, tem alguma coisa.
Pessoa 3
Errada hashtag, questione seu terapeuta.
Pessoa 2
Porra.
Pessoa 1
Não diria só analista, diria terapeuta no geral, uhum.
Mas então, né, é quase uma quase.
Tô tô aqui quase fazendo um elogio da resistência.
Me desculpem, mas é porque a resistência, claro, ela é importante.
Ela tem função clínica, né?
Não é pra não é pro pro paciente ser um recetáculo feminino do saber masculino.
Pessoa 2
Do Ah, mas é nessa aula mesmo do sapato, ele sempre falava, a resistência é sempre falha do analista.
Pessoa 3
Exato, não é uma falha que é uma inversão que o lacan faz.
Pessoa 2
É, não é uma falha do do analisando resistir.
Pessoa 3
EEO analisando.
Pessoa 2
Você está tipo, você está interrompendo?
Pessoa 3
A sensação livre do.
Pessoa 2
Do cara, então, tipo, você que está errando como analista, independente se essa sugestão.
É verdade o que quer que isso seja, né?
Mas que que essa que essa interpretação tenha um Lastro ali na realidade.
Não importa se você está interrompendo a associação livre, você não está fazendo o seu trabalho, né?
Pessoa 3
E uma behaviorista falando isso, que é ainda mais Bela.
Eu?
Eu, eu concordo plenamente com com o que vocês estavam dizendo.
E eu acho que isso é algo essencial que aparece no fim do texto, que é eu, Rafael, não queria ter sido interpretar, fazer terapia com Freud.
E o Rafael não queria fazer.
Às vezes tem esse sonho, às vezes tem esse sonho psicanalítico, né?
Eu não queria, porque eu vejo um Freud fazendo interpretações muito fechadas.
Agora, quando você passa para psicanálise, lacaniana.
E ele traz a equivocidade da palavra.
Pessoa 1
Né?
Pessoa 3
Uhum essa essa brincadeira fica muito interessante, porque aí você vê o inconsciente se manifestando na equivocidade da palavra, no simbólico.
Simbólico é equívoco.
A palavra significa mais de uma coisa, dependendo de onde você coloca ela, sim, dependendo de uma vírgula, alguém morre ou vive, sabe?
É muito Sério, então.
É, é essa equivocidade da linguagem.
Ela é usada uhum na psicanálise lacaniana para abrir o discurso.
É verdade, porque quem chega na terapia com discurso muito fechado precisa passar por esse movimento de mas sei lá que é isso mesmo, é o que que acontece.
Por que que você usou essa palavra?
Por que que você apareceu?
Nossa, que interessante esse sonho, por que que você sonhou isso?
O que que é aquilo?
Mas isso você falou que era aquilo uma outra vez.
Que que tem a ver essa essa essa abertura?
É uma abertura que é extremamente interessante.
Pessoa 2
É daí para não abandonar completamente a minha identidade de beaverismo.
Eu diria que é, né, ó, o beaverismo que eu mais estudei, que foi das molduras relacionais, que é uma teoria da linguagem.
Vai apostar muito nisso, né?
De qual que é a intervenção do terapeuta em relação à linguagem?
Qual que é o objetivo?
A analítico é em relação ao discurso do, do do paciente, flexibilidade.
Não é a pessoa falar a coisa certa, ela ser mais flexível com né?
Chamo de flexibilidade psicológica, mas que é uma flexibilidade.
Muito é.
Voltada para a linguagem, né?
Pessoa 3
Tem muito a ver.
Pessoa 2
Tem muito a ver, é, é a ideia.
Pessoa 3
Desculpa, psicanalista, todos ouvindo, mas tem muito.
Pessoa 2
A ver, não, mas não é.
É legal.
É porque a gente está falando do mesmo fenômeno.
É claro que vai ter encontros, né?
É, é.
Então tem 111 traço comum, né, de quem estuda psicologia da linguagem, que é esse reconhecimento de que a as descrições é exatamente o que a gente estava falando no episódio passado, as descrições, a linguagem, ela.
