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#125 - Cultivando o jardim do diálogo

44m 28s

#125 - Cultivando o jardim do diálogo

Neste episódio do Cartas de Interapelta, Alexandre e Dani discutem a essência do diálogo e sua relevância nas relações humanas, especialmente entre casais. Eles começam refletindo sobre o feedback do público, que se surpreendeu com a naturalidade e abertura com que conversam publicamente, mesmo sendo um casal de terapeutas. Dani sugere que o diálogo público e não roteirizado convida à vulnerabilidade e ao inesperado, enquanto Alexandre ressalta a importância da presença e da curiosidade infinita pelas pessoas. A conversa evolui para uma metáfora poderosa: o diálogo como um jardim a ser cultivado. Alexandre propõe quatro atitudes: preparar o solo (criar tempo e disposição), semear palavras abertas, regar com insistência (persistir mesmo em conflitos) e colher frutos como pertencimento e redução de conflitos. Dani complementa com sua experiência pessoal de reflorestamento em casa, destacando a necessidade de aprender com as plantas e de ter um solo permeável, como uma esponja, para reter o que o outro oferece. Ela critica a superficialidade das trocas contemporâneas, como as conversas no WhatsApp, que muitas vezes não nutrem. Por fim, eles conectam o diálogo à ansiedade, apontando que a pressa e a expectativa de resultados imediatos impedem a profundidade e a elaboração necessárias para que o encontro gere sentido. O episódio termina com um insight de Alexandre sobre a importância de aceitar o tempo lento do diálogo.

