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#23 Altius Cast - Como educar filhos emocionalmente fortes: fortaleza e letramento emocional no cotidiano familiar.

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#23 Altius Cast - Como educar filhos emocionalmente fortes: fortaleza e letramento emocional no cotidiano familiar.

Neste episódio do Altius Cast, a psicóloga Talita Clerc discute como educar filhos emocionalmente fortes, desmistificando a ideia de que força emocional significa rigidez ou repressão. Ela explica que a verdadeira força está no equilíbrio, como uma garrafa que não é nem muito mole nem muito dura. A família é o primeiro ambiente onde a criança aprende a lidar com emoções, servindo como um laboratório emocional. Os pais não precisam ser perfeitos; errar é natural, e o importante é reconhecer o erro e pedir desculpas, o que ensina humildade e fortalece a autoridade. Talita enfatiza a importância de ajudar as crianças a nomear suas emoções, validando sentimentos como raiva e tristeza, em vez de reprimi-los. Ela sugere que os pais criem pequenos momentos de transição ao voltar do trabalho para se desconectar e estar mais presentes. A conversa destaca que a maturidade cognitiva só é atingida aos 25 anos, então as crianças não são “mini adultos” e precisam de orientação paciente. Ao final, a mensagem central é que a força emocional vem da temperança e do acolhimento, não da perfeição.

