O episódio do podcast Mundo Arel explora as fake news sob uma perspectiva antropológica, com relatos de Duda, moradora do Rio, e Carol Parreiras, pesquisadora. Duda conta como caiu em um golpe que prometia ajuda financeira durante a pandemia, compartilhando seu CPF e espalhando o link falso. Ela destaca que a falta de letramento digital, o custo da internet e a confiança em contatos próximos (como grupos de WhatsApp e Facebook) tornam as comunidades periféricas mais vulneráveis. Carol complementa que as fake news muitas vezes usam "aura de verdade", como imagens de marcas reais (ex.: água da Nestlé) ou supostas pesquisas científicas, para enganar. Na pandemia, circularam memes e boatos sobre vacinas causarem trombose ou morte, levando pais a não vacinarem seus filhos, alimentados pela desconfiança no governo e pela precariedade. A circulação boca a boca e em redes sociais, combinada com a falta de acesso a outras fontes (TV, rádio, jornais), agrava o problema. Carol conclui que a internet dá escala às fake news, mas também permite rastreamento; a desinformação explora vulnerabilidades sociais e emocionais, como a necessidade imediata de ajuda ou o medo, dificultando o combate à mentira.
[Música] Oi gente, eu sou a Soraya Fleischer da Universidade de Brasília e com a minha amiga Daniela Mânica da Universidade Estadual de Campinas produzimos o Mundo Arel. O Mundo Arel é um podcast de antropologia publicado mensalmente e produzido em parceria por essas duas universidades. Esse é o nosso quarto episódio desta terceira temporada. Nesse ano eleitoral a nossa aposta é produzir episódios com argumentos, histórias e muita força para a gente poder fortalecer a comunidade antropológica e todas as comunidades com quem convivemos e aprendemos. [Música] No século passado, quando eu estava crescendo, de vez em quando circulava uma informação esquisita, alguém me consteixava uma história na sala de aula ou então a minha mãe numa ligação telefônica ouviu uma novidade de alguém da família, meu pai lhe ia a algo no jornal. No dia seguinte, a sala de ela já tinha virada aquela história para outro rumo. A parenta tinha ligado de volta para corrigir o que tinha contato. O jornal tinha publicado uma errada. A informação podia seguir firme e forte ou podia não mais se sustentar e perder fúlico. Usávamos palavras como fofoca, rumor, boato e às vezes até mentira. No século 21, a gente continua coxichando pelos cantos, falando pelos cutuvelas num telefone, no aplicativo e lendo mídias cada vez mais variadas. Mas hoje tem um termo mais frequente do que todos os outros. Fake, informação e desinformação. Qual é o limite entre essas duas coisas? Qual são as consequências quando esse limite é ultrapassado? O pessoal do jornalismo, o pessoal dos estudos de comunicação, e até os parlamentos têm estado bem preocupados com tudo isso. Definição do que é fake, tentativa de regulamentar e estratégias de punição têm sido pensadas. Neste episódio, a gente vai dar uma contribuição da antropologia para esse debate. Vamos conhecer histórias de fake news, como chegaram, como circularam e como afetaram as pessoas envolvidas. Na primeira parte do episódio, a gente começa por uma escala local, um barro no Rio de Janeiro. Mas segunda parte, a gente passa por uma escala mais ampla, o país inteiro. E Maria Duarda e Carol Parreiras serão as nossas convidadas. Meu nome é Maria Duarda, eu sou moradora da comunidade do triângulo, ainda eu douro. Oi gente, eu sou Carol Parreiras, sou antropóloga. Eu tenho 19 anos, atualmente eu sou uma meia, uma meia com uma entenda dura. É atualmente pesquisadora de paz autorado do departamento de antropologia da Unicamp. Eu atualmente