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139 | VICTORIA NATALINI: morte e mistério na excursão escolar

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139 | VICTORIA NATALINI: morte e mistério na excursão escolar

O caso da estudante Vitória Natalini, que desapareceu durante uma excursão escolar em 2015 e foi encontrada morta sete dias depois, continua sendo um dos maiores mistérios da polícia paulista. A morte foi inicialmente atribuída a causas naturais, mas investigações independentes por peritos particulares revelaram que Vitória foi vítima de asfixia mecânica, com o corpo movido após a morte. A análise dos vestígios apontou que ela não morreu no local onde foi encontrada e que o corpo foi transportado, o que indica um crime deliberado. O "homem da máquina d'água", um colono com antecedentes de tentativa de estupro, é suspeito por semelhança física com a vítima e por ter atuado em áreas próximas ao local do crime. A investigação oficial foi criticada por falhas graves: atraso nas buscas, manipulação de testemunhas, ausência de perícia no veículo e falta de análise do corpo. A família denunciou fraudes processuais, com depoimentos falsos e orientação de alunos por advogados da escola. Apesar de investigações ocorrerem ao longo dos anos, o caso foi mantido em suspensão por falta de ação. Em 2023, dois professores e três gestores da escola foram condenados por abandono de incapaz com resultado em morte, um passo significativo, mas ainda há expectativa de justiça para o suspeito principal. A família, que mantém campanhas sociais e um abaixo-assinado com mais de 75 mil assinaturas, continua exigindo responsabilização por todos os envolvidos, mesmo após a prescrição da fraude processual. A tragédia evidencia falhas sistemáticas na segurança escolar e na atuação das autoridades.

