A carta de Adélia, lida no episódio, narra a história de um casamento de 20 anos que enfrenta uma crise profunda. Ela descreve como o marido, após perder o protagonismo em uma empresa onde trabalhou por 18 anos, entrou em depressão, tornou-se quase alcoolista e passou a depender totalmente dela para cuidados médicos e emocionais. Adélia, que sempre foi o "porto seguro" da família, agora se sente exausta e insatisfeita, especialmente na vida sexual, onde o marido não demonstra interesse ou iniciativa, chegando a presenteá-la com um vibrador como uma espécie de consolo. Aos 50 anos, ela redescobre sua própria potência e desejo, mas encontra um parceiro que parece ter perdido a capacidade de vê-la como mulher. Os terapeutas Alexandre e Chande interpretam essa história à luz das construções sociais de gênero: a mulher que "dá conta de tudo" e o homem cuja identidade está atrelada ao trabalho e ao poder. Eles sugerem que o cansaço de Adélia pode ser um ponto de virada, abrindo espaço para que o marido se reconecte com outras formas de prazer e poder, além da performance profissional. A depressão, nesse sentido, não seria um obstáculo, mas um convite para abandonar a fachada da "família bonitinha" e construir uma relação mais autêntica, onde a vulnerabilidade e a intimidade possam renovar a sexualidade e o vínculo afetivo.
[Música] Olá, que é o Chande. Eu estou muito feliz em apresentar essa temporada do Cartas de Interapelta, que fala especialmente sobre relacionamento amoroso. Vamos explorar os temas que levam os casais a terapia com a nossa parceira, já de longa data, a latinha, uma marca brasileira, pioneira no ramo de perfumaria de ambientes e inspirada na biodiversidade do nosso país. Nessa primavera, a avatina convida celebrar a beleza de florecer através da fragrância Iris Rose, que unido a sura, sensibilidade frescor, em uma fragrância feminina e versátil, como a estação das flores. Aproveite para visir a primavera por inteiro. Nessa temporada, você, que é o 20 do Cartas de Interapelta, ao usar o cupom Cartas Avatim no site avatim.com.br, ganho, além de 15% de desconto em qualquer produto, também o livro Cartas de Interapelta para seus momentos de crise, o meu primeiro livro que eu gansei lá em 2020, enquanto durarem os stocks. Então, minha gente, o cupom é Cartas Avatim, tudo junto, para você entrar e aproveitar essa promoção. Garanta sua experiência avatim em uma das lojas espalhadas pelo país, eu através do site avatim.com.br. Avatim, seu refúgio de boas sensações. As Cartas são a escrita que a alma faz sem rodeios para as perguntas que nos inquietam, para aquilo que nos atravessa, para a vida que tem urgência incertida. Em palavras faladas, as Cartas são o sopro que nos conecta por um instante. Abre-se em velópio, ele é para você, eu sou Alexandre Coimbra-Maral, e vai começar mais um episódio do Cartas de Interapelta. Olá, a minha gente querida, bem vindos, bem vindos, bem vindes a mais um Cartas de um casal de terapeltas. Essa versão, provisoriamente definitiva, definitivamente provisória do Cartas de um terapelta, que a gente não sabe o que vai acontecer com ele depois dessa temporada, mas por enquanto o que nós temos é chande d'ane, sendo chande d'ane terapeltas de casais, conversando sobre histórias de relacionamentos. E aí, amor tudo bem? Tudo ótimo, boa noite, boa noite gente. Bom dia para quem é de bom dia. Boa tarde para quem é de boa tarde, boa noite, boa madrugada. Se você está escutando a gente em qualquer lugar, em qualquer espaço, fica com a gente que tem mais um episódio com uma carta muito, muito, muito incrível que foi escrita por Adélia. D'ane da que a pouquinho vai explicar porque a gente tomou a decisão de chamá-la com esse pseudônio. Chande d'ane queridos. Agradeço a Deus por vocês desistir. Estou casada 20 anos, tem duas filhas adolescentes. Eu e meu marido nos conhecemos no trabalho. Vivíamos feliz e sim harmonia com conquistas, viagens, família bonitinha. Na pandemia, ele precisou fazer uma transição de uma empresa que ele trabalhava 18 anos e