08 // Espiritualidade, natureza e tempo no design japonês
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O episódio final da Quarta Temporada do Podcast da Japão São Paulo explora a conexão entre o design japonês e valores espirituais, naturais e temporais. O foco é a harmonia entre o ser humano e a natureza, baseada no conceito de *mono no aware*, que valoriza o efêmero e a beleza da impermanência. Jardins japoneses são apresentados como experiências vivas e dinâmicas, onde cada passo revela uma nova paisagem, desvendando um caminho de contemplação e reflexão. O design é visto como um processo cuidadoso, que valoriza o tempo, a qualidade e a sustentabilidade — desde o uso de materiais como casca de arroz ou palha de arroz até práticas como o *sachicô*, que evitam o desperdício. A influência da tradição sobre a inovação é destacada como um equilíbrio essencial, sem rupturas. A temporada conclui com uma visão otimista sobre o futuro do design, inspirado em valores de coletividade, respeito ao meio ambiente e conexão com o passado. A cultura japonesa, com sua abordagem sensível e consciente, oferece um modelo para uma sociedade mais sustentável, ética e em sintonia com a natureza. O design, nesse sentido, não é apenas uma forma funcional, mas uma forma de vida que educa, transforma e inspira.
Oi! Que bom ter você aqui com a gente nesse oitavo e último episódio da Quarta Temporada
do Podcast da Japão São Paulo! Eu sou a Natacha Barzag Genén, Diretor
a Cultural da Japão House e estou muito feliz de ter você comigo aqui em mais uma
viagem pela cultura japonesa. Se você está chegando agora por aqui, já
viso que tem muita coisa legal pra ouvir no fide do Podcast da Japão São Paulo.
A gente já teve temporadas literaturas, de gastronomia e de cinema. E agora nessa
Quarta Temporada, a gente está falando sobre design de japonesa. Eu tenho aqui
comigo acompanhada a jornalista, curadora, historiador e crítica de design a
delha Bosch. Oi, Natacha! Oi, pessoal! Desde o início a gente queria falar de
design de maneira abrangente, mostrando a amplitude desse tema que passa por
espaços, objetos feitos a mão, roupas e decidos, produtos, embalagens, veículos,
robôs, eletrodométicos, tanta coisa. Conseguimos falar de muita coisa e dar conta
de um universo bem amplo. É verdade, Natacha. Eu acho também lembra que eu
comentei lá no primeiro episódio, que eu gostaria que a gente, enquanto
sociedade, que a gente aumentasse a percepção consciente sobre a presença do
design nas nossas vidas. E a partir disso, a gente pudesse ter mais trocas, mais
discussões e debates sobre o tema. E eu acho que ao longo desses episódios, com
ajuda dos nossos convidados, a gente conseguiu avançar um pouquinho pensando
nessas múltiplas fases tão fascinantes do design japoneses. Para encerrar essa
temporada, a gente vai falar um pouco da relação do design japoneses com a
espiritualidade, com a natureza e com o tempo. Esses são temas que têm
aparecido ao longo de todos os episódios anteriores, mas aqui a gente vai
mergulhar um pouco mais. E como nas outras temporadas, a gente vai falar um
pouquinho também sobre olhar para frente. Então, Natacha, falando disso da
relação do design com a natureza, eu queria lembrar uma frase que eu ouvi
do que em Jacquão, um diretor da de quei, que me recebeu, foi meu gurú,
facilitador, anfitrião, na minha ida ao Japão, que eu nunca tinha ouvido falar
antes, ele falava de dois tipos de natureza. Ele falava da God,
"mey nature" e "mey nature". Quer dizer, a natureza feita por Deus e a natureza
feita pelo homem, pelo ser humano. Esses dois tipos de natureza que coexistem
em tudo a nossa volta. Não sei que a gente morre numa floresta sem nada feito
pelo ser humano, aí sim seria só a God, "mey nature", mas quando há, já alguma
alternação de uma matéria prima para fazer um objeto, para fazer algo, aí seja
tenha interferência, né, da gente como ser humano, modificando isso, né? E o que
ele dizia era que a missão de um designer era fazer com que essas duas esferas
não brigam, ou seja, que o que os homens, os seres humanos projetam, não agridam a
natureza. O objetivo do design é buscar essa harmonia, essa simbiose, né? E buscar
uma relação boa entre coisas e pessoas e entre coisas ambientes, sempre com
um senso de beleza por trás de tudo. Essas ideias, né, são muito afrente de
tudo, acho que são coisas que ele falava ali nos anos 90, né, quando a gente
conviveu mais e tinha uma outra frase, né, preciso perguntar a árvore ou a
montanha, o que você quer dos seres humanos, né? Nos últimos tempos, essas questões
têm sido todas levantadas, têm sido falado, dantropoceno, têm sido falado, como
que a gente vem destruindo esse planeta, né? E são coisas que, aparentemente, não
tem a ver com o design, mas tem sim, né? E é bem interessante que no grupo de
design ou de queia, essa grande empresa, esse grande escritório fundado pelo que
em GQA, foi criado em Instituto de Dogologia, o dogola de inglês. É uma
palavra que eles inventaram que vende dogo um termo em japonês, cuja tradução
seria ferramenta, instrumento e, na verdade, para ele, o dogol era tudo que o
homem faz para ajudar as pessoas a viver em melhor, ou seja, quando a gente está
falando de design, a gente está falando de ferramentas de melhoria da vida das
pessoas. Dentro dessa concepção, o bom design é aquele que soluciona
problemas, que ajuda a gente a viver no final das contas e pensar no senso de
beleza que o que em GQA destacava por trás de tudo isso, me lembra também
outra conversa que a gente teve nos episódios anteriores sobre beleza e
funcionalidade, e como as duas coisas andam juntas, o que é útil ganha em
beleza por seu útil e o que é belo ganha e utilidade por cebelo. É isso aí
na taxa, a gente está falando também da busca por um senso de harmonia, a convivência
entre opostos, a valorização da funcionalidade e da beleza.