Transcription

10151 Words, 59431 Characters

Portuguese
[Música] Alo, hola, alô, vai tudo bem? Bem-vindos ao Café com crime, o podcast onde você pode ser o aficionado por crimes reais que você é, sem julgamentos. Eu sou a Esteza Orbe, ou dona café, como preferir, e hoje vamos falar de um caso, que eu já viso, já vou começar com spoiler, é um caso que continua sem solução. É o caso da estudante Vitória Natalini, que morreu durante uma excursão escolar a 8 anos, e segue até hoje um mistério. O caso onde uma investigação esquisita, levou o pai da vítima a investigar por conta própria, e desvendar vários absurdos e até mesmo suspeitos. E segue até hoje pedindo por justiça. O caso Vitória Natalini foi uma indicação da crimezera e a apoiadora do podcast Sandra Duedone. Obrigada pelo apoio e pela sugestão, Sandra. E se você está escutando e curte bastante os conteúdos do café com crime, siga o podcast e ative o sininho ainda no Spotify, ou em qualquer outro lugar onde você esteja ouvindo, para poder ativar as notificações e não perder nenhum novo episódio. E já que você está aí e nessa aí, porque não deixar a sua avaliação também? Sim, gente, deixe suas estrelinhas aí para dona café e isso ajuda bastante o podcast a atingir cada vez mais pessoas. E 100 mais delongas? Bora começar do começo? (MÚSICA DE FUNDO) Vitória Mafra Natalini era uma adolescente que beirava a maioridade. Ela tinha 17 anos. Mas nas palavras de seu pai, o engenheiro João Carlos Natalini, ela tinha uma pegada de menino acente, aparentando até ser mais nova do que realmente era. Era uma menina bem família que nunca nem apresentou um namorado e que tinha nos primos a figura dos seus melhores amigos. A ligação com a família era realmente muito forte, era um helo inquebrável. Vitória Natalini ainda tinha uma irmã chamada Maria Clara Mafra Natalini. Ela era 7 anos mais velha, né, era irmã, era primogênita. E ela não cria assim uma relação muito, muito forte com a sua irmã, era um amor extremo, até algo meio maternal, sabe? Uma coisa de irmã mais velha para a irmã mais nova. Assim, a vitória era realmente apaixonada pela cassula. E apesar da sua pouca idade, a vitória se preocupava com a saúde. Ela não nutri hábitos ruins, muito pelo contrário. Ela praticava exercícios físicos três vezes por semana. Se alimentava muito bem e ainda tinha tempo para se dedicar à natação. Dá para perceber que ela era uma menina muito regrada, né? E de tão perfeccionista que era, o João relembra que muitas vezes ele precisava ficar no pé da vitória. Pra trazer ela de volta pra realidade e lembrar a menina que não era possível, que tudo saísse certo, ou da maneira planejada. Que nem todas as coisas estão sob o nosso controle. Mas a vitória era assim, e na verdade essa responsabilidade que ela tinha com as suas tarefas e com os seus compromissos. Era uma de suas características mais admiradas pelo pai. Ela era feliz. Ela encontrava felicidade na vida que ela levava. Ela enxergava a poesia nas coisas que ela amava. Ela era super apaixonada por música, por cinema, por cores, os seus gostos e o seu vasto conhecimento sobre esses assuntos. Em quequeciam as relações que ela mantinha, principalmente com o seu pai. O João adescreveu assim. Abri aspas. Ela sempre foi música na minha vida. Quando estava muito silêncio, ela dizia, "para essa casa está muito quieta, vamos colocar uma música." E ela dançava pela casa. Fecha aspas. Então, como vocês podem perceber, a vitória era uma menina super querida, uma menina inocente, uma menina família, uma menina feliz, um adolescente, realmente diferenciada. E por fatores como esses, que foi tão chocante, tudo o que viria acontecer com ela. O dia 11 de setembro de 2015 tinha tudo para ser mais um dia comum na vida de vitória na taline e sua família. A adolescente de 17 anos cumpliria os seus compromissos estudantes. Lá na escola Valdorf Rudolf Steiner, na Zona Sul de São Paulo. É uma das escolas particulares mais tradicionais do Brasil. E depois, ela iria para uma excursão escolar para a realização de um trabalho na fazenda Pereiras, que fica localizada a 80 km da capital, na cidade de Itatiba. A vitória ficaria na fazenda com os seus colegas da escola por uma semana. Era um sete dias onde ela não teria acesso ao seu celular e redes sociais. Uma ordem da escola na tentativa de fazer os alunos da turma se conectarem de verdade enquanto realizavam o trabalho. Ou seja, a vitória ficaria sete dias sem se comunicar com sua família. E isso a deixava ansiosa até com um certo medo. Mas esse passeio da escola Valdorf era tradicional. Todos os alunos sabiam que no décimo ano teriam que passar por ele. E, no fim, sempre dava tudo certo. Apesar de algumas histórias assustadoras que alguns contavam. A excursão era para o seguinte. Ao lado de outros 33 estudantes, a vitória passaria a semana resolvendo questões práticas de matemática e topografia em um mapeamento detalhado da área da fazenda Pereiras. E já deu pra perceber que a grático ricular da escola Valdorf Rudolf Steiner é um pouco diferenciada. Pois é, o décimo ano ele corresponde ao primeiro ano do ensino médio. E sim, eles aprendiam topografia, uma ciência que estudam mapas e se encarrega de escrever todas as características de superfícies de um lugar. Essa atividade era sempre acompanhada por dois professores e três técnicos de topografia que se dividiam entre os grupos de alunos para orientar e tirar dúvidas. Agora, por que que os alunos muitas vezes ficavam apprehensivos e com um pouquinho de medo? Bem, olha só, parecia quase um tipo de trote. Mas, assim, antes da viagem, os alunos mais velhos que já haviam ido na excursão botavam um terrorzinho nos alunos do décimo ano. Uma das colegas de sala de vitória descreveu isso como uma certa perseguição onde professores faziam terrorismo dizendo "Vocês vão morrer nessa viagem". Os alunos do décimo primeiro e décimo segundo ano confirmavam essa dificuldade da excursão à turma da classe de vitória. Contavam que eles seriam colocados a própria sorte, correndo risco de vida, entre bichos peçõeintos na fazenda, como cobras, era esse tipo de coisa. Uma turma também contou que teve de subir em um morro em meio a raio e uma tempestade. Subir os buracos ali no trajeto, tudo isso sem monitoramento dos professores e técnicos. Alguns alunos veteranos que superaram a excursão também contaram sobre uma situação onde foram mapiar um morro, mas a noite logo caiu e eles ficaram presos no morro sem ter como descer, porque não tinham lanterna. Eles começaram então agritar, ficaram meio desesperados, e por sorte algum funcionário da fazenda escutou e eles foram socorritos. Essas histórias rolavam soltas na escola, claro que algumas eram aumentadas, porque sabe como é, né, para causar aquele medinho nos novatos, enfim, causava uma apreensão nos alunos esses burburinhos de como eram essas viagens, né, e não foi diferente com vitória. Ela chegou a conferenciar em uma colega de classe que estava com medo de ir a fazenda Pereiras, mas ela não tinha opção, tinha que ir. Essa excursão ao interior do estado não era facultativa, não havia escolha, era uma atividade curricular externa que fazia parte da composição das notas dos alunos. Portanto, quem não fosse, ficaria com zero, poderia bombar a matéria, e você acha que a vitória toda certinha dedicada e responsável do jeito que era, e a bomba a matéria? Não ia, então a apreensiva ou não, a viagem à fazenda Pereiras era obrigatória para ela e todos os outros alunos, e assim ela foi. A jornada começou numa sexta-feira de 11 de setembro de 2015. O engenheiro João Carlos Natalini, o pai de vitória, dirigiu até a porta da escola para entregar sua filha a responsabilidade do colegio. Ele confiava na instituição, afinal a vitória estudava no colegio Valdorf Rudov Steiner, desde a primeira infância, e ela estava totalmente adaptada a metodologia de ensino, sem nunca ter enfrentado qualquer grande problema na escola. Durante o caminho até o local, eu imagino que pai e filha provavelmente conversaram a menidades do dia a dia, talvez aproveitaram os últimos momentos juntos para ajustar os detalhes para uma outra viagem que aconteceria dali a 11 dias. A vitória, o João e a sua madrasta, a advogada questione de enfrentas, embarcariam para assistir ao show da banda inglesa Queen de quem vitória era muito fã. Eles iriam parar por mim. Porto alegre ver a banda. Então, assim, dá pra imaginar, seriam dias agitados pra vitória. Ela estaria lá na Fazenda Pereiras, fazendo contagem regressiva pra realizar um sonho ir ao show da banda Queen. Ela só precisava sobreviver a excursão, que lhe causava a preenção. E depois de retornar, dali 7 dias, ela esperaria apenas mais 4 dias pra ser recompensada por todo o seu ar do trabalho na Fazenda e ir a Porto alegre ver a banda. Era isso que a mantinha focada. Quando João e Vitória finalmente chegaram ao bairro alto da boa vista, onde fica o colégio, eles desceram do carro e se dirigiram ao ônibus que já estava ali estacionado em frente a portaria. Ali, o engenheiro mecânico beijou a testa da filha e havia o entrar no ônibus. João tinha certeza que, dali 7 dias, veria vitória novamente. Só não podia imaginar que o reencontro não seria da maneira que planejava. João entregou uma adolescente ativa, saudável, e sem nenhuma questão de saúde a escola Valdorf Rudolf Steiner. E a recebeu de volta em um caixão lacrado, exatamente 7 dias após a sua partida. Durante os próximos dias, Vitória e seus colegas realizaram as atividades relacionadas às tarefas escolares lá nas áreas da Fazenda Pereira. Os alunos foram divididos em grupos de três pessoas, e esses grupos foram distribuídos para que cobrissem todo o perímetro da propriedade. Eles ficavam assim meio que espalhados mesmo e sem nenhuma supervisão. Os técnicos de topografia circulavam entre os adolescentes para tirar possíveis dúvidas, passaram orientações nas questões propostas nas