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#157 um estoico de sapatênis | filosofia antiga, axiomatização e capitalismo

59m 30s

#157 um estoico de sapatênis | filosofia antiga, axiomatização e capitalismo

O podcast "Impostoras Filosóficas" discute o estoicismo, começando com um apelo de apoio financeiro (assinaturas) ou divulgação do conteúdo. O tema central é o conceito de paixões, derivado do grego "patos", que significa aquilo que se sofre por ações exteriores. Para os estoicos, paixão é uma modificação corporal que desarmoniza a alma com a natureza, sendo uma força passiva e irracional que nos afasta da essência racional humana. Eles dividem as paixões em quatro tipos: dor (movimento contrário à natureza), medo (expectativa de dor futura), prazer excessivo (que ultrapassa a tendência natural) e desejo (apetite racional desnecessário). Essas paixões são vistas como doenças da alma, originadas de falsos julgamentos e representações, e podem ser curadas por meio de exercícios filosóficos, semelhantes a remédios prescritos por um médico. O debate destaca que o estoicismo antigo é frequentemente mal interpretado hoje, sendo cooptado pelo capitalismo e desenvolvimento pessoal, quando na verdade ele prega desapego material e virtude, não sucesso profissional ou riqueza. A filosofia helenística, incluindo o estoicismo, surgiu como resposta ao sofrimento humano, focando em prática e modo de vida, mas seu uso moderno distorce seus valores originais. Por fim, os apresentadores enfatizam a importância de retomar o estoicismo em sua essência radical, para que ele possa oferecer soluções autênticas para problemas universais, sem ser reduzido a uma técnica motivacional.

