A conversa aborda como a cultura contemporânea lida com crises conjugais, destacando que a fluidez pós-moderna trouxe liberdade, mas também menor tolerância à frustração e desistências precipitadas. Os participantes observam que a falta de disponibilidade para o diálogo, agravada pela aceleração e pelo individualismo, impede que casais transformem crises em oportunidades de crescimento. Muitas vezes, a terapia de casal torna-se o único espaço de escuta profunda, mas deveria servir como modelo pedagógico para o cotidiano. O medo da mudança e a dificuldade de elaborar o luto da relação idealizada levam a conversas superficiais sobre sintomas, evitando questões estruturais como valores, projetos e sentimentos de invisibilidade. A crise é comparada a uma rachadura que, se negligenciada, se espalha por todos os aspectos da vida do casal. Há também a ilusão de que é preciso superar mágoas antes de dialogar, mas o diálogo é essencial para nomear e resolver a crise. A troca coletiva entre casais é vista como revolucionária, pois permite aprender com experiências reais e superar o isolamento. O episódio termina com um convite para que ouvintes compartilhem suas histórias, reforçando a importância de falar abertamente sobre relacionamentos e de promover pequenas revoluções cotidianas, de mãos dadas, em busca de esperança e resistência amorosa.
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que você sente que as pessoas têm hoje nessa cultura para lidar com o crise e o tempo de uma crise e as frustrações que uma crise em volume. Eu acho que a gente pode. vamos construir juntos aqui, eu quero pensar em voz alta junto com você. Eu penso assim que a pos modernidade trouxe essa fluidez para os relacionamentos, que é bom do ponto de vista da gente poder inventar novos formatos, da gente poder sair das definições muito conservadoras do que seja uma relação, da gente poder ter várias pessoas participando de uma biografia conjugal ao longo de uma existência. Isso é ótimo. Deslegitimar essa narrativa única que você tem que ficar até a morte, até que a morte separe, etc. Isso tudo é ótimo. Mas ao mesmo tempo essa liquidez, ela trouxe uma dificuldade de perceber o que é crise que pode ser transmutada e o que é agonido. E eu sinto que muitas pessoas, por exemplo, muitos homens, chegam ao grupo de homens, transtornados, porque estão vivendo o fim e perceberam que poderia ter sido apenas uma crise. E se colocando como uma pergunta, o que será que aconteceu que eu não consegui conversar, que eu não consegui estar ali com o meu conjuge para fazer, desse momento de crise, um ponto de desenvolvimento de uma relação que poderia durar mais tempo. Então acho que temos mais desistências, mais rapidamente, porque temos menos tolerância frustração. A outra coisa que eu acho que tenha acontecido com as crises no nosso tempo, é a indisponibilidade para conversar. Acho que estamos mais acelerados, estamos mais alto centrado, como Metafra, Trago aqui, a Câmara de Self e do celular, todo mundo querendo se mostrar e pouca gente querendo escutar o outro. Então acho que isso vem para o campo da crise conjugal como um grande problema, porque para eu, junto com o meu conjuge, construir a transposição dessa crise para um outro estado do relacionamento, preciso de várias cerimônias de escuta e fala. Vários diálogos acontecendo, o contempo para eles serem ditos, bem ditos, bem escutados e bem elaborados entre silêncios, entre momentos que os dois vão separar cada um para a sua vida, ali, depois voltar de noite, conversar mais um pouquinho e ter mais uma outra conversa. Eu sinto que estamos muito menos disponíveis para esse fluxo de construção de um diálogo sobre a crise, então acho isso problemático. E para mim o ósseme em toma disso é que nas terapias de casal, a gente se frustra como terapêutro, em variávelmente, porque a gente pergunta assim, "E aí, o que vocês elaboraram sobre o que a gente conversou na semana passada?" - Resposta muito comum? - Não tivemos tempo de conversar sobre isso. - Isso! - Em duas semanas, né? - E geralmente, o intervalo é quinzenau. - É quinzenau. Então é isso. Para mim sempre passa