estou terminando um curso de vendas e fiasco concliente para ingressar no mercado de trabalho. E eu trabalho já alguns anos com questões de violência e atualmente desigualdade digital em favelas do Rio de Janeiro. Eu conheci a duda fazendo campo em um lugar no Jalaimora, que faz parte do chamado Complexo do Mokisso, na região Oeste, norte-oeste do Rio de Janeiro. E a gente se conheceu, então, nesse contexto de pesquisa de campo. Maria Duarda, aliás, duda. Você teria uma estara de fake para nos contar. Talvez uma história recente, assim, que você tenha vivido durante a sempre de pandemia. E, relação a essa pandemia, eu acho que todo mundo sem dinheiro, eu sei porque eu também entrei um desses links que falavam que ia dar uma ajuda de gai. Eu fiquei toda bombinha quando falou que o meu nome estava lá sortiado. E eu mandei para todo mundo no meu WhatsApp, aí depois eu fui pesquivar no Google e estava lá falando que era fake, eu tinha colocado meus CPF, fiquei desesperada. E esse é um outro problema, que é um link que pega seus dados. Você não sabe o que acontece, você compartilha com pessoas, você coloca em grupo, todo mundo faz, e todo mundo coloca lá e fica todo mundo naquela onda. É a internet na algum novo tipo de fake. Porque eu acho que tem estatutos diferentes desse fake. A gente está falando de algo que é muito danoso, que é pernicioso, que são os fake news, duda que acabou de dar alguns exemplos aí. Eu acho assim, da mal-curo-eldade, você criar um link e compartilhar, isso vai rodar também de novo. O conteúdo é sempre, ele é especializado mesmo, ele chega onde ele foi feito para chegar, cada vez mais, com precisão mesmo. De você fazer alguém se cadastrar esses dados, provavelmente já cairam em algum lugar sem dúvida. Ela tem razão, eu também ficaria preocupada em relação ao meu CPF, mas isso contou caso dela aqui, mas eu também presenciei milhares. Eu me lembro, por exemplo, que o que mais tinha é uma suposta do ação de água da Nesle. E olha como você cria. A Nesle tem, de fato, uma água, que é da Nesle, uma água específica, essa água que aparece na imagem, essa água que está sendo propagandeada ali, você vai você cadar, você coloca o seu indiretse, você vai ser todos seus dados, que provavelmente foram capturados, todos. E você nunca vai receber nada. O problema é que até isso acontecer, e olha como a gente tem essa manipulação da coisa, você crie uma aura de realidade em todo o dia, por isso que é tão complicado. E os estudos, por exemplo, mais assim, sempre sobre fake news, eles vão mostrar exatamente isso. O quanto é bem manipulado, é você pegar um certo repertório e trabalhar em cima dele para criar uma ideia de verdade, de que aquilo ele verou símelo, de que alguém pode acreditar naquilo. E cara, que ganha um gás, sabe, na pandemia, que o gás está custando 100 reais, é que onde eu moro, é um presente de Deus, sabe? Quem não vai querer? Eu vou colocar meus dados sem porque se eu for apresentar, eu vou ficar muito feliz, como eu fiquei e compartilhei. O problema é quanto tempo você demora para saber que aquilo é mentira e tentar reverter aquilo que você fez. Aí já é tarde demais. Tem uma máxima, que sempre se repete quando a gente vai pensar em segurança digital, por exemplo, que é, cuidado com o que você vai compartilhar, o que você vai postar, porque depois tirar esse conteúdo é quase impossível. Isso vale para se fake news também, porque é tão difícil, né? Da gente combater fake news. Claro que a gente vai criando algumas estratégias. Sabe, agora, no meu curso eu aprendi muito sobre como saber quando é uma fake news, não é uma fake news. Onde pesquisa a site, que a gente pode buscar notícias, que