A carta de Beatriz, comentada pelos terapeutas de casal Alexandre e Dani, aborda o dilema de uma mulher sem filhos que vive uma relação intercultural com um homem que tem uma filha de seis anos. A mãe da criança decide se mudar para a rua de trás da casa do casal, o que gera em Beatriz sentimentos de invasão, ansiedade e perda de controle sobre o espaço e a rotina que ela levou tempo para construir. Ela se sente deslocada, questionando seu papel na dinâmica familiar e se é a pessoa certa para essa relação, especialmente por valorizar sua privacidade e liberdade. Os terapeutas interpretam a história como um exemplo de construção de um "terceiro lugar" nas relações, onde dois mundos se encontram para formar algo novo, mas alertam para a armadilha de tentar controlar as distâncias relacionais como se fossem fixas. Eles destacam que as relações estão em constante movimento e que a mudança da mãe, embora desafiadora, faz parte da evolução natural da vida familiar. A análise sugere que Beatriz precisa rever sua premissa de "distância necessária" e abrir espaço para o diálogo, reconhecendo que a proximidade física pode trazer novos desafios, mas também oportunidades de fortalecimento de vínculos. A conversa também explora como a interculturalidade amplia esses desafios, mas ressalta que a história de Beatriz reflete dilemas universais sobre limites, identidade e pertencimento em relacionamentos complexos.
[Música] Olá, que é o Chande. Eu estou muito feliz em apresentar essa temporada do Cartas de Interapelta, que fala especialmente sobre relacionamento amoroso. Vamos explorar os temas que levam os casais a terapia com a nossa parceira, já de longa data, a Tavaatim, uma marca brasileira, pioneira no ramo de perfumaria de ambientes e inspirada na biodiversidade do nosso país. Nessa primavera, a Tavaatim nos convida celebrar a beleza de florecer através da fragância Iris Rose, que unido a sura, sensibilidade frescor, em uma fragância feminina e versátil, como a estação das flores. Aproveite para viver a primavera por inteiro. Nessa temporada, você, que é o 20 do Cartas de Interapelta, ao usar o cupom Cartas Avatim no site avatim.com.br, ganham, além de 15% de desconto em qualquer produto, também o livro Cartas de Interapelta para seus momentos de crise, o meu primeiro livro que eu gansei lá em 2020, enquanto durarem os stocks. 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Muito prazer, eu sou o Chande, eu sou a Dani, nós somos terapeltas de casal, analisando histórias de casais, trazidas pelas mensagens, como a mensagem da mulher que nos escreve hoje, que a gente vai chamar de Beatriz, daqui a pouquinho, vocês vão entender por quê. Beatriz diz o seguinte, Alexandre Dani, antes de tudo, muito obrigada. Todos os episódios do Cartas já me ajudaram em alguma reflexão, me fizeram a largar a maneira de ver a mim mesma o mundo e meu trabalho. Tudo o que vocês compartilham conosco é precioso demais. Quando soube que essa temporada seria sobre casais, senti que o meu momento descrever havia chegado. Vivo uma relação intercultural num país que não é o país de origem, nem meu, nem de meu companheiro. Ele tem uma filha de seis anos, com uma pessoa, com quem nunca morou junto. Eles tiveram um relacionamento passageiro que resultou no nascimento da pequena e ambos escolheram assumir a parentalidade que eles cabiam. Quando conheci a mãe e a pequena moravam numa cidade a uma hora de onde hoje é nossa casa, com muitos atravessamentos de língua, cultura e mais todos os desafios de uma relação, após dois anos, comecei a me sentir realmente em casa e mais segura dentro do meu vínculo com ele e consequentemente com a pequena. Optei por manter uma relação de colegismo com a mãe, respeitando as distâncias necessárias. Sou muito cuidadosa com minha privacidade e após conhecê-la melhor, entendi que não fossem essas circunstâncias, não seriam os mesmos pessoas mais próximas. "Ocorre que agora tudo mudou, ela comprou uma casa literalmente na rua atrás da minha. A menina já está matriculada no Escólo da região, a mudança vai acontecer em poucas semanas. Embora meu companheiro esteja radiante por poder ter a filha por perto, eu ainda não me vejo nessa esperança e alegria tudo. Nossa rotina já está mudando, a adaptação está em pleno curso e embora, eles estejam bem empolgados com tudo isso, eu olho todo o processo e vejo as muitas possibilidades do que pode dar errado para mim, para a minha relação e também entre eles nessa distância física tão curta. Parte de mim se sente invadida, no lugar que também demorei a entender como meu, que é a cidade onde vivo. Saber dessas presença me sou a como algo que está espreita. Entendo que a ansiedade não é boa conselheira, mas o que sinto também é fruto de ver que eles, os pais da criança, também são muito diferentes e entram em conflitos constante sobre a criação. Na proximidade isso tende a se intensificar, já que ambos terão uma visão mais nítida de suas influências. A criança, assim como eu, parece bem desconfiada e desconfortável com todos esses movimentos. A vez de o reclamando constantemente, o que não é de seu feiti, assustada como novo, bem irritada com tanto ficar aqui e ficar lá nesse processo tudo. Dia desses ela me disse, eu não quis vir porque eu sabia que ia ficar chorando com saudades da mamãe, preferir