Neste episódio, Alexandre e Dani retomam o podcast após uma semana de pausa técnica, com Alexandre com a voz rouca devido a um vírus, pedindo tolerância dos ouvintes. Eles decidem comentar o retorno de uma carta da ouvinte Beatriz, que havia sido tema do episódio 123. Beatriz escreve emocionada, agradecendo o impacto da conversa e relatando transformações internas profundas. Ela usa a metáfora da "dola da liberdade" para descrever como Dani a ajudou a criar espaço para sua própria autonomia, mesmo sem mudanças físicas em sua casa. Beatriz também compartilha um sonho com uma comunidade utópica, onde relacionamentos eram aprendidos coletivamente, com anciãs escolhendo pares para treinar comunicação e vida relacional. Alexandre e Dani ampliam essa reflexão, discutindo o papel da doula como suporte emocional em partos e como essa figura pode ser estendida a outras dores da vida, como lutos e transições. Eles criticam a visão individualista de resiliência e destacam a importância do acompanhamento terapêutico (AT) como prática que rompe os muros do consultório, caminhando com a pessoa em sua realidade. A liberdade, concluem, não é um ato solitário, mas algo "parido" em comunidade, com amparo social e pertencimento. A carta de Beatriz é vista como validação do formato pioneiro do podcast, que usa histórias reais para costurar comentários e criar uma comunidade de cuidado e transformação.
[Música] As cartas são a escrita que a alma faz sem rodeios para as perguntas que nos inquietam para aquilo que nos atravessa para a vida que tem urgência incertida. Em palavras faladas, as cartas são o sopro que nos conecta por um instante. A abre-se em velópio, ele é para você. Eu sou Alexandre Coimbra-Marau e vai começar mais um episódio do Cartas de Interapeta. [Música] Olá, minha gente, querida, bem-vindas, bem-vindos e bem-vindes, a mais um cartas de um casal de terapêutas. O seu podcast que precisou de uma pausa de uma semana que a gente consertou aqui o nosso áudio teve uma assistência técnica que importante demorou para chegar o material, mas agora a gente está com o solímpido é certo pela minha voz. Então, a imperfeição é a tônica da vida e também desse podcast. Esse que vos fala está com uma voz depalperada por um vírus que chega em outubro. Minha amiga Cheanne está a vários do sal de mental da população negra, ela falava que quando chegam uns meses, se tem brô, o outro brô, novembroi, desembrou os vírus, chegam no corpo com a porta aberta para eles fazerem a festa, que a gente já está só a casquinha. Então, é isso que aconteceu aqui na nossa casa, né, amor, os vírus chegaram e tinha cinco pessoas disponíveis para eles. Cada hora, um foi caindo nessa última semana. -Gol, da menina. -E agora, pelo menos estou com o corpo para poder conversar, mas a voz ainda não chegou. O download da voz está vindo aos pouquinhos, mas eu estou aqui com saudade, com amor e vocês, por favor, peço a gente lisa de relevarem essa voz estranhíssima, é a voz que eu tenho para hoje. E é com ela que a gente vai conversar sobre uma carta. Eu acho que a primeira vez que eu faço isso, não pode que é chintero, no 126 episódios, é que eu comento o retorno de uma carta que foi comentada como um episódio. As vezes as pessoas escrevem, mas escrevem agradecendo, falando que se sentiram muito tocados, e essa carta que a gente recebeu, ela tem uma extensão em tamanho e profundidade, que a gente achou muito importante trazer por vários motivos. Primeiro, porque a gente está com esse projeto de ler histórias e comentar histórias e a gente sabe o quanto esse projeto aqui é pionero dentro da história da psicologia brasileira. Nós somos, talvez, o primeiro pode quester no Brasil que faça isso, e a gente está validando um formato de intervenção pública. Com todo o rigorético que marca a nossa profissão, a gente muda nomes, criano nomes fictícios, coloca pedaços de história ou retira pedaços da história para a pessoa não ser definitivamente identificável, mas o que importa é a gente poder costurar comentários com a história. E vocês que são ouvintes, se sentirem compreendidos por alguma ressonância que vocês sintam com isso. E a gente fazê dessa comunidade, uma comunidade de pertencimento e tratamento das nossas histórias de vida. Esse é o primeiro motivo pelo qual a gente vai trazer o retorno do episódio da Beatriz que a gente comentou, se não me engano, foi o 123. Se você não escutou esse episódio ainda, volte lá para você conhecer a história da Beatriz. Adane, que está com a voz límpida. Mais lênus. Vai ler a carta que a Beatriz retorna, contando o impacto da escuta do podcast e as transformações que ela já começou a fazer na vida dela, a partir dos comentários que a gente fez aqui. Muito bem, gente. Vamos lá? Também. Bom dia, que eu dei mais ou menos. Estava aqui. Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada, boa engarrafamento, boa louça, que for o seu lugar de escuta. Oi, Dani, hoje é andi tudo bem. Vem ensaiando, escrever, desde quando ouvi o episódio. A escolha do nome, a poesia e essa conversa tão íntima é o mesmo tempo tão universal de vocês continuar restaurando por aqui. Desde que você foi dolo da minha liberdade, Dani, dando lugar e criando cómodos em mim e na casa, para que ela existisse me senti mais forte. Mas eu mesmo, dentro da relação. Embora essa não seja a realidade objetiva ainda, já que a casa física segue a mesma. Dentro de mim, comecei a visitar muitos espaços que eu já esqueci do que não sabia existir. Essa ideia mais ingessada das distâncias também estava sustentando uma ideia mais ingessada de relacionamento. E eu só percebi isso com a conversa daquele episódio. Certa versão eia que eu vivia numa sociedade que tinha outro paradigma, era uma vida totalmente focada para a comunidade. Ali, se apaixonar pela primeira vez, não era sinal para começar as relações afetivos sexuais. Sim, o momento em que entrávamos na escola dos relacionamentos naquela comunidade. No sonho, você e a Lichandre eram meus mestres. Enquanto ele trazia aulas e vivências, você fazia perguntas. Perguntas a serem respondidas com os pares que as anciãs daquele lugar escolhiam para cada um dos recém apaixonados. Não era uma formação de casais. Era mais uma parceria de estudos para treinar a comunicação da vida relacional. O sonho tinha muitos acontecimentos outros, muito aprendizado, mas acordei com essa sensação incrível de conexão com o impacto que vocês têm quando se riunem. Depois do sonho e do curso, chegou minha vez de sentir na pele, no coração e no tutano do oso, como olhar de vocês melhor o mundo. E eu quero agradecer que você tenha tomado seu tempo em contrário esse lugar de estar partilhando o microfone com ele conosco. Hoje, vi uma postagem da Dani do vídeo da Brahmovic e que senti que a palavra ganhou forma e que saiu pela ponta dos dedos na sua direção. Essa é uma das intervenções artísticas que mais mexem comigo, senti que mais uma vez você colocou o luz no caminho de volta para casa. Enfim, já tendo atingido duas vezes o limite das palavras que eu poderia nos quadradinhas do Instagram, eu quero mesmo dizer que bom te ouvir obrigada pelo carinho cuidadoso de vocês por trazer luz aos espaços abertos e mapear as fronteiras também. Isso vai resolar por muitos anos em mim. Obrigada. Nossa, eu fiquei muito emocionado quando lhe essa carta foi pra mensagem privada da Dani e eu fiquei muito convido com isso e quero te agradecer muito de Atriz porque quando a gente cria uma coisa nova do mundo, a gente precisa da comunidade pra validar a intensidade com que essa criação interfere na vida do outro. A gente não sabe. A gente joga isso como uma semente e é a comunidade que vai dizer se floreceu, se fez sentido. O diálogo é assim. O diálogo ele é feito. A gente falou disso no episódio anterior do jardim do diálogo. A gente lança uma proposta e é o outro que vai dizer o sentido que ela teve ou não. E tudo bem, o diálogo continua. Então eu quero agradecer mensamente por você ter sido tão generosa de devolver pra gente a sua impressão sobre o sentido das nossas palavras. E é interessante. Vou só situar vocês porque ela tá falando de um evento mais específico. É interessante receber essa carta depois desse compartilhamento de rede social que eu fiz que foi de uma performance d'artista marina, a Bra Movic, que é uma pessoa muito especial pra mim, assim, me conecto muito com a proposta, com as propostas que ela traz com a arte dela pro mundo. E ela tá falando de um vídeo, de uma performance que ela fez em Nova York, nesse caso, que se chama "Artista está presente" e ela sentava na frente de cada uma das pessoas que quiseres participar dessa performance pra olhar incilêncio pra essas pessoas por um minuto.