atividades, mas eles não permaneciam entre os grupos do tempo todo. Afinal, eram apenas três profissionais para ficar de olho em 34 alunos espalhados pelo cerca de 13 hectares da Fazenda Pereira. Era humanamente impossível estar com todos ao mesmo tempo, e para dizer a verdade, os técnicos de topografia nem estavam preocupados em fazer isso, pois o monitoramento não fazia parte de suas responsabilidades. Eles estavam ali para sanar dúvidas relacionadas à topografia. Os dois professores da Escola Valdor, que acompanharam os estudantes na viagem, também não ficaram com os grupos durante o desempenho dos trabalhos. Eles permaneciam na sede da Fazenda, enquanto os alunos passavam o dia em campo de baixo de sol e sem supervisão de responsáveis, totalmente sozinhos fazendo as atividades escolares. Foi assim, por cinco dias. No dia 16 de setembro, Vitória e seus dois companheiros de trabalho subiram um dos morros da Fazenda Pereiras para dar procedimento aos cálculos de monitoramento da área. Eles já estavam exaustos e contando os dias para retornarem para casa. Era final de inverno, mas o dia estava quente e abafado em Itatiba. Quando o relógio marcou duas e meia da tarde, Vitória avisou aos colegas que precisava ir ao banheiro, que ficava a aproximadamente 500 metros do local onde estavam. Ele então desceu a colina em direção à sede da Fazenda e desapareceu da vista dos colegas. Quando a turma retornou por volta das quatro e meia da tarde, os companheiros de grupo de Vitória questionaram a professora sobre o seu paladero, né, tipo, é cada vitória, ela foi no banheiro nunca mais voltou. Eles acharam que ela já estaria ali com o restante do pessoal, só que ela não estava lá. Ela não voltou do banheiro, não finalizou o trabalho e simplesmente não estava ali se reunindo com todo mundo. E assim, foi um susto, né? Os professores levaram um susto que uma menina tinha sumido. Ficou assim um breve silêncio, deviam estar pensando o que a gente faz agora. Mas aí, em vez de procurar a menina ou fazer perguntas, questionar sobre onde ela teria ido e tal, a tutora simplesmente deu uma bronca nos dois colegas do grupo da Vitória e falou que a culpa era deles que ela tinha sumido, que eles tinham que ter ficado juntos. E aí, ela obrigou esses dois alunos, né, essa dupla, a sair em busca de Vitória pela Fazenda. E essa tutora ficava dizendo a todo momento que a culpa pelo sumiço de Vitória era do grupo, era daqueles jovens. E aí, que começa uma sucessão de absurdos, tá? A professora, que conforme relatos, tomava banho pra se refrescar do calor, ao invés de monitorar os jovens, transferiu a sua responsabilidade para os menores de idade, pedindo pra que eles iniciassem a procura pelos alojamentos, pelos banheiros e pelos cómodos da sede da Fazenda. Ela mesma? Não, sabe? E como se ela não tivesse o compromisso moral de acompanhar os alunos de perto em suas atividades. E é claro que a dupla de colegas não encontrou Vitória em sua busca. Então, ao invés de acionarem a polícia pra informar o desaparecimento, os professores reforçaram a investigação pelo Paradeiro de Vitória, reunindo os outros 33 estudantes pra procurá-la pelas estradas e pelo Macagal da Fazenda. Então, vamos lá, vamos parar que um minutinho, vamos refletir. Falam que uma menina está sumina. Em vez de tomarem providências, mandam uma dupla de colegas fazer as buscas na Fazenda. Ok, a busca não dá em nada. Em vez de acionar a polícia e tomar as devidas providências, não, juntam os outros 33 adolescentes e buscam pela Fazenda. E é importantíssimo dizer aqui que esse espaço da Fazenda continha bichos, peçoeintos, tinham cobras, tinham escorfeões, tinham bichos selvagens. É, por bichos selvagens, eu quero dizer porco do mato, que são bichos que não reagem bem a convivência ou proximidade com humanos. Eles são bichos bastante territorialistas, o que os torna perigosos e passíveis de ataques pra poder proteger um ambiente em que eles vivem. Então, você já tem uma dupla senta sumida que você não sabe o que aconteceu. Não sabe se foi atacada por bichos, se alguém pegou, se alguém sequestrou, se caiu num buraco, se aconteceu alguma coisa, você não sabe o que aconteceu. E aí, você manda mais 33 adolescentes na mesma região. E se aconteceu a mesma coisa com esses 33 também? Ninguém sabia até então o que tinha acontecido com a vitória. Enfim, o tempo estava passando. A noite começou a cair em Itatiba e a notícia do desaparecimento de vitória já havia se espalhado. Os donos da Fazenda, um ex-aluno da escola, chamado Matias Vargas, e sua mãe, a ex-professora Merk Tild, Elizabeth Wair, Santos Vargas. Eu devo ter falado esse nome errado, mas é um trava-língua desse nome. Os donos da Fazenda, que são essas pessoas, já estavam sientes do sumiço da vitória. Mas ninguém teve a iniciativa de passar a mão em um aparelho celular para informar as autoridades. Deixaram do jeito que estava. Vamos deixar como está para ver como fica, sabe? Durante todas essas buscas realizadas pelos próprios alunos, a única pista encontrada foi o Boné usado por vitória. Um Boné que ela ganhou do avô e que usou para esse proteger do sol forte nos dias de trabalho em campo. Esse Boné foi encontrado por um dos topógrafos em cima de uma pedra, mas não havia qualquer sinal da adolescente. O relógio já marcava 6 da tarde, quando a cozinha ainda da Fazenda se deu conta que professores, topógrafos, alunos e donos da Fazenda, rodavam feito barata tonta pela propriedade, sem tomar nenhuma atitude efetiva para localizar a menina. Essa abençoada cozinheira tinha ficado muito próxima da vitória, porque era uma menina muito dose, né? Era muito gente boa, muito educada. Então, o que ela fez? Ela tomou atitude, que todo mundo tinha que tomar e ninguém tomou. Passou por cima de seus superiores, do seu chefe, e simplesmente ligou para defesa o civil e demais autoridades dizendo. Oi, uma menina sumiu, socorro ajuda. O bonetinho de acorrência, que registrou o desaparecimento de vitória natalini, foi enlavrado às 7 e 15 da noite. Quatro horas e 45 minutos após a sua ida ao banheiro, ultima vez em que ela foi vista pelos colegas. Com a falta de notícias e um desaparecimento que provavelmente não seria resolvido, os funcionários da escola Waldorf-Rudolf Steiner finalmente decidiram que era hora de avisar a família de vitória natalini sobre o que havia ocorrido. Naquela noite, João Carlos, Natalini, tinha um compromisso de trabalho, um jantar como um cliente, e ele estava se arrumando para sair de casa. Ele se lembra que o seu celular tocou exatamente as 8 na noite, e ao atender o seu mundo caiu. Vitoria havia desaparecido. Apesar do choque e do susto, o João não podia ficar ali parado. Ele precisava agir. E a sua primeira reação foi a dividir para a escola, informar José Livia e Aira Máfra, a mãe de vitória de quem ele era separado. Até aquele momento, mais de 5 horas e meia, após o submisso da filha, José Livia também vivia ali aos fatos que se desenrolaram durante toda a tarde na fazenda Pereira. Depois, o João pediu o indereço da fazenda. Ele queria ir ao local mais rápido possível, talvez o desespero e a falta de notícias, o fizessem acreditar que seria possível ainda ajudar nas buscas pela filha, mas os gestores da escola não passaram a localização da fazenda. O João teve que esperar por mais uma hora até que um carro enviado pelo colégio fosse buscá-lo em casa, e ele só conseguiu chegar em Itatiba por volta das 11 da noite. Lá, ele encontrou homens da defesa civil, da polícia civil, polícia militar, e cães farejadores, para ser específica dois cães de cães distintos, um de um de aí e outro de campinas, todos ali buscando por vitória. Os dois cães conduzidos por seus tutores iniciaram os trabalhos ainda no dia 16 e percorreram o mesmo caminho em busca de vitória. E isso é importante, porque dois cães de dois cães diferentes encontraram o mesmo caminho. E esse caminho chegava a casa de um colono da fazenda e ao seu carro um fio de uno. Pessas de roupa de vitória foram utilizadas para que esses cachorros pudessem farejar o caminho. E como eles fizeram o mesmo trajeto, era certeza que em algum momento, vitória na taline havia passado por ali, por aquela casa e por aquele carro. Esse, essa casa, pertencia a um colono que, mais tarde, seria mencionado como o homem da máquina d'água. Guarda essa informação, eu vou voltar nesse nome mais para frente. Mas aí, vem mais um absurdo desse caso. A polícia entrou na casa desse homem ou verificou o carro que foi apontado pelos cães? Não! Agora, por que? Nunca saberemos. Mesmo com os dois cães, mostrando que vitória havia passado por ali em algum momento daquele dia, ninguém verificou absolutamente nada. E naquele dia, as buscas foram encerradas por volta das duas da madrugada, apesar dos apelos de juão, para que as buscas não parassem. A espera era angustiante, mas locais abertos e sem iluminação, como na fazenda Pereiras, são extremamente difíceis de serem percorridos durante a noite. A escuridão, aliada ao perigo dos animais sevagens, dos bichos personentos e também dos buracos espalhados pela propriedade, tornavam a busca perigosa até para os profissionais experientes, então não ouve outro jeito. A família Natalini foi obrigada a esperar o dia amanhecer. João acordou, ou melhor, eu nem sei se ele conseguiu dormir, mas ele começou o dia ainda com esperanças de encontrar a filha com vida. Ele desconfiava que talvez ela tivesse sido vítima de um sequestro, e logo receberia uma ligação, um pedido de resgate, e ele estava disposto a pagar qualquer valor. Ou até mesmo passou pela sua cabeça que vitória tivesse se perdido ou desbravar a propriedade da fazenda, e encontrariam em algum lugar, talvez em um dos buracos, com sede, com fome, mas viva. Era essa esperança que João Carlos tinha que o fez acionar um helicóptero águia da Polícia Militar, e um do grupo de operações especiais da Polícia Militar. Nas primeiras horas