A transcrição apresenta um diálogo entre o apresentador e Henrique Vicentine, psicanalista, sobre o tema da solidão. Eles iniciam contando como se conheceram, destacando a amizade e a admiração mútua. A discussão principal aborda a solidão como um fenômeno complexo, que vai além da simples falta de companhia romântica. Vicentine sugere que a solidão pode ser um dado constitutivo da existência humana, citando a ideia de que "toda criatura viva morre só". Eles exploram o paradoxo de que a solidão pode ser tanto a ausência do outro quanto um excesso de sua presença, como no luto. A conversa critica a superficialidade das relações modernas, onde a intimidade é rara e muitas vezes substituída por uma "encenação da intimidade" e pela busca de inveja alheia. A autossuficiência é questionada, pois a dependência do outro é inerente à condição humana, desde o nascimento. Por fim, discutem a masturbação como uma faceta da solidão, que pode ser um momento de exploração da fantasia pessoal, mas que atualmente é frequentemente colonizada pela pornografia, limitando a criatividade e a descoberta do desejo próprio. A conversa enfatiza que a solidão não é singular, mas possui múltiplas facetas que precisam ser escutadas e compreendidas em cada contexto.
Oi gente, estou entrando aqui, escondido no set, a de estação de maquiagem. Com muito orgulho que a gente chega no meio, desse projeto novo que a gente está produzindo durante o período que eu estou fora, gravando o filme. Hoje, Peter Migges é com Henrique Vicentine. Pra quem não conhece, acho difícil, né? Porque eu faço um podcast com Henrique Vicentine, chamado "Mesa da Vida". Ele é o psicanalista do podcast, o Henrique Vicentine é professor, psiquiatra, ele não gosta, mas, enfim, vamos jogar os podre aqui na tela. Ele é psiquiatra, ele é psicanalista, ele é um amigo que eu amo demais, demais, demais, demais, eu sempre falo isso pra ele. E eu acho que ele tem a genialidade de um calibre assim, sei lá, ele é uma arma da crítica. E aí, toda vez eu fico obrigando, ele se espou, se publicar, fazer as coisas, porque eu falo quanto mais gente conhecer. É melhor instrumentalizadas as pessoas estarão. E Henrique é uma pessoa que eu amo demais, espero que vocês gostem muito dele. Hoje a gente vai conversar um pouco sobre solidão na pandemia. Baradifumar. Oiê. Oiê. Como é que você está? Eu tô bem com você. Eu tô bem também, agora é verdade, como é que você está? Tudo bem, tudo bem, você. Nigo, toda vez que eu comece o Rita Emigues, eu faço uma brincadeira como se a gente véssemos encontrando um grupo de amigos. E aí as pessoas perguntam, "Ah, como se se conheceram?" E aí são sempre duas versões que às vezes não são nem da mesma história, né? O João, eu acho que ele foi o segundo, Rita Emigues. A gente tem histórias diferentes de como a gente se conheceu em dias diferentes. Conta a tua versão de como a gente se conheceu, conto a mim e a gente entra no par. Então, é uma parte que eu acho que você não sabe. Antes de eu te conhecer, eu tenho uma amiga, chama Camila, uma grande amiga minha. E a Camila, ela estava no momento de uma certa frustração na vida amorosa dela, assumido por ela isso. Ela dizia assim que ela tinha desistido e que ela ia por tanto buscar alguém pra mim. Ela ia encontrar alguém pra eu, pra eu namorar já que a vida dela não tinha jeito mais. Era uma brincadeira dela, é claro, mas ela ficava me mandando pessoas que ela encontrava no Instagram, se ela mandava o perp e falava "Aquí, namora esse, namora essa, namora, fica ela me caminhando". E um desses perfície, isso foi o seu. E quando ela mandou, eu entrava nos perfície evidentemente, entra aí no seu e falei a gente interessante, uma drag queen, fazendo isso aqui, falando de política, eu vou lá. Deixa eu não isso aqui melhor, né? Foi assim que eu conheci você antes de te conhecer pessoalmente, né? E aí teve um dia, inclusive, que eu estava passando