ficar aqui com ela. Nós temos uma boa relação, gostamos da companhia, uma da outra e temos ótimos momentos juntas. E também do espaço para que o pai seja pai, presente inteiro, pois sei da importância da presença do vínculo pros dois. Eles já eram ótimos juntos bem antes da minha chegada. E desde o primeiro dia, eu busco respeitar a relação pai filha. Eles, meu companhia e a mãe se parecem muito num ponto, são impulsivos, ágil, fazem tudo e só depois param para pensar nas suas ações. Eu sou muito mais metódica, organizada e gosto de imaginar futuros para só então tomar decisões. E ter essa sensação que não tenha esse tempo de maturação para essa mudança tão significativa, em que tudo é imediato quando se trata dessa dinâmica. Isso já foi pior no começo, muitas conversas depois e acertamos melhor o timing. Mas ainda me sinto me afogando em certas ondas de mudança que chegam. Escuto muito falar sobre o papel da mãe e do pai, sobre como cuidar da criança quando os pais não vivem juntos. Mas pouco escuto sobre os que chegam depois nessa estrutura. O verdadeiro lugar da esposa de um homem que já tem filhos dentro da dinâmica relacional, qual é? Especialmente, se essa mulher não tem filhos. Me sinto perdida e frustrada, já tive números conversas com eles sobre esses medos. Ele repete que vai cuidar dos problemas se eles acontecer. Entenda a felicidade dele, me sinto feliz pela oportunidade que eles têm, mas não consigo esconder que preferia a distância anterior. Onde tudo tinha um lugar mais definido e organizado, do meu ponto de vista. Ou pelo menos ter mais um tempo de águas tranquilas até que isso se materializasse. Também compreendo a necessidade da mãe de estar mais perto de nós. Ela não tem familiares aqui e com seus comportamentos, sai da cidade antiga sem amigos verdadeiros a quem recorrer. Eu fui criada por uma mãe solo, que até hoje mora perto da família do meu pai. Mesmo tendo esse separado dele na minha infância, só para ter rede de apoio. A verdade mais difícil é que eu não quero doar mais do que já me dou a essa ideia de família. Sou uma mulher sem filhos e isso me concede uma liberdade e uma paz em muitos aspectos, que não me vejo disposta a abrir mão. Me sentir tão dentro dessa dinâmica, tem sido um grande incómodo. Deseíço é um prato cheio para a servista como egoísta numa sociedade que coloca família e o trabalho invisibilizado das mulheres como grande propósito da existência feminina. Que seja. Eu gosto da minha vida tranquila, sem o corre-corre, da casa organizada e da minha agenda de trabalho que existe por sermos dois adultos na casa. Para isso, já busquei um espaço para fazer o meu trabalho de fora. Como trabalho Home Office, perder esse espaço também me incomoda. Mas ganhar em liberdade me trouxe bastante conforto. Dentro de uma semana, comeceu a ir ao escritório todos os dias da semana. Outra adaptação, mas cinto que vai me deixar com mais espaços interno e externo para digerir e contemplar. Será que eu realmente sou a pessoa certa para essa relação? Será que é algo. outras formas de viver e encarar essas mudanças que não consigo acessar. Sei que não sou protagonista dessa história, mas o que realmente me cabe aqui? É o que me pergunto e o que trago nessa carta para essa conversa. Muito obrigada. Beatriz. Muito bem. Beatriz, muito obrigado por essa carta. Lindamente bem escrita, com tanto detalhamento. É uma carta que dá muito conforto da gente poder comentar, Medan. Porque é uma carta de uma pessoa que está trazendo um dilema sobre o qual a gente percebe que ela já pensa profundamente sobre ele. Então, a gente vai contribuir aqui, Beatriz, com algumas reflexões que a gente espera que possam te dar um pouco mais de expansividade nessas suas perguntas. E de repente encaminhar para alguns caminhos de diálogo para você ter com as pessoas envolvidas na sua história. De novo, quero salientar que esse podcast, a partir dessa temporada, está tendo essa versão dialogica. Então, quero contar para vocês como é que a gente está pensando os episódios e como a gente fez esse primeiro episódio com um carta comentada a dois. A gente leu a carta juntos e a gente fez alguns apontamentos para saber mais ou menos por onde a gente caminharia nessa conversa, para guardar as melhores coisas, as melhores ideias para inserir aqui na nossa conversa. Mas nós dois, como terapêutas de casais na abordagem sistêmica, nós acreditamos que o diálogo, a mentidade viva e que ele só acontece quando ele acontece. O que aconteceu antes foi uma preparação e não um planejamento. É interessante a diferença entre essas duas coisas porque nós vamos falar de planejamento aqui no comentário essa carta e a gente apenas preparou algumas ideias. A gente não veio com o script rígido e o diálogo vai acontecer de tal maneira que pode ser que a gente tenha insaitos no meio da conversa e que a gente mude o rumo da prosa, a medida em que ela fosse consolidando. Sim, porque o diálogo a gente sabe por onde começa, mas nunca por onde ele vai e onde ele termina, né? Exato. Por onde você quer começar a pensar essa história, Dan? Eu fiquei muito tocada pelo relato da Beatriz porque ela fala de uma relação intercultural que desenha de uma forma muito concreta. Ela traz uma concreta para uma forma que a gente acredita que a relação acontece, que eu acho