Transcription

5081 Words, 28087 Characters

Portuguese
Olá, que é o Chande. Eu estou muito feliz em apresentar essa temporada do Cartas de Interapelta, que fala especialmente sobre relacionamento amoroso. Vamos explorar os temas que levam os casais a terapia com a nossa parceira já de Lungadata Vatim, uma marca brasileira, pioneira no ramo de perfumaria de ambientes e inspirada na biodiversidade do nosso país. Nessa primavera, a Avatim nos convida celebrar a beleza de florecer através da fragância Iris Rosé, que unido a sura, sensibilidade e frescor em uma fragância feminina e versátil como a estação das flores. Aproveite para viver a primavera por inteiro. Nessa temporada, você que é o 20 do Cartas de Interapelta, ao usar o cupom Cartas Avatim no site avatim.com.br ganham, além de 15% de desconto em qualquer produto, também o livro Cartas de Interapelta para seus momentos de crise, o meu primeiro livro que eu lancei lá em 2020, enquanto durarem os stocks. Então, minha gente, o cupom é Cartas Avatim, tudo junto para você entrar e aproveitar essa promoção. Garanta sua experiência, Avatim, em uma das lojas espalhadas pelo país, eu através do site avatim.com.br. Avatim, seu refúgio de boas sensações. As Cartas são a escrita que a alma faz sem rodeios para as perguntas que nos inquietam para aquilo que nos atravessa, para a vida que tem urgência incertida. Em palavras faladas, as Cartas são o sopro que nos conecta por um instante. Abre esse enveloppe, ele é para você, eu sou Alexandre Coimbra-Maral e vai começar mais um episódio do Cartas de Interapelta. Olá, minha gente querida, que bom, estamos de volta com mais um episódio do Cartas, o Cartas de Interapelta, que é alegria a gente estar recolhendo nesses tempos. São poucas semanas, eu acho que hoje a gente está completando um mês dessa nova temporada do podcast, mas em poucas semanas a quantidade de afeto que a gente recebeu em todos os canais possíveis, nos Instagrams, meu e da Dan e nos e meios que vocês já estão mandando com cartas para a gente, antes das cartas comentando sobre o que vocês já estão sentindo sobre essa temporada conjunta, muito lendo, sem WhatsApp e amigos comentando em WhatsApp, pessoas que encontram com a gente e mandam ideias e comentam o que essa entrada da Dan e transformou na experiência da participação de vocês com o podcast, da relação de vocês com o podcast. E por isso mesmo, por conta dessa enormidade de manifestações que a gente recebeu até aqui nessas três semanas, eu fiquei com uma vontade da gente parar que hoje não para ler uma carta específica, semana que vem a gente continua nessa toada das cartas, mas muitas pessoas, Dan, comentaram sobre o fato da gente estar em diálogo. Eu não sei se elas estavam comentando o fato de nós sermos um casal e estarmos em diálogo. Se o que mais chama atenção é o fato de nós dois termos a mesma profissão e também sermos terapeltos de casal, que também é uma segunda camada de eccentricidade da nossa identidade e ainda assim conseguimos conversar, mas teve muita gente conversando sobre o diálogo que a gente teve. Então eu quero separar essa nossa conversa hoje para a gente fazer uma meta linguagem, uma conversa sobre o diálogo, uma conversa sobre a impressão das pessoas sobre a conversa. O que você acha? Quais são as suas hipóteses? Para isso aparecer tanto nas comunicações das pessoas conosco de três semanas para cá? Rapaz! Boa pergunta, né? Eu acho que tem a história de sermos um casal também. Uma coisa que eu fiquei pensando, a gente até chegou a conversar depois de gravar alguns episódios é que um casal conversando é um evento muito privado. Assim as pessoas sempre que existe um terceiro não é a mesma conversa. Então eu acho que uma parte dessa história é a gente se disponibilizar a fazer isso de forma pública e não pronta. Assim de alguma maneira a gente tá aqui colocando, colocando com muita abertura o nosso processo, a gente tá se colocando em processo de forma pública. Eu acho que existe muito uma ideia de que a gente tem que chegar nas conversas, saber o que vai dizer, mas ainda se são dois terapêutas querendo conversar sobre algum tema publicamente. Então eu acho que quando a gente se coloca em processo e vai construindo em voz alta as nossas ideias e permitindo que as nossas ideias sejam transformadas pelo encontro com as do outro. Então quando eu me afeto pelo que você me diz, me afeto me transformo, me sinto curiosa, quer entender mais e existe uma abertura para que o que você me diz me toque, transforme o que eu vou dizer. Eu não espero você terminar de dizer para que eu continue o meu ponto. Quando a gente abre para fazer isso juntos a gente se lança numa aventura, no risco da aquilo que a gente não controla, que é de que forma eu vou me colocar depois que eu entrar em contato com o