daquela manhã, os dois helicópteros pousaram na fazenda Pereiras para auxiliar o trabalho das buscas. E eu quero reforçar, ambos foram acionados pela família, não pela equipe responsável pelas investigações. Não demorou para o águia dar notícias sobre o paradeiro de vitória. Em seu primeiro sobrevou, há uma distância de pouco mais de um quilômetro da sede da fazenda, o helicóptero localizou a adolescente sem vida. Assim que a equipe retornou ao ponto de partida, se dirigiu às autoridades presentes e depois até o pai da vítima, para informar que vitória estava morta. Angústia deu lugar a um mador de lacerante. Era a pior notícia que João poderia receber. O pai de vitória precisou tomar fôlego para se reager antes de avisar a família sobre a morte da sua filha, mas o que viria depois era ainda pior. Era o seu pior pesadelo, o de reconhecer o corpo da própria filha. Fato é que horas valiosas de busca profissional foram perdidas, enquanto colengas de classe buscavam a adolescente pela fazenda. A apatia e falta de iniciativa para acionar as autoridades podem ter contribuído para o trágico de esfecho. Se havia algo que pudesse ser feito para salvar a vida de vitória, o tempo perdido, enterrou todas as possibilidades. O corpo de vitória foi encontrado vestido como uma camiseta branca, uma caça dins com a etiqueta da parte de trás rasgada, com botas pretas e de bruxos com os braços cruzados e o seu rosto dentro dos braços, como se ela estivesse dormindo. Naquele momento, a perícia não encontrou sinais de violência física, e o laudo emitido pelo Instituto Médico Legal de Jundiaí apontou morte por causa indeterminada. Sugerindo que o óbito aconteceu por questões naturais, a essa altura testemões afirmavam que a aluna tinha histórico de convulsões. E essa informação foi veiculada em grandes veículos de comunicação, país afora, sem nenhuma apuração mais aprofundada. Um simples contato com a família poderia desmentir a informação que já circulava, e foi o que fez João assim que tomou conhecimento sobre esse boato. A adolescente não tinha histórico de convulsões, era uma notícia falsa. Donde ela começou, onde que surgiu esse boato, a gente não sabe. Mas só ajudou a reforçar que a morte era uma causa natural, que não existia nem um culpado, que não tinha nada a ser feito. Tirando quase que toda a responsabilidade da situação que tinha acontecido, das costas da escola que era responsável pela menina naquele momento. O corpo de vitória foi liberado para o velório e sepultamento no cemitério Getsemani, na zona sunda capital paulista. Mas a família estranhou o fato do caixão da vítima ter chegado lacrado para a despedida. E o João não se conformou, ele queria ver a filha, queria se despedir uma última vez, e pediu para violar a tampa para que tivesse acesso a vitória para o seu último adeus. E aí veio o choque. A menina estava enxada com a boca roxa, parecia que alguém tinha tapado sua boca com força ao contrário do que dizia a polícia e os peritos de hitativa. Tudo era estranho na condução das investigações, mas a família estava sob forte emoção e ainda acreditava que as coisas começariam a andar nos dias que viriam. Só que não. Em capacitado pela dor da perda, o João se permitiu viver os primeiros dias após a morte da filha recolhido em seu luto. O sintomas da depressão, uma doença que ele já era diagnosticado, vieram com tudo e derrubaram. Mas a sede para descobrir o que aconteceu com a vitória, o fez questionar láudos, testemunhas e a polícia. Tudo levava a querer que o inquérito seria arquivado como morte natural, mas ele não se enconformava com essa informação. Foram muitos pontos fora da curva que levaram a família a desconfiar do lado emitido pelo EML de Jundiaí. O primeiro deles foi o fato das testemunhas ligadas à escola, alunos e professores e nem prestar o depoimento na delegacia acompanhados de advogados. De um renomado escritório de direito criminal, pertencentes ao doutor José Carlos Dias. Se não havia qualquer acusação ou indício de que a vitória tivesse sido vítima de homicídio até aquele momento, porque advogados, da área criminal, foram contratados pela escola para orientar as testemunhas. A orientação era tão descarada que até o escrivão da delegacia editativa, o senhor Luis Carlos Mantovani, precisou interromper os profissionais enviados pelo colégio para que pudesse prosseguir com as oitivas. Esse é um fato que deixa a história ainda mais triste. Em casos como esse, é comum que haja união das famílias. É impossível não se colocar no lugar do pank perder o seu filho e se colocar a disposição para ajudar no que for possível. Afinal, o que aconteceu com a vitória poderia ter acontecido com qualquer um dos outros 33 alunos que participavam da viagem, mas as famílias desses alunos optaram pelo silêncio. A maioria deles não colaborou em nada na elucidação do caso. O que dificultou ainda mais a trajetória da família Natalini na busca pela verdade. Em um primeiro momento, respeitando a vulnerabilidade de seu companheiro diante da perda, a madrasta de vitória, advogada Cristiani, foi quem tomou a frente para pressionar as autoridades, inclusive no dia da morte, quando decidiu permanecer na fazenda na esperança de descobrir algo. Mas a única coisa que descobriu foi um pacto de silêncio. Nem alunos ou professores ou funcionários da fazenda, ninguém falaria nada ou ajudaria a descobrir o que aconteceu com a vitória. A sensação era horrível, levando Cristiani a afirmar que. Todos que permanecem em silêncio reforçam a morte da vitória diariamente enquanto tocam a vida numa boa. O único suporte que a família recebeu da escola responsável pela segurança da Luna, durante o desempenho das atividades, foi uma nota oficial enviada à imprensa, onde a instituição lamentava o falecido. e garantia estar comprometida em apoiar a família, mas era uma história para boi dormir, pelo menos é o que garantiu o João. De acordo com ele, o único contato da escola se resumiu a um pedido para a emissão de uma outra nota, para afirmar que vitória havia sido vítima de morte natural. O que João não permitiu. Além disso, os gestores da instituição fizeram uma movimentação para homenagear a estudante, mas a família barrou e acabou proimbindo que a escola Valdorf Rudolf Steiner usasse o nome e a imagem de vitória em suas atividades. A família Natalini logo ficou cansada de esperar pelo apoio da escola, e também pelo apoio da equipe do delegado Fernando Ivannaga, de Itatiba, em investigar o caso como deveria. Então a família toma umas rádias e buscou ajuda para desvendar o que aconteceu com a adolescente. Para isso, contratou dois renomados profissionais para que estudassem os documentos e informações que possuíam para esclarecer o real motivo da morte de vitória. Foram escolhidos o médico legista Fortunato Badan Palhares, um profissional que, acho que com certeza os crimes eiros de carterinha já ouviram falar. O doutor Badan Palhares foi pesquisador da Universidade Estado de Campinas, e ficou famoso por atuar na investigação forem de vários crimes como o assassinato de PC-Farias, além de identificar a oçada do médico nazista Joseph Mengele, que havia fugido para o Brasil. O Badan conta com mais de 20 trabalhos científicos publicados no Brasil e outros 15 no exterior, sendo um dos médicos legistas mais conhecidos do Brasil, apesar de ter se envolvido com algumas polêmicas ao longo de sua trajetória. O segundo profissional escolhido pela família Natalini foi o perito criminal Osvaldo Negrine, que trabalhou na polícia civil de São Paulo e atuou em casos emblemáticos a exemplo do massacre do carandiru. O lado elaborado por Badan Palhares e Osvaldo Negrine concluiu que vitória mafra Natalini não havia morrido de causas naturais, mas que havia sido vítima de asficcia mecânica. Uma modalidade de sufocação direta, diferentemente do que era acreditado até então, a adolescente não morreu de causas naturais ou endeterminadas. Ela foi vítima de um homicídio, vitória, foi assassinada. Com o estudo detalhado das informações levantadas pela família, os peritos também concluíram que vitória não morreu nem no local e nem da maneira como o seu corpo foi encontrado. Isso porque segundo o Dr. Badan Palhares e o Dr. Osvaldo Negrine existia a presença de livores cadavericos engambos os lados do corpo de vitória. Agora vamos lá, o que é isso? Também precisa ir aprender e pesquisar. Bom, quando uma pessoa morre, a circulação sesa, né? E o sangue fica sujeito a ação da gravidade, ou seja, ele vai se acumular onde a gravidade está puxando. Isso quer dizer que o sangue acaba se acumulando nas onas mais baixas do corpo causando manchas arrocheadas onde houve esse acumulo sanguíneo. Esse fenômeno é nomeado de livor cadaverico. A vitória foi encontrada de brússos. Se ela tivesse morrido na posição em que estava quando foi encontrada, onde que estariam as manchas? Vamos lá, pequena olinha. Sim, as manchas rochas estariam apenas na parte da frente de seu corpo, pois ela estava de brússos, o sangue teria se acumulado naquela região onde a gravidade estava puxando. Mas não, ela tinha livores cadavericos também nas costas, o que significa que ela permaneceu de barriga para cima por horas antes de ter sido virada de brússos. Algo que se ela tivesse morrido de forma natural, bem, é óbvio que jamais teria acontecido. O seu corpo havia sido movido após a sua morte. E, finalmente, um dos fatos que mais chama atenção por não ter sido apontado pela equipe técnica ditativa, é que não havia falo na cadaverica no corpo da adolescente. Vamos lá, mais termos aqui para a gente aprender. O que isso quer dizer? Que o cadaver foi mantido em local fechado antes de ter sido transportado e cuida dosamente colocado no local aberto onde ele foi encontrado. Pois, se vitória tivesse morrido ali no meio do mato, na fazenda, no local aberto, no exterior, pelo tempo que demorou entre o seu sumício e a localização, o corpo estaria