#288 amizades marginais | normatividade, amores eleitos, não monogamia
80m 25s
O texto aborda a relação entre amor e amizade, questionando a hierarquia imposta pela norma monogâmica, que elege uma única relação amorosa como central e define a amizade como algo secundário e negativo ("não amor"). Os autores criticam essa definição por ser coercitiva, mas reconhecem que a negação também pode ter um poder libertador, como no gesto de recusa de Bartleby ("prefiro não"). A não monogamia é apresentada como uma alternativa que descentraliza a afetividade, transformando-a em uma rede de múltiplas relações significativas, cada uma com sua própria intensidade e necessidade. Diferente do amor romântico, que concentra expectativas e gera dependência e ressentimento, a amizade é mais flexível e duradoura, permitindo transformações sem rupturas traumáticas. O texto propõe abandonar a lógica da eleição e do núcleo familiar, cultivando uma ética de abertura e multiplicidade, onde as palavras perdem sua força prescritiva e ganham novos significados por meio de uma "bruxaria" que encanta a linguagem. Assim, a amizade deixa de ser marginal e passa a ocupar um lugar central na construção de uma vida afetiva mais livre e diversa.
Achei, foi eleito, assumiu o cargon e agora é isso. Então, este é o meu amor, esta pessoa que eu estou, a Deus todo, né? Todo resto é varrito. Acreditar que o não é uma fraqueza, o que é a definição negativa, ela é inferior, ela é assim. É só perder essa potência, a potência de abertura que é. Vamos descobrir juntos e que convoca a gente aquilo que a gente não faz na monogamiya ou não costuma fazer. Olhar para a relação. O que estamos propondo é o "cous" Cous organizado. Cous organizado, gosto. E aí, gente, vocês estão ouvindo o impostura filosófica. Pode ter sido o site "Razão" em nadaquada. Aonde todas as semanas eu, Rafael, encontro o meu amigo Rafael com quem? Eu sou casado, mas caminhos. A assinamos contra a pessoa. Sim, senhor. Razão adecuada, este que vos fala, é um empresa. Então, a gente se divide aqui uma certa institucionalidade. Não pode reconhecer o que a gente está junto. Centralizado. Estamos mesmo. Não posso negar que todo pode ter uma DR com meu marido. Tem boas e mais DRs. A gente briga e faz as fases. Você é uma das pessoas com o que eu mais falo nessa vida com o certo. Você também. Sim, e este programa não está ali a completo. Se não for de marcio um triângulo, estamos aqui com a Gabi. É, gente. É mais uma vez nos agraciando com a sua presença. Tessa vez, inclusive, escrevendo o texto em conjunto. Sim. Muito bom, muito bom. Antes de começar este programa, eu queria falar aqui as vagas da oficina, abriram e já esgotaram. Tem sido assim. Esse mês, a gente vai estudar a Eni Carson. Maravilha. O modo do chamado Amar por escrito. E a gente vai ter várias propostas sobre erotismo para escrever não necessariamente sobre erotismo no sentido que vocês estão pensando. Mas pensar a escrita como forma herótica, como forma mesmo de abertura da palavra. Então, é uma grande dança. Vai usar o edos e outros textos dela. O edos vai ser o principal, mas eu vou trazer o ensai sobre a clinque, o mais pêncio. Sabe mais. Vou trazer o método Albertine, o livro dela sobre Prusso. Isso daqui é um teaser do horrível, né? Porque a gente está provocando a galera e já acabaram as vagas. Acaba. Mas todas as duas turmas estão lotadas e eu estou muito feliz com isso. Para você não ficar de fora e não passar a vontade, faço uma assina. Tudo, né? Não, põe a lista. O nome na lista despera. Tem uma descreza num link aí. Daqui um mês abre de novas. Então, põe o nome lá na lista e você vai receber o e-mail quando abrir as vagas e vai ter sim espaço. Como teve dessa vez. Acho que ninguém ficou de fora dessa vez. E aí, ninguém que veio falar comigo pelo menos. Às vezes, vem falar comigo também. Pode me chamar lá no Instagram, que quando tiver uma vagas, vocês aparecem o monomeiro do processo, a gente vai encaixando tudo. Não está interessado. E mais o jeito melhor, como Rafael Janta, esse "po", é ser assinante porque ela no grupo é o primeiro lugar onde eu aviso quando tem vagas. Exatamente. Os assinantes têm o nosso amor, nosso eterno na gratidão e têm preferência na hora de inscrição, que também é muito legal. Pra lendo a moeda e da gratidão, poder se inscrever. Tem várias coisas lá. Você tem a preferência na hora de inscrição. Você tem aulas que várias aulas que já foram dadas. E você tem, inclusive, acesso ao filosofo com isso, que é o podcast exclusivo para os assinantes do razão inadecuada, onde a gente sempre converta sobre as referências que a gente utilizou para escrever o texto do podcast aberto, que está tudo do mundo. Perfeito. Bora para o programa? Vamos começar. "Somos todos manipuladores da linguagem. As palavras são encantos e toda a bruxa sabe disso. Por uma convenção lexica, dizemos que um amigo não é um amor. Você se sente a minha frente e diz, " Acho que é melhor sermos apenas amigos." Eu, versado nos feitiços da palavra, te respondo. Aceito amigos, mas não apenas. A palavra é uma amarração, da contorno e pode constranger ou, como contrafeitiço, libertar o movimento. A pergunta é, como a forma que usamos as palavras amizade e amor delimita a nossa fetividade? Quais movimentos essas palavras restringem e quais poderiam libertar? Os manuseis da linguagem modelam a vida em novas formas. Torcemos a matéria de que são feitas as palavras, porque nos encantamos pelos mundos que elas inventam. E nosso vocabulário relacional, as palavras amor e amizade significam coisas diferentes, mas se misturam de maneiras um tanto confusos. Às vezes, a amizade é convocada para comunicar um término, às vezes, para dizer que não há interesse sexual. Às vezes, é simplesmente um jeito carinhooso de chamar alguém. Afinal, qual é a relação entre amor e amizade? Para responder essa pergunta, precisamos fazer um recorte. Dentro da norma, a resposta é uma, fora dela, são outras. A matrisa nossa sociabilidade funciona por um princípio de eleição. Uma única pessoa é eleita para ocupar a vaga central, a relação amorosa. Além de constranger o amor, os critérios da exclusividade anorma também normatiza o que foge desse centro. A pessoa escolhida é colocada em primeiro lugar e deve ser priorizada sobre todas as outras. Isso faz com que a amizade apareça por derivação em segundo lugar, como uma relação marginal, que não deve competir com a relação principal, intimidade, frequência, prioridade, sexo, paixão ou envolvimento. Em outras palavras, a normatividade que hoje conduz nossas relações amorosas empurra os amigos para a margem. A amizade acaba se desenhando como não relação amorosa, uma definição negativa. Isso é, uma ideia que surge pela negação de uma outra. Aqui em deteste a esse tipo de definição, em especial, quando utilizada para demarcar identidades ou práticas, como no caso da não binariedade e da não monogamia. Segundo os críticos, o problema dessas definições é que elas são um pouco propositivas. Ao usar uma definição negativa, você comunica o que não está acontecendo, como não é enunciado, isso não é um namoro. Mas não discreve o que, de fato, acontece. Que essa crítica ignora é que o trumfo de definir algo negativamente pode estar justamente na abertura radical pela qual dizemos apenas "eu não me encaixo no que se espera de mim". Vamos descobrir juntos? A normatividade empõe a relação amorosa, uma série de regras, enquanto espera da amizade que compra uma só. Não ser uma relação amorosa. Ou seja, em vez de optar pela abertura da negação, a monogamia se apropria da definição negativa de maneira coercitiva e, por meio de uma pressão constante, impede relações significativas de florecer. O mirar que é implacável se estabelece. A amizade precisa ocupar menos espaço que a relação amorosa. A não monogamia, enquanto esforço de contestação dessa normativa, antes de mais nada, é uma posta no fato de que a amizade é onde mais podemos quebrar a rigidez das expectativas de uma relação amorosa. É uma forma de dar lugar para força dessa negatividade que produz novidade, que faz da recusa da conduta compulsória, um desejo de variação. Assim, abandonar a lógica da eleição leva a redescoberta da multiplicidade. Existem inúmeras maneiras de viver uma amizade. Podemos morar com os amigos pela vida toda, não apenas durante a faculdade. Podemos dormir de conchinha com eles, porque é bom, não apenas quando vemos neles um romance impotencial. Podemos contar com eles na difícil escolha de ter filhos. Enfim, podemos muito mais, quando não os empurramos para a magia. Não deixar uma única relação ser o centro permite a afetividade um caminho mais livre, que passa por todos os lugares. Onde quer que alegria muito-asse a presente, ela poderá se efetuar como relação significativa e dar lugar para as suas estências singular na rede que constituir nossa vida com os outros. Um dos efeitos da hierarquia no amor é a concentração das dependências em um só ponto. Espera-se que o escolhido supratudo, companhia, interesse, humor, carinho, tesão, dinheiro, amparo, família e por aí vai. Essa confluência de expectativas, junto às renúncias exigidas na rígida da performance do amor, resultam em um solo fecundo para o recentimento. Os problemas invariablemente aparecem, e com eles, a vontade de romper. Não raro, os parceiros começam a se odiar.