com a Camila numa rua e você estava sentado num bar junto com algumas pessoas. Não reconheci, porque eu não acho que eu não tinha visto ainda você, sentado rita, né? E a Camila assim, ela começou a ir aí, você tem que falar com ele, o Camila, mas é sua fantasia, cala. E aí depois de um tempo, isso, depois de alguns meses eu acho disso, foi que a gente se conheceu. Primeiro a gente deu metrô Tinder e aí você me chamou pra ir num evento que você acertou. A contada da diversidade. E a gente começou a conversar e não parou mais, né? Graças a Deus. A minha versão, ela não tem essa parte, né? Que nenhum amigo foi bom assim comigo. Ela seria mais ou menos assim, ó. Eu lembro, eu estava numa dessas fases de brincar com Tinder, né? Eu acho ali aí que foi na época que eu fiz o vídeo sobre Tinder, lá no canal, amor na pandemia e alguma coisa assim. Tem mais de dois anos que a gente é amigo, não tem? Eu acho que é por aí. Então se bobiar é isso, tem que ver lá no canal quando foi esse vídeo pro ar. Porque é do começo da pandemia, então dois anos mais ou menos. Então deve ser por aí. Aí eu lembro que eu vi seu perfil, aí eu falei assim, Jesus Cristo, que onilhindo. E aí eu fui lês porque primeiro vem a foto depois vem as coisinhas critas, né? E aí quando eu fui ver as coisinhas critas, era um fragmento do mal ópera, em italiano, falando alguma coisa como você quer, você sabe que você quer o que você deseja, você deseja que você quer, você sabe que. Você lembra dessa prazer? Não lembro, mas imagina que eu possa ter postado isso mesmo lá. E aí era uma brincadeira, assim, a gente começou a bater papo, terer, você me contou que era, que era se canalista, estava como imagina, e aí eu lendo, sabia quem era Melanick Line, o Winicott, o Freud Lacã, acabou. E aí eu teve esse evento de psicanalistas, que era o rodada da diversidade, e aí eu falei, "Ah, eu vou estar lá, terer, cola." E aí você foi, tema era religião e discurso de ódio, lembra? E aí eu saí, fiz a fala lá, né, com o Francisco Rocha, a Ana Laura Prates, nossa Tamigona, em comum. Nossa, Migona em comum, isso ajerei, né? Ela é tua amiga? Não conheço a Ana Laura, pessoalmente. Nossa, ela é uma que eu quero chamar pra o Rita Migs, ela é foda demais, cara. E aí a gente, fiz a fala lá, "Piririda", depois a gente ficou batendo papo, né? E aí eu lembro naquele dia, assim, eu falei, "Jesus Cristo, não tô com saúde mental pra minha apaixonada desse jeito." E aí eu acho que a gente nunca mais se desgrudou de lá pra cá. Graças a Deus. O queisinha, vamos falar então do que a gente veio tratar aqui? Solidão. Eu tava pensando, né? E aí eu, eu, o Nico, o Eric sabe que é o Nico, que é em tá aqui, assistindo a gente, pode não saber. O Nico é meu melhor amigo, mora comigo, cara, "O Nico, outro dia, eu saí do mediário aqui, do filme, era de madrugada. A Marigé tinha me mandado um postzinho que era assim, a solidão gay. E aí era um post bem intencionado, mas bem mal feito, altava sustentação. Era meio um blabla-blasinho de autoajuta. Mas quando eu li apenas a fortinha lá, a solidão gay, e ainda tinha um subtítulo, o pacto narcísico da gay branca. Aí eu fiquei pensando que poderia ser muita coisa legal daí. O título era a melhor que o post, mas o título já me fez pensar numa borrada de coisa. Eu mandei pro Nico antes de ler, eu ia voltar pro set no E até tempo de ler, e aí era tipo. E ia ficar salvo na conversa com Nico, é quando eu voltasse a ler. E aí o Nico leu e me mandou mensagem assim, "Descascar, fala nossa, aqui bosta, não sei que. " E aí eu fui ler, quando eu li, tirei lá, me impressão, tururu, vou chegar onde eu preciso chegar. Calma, batiu pra você, se a gente podia vir falar do solidão. E naquele dia, quando eu postei a artesinha do nosso papo, o Nico falou, "Ah, vocês vão falar de solidão por causa." "Daquela post, eu falei, "Não, não." E aí eu falei uma outra coisa, o Nico me disse, "Será que a solidão é só