infestado de insetos. Ele teria falo na cadaverica, esse é o termo, mas não era o caso. Não tinha nada nenhum indício disso no corpo de vitória, ou seja, ela esteve dentro de um local fechado depois da sua morte. Isso sem contar nos erros da investigação que não consideraram uma mancha de sangue no capinha ao lado do corpo. Também ignoraram um saco plástico encontrado a dois metros do cadaver que não passou por perícia, e também foi ignorado um fio de cabelo encontrado nas roupas de vitória. Até hoje, nada disso foi submetido a um exame de DNA para identificar a quem pertencia. Gente, um exame básico, um DNAzinho ali no cabelo, sabe? Talvez pudesse ter pulpado todo mundo de tanto sofrimento e busca pela verdade. Se esses exames tivessem sido realizados, porque realmente são exames básicos, que devem ser realizados em todo e qualquer cadáver encontrado, simplesmente não foram realizados no caso de vitória na tanine. O corpo da adolescente deveria ter passado por um exame perinecroscópico, que consiste na constatação dos tipos de lesão causados na vítima, né? Se há ferimentos e indícios de violência sexual, se houve perfuração no corpo, se há sinais de esganadura, enfim, é um pente fino passado pelos peritos, ainda no local, lá na cena do crime. Não tem nada a ver com a necrópsia realizada no EML, mas não foi feito, gente, simplesmente não foi feito. A justificativa para não realização desse exame perinecroscópico é simplesmente bizarra. Os peritos afirmaram depois que não se aprofundaram no exame por uma questão de decoro. Gente, não existe decoro em perícia. Se a intenção fosse a de preservar a memória de vitória, que isolassem a área para poderem realizar o exame com privacidade, mas era importante realizar o exame ali, né? Eles tinham que ter retirado as roupas do cadáver, feito todas as deligências possíveis e imagináveis no local. O desrespento à sua memória está exatamente no fato de que a investigação falhou em dar as respostas que vitória merecia. São muitas falhas nessa investigação, é uma situação desesperadora para a família, mas pelo menos. Agora que eles tinham os novos laudos, o Dr. Badam Palhares e do Dr. Osvaldo Negrine, parecia ter reacendido uma esperança de que finalmente o caso seria levado a sério, e receberia uma investigação digna. Em pós-se do laudo particular, o João apresentou a polícia, e em março de 2016, seis meses após a morte de vitória, o caso foi reavaliado e encaminhado para o departamento de homicídios e proteção à pessoa de São Paulo. Na época, a delegada Ana Paula Rodrigues, que recebeu o inquérito, afirmou que investigaria a responsabilidade da escola pela morte da jovem, e que falha as graves no protocolo de segurança dos alunos foram cometidas, mas que ainda não havia suspeitos do crime. O laudo assinado pelos peritos contratados por João Natalini também permitiu desenhar uma dinâmica dos acontecimentos. Para os profissionais, vitória foi abordada no meio de seu trajeto até o banheiro, por alguém que tinha o desejo de violentá-la sexualmente, mas ela reagiu a investida. Talvez tenha gritado, se debatido, e para contê-la, o assassino tapou sua boca inariz até que ela perdesse os sentidos, vindo à óbito posteriormente. Então, finalmente, se começava a criar essa dinâmica do crime e o que teria realmente acontecido, além, claro, de chegarmos à conclusão de que a vitória não morreu de causas naturais, ela foi assassinada mesmo. No final de 2017, o João foi procurado pela investigação, que informou que o IML de São Paulo corroborou com a investigação paralela contratada pela família. Esse fato, gente, foi muito importante, porque até então era a versão da família contra a versão oficial. E agora, no fim de 2017, finalmente falaram "ok, as duas versões são as mesmas". O lado, assinado pelos peritos particulares da família Natalini, estão corretas. E esse fato foi determinante para que os advogados pudessem entrar com representações na corregedoria da polícia, a respeito da conduta do Instituto de Criminalística de Jundiaí, dos IMLs de Campinas e de Jundiaí. Contra o médico legista e contra o delegado de Itatiba. Podiam finalmente responsabilizar essas pessoas por ter feito uma investigação, bom, vou usar a palavra, uma investigação de merda. O próprio médico legista de Itatiba, de Jundiaí, assumiu que ele realmente usou o termo sugestivo de morte natural no lado dele, de uma forma inadecuada, porque ele não teve condições de concluir a causa do falecimento por não ter sido encontrado nenhum objeto que pudesse obstruir o fluxo de ar. Então ele tava braço que a gente falando "Ah, eu deixei lá. " como morte natural, porque não tinha nada que sugerisse que foi obstruído o ar, não tinha nenhum objeto. Mas isso, ele simplesmente não levou em consideração que a obstrução poderia ter sido causada de maneira externa. Por terceiros, alguém com uma mão que foi lá e botou a mão na boca dela e fechou, não deixou mais ela respirar, que determinaria a causa como um homicídio, por algo externo. Ele falou, "Ai, vou deixar assim, não tenho nenhum objeto abstraindo na risda dela, não tem nenhum algodão, nem um nada dentro do nariz dela, então foi morte natural." É muito esquisito, mas enfim, pelo menos ele assumiu o erro de ter escrito as coisas da forma como ele escreveu. Agora, com tudo isso, com esse ótimo trabalho que a família Natalini fez de investigar a morte da divitória, ficou aprovado e aceito pela polícia que ela foi asfixiada. Agora, faltava descobrir por quem. É. atenção. Ainda tem muita história pela frente, mas se espere fundo, caminhou um gole do seu café e escute esse recadinho. O podcast agora recebe apoio de ouvintes através do apoio assim. Sim, apenas lá no apoio, se você pode fazer uma assinatura mensal no valor que você quiser, 5, 10, 15, 20, e com isso, você tem acesso a episódios exclusivos. Então, para você que um episódio a cada 15 dias não basta, essa é uma boa opção, você ganha um episódio a mais por mês. Além disso, tenho outros benefícios que você pode descobrir acessando o apoio assim. O site é o seguinte, apoia.se/cafeconcrime. Eu vou deixar o link na descrição desse episódio. É apoia.se/cafeconcrime. Saiba que o seu apoio fez esse podcast ser possível, muito obrigada. E pronto, recadinho dado. Deu tempo de tomar o seu gole de café? Então, agora, eu posso voltar para o crime. O crime estava prestes a completar um ano e ninguém havia sido indiciado pela polícia. Existe uma frase policial, um jargão policial, que diz, "O tempo que passa é a verdade que some." Eu escutei essa frase pela primeira vez, pela delegada Sandra Vergau, num caso que eu estava pesquisando, era o caso do escoteiro, do Marco Aurelio. E quando ela falou isso, o tempo que passa é a verdade que some. Eu achei tão poético, mas ao mesmo tempo tão triste, tão forte. E simplesmente só mostra como a polícia realmente tem que corre contra o tempo. Porque, senão, as memórias das testemunhas podem ser falhas, podem não lembrar os eventos de uma forma correta, as evidências podem ir sumindo, desaparecendo. E, no caso de vitória natalini, cada segundo perdido acabou beneficiando o assassino e todos os demais envolvidos. E o tempo, no caso dela, começou a ser perdido, desde o início, quando as buscas foram feitas por alunos, em vez de terem acionado a polícia logo no momento em que ficaram sabendo do desaparecimento da garota. O tempo que passa é a verdade que some. A família tem muitos questionamentos e apontamentos, principalmente sobre uma verdade principal que eles buscam. O suspeito, quem é esse suspeito? E existem várias hipóteses que se quer foram investigadas, ou quando havia indicios sobre alguém que poderia ser suspeito, simplesmente não ouvi aprofundamento, algo extremamente frustrante para a família. Agora, chamou a atenção, o fato da professora responsável pela atividade na fazenda, dar detalhes de como o corpo da vitória estava quando foi encontrado pela polícia, sendo que ela não foi ao local para ver. Principalmente porque os pareceres criminais e de metrina legal apontam que ela foi ajeitada naquela posição. Então, como que essa professora sabia antes da divulgação dos fatos que a vitória havia sido encontrada de brússos? Essa curiosidade que poderia ser interlevada ao autoria do crime afinal nenhum indício deve ser desconsiderado durante uma investigação jamais foi sanada. Como que a professora sabia daqui? A gente não sabe. E lembram do homem da máquina d'água? Falei para vocês guardarem esse nome, ele era o cara cujos cães farejadores apontaram o carro e a casa, como se vitória tivesse passado por ali? Bom, apesar desse fortíssimo indício, ele também não foi investigado a fundo. Durante a estadia na fazenda Pereiras, esse homem ficou conhecido entre os alunos como homem da máquina d'água, e de quem nutriam medo? Principalmente porque ele mexia com as meninas quando passava por elas em seu fiat 1. E, faz menina gente, o homem da máquina d'água tinha antecedentes criminais, tendo passagem por tentativa de estupro contra uma menor didade. Uma menina diga-se de passagem muito semelhante fisicamente a vitória na taline. Nesse crime, nessa tentativa de estupro, o homem da máquina d'água usou a prática de asfixia na modalidade de sufocação direta para imobilizar a menor didade enquanto tentava a violentar sexualmente. Isso aconteceu alguns anos antes da morte de vitória. Como se já não bastasse essa gigantesca red flag, essa bandeira vermelha que grita, ou tem coisa errada com esse cara, o homem da máquina d'água tinha um alibi fraco. Ele era incapaz de provar que ele não estava na fazenda no momento do crime. Ele até tentou querer um alibi, mas acabou que a sua esposa, o seu pai e o seu irmão caíram em contradição ao tentar confirmá-lo. Ok, e quem é esse homem da máquina da caixa d'água? O homem da máquina d'água é porque ele ligava a máquina de água para irrigar as plantações, por isso que ficou com esse