que você está me dizendo. Eu acho que tem um convite do que é incontrolável, do que é inesperado, do que é. é mais bonito do encontro. Eu me sinto assim, em qualquer tipo de diálogo, na verdade, quando eu encontro com as pessoas que eu atendo, eu gosto muito disso do diálogo de você não precisar ter um roteiro. Você tem um convite e depois que você dá as mãos para a pessoa com quem você está dialogando, você não sabe onde vocês vão juntos. É uma surpresa, mas eu tenho uma confiança muito profunda nesse processo, que eu acho que foi se construindo quanto mais diálogos foram acontecendo e dos quais eu fui participando. Essa confiança no processo é uma coisa que eu sempre te disse que eu acho que você tem porque você tem uma capacidade que eu acho muito diferente de muita gente que eu conheço, uma capacidade de estar presente em contro. Quando você está com outra, você está ali com ele e você tem tudo o seu exposição ali. Você escuta com um corpenteiro. Essa sensação que eu tenho com você e que eu acho que as pessoas têm com você. E eu acho que essa sua capacidade faz com que você não tema o diálogo, sabe? Porque o que o diálogo precisa para ele acontecer você já oferta para ele, que é essa qualidade de presença. Eu acho que eu me envolvo com o diálogo também por aí, mas eu acho que no meu caso o diálogo é tão importante na vida. porque eu tenho uma curiosidade infinita pelas pessoas. Então, eu acho que o que me convoca no diálogo é essa vontade que eu tenho muito impactante dentro de mim e que se refunda a cada momento, a cada fase, de querer estar e descobrir e entender e inventar junto com as pessoas. Então, de qualquer maneira, qualquer que seja a nossa impressão primeira que nos leva a estar presentes no diálogo, o que acontece de fato é que existe uma coerência muito grande entre o que a gente gosta de fazer e o que a gente faça. Então, isso é uma coisa que eu fiquei pensando como hipótese, porque o que será que tão estranho que pode ter nesses dois de gostar tanto de fazer isso, que é uma sobreposição dessas funções profissionais e conjugais que não se cançam e que se atualizam aqui nesse momento em mais uma versão dessa sobreposição através desse debate público no podcast. Então, eu fiquei com a hipótese que a pergunta era um pouco sobre isso, sabe? Como é que eles fazem para sobreviver com essa curiosidade? Mantém essa curiosidade acesa. Eu posso dizer por mim, se eu acho que você é uma pessoa que tem tantas dimensões novas acontecendo, tem todo, tem tantas reflexões sua sobre a vida que estão pulsando novas dentro de você, que eu sei que quando eu me encontrar com você eu vou escutar uma coisa que eu não escutei ontem que passa pelo que você está pensando hoje e pelas transformações da sua visão de mundo que estão rolando e que a gente ainda não teve a oportunidade de conversar. Então, como eu sei que você funciona assim e eu acho uma delícia poder acompanhar isso e poder curtir isso como uma experiência dialogica? Mas eu também quero abordar o diálogo para uma faceta mais genérica que é esse lugar de uma semeadura da palavra. A palavra é muito do que a gente tem, ou apenas o que a gente tem, ou tudo que a gente tem para construir convivência, cidadania, sonho, projeto, memória e o diálogo é como se fosse a estrada onde essa palavra vai caminhar. E eu nesse final de semana, eu fiz uma palestra sobre o título onde comece o diálogo. Foi o título que eles me sugereu. E eu fiquei imaginando essa gênese e essa ideia de gênese me conectou muito com algo que está acontecendo na nossa vida que tem a ver com o reflorestamento da nossa casa, das plantas da nossa casa. Pra quem não está por dentro dessa palavra reflorestamento, ela não é uma palavra distrata, no nosso caso ela é muito concreta. A Dani começou a fazer um curso de agro floresta, depois um de jardim. A agrocológico. E ela começou a fazer um monte de aquisições para a nossa casa. É um processo de regeneração, acho que é um processo de regeneração do solo, da vida, da água, e isso aconteceu gente de três meses para cá. Houve uma transformação muito profunda nos jardins da nossa casa. As flores estão incríveis, as verdes, as novas mudas, brotando para todo lado, uma coisa muito bonita. E eu estou sentindo esse momento de uma forma quase de reenvenção da minha própria forma de estar dentro da casa. Então, quando eu viagem, como eu estou viajando muito, eu estou levando essa nova casa dentro de mim, e na hora que eu fui fazer essa palestra, eu resolvi fazer uma metáfora com essa experiência agro florestal e coloquei o diálogo como um jardim que a gente precisa cultivar. Então, eu imaginei quatro atitudes que a gente precisa ter com o diálogo. A primeira preparar o solo, que quer dizer criar tempo e disposição para o diálogo, a segunda, semi-a, avras abertas