essa sensação de que a terapia de casal, nesse momento histórico, se transformou no único espaço de diálogo, com esse grau de presença, profundidade, escuta. E eu acho que o meu desejo como terapêutro é sempre que eles sejam um espaço pedagógico para ser replicado no cotidiano. E eu sempre provoco os casais para isso. Você sente a mesma coisa? - Sim, sim. - Essa aprendizagem, essa aprendizagem do diálogo, ela tem que transbordar da seção de terapia e muitas vezes isso é difícil. E eu volto na nossa primeira conversa, no seguinte ponto, eu acho que isso é tão mais difícil quanto mais medo se tem das conversas acontecerem. E eu acho que muitas vezes esse medo está de mãos dadas com medo da mudança. Eu acho que essa sensação de que se eu entrar nessa crise, se eu entrar nessa conversa, alguma coisa tem que mudar, ela é muito ameaçadora para muita gente. E aí a conversa, ela vai por um outro caminho que é o de não dar conta de se despedir da relação que eu conhecia. Então eu converso para pedir de você aquilo que a gente tinha antes. Eu converso para cobrar de você a pessoa que você era antes. Eu converso querendo que as coisas não mudem. E aí eu acho que existe muita dor envolvida nessa expectativa. Porque uma crise é um processo de luto, é um processo de elaborar o luto daquilo que já não é mais, daquela resposta que não serve mais, daquilo que eu já não conheço sobre você, sobre mim ou sobre nós dois juntos, ou sobre essa relação que a gente faz. E a elaboração desse luto com uma disponibilidade para a reconstrução. Então eu acho que muita gente fica ali presa num hemaranhado da crise durante muito tempo, sem dar conta de se despedir da relação ou idealizada, ou da relação que não envolvia as complexidades que ela envolve agora. Sabe o que eu fiquei pensando? Fiquei convontado de falar uma coisa aqui para as pessoas. Parti desse medo pode se dissolver quando a gente pensa o seguinte. Eu não vou conseguir descobrir a saída desse labirinto enquanto eu não conversar. Isso pode parecer muito óbvio, mas eu acho que não é. Nesse mundo individualista, eu acho que se forjou uma mentalidade, que eu acho que é o avesso de uma relação com o Jogal, de que assim, primeiro eu me introspecto, eu fico sozinho comigo, elaboro tudo o que eu estou sentindo, resolvo sozinho, depois eu converso com meu parceiro, minha parceira. E eu acho que no relacionamento eu o contrário, eu preciso conversar até para impender que crise a essa, que às vezes é só uma sensação ruim, é só um cômodo que não consegue nem chegar a palavra. E a palavra sobre a nomeação do que está acontecendo, a palavra que dá nome à coisa, às vezes ela acontece do encontro, não encontro através dessa disponibilidade pro diálogo. Então, o que às vezes na terapia individual a gente costuma chamar de "insite", isso surge na terapia de casal, em que, por exemplo, na primeira sessão a gente precisa definir do que a gente está falando, que crise é essa, que vocês estão trazendo para cá. E não tem problema que eles venham com percepções de vergentes, com histórias absolutamente desencontradas narrativamente sobre o que essa história está contando. A gente sempre consegue alinhar vá através da escuta, um jeito de abordar a crise que seiva ao relacionamento e, portanto, aos dois. Acho que isso é um exercício, um esforço que não necessariamente precisa ter um terapêuta, mas apenas uma disponibilidade para costurar juntos a palavra. É uma tecatura, o que eu acho que acontece muito é que o tempo do afastamento, o tempo do silêncio, o tempo do adiamento do diálogo é tão prolongado que as pessoas chegam para essa conversa, um déficit muito profundo de escuta, com a relação já muito fraturada por macros, cumpas, recentimentos, então acho que isso tudo também tem a ver com o tempo, a possibilidade de a crise gerar bons diálogos, também tem a ver com o tempo. Não deixá muita latência entre o momento que se sente um incomo do momento que se parte para o diálogo. É porque se a gente pensar na relação como um chão compartilhado, como uma casa que se constrói junto, como se existe uma rachadura e as pessoas que moram ali, falam na o tempo vai resolver.