nome. Bom, por que que eu não dei o nome dele aqui? Por que que eu não estou usando o nome e estou me empanando toda com um apelido? É porque, apesar do seu nome aparecer num relatório sigiloso produzido pela família nataline, ele não é nomeado em nenhum outro lugar, pois nunca deixou de ser apenas um suspeito de forma sigilosa. O seu envolvimento é tido como não comprovado, e para evitar, digamos assim, um linchamento de um possível inocente, o seu nome é mantido em sigilo. Mas nós vamos falar dele. O homem da máquina d'água é um colôno que arrendou parte da área da fazenda Pereiras para plantar legumes. Ele é conhecido por sua dissemulação e vaidade, fazia muita academia, se considerava muito bonito, e se demonstrava narcizista. Ele tinha vários perfis nas redes sociais. Era bem aquele homem. É um homem que uma mulher que tem um detector de homem lixo, fareja a mil quilômetros de distância e sabe que é golpe. Ele era casado, ele tinha filhos com quem morava na fazenda, mas ele havia escapado do local com toda sua família por duas vezes. Depois, claro, da sua tentativa de estupro com a sua primeira vítima, ou seja, fugiu, né? Ele chegou a ameaçar de morte a família da sua primeira vítima da menor de idade, para que retirassem a queixa de tentativa de estupro contra ele. E infelizmente, ele conseguiu, na base do medo e das ameaças, ele se livrou do processo e assim voltou para a fazenda. Agora, vamos entender qual foi o alibi dele para o dia do crime contra a vitória. Em depoimento, o homem da máquina d'água disse que no dia 16 de setembro de 2015, ele deixou a fazenda com a esposa por volta das uma e-meia da tarde para levar a filha do casal ao médico, e que retornou perto das quatro e-meia. O horário que as colegas de vitória já teriam alertado a professora responsável pelo desaparecimento. Ele disse também que seguiu com a sua rotina de cuidados com a lavoura, normalmente depois que voltou ao hospital. E que, ao ligar a máquina d'água para irrigar a plantação, ele foi abordado por um aluno que perguntou sobre o paradero de vitória, que tinha sumido, e ele negou, disse que não sabia que era vitória, não tinha visto nenhuma luna, e continuou com o seu trabalho permanecendo na roça até 6 e depois foi para casa. Ele chegou a ser chamado pela polícia por volta das 9 horas daquele dia, do dia que encontraram vitória, pois além dos cães terem apontado o seu veículo, né, tinha um farejado que vitória estava por ali, uma testemunha teria visto que ele foi a lavoura de carro, o que não era comum. O homem da máquina dango, ele consumava percorrer o trajeto entre a lavoura e a sua cara. a Pé, e o local onde o corpo da menina foi encontrado é muito, mas muito próximo da sua plantação. Esse colôno também não contava com as contradições identificadas entre o seu depoimento e o depoimento de sua esposa. Os pequenos detalhes fazem a diferença, e nesse caso, um detalhe da sua vestimenta levantou suspeitas. A filha do homem da máquina d'água e da sua esposa realmente passou por uma consulta médica naquela tarde em que vitória desapareceu. Mas a presença do pai não pode ser confirmada pela unidade de saúde que atendeu a criança. Ele, em teoria, teria ficado no carro, por isso ninguém da unidade de saúde ouviu. A questão aqui é que o suspeito disse que foi para o hospital trajando as mesmas roupas de quando foi para a lavoura, ou seja, estava com calça cumprida, camisa de mangas longas e bota as pretas. Mas a sua esposa afirmou em depoimento que ele não desceu do carro para acompanhá-la na consulta, porque ele foi a hospital descalço. O detalhe pode parecer bobo e sem grande importância, mas pode também indicar que esse colôno jamais acompanhou a esposa na consulta e que a história por eles contada pode ter sido previamente combinada. E aí vem essa coisa de descalço como desculpa para ele ter ficado no carro e a unidade de saúde não poder confirmar que ele estava lá, não podia dar o alheb por causa dessa desculpa. Agora, o pai do homem da máquina d'água afirmou que no dia do crime ele trabalhava na lavoura com o filho. Depois, o homem da máquina d'água teria saído para levar a filha ao médico próximo ao meio-dia e não teria retornado a lavoura. Isso contadiu que o próprio homem disse, porque ele disse que voltou a lavoura, que ligou a máquina d'água, né, fez todos os seus trabalhos depois que voltou o hospital, mas o pai falou que não, que ele não voltou. Curiosamente, o pai do homem da máquina d'água ainda deu a polícia em seu depoimento uma causa para a morte de vitória. Ele disse que havia boatos na fazenda de que a menina tinha tomado algum remédio ou alguma droga e que saiu desorientada pela fazenda e faleceu onde foi encontrada. Gente, como que ele teria ficado sabendo de uma coisa dessas? Arescia até algo que ele teria inventado para encobertar o próprio filho, não faz um mínimo de sentido, um mínimo de sentido. Essa história que ele conta. Enfim, os depoimentos dessa galera aí da fazenda é tudo meio desencontrado desse jeito e nada faz muito sentido. Contando com todas essas contradições nos depoimentos e o passado sombril do homem da máquina d'água, a família natalínea afirma que a suspeitação de que o homem da máquina d'água motivado pela semelhança física entre vitória e sua vítima anterior investiu contra a vitória a asfixiando antes de consumar o ato sexual abandonando o seu corpo em seguida. E aí vem uma suspenta de arrepiar os cabelos, de que o corpo teria sido levado ao local onde foi encontrado pelo tratorista da fazenda que teria agido em nome da escola. Isso explicaria o fato da professora saber a posição em que a vítima foi encontrada. Eu quero reforçar que essa versão do caso está descrita em um relatório organizado pela família natalínea com base em documentos e informações sigilosas referentes ao inquérito policial. Esse e tratorista, que teria movido o corpo de vitória, figura também entre as últimas testemunhas que viram a garota com vida na tarde do dia 16 de setembro de 2015. Esse tratorista disse que entre as duas e meia e três horas da tarde, ele estava carregando uma carreta tracionada por seu trator em um mistrado de terra que dá acesso ao alojamento onde jovens estavam hospedados. Foi então que ele percebeu uma garota que depois ele descobiu se tratar da vítima indo em direção aos quartos. Ainda de acordo com o seu depoimento, o que chamou a sua atenção foi a agitação da menina, que batia com as mãos nos bolsos da calça como se procurasse por algo enquanto ia e voltava pelo trajeto. O tratorista foi ouvido novamente no dia 13 de abril de 2016 e confirmou que disse na primeira oitiva que a observou abrir a porter enquanto fazia gestos de correr e parar como seus punhos serrados que batia nas próprias pernas, mas que ele acabou se distraindo com seus afazeres e não percebeu se a garota virou a direita, rumo ao campo das medicões ou se seguiu em direção a estrada que dá acesso a fazenda. Essa teria sido a última vez que adolescente foi vista com vida. Mas como nada nessa história se encaixa perfeitamente, há uma parte dentro da própria polícia que desconfia da veracidade do depoimento do tratorista. Alguns detalhes e a sua postura distam totalmente do cenário, sem contar que o homem estava ali, mas ninguém ouviu. Em todos os depoimentos colheros pela polícia com alunos e funcionários, não a menção de que o tratorista estivesse trabalhando no local onde ele disse que estava e de onde teria visto a vítima em seu último momento em vida. Tudo parece uma rede de mentiras, versões combinadas entre amigos, e eu digo isso, pois o homem da máquina d'água e o tratorista eram amigos, versões combinadas entre familiares desse homem da máquina d'água e até mesmo entre os funcionários de alunos da escola que decidiram não falar. Todas as pessoas que estavam na fazenda Pereiras no dia do crime seguiram suas vidas normalmente, como se nada tivesse acontecido, deram seguimento ao trabalho e a vida pessoal. Os osos que adotaram o silêncio em posto pela escola reforçam a morte da vitória todos os dias. Para João, é muito estranho que a Escola Valdoiff Rudolf Steiner, um colégio de tão grande porte e renome, não se hula a família da vítima em busca de respostas que levem ao assassino. Então, qual é o interesse da instituição e não colaborar com as investigações? Depois que o caso foi transferido para São Paulo, o inquérito policial rodou de mão em mão, as equipes eram trocadas constantemente, mesmo que nenhum avanço tenha sido registrado no período. Em 2018, em uma das dezenas de reuniões entre família e DHPP, o novo diretor da legacia, o doctor do Mingus, recebeu um resumo do caso pelas mãos do pai de vitória, os principais pontos acerem abordados e mais uma solicitação em caráter de urgência para que deligências que não foram realizadas pudessem ser solicitadas. Havia evidências? Nenhuma justificativa era suficiente para convencer a família da vítima de que a passividade das autoridades estava relacionada a uma falta de indícios, porque tinham indícios. E era coisa grande. Por exemplo, foram apontadas falhas na investigação, coisa que eu já mencionei anteriormente. Também foi feita pela família Natalini uma solicitação de novas oitivas dos colegas de grupo da vítima, porque tinha ali um desincontro de informações. Porém existia uma possível fraude processual por parte da escola, além de retomar os depoimentos dos topógrafos sobre falsos testemunhos que teriam sido registrados em escutas telefónicas. Esses conteúdos das escutas telefónicas eram conteúdos que seguiam em segredo de justiça, porque sim, gente, falsos testemunhos foram corroborados por escutas telefónicas que mostraram que diversos alunos mentiram, que tinham mentiras nos depoimentos dos topógrafos, e que havia comluído o escritório de advocacia que serve a escola, com outro escritório, subcontratado para orientar o que as testemunhas, os alunos e dois dos três topógrafos deveriam