É, engessa, ela restringe, ela faz recortes é que são mais é mais restritos do que a mobilidade da realidade.
Então, OOO, trabalho do analista, muitas vezes é esse de de flexibilizar essas relações, né?
Não é abandonar a linguagem, claro que não, porque não tem como, mas é.
Entender não é flexibilizar, flexibilizar a relação com isso.
Então, OOO nome que eu dou para as pra minha experiência e as regras que eu estabeleci para como eu funciono é serem mais mais, é mais, fluídas menos, menos, categóricas menos.
Essenciais, né?
Pessoa 1
Fazendo a basicamente isso, a gente não cai no problema de ser tão prescritivo, né?
É isso exatamente um resguardo muito simples que já resolve tanta coisa uhum.
Pessoa 3
É AAA, um jeito que o que o deleuze guattari brincam é que a gente chega muito estruturado pela sociedade e essa estruturação é uma estruturação neurótica, que gera OOO, sofrimento, então?
AAAA eles colocam que Oo trabalho de uma ex quizoanálise seria o de trazer essas equivocidades para esquizofrenizar o paciente.
É claro que né não.
Não pensando na esquizofrenia num nível, né?
É é psiquiátrico.
Mas pensar essa esquizofrenia no sentido de que a abertura que se faz por uma realidade, ela é muito mais.
Múltipla e social do que um discurso que chega já totalmente estruturado.
E aí olha que louco, a pessoa chega na terapia e aí ela fala assim, eu sofro, este é meu sofrimento, o que que você vai fazer?
Porque você é o terapeuta, o que que você vai fazer para pegar esse sofrimento e tirar ele?
Porque o sofrimento parece alguma coisa que caiu no meio do jogo e atrapalhou o jogo, né?
O sabe o.
O tá o jogo de futebol entre o cachorro e atrapalha tudo.
Todo mundo olha para o cachorro e fala, isso tá atrapalhando?
Tira ele daqui.
O sintoma ele não é o que tem que ser retirado o sintoma, ele é o fiozinho que tem que desfazer.
OOO contexto no qual esse sintoma é necessário aparecer.
Então, na verdade, OOO psicólogo, ele olha para o sintoma com muito carinho, se você for ver bem.
Né?
Se você está numa situação muito psiquiátrica e normalizadora, é claro que o sintoma vai ser a coisa a ser retirada.
E aí eu vou ser feliz, né?
Uhum não vai, não vai.
O sintoma ele é o.no.
Qual o problema?
Começa a girar.
Pessoa 2
É porque em birreveres a gente diria, o sintoma tem função, o sintoma tem função não existe.
Não existe comportamento disfuncional, né?
Todo o comportamento é funcional.
Todo o comportamento é funcional porque se ele não fosse funcional, ele não existia.
Os comportamentos existem porque eles tem função ou uma função que apareceu na história do indivíduo ou na história da da de um grupo, né?
Na cultura ou na história da espécie, né?
Mas ele sempre tem função, e daí você vai.
Mas às vezes essa função meio que caduca, ou então é, é, ele exerce uma função de um jeito muito mais inflexível do que poderia ser exercido, né?
Então, se.
É se eu preciso dizer algo e o jeito que eu digo é me machucando terrivelmente, né?
Então tem algo não dito, eu não consigo expressar meu sofrimento.
E daí eu me automotivo para expressar esse pô, será que não tem jeitos mais flexíveis que que menos associados a mais sofrimento, mesmo que você pode exercer essa mesma função e não dizer que a.
Esse é um comportamento que não serve para nada e que só faz sofrer se se não servisse, não existiria, né?
Pessoa 3
Você ouve o sintoma.
Quem foi o primeiro a fazer isso?
Freud é, foi o primeiro cara que falou aí de tentar eliminar isso tão rápido.
Fala um pouco mais uhum fale, OA nossa profissão é um fala um pouco mais sobre isso.
É o cara.
O primeiro cara que fez isso foi o Freud.
Todo o resto veio depois.
AA, não a psicologia, né?