Transcription

8928 Words, 49346 Characters

Portuguese
[Música] E aí, gente? Vocês estão ouvindo impostoras filosóficas, pode que esse de filosofia do site Razen adequada, meu nome é Rafael, e eu estou aqui com o meu camarada, Rafael. E aí, tudo bem, tudo bem? Nós estamos no partido, mas viemos aqui pedir e falarem na minha causa do Razen adequado. Bom, se gosta do nosso programa, você tem duas formas de ajudar. A primeira delas é direta, fazendo lá uma sinatura no nosso site. A gente é totalmente financiado pelos leitores e ouvintes. Plano site, vocês têm dois planos, um de 25 reais, que dá acesso a uma parte das nossos benefícios, como um grupo no Telegram, como um grupo de estudos e um outro plano completo, que dá acesso também a todos os cursos do site. Essa é a forma de ajudar diretamente. Mas você não pode ajudar direto e financeiramente, tem um outro jeito. Uma das maneiras de ajudar a gente sem ser financeiramente, é compartilhando as coisas que a gente faz. A gente sempre tem essa preocupação de fazer um trabalho que todas as pessoas possam acessar. Então, os textos lá no site são abertos e esse podcast é aberto. O que a gente pede para vocês é, se vocês gostam de filosofia, e se vocês conhecem alguém que gosta de filosofia, leva a esse trabalho adiante, porque a gente faz isso com todo o carinho do mundo. E agora a gente tem produzido muito conteúdo de divulgação também. Então, no Instagram tem muita coisa, muito coisa legal de compartilhar. Tem cortes dos cursos, cortes dos podcasts. Então, quem pode ajudar a gente agradece imensamente. A ideia é ajudar as pessoas a ter um pensamento mais crítico e a gente continua fazendo isso porque a gente ama. É isso, então, bora pro programa. Stoicos, paixões. Paixão é um termo que deriva do grego "patos" e significa aquilo que se sofre, se sente por acontecimentos exteriores. Ou seja, a definição de paixão seria uma modificação corporal que sofremos devido uma ação exterior. Se a virtude, como veremos, é um movimento de entrar em harmonia com a natureza, as paixões são exatamente o contrário, uma força que nos empurra para longe de nós mesmos faz entrarem em desarmonia com a natureza. A paixão é a passividade da alma, sua fraqueza, é o vento que carrega a folha, é o mar que arrasta o náufrago, é a avalanche que soterra o opiniista. As paixões seriam então essa força que nos fariam entrar em contradição com a natureza. Ela não é nada mais do que um movimento não natural de nossa alma, um movimento realizado apenas sob coação exterior. Escrevo das paixões, submetidos a elas, nossa alma segue numa direção onde se sente contrariada, até mesmo violentada. Se o movimento do corpo tem uma naturalidade, pense nos movimentos possíveis do joelho e do cotovelo, por exemplo. A mesma coisa vale para a alma. Se a paixão chega a níveis de constrangimento extremos, morremos. Por isso, dizem os históricos, submetidos as paixões, a alma é violentada e se enfraquece. Ora, por que faríamos isso? Simples, porque damos nosso acentimento a falsas representações e desejamos aquilo que não podemos obter. Em outras palavras, seguimos em direções enganosas, que na verdade nos fazem ir contra a nossa natureza. A paixão é, por tanto, uma adesão que damos ao falso, rompendo assim, nosso equilíbrio natural. Mas como se os históricos dizem que tudo é natureza? Como algo contra natureza e tudo são corpos? Não há contradição alguma aqui. Tudo é Deus. Tudo é um logos de vinho irracional. Mas podemos dizer que ocorre uma desarmunia, um desequilíbrio, um desenconto entre a natureza universal com nosso corpo particular. Do ponto de vista universal, tudo vai bem, mas do ponto de vista particular, a paixão. Os históricos dividem as peixões fundamentalmente em quatro. Primeiro, dor. A dor física ou mental indica um movimento contrário de nossa natureza. Ela indica nosso corpo sendo contrariado, desnaturalizado por outro. A dor é a força de fora, obrigando nosso corpo ou alma a realizar movimentos contrários à nossa essência. Por exemplo, a tortura é a realização de movimentos totalmente contra a natureza de nosso corpo. Mas esta paixão também se manifestamente, como inveja, se um, despeito, desgosto, sofrimento, aflição, confusão. A dor carrega o ser humano para longe de sua essência, o fazer o que não é. Segundo, o medo. O medo é a possibilidade de, no futuro, sentir dor. O medo é expectativa de uma dor provável. Por exemplo, o medo de contrair uma doença, de perder suas posses, o medo de ser sequestrado, agredido, perseguido. Esta paixão se desdobre em outras. Pavor, exitação, vergonha, angústia. Todos elas são medos. São nossa alma sendo tomada pela paixão, com a expectativa desse acontecimento. O medo impede o homem de estar à altura do acontecimento. Terceiro, prazer. Quando um prazer ultrapassa a essência de nosso corpo, nossa tendência, nossa ormê, ele se torna paixão. Ou seja, quando o prazer carrega a natureza de nosso corpo para além dela. Os históricos se opõem ao edonismo. O prazer não pode em hipótese alguma tornar-se maior que a tendência. O prazer excessivo se desdobra em desregramento, sedução. O prazer que extraímos da tristeza dos outros. O prazer nos faz esquecer quem somos. Quarto, desejo. Trata-se de um apetite racional da alma. O desejo é a expectativa desnecessária de prazer. É querer algo que não nos convene e sobre a qual não temos controle. A ormê é nossa inclinação natural. O desejo é a paixão do imprudente, excessiva e desmedida, que gera apenas servidão e impotência. O desejo gera indigência a ódio, coleira, ressentimento e irritação. O desejo nos afasta de nós mesmos. Assim, vemos como toda a paixão é um tipo de servidão, como de ir espinosa. E como seus afetos se desdobram em vários outros que também nos fazem mal. Por isso, devemos aprender a dominar as dores e não ceder aos prazeres. O corpo para os históricos é sem preenhar-to. É aquilo que quer efetuar-se. Ele é uma força do sopro divino que gera acontecimentos. As paixões acontecem quando os corpos não podem se expressar adequadamente ou não encontram meios de expressar sua essência. Ora, só podemos concluir que a paixão é uma doença da alma. Ela é um movimento de alma perdida, debilitada, perturbada. Os históricos comparam os apaixonados a crianças que não sabem o que querem nem o que fazem. Porque se confundem o tempo todo sobre o que é melhor pra elas. A paixão é ignorância do julgamento da alma, é desmedida das ações, é ingenuidade para com o mundo. Não é castigo dos deuses ou maldição por ações passadas. É pura e simplesmente um erro de julgamento, um opinião falsa que nos faz caírem caminhos prejudiciais. Como um escalador que se segura na pedra errada e caida montanha, como um surfista que pega uma onda maior do que consegue surfar. Há uma concepção intelectualista da paixão, ela é o que nos afasta da natureza, a natureza, é a razão de vina, logos, a paixão nos afasta de Deus e da verdadeira felicidade. Como retomar o processo, como efetuar-se, como estar a altura do acontecimento. Ensumo, toda a paixão é fraqueza e irracionalidade, o que são praticamente a mesma coisa para os estoicos. Mas se elas são uma doença com uma gripe, uma infecção, uma dor de cabeça, então podemos curá-las. Existem doenças do corpo e os médicos prescrevem dietas e medicamentos, mas existem doenças da alma, onde o estoisismo age como um medicamento e prescreve exercícios para a alma. O estoico é como um médico que indica os remédios necessários para nos curar das paixões. Tudo isso exigirá um esforço por parte do doente, uma acese, uma série de etapas a serem cumpridas. As paixões, segundo os estoicos, estão em nosso poder e podemos estir palas. Saí-r delas é entrar na virtude. É isso, mas um campo da filosofia que muito interessa a gente. A gente gosta de coisas que estão na filosofia contemporânea, coisas que estão na filosofia moderna, e tem um interesse muito especial pela filosofia elênica. E os estoicos fazem parte do que eles têm. desse conjunto, né? A gente gosta muito de Epicurismo, SetiCismo e Stoicismo. E eu acho que esse texto, ele é especial para a gente, porque os históricos falam muito dessa questão das paixões e dessa questão dos prazeres, assim como também o Epicurismo fala muito sobre isso, de maneira oposta, de maneira oposta, essa graça. Então vai ter muita coisa para a gente pensar em torno dessas questões, né? Sim. Eu acho que a gente