que constram perspectivas de encontro e que não feche, que não sejam definitivas. A terceira atitude para a gente regar o jardim do diálogo é insistir numa rega. A rega do diálogo é essa insistência, na permanência do diálogo. Nóra em que a gente, sei lá, dá uma pirada, começa gritava, bora, chinga, cota e volta, insiste, rega o jardim do diálogo, cuida das diferenças, realinha arquitetura do diálogo. Até a gente poder fazendo essas coisas, nessa caminhada, nesse jardim de um tempo muito lento, já logamos já de tempo lento, a gente poder colher. E eu acho que os frutos do diálogo são pertencimentos, redução de conflitos e vim com os mais fortes. Mesmo que a gente não resolve conflito a gente reduz, porque a gente promove, escuta, reconhecimento, a sensação de legitimidade sendo compartilhada. Então eu fiquei com vontade de discutar como você percebe esse jardim. Esse jardim que você está construindo aqui em casa e o jardim que você constrói nos diálogos aí, vida fora. Eita, que convite massa. Tá bom, mas talvez eu preciso voltar um pouco a fita e contar um pouco como que eu fui me conectando com essa história. A gente comprou essa casa há quatro anos e foi a primeira vez que a gente teve um chão nosso. A gente sempre moro de aluguel e a terra em raizar nesse chão foi um chamado da minha alma, um desejo atávico. E eu comecei a me relacionar com esse jardim assim. Os meninos estavam maiores. Eu tinha uma frase que eu falava sempre enquanto eles eram pequenos, que eram não conseguem cuidar de mais nada. Isso incluía o plano. E o crescimento deles eu acho que me devolvê uma parte grande de energia que eu fui aos poucos me reapropriando dela e encaminhando isso para outras outros sonhos, outros desejos, outros projetos. E o jardim surgiu como uma medicina para mim, que sou uma pessoa muito abessona, muito pensadora, muito racional, que começou uma relação com o mundo muito literária. Comecei a querer ganhar mundo e me apropriado o mundo estudando sobre o mundo. E a partir de um determinado ponto eu fiz uma virada que foi uma decisão de atravessar o mundo por dentro. E o jardim foi uma delas. Eu tomei essa decisão muito consciente de não estudar, de não ler. Eu queria dialogar como jardim. Então eu fiquei pensando nisso que é uma contradição de alguma forma como você estava dizendo que tudo que a gente são as palavras, mas eu acho que os diálogos podem acontecer também sem palavras, porque a gente tem um corpo, a gente tem olhar, a gente tem todos os sentidos a serviço do encontro com o mundo, e quando a gente está, por exemplo, diante de uma planta, né, a gente está em uma espécie de diálogo de outra ordem, né, então eu digo água, ela diz, nem tanto, eu digo, Só ela diz "tá". até o meio dia e a resposta vem em relação. Eu queria muito essa experiência fenomenológica, de aprender em diálogo com as plantas, quem elas eram, como elas gostavam de tal e muito disposta a Amy reorganizando nos meus cuidados a partir do que elas me diziam. E aprender isso brincando, igual quando a gente brinca sem estudar para brincar, a gente aprende na presença. E eu queria viver isso. E aí só agora, enfim, quatro anos depois, eu entrei em contato com isso que me deu vontade de estudar. E aí eu fiquei lembrando agora que eu queria trazer isso, te escutando, que na primeira aula de um curso que eu fiz que é online, super lindo da André Pesek de Jardim agroecológico, ela fala sobre a água e ela diz que a primeira coisa é você convidar a água para habitar o seu jardim. E ela fala, enfim, tem que quem não conhece, vale a pena escutar, porque é uma figura muito diferenciada, assim, olhar sobre o mundo. E quando ela fala sobre a água, ela fala, a gente tem uma relação utilitária de usar a água e depois a água vai embora. E eu me lembrei disso quando você estava falando da analogia que você fez com o diálogo, porque eu acho que tantas vezes é assim. Tantas vezes uma conversa são palavras que vão embora e não ficam, igual a um chão rececado, desertificado, que não tem solo vivo. É você pode regar ele daqui a um hora e ele dá seco, porque não tem nada que retém a água. Então, eu acho que pensar onde a gente ancora a experiência que a gente vive no encontro com o outro, no diálogo que pode ser com palavras, que pode ser com o corpo, que pode ser com olhar, que pode ter tanta coisa que faz parte desse diálogo e dessa troca, mas como eu faço para que isso fique, que essas palavras não passem através de mim e vão embora, porque eu sou como uma terra desertificada. Como um terreno estéreo que não retém nenhuma água que recebe. E aí, a gente vira esse poço de uma cara infinita também, mas o que a gente recebe não fica, é como se a gente não integrasse aquilo que a gente recebe do outro e aquilo que a gente troca com o outro. Eu fiquei com vontade de tentar