Transcription

12048 Words, 64695 Characters

Portuguese
Altius Cast: Introdução e Conhecendo a Psicóloga Talita Clerc Sejam todos bem vindos. Hoje o nosso outso Quest chega a sua 23ª edição, 23º episódio e está comemorando 3 anos que ele está no ar ao longo desses 3 anos. É, a gente tentou comentar, conversar sobre tantos assuntos, né? Para ajudar as famílias em diversos temas, onde o essencial é sempre os filhos, o que que a gente pode pensar, o que que a gente pode refletir? Que onde a gente pode colocar luz para que os filhos tenham uma formação muito boa desde casa. É nos seus relacionamentos, com seus amigos, na escola e tudo mais. Ao longo desses anos a gente falou sobre fé, sobre adolescência, sobre consciência moral. Inclusive a nossa convidada de hoje já esteve com a gente aqui no episódio. Falamos sobre a ansiedade na fase da infância e da adolescência, falamos sobre a proteção dos filhos, temas de tecnologia. E o que tem em comum em tudo isso é que, na verdade, a família é o núcleo. A família é o berço onde as crianças podem aprender a viver bem com tudo isso. É na casa, né? Que os filhos aprendem, muitas vezes sem saber, a lidar com as experiências da vida real. A raiva, a frustração, o medo, o erro, o limite. Aprendem a perdoar, aprendem a ter responsabilidade. E é baseado nisso que hoje nós vamos falar sobre um tema muito bom e que vai ser para mais de um episódio. A gente chamou ele de como educar filhos emocionalmente Fortes e para isso nós temos a Talita klerk, que já esteve aqui conosco. Como eu acabei de falar, É Ela que é psicóloga, vou pedir para você se apresentar, seja muito bem-vinda. É um enorme prazer, tê la aqui de novo e espero que muitas mais vezes para a gente trocar essas ideias para trazer sua experiência. As suas e os seus estudos, né? Porque você também está mergulhada sim em pesquisas em relação a esses temas. Seja bem-vinda. Pessoa 2 Obrigada. É um prazer estar aqui com vocês mais uma vez. Bom é, sou psicóloga, como é bendito. Além disso, eu comecei a minha experiência Na Na psicologia, né? Com logo no início da faculdade, com trabalho voluntariado, sempre voltado para criança e adolescente. É, eu brinco que é um público que ele parece que ele não te ajuda. Você pensa assim, Ah, vou trabalhar com outra faixa etária, não tem como. É a minha paixão e com isso, toda a minha carreira acadêmica, né? Eu fiz mestrado e tô no terceiro ano do doutorado também. Foi seguindo nessa linha. Né? Não apenas da vivência no consultório, né, com crianças e adolescentes, mas eu também trabalho com a parte de pesquisa básica, né? Então, basicamente eu vejo como os comportamentos e os sintomas da ansiedade eles podem ser melhorados ou agravados, a depender das intervenções e do contexto ambiental. Eu trabalho com modelo animal de ansiedade. Ele é lá na PUC onde eu fiz toda toda a minha formação. E aí só um pouquinho de mim, né? Eu amo ler, né? Então isso é uma coisa que eu acho que também ajuda muito a gente, que é psicólogo, né? Ficar nessa formação constante. Sou casada, esposa do Gabriel, não tenho filhos ainda, mas tenho uma sobrinha que eu sou apaixonada, que é a Maria Luiza, minha afilhada. Eu acho que não tem como falar de mim. Psicólogo e não falar desse lado, né? Porque quando a gente está num consultório com um paciente, com uma família, tá a pessoa, né? E eu acho que isso é o que tem tudo a ver com o nosso tema de hoje, né? Quando a gente fala de força emocional, a gente fala de presença, né? E pra poder estar aqui, tem toda toda a bagagem da Talita com ela, né? Então acho que é um pouco por esse caminho. Desmistificando a Força Emocional: Nem Dureza, Nem Moleza Perfeito, OA gente escolheu esse tema. É EE, esse adjetivo Fortes é proposital, né? Normalmente, quando se fala de saúde emocional, se fala em relação à própria saúde, né? Fala sobre é ter as emoções saudáveis, é em qual sentido? A primeira pergunta já em qual sentido que a gente pode falar é criar filhos, é educar filhos emocionalmente Fortes, porque essa palavra, o que que tem por trás dela? Pessoa 2 Eu acho que pra gente começar a falar dessa questão da força emocional, a gente tem que desmistificar o que é a força emocional quando a gente pensa em força, que que é a primeira coisa que vem na sua cabeça? Pessoa 1 É o corpo musculoso. Pessoa 2 Corpo musculoso. Então, muitas vezes quando a gente pensa em força, a gente pensa em dureza. Só que emocionalmente falando, a dureza ela não ajuda. Mas algo muito mole também não ajuda. Eu gosto de sempre de dar pros pacientes e para as famílias o exemplo da garrafa. É. Atualmente tem uma. Por questão do meio ambiente, as garrafas estão com menos plástico. Se você pega uma garrafa com pouquíssimo plástico e você bebe, ela, ela vai torcer toda a nossa mãe. Ela pode até rasgar aquelas. Pessoa 1 Garrafas molengas assim que espalha na mão. Pessoa 2 Nela? Exatamente. Mas se você sabe, também com uma caneca de cerâmica de porcelana e ela tem qualquer batidinha, ela vai lascar. Porque a força ela não tá nem na rigidez, nem na no excesso de maleabilidade. A força ela vem do equilíbrio, né? É muito interessante que a gente fala muito de temperança, mas a gente não vê a temperança na prática. E a força vem da temperança, né? Então, a força emocional, ela não vai vir do você pegar as emoções, abraçar elas e ficar ninando, mas ela também não vai vindo você rejeitar o que você tá sentindo, a força emocional, ela vem do você sentir na medida necessária. Do você dar espaço para crescer, evoluir, mas não também não tender para um lado do você cultivar algo, entende? Então a força emocional, ela é muito mais o saber viver o necessário daquilo do que você ficar buscando uma rigidez ou essa repressão. Então não é o não chora, mas também não é o AI pode chorar, isso pode ficar um dia inteiro chorando por 2 semanas, não, também não é isso. Então a força ela vai estar sempre nesse. Meio do caminho nesse ponto de equilíbrio. Pessoa 1 E em relação a isso da força, é viria também de primeira. Na minha, quando você me perguntou onde é que vem de primeira? A gente faz sempre referência à questão física, né? Já no emocional, poderia também dar a ideia de que quanto mais forte é uma pessoa, menos ela expressa o que ela tá sentindo, menos e a gente tá, vai fugir completamente disso. Aliás, é esse episódio. É para a gente mostrar como muitas outras coisas fazem. É as nossas emoções ficarem fortificadas, mas não é anão não mostrar fragilidade, né? Que que contaria para isso? E nós queremos fazer uma conversa que seja bem prática, né? Fugir um pouco da só das teorias e mostrar como é que pode. Comportamentos que são feitos é frases que são faladas, atitudes que são tomadas dentro do lar. Elas teriam um impacto tão grande. A inspiração que que me veio antes da desse episódio, eu comentei com o padre Manoel, nosso diretor, foi através de uma fala do padre Léo, da Canção Nova, né? Que faz Descanso. E o padre Léo tinha umas homilias maravilhosas e só que era uma frase meio negativa. Depois eu fui atrás da frase um pouco mais completa ou do pensamento dele mais completo. E encontrei que num livro onde ele fala sobre a família, ele coloca a parte positiva, que é mais ou menos assim, as qualidades. E os e as capacidades dos filhos são filhos das qualidades e das capacidades dos pais. E na parte negativa, de certa forma, ele falava assim, os defeitos dos filhos também são filhos dos defeitos dos pais. É claro que não é uma relação matemática, né? Não dá para a gente estabelecer, mas até que ponto essa Fortaleza pode estar vinculada a essa AA essa ideia? Assim, já entrando no nosso primeiro tópico da família, ali da presença, o que que tem dentro da casa que a gente já começa a perceber? Que faz essa influência toda na nos filhos? O Lar como Laboratório Emocional para o Desenvolvimento Infantil Eu acho que é muito importante a gente lembrar que a casa, a família, ela é o primeiro ambiente que uma criança vai estar, né? Na Na igreja a gente conta muito que AA família, a casa é a igreja doméstica, né? A primeira catequese. Mas se a gente for parar pra pensar a casa, a família também é o primeiro laboratório que a pessoa vai estar. Uma criança, ela precisa de estimulação Pra Ela aprender. Qualquer coisa. Nós temos. Nós nascemos com a potência da linguagem. Mas se a gente não for estimulado a falar, a gente não vai aprender a falar. Da mesma forma. É a se AA criança cresce numa casa em que ela pode dar a opinião dela. Ainda que a opinião dela, ela vai trazer um ponto que não tem o menor sentido, mas você vai ouvir ela. Ela não vai ter medo de falar o que ela pensa, porque aquilo, a ideia da criança pode não ter sentido, mas o pai deixou ela falar. Então ela é como se ficasse uma pequena, um pequeno registro assim do ok, não importa o que eu fale, eu tenho espaço pra falar, mas aí acaba entrando num ponto, né? Como? Como pegar as coisas boas e não pegar as coisas ruins? Muito do que a gente. É na vida adulta, é uma construção do período completo, né? Então, da da infância, da adolescência, da Juventude e da vida adulta. Mas as principais marcas que nós carregamos surgem na infância, então, cada vez que uma família, ela oferece um espaço de acolhimento e ajuda essa criança a entender o que ela tá sentindo. Mas essa criança vai aprender a lidar com as emoções dela. Por quê? Porque é. Fazendo uma explicação breve, a maturidade cognitiva. Ela é atingida aproximadamente aos 25 anos de idade. Então, o que quer dizer a criança? Ela pode parecer muito com o pai, com a mãe, mas ela não é um Mini adulto. Então, quando a gente está falando com uma criança de 46 ou até um adolescente de 15. Ele não tem capacidade cognitiva o suficiente para lidar com aquilo, como o pai e a mãe, porque o cérebro dele não atingiu essa maturidade. Então, do ponto de vista orgânico, ele já está em desvantagem. E é muito importante os pais terem noção disso, porque eles nunca vão estar de igual. Oo adolescente vai achar que vai estar falando com o pai de igual, mas ele não está. Isso é importante porque uma vez que o pai entende que ele é o adulto da relação, ele vai conseguir. Usar da experiência dele pra ensinar o filho, ele vai conseguir usar das emoções dele pra para que o filho possa nomear. E ele vai a partir do que ele teve ou do que ele não teve, ou oferecer um espaço de maior qualidade e maior saúde pra essa criança. Pais Vão Errar: A Importância de Pedir Desculpas Então, não importa a vivência que esse pai, que essa mãe teve, ele pode tendo uma experiência ou não tendo uma experiência, saber o que ele deseja. E o importante eu acho que o principal é que não tem, não tem fórmula perfeita. As pessoas pensam, Ah, tem uma teoria, gente, a teoria. Ela funciona uma parte porque não tem como. Se tivesse uma fórmula perfeita, não teriam várias coisas que a gente tem na sociedade hoje, várias situações de mal estar, de de, por exemplo, a ansiedade e a depressão