precisa, antes de entrar no assunto conceitual, propriamente, das paixões, ter um pouco de contexto do que é a filosofia antiga e de como ela se apresentar hoje. Eu acho que seria legal a gente conversar um pouquinho sobre isso. O Elenismo é aquele período depois que a tenas perde a guerra do Peloponésio e até o começo do Império Romano, né? No século 1, mais ou menos, o Elenismo é o centro do Elenismo, né? E o que acontecia com a filosofia nessa época? Ela começava a ser a principal resposta às demandas de sentido e dor das pessoas. A religião e o politeísmo antigo dos gregos começava a se misturar a ponto de se perder e perder crédito, né? Começa a só pensar que começa depois de um tempo a nascer o cristianismo, começa a nascer outras religiões para também responder a essa demanda. Mas por um tempo foi a filosofia que respondia. E aí a gente tem séticos, neoplatônicos, epicuristas, istoisistas, todos eles tentando responder a pergunta do sofrimento, né? Tentando da conta do porquê sofremos e como alcançar a felicidade? Então toda a filosofia que surgiu nessa época é uma filosofia que convida a uma prática, que convida a um pensamento colocado em prática para uma vida saudável e feliz, certo? Eu acho que isso incrível, eu adoro essas ideias de filosofia que surgiram nessa época, né? A gente falou de sinismo há pouco tempo atrás que também resiste muito nessa época e que são filosofias que têm um lado especulativo e tem um lado teórico e tem um lado desenvolvido, mas que tão preocupadas com o colocar em prática e com o modo de vida, certo? Essas filosofias têm sido muito resgatadas atualmente, mas por via questionáveis eu diria. Ontem mesmo, eu abriu o celular porque eu tô estudando bastante essas filosofias e abriu o celular, uma página na internet que eu não vou citar, que trazia uma explicação dessas escolas e aí eu fui ver a explicação de uma delas e no final a pessoa tava falando em desenvolvimento pessoal, crenças limitantes e vida, sei lá, crescimento profissional e aí eu falei eu tô lendo coisas antiga, coisas de dois mil anos atrás, a gente tava falando de alinismo e não tem nenhum desses termos lá, ou seja, o que que é onde é seu? Aonde foi que a gente foi parar quando a gente tá falando de estoisismo, quando a gente tá falando de epicurismo? E aí a gente tem que concluir, eu acho pra começar essa conversa, que essas escolas por ter encido esse tipo de resposta a uma certa ausência de sentido ressurgiram muito forte, mas acionatizadas, capturadas, fagocitadas pelo capitalismo e pelo pensamento neoliberal. Eu achava que a gente tinha demora um pouco pra entrar nisso, pego perna a porta na edicara assim, mas demora, eu não vou saber quando seu amigo entra numa briga e você fala "Pu, tá demora, vamos lá, agora tem que entrar na samenta também, tem que acompanhar o amigo, não tem jeito. Mas essa frase eu achei genial, que é você, o delas e falar isso, é tipo o chato pensamento de outros tempos, você puxa o estoisismo pros tempos atuais, e hoje tá muito famoso, mas você puxa pela falta de sentido dos tempos atuais, eu achei muito bem colocado isso, que é. Então a gente tem uma escola de filosofia antiga, que naquele momento histórico surge pra dar algum sentido à existência, e hoje você tem uma falta de sentido na qual você sabe, porque quando você tá preparando uma receita, está cozinhando e falta o ingrediente que você precisava, você abre o armário desesperado pra pegar alguma coisa, e esse é falar isso, serve. O que eu sinto que tá acontecendo hoje, a galera abrindo o armário da filosofia e achando o estoisismo e falando "Ah, foda-se, vou pegar isso mesmo, vou pôr daqui, ninguém vai perceber, vai dar tudo certo". E não é a mesma coisa, então eu acho que você já começa com um pé na porta, que é distinguindo do tipo "Olha, gente, estoisismo não é isso, eu sei que vocês estão tentando forçar, estoisismo dentro do campo, do desenvolvimento pessoal, do desenvolvimento profissional, mas sei lá, é pter, tudo, do rio, no chão, sabe de uma lanterna e um, sei lá, né, eu cada não tinha nada assim, então é estranho, né, pensar, tudo bem, cê nem que tinha posses e dinheiro, etc. Mas percebe, essas diferenças que são que mostram, que estoisismo não tá aí pra fazer você ficar rico, estoisismo não tá aí pra você virar um bom empregado, estoisismo não tá aí pra você aguentar um governo para a pessoa. Tem outra coisa, rolando, e eu acho que é legal a gente distinguir isso logo de cara, totalmente. Eu digo o seguinte, que tempos difíceis sempre ouviram e diversas respostas foram adaptadas pela filosofia para suportar tempos difíceis, mas a gente tem que tomar cuidado quando a gente pega uma solução em um conceito, por exemplo dos estoicos, e tentar usar ele pra qualquer coisa em qualquer época. Eu acho que a gente vai precisar fazer um raciocínio do que é, propriamente, um uso interessante do estoisismo, porque o que acontece? Se a gente não faz isso, a gente coloca os valores da nossa época dentro dessa filosofia, e aí a gente acaba descharacterizando ela. Eu vou pegar um exemplo porque você mesmo usou. O epiqueito dormindo no chão, né, ou o Zenão perdendo todas as riquezas dele, falando depois de passar pelo estoisismo, depois de fórmula, o estoisismo falando que bom, que bom que só aconteceu, porque bom que eu perdi todas as minhas mercadorias, né, que bom que meu navio afundou. E não é porque ele investiu numa outra empresa e ficou três vezes mais sourido. Não é? É, estarkos limitada. Não é definitivamente. Ou seja, o que está acontecendo quando a gente fala de um estoisismo, em prol da motivação pessoal barutrabalho, ou em prol da desenvolvimento pessoal, ou, né, a gente tá forçando valores da nossa época, que são axiomas, que não são questionáveis, né, ganhar dinheiro e ser bem sucedido profissionalmente, na nossa época é um axioma. É o que é uma verdade em questionável, as pessoas têm dificuldades de fazer crítica sobre isso. E a gente tá forçando isso numa filosofia que fala de disposjamento, que fala da riqueza como indiferente, ou como preferível, vai no máximo assim, tipo, tá bom, tem o suficiente pra pagar suas contas, é legal. Ok, mas isso não é uma virtude. Isso não é algo interessante em si mesmo, né? Então, a gente precisa retomar, eu acho, uma ideia de filosofia, um pouco radical, radical no sentido de raiz, de "bão pegar o estoisismo como ele era, pra ver o que é que ele tem de diferente pra gente viver hoje?" O problema da nossa época não vai ser resolvido com um caosso que a gente põe na mesa e a gente suporta o problema. O estoisismo é mais que isso, o estoisismo é todo um outro modo de vida. Então, a gente olha pra ele, pra dois mil anos atrás, pra ver que outras soluções possíveis foram pensadas naquele tempo, né? Pra que se for necessário, a gente nem esteja mais falando dos problemas desse tempo, mas estejamos falando de problemas temporais de todos os tempos, né? A gente não pode pensar bem, a filosofia como um corpo de técnicas, a filosofia não é puramente uma técnica pra se modificar, ela tal diretamente relacionada com uma certa percepção de mundo, com uma certa ética de mundo. Então, sei lá, você poderia dizer que uma facão, uma metralhadora são indiferentes a quem você atira, né? E aí, você poderia dizer um liberal e um conservador direito esquerda, pode usar uma pra qualquer coisa, ela é neutra. O que a gente tá falando é, o estoisismo é uma faca que corta melhor pra um lado do que pra outro. Ela se presta mais pra determinar das coisas do que pra outras. E aí, quando você fala, a gente tá usando o estoisismo pra palestra da motivocional no fim do ano, pro cara suportar a pressão de pegar a cima da meta e é um instrumento estranho que a gente tá fazendo um uso estranho do instrumento, tá? Sei lá, tentando pregar um prego com uma lanterna, tipo, cara, dá pra fazer, mas não foi feito pra isso, não serve pra isso, serve pra outra coisa. Então, talvez esse movimento que caiba a gente tentar fazer, né? Porque na sua estoisismo, tá aqui que ele existe, o que ele quer, o que ele tá pensando e o que ele tá sendo usado hoje, né? Porque é isso, o capitalismo vai reviver todas as técnicas possíveis. que ele tiver a disposição dele e conto mais logo que ele estiver melhor, mais feliz, ele vai ficar, né? E eu acho que a gente já pode entrar no conceito que a gente trouxe no começo, que é o conceito de paixões. Interessa muito a um patrão