E fazendo essa performance, ela foi surpreendida pela chegada de um ex-marido que foi o parceiro dela artístico durante muitos anos e que fazia muitos anos que eles não se encontravam. E eles sentaram na frente um do outro, um silêncio, se olhando nos olhos, e é muito impactante esse momento, esse vídeo. Os dois, ela disse, ali eu tive uma possibilidade de revisitar a minha história inteira, naquele encontro, naquele olhar, nesse estado de presença profundo. Foi o único encontro em que ela tocou o outro, eles cederam as mãos, eles choraram, é muito forte, muito bonito. Foi depois desse do contato com esse vídeo que ela decide escrever e eu acho que mais uma vez a gente está falando do encontro com o outro, não necessariamente só com as palavras que ele envolve, mas o que acontece quando a gente se coloca nesse estado de presença, para escutar o outro, com o nosso corpo todo, com o nosso olhar, como isso é profundo. E aqui, eu acho que o que a gente faz aqui é um estado de presença muito profundo com a história do outro. A gente leia a carta, conversa sobre ela, antes da gente gravar o podcast, a gente se conecta com a história da pessoa, a gente fica um tempo que só eu e você preparando do cenário, mas na verdade a gente está se colocando nesse estado de presença com a história. Como se a gente tivesse olhos nos olhos corpinteiros com a pessoa, eu acho muito bonito pensar que a gente pode fazer isso, inclusive com a voz, que a voz é um dos sentidos nossos, uma das expressões nossas, da presente aqui, para as pessoas poder sentir a verdade dessa conexão. Eu fiquei com vontade de começar a falar dessa carta a partir dessa frase, quando ela diz, "desde que você foi dola da minha liberdade", ela escreve isso para mim e eu achei isso tão bonito e tão importante da gente trazer pra conversa, porque eu não sei se as pessoas todas vão estar familiarizadas com esse termo, mas para nós ele faz parte bastante da nossa experiência do mundo de nascimento, a gente trabalhou durante muito tempo, eu trabalhei durante muito tempo com mulheres vivendo uma fase perinatal do ciclo, de vida da família e da vida delas, e isso significa que eu trabalhei com grupos terapêuticos de gravidas, de casais gravidos, de poés, de preparação para o parto e de posparto, e de humanização do parto, de luta pelos direitos das mulheres a um parto, com protagonismo, com dignidade, com respeito, com que elas pudessem viver da forma como fosse mais significativa para elas, e não serem invadidas pela medicalização desnecessária do parto, e nesse processo todo a dola é uma figura muito essencial, tem uma dola no parto significa ter o suporte emocional de outra mulher, suporte físico e emocional de alguém, que fique ao seu lado te ajudando a fazer uma travessia muitas vezes muito desafiadora, e é interessante que existem muitos estudos científicos, e evidência científicas de que a dola é uma figura que melhora todos os desfechos do parto, então quer dizer, só ter uma pessoa te dando suporte contínuo, que te ajude, te de amar no momento que você sente, que você não vai conseguir, que você sente medo, que você sente dor, que você sente dúvida sobre si mesmo, sobre a própria força, você tem uma pessoa te dizendo, inclusive com olhar com as mãos, com o corpo todo, eu todo seu lado, você consegue fazer essa jornada, e eu todo seu lado e a gente vai atravessar juntos, isso faz toda a diferença, então ela trazer essa palavra para falar de uma intervenção de dois terapêutas, de uma terapêuta, eu acho tão simbólico, porque eu acho que muitas vezes sim nós somos dola de processos das pessoas, nós estamos ali, com a nossa presença, oferecer esse suporte continuado, que às vezes é longo, às vezes é um processo demora, e a gente está ali com uma confiança profunda de que a pessoa consegue parir, aquilo que ela precisa parir na forma de uma transformação de si mesma, de uma transição de vida, de uma travessia, de um processo desafiador, de um luto, ela precisa parir uma nova forma de estar no mundo, para além da dor, atravessando processos dolorosos, e se encontrando com a própria força do outro lado, eu acho que sim muitas vezes a nossa função é dolar processos assim, e não só de nascimento físico, sim não só de parto de um bebê, a gente pare tantas coisas na vida, e a que biatri está dizendo que ela pariu essa liberdade como uma filha legítima, como uma filha legítima que merece