são uma. São as doenças emocionais com maior número de diagnóstico. A gente tá falando de mais de 3 bilhões de prejuízos anuais. Pela OMS, no último relatório deles do ano passado. Então a gente tá falando de um de quadros emocionais que geram prejuízo financeiro não apenas no Brasil, mas no mundo. Inclusive o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Esse é um dado muito legal, continuamos liderando isso e é assustador, mas por quê? Porque a geração de pais algum algum tempo atrás eles não sabiam, né? Era muito comum, não chora, fica bem, engole o choro. Guarda essa emoção, não fala isso, só aumenta esse mal estar. Pessoa 1 E é muito, é muito. Pode ser muito pesado, né? Se a gente parar pra pensar assim em nível objetivo, essa carga toda sobre os pais. Mas a gente precisa lembrar, como você bem observou, que é uma construção, né? A gente, os pais, enquanto estão sendo pais, eles estão aprendendo. É diferente da gente se preparar e depois ter que demonstrar uma coisa que você já estava preparado. Com a educação dos filhos não acontece isso porque é primeiro ninguém começa a ser pai até ser e segundo, porque cada indivíduo, né? Quando vem outro filho e tudo mais, é outra demanda. Pessoa 2 É totalmente. Pessoa 1 Diferente, diferente. Então a gente esbarra numa situação, Talita, que o muitos pais talvez tenham uma cobrança muito grande sobre si mesmos, porque parece que eles têm que se ver perfeitos e emocionalmente equilibrados, Fortes, saudáveis, para depois fazer isso com os filhos, só que na prática. É praticamente impossível, porque eles também estão teoricamente aprendendo, né? Dessa forma, então como que você acha que poderia dar uma dica assim para os pais? Como equilibrar essa? Esse lado pessoal de se ver limitado também na parte emocional, mas ao mesmo tempo tendo que lidar com o adulto da relação, né? Essa frase que a gente ouve tanto, né? Esse é o adulto da relação. Pessoa 2 E o pior é que é se tornar mais um peso e mais uma cobrança. Essa frase é, eu acho que. AO melhor caminho pra esses pais é eles entenderem que eles vão errar. Eles são humanos, eles vão errar. Eu sempre falo isso. Eu estudo psicologia há quase 10 anos, considerando faculdade, os cursos, mestrado, e eu tenho certeza que quando eu tiver um filho, eu vou errar muito, porque não tem teoria que impeça o erro, porque às vezes é um não que você falou com um tom mais grave ou você foi mais incisivo. Aquilo vai chatear o seu filho e você não vai saber. E não é essa a situação que vai ser decisiva, mas a ela pode se juntar com vários outros bidãozinhos que forem acontecendo em outros ambientes e aquilo gerar um mal estar no seu filho. O importante é saber que vai errar. E o mais importante é uma vez que tem errado o pedir desculpas, porque quando filho vê que o pai erra, mas ele pede desculpas, ele aprende uma coisa, não tem problema eu errar, deixe que eu peça desculpas. Muitas vezes o os pais vão chegar em casa cansados do trabalho, vão ter tido um dia estressante, vão estar passando por alguma situação e vai ser naquele dia que o filho vai querer contar o detalhe do desenho que ele fez na aula de arte. Enquanto isso, ele tá tendo que finalizar alguma outra atividade. Ele vai tá cheio 1000 coisas na cabeça e pode ser que ele dê um grito ou pode ser que ele dê um basta e fala que não quer escutar. E a criança vai ficar super triste e vai se retirar do ambiente. Primeira coisa que esse pai vai sentir provavelmente é culpa, mas tem como ele não estar estressado? Não, ele vai estressado. Ele teve um dia caótico e tá tendo uma criança que tá demandando muito dele. Acontece e tudo bem, é o melhor cenário, não é o melhor cenário, mas ele vai acontecer e uma vez que ele aconteça. Poxa, filho, poxa, filha, desculpa, papai estava com cabeça cheia, não devia ter gritado com você. Olha, eu vou tomar um banho e depois a gente senta, e aí você me conta mais do seu desenho da aula de arte? Então, assim, eu acho que o primeiro ponto é o pai reconhecer quando ele erra, porque quando ele reconhece que ele errou, a criança já vê, OK? Eu. Meu pai e minha mãe, meus super-heróis, eles podem errar, mas eles podem corrigir. E uma vez que o pai faça isso, ele confirma a autoridade dele, porque ele mostra que a autoridade não torna ele infalível, mas, pelo contrário, ele tem a humildade de reconhecer quando ele erra. E uma outra coisa que eu acho que ajuda muito é os pais, eles terem pequenos momentos de transição. Que que seria isso? Por exemplo, Ah, você vai chegar em casa, sabe que os seus filhos vão estar te esperando? Pô, você vai voltar para casa se você conseguir escutar 3 minutinhos de música, curte essa música por 3 minutinhos? Ou, Ah, se você for chegar em casa, seus filhos ainda não chegaram, toma um café ou toma um chá ou um suco, o que quer que seja. Por quê? Porque esses pequenos momentos de você com você. Você prestando atenção no presente, no aqui, no agora, você vai relaxando a sua mente e você vai virando a chavinha do eu não estou mais no trabalho. Você ainda vai estar com aquela, com aquela aceleração, com aquele mal estar, com aquela energia. Mas você vai ver, poxa, eu estou em outro ambiente. É como se fosse uma virada de chave. Nem sempre isso vai ser possível, mas pode ser interessante para ser como um reset. Na mente, sabe, pra conseguir receber essa agitação que as crianças, né, que os adolescentes sempre trazem? Pessoa 1 Quando um pai ou quando um adulto reconhece o próprio erro e pede desculpas, isso é mostrar força emocional, né? É, a força não está em na, no, como você bem observou, né? Em não errar. A força é o é o equilíbrio, e o equilíbrio é OPA, tive um excesso. Da mesma forma que às vezes a gente tem carência, né? De de um, de um afeto que deveria existir ali. E isso faz muita diferença de fato. Não só por causa do exemplo, mas por causa da construção da gente como adulto, né? Que a gente não pode esquecer que não estamos formando isso de nós. Já estamos acabados. Acho que essa essa leitura de si mesmo, né? Professores também, formadores em geral, olhar para si mesmos como aprendizes, também das próprias emoções, para a gente ajudar esse letramento emocional nos outros é é essencial. Ensinando Crianças a Nomear e Validar Suas Emoções E eu e eu já queria entrar um pouco nesse detalhe, já que teoricamente o cérebro do adulto ele já daria mais conta, né? Na teoria de se olhar, de ter essa autorregulação, o que o que pode ser falado assim para os pais, para que eles possam ajudar os filhos a terem uma leitura das suas emoções, dos seus sentimentos, dos seus afetos? Pessoa 2 Eu acho que é importante a gente partir do pressuposto que, da mesma forma que a criança, ela vai aprender as cores, os números, os objetos, ela precisa aprender que são as emoções, né? Tenho até uns livros que eu gosto muito e que eu costumo indicar pros pais dos meus pacientes comprarem. Um deles é o tenho monstro na minha barriga, que foi o primeiro livro de tratamento emocional lançado no nosso país. Assim, ele acho que, se não me engano, foi lançado em 2002 ou 2013 assim. E ele tem a tem 3 edições agora, né? Tem o primeiro. E aí a medida que a criança vai crescendo, vão surgindo as novas emoções. Ele é muito interessante porque ele ajuda a criança a entender o que ela tá sentindo. Então, primeira coisa que é importante é o pai ajudar essa criança a nomear, porque uma vez que a criança consegue nomear, ela consegue expressar o que ela tá sentindo. Por exemplo, a criança, ela tem uma visão muito dicotômica, para ela é bem ou mal? É preto ou branco? É alto ou baixo? Ela não consegue ver 2 coisas opostas combinadas. Então pra criança é um absurdo ela sentir raiva do pai dela. Ela assistir raiva da mãe dela, porque é como se essa raiva ela fosse destruir a relação. Ela fosse assim, Ah, eu senti raiva. É a pior coisa que eu posso sentir do mundo. Então se eu tô com raiva do meu pai e eu não amo meu pai, então não posso sentir raiva dele. Você vai sentir raiva. Então, às vezes esse pai virar e falar assim, você está com raiva? Não, não estou com raiva não, porque se você está tudo bem, se você estiver com raiva, aí a criança, ela vê, ela fala, não, eu estou com ela, vê que ela tem espaço para sentir aquela raiva, sabe? É, a emoção dela é validada. Isso é muito importante porque muitas emoções têm estigmas, o medo, a raiva, a vergonha, são emoções que você coloca, como se você não pudesse sentir. APT tristeza, né? Recentemente eu tive uma perda familiar e a frase que eu mais escutei é, tá tudo bem, vai ficar tudo bem. E eu pensava assim, não, não vai ficar tudo bem. E a gente como sociedade, tem essa mania de ficar falando que vai ficar tudo bem e não sabe. Você vai sentir essa perda, você vai chorar, você vai ficar mal e depois as coisas realmente a vida vai seguir em diante. Mas aquela tristeza, ela vai existir. E então se fica bem. Eu lembro que teve uma vez que eu estava conversando com meu esposo, eu fiquei, que raiva desse fica bem, porque eu não vou ficar bem. Agora eu vou demorar, ficar bem. Eu então acho que a primeira coisa que é importante é esse pai entender que aquela emoção do filho dele, ela não vai desaparecer simplesmente porque ela é desagradável, ela pode até não ser expressa, mas ela vai ficar ricochitindo dentro dele, então dá espaço para essa criança sentir. Então você está com raiva, você está com medo, você está com vergonha, porque às vezes você pode pensar assim, Ah, mas o meu filho sabe. Raiva. Mas ele sabe que ele pode falar da raiva para você. Ele sabe que ele pode sentir raiva dessa pessoa. Ele sabe que a raiva e o medo podem existir juntos, porque a criança, ela não entende que as emoções podem existir juntas ao mesmo tempo. Então, ajudar a criança a entender, a expressar o que ela tá falando é conseguir dar força para ela, para numa outra situação, ela já chegar e falar assim, papai, eu tô com raiva do meu amigo porque ele quebrou meu lápis hoje. Puxa, filho, Sério, ele quebrou o seu lápis. Ah, mas porque aí o pai vai ajudar o filho a entender a situação, porque a emoção pela emoção a gente não pode, simplesmente a gente tem que entender o contexto, né? Então, mas o que que aconteceu, seu amigo, ele quebrou o seu lápis, Ah, a gente tava brincando, aí ele foi, a gente tava brincando de bateria, ele bateu com lápis na mesa e o lápis quebrou. Ah, então foi um acidente, filho, é, poxa, é uma pena, mas acidentes acontecem. A raiva da criança foi validada, mas é ao mesmo tempo, ele entendeu que foi um acidente, então o amigo não quis prejudicar ele. Isso é importante porque o pai, ele consegue entender a situação como um todo, ele consegue ter uma visão macroscópica, e a criança, ela não consegue porque ela é uma criança, sabe? É aquilo, você não pode dar carne de porco em quantidade excessiva para uma criança pequena, da mesma forma que você não pode esperar que ela vai ter uma leitura social da emoção dela, isso é uma