que cabe a todas as relações, inclusive as que não são relações interculturals. Porque olha que interessante, quando ela diz nós somos duas pessoas que vêm de países diferentes e que moram em um terceiro país, né, que não é o país de origem de nenhum de nós dois, ela faz um desenho de uma estrutura que cabe a qualquer relação, né? Nós viemos de dois mundos e juntos nós vamos compor um terceiro mundo que ainda não existe, que é novo para nós dois e para o qual nós levamos bagagens e nessas bagagens a gente está falando da família de origem, da cultura de origem, das identidades que nos abarcaram até aqui e nós chegamos com toda essa bagagem em um território novo e num chão que vai ser construído a quatro mãos, né? Então ela vive isso e conta para a gente essa história que eu acho que abraça todas as outras histórias de forma simbólica. E isso foi uma coisa que você começou a viver muito na sua prática, como ter a pelota de casais, eu me lembro que quando a gente deixou de atender presencialmente e a gente passou a atender online por conta da pandemia, você viveu uma abertura muito grande para a história dessa natureza, né? De histórias interculturais, você sente que isso interferiu de alguma maneira na sua forma de perceber as relações? Ah, eu acho que tem muita coisa nova que chegou junto com isso, né? Eu acho que essa psicologia está se aprofundando em um tipo de história que é até por uma limitação de como a gente escutava, é interapias pessoas, não podia acontecer antes da virtualidade porque agora depois que a terapia ficou virtual a gente pode fazer terapia com alguém na nossa língua natal morando em outro país, isso não acontecia antes. Então eu tenho escutado muitas histórias de relações interculturais e tenho uma coisa que eu acho que não acontece na história da Beatriz, eu acho que eles estão cuidando de uma forma tão bonita dessa construção que eles estão fazendo juntos, que é muito comum em relações interculturais, eu acho que pode ser legal a gente falar um pouco sobre isso porque talvez pode ser a realidade de alguém que ter já nos escutando. Eu acho que tem uma armadilha diferente que às vezes a gente se enreda nela de uma forma invisível e demora a perceber que é quando uma pessoa se muda pro mundo da outra pessoa, né? Assim, quando uma das pessoas é imigrante, espatriada e terrepente começa a construir essa relação no lugar que é a cidade do outro, a família do outro, os grupos do outro e às vezes acontece um encapsulamento dessa pessoa por essa cultura que se torna uma cultura dominante e existe pouco espaço para você viver a sua diferença dentro dessa relação. Então às vezes acontece em dinâmicas que são adoecedoras aonde não existe esse terceiro lugar sendo construído, mas existe uma colonização do outro por essa cultura que acaba tendo mais poder e se sobrepondo aquilo que é o que você leva de si para a relação. Eu estou pensando que, do ponto de vista concreto, o Brasil é um país tão continental em que a gente pode ter nossos conterrâneos que são compostos de origens de estados ou de regiões do Brasil muito diferentes e um dos dois se muda para um estado ou uma região e pode ter o risco de viver essa mesma coisa. Sim, porque às vezes a gente tem culturas, é, abissalmente diferentes dentro do Brasil, né? Sim, essa semetria de poder que promove essa relação potencialmente a doecidora para o conge que é o estrangeiro naquele lugar, é uma coisa que a gente não vê aqui nessa relação porque eles estão vivendo esse terceiro lugar. E você colocou uma coisa muito linda quando a gente estava conversando sobre uma metáfora desse terceiro lugar. Conta aí. Eu fiquei pensando, né? Eu li essa história em como esse terceiro lugar se apresenta quase como uma terra prometida, né? Assim, a gente vai junto para esse lugar que a gente vai habitar da nossa forma, né? Como se fosse uma casa, né? A gente vai se mudar junto para essa casa, que estava asia, que a gente vai encher só com que a gente escolhe, assim como um sonho, assim, que a gente vai se mudar para o sonho, né? A gente vai se mudar para essa lua de mel, para essa cidade que não é nem minha, nem sua, mas vai ser nossa, para essa casa que vai ser nossa. Então, se a gente pensar nessa imagem, de vamos fazer essa jornada para a terra prometida, para nossa, para nossa casinha branca, para nossa casinha da montanha, para nossa casinha vazia, para onde a gente vai, que a gente vai colocar só aquilo muito cuidadosamente feito por nós há quatro mãos. E aí, tem uma questão que é nessa casa, tem um quarto. E quando vocês decidem ficar juntos, a fala sobre esse quarto que não precisa ter acontecido dessa forma, claro, mas eu acho que a ideia, esse quarto é de uma filha, mas essa filha não vai estar sempre, só às vezes, quantas vezes, menos vezes do que agora. Então, quando vocês vão para esse lugar, existe a possibilidade de lidar com esse quarto, nesse espaço dessa filha, e dessa ex-mulher que vem junto com a filha, como alguém, uma interlocutora, alguém com quem as decisões são tomadas de forma compartilhada, esse acordo, ele se transforma a partir de agora, porque a filha chega para ocupar o quarto. E quando ela chega, é como se vierse esse caminhão de mudanças com móveis da casa antiga do seu companheiro que não combina com a decoração. Sim, são móveis que viram.