Um coisa que me marcou no Japão dentro do design não foi um objeto ou uma forma
ou um material, mas uma noção de delicadeza e síntese.
Delicadeza e síntese. Essas também são algumas características do design
japonês que a gente falou em muitos momentos e que foram muito bem lembradas
agora pelo Gerson de Oliveira, designer da vírgula Ovo, que a gente já ouviu também.
É impressionante esse poder de síntese dos designers japonês, sejam eles
designers conhecidos, nomeados, sejam do design anônimo, vernacular, mas esse
poder de síntese é alguma coisa muito presente e muito impressionante.
No primeiro episódio em que a gente falou dos espaços, a gente falou do bentoa,
os hotéis cápsula, a gente falou de um livro escrito pelo Kenji Kuang, que ele fala
do bentoa, essa marmita japonesa que vem com os alimentos concentrados dentro
de uma caixa, ele escreve esse livro falando que esse é um paradigma de todo o
design japonês, que tem a questão da miniaturização, que tem a questão de
concisão, da simplicidade, da conveniência, da facilidade de uso e tem essa
questão do elemento surpresa, ele diz que o design japonês tem um componente de
drama, como quando você está num teatro e a cortina se abre, e aí você fala o
al, e também ele tem muito a ver com a passagem do tempo no sentido de que as
coisas, por exemplo, o próprio alimento que vem dentro do bentoa, ele vai variando
conforme a estação do ano que a gente está vivendo, e o design japonês tem essa
relação bastante grande, então com essa coisa desse efeito al e dessa
cortina que se abre para o inesperado.
O vindo você falar dela sobre esse senso de surpresa e de um certo mistério, as etapas
que são desvendadas, isso me faz pensar também num jardim japonês, um jardim
japonês é sempre um convite para a gente se surpreender, para a gente observar,
para estar atenção em cada detalhe, ter o tempo de fazer essa observação, e o
tema dos jardins japoneses apareceu nessa conversa que a gente teve com o
Gerson de Oliveira, ele estava contando para a gente sobre a viagem mais recente
dele ao Japão e sobre as coisas que ele mais gostou de ver por lá.
Num dos jardins de outro que a gente visitou, é um que fica lá perto da floresta de
bambos, de araxeama, e ele foi feito por um ator japonês que foi muito famoso na
década de 70, ou coisa assim, no momento da vida ele foi lá, foi para esse
lugar e comprou essa terra, e começou a se dedicar a fazer esse jardim e passou
anos fazendo pro jardim, e o livro que eu li sobre esse jardim, fala uma frase
linda, que assim no Japão quando alguém quer fazer alguma coisa importante para
deixar fazer um jardim, que é o espaço público por excelência.
O jardim é uma coisa muito engraçada, né, porque quando o pajarista ele cria um
jardim, ele tem mente o formato e a coloração desse jardim para daqui a 50 anos,
para daqui a um século, ou seja, esse jardineiro ele não vai ver o jardim pronto.
Então nesse sentido também é uma autopia, porque ele acaba criando um espaço que foi
desenhado na sua imaginação, e tem também um componente da transformação da
natureza, as quatro estações penítidas, então o jardim ele tem que ter uma
característica muito própria para cada estação do ano, então nesse sentido ele é uma arte
dinâmica.
Quem está acompanhando essa temporada desde o início já conhece essa voz é o produtor
cultural de Otakar Hash, que a gente já ouviu tantas vezes por aqui.
Eu acho que uma pessoa que queira realmente ter uma boa imersão na cultura
japonesa, acho que tem que ter um tempo dedicado a visitar esses jardins, e tentar
entender esses jardins não só do ponto de vista visual, mas também do ponto de vista
filosófico.
longo da passagem das estações. E ele não é só contemplativo, né, porque ele é
inercivo, existe toda uma experiência no percurso dentro do jardim.