era o grande protagonista. Fombac emocional para ele. Finançero menos, é certo que tivemos que nos respiriturar. Mas o pior mesmo foi a questão emocional. De lá para cá, Chande, ele ficou quase um alcoolista e teve um grande azar. Azar ela coloca entre aspas. Descicre colocar num empresa muito tóxica por causa das lideranças, o que acabou de destruí-lo. E eu sempre ali, cuidando para que tudo ficasse bem. Mudou de empresa, mas levou consigo todas as mazelas e traumas adquiridos. Precisaim-me dividir entre as filhas, trabalho, e cuidar dele com médicos, psicólogos, conversas, etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., Peguei pela mão, homem sem nenhuma iniciativa de autocuidado. No psiquiatra foi diagnosticado com depressão e começou a tomar remeus. Nunca mais voltou lá. E eu cansei. Não quero continuar insistindo em cuidar de quem parece que não quer ser cuidado. Fiz 50 anos em 2023 e muita coisa mudou em mim. Sentiu uma necessidade maior de me olhar e de cuidar de mim. Sou uma mulher bonita, chama atenção a onde chego e sobretudo nessa fase do 50, estou em minha melhor performance sexual. Mas ele, na pior fase sexual, não transa. E quando transa, só ele gosa, me deu um vibrador de presente. Ele é um homem bom, inteligente, competente, profissionalmente, responsável no âmbito prático com a família, mas zero cuidado com ele e com a relação com o jugal. Preciso de atenção, amor, pegada, ser chamada de gostosa e não estou tendo isso. A rotina está sufocante. Chande Dane não conseguiria manter uma relação sem ser feliz. Confio muito em vocês, beijos a dele. Muito bem a dele, seja muito bem-vinda a todo mundo que está ouvindo. É uma história que mobiliza muitos afetos em nós, porque ela está falando de questões de uma transição no jeito de se casar e de levar a sexualidade no casamento na sociedade brasileira. Eu já falei disso em alguns episódios do cartas de um terapêuto, mas agora a gente vai ter Dane falando disso. Eu acho que nessa carta, ela fala de muitos dilemas que são transversais, em que são universais nas relações longevas. E eu acho que esse é bacana, a gente pode falar disso através das palavras da dêlia. E eu queria começar dizendo que a gente escolheu a dêlia em um menagem a dêlia prado e vou contar alguns versos de um poema dela que se chama Conlicença Poética, que eu acho que abrem as reflexões que a gente quer propor sobre essa história. Quando nasci um anjo esbelto desses que toca um trombeta, anunciou, vai carregar bandira. Carga muito pesada para mulher, essa espécie ainda envergonhada. Aceito subter fujos que me cabem sem precisar mentir. E na algum, o lineagem, o fundo reino, o dor não é a macura. Minha tristeza não tem pedigree. Já a minha vontade de alegria, sua raiz, vai ao meu mil-avô. Vai ser coxo na vida, é maldição para homem. Mulher é desdobrável. Eu estou. Bom, quando a gente escolha a dêlia para conversar com você, eu me conecto muito com essa ideia de mulher que a gente aprende a ser na nossa cultura. A gente tem uma socialização de gênero tão forte, tão marcante na nossa cultura, onde mulheres ainda aprendem a serem essas que dão conta de tudo, que se desdobram em várias, e ainda são gostosas, e ainda mantém sua alegria, e ainda seguem heretas e sem se deixar bater pelas quedas que a vida dá. E eu acho que essa marca da mulher que dá conta de tudo está tão presente nessa história. Eu acho que faz parte dos sintomas que você compartilhou com a gente, que você está em vivido na relação. A primeira coisa que eu queria comentar, começando do final, porque eu acho que a sua carta termina de uma forma tão impactante, quando você diz "eu quero" é ser chamada de gostosa por um homem que me pegue e que abrace o meu tesão junto comigo. A minha alegria de viver o meu corpo junto comigo, e não esse parceiro que eu encontro na cama do meu lado hoje, e que não tem isso para me entregar, não tem esse olhar para me entregar principalmente. Eu queria começar daí, e começar do fim a gente tentar entender por que vocês chegaram nesse experiência.