Mas a clínica é esse corpo uhum nasceu com ele, essa essa parada de escutar as pessoas.
Nossa, que né?
Nossa, que impressionante.
Pessoa 1
Isso acho que teria daria pra gente fazer uma grande análise, muito anterior à história da psicologia, para encontrar essas essas várias e essas várias, esses vários locais, né?
De é.
É terapia, vínculo pela palavra.
Eu acho que não é isso aí.
Está muito longe de ser privilégio da psicologia.
Fico pensando de novo.
A gente falou do oráculo de delfos.
Pessoa 3
Sabe?
Ah, sim, sim, sim, sim, estamos.
Pessoa 1
Pensando tem muito, né?
Mas a gente tem é o surgimento no Freud aí de um lugar.
E que é isso específico, não tem como não.
Não olhar para isso é e também não apontar os problemas.
E eu pensando surgisse em outra cultura, IA ser tão problemático quanto.
Tem uma tem um problema de universalização, né, que a gente faz com tudo é, a gente falou de um grande problema paradigma e estrutura de racionalidade muito raso, que a gente faz com tudo que é binaridade.
Outro problema, universalização, a gente acha que estruturalismo, né?
A gente acha que uma coisa que é válida para nossa experiência é válida para experiência geral.
Isso pode funcionar para hard Science, mas ixi quando cai em outros, em outros lugares, às vezes pode ser de.
Pode ser Exagerado?
É.
Pessoa 2
É, não.
E tenebroso é.
Pessoa 1
Ué, uhum?
Pessoa 3
E não é que behavioristas não tenham cometido erros.
E eu ainda uso a dupla negativa que é para confundir o ouvinte.
O behaviorismo cometeu erros pra caralho.
Não.
Não posso me eximir disso, né?
Claro que sim.
Pessoa 1
Que, aliás, é uma das maiores resistências em geral da galera que não gosta de behaviorismo, que é tipo, Ah, vocês acham que rato é gente?
É rato?
Rato é gente.
É tipo.
Universalização, né?
Universalização e tipo AI sempre, sempre essa mesma coisa. eSIM, erramos muito, né?
Erraram.
Se o erro inclui e vocês a é, usei o erramos, mas é porque eu não sei se como eu posso transitar.
Amizade é tão bonita.
Pessoa 2
Essa coisa do rato pra mim eu sempre depende do dia, tem dias que eu acordo e a minha resposta a esse tipo de de impressão sobre o é é não, né?
Porque.
Claro que não, né?
Oo ser humano é um animal muito específico, que tem essa questão da linguagem que é muito transformador.
EEO rigorismo tem vários recursos para pensar o fenômeno humano da linguagem e tal, né?
E tem dias que eu acordo com mais vontade de responder, você sabia que você é bicho?
Tipo, ninguém te contou tão ruim, sabe?
Tipo, tem algo de sim, tem é coisas que as experiências dos animais não humanos, né?
Tipo, você observar os animais não humanos diz muito sobre.
Nós, porque nós somos bichos, né?
E, enfim, né?
Não tem muito a ver com o resto do que a gente estava falando, mas é, mas.
Pessoa 3
É mais vale?
Pessoa 2
Tem um incômodo é que, em geral, em relação a ao ao a ao a observação de animais não humanos no behaviorismo que eu acho que às vezes.
Tem a ver com uma ignorância dos recursos para falar do que é especificamente humano no biberismo e às vezes tem a ver com o incômodo em ser bicho.
Pessoa 3
Olha que louco.
Olha que louco.
Onde essa essa flexão acontece?
No nosso caso, quando você estuda o comportamento isolando variáveis, né?
Você começa numa caixa de skinner e abre para os animais.
São todos.
É influenciados pela consequência das suas respostas, blá blá, blá, blá blá.
Você começa a criar 11 teoria sobre o assunto, que a partir do momento que a gente pegou essa teoria e jogou no ser humano, a gente começou a fazer usos absolutamente teleológicos e moralistas do que a gente queria que o ser humanos fizessem aham.