Natalcha, falando da experiência de percurso, vêm a memória um jardim realmente extra
ordinario, né, da vila imperial de catura em que o outro.
Os jardinhos de catura são realmente excepcionais, a delha. O Jerson de Oliveira contou pra gente
que teve por lá. Vila Catura é palácio de verão da família imperial do Japão construído
no século XVII e, na verdade, esse palácio foi construído com um presente casamento
pro filho do imperador. O filho do imperador que lêu num boê mal, um raikai da época.
Ele é um trecho que dizia assim, o lugar em Catura é bonito. E ele ficou profundamente
marcado por essa frase dizendo que o lugar em Catura era bonito. E aí, quando ele ficou
noio, ele pediu de casamento, de presente casamento a essa terra. E esse palácio é construído
em função da observação da Lua. Então, você tem várias situações, acho que são, se
não me engano, sete ou oito casas de chá espadadas pelo terreno, de onde você vai ter
melhor vista da Lua se pondo no autônio. Ou a melhor vista da Lua nascendo na primavera
são situações pra observar tódios ideais pra diferentes situações diferentes fases
da Lua, ao longo do ano e do horário. É chamado um palácio imperial, mas é a construção
menos palacesca que vocês possam imaginar até assim, no meu curso pros alunos, eu mostrei
que o Lua Catura e aí eu vi lá, a gente aproveita aqui pra mostrar que nesse mesmo momento
na França, eles estavam construindo versares e aí mostrei uma imagem do palácio de versares
que não pode ser realmente mais contrastante, né? O Catura, a escala, a delicadeza, a simplicidade
dos materiais, o poder de síntese. No jardim de Catura são verdadeiros
espetáculos, eles têm vários caminhos, todos meticulosamente planejados. Tudo é construído
pelo homem planejado com uma sequência de paisagens completamente diferentes, uma da outra.
Numa das leituras anteriores a viagem, em livro específicamente sobre jardins, a frase
de apresentação da Vila Catura pra mim ela sintetiza muita coisa sobre os jardinhos japoneses.
Cada passo uma paisagem e tem uma reflexão muito interessante comparando o jardim de
ponês com o jardim europeu, com o jardim de versares, por exemplo, e aí ele descreve
com o jardim europeu, o jardim francês, como a formação de uma imagem, um desenho que
é feito pra ser admirado pelo rei do segundo andar do palácio. É pra ser visto de cima,
é uma imagem. Ao passo que o jardim de ponês, Catura, é um caminho, você vai trilhando
esse caminho dentro dele, e a cada cumva, a cada novo trecho, você vai uma nova vista,
uma nova faceta, vai se desvendendo. Então poético isso, né? Eu acho que isso das facetas,
que vão pouco a pouco se desvendendo, é uma coisa que a gente vê no design de japoneses
como um todo. Aliás, não só no design, mas na cultura japonesa. É preciso muita atenção
e tempo dedicado a olhar pra conseguir apreciar e tirar o máximo dessa experiência.
Você sabe na taxa que o Catura do século 17, e um Bruno Tautik, foi um grande arquiteto,
alemão, crítico de arquitetura, historiador de arquitetura, quando ele esteve lá no início
do século 20, ele ficou assim, atônito, né? E ele escreveu, é tão bonito que me fez querer
chorar. E ele disse então que ali estavam todos os princípios da arquitetura moderna,
já uma coisa precursora do século 17 antecipando o que arquitetura moderna propugnou. E ele
falava também dessa coisa, né? São partes que são independentes, né? Mas que ao mesmo tempo
tem possibilidade de interrelação entre elas. E também é muito filosófico, né? Muitas vezes
alguns jardinhos, eles são compostos só de pedras e cascalho, sem vegetação nenhuma, quando muito
músculo. Então isso remete a um convite pra você imaginar o que seria esse jardim só de pedras,
só de cascalho, né? Um exemplo máximo desse tipo de jardim é o Rio Andy, que fica na cidade de
Kyoto, onde as pessoas ficam sentadas imaginando uma paisagem que poderia ser picos de montanha
cobertos por nuvens, ou poderia ser ilhas, um arquipélago dentro do mar. Enfim, aí é a imaginação
de cada um e alguns até projetam algumas licenças poéticas e filosóficas, né? Imaginando o que
significaria esse jardim dentro da sua vida? Eu confesso a dele é que o jardim de Rio Andy é o meu favorito,
como eu falo, não é um jardim assim dos mais tradicionais, verdes, cheios de vegetação. Ele é composto
por um campo retangular de areia, de mais ou menos 25 por 10 metros, é cercado por três parídios e onde
taria a quarta parede fica o espaço para que os visitantes contemplam em a paisagem. Todos os dias,
monjes fazem cuidadosamente a manutenção dessa areia, em cima desse campo de areia ficam 15
pedras de tamanhos diferentes arranjadas em grupos. Então, e as pedras são sempre ali fixas na mesma