são realmente confiáveis. E era um coisa escuridinha, minha realidade eu não tinha o acesso. E eu cometi o mesmo erro que todo mundo comete. Eu vejo uma notícia, eu leio uma notícia, não te se chegou até mim. Então é verdadeira. Eu não vou me preocupar em pesquisar. Até porque eu vou gastar minha internet, entrando em meu Google, é uma espacião em caminha para o meu WhatsApp, eu mando para meti, eu mando para minha mãe, eu mando com meus amigos, porque eu se eu acreditei, porque eles não vão acreditar. E o que é que tem de mentir ali para eu não acreditar? E não me perocupei em ler em pesquidade, era verdade, eu me basei em o que eu via. Então é algo comum e é algo constante para você não saber o que é fake e o que não é. Que a duda falou algo que essa checagem, às vezes ela, de fato ela vai exigir que você procure outros sites e outras coisas, que em termos técnicos a gente chamaria de letramento digital, que é esse domínio da ferramenta, de atragem da informação, eu fico pensando da ferramenta de fake check, né? Mas você tem hoje checagem de fato de tudo. E eu volto dizer, eu acho que a desigualdade está no letramento aí, porque é nem saber que existe essa ferramenta que você pode utilizar e a duda sabe que existe isso, porque ela fez um curso e é um curso que de fato a ideia é que você aprenda muitas coisas. Sobre a vida e que te sejam útenes na sua futura profissão e que eu acho que a maioria ele não tem esse acesso, pelo menos pensando na pesquisa. Mas eu diria que tem uma outra coisa que foi o que acabou de me ocorrer, que é e ela mencionou isso, eu vou gastar meu plano de dados, a gente está lidando com o contexto de precariedade, de precariedade material. Então eu tenho um plano que funciona o meu celular, que se o meus crepes acabaram, porque eu fiquei 10 reais, por exemplo, que foi o que deu para colocar. O meu WhatsApp continuou funcionando e o meu Facebook, porque todas as operadoras hoje, vocês podem, a gente pode procurar todas aqui agora, elas vão vender um plano prepago em que, minimamente, o WhatsApp vai estar liberado, né? Em algumas o WhatsApp e o Facebook. Então você continua a seção daquilo, mas chega o momento que é só o que você vai ter como acessar. Eu acho que quando é principalmente a informação pelo WhatsApp, ficar algo mais conceável, porque você não tem desconhecido salvo no seu contato, não tem de, então é muito mais fácil eu acreditar no que você está me mandando, porque eu não vou te conceitar, que você vai estar me mandando, uma notícia fake, um jogo fake que não dá dinheiro, sabe? o filho que não é veche pra ganhar.
meus dados. Então se torna algo muito mais fácil eu também acho que é uma das formas que é não que seja mais círculo, porque é isso, é uma plataforma que você entende que é confiável, sabe? Eu entendo que eu posso colocar tudo ali para meus contatos que eu vou tapar, só numa informação verdadeira para eles, sabe? E que vem com toda uma máquina, me parece, a gente sabe disso, não é a toa, por exemplo, que a duda, e aí eu acho que a própria estrutura de rede que é o que me interessa mais, né? Ela ajuda a explicar isso, não é a toa que a duda recebida é terminada as coisas que eu nunca recebi, ou que eu tinha relatos em campo, e eu me lembro nitidamente de uma das mesinterloktoras, me mostrar o celular com a mensagem que ela tinha recebido era uma rede da igreja. É algo comum sim de circular nas igrejas, de circular principalmente na rua, e mais ainda no Facebook, todas as redes, principalmente no Facebook que é um mais constante, e é o que a gente se baseia achando que por estar lá é real, por mais que você mostre tudo que com diz, eles não acreditam, sabe? Eles