que o seu subordinado não tem a paixões. Interessa muito que ele não sofre com aquilo, que o ambiente ele causa. Interessa. Mas, então, mas, isso que você falou, é que que usa esse, né? Não é o uso dos enanhos recebendo os cravos e trabalhadores sexuais e pessoas de todos os tipos que não tinham lugar na cidade, recebendo lá para conversar e para tentar falar as filosofias. Não é esse uso. Então, a gente tem que saber do lugar onde isso vem, saber do lugar que a gente está usando isso. Então, para falar, então, começar a falar de paixões. O texto traz um conceito, começa com uma ideia bastante ampla, que é simplesmente a ideia de algo que se sofre. Então, paixão, como é de patos, como aquilo que a gente sofre do exterior, aquilo que diz que nós não somos causa, né? Conteste alguma coisa e a gente sofre uma paixão. Isso aí está em diversas escolas da filosofia antiga, não só nos estouicos. O que os estouicos têm a sua mania nessa discussão é a seguinte ideia, sendo bastante sintético, né? Sendo bem falando em poucas palavras. Nós fazemos ideias disso que acontece com a gente que nos atrapalha. É basicamente isso que o estuicismo tem a somar nessa discussão. Então, ele diz que nós pensamos mal aquilo que acontece. Se a gente pensar melhor o que acontece, a gente vai ver que a maior parte das nossas paixões não são necessárias. A gente não precisava sentir essas coisas dessa maneira. Não precisava estar aqui, eu não precisava passar por isso. Isso, exatamente. É sempre bom explicar que a mesma palavra que da origem a paixão, que é patos, da origem a palavra patologia. Isso é muito, não, outro explicativo. Quando você pensa que a mesma palavra que da origem a paixão também é usada para designar doenças, patologias significa que um corpo está sendo acometido por alguma coisa que está debilitando ele. Então, se eu venho aqui gravar o podcast e falar "Rafa, eu to mal, estou doente, estou com uma dura, o que que está acontecendo?" Nesse vou conseguir gravar, "Rafa vai falar, está acontecendo alguma coisa com você, você não é você mesmo, tem alguma coisa acontecendo que você não está legal." Se eu chegar aqui falando "Nossa, Rafa, eu estou, sei lá, completamente viciado em pouca, perdido todo meu dinheiro e sei lá, estou devendo." Você vai falar "Meu, tem alguma coisa acontecendo com você, você está fazendo algum movimento na sua vida que tem alguma coisa estranha." "Rafa, eu estou completamente apaixonado por essa pessoa, vende tudo porque ela mora no outro lado do mundo e eu vende tudo e agora estou indo para lá, porque eu quero encontrar com ela." "Mum, tem alguma coisa estranha, essa ideia de paixão, essa ideia de ter alguma coisa acometendo você e fazendo você realizar um movimento que é muito estranho pro seu corpo. Se o corpo resiste, se o corpo fala "Mas isso não está legal, isso não está rolando bem." Sim, para dizer de um jeito histórico, contra natureza. Por quê? O que é a natureza do ser humano para os históicos? Ração. É isso que o ser humano tem de diferente do resto da natureza. Ele expressa em si a mesma racionalidade que os históicos vem em todo o cosmos, toda natureza. Os históicos olham para a natureza e vem ordem. Ordinação. Vem onde as coisas todas estão concatenadas, onde todos os acontecimentos têm causas, onde a gente consegue fazer proposições que explica o mundo. Então, a nossa natureza, ela é sensitiva, muito bem, ela é. Ela se reprodusa, a gente tem várias questões como os animais, a gente tem muitas coisas, mas a gente tem além disso uma natureza racional. As paixões são contra natureza, na medida em que elas atrapalham essa racionalidade. Mas de novo, voltando para o que eu falo, eu estava explicando, o que é as paixões para os históicos especificamente. Não é só isso que se sente. Isso que se sente a afet, como queiro, é inevitável. Todo mundo se sente alegre o triste. Então, não é que o estoque está dizendo "não fique triste, não fique alegre", ele está falando, cuidado com as ideias que nós produzimos sobre essas sensações. As paixões são. elas são passionais em um sentido, mas a gente realiza uma atividade estranha com elas. E o estoque intervém, ele fala "perai". O que é isso que a gente está dizendo dessa disso que aconteceu? Isso não faz sentido. Então, quando alguém chega para você e fala que foi numa reunião e que descobriu um produto, e agora tem que colocar mais duas pessoas. Cara, você fala "neva". Você está aderindo a uma ideia muito estranha. O cara está apaixonado. É bom. Ele está apaixonado por uma ideia que não condice com a realidade. Porque você olha para a realidade e fala "cara, você está só precisando convencer alguém a entrar nisso para que outra pessoa ganhe dinheiro". Você já percebeu isso. Então, percebe, a paixão, ela turva a realidade. E para o histórico, a realidade é racional, a realidade é plena de sentido e plena de possibilidade lógica, racional mesmo. Os dois exemplos do texto, acho que eles também são muito explicativos. Esse que você deu da pirâmide é muito boa. Os dois exemplos do texto são muito bons, que é "pensa numa avalanche". Esse exemplo é o que mais fica na minha cabeça. Pensa numa avalanche. O que a avalanche não está nem aí para o seu braço. Ela não está nem aí. Então, dependendo da força da neve, o seu braço vai fazer um movimento que ele não foi feito para fazer. E quando ele realiza esse movimento, você vai sentir uma puta douta, porque o seu hômetro vai ter sido deslocado. Então, a paixão é essa força que vem de fora e o brigo corpo vai realizar um movimento. Mas aí, essa pura possibilidade e você qualificou isso muito bem, não é só isso. Existe mais alguma coisa. Então, quando eu usando de novo, é o exemplo do texto. Quando o alpinista olha e fala, "Vou pegar naquela pedra ali". E ele pega e ele cai. Aquela pedra não tinha sido feita para conseguir aguentar o peso desse alpinista. E o alpinista peina aquele momento e pensa que aquela pedra vai aguentar de uma pessoa. Ou seja, essa diferença entre o alpinista, olhando e pensando uma coisa e julgando uma coisa do mundo. E o mundo não sendo exatamente isso. Então, quando você faz esse movimento e entra nesse ponto que a gente está falando, que é você deu o seu acentimento para o mundo de um jeito que não é real. Pensando clássico golpe do WhatsApp do cara, mandando uma mensagem falando, "Olha, eu perdi aqui o meu cartão, eu preciso pagar uma conta, eu não sei o quê, eu não sei o quê, eu não sei o quê, eu posso fazer um pix para essa conta aqui, para eu realizar o pagamento?" Se você olha aquilo e falar "Ah, meu amigo aqui, está precisando de 800 reais para pagar a conta, poder morrer, vou fazer o pix aqui para ele, cara, cede o seu acentimento para a coisa errada, você acabou de sofrer um golpe, não é o seu amigo que está te mandando essa mensagem. Você foi enganado, então essa distinção entre um pensamento que é limitado, que pode ser enganado, que pode ser arrastado por alguma paixão, a raiva de um ajudam o amigo, meu Deus, meu amigo, foi se coestrado, vou ter que pagar rápido aqui o resgate e o que a realidade está mostrando para a gente não determinado momento. A paixão, então, ela em alguma medida, eu acho que aqui que a gente entra na parte da. que a gente vai ter que qualificar melhor o combate com o capitalismo, mas é o estoico, vai falar "bom, a gente tem alguma coisa a fazer, tem alguma coisa na paixão que nos cabe, a gente é passivo, ok, a gente vai sentir, a gente vai sentir. Mas tem alguma coisa, esse acentimento, a gente precisa ter alguma maneira de a sentir as coisas certas, né? A gente não pode dar o nosso acentimento a pedra que não se não segura. - Exato? - É isso que está sendo no problema. Talvez vocês, para mim, toca num lugar de experiências pessoais, da adolescência, que é, sabe quando você gosta de alguém e fala "não devia gostar de sua pessoa". - É simples, assim. - É simples. O estoico não vai falar para você e falar "bom, você não devia gostar de sua pessoa ou deixe de sentir agora mesmo, pronto, pense e não sentir a mais". Mas ele vai falar "bom, você está acentindo com uma coisa que não está se tornando felicidade". E aqui que eu acho que a gente vai precisar qualificar a diferença entre um coach se apropriando disso e o estoico istoisboantigo filosófico qualificado. - Que é? Não é fácil. - Não é fácil. Não é pensamento positivo. - Eu gosto mais de você, lá, lá, não gosto mais de você arra, pronto. - Eu