mas permanecem juntos, porque o término é a terrorizante. Como poderia ser diferente, se o que está em jogo é o centro que ampara tudo, fica muito mais difícil se separar. Assim, a relação continua de maneira precária até que se esgote. Então ambos saem destroçados, porque trabalharam juntos pelo sonho da fusão, mas acabaram sozinhos no pesadelo da defendência. Nesse processo recentido, o término acontece a sombra da ideia de que algo não vingou, e assim fica difícil transformar a relação. Por isso, o rompimento de um vínculo amoroso funda um tabu, o Waze. Essa palavra de duas letras diz muito do nosso imaginário. Waze é alguém que foi, mas não é mais. Como na perspectiva normativa, podemos ter muitas relações à margem, mas apenas uma no centro, a pessoa que ocupava essa vaga tem que sumir para que o cargo fique disponível. Em contra a partida, as amizades têm mais espaço para a transformação. Despreendido da disputa por uma vaga única, um amigo pode deixar algumas funções sem deixar de ser seu amigo. Alguém que vemos todos os dias durante a escola, pode se tornar um amigo que encontramos uma vez ao mês sem grandes crises. No fim das contas, parece que as amizades marginais são vínculos mais seguros e duradores, do que os amores eletos. Qual é o alternativo, então, a afetividade centralizada? O imaginário monograma nos responde que onde não a centro, a vazio? Quem não se funda a um par? Está sozinho. Essa ideia, porém, partido para o suposto que descentralizar é perder algo. E aqui estamos propondo o avesso disso. Descentralizar não é forçar o encolhimento de uma relação. Também não é distribuir o foco em partes iguais. A bolírus centro-fixo é permitir as múltiplas relações que cresçam livremente segundo suas diferentes intensidades e necessidades. A importância é leita, prescritiva e exclusiva, saia de cena para dar passagem à importância orgânica, construída, elaborada, no desenrolar das relações. Fora de órbita, as amizades ganham vida própria. A distinção radical de valor entre amores e amigos começa a desaparecer. E o amor se multiplique em rede. As palavras que desigam as relações, perdem a sua força prescritiva, porque se torna mais importante o cultivo dos amores múltiplos e coisas estentes, a partir da maneira singular como cada relação acontece. O mundo, porém, segue relegando a amizade ao segundo plano. As que não aceitam essa lógica, resta continuar com a bruxaria em encantar as palavras. Assim, desviamos ou enviabamos a definição habitual de amizade. Bagunçamos a hierarquia que ordena os vínculos amorosos e aprendemos um novo feitiço. Que disso? Não quero ser apenas o namorado. Não ser amigos. Muito bem, testulido, maravilhoso. Estou aqui entre amigos para conversar sobre este assunto com o Rafael Cláudon e com a Gabi. Presença em lustre. E aí, tudo bem, Gabi? Oi, gente. Fala que você é a Gabi. As pessoas já conhecem, provavelmente, você já estivesse a Gabi com voz, hein? Eu sou a Gabi e sou uma pessoa que ama meus amigos de paixão. Já misturando um pouco escorindo. Muito bom. Vamos falar um pouquinho do processo, descrito do texto. Vamos testar o colaborativo, escrito a quatro mãos e eles estavam queimando pauta que antes de começar a agravação, eu falei gente. Eles são tão maravilhosos. Vocês têm que dizer como foi esse processo de descrito, né? Porque é uma difícil arte escrever. Então, ela é legal falar disso também. Sim. Eu sou temmoso, né? Rafael já me conhece há 20 tantos anos. Sabe muito bem. Já escrevemos os lados bons e ruins da temmosia. Normalmente a balança aprende para um lado bom. Porque se a temmoso para fazer um texto bom, uma coisa que faz o texto, fica bom. Sim. Com certeza. A Gabi para um pouco para colaborar com um temmoso precisa de uma temmosa, né? Precisei de uma temmosa exatamente. E aí foi assim, a gente decidiu escrever um texto sobre a amizade. Porque o Gabi nos encontramos várias vezes para gravar, podes que estes aqui, falamos sobre na monogamista, já devem ter ouvido, tenho sobre triangulação. Então, procure aí. É, foi uma conversa muito legal. E sempre teve, a gente sempre teve, né? Essa dificuldade de fazer uma diferenciação entre a amore amizade até se é necessário, mas o fato que eu sempre trazia é, mas as pessoas fazem essa diferenciação. E a Gabi ficava. mas por que? Não, é. Que era sempre a gente falando do processo do seu livro, né? E você apresenta na qual é a diferença na habitual, né? Na linguagem normativa entre a amore amizade. Aí você começava a falar, "Ah, amor, né? Nessa, na norma, é amizade, paixão e sexo, né?" Aí eu, como assim, paixão, "Ah, paixão é essa abertura pro mundo, né? Movidas pro mundo, né?" Movidas do mundo, movido por um lugar específico. E daí eu ficava por um pô, mas não tem isso, né, amizade, como não abre pro mundo, não enloquece, né? Você não se modifica. E daí eu resisti, não existe, não, não, Gabi, eu estou falando da norma. Mas mesmo, né, eu fico muito em defesa da amizade, acho que até no processo do texto isso apareceu, até mesmo dentro da norma, eu acho que a amizade é. como tá no texto, traz uma abertura interessante, mesmo no funcionamento normativo, né, ela é mais flexível, né? E as pessoas são muito movidas pelos amigos, né? Então eu ficava nessa resistência e, às vezes, qualificando e valorizando muito amizade de um jeito que realmente chegava a fugir, né, da norma, entendeu? A gente queria que lembrar, Gabi, estou falando. Não estou defendendo essa diferença, estou, né? Demarcando uma diferença que existe na normatividade, entendeu? Ah tá bom, tá bom. E aí a gente pensou e inscreveu o texto, desenhando um pouco mais essa diferença dentro da norma e uma defesa de subversões, né? E eu acho que é uma grande qualidade do texto, que eu acho que vai favorecer muito a conversa, que é um texto de uma. de que busca definições e é também um texto argumentativo, porque a partir do momento que você tem uma outra ideia de conduta, você quer viver de uma outra maneira, você precisa argumentar por isso, você precisa dizer, olha, essa maneira aqui de viver, ela é mais legal do que essa outra. E aí eu sinto que o texto é um convite muito gentil dessa reflexão, não é um ataque frontal, ela é uma argumentação de dizer, beleza, eu vejo aí pessoas fazendo isso, dessa maneira. Definição conceitual, é assim que vocês estão pensando. Porém, eu começo a viver de uma maneira atal, que eu começo a definir isso de outra maneira, e eu sinto que viver dessa outra maneira é mais interessante. E aí os conceitos, as palavras começam a mudar e se encantar. O começo do texto tem a questão da bruxaria de se encantar, a bruxolha para a floresta de um jeito diferente do que o dono da fábrica que é a cortatura e faz elenha, então ela define de um jeito diferente, ela vive de um jeito diferente. Eu acho que a gente está aqui para fazer uma certa argumentação. A gente não, vocês, eu estou aqui para a sede devogada do diabo, não, estou brincando, eu vou te dar uma de Deus. Talvez, talvez, eu não dei de nenhum dos dois, eu já nem sei mais. Eu sinto que este texto tem duas éticas em confronto. É. São dois conjuntos de valor em confronto. Um deles? Deus? É a norma. Porque é a matriz da nossa sociabilidade que é o quê? Nucleo. E todos nós conhecemos bem isso. É a norma, a gente é família. Família. E aí, assim, tudo que é prioridade pertence a um certo núcleo. E então, essa. Isso regi a maneira como todas as outras relações acontecem. Certo? Então, e a gente reproduz isso na formação da família, que é o casal. Então, a gente sai de uma família nuclear para fundar outro núcleo. Certo? E é assim que a nossa sociabilidade hoje se estabelece. O que a gente está confrontando? Será que é possível viver de forma tal que, em vez de um núcleo, você tem uma rede, essa é a pergunta. E eu diria que, quando a gente entra nesse campo, a gente está num campo da nama onogamiya, da recusa, da norma, e não tem resposta. A gente, na verdade, está propondo o pensamento, propondo o crítica. E eu gosto sempre, sempre que eu falamos de nama onogami na esse programa, eu faço questão de lembrar. Esse "não" da nama. Já é falar de definição negativa, né? Mas esse "não" da nama onogami é. Eu não quero isso. Não significa que você sai, bezatamente, onde você se encaixa. Eu preciso pensar melhor sobre isso, porque eu não quero reproduzir isso de forma compulsória. Não sabe que me lembra, eu prefiro não.