coisa extremamente complexa, sabe? Então o. Ajudar a nomear é muito importante, mas também o apresentar o contexto dessa emoção, como aconteceu, principalmente criança pequena, né? Sempre acontece acidente na escola. Aconteceu uma situação engraçada na semana passada com a minha, com a minha sobrinha, e justamente isso que a minha irmã recebeu um bilhete que a amiga tentou pegar a boneca dela, aí acabou que a amiga bateu nela, mas tudo foi resolvido. O que que aconteceu basicamente foi, ela queria pegar boneca, a outra puxou e aí acabou batendo na minha sobrinha. E acontece porque aí a conversa foi, poxa, filha, mas você não quis emprestar boneca, porque você não quis emprestar boneca? Ah, entendi, aí você, mas ela pediu desculpa, pediu ela. Ah, mas então da próxima vez você conversa com ela que você não quer emprestar boneca naquele momento e você empresta depois, porque é importante emprestar. Aí ela virou e falou assim, é, eu vou emprestar o meu batom Pra Ela. É bonitinho, mas você vê que toda oportunidade é uma oportunidade de você ensinar a criança que a emoção dela é válida, a tristeza, a raiva é válida. Mas não é só isso que tá ali. O que que eu posso tirar? Só que se você começar já querendo. É dar um sermão, explicar a criança. Ela não vai ouvir. Primeiro ela precisa acalmar o organismo dela, porque as nossas emoções são processos químicos e biológicos. Então, primeiro ela precisa ser acolhida, ela precisa ser ouvida para que todo sistema de alerta dela, o cortisol, possa baixar a as sinapses químicas possam ser reduzidas. E uma vez que isso acontece, ela vai estar disponível para ouvir esse contexto social que o pai tem para dar. E isso vai fortalecendo essa criança, esse adolescente, aos poucos. Pessoa 1 Isso de validar os as emoções é, não é para ser confundido também com o fato de falar que você tem que sentir isso o tempo todo, não é? Não é tipo, é, sinta isso, aproveite, é validar. É, faz parte. Chegou, né? Ela, ela apareceu aí e às vezes eu eu sinto bastante nos alunos. É, quanto mais novos, mais sinto isso. Eles confundem muito as coisas que aconteceram com as coisas que eles estão sentindo, né? É impressionante, eles falam, eles falam tudo misturado, né? O que aconteceu e o que eu tô sentindo e às vezes o que eles estão sentindo é diferente do que aconteceu, então eu acho que também é legal, é isso que você bom exemplo, né? A segunda pergunta que você faz depois do que ele contou o que aconteceu é, como você tá sentindo? Vai obrigar ele a se olhar e ter que. Trazer ali pra validação, né? Qual era o sentimento e a e a emoção que estava que estava aparecendo naquele momento, né? Pessoa 2 Sim, acaba que eu brinco que as emoções delas são igual lentes coloridas. Se você está com raiva, é como se você estivesse com uma lente, sei lá, vermelha. Então você vai ver tudo avermelhado. É quando você faz uma leitura com base simplesmente nas suas emoções. A sua leitura vai ser tendenciosa. Por isso que é até importante. O adulto, né? O pai, a mãe, a avó antigo, a pessoa que cuida da criança. É Ela ajudar ela a perguntar pra essa criança, Pra Ela entender o além da emoção. Porque quando uma pessoa tá com raiva, ela vai contar história com muita raiva, né? Tanto que a gente escuta a história quando a pessoa tá no calor do momento e depois de formas diferentes, porque a emoção deu uma baixada e ela consegue ser mais racional, então ela consegue ser mais fidedigna. E tem um fato também de que dependendo da carga emocional a situação, ela vai ser armazenada de forma diferente no nosso cérebro por conta da do viés emocional. Isso acontece. A Frustração e os Limites Essenciais para o Amadurecimento Então é muito importante entender essa diferença do validar pro também. Ah, pode ficar chorando por uma semana no quarto, porque a criança ela precisa de limite, né? Tanto que eu eu já tive pais perguntando isso, né? Como é que qual é a diferença de eu validar o meu filho, de eu me tornar refém dele? A diferença é justamente o limite, porque se eu puder dar um conselho é pais, não tenham medo de ser pais. Sabe o pai e a mãe? Ele tem que ser pai e mãe. Ele tem que dar limite. Ele tem que falar não. Já chega, você vai fazer tarefa assim, ser rígido. Ser rígido não é ser grosseiro, não é ser agressivo, mas é dar limite. É mais uma vez a história da garrafa não é aquele limite que qualquer coisa quebra porque é muito rígido, mas é da estrutura. Então, uma vez que a criança ela tá triste, tudo bem, ela fica triste, mas não tem sentido ela voltar na mesma história por 3 dias. Então é filho, a gente já conversou sobre isso, porque você tá trazendo isso de novo. É o que que tá acontecendo, porque muitas vezes, quando a criança, ela ela fica nessa ruminação emocional. É um sintoma de um quadro de ansiedade que pode estar sendo manifesto. É um sintoma de que talvez alguma coisa não ficou bem resolvida, porque não é, não é saudável, sabe? Então é quando os pais, eles dão espaço pra criança sentir, eles estão dando essa estrutura, mas às vezes é necessário, principalmente quando é briga entre irmãos. Que o pai vire um modo de falar assim já chega, acabou, você ficou triste, pediu desculpas, está tudo bem agora acabou, acabou esse assunto. Por que acabou esse assunto? Porque a emoção já foi reconhecida, ela já foi validada, já a relação, já foi reparada. Não tem porque ficar remoendo aquilo. Algumas crianças, alguns adolescentes, eles podem ter uma tendência de maior ruminação. Mas aí cabe o pai virar, falar. Pessoa 1 Nome que é característica da pessoa, é característica da pessoa. Gente que guarda mais coisas, né? Tem gente que passa rapidinho, né? Por elas. Pessoa 2 Tanto que tem gente que você fala, ela vai lembrar da data é que aconteceu a briga com a amiga. Pessoa 1 É. Tem gente assim mesmo? É, às vezes também. Eu percebo que é quando uma criança, quando um adolescente, eles manifestam um sentimento, uma emoção que a gente não gostaria que eles estivessem passando uhum. Dá vontade de você mudar a situação, mudar, resolver esse problema. E é natural, né? Imagina os pais, nenhum pai gostaria e quer ver o filho sofrendo. Então também tem algumas vezes que a gente começa a perceber crianças e adolescentes manipuladores, muito manipuladores, porque eles pegam essas emoções e essas coisas que aconteceram jogam pra gente. E se a se a gente não perceber, às vezes com uma certa malícia entre aspas. Você começa a falar assim, não, Ah, tá me falando isso para me sensibilizar, porque quer que eu mude uma situação. E às vezes Eu Acredito que ter essa essa noção de que OPA, nem tudo que também que a criança está falando está manifestando, depois de a dela saber dizer quais são as emoções, significa que eu tenho que fazer alguma coisa para dar uma resposta para essa emoção, né? E é difícil isso porque às vezes você vê ali acontecendo e se você mexesse. Um pauzinho ali mudasse as circunstâncias, mudasse de uma exigência. Você troca a emoção da da criança, mas é isso, será que ela está precisando? Pessoa 2 É, é muito importante isso, porque aí a gente entra num fator que é muito polêmico, né? Quando eu geralmente abordo isso com os pais, eles ficam um pouco ressabiados, que é, a criança precisa ser frustrada. Por quê? Porque quando a criança ela é frustrada, ela amadurece. A frustração, o não, o limite ele dá. Ele é como se ele fosse aquela poda que ajuda a árvore crescer mais saudável e mais forte. Então, quando o pai ele deixa o filho resolver a situação emocional dele, ele lidar com aquilo e tentar compreender o que tá acontecendo. Quando ele dá esse espaço ali, o amadurecimento acontece. Por quê? O ou é claro que eu não sou mãe, mas pelo que eu escuto, né? Das pessoas próximas que são mães e pais e dos meus próprios pais, é que se pudesse, eu tiraria todas as dores e sofrimentos do mundo do meu filho. Mas é com aquele, não é com aquela nota baixa, porque ele não estudou como deveria, porque ele tava jogando, porque ele tava vendo TV ou porque você falou 30 vezes ele ficou no quarto fazendo tudo, menos estudar. Aquela situação, ela tem que acontecer, ela tem que ser um balde de Água Fria para que essa criança, esse adolescente, possa crescer. Que ele possa entender que o que acontece tem consequência, porque tem sim, crianças manipuladores, é adolescentes manipuladores. Criança manipula gente porque tem adulto que fala AI, meu filho não manipula, manipula. Principalmente quando a criança aprende a mentir, quando a criança entende que é mentira. Pessoa 1 É uma ferramenta, né? Pessoa 2 Muito e especialmente com pais separados, porque o que que a criança faz? Ela conta, fala com a mãe, aí a mãe fala não, aí ela fala com o pai, o pai fala não, aí ela vai falar aqui um que o outro disse sim. Quando a criança aprende que ela pode jogar com as palavras, com a história, com a meia verdade, os pais tão lascados, porque você vai passar anão conseguir. Entender o que é verdade ou não do seu filho. Então daí vem a importância de uma boa formação desde pequeno, que é dar espaço para criança falar a verdade. Mas se ela, independente do que ela falou, ela tem que entender que tudo tem consequência, tanto consequência boa quanto consequência ruim, então, poxa, se ela vai bem numa atividade, se ela você vê que ela está se esforçando, você vai desejar parabéns. Você fala, filho, eu estou muito feliz com seu esforço. Ah, tudo bem, pode não ter tirado aquele 10, mas esse 8 é o fudeu tudo de muito esforço seu. Então essa criança tá sendo reconhecida AI? Pessoa 1 Filho não ofereceu 10 pro filho, né? Pessoa 2 Exato. Não é brigar com o professor porque o filho não tirou uma nota que deveria. Quanto essa criança estudou essa criança? Ela tirou essa nota porque o material não teve material de estudo. O material de estudo não estava adaptado às necessidades da criança ou porque a criança não estudou, entende? Então é importante o pai entender que o filho, ele precisa da frustração, porque a frustração vai ajudar ele a crescer. Eu tenho certeza que se eu perguntar dos elogios que você recebeu, você vai lembrar, mas foram os comentários críticos que ajudaram você a ser a pessoa que você é hoje, porque muito com muito é muito mais a. Pessoa 1 Gente, lembra mais, aliás, lembra mais da crítica, né, do que infelizmente? Pessoa 2 Exato. Porque aquela crítica, em algum momento, ajudou a traçar o seu caminho. É naquela crítica que você se tornou mais reflexivo. Você conseguiu olhar pra pontos em você que talvez você não enxergasse, pra você poder ser uma pessoa melhor, um marido melhor, um profissional melhor. Então é necessário essa dificuldade, esse obstáculo pra que essa criança cresça até mesmo do, por exemplo, se a criança pequena de 23 anos, ela quer mexer no abrir a canetinha e o pai já abre a canetinha, por que ela vai desenvolver isso daqui? Ela não vai desenvolver porque tem alguém que faz Pra Ela, sabe o nosso organismo, ele vai querer o menor esforço. Então