romântica?" A primeira coisa que me gatilha é uma ideia de que existe uma concepção, uma percepção que pensa a solidão por um viás romântico. Que a solidão é não ser objeto de amor romântico de alguém, não ter alguém como objeto de seu amor romântico. Mas eu fiquei emcafifado outro lugar, e aí eu começaria falando isso. Quem não pode se haver com a própria solidão, e aí a própria solidão, eu não sei, eu tô chutando, esse papo vai levar a gente ao algum lugar. Mas eu chuto que a solidão é tipo um dado constituinte. Se as choux Johnny Darko, Johnny Darko, tem uma fala lá que é "Every living creature dies indianes, every living creature dies along." E uma vez, eu acho que a gente. Eu não sei se foi com você, me fala se foi você. A gente bateu um papo parecido, e você me falou, "Eu até desconfio, a gente não nasce sozinho, nasce com a ajuda da parteira, do obstetra, da anestesista, da mando." E a gente não morre sozinho, né? Porque às vezes tem gente que presta a sucor, às vezes vai ter a funerária, mas a frase do filme é "no final toda a criatura que vive morre só." E aí volto, volto, volto, meu papo comigo. Eu falei pro Nico alguma coisa tipo assim. Quem não é capaz de sustentar a propressoriedão, está condenado a companhias. E aí a palavra "condenado" a companhia é tipo assim. Se a companhia não for escolha, tem algum problema na equação. E é um ponto interessante, é isso, né? Porque para a companhia ser uma escolha é preciso que eu possa estar só, né? É lógico, né? Se eu não posso estar só, a companhia é uma compulsoriedade, porque preciso estar com alguém, né? Que algo que acontece eu acho, assim? Eu escuto na clínica isso, né? É pessoas que saem de um relacionamento e entre em outro, né? E meditamente a post. O que pode acontecer por outras razões também? Mas essa é uma, não posso ficar só, não posso ficar sozinho. Mas tem uma outra coisa que eu fui pensando enquanto você falava, porque assim, eu acho que é solidão, ela traz um certo paradoxo até. Ou mais junto, talvez. Porque assim, se a gente pensar de uma maneira muito rápida, solidão pode parecer que você está sem o outro, né? Enplica uma falta. Eu tô sem a presença do outro. Mas algumas solidões não é isso. É o oposto disso. É excesso do outro. Ah! Se eu perc alguém que eu amo muito, um luto, né? Eu perc alguém que eu amo muito. Se a pessoa morre, por exemplo. Porque eu posso vivenciar em seguida e que eu vou chamar de solidão. Não é exatamente a falta dessa pessoa, mas é o excesso dela. Exato. Ela não sai da minha cabeça. É uma inflação dela. Eu vou dormir, ela tá comigo, acorda, tá comigo. Eu vou comer, ela tá comigo. Eu trabalho, ela tá comigo. É um excesso de presença do outro, justamente na ausência, né? Physicamente não tá mais ali, Mas por conta disso, tem um excesso de presença dela que pode se inclusive angostiante. Embora eu necessário. O nome disso nessa aldade, não sei, depende do que você chama de saudade. Eu entendo saudade outra maneira. Eu entendo saudade como o fruto de uma elaboração disso. Porque, ah, quando você não tem saudade, eu entendo saudade como o fruto de uma elaboração disso.
que você perde alguém de uma certa forma, o que a gente chama de trabalho de luto, é um trabalho de criar um novo mundo para você, sem essa pessoa. O trabalho de inventar, é uma invenção de como é que eu vou me posicionar novamente no mundo que não tem mais essa pessoa que eu amo. E a saudade é o resgate do mundo passado, a saudade eu acho que o sentimento que remete a esse mundo passado. Essa pessoa estava presente, estou dizendo que as perdas são diversas. Então, algo que eu posso nomear como solidão, agora estou muito só, agora estou sentindo uma solidão, pode ser exceço e não falo. Pode ser falto também, tem uma questão com intimidade, por exemplo. Eu posso estar cercado de pessoas com milhões de seguidores no meu Instagram, amigos, relacionamentos diversos e tudo mais e não tem