[Risos] -Sin, hein? -Sin, hein. A potência do não é o prefiro não, que é. Você quer fazer isso? Não, o Bartrebel é o conto do Melville, que é um escrivão que vai lá no escritório. E aí, pouco a pouco, ele vai dizendo, "Ah, prefiro não." "Prefiro não." E de repente, ele nega tudo que. -Todo serviço que eu tinha que fazer lá. -Sos dois anos de manhã. Ele não faz nada, ele só tá lá e eu achei que ia ficar maluco porque ele falou, "Mano, como esse cara só tá aqui?" E tudo que ele perde, o cara fala, "Prefiro não." Eu sinto que tem um pouco esse movimento de uma potência nó, do menino, que é dizer. Tá, beleza. Essa é a maneira de viver, certo? Você fala, "Mmm, prefiro não." E aí, você vai. Esse não, eu acho que ele vai aumentando, né? Eu vejo ele chegando em outros lugares. É, e uma vez eu tava tendo uma conversa com o amigo sobre essa questão das definições negativas, ele falou, "Ah, mas daí você, quando a pessoa se coloca como não monogramica, você ainda tá respondendo, né? Você tá se orientando, se posicionando em relação a essa outra coisa, né? -E eu, tipo, sim, vivemos em uma sociedade, a tipo. Não, não, vou fingir que eu não estou posicionada em relação a heterosexualidade, em relação a monogramia, tipo, não, tem como, né? A sociedade te. "Oriê, então, eu tenho por todo, de acordo com essas normas". Então, é impossível você não. Você ignorar essa nãoagem. -Oriê, então, sugerem, acho que tem vários graus de peso demais, né? -Mhm. Até faltam referências, né? A gente também lembra quando a gente conversou sobre a tragédia, na última vez que a Gabi veio, que a gente falou sobre isso, né? Não só regi como constituio nosso imaginário, a gente não consegue pensar uma vida que não seja regida pela eleição de uma outra, pelo a busca dessa eleição. Então, as nossas angustias dizem respeito no amor a busca de uma pessoa e a gente tá. -E a ser escolhido. -E a ser escolhido por essa pessoa, assim? -É. -E a gente está dizendo que, na verdade, a gente não precisa escolher e nem precisa ser escolhido por uma pessoa só. A gente pode muito bem multiplicar esses caminhos e aí poder encontrar em várias pessoas as diversas necessidades de afeto, de carinho, de amparo que a gente tem. E isso racionalmente faz muito mais sentido, uma ética que se sustenta para mim na simples argumentação, no jeito mais racional possível. Mas ao mesmo tempo, se reafirma quando eu faço isso, quando eu me sinto amparado por vários amigos, quando eu sinto que tem várias pessoas com quem eu me relaciono e tenho coisas diferentes, eu me sinto mais múltiplas, eu me sinto mais contemplada. Então, razão e afeto, nesse caso, se confirma na minha experiência. -Claro, é. -Sim. Talvez tem um primeiro momento da gente falar dessa eleição, que ela me parece, um funcionamento comum, assim. Eu acho que o app da dificuldade dela está aqui, não tem que a gente estar tratando, mas a gente funciona muito por eleição. A gente idealiza alguma coisa, essa coisa tem que ter determinados critérios e esses critérios não são preenchidos. A gente começa a cada vez a fostar isso deste ideal que a gente colocou. Eu penso duas coisas para falar bem rápido. Eu penso muito na crítica que o Dolores faz ao platão quando ele diz que a lógica de elétrica platônica funciona pela eleição, então você tem um ideal a qual. Os pretendentes tentam se aproximar o máximo possível desse ideal e aí eles são categorizados de acordo com o grau de similaridade, a grande crítica do Dolores e a lógica platônica. Mas eu fico pensando em termos behavioristas de um jeito até mais direto, que é a gente crie conceitos, a gente generaliza coisas e determina as objetos, podem se aproximar ou não disso. E quando você tem esse ideal como algo central onde quer que seja, o presidente perfeito, o amigo perfeito, o carro perfeito, qualquer coisa perfeitua, o amor perfeito, você coloca um centro. Porque essa imagem é a imagem que organiza onde as outras estarão localizadas no grau de proximidade. Então, acho que o que a gente está dizendo aqui, talvez a gente não precisa dessa imagem central. Talvez a gente possa encontrar uma outra organização epistemológica, não sei, para encontrar uma outra ética, para encontrar uma outra vida, para encontrar uma outra maneira de organizar isso. Eu acho que essa categoria do eleito é mais rigorosa do que a categoria do ideal, porque quando eu tenho um ideal, eu posso viver várias coisas que se aproximam ou não desse ideal. O eleito, a lógica do eleito, né, você falou o amigo ideal. Eu posso ter uma imagem, um imaginário que é o meu ideal de amizade. Mas eu vou ter vários amigos que vão às vezes se afastar, o seu aproximado desse ideal. A eleição é mais rigorosa, porque eu vou escolher um sujeito para ocupar essa vaga. E enquanto tiver esse sujeito ocupando essa vaga, ela está disponível para qualquer outra pessoa. É mais rigoroso. É mais rigoroso. E daí eu acho que assim, eu acho que tem que eu pensar na parte. Você dá um rosto para essa idealidade e falar "Ei, sei identifica as duas coisas". Tem um ideal no fim das contas, às vezes não é nenhum problema, né? A gente pode falar até que a gente está trocando aqui uma ética por outra, que a gente está em um norte-ador. A questão é, eu não quero colocar um rosto único nessa expectativa. Eu tenho uma ideia das coisas que eu quero, mas eu não vou colocar. Eu não vou identificar essa ideia a uma pessoa. E fechar as portas para outras pessoas ocuparem algum lugar em relação a essa expectativa. Porque acho que. Fico pensando na definição de monogamia do rafa no livro, como o serceamento da sociabilidade. Você mais ou menos serceada essa sociabilidade. O monogamia pode ser serceamento da sociabilidade. Inún único tipo de sociabilidade que é a erótica. E a gente pode entrar no campo de quanto amplo é isso, né? O que você restringe quando você restringe o erotismo? É um. Que. Eu acho que é bastante coisa. É mais do que a gente supõe. Então. Ah, pode tudo, só não pode erotismo. Isso é bastante coisa, na verdade. Mas. Mas pode ser só essa restrição. Pode ser uma restrição mais específica dentro do erotismo. Não pode transar com outras pessoas. E da é uma só. Restringe a sociabilidade. Só não pode ser. Exatamente. E o eleito é um só. É um só. É só. É um só. É a única pessoa. Sim. Ela é o centro. Porque muitas coisas vão agirar em torno dela, mas ela é o. Cágua só pode ser ocupado por uma única pessoa. É o centro. Porque ela distorce a maneira como as outras. Por isso que o complemento da definição de monogamia é pra mim. Acho que é a mais geral que eu consegui encontrar. Ser o seamento geral da sociabilidade. É porque esta pessoa modifica. Toda pessoa. Todo mundo que você se relaciona modifica um pouco as suas relações com os outros. Mas uma pessoa, especificamente na monogamia, modifica completamente as outras relações. A ponto de ser prescritiva e até preventiva ela acontece antes. Eu acho que quando você está em uma relação em que existe essa lógica da eleição emperando, você já sabe até onde você pode ir antes de encontrar outras pessoas. Porque já está prescrito. Já está prescrito. Não pode esbarrar num erotismo. O que eu estava falando é isso. Numa versão menos na menor restrição possível é só "Ah, você não pode transar com outra pessoa". Mas geralmente essa restrição acompanha outras. O que está ali a diacente a transar? "Ah, você não pode encostar em outra pessoa de algumas formas". "Esa não pode andar de mandada, talvez com. " Não pode não jantar na luz de velo. Não pode não vim. Não pode falar muito perto. Não pode fazer algumas piadas. Não pode ver mais do que. "Ah, o parceiro, tipo ter mais frequência". Tem várias coisas que acompanham e o que estamos dizendo nesse texto é esse centro que modifica a ideia de amizade. A ideia de amizade ela aparece por derivação. Tanto que o eleito, quando é deseleito, a pessoa muda radicalmente. Quando a pessoa fica solteira ela está lá. Isso é clássico de adolescentes. Talvez seja um clássico de todas as idades. Mas eu vi isso com muita frequência. O amigo começava a namorar e ele sumia. E aí ele parava de namorar? "Ela, a parecia. Não pode perder mais uma das vezes os adultos não faltam".