quero me pensando isso, a nota e põe no seu bolso. Não é. Não é isso, não é isso. É um processo ardo cuidadoso de educação das paixões. O histórico não é esse penazês, ele não vai falar "modéria" as paixões, ele vai falar "stir" pelas paixões. É. Essa é a diferença que a gente tem qualificar bem, então é uma educação no sentido de ser menos afetado passivamente. Não quero mais ser tão passivo assim. Nesse ponto, o estuicismo tem um otimismo absoluto assim. Talvez seja, seria nossa crítica aqui sendo muito spinositas, exatamente com o espinal sabate, é nisso. A gente tende a concordar, mas ficando no estuicismo hoje, vamos tentar estirpar essas paixões, vamos tentar tirar essas coisas que não levam a gente até a felicidade. E não vai ser do dia pra noite, e não só isso, não vai ser com puro pensamento, não vai ser com uma prática de ter ideia, de ter pensamento em os frases que resolvem o problema. Vai supor, presumir exercícios, mudança de valores, questionamento, pensamento da lógica, entendimento da natureza. É. A ética não é um pilar único do estuicismo, ela depende da física e da lógica, ou seja, o estuicismo era uma escola que ensinava várias coisas pra tirar alguém da pura passividade e levar até o campo racional. Existem os exercícios do corpo e existem os exercícios pra mente. Acho que até ali é pra passar pra eles rapidinho, mas eu fiquei pensando, o quanto o corpo, o quanto o estuicismo, ele não é uma abominação do corpo, o estuicismo tá ouvindo o corpo. Aliás, não tem nada melhor pra essa ilusão de adolescência do que ficar com essa pessoa e sentir na pele, o quanto merda e a sei realmente, tá sem. Porque acontece, você tá super apaixonado por uma pessoa, essa pessoa finalmente dá bola pra você e você fica com ele e fala, "Nem, nem, nem, não é bom." Não era o que eu imaginei. Não tô gostando, não é isso, pode acontecer, é isso, você começa a entender que uma pacião tava movendo você e você não tava sendo carregada, você não tava entendendo o que tava acontecendo. Mas do mesmo jeito que a avalanche tá te levando e você tá pensando, "E que legal, a avalanche tá me levando, tô indo pro vale da montanha, que é o mais querido." Você percebe que você tá sentindo muito adorno no processo, então você começa a entender que a maneira como esses movimentos tão arranjados não te convém. E aí que eu acho que cabe voltar pra essa crítica do "estoiscismo sendo apropriado." Vamos. Porque se a gente vir e fala, "Se eu pego uma frase, como por exemplo, não pém, não ganho." E aí você fala, "Ah, então é isso, então existem certas doles que a gente tem que suportar pra alguma coisa grande, acontecer." E aí a gente tem que suportar essas doles, ser corajoso e não ligar pra essas doles, isso é estoiscismo. "Eu até concordo, mas se você parar pra pensar no seu empregador tilo dindo e dizendo, "E isso mesmo, cara, não pém, não ganho." Faz esse horário, "Ah, mais aí, porque é isso mesmo." E o seu empregador, no ano seguinte, aparece com um carro novo e você continua com o mesmo salário? Tem alguma coisa rada acontecendo. "Não, você tá tendo pém, não ganho." Então pra ele, então a frase está "Quem que tá acontecendo com esse rassossínio?" Então é nesse ponto que eu acho que a gente precisa ouvir o que tá sendo dito, com um ouvido muito mais crítico e olhando pra realidade acontecendo. O cara pode dizer o que ele quiser, mas se você olha e você tá sentindo uma dor que é absolutamente desnecessária e que tá ticarregando para um lugar que não te faz mais orçando. "Pai, chão, e aí o estoiscismo vira e fala, "Não escute isso, não faça isso, não vá poder esse caminho." E o empregador tá dizendo, "Eu lhe uma coisa aqui dos históricos, siga esse caminho aqui, que você vai se dar bem." "Precisa de um olhar muito mais crítico pra ver o que tá acontecendo, né?" Totalmente. E se a gente for pensar, claro que existe essa ideia de suportar as dores. - Existe, existe. - Existe, existe. No estoisismo quanto no empicurismo. É possível suportar determinadas dores, e mais, às vezes, elas não levam a alugadas muito interessantes. Vale muito a pena, e o estoisismo está dizendo isso. Vale a pena. Mas, para dizer que isso é o estoisismo, é uma torção enorme. Exato. Porque o estoisismo coloca o dor como paixão e paixão, a gente não quer. - O estoisismo é aquele que paixão? - Obrigado. - É. - Passo, não quero. Então, que torção é essa, que você pega a exceção e torna a regra. Então, eu acho que a gente precisa retornar e rever. E aí, eu queria pensar na psicologia estoiscista, dizendo assim que se chama de um sentido do entendimento do que é a álmia psiquê. É um tonos. Para eles é um tonos, é uma tensão. É muito diferente do epicurismo, que é um deixar circo mais tranquilidade. O estoisismo é o contrário. É todo um trabalho para criar uma alma que tem um tonos, que tem uma postura que seja capaz de se expressar, de encontrar a sua própria natureza, etc. Mas, tem aqui uma ideia que é muito interessante, que também é da psicologia estoisca, que é a ideia de tendência. É, essa legana. Cada corpo tem a sua maneira de expressar e interagir com natureza. Então, não tem esse mandamento que vai dizer antes da experiência o que fazer. Que tonos é esse? Como o que é a felicidade? Qual é a natureza desse corpo? A gente só sabe, a gente só encontra essa tendência, nas sensações, nas coisas, no mundo. Ou seja, não dá nem para falar em dor nesse sentido abstrato, tipo, "Não, a dor leva ao suporte a dor e você chegará em. " Não, que dora essa, onde está isso, quais são as tendências desse corpo, porque o mador pode ser excessiva. Isso é abominável, então, que não leva, não quero passar por isso, para chegar em lugar nenhum muito obrigado. Então, tem que levar em consideração essas duas coisas. Primeiro, de que a dor é uma paixão e a gente deveria sempre evitar ela, segundo, mesmo quando a gente suporta ela, a gente tem que ver se isso fala com a gente. E se esse é o ponto, né? O mador que faça a parte de uma natureza querendo se expressar. É onde a gente chega, por exemplo, na questão dos medos. O estuicismo tem aquele exercício dos males futuros, né? Premeditar-te uma loram. O que você faz? Você medita sobre como as coisas podem dar errado. Você medita, você pensa, imagina quais são as coisas. Naquilo que você vai realizar, que podem dar errado. Isso é muito. Muitas coisas podem dar errado. A gente tá gravando um pod que é esse, a gente pode quebrar, pode não salvar, pode mandar, pode só ir, um áudio, pode dar um monte de merda. Você vai já acontecer que nem semana passada que o microfone estava ao contrato. Exato, exato. Conteste. Tá um problema no microfone aí, fica ruim. Você medita sobre isso. Pode dar errado, pode. Vai te causar um medo e um mador. Mas você, meditando sobre os males, você consegue prevenir certos males e saber que certos males são inevitáveis. Certos males são inevitáveis. Você vai sofrer. Só que, percebe, com um estuicismo faz a gente ficar muito mais em harmonia com o mundo pensando, "É, mas eu fiz o meu melhor." Eu me esforço, sei. Eu fiz o melhor que eu podia naquele momento, com o conhecimento que eu tinha naquele momento. E aí, o hip se enviei o mador, mas eu fiz o melhor que eu podia. Então, existe uma relação com as dores e com o mundo onde você pensa, "Eu, na minha natureza, dou o melhor que eu tenho e a natureza responde a isso. Eu evitei certos males, certos males são impossíveis de ser evitados e vida que segue. A gente continua. Isso é diferente. Não é a mesma coisa do que o que a gente encontra hoje. Definitivamente não. E essa ideia dos exercícios, ela nos leva a pensar que não é tão simples de novo. Não é uma coisa que você decide de um dia para o outro e resolveu, entendeu? O exercício de exames da consciência, por exemplo, chegar no começo do dia, colocar-se determinadas metas e no final do dia avaliar essas metas. Nada mais interessante para o capitalista. Mas quando a gente coloca essa questão de "commetas", como é que você estabelece essas metas a partir de quê? Se isso está vindo totalmente de fora da sua empresa, do seu patrão, do seu país, da sua família, se isso não diz nada de você, quisame de consciência. E esse que consciência é essa, final de contas. É, só se for a consciência neoliberal, porque. O ápice da alienação é você pensando com a cabeça de uma outra pessoa. Você é preocupado com uma empresa que não está nem aí para você. Ou seja, a