sintomática de uma sexualidade vivida, quase como uma interdição. Eu acho muito forte quando você fala do vibrador, porque um vibrador pode ser uma coisa ótima, pode ser uma coisa divertida que um casal ou descobre junto ou que um depro-o-o- outro, mas como parte de uma ludicidade, que sexo é brincadeira de gente grande. Também, sexo é pra gente se divertir, pra gente se descobrir, pra gente se experimentar. Mas eu não acho que é nesse tom, que esse vibrador chega, esse vibrador ele chega com uma mensagem tão ambivalente. Assim, você quer ter prazer? Eu não sou essa pessoa que tá te dando esse prazer. Eu não me sinto capaz de ser esse homem que você espera que eu seja. Então, eu vou dar um jeito de você aceitar quase essa amigalha de você aceitar esse prêmio de consolação. Quase como se a gente saísse do vibrador, que é o termo mais contemporâneo, pra época em que isso era chamado de consolo. Você lembra dessa era, "nossa, super". Então, eu acho que nesse caso, ele entra como esse consolo e entregue pelo marido. Então, eu acho que esse ato tem um poder simbólico muito forte. E o que ele tá dizendo com isso? Eu acho que pra gente entender isso, a gente precisa ir voltando nas outras coisas que você foi contando pra gente na carta. Porque você teve do lado desse cara, desse parceiro, como essa ponta firme, como esse porto seguro, que não sou toda mão. Mas existem momentos que você diz. Eu cuidei dele pegando na mão e levando pra vida, levando pra fazer o que ele não conseguia fazer. E eu não sei quanto tempo isso durou. E eu não sei em que medida isso pode ter ido transformando o tom do encontro de vocês. Porque se a gente pensar nessa ideia de um homem que se mostra tão apequenado, tão vulnerável e que nessa vulnerabilidade você pode ou escolhe ou consegue cuidar dele dessa forma que vai tomando conta. E eu acho que pode ir ter ido acontecendo um deslocamento do seu lugar, da sua posição da mulher que ele tinha como parceira, talvez num lugar mais horizontalizado, pra alguém que fosse se tornando ocupante de uma posição cada vez mais potente que a dele. Porque quem a gente pega na mão, a gente pega pela mão uma criança, alguém que é menor do que a gente, alguém que tem menos capacidades do que a gente. E é claro que não é isso que você estava pensando naquele momento. Não é isso que eu estou dizendo, mas a atmosfera da relação, eu acho que ela pode ter ido se empregnando dessa sensação, que pode fazer parte do imaginário dele ou também do seu, de que você é uma pessoa mais capaz de cuidar de algumas coisas do que ele, mais potente na vida do que ele. E aí a gente chega em uma palavra que olha só, tem tudo a ver com sexualidade. Se uma relação, uma pessoa se transforma em uma pessoa com símbolos de potência e do lado dela tem uma pessoa com símbolos de impotência, isso se reflete também no sexo. E também no olhar de um sobre o outro, quando a gente pensa em admiração, respeito. E como a gente se sente visto respeitável, admirável pelo parceiro ou não. Ou se a gente se sente menor e de que forma isso vai se transformando em pequenas, pequenas, desconexões que vão se tornando grandes desconexões e grandes desencontros entre o casado. Sabe que você, quando estava fazendo o comentário da poesia, da dele, usou uma palavra que também tem tudo a ver com o tema da carta, que é uma mulher hereta. E eu fiquei pensando nessa palavra que, para mim representa agora, o Estado em que ela está desejando de estar como mulher em oposição a uma posição que não foi hereta, que foi submetida a um papel muito, muito ex-remônico, muito tradicional. E ela usa uma expressão da início da carta dela, vivíamos felizes com harmonia, com conquistas, viagens, família bonitinha. Eu fiquei muito tocado com esse família bonitinha. Parece uma coisa sceptica de comercial de margarina, sabe? Mas que não tem a ereção, no que ela deseja desse papel e nem o que ele afeta. É uma família que aparece pelo viésse da provisão, pelo viésse da representação social do que seja pessoas de bem, na cultura de dar cristã brasileira, mas não tem a quina descrição dela, um caçal. Ela fala das filhas do trabalho, da harmonia, da felicidade, da viagem e da família bonitinha. Não aparece o caçal. São sei que não é de felicidade, né? Isso. Então, eu fiquei pensando que essa postura que ela está desejando não só para a relação dela, mas para ela em primeiro lugar. Essa postura é uma postura muito renovadora da energia conjugal, porque se a gente for pensar, a gente pode pensar em três fases dessa relação com o Jogal. A fase da família bonitinha tem que ele estava ganhando bem, lá na empresa e ela estava cuidando dessa provisão, dessa casa, dessas adolescentes, não só na adolescência, mas da infância da adolescência dessas duas meninas. A segunda fase é quando ele cai, tem a queda profissional, perde protagonismo, palavra, também interessante que ela usou, e a terceira fase agora é que ela cansa disso. Eu queria discutar sobre esse cansaço dela, como é que você escuta esse cansaço da dele? É engraçado que ela fala que o cansaço é assim, eu cansei de cuidar da relação, né? Mas eu se em pensando na reflexão que eu estava desenvolvendo aqui agora pouco, né? Do que foi esse cuidado, de como ele foi recebido? Talvez deixar de cuidar da relação, talvez o cansaço seja agora forma mais legítima de cuidar da relação, porque no momento em que ela sai desse papel de cuidado, talvez se abra um espaço novo, onde ele consiga voltar a exercitar esse olhar sobre si mesmo, como uma pessoa que pode ser digna, que pode ser do tamanho que ele acredita, que seja necessário para estar do lado dessa mulher. O que eu acho que é ainda mais diante dessa história de uma depressão tão longa, né? De uma depressão pouco tratada, ou que não se resolveu de uma forma mais profunda, e foi se arrastando. Eu acho que foi acontecendo essa deterioração desse olhar dele sobre si mesmo, né? E sobre a sensação talvez de ilégitimidade de lado dela nesse aspecto e talvez em tantos outros aspectos. Então eu acho que ela se cansar desse lugar meio mãe, talvez seja a grande possibilidade dela voltar para o lugar de mulher. Eu acho que é um cansaço, estou super na linha do que você está falando, eu acho que é um cansaço da família bonitinha. Eu acho que ela quer mais do que é isso, muito mais do que é isso. Eu acho que ela está cansada dessa submissão a esse parâmetro em que ele só fica bem quando ele tem poder. Só fica bem quando ele tem este tipo de poder.