posição, mas só do resto muda. A vegetação que é possível viver do lado de fora, se modificando
conforme as estações, as paredes em volta que vão exibindo manchas coloridas, as marcas a
passagem do tempo, e nós mesmos, vamos nos transformando aliás, principalmente nós mesmos. Talvez
seja difícil entender somente em áudio sobre todos esses elementos dos jardins japoneses. Então,
se você está curioso no canal da Japan House do YouTube, ter um bate-papo com o Jota Carracha e com o
Sarkes Kalustia, em que eles apresentam fotos dos jardins que a gente comentou aqui. Então, eu acho que tudo isso
remete a um ponto em que o jardim realmente tem esse lado utópico, de fazer com que as pessoas
imaginem uma coisa que não está na sua frente. No livro Lateralville, o autor norte-americano Donald
Rich, que viveu por muito tempo no Japão, ele tem um trecho bastante lindo sobre o Oriondi. O
gente, né, pra quem não conhece, ele chegou ao Japão com as forças de ocupação, pós-seconda-guerra, e se
apaixonou pela cultura japonesa, vivendo lá meio século, falecendo no Japão. Ele era crítico de
cinema, e foi por um tempo curador de cinema do museu de arte moderno, uma oma de Nova Iorque. Ele fez
um trabalho de tradução da cultura japonesa para os ocidentais nos seus livros, que tratam
principalmente de cinema, mas tratam também sobre a cultura japonesa de uma maneira geral, e nesse
livro ele fala, né, abre aspas. O sol pode estar brilhando ou não, pode haver chuva ou neve, as árvores
lá fora ficam verdes, marroms, pretas, as estações passam, mas o jardim não mostra nenhuma diferença.
É imutável. Como as pirâmides, ele é sempre o mesmo, mas, diferentemente das pirâmides não
proclama isso. Escondido no suburbio da cidade, de repente alcançado, tem o valor de um susurro no
mundo de gritos. Um homem deveria vê-lo na juventude, na maturidade, na velhice, e seria só o simples
olhar que continuaria o mesmo. Ele teria mudado. O jardim não. Na infância ele poderia ver o
jardim como ilhas pretas no mar branco, depois iria descobrir outra explicação. Na verdade,
é uma mente igreza e seu filhote atravessando um rio. Mas tá, de ele veria que o jardim não é uma
nedota. Ele pensaria sobre matemática, astronomia, música, tempo congelado, e o jardim se tornaria
distrato. A representação viva de um jardim. Até aqui, um dia, muito mais velho, ele olharia para
o jardim se perguntaria. Essas pedras não parecem ilhas pretas no mar branco, fecha aspas. Olha,
na taxa, eu chega a ficar emocionada só de ler essa descrição maravilhosa do Donut Bridge sobre
esse jardim extraordinário. É bem bonito mesmo, dela. E é muito legal pensar em
todas essas possibilidades. Um jardim como o Rio Andy não explica ele sugere. E acho que
essa é uma das características do jardim japonês e da própria estética japonesa. É uma certa
dimensão oculta, uma parte que não é explicitada, que é só sugerida. A gente falou disso em vários
momentos ao longo desse episódio, mesmo da temporada. Falamos de conceitos japoneses que permeam essas
ideias também. Como o mar, o vazio, o entre espaço, o que, que a energia, a força vital, o absabe,
que a beleza em todas as coisas, inclusive das coisas imperfeitas, em transitores. Também é um pouco
do mundo.
de outras coisas que a gente vai ver da cultura japonesa,
da mercenaria, da cerâmica, do trabalho teste,
falando mais especificamente dessas manifestações de design.
Existe uma cintonia, não sei se você concorda comigo,
entre essa abordagem dos adi,
e a abordagem, por exemplo, no trabalho teste ou no trabalho de mercenaria.
A delha, pensando nesse contraste entre a permanência em permanência do Riyou andi,
a gente podia falar um pouco sobre o tempo no design de japonês.
Tem um conceito de japonesa que eu acho que tem tudo a ver com essa percepção de tempo na cultura japonesa.
O mononô "no" ao arir.
Mas, do que um conceito, eles pressam uma sensação,
é um sentimento de empatia quando a gente reconhece
que tudo que existe a nossa volta é efêmero e temporário.
Um exemplo bem emblemático disso são as flores de serejeiras que mal florecem
e em poucos dias começam a cair.
A beleza está justamente na delicadeza das flores,
cuja natureza é impermanente.
A gente vai ouvir a meti Cocano, professora de história da arte da arte.
Essa questão da temporalidade é, acho que é muito importante para a cultura japonesa,
porque a questão da efemeridade é algo que está muito presente no Japão.
A importância do processo, a calligrafia japonesa chodou.
Tradicionalmente, a gente pega um suzuri, que é um recipiente,
o sumi, que é um bastão, coloca gotas de água e a gente fica
dissolvendo pouco a pouco esse bastão no suzuri, nesse recipiente.