ocupar um lugar na vida dela, que merece ser reconhecida e cuidada pelo novo casal, pela nova configuração familiar, que ela não vai abrir mão dessa filha para pertencer a uma nova relação. Essa metáfora que veio da Beatriz e que você está lindamente ampliando, ela me faz pensar em muita coisa amor, porque qual é a nossa dificuldade aprendida culturalmente para aceitar que diante de dores lancinantes a gente pode ser doulado, porque a dolo aparece numa cena em que a mulher se desfigura, ela está vivendo uma situação tão intensa e tão imensa, que é como se somente ali se justificasse essa figura extraordinária, mas eu acho que essa pretensão de que a gente precisa de uma grande dores, só em dores imensas, justificaria a presença de uma dola na vida, me parece uma premissa individualista, me parece uma premissa, dessa distorção da palavra resilência que a gente tem vivido na sociedade contemporânea, como se a resilência fosse um atributo individual e não aprendido no coletivo e não suportado a partir de um coletivo. Então eu acho que a produção de espaços humanos em que diante de qualquer dor a gente possa receber uma dola. Toda ansiedade merece uma dola. Toda dor manda merece uma dola. A gente amplia essa perspectiva de dola para um suporte comunitário que não está ali para necessariamente dizer o que a pessoa tem que fazer. Às vezes as pessoas acham que ajudar a contribuir com um processo de um outro é resolver por ela ou apontar o caminho que ela deve seguir. Isso gera tanto afastamento, tanta distância, tantas barreiras entre a gente e o outro, porque eu pensei agora, por exemplo, em processo de luto, quantas vezes a gente não escuta pessoas dizendo assim, "Ah, eu não vou estar perto, porque eu não sei o que dizer, eu não sei como ajudar o outro, eu não sei como ser útil, eu não tenho a palavra certa, e não é sobre isso, né? Não é sobre isso. Isso que você falou é muito importante, porque eu tinha falado antes de como ter a pauta, às vezes pode estar nesse lugar, mas não é só um profissional, uma pessoa conformação e não é o ter a pauta que tem que estar nesse lugar. De dou-la, processos de nascimento, de outras fases da nossa vida, né? Eu fiquei lembrando agora de um processo terapêutico que eu vivi com uma pessoa querida, que já tinha participado, inclusive do universo da humanização. É todo um universo, gente, a gente está indo, por exemplo, na semana que vem para o se aparto, que é um congresso de humanização do nascimento, que. que participou das maiores reflexões e transformações sobre essa cena da humanização do Parto nos últimos anos. Então, tem muita gente pensando dessas questões e essa pessoa tinha vivido um Parto Super Transformador, com uma dola, que foi uma figura importante para a experiência dela e ela estava vivendo um outro processo de vida em que ela se via depois de um espiritual, uma depois de uma experiência traumática, se sentindo paralisada para fazer algumas coisas que ela desejava fazer. Toda vez que ela tentava e não conseguia, ela se sentia muito fracassada. Ela começou a ter dificuldade de trazer isso para ter a pia, porque ela se sentia indivívida até com a terapia, assim, não estou conseguindo fazer nenhum movimento. Quando eu vou fazer eu não consigo. E se sentia fracassada porque sentia que precisava fazer isso sozinho e precisava dar conta disso sozinho. E aí a gente começou a trabalhar isso e eu falei com ela da mesma forma com a pessoa que assistiu o seu Parto, que fez uma pergunta, quem você quer escolher para ser a sua dola? Diante de tudo isso que você está me dizendo que você acha que pode ser complicado, assim, com quem você se vincula como alguém que você queira que teja do seu lado nesse momento. E aí a gente começou a trabalhar essa possibilidade, assim, dela escolher alguém que ela achava que desce para ela e se nível de segurança emocional para dar a mão nesse momento que ela paralisa e fazerem juntas esse passo. Assim eu até falei para ela que isso existe até na psicologia, né? A gente tem os acompanhantes terapêuticos. Isso. Quer contar um pouquinho? É, os acompanhantes terapêuticos são figuras importantíssimas na história da psicologia que vem crescendo nas últimas décadas e são um rompimento da quarta parede do consultório, né? Porque a psicologia nasceu com essa ideia do paciente vir até o terapêuta, né? E aos poucos a gente foi ocupando a cidade, foi ocupando o hospital, a