do seu seu poder social, que é dado pelo trabalho, pelo protagonismo do trabalho, porque aqui a gente tem uma pergunta interessante, inclusive, eu escuto muito no grupo de homens, que tipo de poder a gente acessa como homem, quando a gente não responde socialmente por esse poder egoemônico de ganhar bem, de ter bem, por exemplo, no momento em que a gente está desempregado, no momento em que a gente está passando por uma doença e precisa afastar, e que a gente não tem corpo ou estado financeiro para performar essa potência pro mundo social, que tipo de prazer a gente pode acessar, que tipo de poder a gente pode acessar, eu acho que essa pergunta está muito voltada para ele nesse momento, na hora que ela fala "cancei", eu sinto que a dela está convocando essa pergunta, ok, eu estou aqui para te ajudar na sua depressão, eu estou aqui, mas tem algo a mais, que não é só você sucumbia a sua depressão, e você acha que não existe espaço, para outro tipo de prazer, para outro tipo de realização e de poder pessoal, a não ser esse poder do macho, alfa, branco, ciséter, não sei se eles são casal branco, mas como uma imagem, né? E você acha que pode ser legal a gente pensar também no processo de socialização dos homens? Ai, eu acho, eu acho, porque assim, o trabalho na socialização masculina, ele tem uma espécie de preponderância identitária, né? Assim, a primeira coisa que um homem pergunta para outro homem, o que ele tem para responder sobre ele, é o que ele faz, com o que ele trabalha, né? Na hora que eu abro a ser o União do Grupo de Homens, eu tenho um texto que é mais ou menos assim, aqui a gente vai falar da gente, não do que a gente conquista, não do que a gente já acumula, mas a gente vai falar muitas vezes do contrário, do que falta, do que a gente não entende, do que a gente duvida, eu acho que a socialização masculina não dá elementos para a gente a entrar, longo de várias fases da vida, se deixa o início e se acostumando a integrar esses momentos da vida em que a gente vive o vale não pico, né? Então, a hora que isso acontece no casamento é como ir de ser em acervo, né? E eu vejo muitos homens assim sem recurso emocional para enfrentar isso, sentindo realmente que a vida acabou, se em alguns inclusive, por disto suicídio, não sei se vai ter jeito para mim, porque eu não estou conseguindo me recolocar profissionalmente, então assim, tem essa preponderância identitária do trabalho, que tem tudo a ver com essa palavra protagonismo que a Délia usa, né? Que ela fala que não era um problema de grana, sobretudo, a mudança do trabalho, mas dele ter perdido esse espaço simbólico de poder, o trabalho interior tinha muito mais poder e nesse, ele ficou mais escanteado, e aí ele deprimiu o luto, né? Então, eu acho que a socialização masculina, seguindo a pista da sua pergunta, ela coloca no sexo uma continuidade desse poder do trabalho, então eu vejo essas duas coisas muito amalgamadas, se eu tenho poder, esse tipo de poder masculino, egemônico, eu sou erótico, eu sou alvo de sedução, e muitas mulheres confudaem também isso, mas eu acho que aqui o pedido da Délia é justamente separar essas duas entidades, o trabalho do sexo, na representação do que seja poder, do que seja prazer, e ela cansou dessa malca, ela cansou disso, ela não quer mais expraer? Sim, e essa história do protagonismo, né? Eu acho que dá pra gente pensar tanta coisa também a partir disso, porque quando você desenha, discreve dessa forma tão precisa, essa identidade masculina haigada no mundo profissional, tem uma desqualificação quase absoluta, por exemplo, da energia investida em cuidado, de outras formas de construção, principalmente afetiva, que não é contabilizada, que não é integrada como parte da sua identidade, e eu acho que tem uma experiência a Délia, que você traz de muito cansaço, e com toda razão, depois de tantos anos, sobre esse estado mais deprimido, mas uma proposta que eu trago aqui é talvez de olhar pra essa depressão dele, inclusive da sua fase, do que você deseja viver em ventar pra essa nova fase da sua vida, eu acho que a depressão não é uma contradição, ela não é uma força na contra mão do que você está desejando, porque veja, eu acho que existe um desejo de conexão, e a depressão, quando eu acho que, se o seu parceiro aceita de forma mais profunda, o convite dela pra ele, que pra vocês, eu acho que ela convida a se desapegar de uma vez da família bonitinha, e assumir a família de verdade, o casamento de verdade, eu acho que pode acontecer, talvez, um renascimento da sexualidade, se você se abrir pra se perguntar, de que forma eu, em que momentos ou de que forma eu ainda vivo à sexualidade, como esse espaço de performance, porque aí ela pode estar sendo só um novo capítulo da família bonitinha, e agora vira o casal erótico, bonitinho, tesudo, mas performático, eu acho que pensar em performance como essa palavra que fala de algum tipo de atuação pode ser duido, mas pode ser importante pra você se perguntar, qual é o nível de abertura que já foi proposto entre vocês pra se jogar nessa sexualidade de verdade, pra usar, aproveitar que existiu essa depressão, que arrancou e levou igual uma onda de tsunami, todos os títulos e o reconhecimento social e o reconhecimento profissional, e o que se pensava que era sucesso pra poder se encontrar num outro lugar muito mais de verdade, aonde caiba, inclusive a vulnerabilidade na cama, como parte do encontro, mas um encontro forjado desde de uma raiz muito profunda de intimidade. Eu queim lembrando agora falando dessa carta de um encontro que a gente fez de grupos de casais no porperio, que estávamos justamente falando de sexo, e um dos casais compartilhou com o grupo, que eles vinham de uma história de ser um casal muito transante, que curtia muito sexo, mas um sexo mais performático, um sexo com muitas fantasias e com muitos arranjos e elaborações, mirabolantes, e se realizavam muito a partir disso, e de repente eles estavam no porperio com horários e um corpo funcionando de formas desconhecidas, e aí eles construíram toda uma cena para o dia de voltar a transar, e sem beber, né, valinante, a história toda, muitas velas, muita lingerie, e na hora que eles começaram a performance, que era o território conhecido, os peitos dela começarem a exigir a leite. Ai eu lembro desse esto! E naquele momento, naquela quebra profunda da cena perfeita idealizada, eles começaram a arre, e daquela risada começou uma outra dança do sexo, né, começou um sexo que integrava o peito com leite, a lingerie manchada e a vela que apagou com leite, e enfim, eu acho que essa história tem um símbolo, poderoso, sim, de o que a gente faz quando a gente é convocado pela vida, a saída nossos perfomens.