vem com um peso, com um tamanho, com uma complexidade que obriga a repensar toda a dinâmica da casa. Nossa, eu adoro o jeito que você fala. Eu fico viajando, eu preciso tomar cuidado para eu não me perder no fluxo da minha análise aqui, porque eu fico, eu fiz lumbrando o que você fala e fico encantado. Mas eu quero trazer uma frase da Beatriz no meio da carta, continuando essa ideia desse lugar idílico da Terra prometida, porque eu já falei algumas vezes aqui nesse podcast sobre o fato das palavras não serem gênus e da escolha que a gente faz para usar uma determinada palavra para dizer da nossa história, é uma coisa que precisa ser encarada, assumida, a gente precisa prestar atenção nisso. Então, eu quero sublinhar um pedaço da carta da Beatriz falando disso. Beatriz diz assim, "Optei por manter uma relação de colegismo com a mãe, respeitando as distâncias necessárias. Eu estou sublinhando esse, respeitando as distâncias necessárias, porque eu acho que aqui tem uma premissa da Beatriz, que é uma premissa que ajuda a construir o impasse em que ela se vê, que a premissa é a seguinte, ela, Beatriz, tem uma espécie de boa régua que mede a proximidade ou a distância bem vindas a essa relação." Quando ela se vê com essa boa régua, respeitando as distâncias necessárias, depois dela fazer o banalize de como é essa pessoa, de como ela lida com a vida e aí a boa régua entra. Quando ela se sente nesse lugar e o faço banalize, eu tenho essa régua e eu defino o ponto médio ideal para o estar entre a distância e a proximidade dessa relação. O que acontece? Qual a consequência disso? Eu acho que qualquer entrada de um outro nessa dinâmica é vista como invasão. Então, acho que aqui a gente aprende uma ideia de onde começa a sensação de invasão, mesmo que as pessoas sejam sentidas e percebidas como parte da vida do marido. Então, não é que está chegando uma tia lá de longe que vem morar do dia para noite aqui. São pessoas que já fazem parte, mas a invasão é configurada como significado nessa história porque, digamos assim, agride a noção de proximidade e distância que Beatriz tinha colocado para essa relação. E, portanto, você tinha colocado lá na hora que a gente estava falando disso de uma questão que eu amei, que essa distância ou proximidade que está mediada pela ideia da Beatriz não inclui uma outra dimensão que poderia usar outras palavras para falar desse dilema. Ela poderia, por exemplo, falar da distância que eu gostaria. Porque aí ela está assumindo um desejo. Quando ela fala da distância necessária, ela está dizendo de uma distância ideal. E eu acho que tem uma coisa muito importante da gente pensar sobre essa história, sobre esse conceito da distância ideal, que ela não inclui o elemento principal de uma relação familiar que é o movimento de qualquer relação. As relações estão em movimento, então essas distâncias também são vivas. E se não fosse por uma mudança, por exemplo, essa distância poderia ser atravessada por outros fatores, ele fatores. Se a gente pensar numa vida parental, a gente tem um filho quando beber a distância ideal dele para a mãe é zero, se ele puder, ele fica colado ao corpo da mãe todo o tempo que foi possível. E essa distância vai caminhando, conforme essa relação se transforma pelo próprio desenvolvimento pelo transcorreduciclo de vida. Então esse bebê começa a se afastar, então ele vai até onde ele vê a mãe e aí ele volta. E essa distância vai aumentando. E aí esse filho, em algum momento, deseja sair de perto do quarto dos pais. Até uma fase da vida, ele tem desejo de ficar por perto, de cinche o cheiro, de dormir por perto. Em algum momento ele quer um espaço só dele. E em outro momento ele quer, se ele puder, que o quarto dele seja fora da casa. E em algum momento ele quer estar fora da casa. Essas distâncias são vivas, assim como as relações são vivas. Eu quero trazer uma outra frase da Beatriz para gente conversar sobre ela. Sou muito cuidadosa com a minha privacidade, que eu acho que tem tudo a ver com o conceito de invasão, que ela traz mais na frente. Então eu vejo a privacidade como um valor que ela traz dentro dela. E esse valor levou a várias escolhas da vida dela. Por exemplo, a escolha de não ser mãe. Por que, como você falou, a maternidade começa como invasão no corpo da mãe, inclusive, quando é uma maternidade biológica. A vera estava falando outro dia no podcast dela, se expressão da psicanálise. É um outro que habita em mim. Então, a maternidade começa com essa sensação de invasão, seja uma barriga ou na intensidade da proximidade física, como você colocou. Mas pensando na importância da