entender junto com você o que pode ser desenvolvidos por nós como essa vida que recebe a água, que recebe a palavra, que recebe o que o outro entrega. E isso fica e constrói vitalidade, constrói nutrição afetiva, e constrói conexão, novas ideias, novas perguntas. Eu estou pensando no chão do deserto que não deixa a água ficar retida. Ele tem fendas muito profundas, que não chegam a nem sequer molhar direito, o sol, e eu penso que a nossa disponibilidade no encontro é o chão do diálogo. Tá? Nós estamos trocando conversas com muitas pessoas, mas nesse lugar que você está comentando de um lugar que tenha uma experiência de presentificação do diálogo muito impobrecida. Então as palavras vão para a vala comum, elas não ficam. Não tem uma permeabilidade, igual um solo que precisa estar sem me permeável. Ela tem uma expressão que ela repete muito, ela diz, "A gente precisa transformar o solo num esponja, num esponja onde a água fica, onde esse solo tem matéria, orgânica, viva que retém. Uma turana tem uma ideia muito interessante que me repeteu essa ideia da esponja, que ele fala quando ele está falando de autopoyese, ele fala que nós temos na humanidade, quando a gente conversa, a gente tem uma membrana sem me permeável, que nós somos parcialmente influenciados pelo outro. Nós recebemos o que o outro nos diz, mas não entra na nossa pele do jeito que saiu. Porque nós decidimos, e é isso que é autopoyese. Nós decidimos o jeito que nós vamos entrojetar, escutar, até mesmo desprezar o que foi trazido pelo outro. E essa ideia da esponja é isso para ele. É uma membrana sem me permeável a tudo que o outro me entrega, a tudo que eu vivo com o outro. No diálogo do jeito que a gente tem vivido por conta dessa vida, mais acelerada de superficialização dos encontros e das conversas, eu acho que não temos tempo de aprofundar nessa terra do diálogo até chegar no mínimo de entividade para que se produz algum sentido incomum. E eu acho que é isso que tem desertificadas pessoas, que têm deixado as pessoas numa sensação de tanto vazio, de muitas conversas que não nutrem, que não envolvem essa pele com uma coisa nova. Sabem que a gente sinta que sai da conversa com uma experiência renovadora. O vazio contemporâneo para mim tem a ver muito com isso. Com essa infinidade de trocas, por exemplo, quantas pessoas a gente conversa no WhatsApp por dia, com infinidade de trocas, mas quais dessas nutrem? Um quais dessas são uma água que fica e quais se perdem, sabe, nas areias do tempo. Você não acha que a ansiedade tenha a ver com isso também? Assim, porque eu acho que a ansiedade é. ela atravessa de muitas maneiras essa questão. Primeiro, uma ansiedade que aceleram o pensamento, aceleram e joga a nossa atenção lá para frente, para um futuro e rouba a nossa atenção daquilo que a gente está vivendo agora. Eu escuto, mas ao mesmo tempo, eu estou pensando, e ao mesmo tempo, eu estou me preocupando e enquanto isso, aquilo que estou vivendo e aquela conversa vai passando e vai indo embora. Mas eu fiquei pensando também na ansiedade produtivista, que é uma coisa que a gente até falou no episódio passado, quando a gente estava falando de casamento, de performance, de sexo, mas eu acho que ela também está presente na expectativa que as pessoas têm sobre as conversas. Assim, eu tenho que conversar para resolver, e eu tenho que resolver nessa conversa. Eu tenho que ser entendido ou me fazer entender nessa conversa, nessa frase, e quando isso não acontece, eu desisto. Eu me sinto fracassando, ou eu me sinto desconectado do outro porque ele não correspondeu a minha expectativa de que aqui, a gente teria essa produção e esse resultado. Porque eu acho que parte de entender um diálogo com que produz a sentido, é aceitar que existe um tempo para as coisas serem processadas e para a gente elaborar ainda, mas quando são coisas muito importantes para os dois, para um dos dois que está ali em diálogo. O que você acha? Eu acho que faz muito sentido essa história da ansiedade como esvaseadora da importância do diálogo, porque se o diálogo é a sentidade que acontece no presente, ele é o avesso da ansiedade, a ansiedade nos esvazia da presença do diálogo. Então, eu acho que faz muito sentido isso que você está trazendo. É porque se você fala, por exemplo, do jardim como metáfora, a gente entra em diálogo com a terra significa que primeiro, vai existir o tempo, dela se restaurar como o solo vivo. Depois, vai existir o tempo dela se encharcar com a água. E aí, existe o tempo de germinar semente e aí, existe o tempo dessa semente nascer. E até que ela é compro seu caminho de sear, ver o fruto, floro, caminhoso. que for dela, enquanto isso ainda não aconteceu, não significa que a gente fracassou nesse encontro. Da mesma forma onde diálogos pensando, por exemplo, não de álcool