Se a gente pudesse encontrar num lugar de verdade, como é esse encontro? E se a gente pudesse encontrar num sexo, onde eu sinto que eu tenho alguma coisa pra entregar pra você. Eu acho que muito simbólico esse sexo que ele não faz ela gozar. Quer dizer, ele não sente que ele tem uma coisa boa pra entregar pra ela. Então, eu acho que a gente está falando de feridas que estão muito profundas mesmo. É interessante demais essa construção que você fez sobre a depressão e a perda das máscaras de protagonismo e de poder anteriores ao marido da dália, porque eu quero ler a frase dela, que é como se ela tivesse concordando aqui com você sem estar aqui presente. Olha só, de lá pra cá, ele ficou quase uma alcoolista. E teve um grande azar entre aspas de se recolocar numa empresa muito tóxica, causa das lideranças, o que acabou de destruir. Então, eu acho que quando ela coloca azar entre aspas, ela está falando disso. Ainda que de uma forma mais inconsciente, ela está falando assim, que sorte que acabaram as máscaras, que esse novo trabalho acabou de derrubar, que precisava deixar de ser performático. Então, não foi um azar. Isso aqui é o início de o benefício que a gente pode colher, de um novo casamento mais profundo e uma entrega mais verdade. Preciso de atenção, amor pegada, ser chamado de gostosa. Então, a intensidade que ela pede para recomeçar a acontecer nesse casamento, paradoxamente, começa a partir de uma depressão. E eu acho importante colocar que é importante, muito importante, que o tema do alcoolismo seja tratado, porque o alcoolismo é uma máscara muito socialmente aceita na nossa sociedade brasileira, para fazer com que o homem tampone a sua angústia, não olha para essa dor. Então, o alcool entra num lugar mais deprimido, no mesmo lugar de armadura, que o poder e o protagonismo do trabalho estavam entrando. Mas, ao invés de ele performar com esse papel social que ele tinha antes, ele performa com o alcoolista. Então, eu acho que são todas as quebras que ela está pedindo, quando ela fala chega. O alcoolismo tem que entrar nessa jogada como uma discussão honesta de que a gente vai se olhar de frente, um para o outro, sem usar desse tipo de subterfújo, nem o poder financeiro e profissional, como o único representante de poder de prazer, e nem o alcool, como esse prazer, mas depressivo, de levar ainda mais para baixo, mas não te ajuda a se colocar aqui de verdade para mim. O alcoolismo também como uma espécie mástrica, tanto no que ele representa quanto no que ele manifesta. E ele, inclusive, pode estar envolvido na cronificação das questões, porque ele vai anesteseando e você consegue levando a dor e convivendo com a dor. E se moranhando com a dor, como se ela se tornasse uma parte de você mesmo. Mas agora eu pensei em voltar em uma frase que você disse lá no início, quando você falou sobre a transformação dela, não ser uma volta para a família bonitinha. Ela não quer resgatar uma coisa sobre a relação, ela quer inventar uma coisa nova. E eu acho que pode ser muito importante a dele, você assumir o tamanho da sua transformação, porque eu acho que assumindo o tamanho da sua transformação, você também pode olhar de frente para outra pergunta que será que tem alguma parte sua, que esperou ou ainda espera que depois de tanto cuidado e que depois de tanto tempo, você tivesse de volta um homem que você já teve algum dia do seu lado, porque eu acho que quando você assumir a sua transformação, você também libera o seu olhar para entender em que homem ele pode se