escola, sendo comunitário, as ruas, né? Então, qualquer lugar onde a gente falando das suas questões pode estar um psicólogo conversando. E o acompanhante terapêutico, ele entra na casa da pessoa, ele entra na vida da pessoa para apoiar em algum processo de ficilmo de reabilitação para a vida, né? Por exemplo, uma pessoa que pode estar incapacitada por um pânico de avião, né? E ela não consegue chegar ao aeroporto. O acompanhante terapêutico pode fazer com ela essa viagem toda, inclusive pode entrar no avião, mas aí a pessoa vai ter que para a passagem, mas ele pode fazer esse processo aí, né? Às vezes é uma pessoa que tá depois de uma incidente, né? Com a dificuldade de se se se segura na rua, né? De caminhar com alguma ordem, o acompanhante terapêutico tá lá com ela, ajudando ela a rehabitar o mundo nessa nova dimensão do corpo dela, né? Enquanto a gente vai caminhando com a pessoa, fazendo o caminho de volta à vida, a terapia vai acontecendo, né? Por isso que é um acompanhante, é um ambiente, né? A gente caminha junto com a pessoa. Sim, é na educação, né? Desde que as escolas assumiram, né? Que a gente assumiu, inclusive, como uma afirmação política, que a escola é um espaço de inclusão de todas as crianças e adolescentes, tem muitas neurodivergências que tão incluídas na escola e que podem ser super beneficiadas, né? Tem muito um acompanhante terapêutico dentro da escola, mediando esses processos, sem fim. Eu acho que é uma ideia que nos ajuda a questionar essa sensação muito, muito entranhada na nossa cultura de que depois de adultos a gente tem que tá pronto, né? Nós que está prontos como adultos para resolver sozinhos as nossas questões, senão nós estamos falhando em termos nos desenvolvidos em tudo que a gente precisava para dar conta da vida adulta. E não é verdade, né? A gente aprende a vida toda. E eu acho que quando ela traz no segundo momento da carta o sonho, né? O sonho com uma comunidade que vivia outro ígima em que a gente tinha uma escola para aprender a se relacionar, eu acho que ela tá falando de uma utopia tão bonita, né? Como seria a vida se a gente pudesse ter essa ideia muito generalizada, é de que tá tudo bem a gente estar vivendo em processo de aprender a viver, né? Que a gente não precisa estar pronto para começar a se relacionar, que a gente não precisa saber tudo, senão a gente já tem vergonha de dizer para o outro, que a gente tá com essa dificuldade, né? E se a gente puder ter um espaço que não que escolar, né? Um espaço de aprendizado coletivo, que não seja só sobre conteúdo cognitivo, mas um espaço para aprender competências funcionais para aprender a dialogar, para aprender a se resolver conflito, né? Isso ainda tá tão longe da realidade de quase todas as escolas, apesar de que tem escolas que tão abraçando, né? Isso como tarefa. Vamos junto com as crianças, aprender a resolução de conflito, aprender competência só para os seus sinais. Eu quero seguir o fluxo da sua fala, mor pensando e abrindo aqui esse, esse pensamento meu publicamente, que é vejo que interessante isso, a Beatriz disse que a Dani foi a dola da liberdade dela, liberdade é uma palavra que tem sido utilizada de uma maneira distorcida como uma palavra sequestrada mesmo nesse tempo estranho que a gente tem vivido, como uma atitude individualista, né? E ela tá dizendo assim por você me abraçar, por você me fazer pertencer ao seu sonho de cuidado, eu me sinto mais livre, o sonho dela é como uma comunidade construindo pertencimento, aprendizagem e ensinagem para liberdade. Então eu acho que o que a Beatriz tá nos dizendo nessa carta é muito poderoso gente, a ideia de liberdade ela é parida numa comunidade. Quanto mais suporte social, quanto mais ampar o social você recebe, mais você se sente livre para ser você mesmo, mais você se sente livre para exercitar os seus donos para expressar no mundo o que você não tem de melhor, mas o que saio, o que é possível, quanto mais suporte social, mais você tem um paro e se sente livre para voltar, reparar relações, acreditar e ter esperança de que os seus erros não vão ser fraturas e remediáveis nas relações. Então a comunidade é um nascedoro da liberdade, não só para eu, eu ir e produzir uma vida fora dessa comunidade, mas para se sentir aprendiz desse vai-vém de nutrição, de reparação, de construção coletiva, então eu acho portantíssimo isso dessa carta, isso para mim é a coisa mais brilhante que