privacidade para Beatriz, eu fico aqui com os meus butões achando que a escolha do conge que ela fez é muito paradoxal. Porque ela escolheu um homem que assume a parentalidade. E a escolha do que também não é tão comum assim, que deseja que celebra o fato da filha está chegando mais perto e ele pode exercer com mais frequência essa paternidade. E por tanto, por que é paradoxal? Por que, diante de todos esses desejos que esse marido tem sobre a própria paternidade, ele não consegue acompanhar o luto da Beatriz sobre a lua de mel desse casal nessa terra prometida. Ele deixa ela sozinha. Por isso, eu acho a sua escolha paradoxal. As nossas escolhas são paradoxal, Beatriz, não só a sua em relação ao seu companheiro, mas todo mundo que está nos escutando aqui pode pensar nas ambivalências que regem e que acompanham as escolhas mais importantes e que a gente acredita que são as melhores escolhas que a gente fez na vida. Eu posso amar, por exemplo, a minha profissão e perceber um monte de paradoxos, um monte de ambivalências nessa escolha em relação aos outros desejos da minha vida. Outra coisa que eu quero pontuar. Eu quero que a gente imagine, agora, geográficamente essa disposição como um Google Maps e agora com preta, tem a casa deles de Beatriz e do marido numa rua e a mãe da filha do marido, entiada de Beatriz e a mãe vão morar na casa que fica na rua de trás. E eu fiquei pensando demais nessa expressão rua de trás, como se fosse uma metáfora concreta de um passado que parecia num jimco, mas que volta, que retorna, retorna pra dizer eu existo, eu existo nesse nível de proximidade com a sua vida, ainda que você tenha imaginado que tenha conseguido colocar essa distância e proximidade exatas respeitando as distâncias necessárias. Então essa volta desse passado agora concreto na rua de trás me parece inevitável nas relações de casal quando a gente começa conhecendo uma pessoa e a intimidade e a progressão dos planos de vida vão trazendo todos os passados que a gente ou não conhecia ou que a pessoa mesmo não se avia, eles chegam, às vezes é o outro que vai nomear a óleo, tem essa coisinha do seu passado que está interferindo no nosso projeto de vida. Então eu acho que tem um passado que está chegando aí na rua de trás da vida da Beatriz que está entrando nessa casa, nessa terra prometida de uma mulher que tinha feito a escolha de não ter filhos. Então até o momento presente é possível.
que uma parte da Beatriz tenha sentido essa relação como se fosse com um pai sem filho em alguma medida. Mas agora, o fato de ser na rua de trás, 24/7, uma outra dinâmica é como se ela tivesse se recazando com uma outra pessoa, porque agora, concretamente, a rotina vai mudar de maneira conto mais. Eu acho que tem um, assim, vou propô uma um giro, na nossa história aqui. Eu acho que esse momento em que ele assume a bagagem dele presente na rua de trás, também obriga a Beatriz a olhar para a bagagem que ela traz e que agora está ocupando a rua da frente. Porque olha só, eu acho que tem uma sensação e você trouxe a palavra luto que eu acho que cabe super bem, que é a sensação da perda que isso envolve, a perda de espaço, a perda de privacidade, a perda da distância ideal, a perda do silêncio, a perda do tempo de contemplação. E eu acho que o que está acontecendo, e você nomeou super bem esse momento de desconexão entre os dois, em que ela está vivendo um luto conectada com as perdas, e ele está vivendo uma celebração e conectado com os ganhos, e inclusive pedindo para não falar sobre as perdas possíveis. Vamos lidar com isso quando isso surgir, se isso surgir, mas vou voltar, que eu me perdi aqui na minha coisa. Mas pensando sobre essa sensação das perdas, eu acho que vou fazer uma proposta de a gente pensar que a gente está ganhando complexidade, que está chegando mais coisa nessa casa e está obrigando a gente construir mais quartos. Porque da mesma forma que o seu companheiro Beatriz traz na bagagem dele essa filha, que é uma filha de carne ouço e que tenha as suas demandas, eu acho que isso te obriga a olhar para sua bagagem, que é a sua filha, que eu acho o jeito que você fala da liberdade, é como se a liberdade fosse também essa filha que você vem criando e escolhendo e cuidando e nutrindo com toda a sua alma, ao longo de todo esse tempo até aqui. Então eu acho que olhar para isso ajuda, inclusive, a entender a forma como você fala do espaço que você está criando para que ela continue existindo aqui. Eu acho que pode ser legal a gente dar uma concreto para ela, colocar ela nessa imagem da sua filha, porque olha só você está buscando um quarto onde também