Eu não acho que a diferença aqui, os adultos não somem. Eu acho que às vezes é muito difícil voltar, né? Porque se você. Porque, por causa da gente até se quebram. É, quando tem essa restrição mais estensa, assim, da sua versão mais grave, assim, dessa restrição, que a pessoa soma, às vezes, é difícil voltar. E aí você tem o eleito, como o centro do grave tá sonal, muito forte, você falou do distorce, já foi pela física direto, assim, né? -Distorce todo espaço tem tudo. -É, tudo passa de um empreendede, um sol. -Distorce, tem um sol ali no meio. -Nisso. E quando se quebra, e aí eu acho que o que a gente tá tratando aqui é multiplicidades que entram em relações gravitacionais afetivas, mas não tem um centro localizado, poderoso, né? É, e o que eu queria trazer também dessa coisa do sol, assim, é que realmente tipo. Eu tenho um parágrafo, porque eu acho que isso, a gente, quando a gente diz, "descentralizar não é encolher a importância de uma relação, é permitir que a importância de outras cresçam livremente." -Né? -Né, então porque se não fica essa coisa do divorciado solitário, né? Então, é, tem um sol, e daí a gente tá falando, "Não tem a sol", e aí conge ela tudo. Apago sol fica tudo com gelado, ouro. Todo mundo tem que brilhar. É, o ar, respal. mas é isso. É isso mesmo, é. Tipo, que é uma. Uma dissentral. Eu chamaria, assim, talvez seja meio difícil, conceitualmente, porque a gente já tá usando as palavras negativa, definição negativa, mas. Eu diria que é uma descentralização positiva, e não negativa, no sentido de que não é descentralizar diminuindo um foco. Essa é descentralizar aumentando outras coisas, né? Então, é. Não é. Ai, pensa menos. Não quero que você. Eu tô fazendo exercício de não centralizar a minha vida efetiva. Aí, então, eu vou ser. Eu vou ser fria com essa pessoa que eu tô apaixonada. Eu vou dar uma segurada, eu vou me defender, pra não me apaixonar demais, porque eu não quero se entrar. Não. Eu não vou abandonar os meus amigos. Eu não vou. Sabe, eu não vou deixar de. de cultivar. Outra. Não vou empurrar os amigos pra margem dessa forma, né? Então, isso que eu chamaria de descentralização positiva, né? Eu tô expandindo a importância de outras relações e não encolhendo e constrangendo. de um foco. Sim. A naquismo amudoso. Isso. Relacional. Tem uma provocação que eu faço, que eu gosto, que é. Todo mundo já perdeu um amigo pro amor. E é um pouco essa experiência, assim, né? Quando. E até certo ponto, é o que eu estava falando agora, que é. As as pessoas se apaixonem, começa a viver aquela relação, e aquilo pra ela, meus, se torna uma coisa tão importante que ela dá uma assumida, né? Até aí, normal. Uma pessoa surgir com algo muito importante na sua vida, não é um problema. A questão é. O quanto isso dura, né? O quanto isso gera e fude um núcleo, aonde então. ninguém mais é importante. E o quanto isso é o objetivo? Uma coisa é você ser tomado por um sentimento e permitia, assim, "Ah, eu to muito fim, de passar muito tempo com essa pessoa, outra coisa é isso ser o ideal e objetivo da vida efetiva." "Ah, eu preciso encontrar essa pessoa com quem eu só queira passar tempo com ela." E daí o meu objetivo é. que os meus amigos sejam menos importantes. E isso, acho que é um problema, né? E assim, eu estava falando com um amigo meu "O Fer." "Oi Fer." "Se o senhor que. " O Fer estava falando pouco disso que eu achei muito engraçado de momento a fora de tipo "Ah, às vezes, quando você está apaixonando, você vê outras pessoas, você saída dessa fusão para cultivar outras relações mais antigas que você tem, é tipo você. Quando a mãe vai dar banho na criança, a criança quer continuar brincando ali e ela está fazendo "Não quero, não quero, não quero, não quero, não quero ir, daí chega no banho, "Ah, é bom, né, eu gosto, só que daí você é a mãe e a criança." E as relações, as outras relações estão o banho, né? É tipo. Você, às vezes, tem que fazer um. né? A pacião tem esse magnetismo da fusão e às vezes, exige um certo esforçoço de tipo "Não, pera, tem outros lugares, tem outras pessoas que me fazem bem que vai ser bom quando eu chegar lá. Se eu fazer um esforço de sair, é de sair da fusão para cultivar e não é, e é isso, não. e por isso que positivo não negativo, a ênfase não é na separação do apaixonado, é na. no cultivo dessas outras relações, não bom. Deixa eu lembrar, né, dessas outras relações e. e me levar lá e quando eu chegar, vai ser gostoso, é bom, é bom para todo mundo tomar um bom. Sim, isso acho muito importante que está no texto. E eu acho que é um ótimo momento para a gente entrar. Exite uma positividade da negatividade. Isso é muito importante, porque a maneira como a gente colocou da eleição, ela diz, achei, foi eleito, assumiu o cargo e agora é isso. Então, este é o meu amor, esta pessoa que eu estou, a Deus, todo o resto é varrido e eu ainda estou com a. com a metáfora do sistema solar na cabeça, porque antes de qualquer sistema solar, se formar, é um caos, é uma bagunça. E quando só começa a fundir hidrogênio, a fotesa com o que ele faz isso, né, a usina nuclear, não, gigante. Começa a fazer tudo. Então, o sistema solar se limpa a partir do momento em que o sol se forma. Antes é uma zona, é uma zona. Não tem exatamente um centro, mas quando só se for, uma acontece isso. E aí o não é. Agora? Não, o não, quando só está lá, é. Adêu tudo, tudo se afasta. E aí, o que a gente está propondo, é que, se não, não seja esse não de negação de esse amor, tudo isso é meu não amor. A gente está falando, "Pera aí, se a gente tomar cuidado, a gente consegue pensar este não de uma outra maneira." Perfeito. Para entrar mais ainda na metáfora, e aí depois vamos partir para essa coisa de explicar melhor o que quer essa negatividade, porque que ela pode ser coercitiva, e como que ela pode ser uma abertura. Mas só para fazer um comentário ainda, sob dentro da analogia, aí muitas pessoas devem pensar, "Porra, mas se o sistema solar funciona assim, então minha vida deve funcionar assim, e isso não deve ser um problema." Aí a pesa analogia. A provocação. Não, mas vamos seguir. A provocação que eu faço é, o universo tem centro. Pois é. Não. Pois é. O universo tem monte de coisa em relação direta, acontecendo junto de forma diferente. Mote de estrelinha que você vê no céu aí. Não é uma multiplicidade muito bonita. Pois é, não tem um só centro. Tu centro é todo lugar. E o centro da afetividade pode estar em todo lugar também. Caraca, moleque! Isso corre a renda de fogueira de ser. Eu queria dizer que o trindade agora foi advogado do diabo mesmo, não de Deus. Não, falou da zona. Calos, é calos aí. O que estamos propondo é o "Caus". Um "Caus organizado". "Caus organizado". "Gosto". É uma bagunça. Calos intencional. Calos intencional. Uma bagunça bem dirigida. É organizando direitinho todo no capital. É melhor do que cima do mundo. Organização direitinho. Todo mundo tem consciência. Todo mundo pode ter consciência. E aí vamos lá. Vamos passar por assim, creem quem é aí. Que é a definição negativa. Bom, primeiro, o que é uma definição negativa. É quando você toma uma primeira ideia, uma ideia que vem primeiro mesmo, como amor, nesse caso. E aí você deriva um outro conceito pela negação disso. É o que acontece muitas vezes com a amizade. Porque a amizade é um negócio muito difícil de definir. Eu sei um mês obcecado com essa ideia. Foi quando eu e Gabi tivermos muitas discussões sobre isso. Eu fiquei obcecado com como é que a gente define a amizade. E na filosofia tem vários tentativas, mas é sempre uma coisa meio, né? A melhor delas é o do Montenho. Porque era ele, porque era eu. Porque é sempre uma coisa meio. Daí fica todo mundo. Será que não é amor? Será que não é uma relação amorosa, né? É o exato, que é todo o nazi, dois aí. É uma coisa que eu espero que sim. Porém não é necessariamente. Porque alguma coisa ele está em, né? Alguma coisa ele está em. Exato. E aí é tipo. A amizade é algo que está a gente acaba. O melhor que a gente consegue ser aproximado da definição é alegria multa. É no sentido de tipo algo que acontece numa certa singularidade, num certo encontro, imprevisível e incrível. Uma das coisas mais incríveis que é você sentar com alguém, trocar a maioria das ideias e falar "meu Deus". Uma coisa acontece, quero ver essa pessoa de novo, poxa muito legal. Sempre que essa pessoa tá, eu me sinto bem. Olha só, que coisa. Uma coisa acontece no meu coração. É, a amizade é uma pessoa de novo. Exato, então isso faz parte da Amizade. Mas aí, bom, como a gente tem uma estrutura social organizada pelo casal que eja a gente chamar isso de amor acima de todos os outros tipos de amor? A amizade acaba sendo derivada como não amor em um certo sentido. O que a gente chama de amor num casal nuclear? Parxão, envolvimento e século.