isso, né? E ela vai se aprofundando e se você não para para cuidar dela, ela vai até as estruturas da casa, né? E fica cada vez mais profunda e vai separando e construindo um abismo, né? Um abismo perceptivo, um abismo entre as versões dessa história, com narrativas muito diferente sobre o que está se vivendo. Essa crise que vai se abrindo nessas frestas, nessa parede, ela tem características muito especiais, né? Porque pegando aqui a sua metáfora linda, a gente pode pensar que essa rachadura, ela pode começar no quarto do casal, mas ela chega no quarto dos filhos, chega na sala de Star, né? Então essa crise com o Jogal começa a ficar perceptível para os amigos que vivem experiências em que tem uma certa torta de climao ali no casal, né? Ou os filhos são envolvidos nessa crise, nessa rachadura, realmente ela pode começar em qualquer cómodo dessa casa, mas se ela não for tratada, ela se alastra para o cómodo mais íntimo, ou para o cómodo mais social, né? Para todas as camadas da exposição do casal ao mundo, né? Sim. Da experiência desse casal. E às vezes porque essas conversas profundas são difíceis, o casal tenta cuidar delas muito pontualmente, né? Então tenta cuidar das ramificações dessa rachadura, né? E aí tem aquele fiozinho que eles vão discutir sobre qual quadro você coloca ali, né? Então você tem um monte de conversas sobre, sobre sintomas da crise, você tem um monte de conversas que são sobre, sobre o horário, sobre a responsabilização por demandas cotidianas, que são sobre, sobre questões mais pragmáticas, porque são conversas mais fáceis de acontecer, mas a conversa de base, a conversa mais estrutural, as conversas sobre os valores daquele casamento, nas conversas sobre os projetos compartilhados, sobre a forma como eu me sinto visto ou invisibilizado nessa relação, elas não acontecendo, não adianta você ir tendo essas conversas acessórias, porque elas vão se desdobrando em desenhos de outras e isso geram desgaste e mais afastamento, e mais conflito, e mais sensação de desesperança de que alguma coisa possa ser resolvida. Você acha que existe por parte dos casais uma ilusão de que para se conversar sobre a crise ou na crise é necessário primeiro limpar as raivas, as magas, você acha que existe esse tipo de ilusão? Acho que pode existir, sim, mas eu acho que não tem outras coisas, eu acho que a gente ainda tem relações muito permeadas por um ideal de amor romântico, em que o outro deveria estar mais pronto para a relação do que ele está. A gente tem pouco uma visão de que aquela relação é uma comunidade de aprendizagem e uma expectativa de que outro vai entender o que eu espero dele, de que esses sinais que eu estou dando vão ser suficientes para as mudanças que eu espero acontecer, de que aquilo que eu estou esperando do outro é muito óbvio. Então enquanto a gente não assumir essa quebra desse ideal, de que o outro não cabe no meu ideal, de que eu não caigo no ideal do outro, a gente fica perdendo energia nesses pequenos jogos que acontecem nas relações e deixando de falar o que precisa ser dito. Nossa, é muito muito forte isso que você está dizendo porque a gente tem aqui uma outra questão, né, a ilusão de estar arçando, né, quando o diálogo pode servir a uma espécie de defesa conjugal que parece atravessar a crise, mas está só bordejando, né. Eu falo sobre acessórios e perfumarias da nossa vida, logísticas importantes, mas eu não falo, eu não entro no veio da rachadura para conversar com o que é ali de dentro, do lado de dentro do abismo. Eu acho que isso é muito crucial, é muito crucial e acho que é por isso que a terapia de casal às vezes é tão impactante para quem participa dela e acho até por isso que ela deve ser quinzenal porque a força desse diálogo às vezes precisa de um tempo para ser decantado. Sobretudo, por todos essas características que a gente colocou, pessoas que conversam pouco, que tem pouco tempo de disponibilidade para uma real conversa, né, pouco quantitative e qualitativamente falando, né. E na hora que se coloca nessa experiência de diálogo em que tem um terceiro lido e não, vamos conversar isso, é que é importante volta aí, não isso aqui, volta, fala mais você que é que se sente disso que a outra pessoa falou, etc. Eu acho que isso é muito novo, novo no sentido de pouco habitual na história daquele casal, mas também é possível aprender a de eu lograr sobre a crise, né. Eu também acho que a gente tem umia beleza incomparáveis, assim, de casais que aprendem a conversar no meio do calso, que aprendem a se colocar um pro outro com um írgio de verdade, que eles achavam que não alcançaria, né. Exatamente, exatamente. E tem lugares, inclusive lugares nossos que a gente só visita no encontro com o outro. E não desencontro com o outro também, tem lugares que uma terapim individual, por exemplo, nunca vai chegar. Tem formas da gente estar na vida que só acontecem quando eu estou