transformar, porque eu acho que não tem volta para esse homem e essa mulher que já existiram antes de tudo acontecer na vida de vocês. Não tem. Acho interessante pensar que do ponto de vista do ciclo de vida familiar, duas filhas adolescentes já apontando aí para um início de vida, sem eles. O que isso representa também como anúncio de uma próxima fase do ciclo de vida, porque eles vão ter que olhar um próprio, que saem também as filhas desse lugar de uma certa anestesia que ajuda a não fazer suporar toda essa dor que ela está colocando aqui agora. Mas isso que você falou é tão belo, é tão bonito que eu acho que é a coisa talvez para a gente deixar sobrinhado em já em terminando o episódio, sobre a importância de quando a gente vive uma grande transformação que é contra cultural, que assusta, uma transformação que vai numa direção que pode construir estereótipo preconceito, porque ela vem de uma família bonitinha da construção de uma família bonitinha e fala, "Eu estou na minha melhor fase, estou com cinquenta anos, sou uma mulher bonita, chama atenção a chego, sobretudo nessa fase do cinquenta, "Quero, aí vou repetir a frase", que ela disse, "Preciso de atenção, amor pegada, ser chamada de gostosa, ao cinquenta, depois do cinquenta". Então, que bonito poder-me sobrinhar aqui para ela cuidar, como você disse, da manutenção desse desejo, de transformação, e cuidar para ele não ser sucumbido, porque o mais fácil dentro dessa cultura é esse desejo ser neutralizado por alguma coisa, ou por uma doença que faz ela ter que cuidar de novo, ou por qualquer coisa que atestraia desse processo de transformação que ela começou e que belamente está representada aqui pelo cansei, não quer continuar insistindo em cuidar de quem parece que não quer ser cuidado. Agora ela está cuidando disso. Além de tudo isso, que você está colocando, fico com vontade de te deixar dele uma convite para você pensar, a partir da sua necessidade que você está olhando com tanta clareza, de como você quer ser vista de onde você ainda se sente invisível, de que forma você tem entregado isso nessa relação também. Será que existe alguma chance desse parceiro estar encontrando no meu olhar uma coisa que diz, você vai voltar a ser gostoso aos meus olhos se você alguma outra coisa, será que você tem conseguido encontrar e comunicar para ele o que que te atraia, o que você está com ele aqui nesse lugar que ele está agora, quando ele perde tudo isso, quando ele perde todos esses símbolos que ele acreditava que diziam quem ele era. O seu olhar consegue dizer para ele quem ele é e por que você escolhe estar com ele hoje, ele consegue ser sentido gostoso no seu olhar, porque é uma coisa relacional também. Nossa, acho tão importante amor, você fala isso porque assim, estão vivindo aqui, desenas histórias de homens que escuto no grupo, é muito perdidos nessa dimensão nesse lugar que você acabou de desenhar aí. Que assim, eu estou vivendo um casamento heterofetivo em que eu sinto que a minha companheira se empoderou muito ou por conta do feminismo ou porque teve uma mega ascensão profissional ou tudo ao mesmo tempo agora, está mais conectada com o próprio prazer, e eu não sei mais qual é o meu lugar, e eu não sei se ela me admiar. Isso é uma pauta muito presente. E sobretudo, eu não sei se eu tenho direito de pontuar isso pra ela. Eu não sei se eu tenho direito de falar desse meu medo. Eu não sei se eu tenho o direito se isso vai ser passapano, vai ser convidá-la pra passapano. Então acho importantíssimo você trazer isso.