basicamente. Fora toda a estrutura da materialidade, né? Mas essas três coisas são meio que fundamentais numa certa definição normativa que a gente tem do amor. Então. -Ele é uma linha e ela. -Pachão. Aconteceu uma certo enlouquecimento, uma abertura que foi dirigida por aquela pessoa. E aí, bom, a querce ficou bem maluco pela pessoa, enfim. Involvimento é, a gente começou a funcionar as nossas vidas de uma forma inesperada. De repente a pessoa está dormindo na sua casa, deixou a escova de dente e aí, já está vindo e você começa a perceber que tudo na sua vida começa a girar, então, no daquela pessoa, aí, de repente, se estão morando juntos, de repente, estão pesando o interfil e fusionou. Alguma coisa tem uma certa força de fusão. -Tá? -Que eu não é o que eu chamo de envolvimento no sentido propositivo, mas aqui estamos falando da norma. E sexo. Que pra mim também não é. é a interação genital na norma, né? Na interação genital é aquilo que geralmente é exclusivo ao casal monogâmico, certo? Então, essas três coisas compõem uma ideia de amor que a gente tem, que depois vai ganhar outras coisas. -Mas coisas do que. você fala também do sexo como physicalidade diferenciada, né? -É como eu gosto de pensar. -É. Mas eu acho que na norma também, né? -Pensar sexo como physicalidade diferenciada no sentido de. -Pas qualidade não habitual. Tem uma interação física que eu tenho com essa pessoa que é diferente do comum. E eu acho que na norma isso ocorre também, porque é isso. Você. não pode ter interação genital com outras pessoas que não seu parceiro, mas também não pode dar de mandada, não pode ter me de conchinha, não pode ter. -É reservado pra uma pessoa. -Pra uma. Essa é a physicalidade próxima. E que. e diferente é reservada pra uma pessoa. E é muito terrorista da minha parte, já defini, e physicalidade. sexo como physicalidade diferenciada. Porque no fim das contas todo mundo é traidor. -É. -Porque não. -Oi não. -É, não. As pessoas. -Pas essas pessoas não fazem. -Mas é aquela coisa de tipo, eu não trai, eu não bejei. -É, sim. -Entende? Essa argumento eu não trai, eu não. eu não costei no paldo, não fiz, não sei o quê. E é tipo, "mano, você já tava. flertando, você já tava, você já encostando o rosto, você. " -E tem, mesmo que seja só o desejo. -Tenha aquele filme a pior pessoa do mundo, né? A pior pessoa do mundo do. do. trié, que é um filme muito bom, aonde dois casados se encontram numa festa e tem um puta tesão pelo outro, e eles ficam brincando com os limites. Então, eles só pra fumar essa na boca dela, eles deitam na cama, ficam conversando por horas, e tipo, eles ficam tipo, "não traímos, não, mas dando risada, que é tipo. sim, já interferiu nessa fisicalidade diferenciada que é no núcleo monogâmico uma lei, você não pode ter fisicalidade diferenciada contra as pessoas, que é sexo. E isso que eu tô. quando eu disse lá antes que abolir o erotismo, como. "Ah, nossa, só uma restrição, não pode erotismo, é mais transformador do que parece inicialmente, é justamente por causa disso, de que. tá bom, não. só transar com uma pessoa, não é muito difícil. Agora, não mudar nada da sua disposição física, quando você tá conversando com alguém que. em que existe desejo sexual, é mais difícil. E aí, uma coisa que acontece muitas vezes é, por exemplo, a pessoa, o casal, monogâmico tá numa situação social, e aí, uma das pessoas do casal fica incomodada que outra pessoa. que. que. que a pessoa tava flirtando com alguém. Na festa, aí o. o celular, o supor. o namorado é que geralmente é a norma, mas a mulher se aumenta, e o cara aí. o cara diz "Não, eu não. não quero nada com. não estava. não estava. não estava flirtando". E daí as pessoas se lá termina, e daí, o sujeito fica com. isso é super comum, porque muitas vezes a percepção do filme não é. não é uma alucinação, a pessoa tá vendo que algo naquela physicalidade, algo naquela interação, foi atravessado por algum erotismo. E você não precisa ter, de fato, uma intenção, ou mesmo um desejo de transar com outra pessoa, pra ser atravessado de alguma forma por algum erotismo que aconteceu ali. E isso já é uma transgressão. Então, por isso que eu digo que abolívaro, a otismo acaba restringindo, mas do que só você não pode transar com outras pessoas, acaba. o que acontece na versão mais extrema da norma, que é muito comum, é. Ah, um casal heterosexual, o homem só tem amigos, homens, a mulher só tem amigas mulheres, porque daí você garante mais que não vai ter esses atravessamentos, tipo. porque o desejo você não controla, e na verdade o seu comportamento, você é em alguma medida atravessado por algum nível de desejo, também você não controla. Deu as pessoas. porque não é o caso mais extremo ainda, o caso mais extremo não ter amigos. Não, amigo. E infelizmente acontece, infelizmente a restrição da sociabilidade às vezes leva a solidão dentro de relação, você está em par, sozinho, o que é um oximuro triste demais. Mas agora, concluindo, só para não deixar escapar com essa definição negativa, né? Então, como é que a gente acaba definindo amizade, como não baixão, não envolvimento, e não sexo? Ou uma dessas três ou as três? É tipo uma pessoa com quem você não transa, que ela não bagunça tanto a sua vida, tipo do arme na sua casa no meio da semana, e você não se apaixona, você não coma maluco e falando dessa pessoa tem pinteiro para os outros, né? Tem, tipo, amizade, então, é uma espécie de redução nessa perspectiva. Fica amargem, é uma coisa que não toca nesses lugares muito fundamentais do que a gente chama de amor. E o que a gente está dizendo é como se é triste? Como se é usado muitas vezes de forma até perversa, né? Porque aí você usa isso para comunicar que você não tem interesse sexual em alguém. Não, você usa amizades, fala, "Não, vamos ser só, amigo, porque você não quer mais transar com alguém, quando você poderia dizer, "Pô, acho que eu não estou mais afinti transar com você, mas a gente é amigo." E outra coisa. Isso significa que você vale menos. Exato, exato. Então, aí existe um uso coercitivo da amizade. É, porque as vezes as pessoas dizem, né? Às vezes também, o só amigo significa "Eu quero transar com você, mas eu não quero te eleger." Exato, também. Pra ter esse sento, né? Mas ruim. Mas ruim é pior. Que é isso, tipo, não. A gente transa, mas a gente é amigo. Você não é tão importante. Pra ser eleito. O que só me faz pensar como o casal monograma e com a messeda de tudo absolutamente social, porque às vezes você nem transa mais com a pessoa. Sim, é só uma estruturação familiar. O cara transa mais num putero do que com a esposa, mas a estrutura social capitalista exige a gente. Tá junto, a gente dorme na mesma cama e a gente tem terem terem cenas e vai ler e grega no domingo. Você é eleita. E que bizarro pensar no você é a eleita no sentido de uma eleita caralho, porque é uma puta disparidade, né? Pensando agora numa sociedade patriarcal. Você é eleita de "você é minha esposinha, tu não fã, o que tá em casa, você cuida dos filhos, você fica aí." E eu, eu, eu, eu, eu, eu te botei nesse lugar, né? Então é, eu fico pensando ali a mulher à escolhida, né? Com pensando, quanto a gente tá falando, eu não consigo não pensar numa, numa definição muito, muito negativa e aí negativa do jeito, do jeito anterior, né? A ideia de potas repressivas, bem, bem psicanalítica que vem da, da, da, da filosofia que é existe uma multiplicidade de coisas acontecendo e essa multiplicidade ela é encarcerada, ela é colocada. Existe uma grade que é colocada em cima da multiplicidade e diz, agora isso é na direita, isso é na esquerda, agora isso fica fora, agora isso é que é importante. E é essa, esse, esse recorte, ele é um recorte de arrumação, arrumação, palavra merda, né? De, de corredição da, da, da multiplicidade. E o que a gente tá dizendo é, talvez aagem uma outra maneira de organizar essa multiplicidade que não pudesse a eleição centralizadora. É, e daí puxando uma coisa que você falou, né? É muito social, né? Porque às vezes os eleitos nem transam. E, e eu acho que uma coisa prejudicial também de gente usar esses, vamos ser amigos como sinónimos, eles nem são amigos, né? Transam nem são amigos, é nada, é só eleito, é só eleito, é só eleito, ele é só só eleito, mas um outro problema, né? De usar como sinónimo, vamos ser amigos pra, não vamos nos apaixonar ou não vamos transar, é que daí você constrange os eleitos, ah não, poder também dizer, não vamos transar, né? É, é isso é um outro problema. Que isso é um outro problema, porque às vezes. A gente se pudou problema. Às vezes você quer tipo, você quer ter uma, uma pessoa, um afeto ali nesse lugar central, né? Você quer organizar sua vida em torno de uma relação e você não quer transar com essa pessoa. E, e porque essas palavras vinculam todas. essas coisas muito estritamente, isso é constrangido, você não pode não querer transar com a pessoa que você mora e que você é casado e tem consequências terríveis, muitas vezes gera violência, muitas pessoas transam sem vontade com seus pares infelizmente isso acontece. E aí o que que a gente está dizendo? Bom, existe uma definição negativa que é usada e apropriada de uma forma que diz "não amor" e o que a gente gostaria de ouvir? O que aonde é legal essa definição negativa? Não monogamia. O que a gente está dizendo é "amizade" é "não monogamia", é