Quando a gente aplica essa, essa, essa teoria, porque o começo da aplicação do do do behaverismo é vergonhoso, é vergonhoso.
Por quê?
Porque você sai EE aí a mágica de novo, a mágica de um estudo extremamente é, é é cativante, né?
Do do, do, do, do Freud lá olhando pra pra para as histéricas.
Já tem AA clínica lá, né?
Mas é, é, é, é o que eles só vão Colombo explorando, né, Oo deleuze, guattari sempre usam essa imagem.
Uma abertura enorme.
Terrível, né?
Pessoa 2
É que também.
Pessoa 3
Bom, é verdade, mas mas, mas, mas vamos ficar com com o genérico, que é uma exploração.
Uma criança brincando boa.
Melhorou?
É uma exploração linda.
O verreverismo tem uma exploração linda de dessa compreensão do que é variáveis, dependentes e independentes.
Blá, blá, blá, blá.
Quando você pega isso e começa a aplicar em seres humanos, a gente já começa a fazer bosta de cara, uhum de cara.
Então é, é, é.
Ninguém se exime de pegar uma teoria e fazer um uso torpe dela.
Pessoa 2
É pegar a descrição e transformar em prescrição, né?
Tipo é.
Esse é o problema nos 2.
Pessoa 3
Casos e aí você faz o uso moralista e perde?
Um todo 111 olhar ético que precisa acompanhar qualquer prática uhum clínica, né?
O aí o lacan vai dizer fala da ética do desejo.
Deleuza guattari vamos falar do desejo de ser revolucionário e, sei lá, pega o Roland falando da do verreverismo como um uso social revolucionário também.
Então tudo.
Pessoa 1
E aí tem tem lugar para a gente ficar com uma frase do fim do texto que é muito boa aos corajosos, tem muita teoria para estudar.
Muita clínica para desaprender, né?
É tipo colocar colocar a experiência contra a teoria.
E não é.
E não impor a teoria como forma a experiência, né?
Perfeito.
É um pouco isso.
Pessoa 3
Bonito, né?
Eu acho muito bonito isso.
Pessoa 1
Esse foi o impostura 313, a capa do Felipe Franco.
Edição de áudio do Pedro Jean kizzur assistência de produção da bru Almeida.
No texto, Rafael Trindade como convidada, Gabi Jaques e eu também sempre aqui junto.
Rafael Lauro, se você quiser apoiar nosso trabalho, você pode fazer uma doação de qualquer valor.
Esse é um dos jeitos que a gente fala no final do programa para caso alguém aí ouviu até aqui e quer ajudar de
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Só tem a ganhar com isso, tá bom?
Pessoa 3
Uma das maneiras é você se inscrevendo no mailing, porque se você ainda não é um assinante, vira e mexe tem algum desconto que acontece lá, alguma aula aberta que a gente avisa por lá, então você também pode fazer isso.
Pessoa 1
Sim, se inscreve lá, mas aí a gente manda, não manda tantos e mails assim, tá?
Só manda realmente quando são coisas novas que estão aparecendo no site, tá bom?
E aí a gente você vai ficar sabendo, vai ficar sabendo de tudo.
Dito isso, até semana que vem, fiquem bem, OPA, não, ainda não, espera aí.
Pessoa 3
Tem poeminha pra terminar, né?
Decifra me ou de vorat, diz a esfinge decifra me ou de vorat o enigma chama a quem nada deve, não teme nem hora.
São símbolos e desaforos sussurram as pítias cifras escondem ouro, enquanto uns riem e outros choram.
Transforme, assine em bom agouro, assine, assassine, elabore.
Na Encruzilhada, alguém morre, enquanto ao lado o coro curioso olha quem responde.
De pronto, comemora, desafia a verdade, espanta a esfinge que pula no abismo e morre, deixando a vida escancarada um corre.
Pessoa 1
Poesia por Rafael Trindade muito obrigado, gente.
Fiquem bem até a próxima beijo até mais.
Pessoa 3
Semi Breves, edição de podcast.