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3.14 Como é o trabalho doméstico no Brasil?

24m 31s

3.14 Como é o trabalho doméstico no Brasil?

O podcast "Fala Gringo" explora o vocabulário de limpeza e organização da casa, mas aprofunda a discussão sobre a desigualdade social no Brasil através do trabalho doméstico. O episódio compara a realidade brasileira com a dos Estados Unidos, onde a relação é mais profissional e baseada em "cliente" e "prestador de serviço", enquanto no Brasil ainda persiste uma hierarquia de servidão, influenciada pelo passado escravocrata. Dados revelam que o Brasil é o segundo maior empregador doméstico do mundo, com 6 milhões de trabalhadores, sendo 92% mulheres e 63% negras. Apesar da lei "PEC das Domésticas" de 2010, a informalidade atinge 70% dos casos. A polêmica recente sobre uma influenciadora brasileira nos EUA ilustra a visão elitista que desvaloriza esse trabalho. O filme "Que horas ela volta" é citado como exemplo das diferenças geracionais e da luta por dignidade. Por fim, expressões como "dar uma geral", "arregaçar as mangas", "jogar para debaixo do tapete" e "limpar a barra" são explicadas, enriquecendo o aprendizado do português e da cultura brasileira.

Transcription

3197 Words, 18448 Characters

Portuguese
Você está ouvindo Fala Gringo, o seu podcast de português e cultura brasileira. Você pode acompanhar esse episódio com transcrição completa, acesse falagringopodcast.com e saiba mais. Fala Gringo, fala gringa. No episódio de hoje, você vai aprender um monte de vocabulário relacionado à limpeza e organização da casa. Mas se fosse só vocabulário, você não estaria aqui, né? Também vamos compreender como o trabalho doméstico, reflete a questão da desigualdade social no Brasil e quais as principais diferenças entre o trabalho doméstico aqui e nos Estados Unidos. Você vai entender por quê? Também vai ter dica de filme, expressões idiomáticas e muito mais. Essa temporada tem um apoio de John Way, onde a está deu uma Natalestra Cova e Benedick Clear. Gente, é festa no Fala Gringo. Nesse mês de agosto faz dois anos que eu publiquei o primeiro episódio com áudio ruim, tudo meio bagunçado ainda, mas já naquela ocasião eu contava com a força e o incentivo de vocês. Muito obrigado por tudo e vida longa esse projeto. Agora vamos falar dessa temporada aqui que está quase acabando. Esse é o penúltimo episódio. Para essa terceira temporada eu prometi 15 programas, então ainda tem esse e mais um. Se você quiser apoiar financeiramente essa temporada também, ainda da tempo. Valar na nossa loginha, fala gringo podcache.com e clica no banner, tá bom? Como eu sempre digo, além de apoio financeiro, outra forma de ajudar o Fala Gringo é recomendando podcache em blogs, nas redes sociais, seguindo podcache no seu tocador de áudio, escrevendo reviews na Apple podcache, porque assim ajuda outros pessoas do seu país a descobrir em o programa. Então se você está acompanhando o Fala Gringo há algum tempo e ainda não deixou o seu review, aproveita que a temporada está acabando, você já conhece bem o projeto e vai lá, dá essa força para a gente. Eu digo para a gente porque é isso mesmo. Quanto mais gente conhece o nosso projeto, mais temas interessantes vão aparecer por aqui e mais português e cultura brasileira serão espalhados pelo mundo. Ah, também manda em sugestões. Eu adoro quando vocês mandam sugestões, porque bate às vezes aquela crise de criatividade e eu fico sem saber exatamente do que falar. Na dúvida se vocês vão gostar da pauta. Então sugestões, elogios, críticas e comentários são sempre bem vindos. Agora, bora falar de trabalho doméstico no Brasil. Antes eu tinha patrão. Agora eu tenho clientes. Com essa frase, Paula Costa, façineira brasileira em Boston, começam a matéria da BBC Brasil sobre as diferenças entre ser empregada doméstica aqui e nos Estados Unidos. Ela continua. Patrão vem com uma autoridade, como você faz aquilo que eu estou falando. Cliente é diferente. O cliente te respeita, te olha nos olhos, te valoriza, reconhece o seu esforço e o seu trabalho. E ele te paga por isso e paga bem. Para além das definições de como a Paula entende os conceitos de cliente e patrão, esse seu depoimento indica como essa relação de emprego do México no Brasil ainda se parece muito como a relação de servidão, de quem manda e quem obedece, quem pode e quem não pode, quem é rico e quem é pobre. Essa é uma discussão que sempre está acontecendo aqui no Brasil, afinal, segundo a organização internacional do trabalho, agência das Nações Unidas, o Brasil é o segundo maior empregador doméstico do mundo, ficando apenas atrás da China. Mas no mês passado, em especial, esse assunto voltou a movimentar as discussões na imprensa e nas redes sociais, depois que uma influenciadora digital brasileira, que está morando nos Estados Unidos, desabafou nos Stories, no Instagram, contando quantos estava sendo difícil conseguir uma empregada doméstica nos Estados Unidos, e que ela mesma estava tendo que arregaçar as mangas. Falou ainda que nós brasileiros deveríamos agradecer a Deus por ter tantas empregadas domésticas e elas fazerem de tudo sem cobrar