gente vê essa galera pegando os exercícios sem ter passado pela física, pela lógica e pela ética, basicamente. E aí pegou exercício e usa para qualquer coisa, mas pera antes de falar de exames de consciência antes de falar de males, o que é mal, o afinal de contas? Seria uma discussão filosófica, se perguntou o que é mal para então falar de premeditação dos males futuros? Você disse o que é consciência para então falar de zamira consciência? Porque afinal de contas, tem uma ideia de física que deve basear o que é um corpo, que é uma alma, tem uma ideia de lógica que deve nos dizer como enxergar o que é um mal, como colocar isso numa proposição em que a gente concatene causas e efeitos e ideias a ponto de entender o que é mal. A talvez os históricos sejam vítimas, uma das maiores vítimas de algo que também foi um dos maiores trunfos deles, que é uma filosofia sistemática. É uma filosofia em que você não pode pegar uma pecinha e usar de qualquer jeito, porque é uma das primeiras filosofias com catena também as suas partes que aliás gerou todo tipo de entre eles, todo tipo de discussão, porque ninguém sabia, mas a gente deve começar a ter uma pessoa que está tão insurisima pela física, pela ética, pela lógica. A gente começa falando do mundo, começa falando da alma ou começa falando da linguagem. E ninguém se entendia, cada um falava uma coisa, deu todo tipo de treta na antigüidade, porque é o que eu ze disso. E hoje as pessoas pegam esse trucesmo e não falam de nenhuma das três coisas, pegam só os exercícios que convém a servem para qualquer coisa, como qualquer exercício. E acham que estão falando de suicismo e não estão. Tem um ponto muito importante quando a gente fala do mundo, do cosmos, que é a ideia de justiça, que é de que. De que é a deusa da justiça? De que é uma das horas. Hora são um conjunto de várias deuses que eram responsáveis pela partilha, pela divisão, por exemplo. Tem uma das horas, olha, chama-se, porque se divide o tempo em horas, se divide as quatro destações, essa era uma das deusas, das horas, e de que é uma deusa da justiça. Justiça é partilha. Você quer um sistema que partilha menos e pior do que o nosso sistema capitalista? Não existe. O sistema capitalista é históricamente o sistema que mais concentra poder. Os poderosos de hoje em relação aqui em não tem nada concentram muito mais do que um rei no feudalismo. Muito mais, a diferença entre um rei no feudalismo e o campesinato é menor do que a diferença de hoje em interiode defezes e eu e você, eu vinte, eu rapaz, eu tá na minha frente, é muito diferente. Então, o capitalismo é, por definição conceitual injusto, ele não partilha bem. E o que os históricos estão dizendo é, a natureza é uma natureza de partilha, da natureza, as coisas são divididas, as coisas são partilhadas. O leão só é o rei da savana, o rei da selva, na verdade, não faz nem sentido dizer assim. Na cabeça de quem pensa capitalisticamente, porque a partilha é diferente de uma hierarquia onde alguém tem tudo e uma outra pessoa não tem nada. E o históricismo tem muita noção dessa ideia de comunidade, dessa ideia de partilha, dessa ideia de ação justa, dessa ideia de divisão. E essa ideia, se ela é desapropriada quando a gente vai falar das técnicas do históricismo, é isso, está vendendo a embalagem sem um produto, basicamente. É tipo pegar um suco e vender um embalagem que tem 1% da fruta. É exatamente. Porra, é suco ainda, fazendo exercício daquele esparadóxido que vem aos enousenados estábios, é o outro, é o outro dia. É suco ainda, você tira, tira, tira, tira. E se ele levanta a mão no meu da palestra, motivou-se o nó e fala "mas isso está em uma emenda, será?" Mas vocês não vão mentar no salário, isso é justo, vocês estão em uma emenda. Pois é, não é mais, cara, não é mais, não é mais. Só pegaram o nome mesmo, é embalagem só, é embalagem para um modelo de subjetividade neoliberal, biopolítico, né? Exatamente. As técnicas, os exercícios espirituais históricos viraram técnicas biopolíticas de gestão. Perfeito, perfeito. É isso, é o diagnóstico. A tomar em cuidado, com as coisas que chegam até vocês dizendo que é estoisismo ou epicurismo também, porque também acontecem as coisas estoisismo mais fortes, mas é o picoismo também. E porque não é? Não é isso. E o afel trouxe de uma ideia justiça que eu até vou complementar a qualidade de razão, porque eles pensam numa natureza partilhável. Por causa da razão, a razão para eles é como um sol que brilha iluminatudo, tá na natureza. Esse logo racional é como se fosse um sopro ou um fluído, dependendo do autor, que não qual a gente tá emmerso. É como se o matemossfera. E a gente tem um pouco disso. Olha o que coisa linda. Ele se é como maravilhados com a possibilidade que a gente tem de compreender a natureza, porque a natureza partilha a sua racionalidade com a gente. Isso é maravilhoso. Isso é maravilhoso. E, bom, o capitalismo ele não partilha e, segundo, ele não é racional. Se tem uma coisa que é absolutamente racional e a gente pode apelar para 20 autores diferentes, é o capitalismo. É um sistema que parasita em cima daquele que trabalha e gera e produz, mas mais do que isso, o parasito planeta. Para produzir 800 sapatos por dia, para produzir coisas que ninguém precisa, para 100 camisetas, 10 milhões de carros. Sim. E eu acho que hoje a gente não pode mais falar desse tipo de filosofia sem fazer essa crítica. Virou uma questão obrigatória. A gente precisa defender o delas e falava que o maior inimigo da filosofia é o marketing. Ele falava disso. E nesse sentido de que. Estas paixões? Estas paixões. No sentido de que os conceitos estão sendo apropriados em nome de lógicas de monetárias, em lógicas do capital. Eu acho que eu já contei essa história. Talvez depois de 150 tantos, pode que essas vezes a gente acaba repetindo as histórias. Eu lembro, quando comprei um sapatênes. Aliás, eu comprei um sapatênes e fui tiver depois. Acho que já existia um podcast, eu não lembro do mundo. A gente foi gravar de qualquer maneira. Eu comprei um sapatênes sem querer comprar. Eu fui lá na loja. Eu queria comprar outra coisa. Acho que eu queria comprar um tênis. Vai ver que meu tênis já estava velho. Eu queria comprar um au start. E eu cheguei lá e o cara, mano, uma lábia. Graçada. Porque o cara falou "Não, mas. O que você faz da vida? Pô, você é psicólogo. Importante, né? Meu. Tem que ir. O paciente, olha a pseja, tem que ver uma roupa. Mas bonitinho. Porque esse sapatê. Ele é super confortável. Olha como se fosse um tênis. Mas ele não é um tênis. Ele não sabe o tênis. Se você tem um sapatênes, você é muito mais importante. Ele vai não sei. O cara já foi movendo as minhas paixões. Uma lábia. Desgraçada. Quando eu vi, eu comprei um sapatênes. Eu até hoje, eu pôr o sapatênes. E eu não uso os sapatênes. Quem me conhece nunca me viu usar um sapatênes. Muito mais fácil eu padi a vaiana. E eu cheguei em casa. Eu encontrei com você. Quando cheguei em casa, eu olhei o sapatênes e falei "Mu Deus". O que eu fico? O que eu fiz com minha vida? Eu convenço o sapatênes. E eu joguei, eu sei. Eu fiquei pôr da vida. Porque eu estava com tênis. Vem ali, não sou o sapatênes. Eu estava com muito raiva. Sim. Então é isso, a paixão. Você sendo conduzido por um caminho. O que você vê que aquele caminho não faz o menor sentido. Totalmente. E não tem retórica no estoisismo. Quase todas as filosofias antigas têm. O estoisismo não tem. Retórica fala direta. O estoisismo faz parte dessa. Desfogo de sinismo. Sama na passagem. O estoisismo tem muita influência do sinismo. Não tem retórica. O que? A fala persuasiva. A fala convence porque move as paixões do outro. Que está despreocupada com conteúdo das ideias, ou com bem, elas representam a realidade, e está mais preocupada em causar paixões nos ouvintes a ponto deles aderirem a sua tese. Não tem retórica no estoisismo, porque até a lógica, estoica, vai para o outro caminho. Ela quer dizer do que está acontecendo. A lógica boa acontecimento. Ela quer dizer, do melhor forma possível, aquilo que se passa. Naquele momento, presente em ato, essa lógica dos estoicos, e por tanto, não tem isso. O estoisismo não se prenderia a convencer ninguém de nada. Não sei, nas suas próprias, nas suas próprias máximas, aquelas que não entram em campo de retórica, é um campo filosófico, é um campo de defesa de ideias. Para pensar, nos três primeiros grandes