De modo em que aquilo é uma meditação,
aquilo é um espaço temporal de preparo anterior a execução da obra,
quer dizer, o processo é importante.
O processo é importante.
A gente ouviu isso, por exemplo, nas descrições da Rosely na Cagawa
sobre a fabricação do papel wash,
quando a Kiri Miyazaki contou sobre o tingimento com índigo
e até no método de copia, tentativa e erro envolvido
para desenvolver automatos no Japão.
Acho que isso tudo tem a ver também com aquilo que você trouxe
do que é indecuã dela, ouvia voz do objeto da criação da natureza.
Tem um livro de encaixes de macenaria no Japão.
Esse de novo é o Gersão de Oliveira.
Começando a introdução, quase dava uma sensação de assim,
"Não, bom, disso de tudo, porque assim, para você fazer qualquer coisa,
numa macenaria tradicionada de japonesa,
e isso fala sobre o tempo, assim, você fica um ano só
guardando as ferramentas.
No segundo ano você começa a afiar.
No terceiro ano você começa a cortar ou fazer as ações mais básicas."
No filme "Aquitão do Baré" era praticamente quase todo mundo,
um ano, primeiro ano, mexer madera, sabe?
Empirando madera só.
Esse é um morito ebine, marceneiro japonês, especializado em móveis de encaixes
que mora hoje em dia no Brasil.
No segundo episódio, um morito nos falou sobre a importância de respeitar
e ouvia voz da madera no trabalho da macenaria japonesa.
"Passe essas que muito e por tanto, eu acho, na época eu não entendi,
mas depois de dez anos, pensando pensando assim,
depois de dez anos, agora eu tenho entendendo assim, sabe?"
Então, o processo, espaço-tempo de processual, de preparo para uma determinada arte,
quer seja culinária, pintura, caligrafia, de extrema importância.
"Perdurso é mais importante que chegar lá."
Não sei se é mais importante, mas com certeza tão importante quanto.
"Só algumas ideias que estão muito presentes na criação japonesa,
mas que também tem sido motivo de muita atenção por aqui.
A ideia do tempo entra na lógica da produção,
mas também na ideia da longevidade dos produtos.
A boa qualidade feita para durar, que é completamente alinhada com a percepção
de sustentabilidade, diminuição do descarte.
O próprio conceito de Motai Nike também discutimos tantas vezes aqui."
"Eu acho que isso também se dá por uma chave da cultura, de preservar o saber fazer."
Esse é o arquiteto e professor de arquitetura, César Shunde,
que serve com a gente no primeiro episódio da temporada.
Recentemente, eu vi um documentário da Naomi Kawase,
e ela defende que o cinema para ela é uma espécie de máquina do tempo,
porque permite que outras pessoas vejam o que você viu, repetidas vezes.
Você pode mostrar o que aconteceu num passado.
E quando a gente fala de design, de arquitetura e de cidade,
eu também gosto de pensar que são pequenas máquinas do tempo também,
só que no sentido contrário do cinema.
Para além do tempo envolvido nos processos do design,
o Shunde fala do design como uma máquina do tempo.
Então, quando você vê a luz, assim, de muitos anos, um objeto, um edifício ou uma cidade,
você também está fazendo aí uma relação com o tempo.
Você está entendendo de alguma maneira como se dava a vida naquele determinado momento histórico.
Mas você está sempre se referenciando ao que já foi feito,
porque você não vai inventar nada do zero.
Você vai aproveitar todo esse conhecimento.
Mas, na verdade, você também está pensando no futuro.
O que ele vai ser daqui a alguns anos quando essas pessoas, de fato,
começaram a se apropriar de modo inesperado desse espaço.
Então, pensar nesses objetos também é pensar como um marcador de tempo.
Pode ser que, no futuro, nada seja como a gente imaginou.
Mas, para quem olha do futuro, para cá, vai perceber,
as pessoas estavam pensando nisso.
E talvez isso se juntar coisa mais interessante dessa relação do Japão e do seu design,
porque fica evidente que, a medida que o tempo passa,
você tem uma relação clara com esses objetos que estão sendo feitos,
porque eles são feitos de modo muito preciso, muito conscientes,
muito adequados ao tempo, em que foram pensados.
Então, são marcadores de tempo desses objetos.
Adele, o fundo de deixou para a gente um gancho maravilhoso.
No final, todas as temporadas, a gente tenta olhar um pouco para frente, para o futuro.
Então, eu queria saber de você, a parte de tudo que a gente conversou por aqui nessa temporada
e também de todo seu conhecimento e sua pesquisa ao longo dos anos,
como você vê o futuro do design.
Na taxa, eu não posso deixar de mencionar o contexto da emergência climática
que hoje, de 2024, a gente está vendo realmente. Não é que bateu na porta das nossas casas.
É que está no cotidiano das pessoas, as nossas famílias,
o nosso país, do planeta, e que vem nos pedindo ações urgentes.