a Beatriz escreveu para a gente, a comunidade rima com liberdade e a liberdade rima com comunidade e não com individualismo. De fato nem a palavra rima, a palavra tão feia que não rima com nada. Talvez foi doísmo, qualquer coisa assim, mas para mim é isso e a minha gratidão a Beatriz é por ter costurado nessa carta, esse entendimento tão profundo sobre as relações humanas. Nossa, saindo os ismos prazades, isso. Que coisa linda é isso que você falou da comunidade, como nascedoro da liberdade e talvez esse seja um processo que precise dessa dolagem porque tem uma sabedoria fina, nisso, que é para as nossas liberdade, significa a gente entender que a gente vai precisar ter força para bancar, ser a gente mesmo. Porque junto com a liberdade não é um almoço grátis, junto com ela vem uma pressão social, porque a gente está fazendo um caminho à margem daquele caminho expectativo daquele caminho do status quo, que já estava lá pavimentado para que você veja desbravar aqui pelo meio do mato e fazer um caminho. para os seus próprios pés para chegar em um outro lugar.
Então eu acho que a liberdade às vezes vem mesmo junto com uma solidão. Então talvez por isso seja tão importante a gente buscar pessoas que nos validaem nesse direito de tomar a caneta da história da própria vida e ser a dona da história, igual o filme. Assim, eu sou a dona da história. Então, se a história está indo por aqui e não me serve, eu posso reescrever a qualquer momento. Eu sou a dona da história, eu tenho a caneta da minha história e eu banco o Onos e o Bonos de ser o mesmo nessa vida, de construir uma relação que me caiba, que tem a minha cara, que tem a nossa cara, porque relação é o espaço de fazer isso em acordo com o outro. Assim, combinar com o outro, aonde cabe nós dois, nessa convergência de mundos. Eu acho que para a gente terminar, a gente pode deixar uma pergunta para cada ouvinte poder se responder. Quais são as pessoas na minha comunidade que podem ser dolas da minha liberdade? Essas pessoas podem estar afastadas pela correria da vida, elas podem estar inativas, mas vale a pena eu reconectar essa história e dizer para essas pessoas a função que elas já tiveram, renavar a vida a partir desse paradigma. Quais são os olhários que eu recebo? E as pessoas que quando me venham, eu sinto que eu tenho força. Eu me sinto ali potente para dar conta dos meus desafios. E eu acho que em momentos que você chamou de nascedoros, em momentos de nascimento, em que eu me sinto tão vulnerável e às vezes duvido da minha própria capacidade de parir o que eu preciso parir, também se dá o direito de ser afastadas pessoas que fazem o papel contrário. Quais são as pessoas que quando conversam comigo, quando eu me sinto visto por elas, me fazem sentir que eu não du conta, que eu não sou bom o suficiente, que eu não tenho a força necessária para parir. Quais são as pessoas que dizem assim, para que você está passando por isso? Vamos fazer uma cesária. Para que você está dando conta disso, vamos aqui que é mais fácil, que é uma mensagem de você não tem as condições de dar conta do que você quer escolher para a própria vida. Se afastar dessa sensação, se aproximar de pessoas que te potencializam, que te fazem tomar, se apropriar da sua força e dar conta dos seus processos. Nossa, que lindo amor. Obrigado por mais um episódio. Obrigado, hein? Em que você potencializa a beleza desse podcast. Para você que está aí com a gente, a 126 semanas, a duas semanas, a umas semanas, a 10 semanas, compartilhe esse episódio, coloque-lo no estórdio, sem Instagram, distribui no WhatsApp, nos grupos que você acha que tem pessoas que vão se beneficiar por essa conversa sobre liberdade, a partir da comunidade. A gente espera vocês, na semana que vem com mais um episódio, do cartas de um casal de trapiltas. Um beijo e até lá. Beijo, até lá, gente. [Música] [Música] Este podcast é produzido por Abracie.digital, edição de Samuel Gambini, artes de neis soares costas, produção executiva de Thiago Queroze, Hugo Benchmall, apresentação, roteiro e seleção das cartas por mim, Alexandre Coimbra-Maral. E você que me escuta é a audiência, que é o motivo desse podcast de si e a vontade dele continuar acontecendo todas as semanas. Muito obrigado. [Música]
Podcast Summary
Key Points:
Alexandre e Dani retomam o podcast após uma pausa técnica e lidam com a voz afetada por um vírus, pedindo compreensão dos ouvintes.