de casal, que é a nossa ideia aqui, às vezes você está diante de um outro que traz uma ferida muito profunda e que talvez para vocês chegarem em uma conversa difícil, primeiro vão acontecer conversas que vão restaurar a confiança de que é possível conversar. Depois, a segurança de que eu posso falar das minhas emoções nessa conversa. Depois, a cambolhota ou o salto no escuro de alguma revelação de alguma coisa que nunca foi dita, e a partir daí, então, a ascensão, muitas camadas de uma conversa para a gente ter uma expectativa de que alguma coisa se resolva no tempo que a gente programou para ela se resolver. Nossa, tive aqui um insight, agora, discutando, sabe? Talvez seja um insight bestas, assim, não dessas coisas bestas, como você fala, nossa agora fez sentido, por isso que é bom conversar do gente. A gente tem os insights bestas que fazem sentido, é no meio do diálogo, que assim, o tempo da conversa dentro da terapia de o casal é um tempo lento, é um tempo de resgate dessa disponibilidade para o outro, que está muito machucada, que está muito sangrante, então tem um tempo nessa cadência que a gente convido o casal, que eu acho que já é reparadora por si, fiquei agora pensando que convidar o casal para esse tempo, que é esse tempo de um brantinho, assim, assim, há três mãos, né, o casal e o terapêutas, e é muito singular, né, muito subjetivo, assim, esse tempo, estou pensando aqui, tem casais que eu atendi, que às vezes chegam numa primeira conversa, e aí eles já contam a história toda e a briga, e o que eles estão pensando, e as expectativas com a terapia e fazem uma hora falando sem parar, mas eu, uma vez, tive a experiência de acompanhar um casal, que disse para mim o seguinte, a gente precisa contar para você toda a história, até chegar na cena que levou eles para terapia de casal, então eles fizeram 7 capítulos, foram 7 encontros onde eles foram contando, e igual uma série, assim, eu ficava inclusive igual séria, assim, senos do próximo capítulo, e aí depois de 7 encontros que não foram só relatos, né, eles estavam na verdade entendendo, em que nível eles podiam confiar em mim, pra abrir aquele segredo, eles estavam entendendo, se aquele seria um espaço seguro para eles voltarem em uma ferida e em uma cena que eles nunca tinham conseguido voltar sozinhos, né, e que o casamento dele estava parado naquela cena desde então, mas eles nunca conseguiam falar sobre ela, e depois de 7 conversas eles me ofereceram essa história, assim, depois eu levei 7 encontros para merecer seu espaço onde eles iam compartilhar aquilo, e a gente ia poder cuidar daquilo juntos. Nossa, eu belebrei do Daniel Rios, que é aquele autor da terapia familiar baseada em a perro, que ele fala que a função do terapelta, primeiramente, é ter c até os porões da vergonha, e ficar com o paciente lá dentro desse porão, esperando o tempo, dele dizer o que te levou até aquele porão, ele vai pegar na sua mão e falar assim, olha, tem uma coisa que me dá muita vergonha, que eu não tenho coragem de falar agora, mas fica aqui comigo, não me abandona, fica aqui comigo, e esse tempo que a pessoa, o casal, o família, o grupo precisam para contar essa experiência, lembrei de uma expressão duana do nosso filho Vergonhenta, ele falava assim quando ele era criança, esse é muito vergonhento, é o tempo que a gente leva para abrir essa experiência de ergonhenta, ele é um tempo acompanhado às vezes também de testes, muitos testes, e acho que isso tudo também é semiaduram, sabe, é um tipo de insistência que tá se fazendo nesse jogo do diálogo, eu acredito nisso, mas o que eu tenho para entregar agora é um teste, eu poderia abandonar o campo, mas eu tô aqui presente testando a sua possibilidade de conhecer um pouco mais de mim numa camada mais profunda, eu escuto isso sempre como uma coisa muito boa, pode parecer muito estranho para você que não é dessa área, achar que a gente escuta uma desconfinança do outro como uma coisa boa, mas é porque é uma desconfinança que já está querendo se dissolver como desconfinança, é uma desconfinança que está a caminho de se transformar em confiança, ela já está na metamorfose, porque se a pessoa está ali e ela insiste tem alguma coisa ali nessa semiadura, né, se já temos ali um monte de tempo conversando, e essa é uma das coisas boas de conversar com você, que a conversa vai ganhando camadas, que a gente se surpreende com uma experiência de flow dentro da conversa, assim, a gente não vê o tempo passar, e de repente a gente já fez um monte de percepções novas, sobre o que era supostamente o tempo, então a gente veio conversar sobre nosso jeito de conversar como uma metáfora talvez de um tipo específico de encontro, aí a gente foi pro jardim de álcool, é a pessoa, né, a gente vai falar de diálogo, mas aí você falou do jardim