porque esse nível de honestidade, no que eu não sei sobre mim, no que eu não estou conseguindo entender sobre você, que isso cria conversas, que conectam profundamente o casal, que podem inclusive abrir espaço herótico, porque o sexo é o território aonde nenhuma mentira consegue fazer o tesão acontecer, todos que fomentira não chega ali com uma capacidade de sustentar o desejo. Então não é momento de nenhuma dívida histórica constrói um encontro com conexão de verdade. Mas a vulnerabilidade tem um grande poder de construir conexão. Eu sabia que você me deseja, mesmo assim do jeito que eu estou agora, você quer comigo desse jeito? Por quê? O que você vem em mim? E pode disputar isso quando eu estou no meu pior, você quer estar no meu lado? Por quê? O que você tem tesão em mim assim? Eu acho que isso é muito libertador. Muito libertador. Bom, eu espero que ambos estejam nos estudando, que não sejam só a dêlia. Sim, que vou colocar o chamado de carros, pensarem de carros do amor, pensarem em outro poeite, tomar aqui a dêlia de carros, estejam nos disputando para poder se sentir convidados a construir esse tipo de conversa, desse lugar, de fissura com fissura, a depressão, o álcool, mas dela também o cansaço, o medo, o medo de não conseguir mais ficar com ele, o medo de ter que romper com essa vida, o medo dele não acompanhá-la. Ela tem que ir em algum momento, dizer "olha, agora eu tenho que ir". Agora eu quero ir para me reconhecer de volta. É isso. Nossa, eu pensei exatamente nas músicas. É nossa filho do mês com muita música. Muito, muito. Bom, a gente, então a dêlia, a gente deseja que você e que o seu companheiro possam ter uma conversa nesse lugar honesto, do jeito que eu imagino que você esteja sentindo aí, coração bem acelerado, te deixamos um abraço aqui muito carioso, muito cheio de amor, de compreensão de que isso não é uma circunstança só sua, isso é nossa. Essa história é nossa, é de todos nós. Essa reconfiguração dessa saída de um sexo performático para um encontro de verdade é muito o retrato do que a sexualidade vem sendo convocada se transformar como um elemento de conexão e não de teatro, entre os dois do casado. Se você não percebe, se falou centrizo, fazer um sexo que seja uma conexão mais íntima, mais transformadora, mais gostosa, mais leve, librer aqui de indicar para eles caso não conheço, de caper no teago. Sim, e inclusive o podcast da Fernando Lima, José Emvergüenha, tem uma temporada toda sobre sexualidade que está super legal. Em um episódio, entrevistando os nossos amigos, que tem um perfil aqui no Instagram que chama Intimidade Conciente. É maravilhoso, gente, vale muito a pena. Vale, é essa pena. São um casal de terapêutas que trabalham a sexualidade no casamento de uma maneira muito autoral, muito única, muito forte, muito profão, muito profundo. Um beijo para a Long Beach Agu, se vocês fiverem nos escutando. E o beijo para vocês que ficaram aqui comigo com Dani, acompanhando essa história, com a comunidade, que a gente também possa refletir sobre as nossas vulnerabilidades, e que a gente possa, a cada momento em que a gente faz reflexão profunda quebrar as performances, sobretudo nessa sociedade da performance, porque se não a gente adoece. É porque casamento sexo não é lugar da gente ser produtivista, é lugar da gente descansar desse mundo produtivista e se encontrar em outro abraço. Obrigado a gente. É muito triste sempre esse abraço na minha vida. Obrigada. Tchau. Minha gente querida, a gente se vê na quinta que vem com mais um cartas de um casal de terapeltas. Um beijo e até lá. Beijo. [Música] Este podcast é produzido por Abracie.digital. Edição de Samuel Gambini, artes de neis soares costa, produção executiva de Thiago Queroze e Hugo Benchmall, apresentação, roteiro e seleção das cartas por mim, Alexandre Coimbra-Maral. E você que me escuta é a audiência, que é o motivo desse podcast de estir e a vontade dele continuar acontecendo todas as semanas. Muito obrigado. [Música]
Podcast Summary
Key Points:
A carta é de Adélia, uma mulher de 50 anos, casada há 20 anos, com duas filhas adolescentes, que relata o cansaço de cuidar do marido em depressão após ele perder o protagonismo profissional.