Eles comentam o retorno de uma carta da ouvinte Beatriz, que relata o impacto do episódio 123 em sua vida, especialmente a metáfora da "dola da liberdade".
Beatriz descreve um sonho com uma comunidade utópica onde relacionamentos eram ensinados coletivamente, destacando a importância do suporte comunitário.
O episódio aborda o papel da doula como suporte emocional em partos e amplia esse conceito para outras dores e processos de vida, incluindo lutos e transições.
Eles discutem a importância do acompanhamento terapêutico (AT) como ferramenta para reabilitar pessoas em contextos diversos, como escola e cidade.
A conversa critica a ideia individualista de resiliência e defende que a liberdade é construída em comunidade, com amparo social e pertencimento.
Summary:
Neste episódio, Alexandre e Dani retomam o podcast após uma semana de pausa técnica, com Alexandre com a voz rouca devido a um vírus, pedindo tolerância dos ouvintes. Eles decidem comentar o retorno de uma carta da ouvinte Beatriz, que havia sido tema do episódio 123. Beatriz escreve emocionada, agradecendo o impacto da conversa e relatando transformações internas profundas.
Ela usa a metáfora da "dola da liberdade" para descrever como Dani a ajudou a criar espaço para sua própria autonomia, mesmo sem mudanças físicas em sua casa. Beatriz também compartilha um sonho com uma comunidade utópica, onde relacionamentos eram aprendidos coletivamente, com anciãs escolhendo pares para treinar comunicação e vida relacional. Alexandre e Dani ampliam essa reflexão, discutindo o papel da doula como suporte emocional em partos e como essa figura pode ser estendida a outras dores da vida, como lutos e transições.
Eles criticam a visão individualista de resiliência e destacam a importância do acompanhamento terapêutico (AT) como prática que rompe os muros do consultório, caminhando com a pessoa em sua realidade. A liberdade, concluem, não é um ato solitário, mas algo "parido" em comunidade, com amparo social e pertencimento. A carta de Beatriz é vista como validação do formato pioneiro do podcast, que usa histórias reais para costurar comentários e criar uma comunidade de cuidado e transformação.
FAQs
Uma doula é uma pessoa que oferece suporte emocional, físico e informativo contínuo a outra pessoa durante processos desafiadores, como o parto. Estudos mostram que a presença de uma doula melhora os desfechos do parto, proporcionando confiança e amparo.
A doula, na psicologia, amplia-se como um suporte comunitário para qualquer dor ou transição, não apenas o nascimento. O acompanhante terapêutico é um profissional que caminha com a pessoa em seu ambiente, ajudando-a a reabilitar a vida, como enfrentar medos ou se adaptar a novas condições.
A carta de Beatriz sugere que a liberdade não é individualista, mas nasce do suporte social e do pertencimento. Quanto mais amparo e acolhimento coletivo, mais a pessoa se sente livre para ser quem é e expressar sua autenticidade.
É um podcast pioneiro no Brasil que lê e comenta cartas de ouvintes sobre suas histórias de vida, com rigor ético, modificando nomes e detalhes para preservar identidades. O objetivo é criar uma comunidade de pertencimento e tratamento das histórias, validando um formato de intervenção pública.
O episódio destaca que a presença profunda, como na performance 'A Artista Está Presente', de Marina Abramović, permite revisitar histórias e conectar-se com o outro. No podcast, a leitura e conversa sobre cartas criam um estado de presença que acolhe e transforma, sem necessidade de palavras perfeitas.
A resiliência é aprendida e sustentada no coletivo, não é um atributo individual. A ideia de que só grandes dores justificam suporte é uma premissa individualista; toda dor e ansiedade merecem uma 'doula' ou amparo comunitário, sem que isso signifique resolver a vida do outro.
Chat with AI
Loading...
Pro features
Go deeper with this episode
Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.