pra que eu vou aprender a comer sozinho? Se tem alguém que pra me dar comida? A criança, ela vai se acomodar, o adolescente vai se acomodar. Para que eu vou resolver o meu problema com a minha amiga? Se o meu pai vai aparecer na escola e vai lá com a coordenação para a coordenação resolver o problema, você entende? Então, o adolescente, a criança, ele deixa de ter autonomia, ele deixa de ter a possibilidade de resolver as coisas, porque ele não tem que encarar os desafios. Mas é isso que vai permitir ele alcançar virtudes e habilidades. Condizente com a etapa que ele vai estar, vai estar passando a enfrentar, né? Então, um adolescente que ele não sabe lidar com situações é de desafiadoras na escola. Ele não vai conseguir lidar com os trabalhos de faculdade. Ele não vai conseguir lidar com um problema com o chefe num estágio. Pessoa 1 Porque está sempre acostumado a que alguém faça no lugar dele e quando ele precisa, já não consegue mais ter essa ferramenta. Lidando com o Tédio e Conectando Através da Mídia Né, e o que eu tenho visto acontecendo muito no consultório é que o as crianças, elas não sabem lidar com o desconforto. Sabe? Com tédio e com e com desconforto mesmo. Às vezes você vai trabalhar alguma coisa com adolescente e ele fala assim, não, eu não consigo falar sobre isso. Eu não consigo lidar com isso. Tudo bem, mas a gente tem. Pessoa 1 Mas. Pessoa 2 A gente tem que lidar com isso. Ah, não, mas eu não quero. Tudo bem, a gente pode não lidar diretamente, mas a gente tem que trabalhar quando adolescente, quando eles estão reativos assim, eu tenho alguns pacientes reativos assim. Eu sempre vou pela tangente, né? E que eu acho que é até legal, que é uma dica para os pais para tentarem abordar certos assuntos com os filhos. Eu vou, vou com base em filme ou série, né? Então geralmente peço para eles verem algum filme e aí a gente começa a falar do filme, só que quando ele, o adolescente, ele fala do filme, ele está falando da visão dele. Pessoa 1 Ah, na hora de contar o que? Pessoa 2 Ele, exato. Então, por exemplo, ser ouvido pra você, falo, qual é a sua série preferida? Você vai me falar a série e eu pergunto, seu personagem preferido, a sua escolha do personagem tá falando sobre o que você valoriza, porque você se identifica com o personagem? Eu tenho uma paciente, por exemplo, que ela tá num quadro depressivo muito forte e ela não sai de casa nesse nível, ela não sai de casa. E aí eu comecei a perguntar de série e ela me falou de uma série que eu até me perguntei, como ela viu essa série? Porque é eu até adolescente quando Ela Foi lançada, né, que é prit do the Lies. Que era uma série Americana. E ela escolheu uma protagonista que tinha questões com imagem, com aparência, e queria muito ser aceita pelas pessoas. E qual era a demanda dela? Justamente. Ela tinha uma baixa autoestima muito grande. E um dos time dela não querer sair de casa é porque ela não teria ser vista. Então, quando ela? Pessoa 1 Escolhe ela, entregou de bandeja ela. Pessoa 2 Entregou. Entendeu? Então assim, quando você conversa com um adolescente, com um jovem do, porque ele gosta de uma série, porque ele gosta daquele time, porque ele gosta daquele jogador, ele vai falando para você o que ele valoriza, qual é o medo dele? É o que, o que para ele é aceitável fazer para ser aceito. Então, Ah, tá muito difícil conversar com meu filho sobre amizade. Senta para ver um filme com seu filho sobre amizade e conversa. Ou ainda que o tema não seja amizade, pega um filme aleatório e tenta usar aquilo de material, entendeu? Pessoa 1 Interessante você falando nisso. Eu pensava o tempo todo para mim, por exemplo, como professor, que tem um Monte de alunos, né? Eles direto vem. Eu gosto de perguntar o que que vocês estão assistindo, qual é a série, qual é o filme? Só que chega 1 hora que é impossível você assistir tudo que eles assistem, né? Para você ter 11 resposta. Mas também isso requer dos pais, dos próprios pais estarem 11 pouquinho, mergulhados também na realidade que os filhos vivem, né? Do que eles estão assistindo, o que que eles estão lendo, o que que eles estão ouvindo de música? E às vezes, parece que esse mundo vai ficando cada vez mais distante, né? E aí parece que os filhos falam coisa e ficam, Ah, não, isso aqui é coisa dessa geração, mas é que são as coisas dessa geração. Assim que que tão fazendo sentido pra vida do do pai, né? É pro do filho no. Pessoa 2 Caso é porque acaba que é o pai. Ele já tem muitas demandas, né? O trabalho é o casamento, é as relações, mas o filho também é uma demanda, né? E é muito importante. Pessoa 1 É o nosso próximo tópico, né? Presença, presença real. Pessoa 2 Isso é muito importante. Pessoa 1 Já puxar? Pessoa 2 Já vou puxar porque assim vamos pegar pra pensar é, eu não consigo imaginar uma criança ver um conteúdo e que o pai não não saiba. Sabe porque? Assim? Eu tento lembrar da minha adolescência, eu não consigo pensar uma série que eu via que os meus pais não sabiam, porque é aquela aquela participação silenciosa. Eu lembro que as vezes eu tava vendo TV ou até mesmo no meu, na sala ou no meu quarto, e a minha mãe entrava pra falar alguma coisa, aí ela parava, Ah, tá vendo o quê? Ah, uma série é sobre o quê? Aí eu contava, e aí ela via, poxa, mas você acha legal você ver um negócio desse? Você acha que não tem a ver, filha? Ah, poxa, que legal é. Depois você me fala, vamos tentar ver junto. É claro, não é? Pessoa 1 Aquele controle assim, né? Não é é diferente daquele de eu tenho que aprovar, né? Pessoa 2 Exato, porque o que acontece é o seguinte, é, tem certos, por exemplo, você impedir uma criança de ver televisão. Se você faz uma coisa dessa, você tá botando seu filho numa bolha em que ele não vai conseguir se relacionar com ninguém. É a mesma coisa que você virar agora é plena Copa do Mundo e falar assim, eu não vi nenhum jogo. Eu não sei nem se a eleição escrita na copa. Como você não sabe da piada que a Itália tá, não tá na copa, mas tá, sei lá, o Cabo Verde que todo mundo fala? Pessoa 1 Não sabe quem é a vozinha? Pessoa 2 Exato. Como assim você não sabe das figurinhas que tem figurinhas valendo 3000 BRL, né? Então, assim. Pessoa 1 Eu não sabia dessa. Pessoa 2 Informação é uma. Acho que é do mestre e do Cristiano Ronaldo, que é brilhosa. As 2 juntas vem valem tipo muito gente. Eu descobri isso com um paciente que ele estava me falando que um amigo dele viu as 2 anunciadas. Acho que por 2000, alguma coisa assim. Enlouquecedor esse. Pessoa 1 Submundo do submundo, aí você vai aprofundando, interminável, né? Pessoa 2 Interminável. Mas uma coisa que é fundamental é se o pai tentar se fazer presente, né? Do tentar, filho, tá vendo TV, poxa, vamos ver um filme junto, cara. Que seja um filme a cada 2 semanas, mas tenta ver um filme com ele. Pessoa 1 Aliás, falando em filme, a maioria dos adolescentes não assistem não eles? Pessoa 2 Não têm eles não, não têm. Pessoa 1 É bizarro? Pessoa 2 Isso é muito difícil, até porque a maioria das coisas que eu uso com adolescente é filme, só que eles não veem filme. Pessoa 1 Porque é muito longo. Exato. Qualquer coisa de mais de 15 minutos, eles às vezes eu vou, gente, tem um vídeo aqui sobre aceitar uma matéria. Tem 15 minutos como se fosse um absurdo. Pessoa 2 Como assim 15 minutos? É isso é assustador. Pessoa 1 Já é um desafio, né? Se conseguir ficar ao lado do teu filho assistindo a um filme completo ou um episódio de série, já tá. Sinta se. Com um grande avanço em relação a outros, não. Pessoa 2 Ainda mais se você ou o pai vai pensar um adolescente num fim de semana ver um filme com os pais, sabe? Você vai reduzindo ainda mais a chance de acontecer. Mas é muito importante porque primeiro que o filho, ele vai sentir que o pai tá interessado nele, nos gostos dele e ao mesmo tempo, esse pai, ele vai conseguir entender o que o filho dele tá vendo, quem é o personagem que o filho dele torce. Pra qual casal a filha torce pra ficar junto? Porque são nessas pequenas escolhas que você consegue ver. Eu brinco, é, eu tenho um paciente que ele tem 11 anos, né? Então ele tá naquela transição e é muito engraçado, porque tem sensação que ele quer conversar, tem sensação que ele quer brincar, tem sensação que ele quer desenhar. E ele falava assim, que que isso tem a ver com psicologia? Aí eu falava, olha até a ordem das cores que você escolhe pra pintar um desenho, tudo isso tudo a ver, porque você. Como a criança ela constrói, a ideia é a escolha do personagem, do porquê aquele personagem é legal. Ah, porque ele é bonito, é porque ele é inteligente, é porque ele é um bom amigo. Você começa a ver o que que aquela criança valoriza, o que que ele ele sente valoriza. Isso é muito importante, principalmente no caso dos adolescentes, porque você começa a ver pontos de atenção. Poxa, filha, ele é bonito, mas olha, ele não tratou bem ela. Aquele outro. Ele pode não ser tão bonito, mas ele foi muito mais gentil. Você começa a ver que talvez a visão do seu filho adolescente ou da sua filha adolescente esteja indo para um lado que você não acha bom ou ou talvez seja muito superficial. Então é importante porque é uma forma de você se fazer presente no ambiente dele, porque o adolescente ele não vai vim para o ambiente do adulto. Se ele faz isso, ele vai estar mascarando muita coisa. Mas se o adulto tenta ir pro ambiente do adolescente e esse adolescente permite, ele consegue verdadeiramente compreender o que se faz presente então? Pessoa 1 Muito legal isso. Pessoa 2 Essa presença é muito difícil nos dias de hoje, mas quando os pais conseguem, as experiências são muito enriquecedoras. Pessoa 1 Muito é a é muito amplo, né? A Presença Real dos Pais e o Desenvolvimento Biológico O tema da presença. Amplo é presença real é cada vez mais difícil, né, com as entre os próprios adultos estarem todos realmente presentes ali, né? Eu vejo isso quando a gente se reúne com os amigos e todo mundo, né? É? Aliás, não sei se é uma coisa de todo mundo ou uma coisa mais do meu ciclo de amigos. Tem sido cada vez mais frequente essa a ideia de ficar tirando fotos, de ficar postando. Às vezes estão acontecendo encontros de novo, onde ninguém tira foto do encontro. Sim, e isso é uma coisa boa, né? Porque não ficou? Pessoa 2 No celular? Pessoa 1 Não ficou no celular, mas mesmo assim é difícil todo mundo estar ali. Sim, qual é? OOO passo, qual é AAAA. Dica, talvez para os pais. Assim, para que essa presença real comece a acontecer de forma natural e não programada e não forçada, né? Pessoa 2 É OA. Pior coisa para o adolescente é quando você tira o celular dele, né? Ele entra em colapso nervoso. É mesmo ele. Eles ficam desesperados e quando a pessoa ela está feliz, ela está envolvida com o ambiente. Ela não vai querer se distrair porque o celular, ele entra na nossa vida como um elemento de distração, porque com o celular você não fica entediado, você não fica com desconforto. Por exemplo, eu lembro que