caiba a sua filha. E eu acho que é importante assumir que você é a guardia da sua liberdade. Da mesma forma que ele tem a guarda da filha, você tem a guarda da sua liberdade. E eu acho que isso pode te dar a legitimidade necessária em um mundo tão estruturalmente machista quanto o nosso, tão estruturalmente misógeno quanto o nosso, é um mundo onde é tão difícil olhar para uma mulher que deseja fazer esse compromisso, de assumir a sua liberdade antes de uma maternidade, antes de uma família. E você pode ser a guardia de esse projeto de vida. Eu acho que é uma resistência necessária, assim, é um compromisso com as suas víceras. Sabi da mesma forma como você apoia o seu companheiro, a bancar as escolhas dele, e a bancar a guarda que ele faz dessa filha, eu acho que você também pode pedir apoio dele para que você banque a guarda da sua liberdade e da suas necessidades, que sempre fizeram parte do que vocês se comprometeiram a escolher e admirar e ter ao lado na companhia um do outro. Nossa, eu preciso de alguns segundos aqui para organizar minha fala em cima disso que você está trazendo, de tanta beleza que você está trazendo. Eu penso assim que a liberdade pode ter sido vivida por Beatriz até aqui como uma filha dessa mãe solo, como a mãe dela. Mas num contexto de muita solidão, ela sozinha como a guardiando essa liberdade. E acho importante a gente usar essa palavra solidão porque eu acho que o desenconto deles na chegada da filha da ex-mulher para a rua de trás faz desse casal dois solidários. Porque ela está sozinha com o fim dessa lua de mel da terra prometida e se sentindo invadida nessa solidão e ele está sozinho na celebração da chegada da filha. Então essas duas solidões, eu acho que tocam na Beatriz em algum lugar que faz com que ela se sinta muito desamparada. Por isso que eu gostei de mais disso que você trouxe sobre a liberdade porque eu acho que quando a gente decide entrar num projeto de família, seja esse projeto, um projeto com os senfilhos, a gente está querendo cuidar desse desamparro. E a guarda dessa liberdade por ela ter sido assumida de uma maneira tão solitária e desamparada em muitos momentos. Eu acho que agora tem uma beleza nesse quarto onde a liberdade vai morar para ela dizer para ele, por exemplo, "Ese é a filha que eu estou trazendo em casamentos". Essa é a minha bagagem. A rua da frente tem a liberdade, nós estamos aqui na rua de trás, tem a sua filha, a sua ex-mulher. Sim. E eu acho que a gente imaginar esses lugares assim como se fossem edículas ou pedaços de casas, a casa deles, a casa da mãe da filha, a casa da liberdade ou o quarto da liberdade, o escritório dela que ela precisou construir, agora como um novo lugar para a privacidade dela poder morar. Isso que supostas ser imaginado, que supostas ser abraçado, não como uma coisa que está tendo que sair da nossa casa, mas como uma coisa que faz parte da nossa casa, a nossa casa está precisando se expandir para caber a nova complexidade da nossa vida. E aí eu acho que você faz uma pergunta, Beatriz, que é qual é o lugar dessa mulher, qual é o lugar dessa mulher que escolheu não ter filhos, nessa relação desse homem com uma filha, com uma ex-mulher morando na rua de trás. Esse lugar vai ser construído, esse lugar não está dado. Então eu acho que assumir a autoria dessa vida que vocês estão fazendo juntos é entender que essa casa pode ter o tamanho que foi necessário. E se você precisar de um quarto para sua solidão, para sua solitude, para o seu silêncio, se esse quarto for o quarto, onde a sua liberdade também tem uma varanda e novos espaços, sejam eles quais forem para caber tudo que você precisa que caiba nessa vida que vocês estão fazendo, assim como a casa onde está a filha do seu companheiro, vai passar a fazer parte dessa casa estendida de vocês, acho que tudo isso pode construir uma sensação de que as coisas caibam, de que as coisas estão dentro, e de que não tem uma parte de vocês que vai precisar e para fora para acontecer, que vocês podem construir uma relação de um tamanho que caiba em vergadura de cada um de vocês, que caiba a história de cada um de vocês sem que pedaços precisa ficar de fora, e que vocês vão se visitar nessas histórias na medida do desejo de cada um, que não existe um contrato arbitrário, em que você precisa sumir qualquer tipo de lugar, mas que também você não tem como ter controle dos lugares que você mesmo vai escolher ocupar, porque você vai desenvolver uma relação com essa filha, que a gente não sabe de que natureza vai ser, e pode ser que exista menos desejo de compartilhar mundos, ou mais que isso é incontrolável.