O marido, diagnosticado com depressão, não mantém o tratamento, não tem iniciativa de autocuidado e a relação sexual se deteriorou, com ele presenteando Adélia com um vibrador, o que ela interpreta como um "prêmio de consolação".
Adélia expressa desejo de ser desejada, chamada de "gostosa", e de viver uma sexualidade plena, contrastando com a fase atual do marido, marcada por impotência e falta de conexão.
Os terapeutas Alexandre e Chande analisam a carta sob a ótica da socialização de gênero, destacando como a mulher é ensinada a "se desdobrar" e o homem a vincular sua identidade ao trabalho e ao poder, o que afeta a vida conjugal e sexual.
A depressão do marido é vista como um convite para abandonar a "família bonitinha" e buscar um relacionamento mais autêntico, integrando vulnerabilidade e intimidade, em vez de performance.
Summary:
A carta de Adélia, lida no episódio, narra a história de um casamento de 20 anos que enfrenta uma crise profunda. Ela descreve como o marido, após perder o protagonismo em uma empresa onde trabalhou por 18 anos, entrou em depressão, tornou-se quase alcoolista e passou a depender totalmente dela para cuidados médicos e emocionais. Adélia, que sempre foi o "porto seguro" da família, agora se sente exausta e insatisfeita, especialmente na vida sexual, onde o marido não demonstra interesse ou iniciativa, chegando a presenteá-la com um vibrador como uma espécie de consolo.
Aos 50 anos, ela redescobre sua própria potência e desejo, mas encontra um parceiro que parece ter perdido a capacidade de vê-la como mulher. Os terapeutas Alexandre e Chande interpretam essa história à luz das construções sociais de gênero: a mulher que "dá conta de tudo" e o homem cuja identidade está atrelada ao trabalho e ao poder. Eles sugerem que o cansaço de Adélia pode ser um ponto de virada, abrindo espaço para que o marido se reconecte com outras formas de prazer e poder, além da performance profissional.
A depressão, nesse sentido, não seria um obstáculo, mas um convite para abandonar a fachada da "família bonitinha" e construir uma relação mais autêntica, onde a vulnerabilidade e a intimidade possam renovar a sexualidade e o vínculo afetivo.
FAQs
A carta de Adélia mostra que o cansaço pode ser um convite para a mulher sair do papel de cuidadora e voltar ao lugar de parceira. Isso abre espaço para o outro assumir sua própria jornada de cuidado e para a relação se renovar.
É importante separar a identidade masculina ligada ao trabalho do erotismo, buscando prazer e poder em outras fontes além da performance profissional. A depressão pode ser uma oportunidade para se reconectar de forma mais autêntica e vulnerável na intimidade.
Esse gesto pode simbolizar uma mensagem ambivalente, onde o parceiro não se sente capaz de proporcionar prazer. Em vez de um convite à ludicidade, ele pode reforçar a desconexão, indicando a necessidade de diálogo sobre desejos e expectativas.
A perda de protagonismo no trabalho pode afetar profundamente a identidade masculina, levando a um luto emocional. É essencial buscar outras formas de realização e poder pessoal, e o casal pode usar isso como chance para construir uma relação mais verdadeira.
A 'família bonitinha' representa uma imagem idealizada, focada em conquistas externas, mas que negligencia a conexão do casal. Superá-la envolve assumir o casamento de verdade, com suas vulnerabilidades, para renovar a intimidade e a sexualidade.
A depressão, embora dolorosa, pode desmontar títulos e reconhecimentos sociais, forçando o casal a se encontrar em um lugar mais profundo. Isso permite integrar vulnerabilidades e criar uma sexualidade menos performática e mais íntima.
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