Algumas essas ações têm a ver com repensar um pouco essa sociedade
que nos obriga a consumir e consumir.
E eu acho que aí vem essa ideia do Japão de coisas com mais perenidade.
É interessante, porque ao mesmo tempo que se fala de impermanência,
se fala também de perenidade no Japão.
E se fala muito dessa questão do respeito da harmonia.
O Brasil é o país que tem maior diversidade cromática de madeiras no mundo.
E a gente aqui não tem nenhum mínimo da reverência por esse material,
que eu vi, por exemplo, no Japão.
Então eu acho que assim, o que aponta para o que eu gosto de ver como o futuro do design japonês,
é um futuro que não rompe com o passado,
é um futuro em que não há essa de cotomia, entre tradição e modernidade,
em que uma bebe da outra.
E a gente acabou de falar do florescimento das serejeiras,
como um símbolo de muitos aspectos à cultura japonesa,
essa coisa breve e gloriosa,
apenas uma semana depois o florescimento, as pétalas caindo no chão,
e então a gente também repensar o jeito com o que a gente se relaciona com o mundo.
Nesse sentido, eu tenho me aproximado um pouco da cultura dos povos originários no Brasil,
e eu vejo como duas culturas ancestrais,
a cultura japonesa e a cultura de vários povos indígenas brasileiros,
em que, aonde há algo muito grande, tem coisas muito parecidas,
em ambas essas culturas, não há uma distinção entre o que é arte,
o que é utilidade, o que é artesanato, o que é design,
e aí a gente tem um cotidiano muito rico dentro de uma visão também, não era aquisada.
Eu acho que só hoje no acidente, a gente está caminhando por uma visão
que está indo por esse lado também.
Então, acho que, na verdade, o futuro do design japonês,
ele já vem sendo plantado por toda essa trajetória que a gente vê,
e com a qual a gente tem que aprender tanto.
Também uma trajetória de harmonização entre as partes,
de um permanente jogo de equilíbrio entre opostos,
e também vejo muito essa coisa de evocar um senso de tranquilidade, de serenidade,
e a gente está falando dos jardins, falamos de jardins bem importantes,
jardins públicos importantes, mas tem também todo o design de interiores,
no Japão, ele é feito, arquitetura, ele é feita,
incentivando uma conexão grande entre o dentro e o fora.
em cima.
a gente perceba as mudanças, não são caixas fechadas que nos deixam inmersos em nós mesmos, nos nossos próprios umbigos e a gente está sempre em contato com esse todo, né?
Eu acho que isso tem muito a ver com que as pessoas, os cientistas têm propugiado como qualidades importantes para a gente exercer na contemporaneidade.
Eu acho interessante que você trouxe essa questão da sustentabilidade porque justamente a gente está fazendo uma pesquisa já mais de ano pensando numa exposição de design e sustentabilidade e como é perceptível que no Japão isso não é uma coisa que está na ordem do dia porque agora está invoga porque as questões são todas urgentes, mas é algo que faz parte mesmo do serno e do Japão.
Então a gente pensa, por exemplo, naquele estelhado de casa que são construídos com a palha do arroz, mesmo a arroz que é usado para o consumo, para o alimento, a palha de arroz é aproveitada para fazer os telhados ou chapéus.
Então a gente tem uma percepção de um uso mais completo das matérias e dos materiais que estão disponíveis.
Muitas vezes há também o uso de materiais não tão convencionais, então eu penso no mobiliário, ou mesmo nas casas do cheiro bank, e usa muito daqueles tubos de papelão que costumam servir como recheio de alguma maneira para papéis ou pratecidos, aquilo ele reaproveita e transforma em estrutura.
A gente tem um caso do próprio Seymuck, que usa a casca do arroz, o mesmo arroz que a gente fala, então que já está tão presente nessa ideia de uso completo, ele pega a casca do arroz e transforma numa fibra para tser depois tecidos.
Eu acho que o Japão é um país em que o viver em sociedade é muito importante e é muito perceptível. Então o design trabalha junto nesse sentido, como é que a gente vai continuar vivendo em sociedade,
como essa sociedade pode justamente alcançar um equilíbrio, como é que a gente pode ter um menor desperdício.
Quando a gente fala de perenidade, por exemplo, eu penso imediatamente na questão da qualidade que a gente já falou aqui, algo que tenha muito boa qualidade vai durar mais, e isso é positivo para o meio ambiente, o dispositivo para as gerações e o dispositivo para o planeta.
Você mencionou aí essa coisa do coletivo, o senso de coletividade, eu acho que a gente tem que aprender muito. No início de 2024, houve um incidente numa terçagem de um avião no aeroporto de Tóquio,
e todas as pessoas saíram do avião em ordem, sem barulho, os comissários foram orientando, quem podia ir saindo, que tinham que deixar todos os pertenses, isso foi feito.