com essa pessoa, quantas vezes a gente escuta isso. Eu só sou assim com ele, com ela, com essa pessoa, eu sou assim, com essa pessoa, eu chego a esse limite, com essa pessoa, então eu acho que pode olhar para isso, é muito revolucionário. E a gente vive isso de forma muito privada, assim, muito pouco, muito pouca troca existe sobre isso. A gente conduziu algumas vezes trabalhos de casar em grupo e aconteceram coisas muito bonitas e a sensação que eu tenho é que as nossas vidas individualistas fazem com que, especialmente os casais, também a parentalidade que os casais vivem, seja muito isolada. E se fala disso nada com outras pessoas, na hora que os casais se encontram muitas vezes, eles ficam ali na sala de visitas mesmo. Essa conversa não entra no quarto, ela não entra na cozinha, ela não entra na intimidade das relações. E isso faz com que a gente possa aprender pouco com a experiência real dos outros, coisas que a gente vive naturalmente em outras relações de trabalho, relações com nossos pais, a possibilidade de falar disso, muitas vezes no casamento isso não acontece. A gente não tem esse espaço de ver os casais lidando com crises e isso ser uma coisa que todo mundo possa aprender com isso. Quando isso acontece coletivamente é tão revolucionário, né? maravilhoso. É revolucionário, sim. Eu adoro essa palavra, eu adoro essa palavra revolucionário, porque eu me identifico muito com essa ideia de que uma das formas da gente se sentir mais vivo é usar quem a gente é para transformar o mundo em que a gente está. E eu queria terminar essa conversa de fazendo um agradecimento, porque eu acho que a nossa disposição para vivermos no diálogo, seja na nossa vida profissional ou na nossa vida privada, acabou dando a nossa a condição da gente ser revolucionário dentro da própria vida. Da gente se sentir sempre recém nascido dentro de uma história cada vez mais longa e com muita esperança, com muita esperança de que as crises virão e que teremos disposição para elas. Eu acho que isso me anima para ir para o mundo falar e escutar em dialogar, qualquer posição que eu tiver isso me anima muito para o mundo, embuído dessa experiência viva dentro de mim.
lá no episódio passado você me perguntou sobre alguma transformação em mim a partir do nosso encontro e essa é uma das transformações. Eu acho que o nosso encontro faz sempre reflore estar essa esperança revolucionária, uma experiência viva, viva, viva. O tempo todo é semente colheita, um pouco de um, um pouco de outro, mas eu poder levar pro mundo essa experiência dentro de mim, no meu coração, no meu olhar, na minha forma de mentos e as mapas, escutas, das histórias. Muito obrigada, você me ajuda a transformar essa palavra-revolution no ar-pidrido. Resistência amorosa. E que a gente possa falar mais sobre as nossas relações de verdade, eu acho que nesse tempo de rede social muitas vezes é o precivo para as pessoas testemunhar ou achar que estão testemunhando relações que não são de verdade, que tem muitos filtros ali para elas apareceram para o mundo. Eu acho que a gente poder trocar sobre as desafios que as relações trazem é poder aprender junto a passar por eles e crescer junto. Então, acho que compartilhar esses espaços de diálogo com vocês faz parte disso também, atravessando esses processos por dentro e atravessando de mãos dadas e a gente podendo fazer nossas pequenas revoluções cotidiana. De mãos dadas, é o jeito que a gente está com vocês nessa temporada. Eu de mãos dadas a dane, dane de mãos dadas a mim e nós de mãos dadas a você. E se essas mãos dadas fazem sentido para você e você quiser contar a história da sua crise e trazer uma pergunta para a gente debate, aqui não pode que este como uma carta de um relacionamento com o jugal, de uma crise com o jugal e que a gente possa nos próximos episódios abordar essas histórias a partir desse jeito que você está vendo a gente conversar aqui, você pode escrever para Alexandre, Coimbra, Marau, RobaGmail.com. Esse episódio que não fique só entre nós, que mais mãos dadas possam entrar nele. Então, se você quiser, se você achar legal, compartilhe no seu histórico de Instagram, conte para as pessoas, fale lá com os seus amigos, as suas amigas, que o cartas de um terapelta está diferente nessa temporada. Agora e todas as semanas até o final dessa nona temporada a gente se encontra quinta as feiras, igual a semana que vem. Na quinta que vem, a gente te vê com mais um cartas de um casal de terapeltas, um beijo e até lá. Tchau gente, até lá. Este podcast é produzido por abraço e ponto digital. Edição de Samuel Gambini, artes de neis soares costa, produção executiva de Thiago Queroze e Hugo Benchmall, apresentação, roteiro e seleção das cartas por mim Alexandre Coimbra, Marau. E você que me escuta é a audiência que é o motivo desse podcast de se existir e a vontade de ele continuar acontecendo todas as semanas. Muito obrigado.