quando eu era adolescente, eu era muito, eu sempre fui muito tímida, é, e às vezes está em algumas situações, tipo de festa ou quando pessoas próximas não chegavam, era muito desconfortável, só que você tinha que ficar ali e você não tinha celular, não tinha smartphone. E você tinha que ficar ali. Você tentava conversar e você conversava com aniversariante ou, sei lá, com uma pessoa desconhecida. Com o celular, você pode ficar no cantinho com o celular e você não precisa falar com ninguém. Então você não precisa mais. Lembra do desconforto, da frustração? É mesmo? Você não precisa mais tolerar o desconforto. E a frustração é igual. Pessoa 1 De sair de si mesmo. Pessoa 2 Né? Comercial, cara, eu lembro aqui pra ver série, você ver filme, seja no Telecine. Tinha comercial de 2 minutos, mas tinha e era o tempo que você IA pegar o biscoito e o é sessão da tarde, o intervalo, você IA pegar o biscoito, você pegava o suco, você falava, calma aí que eu vou no banheiro. Era o tempo certinho pra você conseguir fazer as coisas. E hoje em dia eles não conseguem ver um vídeo no YouTube. Ou em qualquer lugar, sem você pular o anúncio, você pular a abertura. E isso é assustador, porque eu vejo crianças pra minha sobrinha tem 2 anos, ela quer pular o anúncio, não tem que ver, você não quer ver o desenho, tem que esperar. Aí fica dando anúncio de 1 minuto, porque ela tem que entender que ela tem que esperar, porque não é saudável, a gente vai esperar na vida, né? Então eu acho que já começa o momento de entender que se você não tem nada de interessante pra pessoa. Ela vai querer se distrair e ela vai pro celular, porque a cada scrolling que ela dá no celular é uma liberação de dopamina. Então é como se a cada movimentação no celular ela tivesse comendo 11 chocolate muito gostoso. A comida preferida dela é a mesma liberação dopaminérgica, então assim é viciante, literalmente. Então se a gente for parar pra pensar, Ah, eu quero que minha filha adolescente fiquem menos no celular, eu quero ter presença com ela. Cara, você não vai conseguir isso vendo jornal com ela. Você não vai conseguir isso botando as músicas sei lá do do Roberto Carlos. Você não vai conseguir pensando no que você gosta, para você conseguir engajar esse adolescente que que ele gosta é. Pessoa 1 Legal o que você falou na anterior, né? Você que tem que ir para o mundo dele, não esperar que ele venha para o seu mundo. Exato, não vai acontecer, né? E se acontecer? E porque tem alguns adolescentes principalmente, né, que vem para o mundo do adulto e aí você fala assim. Pessoa 2 Pá. Pessoa 1 É, tem alguma coisa? Tem. Pessoa 2 Alguma coisa aqui? Pessoa 1 É, é estranho, tá? Tá muito adulto, né? Pessoa 2 E não é saudável, porque acaba que pra essa esse adolescente, ele tá como um adulto. Ele teve que sacrificar muito a vida emocional dele. Ele teve que pular muitas etapas para ele se equiparar um adulto, porque lembra, a gente tem etapas para ele. Tá como um adulto. Ele pulou a etapa e. Pular etapa no sentido do desenvolvimento não é saudável, nunca vai ser saudável, a gente tem que seguir o passo a passo. Então eu acho que entender esse gosto, né? Por exemplo, Ah, a criança gosta de desenhar, pô, vamos fazer um compra, um papel, uma cartolina, vamos fazer um desenho, todo mundo junto, Ah, gosta de ver filme, vamos ver um filme? É, eu vou pegar um exemplo pessoal, né? Como eu não tenho filho, eu sempre volto pra esses exemplos meus. É eu tenho uma irmã que há 10 anos mais velha do que eu. Você imagina, eu tinha 5, ela tinha 15. É de uma loucura. É de uma loucura lá em casa. Pessoa 1 2 mundos seus pais estão de parabéns. Pessoa 2 É, eles lutaram muito, EEA, gente, é muito diferente. Ele é muito extrovertido, eu sou muito introvertido, eu gosto de ler, ela não gosta, então era um caos. Você sabe o que é do ponto comum? Nosso sempre filme, filmes da Disney, queria botar as 2, fazer uma coisa com as 2. Vamos ao cinema, ver um filme da Disney. A Disney sempre tinha lançamento. Vamos ver alguma coisa das princesas? Vamos ver Toy Story, vamos ver diário da princesa 2 meninas é até fácil nesse ponto de conciliar, mas aí num ponto que as 2 gustavam, quem não? Independente. Pessoa 1 Mas é cada vez mais difícil não encontrar esse ponto, porque eu estou pensando nas adolescentes de 15 anos vendo coisa de princesa com a irmã de. Pessoa 2 É no caso, não. Aí o que que o que que os pais podem tentar fazer quando não tem um gosto em comum? Você pode tentar ir por um tema. Por exemplo, Ah, adolescente às vezes gosta de maquiagem, né? Gosta muito, pelo menos as dos adolescentes que eu acompanho tem muito isso de maquiagem de é life style, né, do e a criança, a menina criança, muitas vezes ela gosta do brincar de boneca e do enfeitar as coisas. Então, por exemplo, uma mãe pode pegar essas meninas e levar e passar um dia com elas, né? Então vai ser esse dia que elas vão cuidar do cabelo, que elas vão cuidar da unha. Ah, se for um menino e uma menina. Pode ser, você pode ter um momento com os 2, aí vai ter que ser uma coisa mais meio termo, ou você pode ter um momento de qualidade com um e com outro. Aí aquilo vai depender da disponibilidade. Cada família tem uma configuração de tempo de tudo, mas eu acho que é importante. É da mesma forma que os pais se empenham para ser ótimos no trabalho, eles precisam se empenhar para ser ótimos pais presentes. Porque o que eu acho mais doloroso? Sendo muito honesto, escutar é quando a criança fala assim, Ah, é que minha mãe tava cansada do trabalho, aí ela mandou eu ir ver um vídeo, ou ela me falou que eu podia jogar videogame ou ela me deixou com a babá, porque a criança, ela vê que a minha mãe, ela não conseguia lidar comigo. E tá tudo bem. Nem sempre o pai vai lidar da melhor forma, mas quando você se. Pessoa 1 A leitura emocional dela é de de falta de presença. Pessoa 2 Quando você se omite totalmente ou você delega a presença na vida do seu filho? É triste, sabe? Porque uma presença de baixa qualidade é melhor do que nenhuma presença. Às vezes era melhor essa mãe, sei lá, posso? Pessoa 1 Ser forte isso, né? Pessoa 2 É porque imagina você não ter presença. É muito triste. É, é horrível assim. Eu tenho casos de de ative, casos de criança. Tem casos de adultos que não tiveram presença. E é muito triste aquela coisa que você escuta e você pensa assim, nossa, obrigada. Pela família que eu tive, porque você não ter a uma pessoa olhando para você literalmente parte do nosso sistema imunológico. Ele é desenvolvido no cuidado Face A Face. Então, quando tem uma criança pequena e você, o adulto, ele olha para criança para falar com ela. Esse contato, olhar, olho, você está ajudando o sistema imunológico do seu filho a se desenvolver. Então, uma criança que não tem presença, ela não tem imunidade, aí você fica doente o tempo todo. Claro, você não teve presença, você não teve alguém olhando pra você, cuidando de você. O seu organismo não foi desenvolvido porque ele vivia em estado de alerta. Então, se a gente vive com o cortisol no alto, a gente não vai ter imunidade, porque o cortisol alto baixa imunidade. E se a humanidade fica muito tempo baixo, você não desenvolve. Então, na vida adulta, o parte do sistema imunológico vai ter sido comprometido. E se a gente for pegar estudos, tem vários estudos americanos e até mesmo é chineses muito interessantes que mostram isso, que se você pega pessoas que tiveram ausência de maternagem parentalidade de forma geral, elas têm mudanças anatômicas no cérebro. Eu tô falando de uma amígdala reduzida. Eu tô falando de. É substância massa cinzenta reduzida. Eu tô falando de uma hiperatividade do eixo hpa, que é o eixo hipotálamo pituitária adrenal. Então, assim é literalmente mudanças no corpo AA qualidade da relação dos cuidadores com a criança. Ela vai ajudar a moldar o desenvolvimento biológico e emocional dessa criança, sabe? Então assim, a presença às vezes é na coisa mais simples, às vezes vai ser o le botar o filho pra dormir, porque eu chego muito tarde. Mas eu consigo ler uma história curtinha, ler uma fábula Pra Ele. Ah, vai ser na conversa do café da manhã. Se o seu tempo é reduzido, se você tem 10 minutos, se você fazer o seu filho acreditar que aqueles 10 minutos você é todo dele e você vai tá ali com ele pra falar sobre a massinha da escola o dia inteiro ou sobre a sua amiga ter não ter te convidado pra ir. Com ela no shopping, ele pode ter 10 minutos, mas ele vai ansiar por aqueles 10 minutos, porque naqueles 10 minutos vocês estão ali um com outro. Então aí a gente fala de qualidade, não de quantidade, porque a quantidade às vezes não é viável, mas qualidade. Isso a gente pode. Pessoa 1 E às vezes se soma também. Honestidade e Consequências: Construindo Relações Transparentes Assim, a falta de tempo e a falta de presença real pode piorar ainda quando? As intervenções que os pais e os adultos fazem com as crianças e com os adolescentes acaba sendo só para corrigir, só para dar bronca. Então é porque em algum momento, pelo menos o limite vai ter, vai ter que acontecer de alguma forma. Então é 11 dica que que possa ser dada assim para que a presença de qualidade não se limite a isso, né? AA está ali fiscalizando, está ali só para. Para ser AA parte do do limitador e esse esse discurso? Pessoa 2 Eu acho que é muito importante o pai, ele se preocupar em ter uma relação transparente com o filho. Então se ele tá decepcionado, eu tô muito decepcionado. Eu tô chateado. Eu não gostei disso, porque se você é honesto com a criança, ela vai ser com você. Eu sempre falo para todos os meus pacientes, eu não vou mentir para vocês, então eu não quero que vocês mintam para mim e até com os meus alunos eu faço a mesma coisa. Ontem teve eu peguei uma aluna colando na PUC e eu falei, cara, não mente para mim. Ela não estava colando. Tá bom, você vai refazer a prova, a gente vai pegar outra prova e você vai fazer, mas não mente, porque se começa na mentira, vai vim 1000 escudos, isso é horrível, isso é horrível. Então se o pai, ele é transparente, com filho, filho, papai tá muito cansado, a gente pode, em vez da gente brincar de pique, pega, a gente pode brincar de carrinho, a gente pode jogar um jogo. Eu tô dizendo, olha, eu não consigo fazer essa atividade, a gente pode fazer outra. Olha, hoje o papai tá muito cansado, a gente pode brincar de carrinho e no sábado a gente brinca de pique, pega aí você vai falar assim, eu tô negociando com meu filho, sim, você, seu filho não é importante na sua vida, ele tem que entender que ele é importante pra você. Você não tá deixando de fazer uma coisa porque você não se importa, mas porque você não consegue. E se você é transparente com a criança, a criança, ela vai ser transparente com você. Então, se você cria uma relação baseada na honestidade, lembra da honestidade, não é permissividade, não é porque o seu filho é transparente com você, é honesta com você, que você vai deixar ele