dizer a polícia. Foram ainda apontados indícios para um pedido de prisão temporária do Colôno conhecido como homem da máquina da água, para investigá-lo e esclarecer as pontas soltas. Por que ele seguiu de carro para fazer a rega do plantio, já que essa não era a sua rotina habitual? Por que ele executou o trabalho em horários e condições divergentes do que estava acostumado em local próximo à área onde vitória foi encontrada? Por que os seus antecedentes criminais foram ignorados? Por que não houve perícia no fiat 1 apontado pelos cães farejadores? Então muitas perguntas todas elas sem respostas, e tudo isso a família Natalini trouxe para o novo diretor da delegacia, o doutor do Mingus em 2018. Em agosto de 2019, mais um encontro aconteceu entre João Natalini e a DHPP. Dessa vez ele tomou ciência de que, segundo a família do homem da máquina da água, o suspeito fugiu da fazenda Pereira, poucos meses após o crime, mudando para a cidade de álvores machado na região de presidente prudente ainda no estado de São Paulo. Por senão, a família do homem passou bem a não na cabeça dele, se movimentando em sincronia para livrá-lo de qualquer punição e afirmando em depoimentos à polícia desconhecer o destino real do homem e de sua esposa. Então, com isso era muito difícil o pedido de prisão temporária sair sem saber onde o dito cujo estava. Mas, dessa vez, em 2019, a família Natalini foi recebida pelo doutor Nelson Teixeira de La Serda Junior. que trouxe uma dose de esperança. Parecia que, finalmente, as investigações dariam algum resultado. Neste encontro, o novo delegado disse ter plena convicção de que relatarias informações no inquérito policial e que, após um breve período de férias, daria prosseguimento ao caso para recuperar o tempo perdido no que dizia a respeito à solicitação da prisão temporária do suspeito. Mesmo diante da dificuldade em conseguir essa prisão temporária, né, quatro anos após o assassinato, sem saber onde ele estava e tudo mais, o delegado afirmou estar convencido da dinâmica dos fatos e que o indiciaria por homicídio doloroso. E que talvez ainda solicitasse a apreensão do veículo para uma perícia com o luminal. Isso tudo na esperança de que algum vestídio ainda pudesse ser encontrado em seu interior. Porque sim, gente, ninguém examinou o carro do suspeito. Ninguém passou o luminal, ou viu se tinha sangue, se não tinha se a vitória entrou no carro, se não entrou no carro, ninguém tinha feito nada e já haviam se passado quatro anos do crie. Enfim, meu desabafo. Além disso, o delegado disse que estava convencido de que a história do bone é encontrada pelo topógrafo durante as buscas e o depoimento do tratorista eram inventados o que configura fraude processual. Ele disse que ia conversar com o Ministério Público sobre o indiciamento por homicídio e que estava convicto de que não teria mais nenhuma outra providência com este caso que justificasse qualquer adiamento para a conclusão do relatório. Mas a felicidade durou pouco. Surpreendentemente, assim que o Dr. Nelson voltou de suas férias, ele disse que mudou de ideia e que não faria mais nada do que havia dito, pois o delegado chefe da divisão, o Dr. Mestrinho, solicitou que aguardasse o surgimento de novos indícios, se fosse o caso, para poder concluir a investigação. Gente, bão de diágua fria, coração apertado e de volta, a está casero. Menuma providência foi tomada desde então. Mesmo que em 2020, João tenha visitado a Procuradoria Geral da Justiça e que tenha recebido a promessa por parte do Procurador Geral de Ampá-lo Ismanil, de que o pai receberia relatos periódicos do acontecimento do inquérito, algo que nunca aconteceu, João nunca teve retorno. Sem espaço para buscar justiça e nem ter para onde correr, o pai de vitória teve que aceitar que o crime de fraude processual prescreveu, coisa que acontece dentro de 8 anos. Então, aquelas pessoas que mentiram durante esse processo não podem mais ser responsablezadas por isso. Mesmo com tantas mentiras e manipulações, ninguém mais pagaria por esse delito. A família Natalini também recorreu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de São Paulo em meados de 2020, através do vereador Gilberto Natalini, que é primo da vítima e de seu pai. Eles foram recebidos por seus integrantes em uma seção online, por conta da pandemia, que estava ali no seu álgebra. O relato, como vemos integrantes da Comissão, que se comprometeram a questionária secretaria da segurança pública do Estado. Mas também não há notícias sobre um retorno para a família e nem para a sociedade. Não havia forças mais para lutar, mas a família jamais desistiu, criaram uma página no Facebook, um perfil no Instagram, o Arroba Victoria, Natalini e Vivi, e passaram a alimentar as redes sociais com informações do processo e advogarem entrevistas concedidas por João, cobrando justiça nos mais diversos meios de comunicação. Além disso, um abaixo assinado foi criado no AVAS há três anos com a meta de recolher setenta e cinco mil assinaturas para pressionar as autoridades e cobrar a solução do caso para que o suspeito do homicídio seja finalmente indiciano. O link do abaixo assinado e das redes sociais da família Natalini estão disponíveis para vocês aqui na descrição desse episódio. [Música] Oito anos após o crime contra a vitória Natalini, a família pode respirar um pouco mais aliviada com relação à punição dos responsáveis pela segurança da estudante durante os dias de atividade escolar. Em 14 de setembro de 2023, a justiça finalmente tornou reos dois professores e três gestores da escola Waldorf Rudolf Steiner, por abandono de incapaz com resultado em morte, com o agravante de local hermo. Na denúncia oferecida pela DHPP, apenas os professores que acompanharam os alunos seriam indiciados. Mais o Ministério Público de São Paulo acatou a peticão dos advogados da família de vitória e indiciaram também os gestores do colégio. Os juízes aumessias dos santos do foro de tatiba considerou a acusação plausível e os tornou reos. A família aguarda uma data para o julgamento, mas depois de oito anos esse pequeno passo é um grande passo. Caso sejam condenados, os acusados podem pegar penas que variam entre 4 e 12 anos de reclusão, porém eles aguardarão o julgamento em liberdade. Apesar dos refrescos, a batalha ainda está longe de terminar. O mesmo juiz que indiciou os funcionários da escola, resolveu arquivar o inquérito policial no que diz respeito à autoria do crime de homicídio. Mas reforçou que o procedimento poderá ser reaberto se surgirem novas informações sobre o caso. O pai, o João Carlos, que nunca desistiu de buscar punição aos culpados, garantiu que continuará com as investigações paralelas na esperança de que alguma prova apareça e que o inquérito possa ser reaberto. Para isso, está oferecendo uma recompensa de 50 mil reais, a quem tiver informações que possam levar ao desarquivamento do inquérito policial sobre o homicídio da filha. Em entrevista, ele afirmou. O meu papel é o papel de cobrança até nós chegarmos à autoria do homicídio da minha filha. Tanto eu, conto a minha família, ficamos satisfeitos com um indiciamento dos funcionários da escola. Sobre o arquivamento do homicídio, é mais um absurdo como o qual nós estamos tendo que lidar durante esses anos de sofrimento e de muito esforço exaustivo. Nada em pede que as diligências particulares continuem, mesmo que as informações sejam adquiridas através de pagamento de recompensa. Ainda que o inquérito policial tenha sido ativado por ausência de indícios mínimos de autorias sobre o crime de homicídio, os familiares podem requerer o seu desarquivamento, caso encontrem novas provas. Isso é um direito previsto em lei no artigo 18 do Código de Processo Penal. Há garrados a essa chance, a essa esperança, a família criou canais para receber as denúncias. Um deles é o e-mail, recompensa victória na [email protected] e o outro, um número de WhatsApp, 11, 9, 7, 9, 4, 90, 14. Tudo isso vai estar disponível aqui na descrição do episódio. É revoltante chegar ao final de um episódio em um caso de assassinato, sem que ninguém tenha sido nem ao menos preso, quem dirá indiciado e julgado pelo crime. Eu já falei isso aqui algumas vezes, mas não existe crime perfeito. Existe crime, mal investigado, e a morte de vitória na taline segue até agora na conta das autoridades que não foram capazes de solucionar o caso e apontar a autoria deste homicídio. São 8 anos de um luto sem fim, tempo que a família vive e revive uma dor incalculável com a sensação de que vitória segue sem um cipultamento digno e com a justiça que ela merece. Toda a minha solidariedade para o pai, a mãe, a irmã, a madrasta, os tios primos e amigos de vitória na taline, que a verdade possa em breve trazer o console que eles merecem e que a gente possa ajudar da forma que for, nem que seja assinando o abaixo assinado, que o link está aqui na descrição desse episódio. A menana quinta-feira, eu vou colocar lá no Instagram do podcast, o @cafeconcreme, e também no Twitter o @cafecreme, as fotos desse caso, dos locais, das pessoas. Então segue lá para conferir os conteúdos adicionais que postamos em relação ao caso de hoje. Eu volto com um novo episódio, uma nova história para vocês, daqui a 15 dias, na quarta-feira que vem. E até lá, nunca escona uma verdade. Se você viu algo, fale o que viu, porque é de desgraça já basta esse podcast. Tchau, tchau. Esse episódio foi produzido, roteirizado e apresentado por mim, Stephanie Zurbe, com edição de áudio e sonorização de Luigi Calistrato, pesquisa e texto por Ana Paula Aumeida. As fontes utilizadas neste episódio foram, relatório completo, caso victória Natalini, organizado pela família da vítima, o Portau G1, o Jornal de Itatiba, Folha de São Paulo, do Mingu Espetacular, R7, Câmara Municipal de São Paulo, Portau Terra, Correio Brasileense, e entrevistas como João Carlos Natalini, ao canal Creme S.A. [Música]