intimidade com ninguém e me sentir profundamente só por contad disso. Em intimidade, inclusive, é algo que está em desuso hoje. As relações me parecem. É um jeito nosso de se relacionar hoje que tem de isso, né? A uma supressão da intimidade, às vezes ficando muito próximo ou até chegando numa certa instrumentalização das relações, me parece. Quem sabe o que quer falar, te ouvindo? Existe até uma encenação da intimidade. Que é por aí, né? É uma certa instrumentalização. A encenação tem outro aspecto, que eu acho que é o aspecto da inveja, a nossa cultura valoriza demais. A inveja. O que quer? O que querendo, né, sobre inveja. O lítio palavra isso. Pois é. Eu quero que o outro me inveja, eu quero que o outro se entende de mim e me mostrar a olhar do outro visando isso. A inveja do outro é algo muito comum também. E no mundo em que a intimidade está tão rarefeita, né? Se eu exibo o que eu tenho, ainda que eu não tenho, ainda que seja um parecer, né? Porque é só o que sobrou, é? E você acha que tem diferentes aparências para a solidão? Apareências. Se a gente está falando que nessa dinâmica de relação não sei se esvaziada, mas vou chamar de superficial na falta de palavra melhor, tá? Ou não vou usar adjetivo nenhum. Vou falar nesta gramática de relação que a gente está se refirindo aqui. Parece que existe uma predominância, uma prevalência, um protagonismo da aparência. Como você acha? É porque, mas como você acha que a solidão tenha aparecido? Eu acho que, em termos de aparência, é um tanto quanto ilimitado, né? Eu falei agora de dois exemplos nos quais a solidão aparece como queixa. Eu me queixo de estar só, mas no fundo eu estou me questionando de um excesso, não de uma falta. Ou eu queixo, me queixo que estou só, mas eu estou me questiono na verdade. É da falta de intimidade que eu tenho as relações com esta beleza. Mas sim, eu posso, por exemplo, exibir a solidão até de uma maneira feticizada, né? Vejo como eu sou autosubcente, essa palavra eu acho maravilhosa. Sabi uma que eu estou, se alguém falar nesta live, eu vou chutar a pessoa pra fora da live, solidude. Ah, meu amor, enfim, a solidude no cul, puta merda. Solidude, eu acho que é uma maneira, eu não sei por que essa palavra vingou tanto agora assim. Eu não escutava ela pelo menos há alguns anos, mas temos dois, três anos que. Ela voltou tudo, né? Ela voltou com tudo. Uma maneira de estar só interessante. Mas eu acho que preciso de outra palavra, eu acho que a solidão dá conta disso. É que a gente tem essa maneira, uma niqueiista, de dividir as coisas. - Ou a solidão na feia, boa chata. - Em preocêstia da solidude pra. Eu prefiro a solidão mesmo, é uma palavra que pode contemplar. Mas a questão da autosubcência, eu acho sim, sintoma do nosso tempo, né? - Como é? - E como tem uma confusão que eu escuto com frequência? De autosubcência, com autonomia, vou fazer aqui uma imagem do que eu estou querendo dizer. Eu não vou me relacionar com o outro porque eu não quero ficar dependente dele. - Tá. - Uma frase que eu poderia escutar. Mas as relações, elas são mais perto de dependência e consentida. E justamente, eu posso me colocar numa posição um pouquinho, pelo menos, dependente do outro, porque eu sei que isso logo mais não precisa continuar com a. É um sentimento, né? Essa pessoa que não quer depender de ninguém, eu não sei o que ela vai fazer. Ela vai adorcer e vai fazer o que? Ela vai ir. Se ela precisar de uma cirurgia, ela vai superar. Eu não sei o que ela vai fazer da vida dela. A gente se coloca, sim, dependência em relação ao outro, mas é consentido. É porque eu estou escolhendo isso, porque eu estou permitindo isso, né? Agora, a autosubcência é uma ideia de que eu me bastaria, né? Eu não precisaria do outro. Eu poderia aniquilar a alteridade e viver a minha vida numa perspectiva de ipreendualismo, sei lá. Mas o equívoco, que eu acho que é central a esse, porque se eu me colocar