o lugar mais flexível pra gente quebrar, aprender a quebrar com essa normativa. O amor sempre convoca isso, o amor sempre parece ter uma força sem tripeta, ele parece querer gerar esse centro. E aí a gente começa a entrar nesse ciclo, a parixante deixa meu obsessivo, o envolvimento, etc. Está acontecendo, sexo, tudo acontecendo. E aí parece que a gente enxerga na amizade, a possibilidade de aprender "ama", é porque, porque essa negação, ela não é a negação do amor, porque a amizade tem amor, a amizade é alegria muito, para mim amor alegria muito, é a minha definição de amor, então celu-spinosa de abitulvação. Graças ao Deus, a natureza. Então, o que a gente, a amizade é a amor, a distinção entre essas duas coisas não faz sentido nenhum na minha cabeça, mas a gente opera dessa forma socialmente. E aí quando me falam "a amizade é não amor", o que eu entendo é "a amizade é não monogaming", ou pode ser. A amizade é não casamento, é não namoro, é não, e daí na sua versão mais potente isso significa "a não norma", e não é não namoro menos, namoro, é namoro só que menos. Não é essa organização compulsória da afetividade. E aí nesse caso a gente vê a força da definição negativa, porque normalmente ela é usada de uma maneira circunscrita, e aí eu até entendo, vou lá no celácio, se se falam para mim, compra da tal coisa, compra não pera no mercado, você vai no mercado, e a pessoa fala "não, tá faltando não pera, compra lá para mim, favor". Eu falo "mano, você tem que dizer o que é, não pera, eu preciso saber, é desinfetante, é beleza de contar, então é para comprar desinfetante". E aí é uma definição muito circunscrita, só que aqui nesse caso a gente está trazendo a potência de uma multiplicidade, e aí não tem a definição, porque eu não estou dizendo o que é esse não, eu estou dizendo "vamos descobrir", como tá no texto, vamos descobrir, então eu não sei o que é esse não, mas é exatamente se não saber a potencialidade de explorar e descobrir o que é. Não é que está faltando desinfetante em casa, é mano, compra qualquer coisa que não seja pera, só compra qualquer coisa, foda-se, tipo vai lá e escolhe, seja feliz, e descobre o mercado, vai ter muitas potências de coisas para você levar. Não vou ser somente passar uma lista, você sabe fazer mercastas, você pode aprender a fazer, olha lá o que conta, descone, quantas vezes nesse podcast a gente já não elogou ou não saber, como origem do pensamento filosófico, né? Então assim, acreditar que o não é uma fraqueza, o que é a definição negativa ela é inferior, é assim, é só perder essa potência, a potência de abertura que é, o "vamos descobrir juntos" e que convoca a gente, aquilo que a gente não faz na monogamiya ou não costuma fazer, né? É olhar para a relação, olhar para a relação, porque assim, enquanto ela acontece, porque como é que tem uma receita de relação, para uma relação funcionar, não existe, não existe pessoas diferentes, que precisam conversar, que precisam se comunicar, que precisam entender o que é importante para cada uma delas, em cada uma delas, em relação. Então quando a gente fala "olha, eu não sei se nenhum dessas, nenhum dos modelos existentes de relação servem para a gente, talvez a gente precisa descobrir o que é que funciona", é, é, é, é, primeiro de tudo a gente precisa falar o que, eu não sei se funciona e isso que costuma funcionar para todo mundo, entre aspas. E eu acho que essa liberdade de uma definição negativa ela já acontece um tanto, no funcionamento normativo, isso foi bem difícil de a gente pensar no texto, assim, que é onde que essa negatividade da amizade ser "não amor, não amor ou não casamento", tem essa, essa multiplicidade ou não dentro da norma, né? Então não sei se ficou confuso, mas tipo, dentro da norma já, então, na norma é, tem a relação amorosa e as amizades são as "não" relação amorosa. Isso é, a função principal disso é colocar relação amorosa e ir a que, numa ira que é superior as amizades, e por isso que constrange, por isso que também normatiza as amizades, porque daí eu não posso andar de mandadas com o meu amigo. Mas mesmo dentro desse constrangimento, eu acho que a relação, é o que a gente escreve, né? A relação amorosa ela tem mais regras do que a amizade, mesmo dentro da norma. E isso produz uma coisa meio doida, assim, né? Então, a vez que já tem um visto aquela formulação de que é a sociedade, os homens, né? São heterossexuais e homoafetivos nesse lugar de "é elegem uma mulher para ser a esposa, mas "amã" homens, né? Porque o "deio", porque o "deio" é uma essa mulher? Porque a norma, a relação amorosa, é tanto cheio de regras e de você tem que performar essas coisas todas, que, né? Você tem que cumprir uma série de critérios muito rigorosos para ser eleito, produzem ressentimento. E daí tem aquele fenômeno do "ah, a patrô, a lei", né? Você, o parceiro é o castrador, é "game over", né? E daí os amigos tão no lugar de que não tem tantas regras, eles precisam ser menos, eles não podem ser o centro. Mas eles. Até porque essa ideia de centro e periferia traz essa ideia de "a lei", e a. Imagina a lidade. Imagina a lidade. E eu tenho que ir mais legal, né? E os amigos ficam nesse lugar de "u", agora, eu não tomo mais num centro da monogramia instituída e etc. Porque a patrô, olha, olha que não me bizarro, patrô, patrô é coisa que a gente mais odeia no mundo, né? Patrô é coisa que a gente mais odeia. Chamar. Você acompanhendo. Você acompanhendo de patrô, né? - Sim. - Tem algo muito errado, né? - Não, não. - Tem algo muito errado. - Normal. E aí você pode juntar com seus amigos só para jogar aquele futebolzinho, para só tomar um cerveja no fim do dia. - É, não, não. - Ninguém vai ficar. - É, enfim. - E aí, é isso, você consegue. - E aí, quem você gosta mesmo, né? E você consegue estar em relação de uma forma muito mais flexível. Então, existe dentro da norma, para a gente não ficar desesperado, né? Mas dentro da situação normativa, existe a sementinha da amizade que produz alguma coisa nova. Então, ninguém está em situação de monogramia a ponto de ter totalmente. Tá totalmente privada, tipo, realmente vamos começar a prestar atenção. É infelizmente, mas acho que vai eu que cê boti missed. E aí, quando a gente voltando pro campo do dar amizade, nos sentido que a gente está trazendo dessa abertura. Todas as perguntas são possíveis. Então todas as possibilidades são possíveis. Pode transar? Póde. E cê amigo? Pode! Pode dormir de camcinha? Pode. Pode. Pode! Pode! Pode! Pode! Na verdade, não tem não pode. Vai poder o que a relação tiver, como um potencial. O potencial. Exato. E daí qual que é a diferença? Entrei uma amizade de uma relação amorosa. Fica mais. Mas sabe que ainda insistindo sem o lugar de eleito, ainda que como você falou, né, a trinidade de tipo, a principal coisa que organiza a definição do que é uma relação amorosa, é a eleição. É mais do que sexo, porque às vezes não transa com eleito. É mais do que amor, porque às vezes não amo eleito. É eleição. E daí, se não tiver eleição, que é o que acontece na homonografia, se não tiver eleição, se eu puder ter várias relações amorosas, isso já desmonta a diferença entre a relação amorosa e amizade, que posso ter relações amorosas em que eu não trans, eu posso ter amigos que eu trans, e daí fica confuso. E aí, eu. De novo, me valeu da hipótese repressiva para migiar, que é. Cara, criança não sabe isso. Várias vezes. Criança meio que cruzalinha, explodo corpo, explodo corpo do amiguinho, não tem uma noção. E o quanto a gente trabalha para organizar, e eu não estou dizendo que é valetudo, né? A gente diz para uma criança, sei lá, não pega comida do chão. A gente diz para criança, sei lá, você vai ter que vestir uma roupa para sair. Mas até onde a gente vai na imposição dos limites, e onde existe uma certa espontaneidade que se perde? Porque. Uma criança não sabe essas diferenciações. A gente empõe em diferenciações a ela e talvez tem um certo retomar isso de tentar encontrar uma certa. Não sei se não sense uma boa palavra, mas uma certa. Uma certa inocência de pre explorar quais são os limites deste corpo dessas relações. Experimentação. Experimentação. E aí o tema da confusão, acho que temos que falar do tema da confusão. É mais confuso. Mas a gente aposta que a organização social, acho que estamos todos juntos aqui, né? E em dizer esta organização social não nos servem. Então, se a gente quer topar de frente com isso, vai ser difícil, vai ser confuso, vai exigir apostar em relações sem saber direito o que que elas são. E é uma disposição, é uma disposição para lidar com coisas, aonde você não sabe responder direito de cara as perguntas que tiverem. Então, e aqui a gente cai num campo que é importante, que é pensar na monogamia como dentro do grande campo de discussões que a gente pode chamar de queer. Que a gente pode chamar que tem a ver com um louquecer um pouco, enviar um pouco, embruxar um pouco, tem a ver com isso, porque tem a ver com. Desculpa, desgara. Embruxar é o. A oposição perto feita o embruxável. É, tipo, cara, tá bom, então você desembruxável e a gente diz "embruxar". É, beroxar, a gente tem a nossa palavra também. Gosto, gosto. É que é isso, dá passagem para alguma coisa que a gente não sabe o que é, mas que a gente aposta que é melhor do que tá dado, porque o que tá dado não serve, não serve, a