que pode ser que em algum momento você se torne um tipo de referência para ela, que nenhuma das duas tem como imaginar hoje. Eu acho que isso faz parte da beleza de todas as relações. Essa nossa incapacidade de controlar até onde elas vão chegar dentro de nós. E o que a gente vai desejar fazer com elas? Eu fiquei pensando no lugar potencial para ela, pelo menos para começar essa relação nessa nova fase de vizinha da entiada. Porque ela fala na carta de uma lembrança que a mãe dela também era uma mãe solo, que foi morar próxima da família do pai dela, mesmo depois de separada, por conta de uma questão de rede de apoio. E quando ela fala disso na carta, ela não dá mais detalhes de como foi a relação dela, biatriz com esse ato da mãe, de ser aproximada a família do pai, embora já separados. Então a gente não sabe, eu acho que isso é uma coisa para você revisitar. Como é que isso se deu para você quando você era filha e como isso se dá agora na condição de madrasta dessa garota. Porque elas estão vivendo situações espelháveis. Mas onde eu estou querendo chegar nesse lugar que eu estou pontuando para você começar a se sentir menos invadida por essa mudança de indereço das duas. É um lugar que já é seu e que talvez a mãe não tenha para dar para essa filha, que é um lugar de guardiando a liberdade. Esse é um lugar seu que faz parte do que você já vive e acredita pela forma como você leva a sua vida, pelas escolhas que você fez, pelo apreço que você tem pela própria privacidade. Então eu acho que é uma maneira de você pensar que todas as vezes em que a sua entiada entrar com você no quarto da liberdade, ela vai estar vivendo uma experiência simplesmente de destemunhar uma mulher que vai ter isto também como referência para ofertar para ela, mesmo que isso não vira uma conversa. Mas ela vai, o que os filhos, os entiados, os subrigos, os afiliados, o que eles fazem é isso. Nós somos tipo uma série que vai passar na frente deles, e eles vem todas as temporadas dessa série. E a gente nem percebe que a gente está sendo assistido, percebido, interpretado, fantasiado, projetado por eles, mas eles estão fazendo tudo isso com a gente. Eu acho que esse é o primeiro lugar que você pode imaginar, para ocupar nessa nova fase, na sua relação com a sua entiada, porque é um lugar confortável para você. O lugar de guardiando a liberdade é um lugar que você deseja manter apesar dessa mudança de indeliz. Eu achei tão bonito isso que você falou agora, a chante sobre como essa menina vai olhar para Beatriz. E eu fiquei pensando que é um momento legal da gente falar, inclusive, para as pessoas, porque a gente escolheu esse nome. Nós dois somos apaixonados por Chico Boarck. Ele faz parte da nossa história, todas as músicas, todas as letras, e ele cantou tantas almas de mulheres nas músicas dele. E a gente ficou pensando em Beatriz a partir dessa história, enquanto tem essa atmosfera nessa música, que eu acho que tem tanto a ver como você está vivendo. Quando ele diz na letra de Beatriz, se ela dança no século sério, se ela acredita que é outro país, se ela só decora o seu papel, se eu pudesse entrar na sua vida. Olha, será que é de luce, será que é de etter, será que é loucura, será que é cenário a casa da atriz? Se ela mora num arranha céu e se as paredes são feitas de giz, e se ela chora num quarto de hotel, e se eu pudesse entrar na sua vida. Sim, me leva para sempre, Beatriz. Me ensina não andar com os pés no chão, para sempre, é sempre por um trice. Disquanto os desastres têm na minha mão, de ser perigoso a gente ser feliz. Olha, será que é uma estrela, será que é mentira, será que é comédia, será que é divina a vida da atriz? Se a um dia despencar do céu e seus pagantes exigirem bis, e se o arcanjo passar o chapéu, e se eu pudesse entrar na sua vida. Então, eu acho que tem gente fazendo essa pergunta para você. Depois de você já ter respondido sempre o seu companheiro, quando ele pediu para entrar na sua vida. Eu acho que ele entrou na sua vida, e agora vem a filha, vem, o incontrolável, vem o futuro. E isso não precisa ser uma invasão. Eu acho que como se entra nessa vida, nessa vida no sétimo céu, com paredes, feitas de giz, com essa marca da liberdade, é você quem diz como essas pessoas entram. Você não vai ser invadida. Eu acho que você diz como, quando, aonde você desenha essas fronteiras, em que quartos da sua casa, cada coisa pode entrar, e que espaços são seus, e ali ninguém entra. Eu acho que esse é um direito, e eu acho que esse é um pacto, é importante de ser feito entre você e seu companheiro, é como parte de todos os acordos que a gente precisa fazer nas nossas relações. Acho que esse pacto, é um pacto agora, também de uma guarda assumida pelos dois, da liberdade de Beatriz. Um junto com a sussão dos dois, está guarda da filha entiada. Esse pacto agora vai reger essa vida, vai reger a casa da Beatriz, vai reger esse lugar novo de se habitar, mas cheio de quadrantes diferentes, cheio de espaços para elas poderem testar distância e proximidade sem controle. Então, definido quanto Beatriz imaginava que pudesse ter. Isso, porque essas respostas não precisam ser definitivas. Quantas vezes em uma vida a gente refaz uma casa e muda tudo de lugar, porque mudaram as necessidades e mudou o jeito de a gente habitar os nossos espaços. Então, eu acho que liberdade também é isso. Também é a gente poder refazer