têm um pensamento daqui, eu não sei se é um pensamento nosso porque a gente já se sente excluído da sociedade, sabe? Sente que a sociedade não pensa na gente, então é mais fácil que ela está no que a comunidade gera, porque a comunidade traivar o verdadeiro, sabe? É aqui na minha comunidade, a gente tem um grupo no Facebook que fala só do que acontece aqui, então a gente é movido por aquilo ali, sabe? É todas as notícias jogadas ali, a gente vai lá, a gente ler, e aquilo ali não vai passar na informação correta, aquilo ali é um afogornal do dia a dia, sabe? Então eu não vou acreditar no que o Fulano está querendo, que eu faça porque não é verdade, eu não tenho aquilo na minha realidade, ele está falando hoje, mais amanhã, depois da manhã, eu vou ver a mesma coisa, então é mais fácil acreditar na mesma coisa. Então eu acho que a gente de informação aqui é algo maior, então faz com que as coisas circulem até mais rápido, sabe? Porque numa comunidade, um lugar pequeno mora e numera as pessoas, então a circulação passa muito mais rápido, é todo mundo conhecendo todo mundo, é todo mundo com um número de todo mundo, então além de ter essa facilidade de "a, o número dele está no meu celular, eu confio nele a informação é verdadeira", tem aquela parte de que você não tenha aonde saber, sabe? Você não tem onde procurar, porque você não tem uma acesso à internet, hoje eu tenho um Wi-Fi, mas a cada 10 pessoas aqui que a Carol fez uma pesquiva, uma pessoa tem um celular para 5 pessoas utilizarem, mas naquela casa toda as pessoas têm reto social, entende? Então é algo bem maior. E ela toca no outro ponto que é isso, muitas vezes são redes, são dispositivos que você vai ter que compartilhar com todo mundo, então às vezes vai chegar a coisa em você que nem é sua, exatamente, né? Mas está ali, mas está ali, né? Essa é a Daniela Mânica, a minha colega de Mundarel. Pergunte-se é só pelo celular que passa, se não tem televisão, não tem rádio, não tem jornal, não tem outras formas que competem com isso, isso tem a ver com a crise do jornalismo, com a crise da informação, porque o jornalismo era para ser, né? Esse lugar no qual a informação confiável vai circular, né? Ou a informação de fofoca, a circular também que você sabe que pode ser verdade, o nome é "tinho uma centralização maior dessa informação", né? Que dava um pouquinho mais de segurança. Então a televisão hoje em dia não virou um meio tão grande de trazer a informação fake, muito pelo contrário, né? Quando as pessoas entram pelo menos, é para assistir um jornal, sabe? E o boca-bocca aqui também é muito comum, é muito constante, você está no ponto de ônibus e compartilhar o que você leu. E além disso eu acho que algo que muito traz a pessoa, muito traz a pessoa a se ligar que a informação era que elas manchetem de texto curto, sabe? Que faz você abrir aquilo, mas não tem interesse de ler aquilo tudo, se contenta só como que tá escrito no título, sabe? Então isso é o que mais acontece. No Brasil a gente tem uma palavra pra isso, e lá vem testão, né? Não é a toa, o testão é isso. É você tentar explicar ou refletir sobre algo, mas não é todo mundo que vai ler. Por isso, por exemplo, que o meme é bom, porque ele é uma imagem, ele já comunicou ali o que ele precisa dizer, nem legenda, às vezes. Porque a duda falou dos memes, né? O quanto é uma linguagem comunicativa? Ao mesmo tempo que tem o humor e que é fantástico, eu acho meme uma coisa fenomenal, mas também pode ser usado para outros fins. É isso, mas é uma linguagem que comunica muita coisa, né? Não precisa de muita explicação. Não precisa. [Música] Bom, caralhiduda explicaram as muitas razões pra receber e também pra