gente se sente preso, a gente se sente sozinho, a gente se sente deprimida. E essa coisa do embruxar também, eu acho que tá nesse lugar meio. Acaba, fica desviante provocativo também, porque vão. Você fala. Entrar nas relações sem ter essas respostas. Vamos tentar responder por você. Então, experimenta, levar um amigo de plasuan no casamento de outro amigo. Todo mundo vai presumir que vocês estão namorando, né? Então, até que eu não casamento. É, escolhi de proposta. Você. Não sou festa de família também. Nem precisa. Então, uma instituição. Leva um amigo que não conhece as pessoas vão perguntar. Tipo, não. Então, e por isso também eu acho que a gente fica nessa coisa da bruxaria com as palavras, "Aus vezes é insuficiente" tipo dizer, "Ah, pra mim, namoro é outra coisa, pra mim, namoro não é exclusividade". Aí. Não, eu digo, "Ai, esse é meu namorado". Mas pra mim não significa a mesma coisa que pra norma. Mas daí a norma vai. Vai ser. Vai de porrar pra conformidade, né? Porque. No momento em que você diz, essa pessoa é meu namorado, daí, agora, vamos chamar. Toda vez que te convidarem, vamos convidar essa pessoa e não outras, não vou falar. "A leva quem você quiser". "Ah, não leva, fulano, porque ele, você elegeu o fulano". Independente de você comunicar ou não, pra as pessoas que. Não fez essa eleição. "Ah, não, eu sou. Não monogramico, é uma relação no monogramico, eu tenho mais de um namorado e tal. Vai acontecer, de, a partir do momento de você usar essa palavra, o mundo vai centralizar essa pessoa na sua vida pra você. Não só a pessoa, não só você, o mundo vai fazer". E daí a gente começa a ficar desconfortável com as palavras mesmo e tendo que usar outras ou sei lá. Não sei, tem exercícios possíveis a partir disso, mas é uma questão dessa. Os nomes. Os nomes. E as pessoas em geral, às vezes ficam. Achei um que é meio que uma frescura, né? Mas é tipo o nome, às vezes, você chama alguém de "sposa". Não é uma coisa tão banal assim. Não é. Os nomes, eles torcem a matéria da realidade e aqui a gente tá apostando na bruxaria, na gente tá querendo lançar um contrafeitos. Porque. E aí tem um certo uso, cuidadoso dos nomes. Não significa que você não pode chamar alguém de namorado ou de namorado, significa que bom. O que que nós pensamos sobre esse nome? E o que que esse nome diz para os outros e eu estou confortável em usar esse nome? Qual que é o que esse nome diz de mim? Isso convoca a várias perguntas quando você. Se dispõe criticamente a esse dispositivo normativo, né? Quando você olha para isso, surge uma certa aversão a alguns nomes e surge uma experimentação de outros tipo afeto, né? Pessoal, tem usado muito, enfim. E outros se relaxar a mego, né? É, relaxar a mego. E aí, o que as pessoas entendem? As pessoas vão entender alguma coisa, mas já vai ser meio distorcido. É ficante, mas é ficante ou já tá. Ah, é para convidar ele toda vez e eu convido você ou não? Se a pessoa perguntar, eu tô feliz. Entende? Se a pessoa não entender de cara, já é melhor. Porque não vai distorcer. Porque a sua percepção, num círculo social, de alguém que tem uma esposa muda. A interação que as pessoas têm com você muda. E você quer isso? Quanto as pessoas se aproximam de você muda? Muda? Tipo assim, você. Ser uma pessoa que está namorando num bar, você vai com uma pessoa num rolê num bar e daí você pega na mão da pessoa. Observe que as outras pessoas se afastam. Porque. Então não é uma coisa interior da relação tipo. O mundo observa esses sinais e tipo "Ah tá, é bem essa força científica mesmo. Ah tá, eles têm um centro. Eu vou chegar tão perto e é mais intenso do que só não vou flertar. É tipo "Não vou me aproximar tanto mesmo. Acontece isso". Então daí a gente fica nessa posição de ser o chato. Ah, esse é o namorador. Ah não, eu não estou usando essa palavra. Ah, que coisa, precisa ser tudo diferente. E é tipo "Ah, preciso, porque tem efeitos". E agora tem efeitos muito, muito, muito presentes, né? Tipo, não é só uma palavra em outra palavra em ação. É instituição, é convocada. E aí você fala uma palavra outra, né? É muito legal que aí você começa a descobrir que as pessoas têm nome. É assim. As pessoas têm a singularidade delas e elas têm um nome que não é um substantivo concreto, que é um substantivo próprio para isso. Então você começa a falar "Ah, é, é, é, Gabriel". Mas você vai trazer, não rolê. É tipo "Não price". Porque a cabela é legal. E você já não precisa mais recorrer também ao pronome possessivo. Eu vou levar minha namorada. Que é, né? É para me adesfórico por excelência, assim, a posseção da coisa. Claro que pode ser excesso de sensibilidade. Também eu entendo, às vezes é meio idiota, vai eu entender esse lugar, mas para um pouco. Descança-me, militante. Descança-me, eu entendo isso. Mas percebe, tem feito. Tem feito. Você falar de alguém que essa pessoa é minha, tem efeitos reais. Não é só. De novo estamos discutindo o gênero neutro aqui. Tipo, as pessoas acham que é uma "Ah, vocês estão incomodados porque uma letrinha que vocês vão trocar e vão estragar a língua portuguesa". Não é, não se trata da língua portuguesa. Se trata dos efeitos dessa estrutura na maneira como os corpos se comportam. E todo mundo se incomoda, né? A pessoa a dominaira se incomoda quando não usam os pronome certes. Os transfóbicos se incomoda muito. Muito, muito, muito. Muito, muito, muito. E você mudar uma letrinha. Porque todo mundo está sabendo, dentro que em se incomoda para um lado, quanto para o outro, que as palavras não são tão inofensivas e que não têm uma relação tão trivial com a afetividade, a identidade, o jeito que a gente se coloca no mundo, as instituições. Exato. Tem uma outra coisa que é importante de dizer que é um certo ciclo que levaria até mais tempo. A gente pode até te llamar e falar só disso, que entra nesse campo da monogamia cereal, né? Que é um só pode ser leito e aí a vida da maioria das pessoas é LG1, deu errado, deu errado, deu errado, deu errado, deu outro. É meio isso. Mas por que muitas vezes essas relações não persistem? E aí eu acho que a gente fala um pouquinho brevemente da questão do ex. Mas antes a gente tem que entender esse ciclo de recentimento, né? Que é, imagine o peso de você apostar tudo o que é importante na sua vida em uma pessoa. O que isso convoca para a relação? Mas a gente faz isso. A gente faz isso. Então eu vou morar com essa pessoa e a gente tem que se dar bem todo dia. Não pode acabar o tesão mesmo se relacionando há anos. Não pode ter outras pessoas muito próximas. Não, é. tem questões financeiras que são algumas das coisas mais horríveis que a gente queria poder não pensar e é preciso pensar com essa pessoa. Tem a família, as famílias, né? As mães, os pais e tal. Tudo isso tem que suprir e tem que funcionar. E também ela é o motivo de que você não pode viver essas coisas com outras pessoas. Então, exige uma. Eu escolhi você, então eu não escolhi os outros. Então, performe isso bem, porque senão não valeu apanem que ele é jeito. Exato, é exato. Então, a renúncia volta como cobrança. Deveres. Responsabilidade. Como assim você não está transando comigo? Exato. Essas são as coisas que acabam dirigindo a relação. E aí, beleza. O que acontece? Problema. Muito problema. Relacionamento, conjugal, dá muito problema, muito ressentimento, muito tristeza, magua, DR-DR, o que tudo bem. Mas acontece às vezes. De você chegar e falar assim. Acho que eu não quero mais. Acho que eu estou cansado, eu já não vejo o centro mais carinho nessa relação. Eu já sinto que essa pessoa não me trata bem. E não faz sentido, porque eu estou pro nisso. E é você concluir dependência. Porque se eu perder isso, que que é minha vida? Que que sou eu senha essa pessoa? Eu não tenho onde morar, eu não tenho pessoas relações significativas. Eu tenho. Mote de questões institucionais que ligam a gente, tem filhos, tem no seu que lá, tem meu trabalho, tem a família que. Essa relação acabou se tornando, ela se fusionou de tal maneira, que agora você não consegue mais modificar ela sem se modificar pro completo. E aí você faz, "OK, tem muito medo." E aí o que que acontece? Você continua. Até que esgota, você chega nessa ideia muitas vezes seguidas. Você chega não dá mais durante meses. Até não dá mais. Até ser insustentável, o que acontece quando uma coisa insustentável? Disaba. E o que acontece quando disaba? É horrível. É uma destruição completa. Fica tudo destroçado. No Rafael daria um bom montador de histórias trágicas. Filoquência. E isso acontece muito. E as pessoas saem mal. Mas as pessoas saem mal das relações. E aí a ilusão é "Vou reconstruir isso com uma nova pessoa". É mais fácil do que reconstruir uma rede. Você encontrar outro eleito é mais fácil. E por isso você falou da adolescente? Eu acho que o adolescente, ele é mais amparado institucionalmente para ter rede. Então o adolescente volta mais nesse lugar. Você vai na escola, todos os seus amigos estão lá. Você tem uma instituição que é a escola, em que eu volto todo dia para vermos. Então eu dá uma sumida. E daí eu falei "Vou ter lembram de mim, amigos, eu amo vocês". Você diz "Me lembra mais adolescente esse processo de voltar". Porque muitos adultos não voam. Porque eles ficam nesse ciclo de "perdi tudo", o centro era ali, não consigo reconstruir uma rede. Porque é difícil. Porque as pessoas não se