históricos, Zenão, Cliente e Crisipo, Zenão, inclusive, de cipulo de craches. que era um cínico, né? Zenão perdeu tudo quando o barco dele afundou e é ele, por Deus, o mercado arriesdei, que ele afendia na graça. A grande salvação de Zenão não foi ter ficado muito mais rico depois. Foi ter percebido que aquilo era uma besteira. Foi ter percebido que o enorme desejo dele dos prazeres prometidos pelas requezas eram desejos que eram paixões. Era um prazeres prometidos que não levariam ele a uma verdadeira felicidade. E aí nesse ponto eu fico pensando o quanto faz muito mais sentido o estoisismo, se aproximar, por exemplo, de um minimalismo que a menor do meio crítica ao consumo, mas não é o meu forceio também, né? Porque nasceu nos Estados Unidos, mas é uma crítica ao consumo do que se aproximar de qualquer tipo de ideia, de acumulação. A gente tem uma ideia de acumulação de que certos tipos de prazeres e a esse são esses prazeres do consumo mesmo, vão preencher outros prazeres e não vão. Não vão. O estoisismo, eu acho que ele é um olhar mais crítico para isso, dizendo esses desejos que estão sendo oferecidos para mim, eles são preenchidos tão facilmente. Então, facilmente, eu não preciso de 100 camisetas, 50 caussas e 20 sapatos. Eu preciso de muito, muito, muito menos. E eu preciso muito mais de outras coisas que esse sistema não vai conseguir me dar. Então essa crítica é uma inversão do tipo, resista, não olha mais pra isso, não seja carregado por isso, olha por um outro lado, tem algum outro do caminho. Eu acho que as filosofias elênicas têm esse olhar muito apurado, ou o Epicurismo dava 100 vezes mais pra almoçar com um amigo do que pra comer num enorme banquete, sem panto raco, mesmo até vou me dar muito mais. Então é um olhar que a filosofia, a gente vir e mexe e fala disso, é um olhar que se move numa outra direção e que se não houvesse a filosofia e vai dos outros campos também, mas a filosofia especialmente, talvez isso não acontecesse. E o estuicismo então não é um sinismo, porque eles até falam da ideia de preferível, eles ensérem esse conceito, porque o estoico falaria, "não, melhor nem ter sapato, o sinico, é o sinico falaria melhor nem ter sapato, o sinico eu diria, "não, melhor nem ter saia diferente, essas coisas da sociedade não me interessam, eu vou viver o máximo possível próximo da natureza e a natureza e o meu corpo já tem tudo que ele precisa, esse é o sinico." O estuicismo ele fala "bom, eu gosto de ter um sapato aqui, eu gosto de comer um pouco melhor, eu preciso dormir, mas não lugar mais quentinho, mas gostoso." Então eles ensérem a ideia de preferível, essas coisas não levam a virtude, concordo com vocês. Não levam a virtude, concordo com os sinicos diógenes, pode vir aqui, será muito bem recebido, elas são indiferentes, é muito bom dormir numa cama de 100 reais, não faz tanta diferença assim. É, chega um ponto em que a diferença começa a ser tão pequena. Eu penso até naquela pedema de Maslow, sabe? Você precisa ter certas coisas básicas, superidas, mas que depois elas serem superidas, não vai mais fazer tanta diferença. Eu fico pensando naquela parábola, né, que ela começa a não subir mais tanto. Se você está com fome, você fico feliz comendo, pô, está merda, fico muito feliz. Você fico feliz comendo uma comida muito boa, porra, fico mais feliz ainda, mas você fico feliz pagando 800 reais num prato de comida. Será que você vai ficar 80 vezes mais feliz? Será que é propoestional? Então eu acho que é esse ponto que o estuicismo me fala. Eu não sei mais do quanto é. E o capitalismo é lincita isso na gente, você não tem que isso é o mais importante, né? Sim. Então, tem uma ideia de virtude, tem uma ideia de vício, tem uma ideia de indiferentes no meio das duas dos dois extremos. Então, o que o estuicismo quer é o caminho para as virtudes. E quais são elas? Eu não vou lembrar de cabeça talvez as quatro, mas eu sei que a princípoa é prudência. Que, para o senão, era sua prudência. Depois o crisi poclento que desenvolve em quatro, né? Mas o que o estuicismo quer é uma certa capacidade de moderar essas paixões para então já na moderação ser mais feliz. A partir do momento em que o estuicismo se diz na posse da virtude, isso é de uma certa força de ser como é, de uma certa expressão de sua natureza. Então, ele já se diz feliz. Então, ele já se diz mais feliz a partir daquilo. As quatro virtudes são a moderação com o acuagem de fazer uso da disciplina do acentimento. É a coragem da coragem de fazer uso de uma disciplina do desejo. É a justiça com a gente mesmo, o valor, né? Onde a gente faz uso de uma disciplina da ação e a maior e a mais elevada de todos é a própria sabedoria onde a gente consegue colocar todas essas coisas em práticas. Exato, essas são as coisas que, se alcançadas pro estuicismo são boas em si mesmas. Não tem como ser ruim. Justiça não pode ser ruim. Justiça não pode ser um vício. Moderação, temperança ou prudência não pode ser um vício. Coragem ou fortaleza não pode ser um vício. E a própria sabedoria, o próprio saber ser, o próprio saber viver não pode ser um vício. Então, é esse o caminho que o histórico é chegar. Do que ele foge desejos e moderados? Todos desejos e moderados são vícios. E o que está no meio e legal, mas também não importa. É esse, vira, nunca. É tipo isso, prazeres, fãs, mas essas coisas. Eles até brincam, né? Os sabedoria fariam o bom uso do dinheiro, mas ele não está preocupado com isso. O estúpido está muito preocupado com isso, mas ele faz um mauso, então o garante porcaria. Exatamente, um marcorello, né? A gente até falou pouco do marcorello. Acho que um dia a gente pode fazer um outro programa, fala só dele, porque talvez seja o histórico mais interessante. O impedador que os quais sobraram inscritos. Nessa última parte do programa, em que a gente tenta fazer uma reflexão, a gente está super experimentando com esse bloco ainda. E a ideia inicial, eu estava lembrando, a outra dia, é que ela tenta chegar em alguma pergunta que fosse provocativa. Tentar chegar em algum questionamento que resuma aquilo que a gente tem todo zeio ao longo dessa conversa. E pensando agora, no calor do momento, eu me perguntaria se o estoisismo serve ao capitalismo. É uma boa pergunta, né? Será que o estoisismo serve pro capitalismo? Porque de fato ele é usado, ele é usado, mas não é estoisismo também, o que as pessoas usam não é o estoisismo. Ou seja, o estoisismo, como ele é, nos textos que a gente encontra do diógenes e lá é, se falando dos estoisismo antigo, dos cíceros e dos históricos romanos, é porque tem de ser um marcorello. Pega isso, se a gente pega isso, se a gente serve de alguma forma pro capitalismo e aí fica o questionamento em aberto para vocês pensarem, mas eu acho que muito do que a gente conversou hoje, é no esforço de tentar responder não, no esforço de tentar mostrar que estoisismo é tudo menos isso, estoisismo é tudo menos essa leitura. Daria para dar a escrever um livro sobre "Stoy com Marxismo". Você decidaria ou não? Estudeosos das áreas, se ou não, tem que escrever um livro assim. Mas eu fico pensando, eu lembro daquele nitpade estressado, certo, eu não teria preso escrever um estoisismo apad explorados. E seria de ser indo galera? Não deluca do pai da seu patrão, não é esse o caminho. Exato, é só ficar aí a ideia. E é isso, gente, a gente se vê semana que vem. Valeu, até a próxima, braço. [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. O programa "Impostoras Filosóficas" é financiado por leitores e ouvintes, com planos de assinatura (R$25 e completo) e incentiva o compartilhamento gratuito do conteúdo para divulgação.
  2. Para os estoicos, paixão (do grego "patos") é uma modificação corporal sofrida por ações exteriores, que causa desarmonia com a natureza e é vista como uma doença da alma.
  3. As quatro paixões fundamentais são
  4. As paixões são erros de julgamento ou falsas representações que afastam o ser humano da razão e da natureza, podendo ser curadas por meio de exercícios filosóficos (acese).
  5. O estoicismo antigo é frequentemente mal interpretado no contexto moderno, sendo cooptado pelo capitalismo e desenvolvimento pessoal, quando na verdade ele prega desapego e virtude, não sucesso material.
  6. A filosofia helenística surgiu como resposta ao sofrimento humano, focando em prática e modo de vida, mas hoje é distorcida para fins motivacionais e profissionais.