compartilhar links, campanhas, memes, manchetes e dinotícias. Por exemplo, necessidade imediata, ter recebido de alguém em que se confia, não ter vontade de tempo, então, banda de internet pra checar os fatos. Além disso, tem as características daquela imagem. Então, assim, a aura de verdade, a ver assimilhança, tem vindo de uma pessoa próxima, um parente, alguém de igreja, alguém do trabalho, um vizinho. Com tudo isso, a gente nem se confia da credibilidade daquela informação, né? Nesse bloco, as nossas convidadas vão nos ajudar a entender o que acontece quando o assunto ganha uma dimensão maior, demográfica. O golpe do gás, ou os joguinhos viciantes de pirâmides são perigosos, mas eles não se comparam a um cenário que cruza fake news, vacinas contra a covid-19, e tempos de eleições para o presidente. Como as informações chegaram no seu bairro duda? Então, é um ciclo vicioso, sabe? A pessoa não busca informação correta e vai compartilhando pela necessidade e por estar perfeito também. E não te confiar que pode ser mentira, fake news de hoje em dia algo muito constante no meu dia a dia, aqui na comunidade, principalmente. Não só pelo Facebook, mas no Bocaboc. Duda, você falou do Bocaboc, do ponto de ônibus, mas também falou de memes e de troca de memes pela internet. Como que a informação circula entre esse nível da rua e da rede? Na juiz mesmo, o povo senta na esporta e vi um documentando com o outro, principalmente essa questão agora da vacinação, está sendo algo que muitas pessoas estão tentando mudar opinião, das que querem realmente vacinar seus fives, sabe? E como estava colocando os pais contra a parede entre vacina e não vacinar? E eles fizeram até uns memes, sabe? Colocavam uma criança de verde pra falar que viram já carer, que é um dos memes que mais circulavam, que um modal no acidente é uma coisa que, sabe, não tem lógica, mas que muitas pessoas acreditam que realmente acontece, sabe? No outro dia eu estava passando na rua e eles estavam comentando que não iam vacinar as crianças. Olha quanto a criança está morrendo, nós já é pobre, vai vacinar pra que eles querem mais matar todo mundo. Entende? E a pessoa acredita liso, acha que isso é uma realidade, o governo não se responsabiliza se uma criança morreu. Como assim? Se é o governo que está aplicando, como ele não se responsabiliza. E a pessoa não se preocupa em buscar aquela informação, ela se acolhe naquela informação e tem aquilo como único. É porque é isso? As pessoas não se preocupam em buscar o que é verdadeiro. É mais fácil compartilhar o que já está ali, sabe? E a outra questão de qualquer morte, eles falavam que era por conta da vacina e era algo que estava fazendo a população se basear naquilo. Entende? Quando você recebe uma notícia, não há de saber que uma criança morreu, então não vai ser no teu filho. E você entra no Facebook, tem a mesma notícia, você entra no seu Twitter, tem a mesma notícia, não tem como você te confiar. Você não vai vacinar seu filho, sabe? Você não vai colocar a vida tão feliz e risco porque a gente já é pobre, a gente é negro, a gente é periferia, eles querem mais que todo mundo morre e se morrer o que vai fazer. E é isso, pensamento, eu falo porque eu já escutei aqui as pessoas falando isso. A minha mãe não indui desse pensamento, mas muitas pessoas chegaram nela para falar para ela, não vai assinar meus irmãos. E que bom que ela não acreditou, que bom que ela tem pessoas que possam mudar esse pensamento dela de alguma forma, mas que muitas pessoas não têm. E além disso, muitas pessoas não estão abertas para receber uma informação verdadeira. Prefere e acolher o falso, porque para ela é mais verdadeiro que tudo.