os arranjos e refazer o que não funciona. E abraçar o que funciona. Obrigado por abraçar os meus pedidos de liberdade a minha vida, os meus sétimos céus e agora esse podcast ele fica imenso com a sua chegada. Eu tô nessa emoção, gente. Eu tô nessa emoção. Eu, por mais que eu já conheça e isso é uma das belisas do diálogo por mais que eu já conheça quem seja essa mulher na hora que a gente conversa eu me surpreendo eu me combo eu reconheço quem tá diante de mim. Eu desejo que toda essa conversa sobre Beatriz liberdade, pertencimento, invasão, casa. Também possa fazer parte dos seus diálogos sobre a sua vida conjugal. A ideia dessa temporada é a gente pegar a histórias de casais que possam ser universalizadas pra diálogos em todos os espaços. A ideia do cartas de um terapêuto é transformar uma história particular em diálogos universais que possam ser espalhados por aí com um dente de leão. Se você gostou desse episódio, espalhe mesmo. Begue aqui, compartilhe no seu histórico Instagram, comite com as pessoas no offline, no butéco, na casa da sua amiga, faça esse podcast, se espalhar por aí. Se você quiser contar sua história pode escrever para a Lichandre, Corrinha e Bramaral, @gme.com. Até o fim dessa temporada, eu e Dani, estaremos aqui. Até. Quinta que vem eu te espero, nós te esperamos em mais um cartas de um casal de terapêutas. Um beijo amor. Um beijo, um beijo que linda. Até a próxima gente. Este podcast é produzido por Abrace ponto digital. Edição de Samuel Gambini, artes de neis soares costa, produção executiva de Thiago Queroze e Hugo Benchmall, apresentação, roteiro e seleção das cartas por mim, Alexandre Coimbra-Maral. E você que me escuta é a audiência que é o motivo desse podcast de si e a vontade dele continuar acontecendo todas as semanas. Muito obrigado.
Podcast Summary
Key Points:
Beatriz, uma mulher sem filhos, vive uma relação intercultural com um companheiro que tem uma filha de seis anos, e a mãe da criança decidiu mudar-se para a rua de trás da casa deles.
A mudança iminente gera sentimentos de invasão e ansiedade em Beatriz, que se sente desconfortável com a proximidade física e a intensificação dos conflitos entre os pais da criança.
Beatriz questiona seu papel como "esposa de um homem com filhos" e se é a pessoa certa para essa relação, sentindo-se pressionada por expectativas sociais sobre família e maternidade.
Os terapeutas Alexandre e Dani analisam a carta, destacando a metáfora do "terceiro lugar" nas relações interculturais e a necessidade de aceitar que as distâncias relacionais são dinâmicas e mutáveis.
A discussão enfatiza que a sensação de invasão de Beatriz decorre de sua crença em uma "distância ideal" fixa, que não considera o movimento natural das relações familiares.
Summary:
A carta de Beatriz, comentada pelos terapeutas de casal Alexandre e Dani, aborda o dilema de uma mulher sem filhos que vive uma relação intercultural com um homem que tem uma filha de seis anos. A mãe da criança decide se mudar para a rua de trás da casa do casal, o que gera em Beatriz sentimentos de invasão, ansiedade e perda de controle sobre o espaço e a rotina que ela levou tempo para construir. Ela se sente deslocada, questionando seu papel na dinâmica familiar e se é a pessoa certa para essa relação, especialmente por valorizar sua privacidade e liberdade.
Os terapeutas interpretam a história como um exemplo de construção de um "terceiro lugar" nas relações, onde dois mundos se encontram para formar algo novo, mas alertam para a armadilha de tentar controlar as distâncias relacionais como se fossem fixas. Eles destacam que as relações estão em constante movimento e que a mudança da mãe, embora desafiadora, faz parte da evolução natural da vida familiar. A análise sugere que Beatriz precisa rever sua premissa de "distância necessária" e abrir espaço para o diálogo, reconhecendo que a proximidade física pode trazer novos desafios, mas também oportunidades de fortalecimento de vínculos.
A conversa também explora como a interculturalidade amplia esses desafios, mas ressalta que a história de Beatriz reflete dilemas universais sobre limites, identidade e pertencimento em relacionamentos complexos.
FAQs
O Cartas de Interapelta é um podcast apresentado por Alexandre Coimbra-Maral e Dani, que aborda temas de relacionamento amoroso e terapia de casal, analisando histórias enviadas pelos ouvintes.
Usando o cupom 'Cartas Avatim' no site avatim.com.br, você ganha 15% de desconto em qualquer produto e também o livro 'Cartas de Interapelta', enquanto durarem os estoques.
A nona temporada do Cartas de Interapelta é sobre relacionamento amoroso, com foco em histórias de casais e terapia de casal.
O 'terceiro lugar' é uma metáfora para o espaço único construído por um casal, que não é o mundo de nenhum dos dois, mas um novo território criado juntos, especialmente em relações interculturais.
A sensação de invasão pode surgir quando a distância ou proximidade definida por um parceiro é alterada. É importante reconhecer que as relações e distâncias são vivas e em movimento, e dialogar abertamente sobre os sentimentos e limites.
O papel da esposa nessa dinâmica não é fixo, mas envolve respeitar a relação pai-filho, encontrar seu próprio espaço e comunicar suas necessidades, sem se sentir obrigada a abrir mão de sua liberdade ou paz.
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