Summary:

O podcast "Impostoras Filosóficas" discute o estoicismo, começando com um apelo de apoio financeiro (assinaturas) ou divulgação do conteúdo. O tema central é o conceito de paixões, derivado do grego "patos", que significa aquilo que se sofre por ações exteriores. Para os estoicos, paixão é uma modificação corporal que desarmoniza a alma com a natureza, sendo uma força passiva e irracional que nos afasta da essência racional humana.

Eles dividem as paixões em quatro tipos: dor (movimento contrário à natureza), medo (expectativa de dor futura), prazer excessivo (que ultrapassa a tendência natural) e desejo (apetite racional desnecessário). Essas paixões são vistas como doenças da alma, originadas de falsos julgamentos e representações, e podem ser curadas por meio de exercícios filosóficos, semelhantes a remédios prescritos por um médico. O debate destaca que o estoicismo antigo é frequentemente mal interpretado hoje, sendo cooptado pelo capitalismo e desenvolvimento pessoal, quando na verdade ele prega desapego material e virtude, não sucesso profissional ou riqueza.

A filosofia helenística, incluindo o estoicismo, surgiu como resposta ao sofrimento humano, focando em prática e modo de vida, mas seu uso moderno distorce seus valores originais. Por fim, os apresentadores enfatizam a importância de retomar o estoicismo em sua essência radical, para que ele possa oferecer soluções autênticas para problemas universais, sem ser reduzido a uma técnica motivacional.

FAQs

Paixão deriva do grego 'patos' e significa aquilo que se sofre ou sente por acontecimentos exteriores. É uma modificação corporal que sofremos devido a uma ação exterior, sendo considerada uma doença da alma.

As quatro paixões são: dor (movimento contrário à natureza), medo (expectativa de dor futura), prazer (quando ultrapassa a essência do corpo) e desejo (apetite racional excessivo e desnecessário).

A virtude é um movimento de harmonia com a natureza, enquanto as paixões nos afastam dela, causando desarmonia. As paixões são forças exteriores que nos empurram para longe de nós mesmos.

Assim como doenças do corpo têm remédios, as doenças da alma exigem exercícios e uma 'acese' (esforço) para serem curadas. O estoico age como um médico que prescreve remédios para a alma.

O estoicismo antigo não visa riqueza ou sucesso profissional, mas sim um modo de vida baseado na virtude e na racionalidade. O uso moderno muitas vezes distorce a filosofia ao aplicar valores contemporâneos, como sucesso financeiro.

Ele ressurge como resposta à falta de sentido dos tempos modernos, mas é frequentemente 'fagocitado' pelo capitalismo e neoliberalismo, sendo usado para fins de motivação pessoal, o que o desvirtua.

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