você, cara, ou como viu circulas notícias feitas da vacina? E vai vir inscrito assim, gente, ligada à pandemia a vacina. Porque uma pesquisa do. sei lá qual o Colet inventava um nome em inglês para o Colet, né, sempre provou com uma pesquisa, com mil pessoas de diferentes idades que X e Ithons-E, provalu por A mais B e X e Ithons-E, que a vacina não adiantava e que a vacina podia, essa foi o outro que também eu li muito, a vacina podia provocar e, de fato, tem um efeito colateral que é isso mesmo, né, que as pessoas estavam morrendo porque tiveram trombose, né, por causa da vacina, progresso colatório. Só que aí você cria essa aura de. porque você tem criar o de novo, né, criar a aura de verdade. Como é que você atesta a verdade, em fato, científico, por exemplo, você é a pela praça suposta a ciência. Eles também. eu não acho que necessariamente totalmente a ciência, mas é uma ciência feique. É uma ideia de ciência que se cria também. Porque, por exemplo, se eu vou usar um nome de um Colet ou de uma universidade, supostamente gringo ali de qualquer lugar do planeta, mas gringo, é porque eu estou dizendo, é isso que dá a ver a cidade, por isso aqui. E você vai propaga. Para terminar, eu queria aproveitar que a Carol é uma estudiosa desse mundo todo da internet. Na sua opinião, Carol, o que é a de específico hoje em dia, na forma como a gente se relaciona com esse enorme mundo digital? Eu acho que, quando a gente pensando na internet, eu sei que ele já existia, né, não é algo que a internet cria, mas a internet dá uma nova calda, uma nova roupagem, preçutura, tudo, que na minha interpretação, por tudo o que eu tenho de dados de campo, por tudo que eu lhe inesses anos, eu acho que está muito ligado à escala, que as coisas ganham, né, porque ela dá uma escala inimaginável, é tudo muito rápido, isso vai compartilhando, a gente não sabe onde vai chegar. Porque hoje, ao mesmo tempo que a internet permite essa escala, toda das fake news, você será um anônimo e você manipular essa identidade, como a gente fazia lá na década de 90, é cada vez mais difícil, porque a gente é rastreado e traqueado o tempo inteiro. Mas por que a fake news funciona também? Porque a grande parte a gente sobe disso também, graças eleições, os disparos não feitam máquinas, são algoritmos que estão funcionando, são máquinas chinesas com o chip que você coloca lá dentro e ela sai parando um monte de a mesma notícia, a mesma mensagem ou a mensagem com pequenas mudanças. Então assim, tem um outro lado desse, o que eu estou tentando chamar a atenção é, tem muitos lados desse fake, né? Então assim, pra mim ali, esse giro era o mais intrigante, né? E que claro, tem causas que estão além das fake news, me parece, como eu disse, acho que esse papel de igreja, a gente não pode fingir que ele não existe, mas essa máquina que foi montada, ela atuou muito fortemente e ela funcionou, né? E talvez aí a parte que a gente deu de barato, essa coisa toda, porque eu acho que a gente está lidando, né, com grau de sofisticação dessas fake news, que aponto disso influenciar um processo político, não só no Brasil, porque isso também aconteceu no Estados Unidos, isso aconteceu em outros fogares do mundo, né? E muito ligado a esses regi, isso que a gente chama de regime de estrema direito ou de direita e tudo mais. Então assim, eu acho que é isso que a gente tem que pensar um pouco. E das tantas redes sociais que a gente falou aqui e a gente falou muito de WhatsApp, né? O que é especial nessa mídia para pensar a circulação de informações? Mas você pode dizer que o WhatsApp é tão central assim, sem dúvida, né? Eu não estou dizendo que ele diminui essa desigualdade digital que está ali, né? Pelo contrário, acho que ele até exacerve em alguns pontos, mas ele é uma forma de estar conectado, né? Hoje, pelo WhatsApp, gente, lá atrás, isso até é um pouco diferente, mas hoje circula absolutamente tudo, né? Só para dar um exemplo, né? Olha como é coisa intrincada no caso do WhatsApp, no Brasil. Não sei se você sabe, mas o Brasil e a renda são os dois países do mundo, que são os testes pro Facebook, que é o Donald WhatsApp, para a transferência de dinheiro, por exemplo. Isso, eu acho que nos diz, a centralidade com WhatsApp ganhou nas nossas vidas. A gente faz absolutamente tudo por ele, tem um