aí, aí, aí me perdino, não, você não se perdeu, você se achou, você se achou, porque você é uma flor, né, você é uma flor, então, você é mais parte do jardim, que eu acho mais lindo desse ato de conversar que a gente fez aqui hoje, é que a gente está falando de forma metafórica, concreta, experiência al profissional, íntima, privada pública, de todas as formas a gente está dizendo assim, da trabalho, é lento, é um jardim de crescimento lento, e é um processo tentativo, gente, se eu sempre falo assim, com até a clínica, a gente não sabe ou não sabe conversar, pra gente se desenvolver nisso, a gente tem que se abrir pra essa história de reparar, assim, de poder tentar errar, dizer, dizer, redeser, e ter abertura pra fazer essa dança juntos assim, porque a gente vai juntos, aí a gente tropeça, e aí a gente dá outra pirueta e aí a gente se encaixa, e eu acho que poder fazer isso é que vai diminuindo até o nosso nível de ansiedade pra poder conversar, e isso vale pra todas as conversas, e principalmente em casal, né, que é uma parceria que tem que lidar com tantas coisas e tantas dimensões da vida, juntos separados se atualizando, se refazendo, né, então não tem como a gente conversar sem errar muitas vezes sempre, e o erro da conversa não é, não quer dizer ter ou não ter razão, mas assim, conseguiu não conseguir comunicar, porque aquilo que você falou no início é muito maravilhoso, né, que a gente, o outro é um outro, né, ele não existe forma de eu entender exatamente, porque cada um de nós é uma experiência diferente, então, se eu não entendo, eu poder perguntar e eu poder explicar de outra forma e fazer outro caminho e usar outro exemplo e escolher outra palavra. É tão importante, né? Sabe muitas coisas que foi mais importante para mim ao longo da vida nas conversas com você, porque teríssimidade você apostava na curiosidade. Você sempre apostou nessa ideia de que tem algo sobre mim, que talvez nem é o mesmo saiba, mas que você se interessa. Então, eu me lembro da gente se novindo, sei lá, antes dos meninos na serem, mais de 20 anos atrás, você me fazia umas perguntas que me desbussolavam, você me deixava sem saber para onde ir para te responder. Mas você ficava esperando. Aí eu respondi uma coisa interessada, não saber se seria um bom rumo para conversar, às vezes se dizia melhor. Às vezes você dizia "é, vamos começar por aqui". Mas de qualquer forma, a gente se varou e li agora, nossa, Erneste, de 50 quilos que insistem participados, pode ter como uma respirante, então ela suspira, tem uns momentos lá, ela deu um suspirão ali agora, só para marcar a presença. Então, é uma delícia poder receber a sua curiosidade há tanto tempo. É uma delícia sempre. E aqui eu chego desse jeito, como visitante desse espaço que é de vocês, que você é um afitrião, então que nada você não é visitante, mas não, precisa ir na raiz negócio. O povo vai você responda aí depois para a dança, ela é visitante, ou que? Não deixar aqui esse "esuspense" para você poder responder para ela no directo de Instagram, no e-mail, onde você quiser se corresponder e a gente faz se despedindo, porque os diálogos não têm necessariamente que tem um fim. Eles podem terminar com a reticência de ser diálogos maravilhosos, inclusive porque, se a gente pensar, essa temporada como um grande diálogo tem mais despedaços dessa conversa que ainda precisam acontecer num total de 15 episódios dessa temporada. Então, quinta que vem, Dan e eu, esperamos você aqui nessa comunidade de dialogantes, de desejosos, curiosos, entrepidos, vorases, agroecológicos, plantadores de conversas, palavras, desejos e sonhos para o mundo. A gente se vê na quinta que vem com mais um cartas de um casal de terapêu. São beijo e até lá. Obrigada, gente, até lá. Este podcast é produzido por Abraça e ponto digital. Edição de Samuel Gambini, artes de neis soares costa, produção executiva de Thiago Queroze e Hugo Benchmall, apresentação, roteiro e seleção das cartas por mim, Alexandre Coimbra-Maral. E você que me escuta é a audiência que é o motivo desse podcast de "Shi" e a vontade dele continuar acontecendo todas as semanas. Muito obrigado.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O episódio aborda a importância do diálogo como ferramenta de conexão e transformação, especialmente em relacionamentos amorosos.
  2. Alexandre e Dani refletem sobre a receptividade do público ao vê-los dialogando publicamente como casal e terapeutas.
  3. A conversa explora a metáfora do jardim
  4. Dani destaca a necessidade de ser como uma "esponja" no diálogo, retendo e integrando o que o outro entrega, em vez de ser um solo desertificado.
  5. A ansiedade é apontada como um obstáculo ao diálogo, pois rouba a presença e cria expectativas de resolução imediata, ignorando o tempo necessário para o processo.