por serviços adicionais. É claro que a fala não pegou bem e a mussa precisou se explicar depois, numa tentativa de limpar a própria barra. Enquanto nos comentários do post, o pessoal dizia que o que ela buscava mesmo era uma escrava, a influenciadora se defendeu, dizendo que não, eu falei que precisava mesmo, era de um anjo, um anjo que cuidasse de tudo para mim. Tá, mas qual a diferença real entre uma trabalhadora doméstica no Brasil e nos Estados Unidos e que levou a toda essa polêmica? Nos Estados Unidos, boa parte dos ouvintes sabem porque vivem lá, o trabalho doméstico é dividido em diferentes categorias, aquele que lida com a limpeza da casa, o que lida com o cuidado com as crianças, tem as cuidadoras de idosos, o da manutenção da casa funcionando, enfim. Se contrata aquele tipo de serviço e caso o cliente queira algo mais, ele, naturalmente, paga mais. E talvez por isso fique mais evidente, quer dizer, mais clara essa relação de cliente e prestador de serviço que a Paula se refere na entrevista. No Brasil, essa relação e lista de afaseres quer dizer de atividades a serem feitas, é bem diferente. Começando até pelo nome, aqui chamamos de "fascineira de aresta", "fascineira" que vem de "fascina", da palavra "fascina", ou seja, o ato de limpar da uma geral e de aresta a pessoa que trabalha por dia, de área. Então, ao contratar uma de aresta no Brasil, se paga um valor que não é muito alto, varia de 70 a 120 reais e essa pessoa vai ter 8 horas para fazer tudo. Varia a casa, lavar roupa, lavar a louça, quer dizer os pratos, passar pânno no chão, passar ferro na roupa, lavar o banheiro, aspirar a casa, limpar os vidros, passear com cachorro. Enfim, tudo o que o contratante, o empregador, achar que precisa ser feito e que cabe naquelas 8 horas de trabalho. Tendi a aresta que até cozinha e deixa tudo pronto na geladeira para o pessoal comer durante a semana. No final do dia, ela recebe o valor que foi acordado, quer dizer de comum, acordo, combinado e vai para casa, porque no dia seguinte tem outra "fascina" para fazer em outro lugar. Então, o primeiro ponto que diferencia essa dinâmica do trabalho, de não existir em categorias claras, a pessoa é contratada para fazer de tudo mesmo. Agora, além das diaristas, aqui temos também a classe das empregadas mensalistas, que trabalham para a família de segunda sábado, geralmente fazem de tudo também, e em vez de receber por dia, recebe um salário no final do mês. Até 2010, dificilmente essas empregadas mensalistas eram registradas por seus empregadores, ou seja, não eram emprego formal. Elas tinham um anjo ornada, como qualquer outro profissional, mas não tinham nenhum garantia social, direito à apresentadoria, férias, salário adicional, no final do ano, nada disso. O que aconteceu em 2010 foi a aprovação de uma lei conhecida como "peque das domésticas", um anloque além de garantir esses direitos sociais na teoria também deveria aumentar a fiscalização para esse tipo de trabalho. A verdade é que não mudou muita coisa, a maior parte das empregadas domésticas continuam na informalidade. Em 2019, seis anos após a lei, os casos de informalidade chegavam a 70%. Eu falo assim, no gênero feminino, essas profissionais, porque o trabalho doméstico no Brasil tem gênero cor e classe social, entre as 6 milhões de pessoas que executam tarefas de limpeza e manutenção da casa a lei, quer dizer, da casa dos outros, 92% são mulheres, e a maior parte delas, 63% é negra. Não é difícil imaginar que a classe média e a elite brasileira teve muita resistência a essa lei. Muitas dessas famílias afirmaram que com a lei deixou de valer a pena ter uma empregada fixa em casa. Deixou de valer a pena porque ficou muito caro para o empregador, não necessariamente, porque se a gente parar para pensar que a família continua precisando dos serviços dessa empregada doméstica, é porque sim o seu serviço tem muito valor. Agora o que é difícil é que a classe média brasileira reconheça esse valor. No país com a desigualdade tão grande como no Brasil, para a elite quanto mais pobres e desempregados tiver, melhor, assim eles têm acesso a mais serviços por preços cada vez mais baixos. É aquela velha história do nosso passado escravajista, né? A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena post. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham algum dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência. Em São Paulo, por exemplo, muitas famílias, mesmo as relativamente mais pobres, muitas delas chefeadas por mulheres brancas, tinham uma ou duas escravas domésticas para realizar os afaseiros na casa ou na rua. Segunda historiadora e escritora, Maria Bueno de Araújo-Ariza, mesmo após a abolição em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou o seu legado no mercado de trabalho até os dias atuais. É isso, gente. Tem verdades que não dá para jogar debaixo do tapete. Os mais ricos do Brasil se acostumaram a ter pobres trabalhando pelo mínimo do mínimo, trabalhar não para viver, mas para sobreviver. É a questão do privilégio, mesmo que a família seja bem esclarecida, tenha educação. Para nossa elite, é muito difícil abrir mão, quer