fazer tudo, não por ele ser. Pô, filha, muito, muito obrigada por você ter falado isso comigo. É, eu não concordo com o que aconteceu, acho que você agiu muito mal. Eu não esperava que você agisse dessa forma, é obrigada por falar, mas você sabe que o comportamento que você teve, ele não é o que eu te ensinei. Pessoa 1 Ouvir não é consentir. Pessoa 2 Né? Exatamente porque muitos pais confundem, Ah, eu sou amigo do meu filho, não, você é pai, você pode ser amigo também, mas você tem que ser pai. Então, se ele fala para você, Ah, eu fiz uma coisa errada, você não pode passar a mão na cabeça dele. Olha, eu fiz isso aqui errado. Ah, então tá bom, obrigada por você falar. Pessoa 1 Porque às vezes, parece que só o fato de ter o filho se abriu já merece o prêmio de não acontecer nada com ele, né? Aí ele vai. Ele está encontrando um lado para poder manipular. Pessoa 2 Até porque, se esse pai não ensina, quem vai ensinar? Sabe, eu acho que é muito importante o pai deixar claro do olha, eu quero saber por você, você fez uma coisa. Eu lembro que minha mãe falava sempre isso, você pode fazer o que for, mas eu quero saber por você, porque se eu não souber por você, eu vou ficar muito decepcionada. Então assim é aquilo, às vezes aconteceu alguma coisa. Eu pensava, pô, vou ter que contar, né? Aí eu já ficava pensando, como eu vou contar? Porque minha mãe foi brigar comigo. Mas aquilo é a consequência da minha atitude e aquela ideia do. Eu preciso entender que o que eu fiz tem uma consequência, se você for pegar colando, você vai refazer a prova. Podia ser zerado? Podia. Mas como você não mentiu pra mim, você vai ter mais uma chance, porque você foi honesta. Se você falar, podia ter mentido. Pessoa 1 E a honestidade, muitas vezes ela ela desarma, né? Quem tá do outro lado? Pessoa 2 Totalmente, porque você não esperava? Pessoa 1 Não esperava. A pessoa vai lá, fala, errei mesmo. E aí você fica até numa situação assim de o castigo que estava sendo reservado, o discurso que estava sendo reservado pra. Ele cai, né? E? Pessoa 2 É aquilo que a gente falou antes, o pai, ele não é, ele pede desculpas, se o filho pode falar que errou, ele vai ter espaço pra pedir desculpas, mas porque esse pai vai ensinar ele? Olha, filho, eu entendo que você tava com raiva da sua amiga, mas não justifica você falar o que você falou pra você IA gostar que eu nem falasse isso pra você, você acha correto? Ah não, mas é porque ela você acha correto. Ah, não, não acho, então eu acho que você deveria pedir desculpas a ela, estamos combinadas, estamos. Você pediu desculpas? Não. Bom, como você não cumpriu o que você combinou comigo? Então você vai, sei lá, eu não vou. A gente não vai cumprir o Combinado e você não vai fazer o passeio que a gente tinha Combinado. Tem uma consequência, sabe? AI, mas meu filho vai ficar traumatizado, porque ele foi o único que não foi no passeio, não. Ele vai entender que ele não pode mentir para você. Entende? É, às vezes é necessário ter esse momento de dureza para você entender que tudo tem uma consequência, porque o que tá acontecendo são cada vez crianças mais inconsequentes e pais que ficam perdidos porque eles pensam que acolher ser permissivo, e não é. É diferente. O seu filho precisa do limite. Ele precisa que você olhe Pra Ele com amor e fale, filho, isso não é legal? Pessoa 1 Dar limites é amar muito, né, é? Pessoa 2 Muito literalmente. Porque pra você dar limite é como se você pegasse o amor e falasse, olha, pra você amar, você tem que respeitar isso daqui. Porque se o filho entende que o pai respeita o limite dele e vice versa, ele não vai aceitar que ninguém não respeite o limite dele. Então você tá ensinando o seu filho? Anão não aceitar nada que vá contra os princípios e valores dele. Pessoa 1 Nossa, é muito importante, é muito importante porque ele nunca vai saber de onde veio isso, né? Pessoa 2 É no detalhe. É muito engraçado. Eu, eu sempre converso isso com meus pais, mas eu, a medida que eu vou estudando, que eu vou fazendo, vendo alguns casos, eu começo a entender porque certas coisas eram feitas. E eu sempre falo, olha, pode ser que demore anos e o seu filho nunca fale para você, mas 1 hora ele vai entender, sabe? Hoje em dia, eu vendo a minha irmã com a minha sobrinha ou vendo amigos que já são pais, eu consigo entender que, Ah, agora eu entendi porque a minha mãe fez aqui. Ah, agora eu entendi porque o meu pai ajuda daquela forma. Você começa a entender. E, honestamente, eu tive pais muito rígidos que eram. Super é o certo, era o certo, errado era errado. E vou te falar, eu sou muito grata porque se eles não tivessem sido assim eu não teria entendido. Eu não, eu não acho que eu não, eu não teria chegado onde cheguei hoje, eu não teria me formado. É conseguido trabalhar com o que eu queria porque é entender pra você poder ir, você tem que ter impulso e o limite te dá esse impulso, sabe? Então. Pessoa 1 Você concorda então com a frase do padrilel? Que as qualidades são os filhos das qualidades dos pais. Pessoa 2 Sim, porque o pai, ele vai dando o que ele tem e o que ele não tem também. E o filho não adianta. Às vezes o pai vai dar algo e o filho não vai pegar, porque você vai escolher do filho. Então é entender que os filhos, eles são reflexo, de certa forma, dos pais, mas eles não são cópias, porque eles têm escolhas. A criança tem escolha. Se você perguntar para uma criança de 5 anos se ela gosta de futebol, ela vai falar assim ou não. Então ela pode ter aprendido sobre futebol com o pai, mas ela pode detestar futebol. Ela entende, mas ela não gosta. Então é de certa forma deriva, mas tem suas variações. E essa é a beleza da vida, que não importa quantos filhos se tenha, o que seja do mesmo pai, da mesma mãe. Eles vão ser diferentes, porque as pessoas são diferentes. Mas você tem presença, você tem conexão, tudo se transforma tudo. Conselhos Finais: Cuidar de Si e Aceitar a Oscilação da Vida Talita, já estamos indo para o final. Alguma mensagem final que você queira deixar para os pais, para os que os formadores, né? Muitas vezes tem professores que ouvem a gente. Que que você diria? A gente colocou essa ênfase nesse primeiro encontro sobre a questão da Fortaleza, né? Sobre a questão desse letramento. É oceano, uma última coisa assim que você gostaria que os pais ou de repente uma recomendação, você que gosta de ler e tenha as suas e também tá no mundo das crianças e dos adolescentes, né? Para as séries e para os filmes. Pessoa 2 Eu acho que se eu pudesse dar um conselho assim, é para. Não tenham medo de falar. O que vocês sentem é, a gente aprende que falar errado, mas quando você é sincero com uma criança ou com adolescente, ele vê que ele você está abaixando a guarda, então ele pode baixar a guarda dele. Tem um autor sim, pros pais e pros professores. Eu acho que é maravilhoso, que é o sagel. É, ele é um autor que ele tem, ele é um, ele é um psiquiatra e ele é pai. Então ele escreve o livro, ele fala, esse livro é pra pai, pra professor, pra estudante, e ele põe o que a gente vê na psicologia de uma forma muito palatável. Ele tem 2 livros que eu gosto muito, um é o cérebro da criança, que é o cérebro do adolescente, e ele vai explicando, ele vai trazendo exemplos dos filhos deles. É tenta entender um pouquinho desse lado, porque muitas vezes quando vocês escutam esses adolescentes, essas crianças. É como se vocês emprestassem o cérebro de vocês, o coração de vocês, né? De certa forma, para ajudar eles a lidar com a dificuldade. E fazer isso não é fácil, né? Então se cuidem também, porque vocês não podem cuidar, se vocês não cuidam de si, respirem fundo, bebam uma água, tomem um café, façam exercício físico que funcionar, mas cuidam. Vocês precisam se cuidar para vocês poderem cuidar também. Eu acho que isso é o principal e vocês vão errar. E que bom, porque errar é humano e errar não é o problema. O problema é não reconhecer o erro e tentar se mudar. Pessoa 1 Porque os filhos vão errar também? Exatamente. E eles vão precisar saber reagir aos erros. Pessoa 2 Exato. Então não se cobrem, vão ter dias bons, vão ter dias ruins. Eu sempre falo que é a vida é oscila. Se você olha um eletrocardiograma, ele sempre oscila. Se ele está reto, a pessoa está morta. Né? Então você vai ter dias que você o seu máximo é 100, você vai ter dias que é 7060120. Não tem problema oscilar. O importante é você saber que você deu o seu máximo. Então, se o seu máximo naquele dia é sentar, ele é uma historinha de 5 minutos. Você fez o máximo que você podia e seu filho vai entender isso em algum dia, então não se cobre. Pessoa 1 Perfeito. Excelente conselho, né? E terminamos agradecendo a sua presença, Talita, com essa mensagem que nós queríamos trazer, né? Para todo mundo que está ouvindo a gente. Para a gente se importar com o sentimento das outras pessoas em geral do, nesse caso, dos filhos, e não só com as coisas que acontecem, né? A gente dá um passo a mais, porque a gente sempre lembra aqui na no, no edificar a família e No No se esquece que o ser humano é complexo. Não existe uma área só, né, né? O seu filho que está lá na escola com a gente, ele não está somente pela área, pela pela faceta intelectual, racional, de aprendizado, é muito mais do que isso, né? O lado emocional, os aprendizados. E as as construções positivas. E às vezes, é coisas que vão sendo destruídas dentro deles. Perpassam pela escola, perpassam pelos colegas, perpassam pelas relações com os adultos. Eles trazem coisas de casa, eles levam coisas para casa. E tudo isso está sempre numa dinâmica, né? Então, olhar para as emoções dos filhos e dos e do do próximo em geral, é. Olhar pra pra que? Se complete essa visão integral, né? Não sou só não. É só aquela circunstância imediata onde eu falo e recebo 11 troca, mas é tudo ao mesmo tempo. Pessoa 2 A gente não é forte sozinho, né? A gente é muito mais forte quando a gente tá com outro. Pessoa 1 Verdade o exemplo também dos outros, né? Como os outros encaram a vida? Faz a gente se sair. Faz gente sair bem ou mal, muitas vezes de outras circunstâncias. Pessoa 2 Então tá ali dividindo essa presença, dar esse suporte, o pai e o filho ficam Fortes juntos. Pessoa 1 Perfeito, muito obrigado, Talita e até uma próxima.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A força emocional é um equilíbrio entre dureza e moleza, como uma garrafa que não pode ser muito rígida nem muito flexível.
  2. A família é o primeiro laboratório emocional da criança, onde ela aprende a lidar com sentimentos como raiva, frustração e medo.
  3. Os pais não precisam ser perfeitos; errar é humano, e pedir desculpas aos filhos fortalece a autoridade e ensina humildade.
  4. Ajudar a criança a nomear emoções é essencial para o letramento emocional, validando sentimentos como raiva e tristeza.
  5. Pequenos momentos de transição (como ouvir música ou tomar um café) ajudam os pais a se desconectar do trabalho e a estar mais presentes.