numa relação com o outro, eu perco a minha autonomia. O que é bem verdade, né? Eu posso estar com o outro e preservar a minha autonomia. Preze preservar pelo menos algo da minha autonomia. Estar com o outro não significa que eu vou me tornar um objeto para esse outro, por isso, simplesmente. Mas eu acho que isso tem a ver um pouco com a nossa constituição subjetiva, porque a gente nasce por aí, né? Quando a gente nasce, a gente é um serzinho, que depende do outro integralmente. Desamparado, se botar no lado de você morre, né? Atatar o guinha sai dovo e vai lá por amar. Não é por mar, nada, na mãe me aparece. Agora, a gente, se não tiver alguém cuidando, se não tiver alguém reparando, a gente morre. Se não tiver alguém falando com a gente, né? Exato, exato. Tem essa coisa, uma louca de que se a gente não for pensado pelo outro, a gente morre. É, é. Se o outro precisa nos pensar, se não a gente deixa de existir, O outro oferece para a gente um lugar no desejo, né? É. Sim, num primeiro momento é claro, a gente vai se rever com isso, é uma posição de um certo disampar, né? Eu preciso desse outro. Eu tô profundamente disamparado quando eu nasce. E é claro, o disampar, ele acompanha a gente durante a vida, né? A gente vai se angostiado durante a vida. É da condição humana. Você acha que eu tava chamando de solidão, esse disampar, o que é constituinte da nossa experiência? E eu acho que, quando se fala um solidão, também se fala um pouco desse disampar constituinte. Tá, a sua ideia de solidão tá aí? A ideia de solidão, eu acho que passa por muitos lugares, né? Quando alguém fala de solidão, é preciso escutar de que solidão se trata, né? - Vica ao que eu tô falando. - A solidão não é singular. É, eu acho que não existe uma solidão. Existem facetas de solidão e cada um vai dizer dela de uma maneira, né? Sim. Mas passa pelo disampar também. Eu acho que passa por aí também. Tá. Tem uma outra coisa que a gente. Quando a gente tava patendo esse papo, só eu você, no Insta, no WhatsApp, não sei onde foi. Eu lembro que em algum lugar eu falei pra você se masturbação era solidão. De lá pra cá você pensou sobre isso? Eu acho que pode ser. E pode não ser. Eu pensei, pode ser e pode não ser. De que masturbação você tá falando? Pois é. Porque agora já fudeu tudo. Quando você me pergunta de que masturbação eu tô falando, é fudeu tudo maravilhoso pra falar de masturbação. Quando você me pergunta de qual masturbação eu tô falando, na hora já troquei de lugar. Porque na hora eu fui para. Laca falando que a relação sexual não existe. Não existe relação sexual. Cada um faz sexo com a sua própria fantasia. É por isso que na hora do goso a gente fecha o olho. É um jeito de falar pro outro, não entra aqui, não deixa eu vou usar sozinho. E aí também, porque as francesas anergosas, né? Porque o Lacan falou isso. Aí depois a dona fucou veio e falou, "Só existe a relação sexual". Então agora quando você me pergunta de qual masturbação eu tô falando, acho que o jeito. Eu prefiro te ouvir, mas o jeito mais sincero de responder eu não sei. Que dá pra te comer a sua fantasia. Não plano bem superficial. Dá pra ter masturbação a 2, a 3, a 4, grupos de masturbação, rodas de masturbação. Inclusive quem quiser vai pôr no nome aí no cheque. Então no primeiro plano, o primeiro camado eu colocaria aí. Mas vamos pensar naquela pessoa que tá sozinha no quarto dela se masturbando. Então é disso que a gente tá falando. Eu acho que a masturbação, ela assim como a solidão, pode ser muito interessante. Inclusive, de certa forma importante, pra que depois você possa estar com o outro, sabe? Porque quando você vai se masturbar, isso pode ser um momento pra você investigar sua fantasia. Sim, o que me cita, né? O que eu tô pensando em que é isso que causa o meu desejo. Aí eu já tô provocada no outro lugar, Mica. Porque o fenômeno da masturbação do agora é um fenômeno do uma masturbação colonizada