dizer deixar esse privilégio de ter um ângel entre aspas para chamar de seu. Outra coisa que acontecia bastante no Brasil agora mais recente nos anos 90 era o famoso pegar para criar. É assim, famílias de classe média iam até cidades do interior, cidades que não tinham emprego nem nenhuma outra perspectiva de vida, além de trabalhar na roça, e lá, eles visitavam famílias de pessoas muito pobres e se oferecia a criar uma das crianças daquela família como uma adoção, só que sem os meios legais de adoção. Então, essa família ia lá, nessa cidade pequena, como eu disse, chegando lá encontrava uma família grande de três ou quatro filhos, todo mundo praticamente passando fome, e aí aparece alguém querendo tirar pelo menos uma pessoa daquela miseria, preferencialmente uma menina, naturalmente, os pais da família pensavam, "Ah, pode levar, é melhor do que ficar aqui". Então, a jovem partia para a cidade grande, com a sua nova família, mas com a responsabilidade de cuidar da casa, em troca desse favor que está sendo feito, né? Essa é a história de milhares de brasileiras, milhares de empregadas do México, e por trás da exploração do trabalho infantil, porque como eu disse, muitas vezes esses jovens vinham muito novas trabalhar na casa das famílias, ainda tem muitas histórias de abuso sexual. Bom, como já deu para perceber, o nosso passado colonial ainda influencia e muito as dinâmicas do trabalho no país, mas não é só dinâmica não, muitas vezes até arquitetura das casas da nossa elite, da nossa classe média. Eu já falei aqui em algum episódio, não me lembro qual, que muitos apartamentos brasileiros, principalmente os mais antigos, têm na sua planta, quer dizer, no seu desenho, no seu projeto, o quarto da empregada, que é o lugar onde essa funcionária da família vai morar. Existem muitos materiais que ilustram esse tema do trabalho doméstico, livros, artigos, filmes, por exemplo, dá para ter um panorama disso em Parasita, o filme sul-coreano vencedor do Oscar 2020. Tem também o filme mexicano Roma, também vencedor do Oscar em 2019, outro filme muito legal para refletir sobre o assunto, especialmente porque o México tem também um grande contingente, quer dizer, quantidade de pessoas no trabalho doméstico, é o segundo país da América Latina com mais entregadas do México. Mas como sempre trazendo para o cenário brasileiro, o cinema brasileiro, tem uma sugestão de filme muito bom chamado "Que horas ela volta". É estrelado pela atriz Regina Casé, uma das atrizes e apresentadoras brasileiras que eu mais gosto. O roteiro conta a história de Val, uma empregada doméstica que trabalha para a mesma família há muito tempo, cuidando da casa e do filho da patrua. A personagem é um tipo correto atrato da brasileira que saiu da região nordeste para tentar a vida no sul do Brasil. Esse foi um movimento que aconteceu bastante no século 20, em períodos de seca, quer dizer falta de chuva e crise econômica. Então, Val trabalha nessa casa há muito tempo, manda dinheiro que ela ganha do trabalho para que a filha que ela não vê pessoalmente a 10 anos possa se manter e estudar no nordeste, mas chega um momento em que a jovem termina a escola e vai tentar vestibular para entrar numa faculdade. O vestibular é uma prova que a gente faz antes de entrar na faculdade. E a faculdade que a filha da Val quer entrar é também por coincidência no Rio de Janeiro. Então, o conflito acontece justamente quando a géssica, a filha da Val chega no Rio de Janeiro. Géssica fica chateada ao saber que a mãe vive num quartinho na casa dos patrões. Além disso, ela se incomoda com o fato de Val ser tratada e se deixar tratar como ansiedade de segunda classe, ela usa até esse termo. Por exemplo, Géssica se incomoda que a mãe, mesmo trabalhando naquela casa há tanto tempo, nunca entrou na piscina para tomar um banho, nem comeu na mesma mesa que os patrões. Então, vai tendo esse conflito que vai aumentando entre as personagens a partir dessas cenas comuns no dia a dia onde a filha começa a perceber algumas situações de injustiças social. - Piano, viz? - Chao. - Quem você disse que ama? - Minha filha. - Onde ela está? - Ih, ela está lá longe. - Val. - Sim. - Pode tirar, favor. - Toi. - Lá naquesta abaixo, vem. - Géssica querendo vir para a sumpal para ficar comigo. - Nem tira. - Pode ter um pouco cês, não se vem. - Tá mais 10 anos. - Falta. - Aum, meu filho. - Estamos levando pela casa dos patrões. Eu moro no serviço, já falei, moro no serviço. - Sou a mente se você veio fazer vestibular, é isso? - É. Tá vendo? Pai está mandando mesmo, não? - O cheque. - Quem? - O tormesa com café. - Oi, bábara. - Ih, bábara. - Vai dom na bábara. - Tu não pode sentar na mesa dele, não, não, não. - Não vale, não pensa a piscina, não, cheque. - Lá na não pode isso, não pode aquilo. - Estava escrito em livro. - Sai de ninguém de se explicar, não. A pessoa já não sabe, não. Quem pode, quem não pode. - Parma! - Essa é a sai da iligenda. - Sai, é da iligenda. Dá pra obedecer a sua mãe que ela está falando com você? Esse filme é especialmente interessante, porque ele traz dois recordes de gerações brasileiras. O da mãe, que precisou sair da sua