Eu acho que esse sentido de coletividade do todo, a noção de que você faz parte de uma sociedade, que tem a ver também com essa coisa de não ter lixo nas ruas, após um grande evento,
as próprias pessoas que estão participando retiram tudo, eu acho que isso também é uma ideia muito necessária para os dias de hoje.
Acho que é uma compreensão de que todos nós somos responsáveis, né? Aqui existe essa lógica muito difundida no Japão e talvez a gente possa imaginar que isso vai inspirar outras sociedades também,
a terem esse olhar menos individualizado, individualista, e sim olhar mais agregador nesse sentido, né, mais completo.
O Japão teve também que ele dá com muitos desastres climáticos, então também tem uma percepção realmente dessa questão do desperdício, esse termo motainai, vai muito nessa linha, é mais do que sustentabilidade.
É um não desperdiçar, isso passa por tantas frontes, eles usam os uniformes, esse uniforme tem um buraco, fica com furo, eles costuram esse uniforme, para reutilizar esse uniforme o máximo que dê.
Eu acho que tudo isso faz parte de uma lógica na comida, um aproveitamento máximo de todos os alimentos, não deixar sobrar, então você pegar só o que você vai de fato comer, tudo isso está muito embuído na característica deles, né?
Isso retenha um rebatimento grandíssimo em um design texto, né, com técnicas como sachicô, que são técnicas de remendo das roupas, que surge num local frio,
e de superposição de tecido, só que você faz isso com pontos muito simples, mais muito lindos, que tem a ver com essa coisa de que no Japão há uma estetização da vida, né, da simplicidade, né?
Exatamente. Eu acho que o futuro do design mundial tem muito a ver com essas características que o design japonês tem levantado.
E é interessante, né, a gente ter essas figuras, os tradutores, né? Na primeira metade do século 20, teve uma presença no Japão, bem importante, da designer, francesa, Charlotte Perriant.
Charlotte Perriant trabalhou com o Le Corbusier, ele é uma das autoras daquela cadeira, daquela Shaz Long, que se atribui exclusivamente ao Le Corbusier, na qual ela teve uma participação muito interessante, e o governo japonês pagou pra Charlotte Perriant, e pro Japão, e difundia esse ideia do design, e dialogar com os designers japonês e levar essa noção pra cá.
Ah, Charlotte, ela voltou pro ocidente, voltou pra Paris, totalmente fascinada com a cultura japonesa e com a contribuição que o Japão poderia dar, né?
E aí ela até fez na sede da Unesco, uma casa de chá, uma casa de chá, e fez uma versão da Shaz Long, em Bamboo. Bamboo, que aliás, foi o tema da primeira exposição da Japão rosa São Paulo, ao ser criada, 7 anos atrás.
Bem lembrando. E falando em francese, né, eu queria aproveitar pra trazer uma outra estação, da qual eu me lembrei recentemente, que é do Le Vistroz, o antropólogo francês, um dos grandes intelectuais do século 20.
Num prefácio que ele escreveu pra edição japonesa de tristes trópicos publicada em 2001, ele diz "Abre aspas". A quase meio século escrevendo tristes trópicos, eu expimia minha angústia de antes dos dois perigos que ameaça a humanidade, o esquecimento de suas raízes e seu esmagamento por seus próprios números.
Entre a fidelidade ao passado e as transformações induzidas pela ciência e pelas técnicas, o Japão foi provavelmente a única nação que soube, até agora encontrar um equilíbrio, que o povo japonês possa manter por muito tempo esse equilíbrio precioso entre as tradições do passado e as inovações do presente.
E não apenas para o seu próprio bem, pois toda a humanidade encontra nele, um exemplo digno de meditar, fecha aspas, acho uma citação bastante interessante que nos faz pensar sobre o passado, presente e futuro.
Assim que a gente vai encerrar, a quarta temporada do podcast da Japão Raul São Paulo. O preciso dizer que a gente mal terminou e eu já estou com saudades dessa temporada. Foi uma honra de vídeos microfones com você a delas ao longo desses oito episódios.
Eu agradeço muito, e claro, muita coisa fica de fora, mas como disse o protagonista de dias perfeitos, o filme do Vim Vendors, agora é agora. Então, vamos curtir o que a gente tem e tantas coisas abrindo a nossa mente para esse universo todo que nos ensina tanto.
E quem sabe, a gente inspira mais gente a criar novos podcasts para discutir mais sobre design japonesa a partir disso, que eu vou ficar muito, muito curiosa para ouvir.
Queria agradecer você a Delia mais uma vez pela parceria? Queria agradecer muitos entrevistados que compartilharam um pouco do tempo, muito do conhecimento deles para a produção dessa temporada.
Lembrar que a gente tem material adicional no site da Japão House, onde tem muitas informações, além da transcrição do episódio, com todas as grafias dos nomes que a gente citou por aqui, o que muitas vezes pode causar um certo estranhamento, então lá vai ter todas as explicações e as grafias.