Summary:

Neste episódio do Cartas de Interapelta, Alexandre e Dani discutem a essência do diálogo e sua relevância nas relações humanas, especialmente entre casais. Eles começam refletindo sobre o feedback do público, que se surpreendeu com a naturalidade e abertura com que conversam publicamente, mesmo sendo um casal de terapeutas. Dani sugere que o diálogo público e não roteirizado convida à vulnerabilidade e ao inesperado, enquanto Alexandre ressalta a importância da presença e da curiosidade infinita pelas pessoas.

A conversa evolui para uma metáfora poderosa: o diálogo como um jardim a ser cultivado. Alexandre propõe quatro atitudes: preparar o solo (criar tempo e disposição), semear palavras abertas, regar com insistência (persistir mesmo em conflitos) e colher frutos como pertencimento e redução de conflitos. Dani complementa com sua experiência pessoal de reflorestamento em casa, destacando a necessidade de aprender com as plantas e de ter um solo permeável, como uma esponja, para reter o que o outro oferece.

Ela critica a superficialidade das trocas contemporâneas, como as conversas no WhatsApp, que muitas vezes não nutrem. Por fim, eles conectam o diálogo à ansiedade, apontando que a pressa e a expectativa de resultados imediatos impedem a profundidade e a elaboração necessárias para que o encontro gere sentido. O episódio termina com um insight de Alexandre sobre a importância de aceitar o tempo lento do diálogo.

FAQs

É um podcast apresentado por Alexandre Coimbra-Maral e Dani, que aborda temas sobre relacionamentos amorosos e terapia de casal, com leitura de cartas e diálogos entre os apresentadores.

Usando o cupom 'Cartas Avatim' no site avatim.com.br, você ganha 15% de desconto em qualquer produto e também o livro 'Cartas de Interapelta' de Alexandre, enquanto durarem os estoques.

Eles receberam muitas manifestações de ouvintes comentando sobre o diálogo entre eles, então quiseram fazer uma 'metalinguagem' para conversar sobre a impressão das pessoas e como constroem seus diálogos.

Alexandre compara o diálogo a um jardim que precisa ser cultivado, com quatro atitudes: preparar o solo (criar tempo), semear palavras abertas, regar com insistência e colher os frutos, como pertencimento e redução de conflitos.

A ansiedade acelera o pensamento e rouba a atenção do presente, fazendo com que as palavras não fiquem retidas, como água em solo desertificado, e criando expectativas de resultados imediatos nas conversas.

Significa tornar-se permeável ao que o outro entrega, integrando as trocas para que gerem vitalidade e nutrição afetiva, em vez de deixar as palavras passarem sem ficar, como em um terreno estéril.

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