terra pra trabalhar na casa de alguém e o da filha, que já não precisa necessariamente, seguiu mesmo o caminho. Segundo o IPA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a cada vez menos jovens no emprego doméstico. Em 1995, 51% das mulheres, com até 29 anos, buscavam trabalho nesta área. Já em 2015, 20 anos depois, essa proporção era de 16%. Ou seja, uma queda de 35 pontos percentuais. Trata-se de toda uma geração que ganhou mais oportunidades com acesso ao ensino básico para todos nos anos 90 e com a recente expansão e democratização do ensino superior que passou a contar com políticas como adicotas raciais e sociais. Quem tem a minha idade por volta de 30 anos e vem de um histórico de morar em periferia, na zona rural e uma cidade pequena. Certamente, é filho de alguém, de alguma mulher que já trabalhou no emprego doméstico ou de uma pessoa que já trabalhou na casa de alguém. ou conhece alguém que se encaixa nessa situação e a gente vê de fato que esses jovens tiveram outras oportunidades diferentes das dos pais. Por fim, eu queria trazer ainda um informação sobre como a pandemia do coronavírus afetou o trabalho dessas empregadas domésticas. Milhares de trabalhadoras foram dispensadas por seus empregadores, seja porque os seus empregadores perderam a renda, ficaram sem emprego e não tiveram como manter a empregada em casa, seja porque ficaram com medo de se contaminar tendo contato com essas trabalhadoras no dia-a-dia. Agora algo que é curioso mesmo foi o quanto aumentou as vendas de bons equipamentos para a limpeza, especialmente mops e aspiradores de pó. Esse último aspirador de pó aumentou as vendas em 800% durante a pandemia. É que antes de a pandemia, o empregador não se importava se era mais fácil tirar a poeira do chão com um aspirador ou com um plano molhado. Por quê? Porque não era ele quem iria fazer. [Música] Bora ver as expressões usadas na episódio de hoje. A uma geral é uma expressão que a gente usa para falar de organização, não apenas de limpeza. Se eu digo que tenho que dar uma geral na casa antes de receber as visitas, significa que eu estou preocupado com a bagunça da minha casa e que eu preciso arrumar as coisas. Outro exemplo, preciso dar uma geral na estante de livros e no guarda roupa, significa que eu preciso dar uma organizada. Não é só para organizar ou não, você também pode usar para falar de reparos, de consertar algo. Meu computador está travando muito. Vou levar na assistência técnica para dar uma geral. Então entende-se que eu vou levar na assistência técnica para arrumar. Arregaçar as mangas. A gente usa para falar de preparação para uma atividade. É como se você tivesse puxando a manga da sua camisa para ficar mais confortável antes de fazer uma atividade, sabe? Se você está usando uma camisa de manga longa e precisa lavar os pratos, você vai ter que dobrar as mangas da camisa para não enxarcalar, para não molhar. Então isso é arregaçar as mangas. Se você está sentindo muitas dificuldades, com o português ainda é hora de arregaçar as mangas e estudar um pouco mais. Jogar para de baixo do tapete significa esconder uma informação como quem esconde uma sujeira sobre o tapete em baixo do tapete. Por fim, a expressão "limpara-barra" que quer dizer fazer um esforço para mudar a imagem negativa de alguém ou de si mesmo. Por exemplo, a empresa X tem um histórico de impacto ambiental muito forte, mas está lançando o embalagem sustentável para poder limpar a própria barra. Quando alguém tem um processo judicial, normalmente contrata um advogado para tentar limpar a barra de quem está sendo processado. Então, limpar a barra significa mudar uma imagem negativa ou proteger alguém. Nesse episódio, você aprendeu bastante vocabulario de limpeza e organização, viu as diferenças do trabalho doméstico no Brasil. E nos Estados Unidos viu também como trabalho doméstico por aqui reflete, costume de um passado escravagista não tão distante assim. Gostou desse episódio? Aproveita que está terminando e deixa a sua avaliação na Apple Podcast. Segue o programa no Spotify para não perder nada também. A gente se encontra no próximo episódio. Esse foi o Fala Gringo, seu podcast de Português e Cultura Brasileira.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O episódio aborda vocabulário de limpeza e organização da casa, além de discutir a desigualdade social no Brasil refletida no trabalho doméstico.
  2. Compara as relações de trabalho doméstico no Brasil e nos Estados Unidos, destacando a diferença entre "patrão" e "cliente".
  3. Aponta que o Brasil é o segundo maior empregador doméstico do mundo, com 92% de mulheres e 63% de negras nessa função, muitas em situação informal.
  4. Menciona a polêmica gerada por uma influenciadora brasileira nos EUA, que minimizou a dificuldade de contratar empregadas domésticas.
  5. Explica as categorias de diaristas e mensalistas, a lei "PEC das Domésticas" de 2010 e a persistência da informalidade (70% em 2019).
  6. Relaciona o trabalho doméstico ao passado escravocrata e ao "pegar para criar", além de citar o filme "Que horas ela volta" como exemplo cultural.
  7. Apresenta expressões idiomáticas