relacionam em rede. Porque dá trabalho. Porque demanda tempo. Porque às vezes não tem tempo. Nem energia. Às vezes não dá. O mundo dificulta muito. Não tenho um moralismo às vezes. "Ah, que feio, todo mundo está errado, que todo mundo que centraliza". Porque é muito difícil. Porque o mundo é organizado para você centralizar. Então ainda mais se você trabalha muito, se você não tem tempo, se você não tem tipo. É muito difícil viver em rede. Então a alternativa centralizei por "ditudo" desse centro. É muito costoso, muito difícil, às vezes impossível reconstruir rede. Então voce é outro centro. -Vou alergir outra pessoa. -E para isso, você precisa inventar uma categoria no qual colocar a pessoa com quem você se relacionou. -Que era tudo. -Que era tudo. -E agora não é nada. -Nada. -O ex. -O ex. E é o tabu, porque você, como eleito, não pode lembrar que outra pessoa já foi tudo. Que outra pessoa era tudo, não dá. -Precisa ser. -Você está a cortar uma parte da sua vida. De repente você não fala mais se você não está bom. O mecanismo não está bom. Você não pode falar daquela pessoa, você não pode lembrar daquilo. E aí você cortou anos. Ele nem é demovido a amigo, nada mesmo. Porque isso não dá a não relação amorosa e diferente da ex. Então o funcionamento normativo é disso como um "ga" mesmo. -Espo. -É algo mais comum. Esposto da vida efetiva. E daí é muito difícil transformar isso. E acho que essa abertura da nomanogamia de confundir as categorias e de rejeitar a recusa dessa lógica da eleição. Porque ficou claro que o motor desse recentimento e dessa necessidade de descomungar o ex-parseiro é porque só tem uma vaga. É porque tem essa eleição. E se todas as relações são mais singulares e podem se transformar mais, se você pode passar a transar com um amigo, deixar de transar com um namorado, essa flexibilidade também permite mais a transformação da relação com o ex. E no fim das contas a gente está aqui para fazer um grande elogio da Amizade. No fim das contas a gente está renovando uma aposta na ideia de que a vida com amigos é mais feliz. De que existe mais amor em múltiplas relações do que na concentração absoluta de uma só. E eu acho que isso é algo da namanogamia que geralmente as pessoas colocam, não vem, geralmente não, mas as pessoas pensam sexo contra as pessoas. E é muito, assim, nem é sobre sexo às vezes, às vezes não é sobre isso, simplesmente. E eu acho que é legal esse elogio da Amizade, da multiplicidade afetiva na Amizade, porque também tem vários jaitos que a sociedade constrange a gente até esse centro e a ser monogâmico, essencialmente. E eu não acho que todo mundo tem que ter a disposição de se indispor com essa norma, com o mundo, que, enfim, não precisa ter esse ímpeto de bagunçar tudo de um jeito que demanda tanta energia. Mas o legal desse elogio da Amizade também é que você não precisa romper com a regra principal, a regra nominal, assim, da namanogamia que não transe contra as pessoas, para descentre realizar nesse sentido. Você pode ter uma relação de exclusividade sexual, você pode até ter uma relação de centro afetivo. E se despor mais, a não concentrar tudo nesse centro. Se despor mais, de repente levar um amigo no casamento do outro amigo, de repente dormir na casa do seu amigo durante a semana, de repente, sei lá, comprar flores, tipo fazer gestos, valorizar, contar segredos, enfim, apostar mesmo investir nas relações de Amizade como relações singulares e não como relações de segunda categoria. Nenhum Amizade é apenas uma Amizade invertendo o final, o começo. Eu acho que a questão é que num centro tão fechado, onde a massa está tão concentrada, é o ar não circula. E a gente não está falando que você precisa explodir isso, você pode. Mas o que a gente está falando é, vou chábreja nela, deixe seus amigos entrar em, deixe outras pessoas serem tão importantes para você quanto são a pessoa que você mais ama. Até porque se não entrar um erzinho sem oxigênio, achamos que se consome e acaba, né? Se passar um erzinho, mantém algo vivo, mais vivo. Exatamente. E esse foi o Imposturas Philosóficas número 2, 8, 8, onde temos a capa do Felipe Franco, a edição do Pedro Jantzur, na assistência de produção e outras coisas brunhamedam, e o texto foi a quatro mãos da Gabriela e do Rafael. É isso. Nas referências desse texto, temos algumas coisinhas. A Sentência de Vaticanas, do Epicurro, onde estão concentradas as meras, o desafio polha amoroso da Brigitte Vassalo, introdução à lógica do Irvin M.Cope, o Mil Plotoss, a introdução de Zoma, delas Gota Rih e um filme, Liquid Pizza do Paul Thomas Anderson. Vamos falar disso daqui a pouquinho, não? Philosófico isso. Se você gosta do nosso podcast e você está ouvindo até agora, então, provavelmente você gosta. Você pode apoiar a gente para a gente continuar existindo e continuar fazendo isso que a gente gosta tanto. Nós imaginamos três maneiras de ajudar. Você pode inventar novas, mas a gente já inventou três. A primeira delas é a facilidade de fazer um Pix. Simplesmente, Rafael, a roba razão em nada é quada.com, você pode dou a qualquer valor para a gente e esse valor será muito bem utilizado para a gente pagar as contas, comprar um pãozinho, comer e voltar aqui para gravar mais um podcastes legais para vocês. O segundo jeito é o jeito mais que tem muito a ver com o programa que a gente gravou hoje, né? É o menos centralizado de todos. Várias pessoas ajudam a continuar gravando o podcast através da assinatura. Você pode fazer uma assinatura? Ela custa 54 reais por mês. Você não faz isso por puro, amor, você pode fazer isso com as intenções buscando um retorno porque tem muito conteúdo exclusivo lá para você. E o terceiro jeito, você não pode apoiar a gente monetariamente. Não tem problema, porque a internet funciona muito com divulgação das coisas que a gente produz. Então você pode curtir a nossa página, você pode se inscrever na newsletter, você pode compartilhar no grupo da família, o texto sobre não monangamia e falar que você tem agora, outras relações e que você vai levar elas no almoço e assim por diante, né? É isso, gente. Você pode falar do podcast para a namorada da sua namorada. Exatamente, ela vai ouvir, ela vai repensar as coisas da vida dela.
gente muito obrigado, fiquem bem e até a próxima semana. Valeu gente, até mais. Tchau!
Podcast Summary
Key Points:
O texto critica a hierarquia normativa que coloca o amor romântico como relação central, relegando a amizade a um papel secundário e definido negativamente.
A definição negativa da amizade (como "não amor") é problemática, mas também pode ter potência de abertura e recusa, como exemplificado pelo "prefiro não" de Bartleby.
A não monogamia é apresentada como uma contestação dessa normatividade, propondo uma afetividade em rede, onde múltiplas relações crescem livremente sem um centro fixo.
A amizade é valorizada por sua flexibilidade e capacidade de transformação, em contraste com a rigidez das relações amorosas centradas na exclusividade e na posse.
O texto defende a descentralização afetiva como uma forma de evitar o ressentimento e a dependência excessiva, permitindo que as relações se desenvolvam segundo suas próprias intensidades.
Summary:
O texto aborda a relação entre amor e amizade, questionando a hierarquia imposta pela norma monogâmica, que elege uma única relação amorosa como central e define a amizade como algo secundário e negativo ("não amor"). Os autores criticam essa definição por ser coercitiva, mas reconhecem que a negação também pode ter um poder libertador, como no gesto de recusa de Bartleby ("prefiro não"). A não monogamia é apresentada como uma alternativa que descentraliza a afetividade, transformando-a em uma rede de múltiplas relações significativas, cada uma com sua própria intensidade e necessidade.
Diferente do amor romântico, que concentra expectativas e gera dependência e ressentimento, a amizade é mais flexível e duradoura, permitindo transformações sem rupturas traumáticas. O texto propõe abandonar a lógica da eleição e do núcleo familiar, cultivando uma ética de abertura e multiplicidade, onde as palavras perdem sua força prescritiva e ganham novos significados por meio de uma "bruxaria" que encanta a linguagem. Assim, a amizade deixa de ser marginal e passa a ocupar um lugar central na construção de uma vida afetiva mais livre e diversa.
FAQs
O texto critica a hierarquia que coloca o amor romântico no centro e a amizade na margem, propondo uma rede afetiva onde ambos têm importância igual.
É uma definição que comunica o que algo não é, como 'não monogamia' ou 'não namoro', abrindo espaço para novas possibilidades sem prescrever um conteúdo fixo.
Ela concentra expectativas em uma única pessoa, gerando dependência e ressentimento, além de dificultar a transformação dos vínculos.
Na norma, a amizade é tratada como uma relação marginal, definida por não ser amorosa, e deve ocupar menos espaço que a relação amorosa central.
Descentralizar é permitir que múltiplas relações cresçam livremente, sem um centro fixo, valorizando a intensidade singular de cada vínculo.
O 'não' abre espaço para recusar a norma sem definir uma alternativa fixa, como no 'prefiro não' de Bartleby, permitindo experimentação.
Chat with AI
Loading...
Pro features
Go deeper with this episode
Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.