pela indústria por noque, te diz o que você deve desejar. Talvez a gente nem consiga se livrar completamente disso, né? Mas se você parar pra investigar bem o que é que te interessa, você vai começando a quebrar isso. Você vai ver lá mais. Ah, não precisa ser muito longe. Eu acho que muitas pessoas que estão aqui escutando a gente devem ter experiência do algo desse tipo. Existe um padrão de beleza, que é vendido pra gente em qualquer lugar, tá? Todos os lugares que você imaginar. E você, mais ou menos, se aliena isso, tá? Então, tem isso aqui. Mas aí você conhece uma pessoa e fala, gente, "Vé, essa pessoa não é exatamente bonita. Bonita pra isso que você tem como referencial de beleza que te foi vendido, tá? Mas me interessa, uma beleza que me interessa. Que que será que tem nela, né? Eu acho as suas mais interessantes, inclusive, essas que não é o óbvio da cultura, não é o óbvio perfeito.
E eu acho que uma subação é um ótimo momento para isso, sabe? -De você. -A descobrir-o na um óbvio da cultura? É que hoje, me parece que a uma subação está muito relacionada à pornografia, né? Pois é, menina. Quando eu era adolescente, não era assim, por exemplo. Pois é, menina número dois. A gente fantasiava, a gente ficava imaginando as coisas, né? Uma ida na sessão de coecca do Carrefour. Era sufici. Era material para a masturbação durante uma semana. Pois é. E aí você cria cena, a pessoa tá lá e o que vai acontecer agora? Essa pessoa vai fazer o quê? Ou seja, qual é a fantasia? Em que posição você tá? Em que posição que o outro tá? Inverte essa posição? No invete. O interessante é o seguinte, isso é uma espécie de preludio para o que vai acontecer depois com o outro, né? Aí depois você se relaciona. Ou não. E aí que entre o ponto? Porque eu acho que a masturbação pode ser uma experiência de uma solidão. Às vezes até antes, quando você usa da masturbação, para se fechar em si mesmo, né? Para preciende o outro alitário. Eu não preciso de ninguém, é outro suficiência, né? Não precisa de ninguém, fica aqui em meu quarto. Resolvo tudo aqui com minha mão. Um pouco objeto, enfim, mas é um jeito. Não sei, isso é o mais interessante. Aí cada um vai responder. Mas a masturbação pode ser uma experiência interessantíssima. A meu ver assim, se ela te despertar para sua fantasia, né? Se ela te despertar, por que te interessa? Eu penso que sim, mas inicialmente eu sempre. Mas eu acho que é um pouco por causa dos estudos de cultura, pedir e parar por urul. Eu sempre fico com essa coisa de que a palavra tem um poder de encapsular, de enredar, algumas coisas de deixar outras de fora, tá? E aí, eu acho que nesse nosso tempo de agora, então nesse século que a gente está vivendo, que é o 21, é uma asturbação. E aí, a gente podia perguntar para as pessoas, né? Mas eu sinto. Eu tenho um filho, como que chama isso? Uma hipótese. Eu tenho uma hipótese que uma asturbação tá ligado com genitalia. E aí, eu acho que é empobrecedor, porque se uma asturbação tá ligado com genitalia, você não tá descobrindo desejo nenhum. Você não tá descobrindo fantasia nenhuma. Você tá seguindo uma receita de bolo para gozar. Mas não precisava, tá, né? Não, precisava, exatamente, mas o que eu tô falando é "estar". Ou não somente, pelo menos? Sim. É, é que. Eu, pessoalmente, acho muito pouco. Estritamente a genitalia, acho. Não, eu também, menina. A gente lepo o pressiado, pedir e parar. A pessoa não tá aqui. A discussão tá no outra sala. A sala que a discussão tá é. No aqui, no acóra, no domínio, no campo da cultura, a palavra "masturbação" está. E é uma pergunta para você. Você sente, pensa, acha que a palavra da. "masturbação" ela tá esvaziada. Eu acho que todos os palavras estão. Não, não é? Não é? E eu nem diria "vaziadas". Elas estão rechadas. Eu acho que a gente vive um tempo em que as palavras estão rechadas. As palavras. As rechadas não se entiram assim. As palavras. Elas dizem uma coisa