Summary:

O podcast "Fala Gringo" explora o vocabulário de limpeza e organização da casa, mas aprofunda a discussão sobre a desigualdade social no Brasil através do trabalho doméstico. O episódio compara a realidade brasileira com a dos Estados Unidos, onde a relação é mais profissional e baseada em "cliente" e "prestador de serviço", enquanto no Brasil ainda persiste uma hierarquia de servidão, influenciada pelo passado escravocrata. Dados revelam que o Brasil é o segundo maior empregador doméstico do mundo, com 6 milhões de trabalhadores, sendo 92% mulheres e 63% negras.

Apesar da lei "PEC das Domésticas" de 2010, a informalidade atinge 70% dos casos. A polêmica recente sobre uma influenciadora brasileira nos EUA ilustra a visão elitista que desvaloriza esse trabalho. O filme "Que horas ela volta" é citado como exemplo das diferenças geracionais e da luta por dignidade.

Por fim, expressões como "dar uma geral", "arregaçar as mangas", "jogar para debaixo do tapete" e "limpar a barra" são explicadas, enriquecendo o aprendizado do português e da cultura brasileira.

FAQs

Uma diarista é uma profissional de limpeza contratada por dia, que realiza todas as tarefas domésticas em 8 horas, como limpar, lavar roupa e cozinhar, recebendo um valor combinado ao final do dia.

Segundo Paula Costa, 'patrão' impõe autoridade e desrespeito, enquanto 'cliente' valoriza, respeita e paga bem pelo serviço, tornando a relação mais profissional.

A PEC das Domésticas garantiu direitos trabalhistas como férias e aposentadoria para empregadas mensalistas, mas a informalidade ainda é alta, com 70% das trabalhadoras sem registro em 2019.

O trabalho doméstico é majoritariamente feito por mulheres negras (63%) e reflete um passado escravagista, onde a elite explora mão de obra barata, dificultando o reconhecimento do valor do serviço.

'Dar uma geral' significa organizar, limpar ou consertar algo, como arrumar a casa ou levar o computador para reparos.

É uma expressão que significa se preparar para trabalhar duro ou enfrentar um desafio, como estudar mais português ou começar uma tarefa difícil.

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