Summary:

Neste episódio do Altius Cast, a psicóloga Talita Clerc discute como educar filhos emocionalmente fortes, desmistificando a ideia de que força emocional significa rigidez ou repressão. Ela explica que a verdadeira força está no equilíbrio, como uma garrafa que não é nem muito mole nem muito dura. A família é o primeiro ambiente onde a criança aprende a lidar com emoções, servindo como um laboratório emocional.

Os pais não precisam ser perfeitos; errar é natural, e o importante é reconhecer o erro e pedir desculpas, o que ensina humildade e fortalece a autoridade. Talita enfatiza a importância de ajudar as crianças a nomear suas emoções, validando sentimentos como raiva e tristeza, em vez de reprimi-los. Ela sugere que os pais criem pequenos momentos de transição ao voltar do trabalho para se desconectar e estar mais presentes.

A conversa destaca que a maturidade cognitiva só é atingida aos 25 anos, então as crianças não são “mini adultos” e precisam de orientação paciente. Ao final, a mensagem central é que a força emocional vem da temperança e do acolhimento, não da perfeição.

FAQs

Temperança é o equilíbrio entre sentir e não reprimir emoções. No contexto infantil, significa ajudar a criança a vivenciar a emoção na medida necessária, sem excessos ou supressão, como no exemplo da garrafa de plástico (mole) versus a caneca de porcelana (rígida).

Use livros infantis como 'Tenho um Monstro na Minha Barriga' e converse com a criança, perguntando diretamente o que ela está sentindo. Validar a emoção, dizendo 'você está com raiva?' sem julgamento, ajuda a criança a entender que sentir raiva não destrói o amor ou a relação.

Reconheça o erro e peça desculpas sinceramente, explicando o motivo (ex.: 'Papai estava estressado do trabalho'). Isso ensina que errar é humano e que corrigir fortalece a autoridade com humildade, criando um ambiente de confiança.

A criança pode evitar falar sobre o que sente, apresentar comportamentos de retraimento ou explosões repentinas. Se ela diz 'não estou com raiva' quando claramente está, pode ser um sinal de que precisa de ajuda para nomear e expressar emoções sem medo de punição.

Valide a frustração dizendo 'sei que você está chateado por não ter conseguido' e ajude-o a encontrar soluções. Evite minimizar ou resolver tudo por ele, pois isso ensina que a frustração é gerenciável e não precisa ser evitada.

Validar a emoção significa reconhecer o sentimento (ex.: 'você está com raiva'), mas não necessariamente aprovar a ação (ex.: bater). Ensine que a emoção é aceitável, mas o comportamento precisa ser ajustado, como usar palavras em vez de agressão.

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