Queria agradecer muito a equipe maravilhosa que se dedico tanto para fazer dessa temporada, uma temporada tão especial, e termino agradecendo vocês que estão ouvindo a gente aqui até o fim, espero continuar com esses ouvintes na próxima temporada.
O podcast da Japão House São Paulo é uma produção da Rádio Novelo. A coordenação na Japão House São Paulo é da Mil, que teruja.
O conteúdo digital é da Julia Casadei e Adriana Pedroz, e a identidade visual é do Tiago Minuro. A produção e o roteiro do podcast ficam por conta da Barbara Rubira.
A montagem é da Mariana Leão, e a sonorização é da Julia Matos. A mixagem é feita pela equipe do pipocação. A música original é da Mari Romano.
Nós gravamos no estúdio trampolinho em São Paulo. A estratégia de promoção é da Julia na Yegger e da Bia Ribeiro.
As peças para as redes sociais são do Gustavo Nascimento do Rafael Olinto. A Isabelle Santana fez a transcrição dos episódios.
No site da Japão House São Paulo você encontra conteúdos extras desse e de todos os episódios.
Eu na Tasha Bazaque Genei, diretor a cultural da Japão House São Paulo, apresentei essa temporada na companhia da Delia Bosch.
Até a próxima!
Podcast Summary
Key Points:
O design japonês busca harmonia entre a natureza e a criação humana, evitando conflitos com o meio ambiente.
A delicadeza, a síntese e a simplicidade são características centrais do design japonês, evidenciadas em objetos, espaços e jardins.
Jardins japoneses funcionam como experiências dinâmicas e filosóficas, com diferentes estações e um caminho que desvenda paisagens ao longo do tempo.
O conceito de *mono no aware* — a percepção da efemeridade — influencia profundamente a visão do tempo e da beleza no design.
O design japonês valoriza o processo, a qualidade duradoura e o uso consciente de materiais, promovendo sustentabilidade e respeito ao ambiente.
A relação entre tradição e inovação é cuidadosamente equilibrada, sem ruptura, inspirando um futuro de integração entre arte, utilidade e natureza.
O conceito de *mottainai* (não desperdiçar) e práticas como o remendo (*sachicô*) demonstram uma cultura de coletividade e economia de recursos.
O design japonês atua como "máquina do tempo", conectando o presente ao passado e ao futuro, permitindo reflexão sobre o tempo e a sustentabilidade.
Summary:
O episódio final da Quarta Temporada do Podcast da Japão São Paulo explora a conexão entre o design japonês e valores espirituais, naturais e temporais. O foco é a harmonia entre o ser humano e a natureza, baseada no conceito de *mono no aware*, que valoriza o efêmero e a beleza da impermanência. Jardins japoneses são apresentados como experiências vivas e dinâmicas, onde cada passo revela uma nova paisagem, desvendando um caminho de contemplação e reflexão.
O design é visto como um processo cuidadoso, que valoriza o tempo, a qualidade e a sustentabilidade — desde o uso de materiais como casca de arroz ou palha de arroz até práticas como o *sachicô*, que evitam o desperdício. A influência da tradição sobre a inovação é destacada como um equilíbrio essencial, sem rupturas. A temporada conclui com uma visão otimista sobre o futuro do design, inspirado em valores de coletividade, respeito ao meio ambiente e conexão com o passado.
A cultura japonesa, com sua abordagem sensível e consciente, oferece um modelo para uma sociedade mais sustentável, ética e em sintonia com a natureza. O design, nesse sentido, não é apenas uma forma funcional, mas uma forma de vida que educa, transforma e inspira.
FAQs
O design japonês busca harmonia entre a natureza feita por Deus (God nature) e a natureza modificada pelo ser humano. O objetivo é evitar conflitos e promover uma relação equilibrada, onde o design respeita e complementa a natureza.
Essas são características centrais do design japonês: a delicadeza refere-se à simplicidade e ao cuidado, enquanto a síntese indica a capacidade de combinar elementos de forma equilibrada e eficaz, com poucos detalhes mas grande impacto.
O conceito de 'no' representa a percepção de que tudo é efêmero e temporário, o que influencia o design a valorizar a impermanência, a beleza na transição e a sensação de serem as coisas passageiras.
Jardins japoneses são caminhos que desvendam paisagens gradualmente, como um processo de descoberta. Eles promovem observação, atenção ao detalhe e uma experiência dinâmica que muda com as estações, refletindo a ideia de harmonia entre opostos e o tempo.
O Riyou Andy é um jardim composto por areia e pedras, onde os visitantes imaginam paisagens como ilhas ou montanhas. Ele é importante porque sugere, não explica, e estimula a imaginação e a reflexão sobre a natureza e o tempo.
O design japonês valoriza o processo de criação, como na caligrafia ou na fabricação de móveis, onde o tempo e a preparação são tão importantes quanto o resultado final. Isso leva à produção de objetos de alta qualidade e durabilidade.
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