Podcast Summary

Key Points:

  1. Vitória Natalini, uma adolescente de 17 anos, desapareceu durante uma excursão escolar em 2015 e foi encontrada morta sete dias depois, com causa de morte inicialmente apontada como natural.
  2. A investigação oficial foi criticada por falhas graves, como ausência de busca imediata pelas autoridades, negligência na perícia e manipulação de testemunhas.
  3. Peritos particulares concluíram que Vitória foi vítima de asfixia mecânica, com o corpo movido após a morte, evidenciando que não morreu no local onde foi encontrada.
  4. O "homem da máquina d'água", um colono com antecedentes criminais, é um suspeito principal por semelhança física com a vítima e por ter sido observado em locais próximos ao local do crime.
  5. A família e especialistas apontam que houve fraude processual, com mentiras em depoimentos, orientação de testemunhas por advogados da escola e falhas na análise do veículo e do corpo.
  6. O caso foi reavaliado em 2016 e em 2019, mas a investigação foi pausada por falta de ação concreta e por exigência de novos indícios, mesmo com evidências claras.
  7. Em 2023, dois professores e três gestores da escola foram condenados por abandono de incapaz com resultado em morte, marcando um avanço importante na justiça.
  8. A família continua exigindo justiça, mantendo campanhas online e pressionando as autoridades, mesmo após o encerramento do processo por prescrição de fraude.

Summary:

O caso da estudante Vitória Natalini, que desapareceu durante uma excursão escolar em 2015 e foi encontrada morta sete dias depois, continua sendo um dos maiores mistérios da polícia paulista. A morte foi inicialmente atribuída a causas naturais, mas investigações independentes por peritos particulares revelaram que Vitória foi vítima de asfixia mecânica, com o corpo movido após a morte. A análise dos vestígios apontou que ela não morreu no local onde foi encontrada e que o corpo foi transportado, o que indica um crime deliberado.

O "homem da máquina d'água", um colono com antecedentes de tentativa de estupro, é suspeito por semelhança física com a vítima e por ter atuado em áreas próximas ao local do crime. A investigação oficial foi criticada por falhas graves: atraso nas buscas, manipulação de testemunhas, ausência de perícia no veículo e falta de análise do corpo. A família denunciou fraudes processuais, com depoimentos falsos e orientação de alunos por advogados da escola.

Apesar de investigações ocorrerem ao longo dos anos, o caso foi mantido em suspensão por falta de ação. Em 2023, dois professores e três gestores da escola foram condenados por abandono de incapaz com resultado em morte, um passo significativo, mas ainda há expectativa de justiça para o suspeito principal. A família, que mantém campanhas sociais e um abaixo-assinado com mais de 75 mil assinaturas, continua exigindo responsabilização por todos os envolvidos, mesmo após a prescrição da fraude processual.

A tragédia evidencia falhas sistemáticas na segurança escolar e na atuação das autoridades.

FAQs

Vitória Natalini, de 17 anos, desapareceu durante uma excursão escolar na fazenda Pereiras, em 16 de setembro de 2015. Seu corpo foi encontrado sete dias depois, com sinais de asfixia mecânica, indicando que foi assassinada.

A primeira investigação do Instituto Médico Legal apontou morte por causa indeterminada, e essa informação foi amplificada pela mídia, mesmo sem verificação. A família percebeu que era uma falsidade, pois Vitória não tinha histórico de convulsões.

A investigação falhou em realizar exames periciais fundamentais, como o exame perinecroscópico, perícia no carro dos cães farejadores e análise do cabelo encontrado. Além disso, houve manipulação de testemunhas e falta de ação imediata para acionar a polícia.

É um colono da fazenda com antecedentes criminais de tentativa de estupro contra uma menina semelhante a Vitória. Ele tinha medo de ser processado, fugiu da fazenda, e houve contradições nos depoimentos, como o uso de roupas diferentes e falta de alibi sólido.

Sim, a professora sabia da posição do corpo antes de a polícia divulgá-la, o que suscita suspeita, pois ela não foi ao local para ver. Isso levanta dúvidas sobre o envolvimento da escola na ocultação da verdade.

Sim, em 2023, dois professores e três gestores da escola foram condenados por abandono de incapaz com resultado em morte, com o agravante de local hermético, por negligência na supervisão dos alunos durante a excursão.

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