pesquisador que eu gosto muito, que inclusive é um grande amigo. Aqui, a carota se referindo ao pesquisador é de gargômes cruis. O que chama WhatsApp de uma tecnologia da vida, porque ele permite que a gente faça hoje absolutamente tudo. Claro que tem ganhos nisso, claro que é bom também, mas eu acho que a gente tem aí um problema que é gigante nas mãos, né? Porque a gente está lidando com algo que tem um sigilo garantido e tem que ter mesmo, né? Porque são os nossos dados que estão circulando, mas ao mesmo tempo estão circulando, saem uma série de coisas que a gente não tem controle. Nenhum, o que me faz concluir, eu concordo muito quadruda, que é, tem todo um arcabol ouço aí, e que aí é muito difícil da gente entender mesmo, que faz com que alguém acredite o não e determinado as coisas. O que essa pessoa tem tendendo como determinadas coisas, né? Eu tinha falado isso pra você, né? Só quando você me convidou pra participar, é urgente que a gente te discuta isso, porque a gente está em 2002, é um ano eleitoral, e eu tendo a achar, é uma opinião pessoal, vendo tudo isso, que a gente vai enfrentar algo pior ainda do que foi 2018, né? Então, é uma máquina que está funcionando, é um deixou de funcionar, né? Porque esse governo também operou na base das SANS-Fakes. Gostei muito de ouvir vocês, várias questões interessantes, fonteito que eu li essa semana do um colega aqui do Labjoa, que é o Rafael, que ele compara o Telegram com o WhatsApp, e fala justamente dessa política que a Carof falou de gratuidade, né? O WhatsApp, dizendo que o WhatsApp tem uma capilaridade que o Telegram nunca vai ter, então, enfim, eu faria só uma pergunta, eu acho que tem várias coisas, né? Por exemplo, essa questão da dúvida, né? Acho que na questão da vacina, principalmente, e da pandemia de forma geral, a gente viveu em tempo real, na pandemia, uma coisa muito difícil, né? Na qual a certeza ou a verdade era algo que tinha que se constituir com o tempo, do que mata, eu que não mata, o que cura, e o que não cura, o que fazer, o que funciona, o que não funciona, então, será que a máscara funciona? Será que o alcohol já funciona? Exola, não exola, enfim, tudo muito, a gente viveu muito na dúvida, e acho que muito dessa questão, dessa crise da informação, que é o que a gente viveu hoje em vários aspectos, tem a ver com alimentar a dúvida, né? Então, com relação a questão da vacinação, eu acho que, pra além da, assim, a gente já aprendeu com o Bolsonaro, que existem pessoas que realmente constroem mentiras pra ganhar politicamente, como as mentiras foram sendo feitas, pra que candidatos de esquerda perder sem, e pra que a extrema direita ganha-asse e ganhou, né? Com esse tipo de artificial, né? Mentira mesmo, mas, pra além da mentira, eu acho que também tenho uma exploração da dúvida, né? Dessa ausência de certeza, se faz bem, se faz mal, né? E acho que, no caso da vacinação, essa estratégia mesmo de manipular as opiniões, se baseia muito numa certa dúvida, será que não vai fazer mal, pra as crianças, né? Então, se no começo do episódio, a gente ficou numa escala bem local dentro da comunidade, agora no segundo bloco, a gente foi ampliando a escala, da comunidade, para o país, do país, para o planeta. A feia que corre rapidinho nos ap, entre um parente e outro, do pastor, pro membro da igreja, de um crush pra outro. Mas corre também ali, quando está sentado na caussada batendo papo, ou quando está esperando no ponto de ônibus, ou quando sobe o de elevador dentro do trabalho. O pensamento da dúvida, Carol, vai e volta, da comunidade, para a internet, daquele microespasso para aquele macroespasso, e tudo de volta. No final das contas, eu termino com a sensação de que a gente volta para o local, que as escala se influenciam muito a mente, que os limites entre pequeno e grande se borram quando o assunto é a circulação de informações. E talvez esse seja o objetivo mesmo, em baralhá, confundir, criar novas formas de confiança entre as pessoas ou maneiras de navegar pelas redes, pelos diferentes círculos. Ao desmuntar os mecanismos, por trás da feia que a nossas convidadas deixaram um monte de dicas, de estratégias para a gente se proteger e também proteger os nossos. Não caim, lorota, não reproduzem mentira, não ajudar a candidat em rolão e foca trouxe um vídeo.