Podcast Summary
Key Points:
A pós-modernidade trouxe fluidez aos relacionamentos, mas também reduziu a tolerância à frustração, levando a desistências rápidas diante de crises que poderiam ser superadas.
A falta de disponibilidade para o diálogo, devido à aceleração e ao individualismo, dificulta a elaboração de crises conjugais, tornando a terapia de casal muitas vezes o único espaço de escuta profunda.
O medo da mudança e a dificuldade de elaborar o luto da relação idealizada fazem com que muitas pessoas evitem conversas estruturais, focando apenas em questões superficiais ou acessórias.
A crise é comparada a uma rachadura na casa do casal; se não for tratada, alastra-se para todos os cômodos, afetando filhos, amigos e a exposição social do relacionamento.
Existe a ilusão de que é preciso "limpar" as mágoas antes de conversar, mas o diálogo é essencial para nomear a crise e descobrir soluções, mesmo que exija coragem e disponibilidade.
A terapia de casal e os encontros coletivos entre casais podem ser revolucionários, pois permitem aprender com a experiência real do outro e promover pequenas revoluções cotidianas.
O podcast convida ouvintes a compartilharem suas histórias de crise conjugal, reforçando a importância de falar sobre relações de verdade, sem filtros, e de caminhar de mãos dadas.
Summary:
A conversa aborda como a cultura contemporânea lida com crises conjugais, destacando que a fluidez pós-moderna trouxe liberdade, mas também menor tolerância à frustração e desistências precipitadas. Os participantes observam que a falta de disponibilidade para o diálogo, agravada pela aceleração e pelo individualismo, impede que casais transformem crises em oportunidades de crescimento. Muitas vezes, a terapia de casal torna-se o único espaço de escuta profunda, mas deveria servir como modelo pedagógico para o cotidiano.
O medo da mudança e a dificuldade de elaborar o luto da relação idealizada levam a conversas superficiais sobre sintomas, evitando questões estruturais como valores, projetos e sentimentos de invisibilidade. A crise é comparada a uma rachadura que, se negligenciada, se espalha por todos os aspectos da vida do casal. Há também a ilusão de que é preciso superar mágoas antes de dialogar, mas o diálogo é essencial para nomear e resolver a crise.
A troca coletiva entre casais é vista como revolucionária, pois permite aprender com experiências reais e superar o isolamento. O episódio termina com um convite para que ouvintes compartilhem suas histórias, reforçando a importância de falar abertamente sobre relacionamentos e de promover pequenas revoluções cotidianas, de mãos dadas, em busca de esperança e resistência amorosa.
FAQs
A pós-modernidade trouxe fluidez para os relacionamentos, permitindo inventar novos formatos e sair de definições conservadoras, como a ideia de ficar junto até a morte. Isso é positivo, mas também dificulta distinguir entre uma crise que pode ser superada e um fim inevitável.
Porque há menos tolerância à frustração e mais indisponibilidade para conversar. As pessoas estão mais aceleradas e autocentradas, o que impede diálogos profundos necessários para atravessar crises.
A terapia de casal se tornou muitas vezes o único espaço de diálogo com presença, profundidade e escuta. Ela deve ser um espaço pedagógico para ensinar o casal a replicar esse diálogo no cotidiano.
O medo está ligado ao medo da mudança, pois entrar na crise pode exigir transformações. Muitas pessoas conversam para tentar manter a relação como era antes, em vez de se abrir para o luto e a reconstrução.
Não, em relacionamentos é o contrário: é preciso conversar para descobrir o que é a crise, pois a palavra que nomeia o problema muitas vezes surge do encontro com o outro, não da introspecção solitária.
Quanto mais tempo passa, mais a relação se fratura com mágoas e ressentimentos, criando um abismo perceptivo. Conversar cedo evita que a rachadura se aprofunde e se espalhe para outras áreas da vida.
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