Agradecemos demais a Carol e a Maria Duarda por verem conversar com o Nusco. No Mundarel, Daniela Mânica, minha parceira, esses estudantes da Unibê e da Unicamp ajudaram a montar esse episódio. Fernanda Andrade, Irene Chemim, Max Messias, Raia Almeida e Gabriel Marçal. Esta terceira temporada do Mundarel está sendo embalada pela música da banda para a Ivana Gatunas. E a partir dessa música delas, o Lucas Carrasco, também da equipe do Mundarel, tem feito trilhas personalizadas para cada episódio. Gente, um luxo, né? Na página do Mundarel, vocês vão encontrar todos os materiais citados e os créditos completos. www.mundarel.org.unicamp.br E nós estamos na Rádio Queriqueira, uma rede de podcast de divulgação científica na área da antropologia www.radikarequare.org. Um abraço bem, bem grande e seguimos na Lua. A gente quer a autonomia e nós temos o ensino da Chantana, e o Espacial do Ovo.
Podcast Summary
Key Points:
O podcast Mundo Arel, da UnB e Unicamp, dedica seu quarto episódio da terceira temporada ao tema das fake news, com foco em antropologia.
As convidadas Maria Eduarda (Duda), moradora de comunidade no Rio, e Carol Parreiras, antropóloga, discutem como fake news circulam em contextos de desigualdade digital e precariedade.
Duda relata ter caído em golpes de links falsos que prometiam auxílio financeiro, compartilhando dados pessoais como CPF, e destaca a dificuldade de reverter o dano.
A falta de letramento digital, o custo de dados móveis e a confiança em redes como WhatsApp e Facebook facilitam a propagação de desinformação.
Na pandemia, fake news sobre vacinas e supostos efeitos colaterais (como trombose) geraram medo e desconfiança, especialmente em comunidades periféricas.
Carol aponta que a internet amplifica a escala das fake news, mas também permite rastreamento; a desinformação se aproveita de vulnerabilidades sociais e da falta de acesso a fontes confiáveis.
Summary:
O episódio do podcast Mundo Arel explora as fake news sob uma perspectiva antropológica, com relatos de Duda, moradora do Rio, e Carol Parreiras, pesquisadora. Duda conta como caiu em um golpe que prometia ajuda financeira durante a pandemia, compartilhando seu CPF e espalhando o link falso. Ela destaca que a falta de letramento digital, o custo da internet e a confiança em contatos próximos (como grupos de WhatsApp e Facebook) tornam as comunidades periféricas mais vulneráveis.
: água da Nestlé) ou supostas pesquisas científicas, para enganar. Na pandemia, circularam memes e boatos sobre vacinas causarem trombose ou morte, levando pais a não vacinarem seus filhos, alimentados pela desconfiança no governo e pela precariedade. A circulação boca a boca e em redes sociais, combinada com a falta de acesso a outras fontes (TV, rádio, jornais), agrava o problema.
Carol conclui que a internet dá escala às fake news, mas também permite rastreamento; a desinformação explora vulnerabilidades sociais e emocionais, como a necessidade imediata de ajuda ou o medo, dificultando o combate à mentira.
FAQs
O Mundo Arel é um podcast de antropologia publicado mensalmente, produzido em parceria pela Universidade de Brasília e pela Universidade Estadual de Campinas.
O episódio aborda fake news, desinformação e suas consequências, com contribuições da antropologia para entender como essas informações circulam e afetam as pessoas.
As pessoas compartilham por necessidade imediata, confiança em quem enviou, falta de tempo ou internet para checar, e pela aparência de verdade das mensagens.
A falta de acesso a planos de internet completos ou a dispositivos próprios limita a checagem de informações, fazendo com que o WhatsApp e o Facebook sejam as principais fontes, onde a confiança nos contatos reduz a verificação.
Notícias falsas sobre vacinas levaram pais a não vacinarem seus filhos, com base em memes e boatos, gerando desconfiança no governo e na ciência.
A internet dá uma escala inimaginável às fake news, permitindo que se espalhem rapidamente por meio de algoritmos e disparos em massa, além de dificultar a remoção do conteúdo.
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