só. "Masturbação" tem que ser assim. Ah, a palavra matando a coisa. É. Eu acho que é um tempo no qual imaginar que tá em flada. É como você palavra fosse a coisa. É como se uma subação, necessariamente fosse ficar tocando no genital, sabe? O que é "masturbação"? O que você faz? Como é que é. A experiência simbólica é um pouco achotada no nosso tempo. Não namoro isso. Tem a fórmula. É assim que faz. Tem. Qualquer coisa que sai dele, sim, sim, sim. Eu acho que a. A masturbação entra nesse jogo, aí, mas é tudo. Acho que, de maneira geral, as palavras estão todas muito infladas de um significado imaginado. Não há, eu acho que a experiência simbólica tá muito achotada. E as coisas são uma coisa só, né? As coisas são muito. Uma relação inequívica, né, entre. Sim, a gente vive uma era de apagamento da possibilidade de dúvida. A gente vive uma era de certezas absolutas, né? A gente vive uma era de estupidez reinante. E aí, aí, aí, é uma das características das estupidez, aquela tá certa de si. E aí, o estúpido. Sei lá, as palavras significam apenas aquilo, pelo estúpido, né? Por isso que o dia que a poesia derrotou o ditador, né, é porque a ideia da poesia é que as palavras significam muito mais do que aquilo que tá ali. Basta querer chegar nesse outro. Basta ter a capacidade também de ler esse outro na palavra. É um pouco a função do psicanalista que eu acho assim. De um ridículo, mas é de um ridículo tão interessante. Que alguém vem e fala, eu quero namorar. E aí, eu falo, mas o que que é namorar? Que é uma ignorância douta, né? Eu tô me colocando como ignor. É claro que eu. Mas para que a pessoa investigue sua palavra, né? Porque ela quer. Que que é namorar? A gente que você tá jogando perguntando, né? Que bom. que mundo você vive. Mas o que que é namorar? O que é isso? O que você tá dizendo, você quer? E essa pessoa. Não, namorar. Sei talvez eu queira e aí. Na mora. Na mora é outra coisa, que é outra coisa, que é outra coisa. A psicanalista é. Na neurosa, ela apresenta essa experiência simbólica, né? "Ah, nossa, você tá vendo nesse mundo, em que namorar é isso, que é isso aqui." Mas o que que é namorar? E "Papa, papa." É um pouco isso, né? O que eu faço? Eu gosto. De permitir que as pessoas se desloqueem depois de se convidar, elas assim se localem de pessoa, né? É. A psicanalista faz isso excelentemente a arte também, né? A arte também. O ponto de manter a escudo da arte é falar para a pessoa. E aí? Pera? Ah, bom. Vou tentar jogar isso para um lugar de show. Não existe corpo para fora da fala. Deixa eu ter. Sem entender, eu explico. Não tenho. Não garanto, mas continuo. Ah, não existe corpo para fora da fala, né? O meu corpo, não existe isso, né? A tua fala e teu corpo, eles em algum lugar são a mesma coisa, né? Que se manifesta no corpo, muitas vezes é alguma coisa que não está exatamente manifestado na fala, mas pode estar contido nela. O que você fala é que o corpo é um presente da linguagem. E tá vendo ali? Então, ok. Aí, eu tô pensando no seguinte. Deixa eu ver se eu consigo. A ideia de que pode ser que a pele, que o corpo, vou falar o corpo na falta de outra coisa. Não sei falar o que que eu quero falar. Pode ser que o corpo seja uma primeira prisão. E aí, a pergunta que eu tô tentando te fazer é assim. O corpo é uma primeira solidão. A nossa primeira solidão é o corpo. Porque eu nunca vou saber do corpo do outro. Eu nunca vou entender o corpo do outro. Eu nunca vou sentir como outro sente o corpo do outro. Então, de certa forma, pele é a minha primeira prisão. Eu tô presa na minha pele. Certa forma assim. E não dá para colocar tudo em palavras, né? Não dá para eu dizer para o outro exatamente aquilo que eu quero dizer. A linguagem não dá conta de tudo, né? Então, certa forma assim. Mas eu vi o pessoal perguntando aqui, quando o laca fala que o corpo é um presente da linguagem, é porque a gente tem um corpo que é marcado por algo que o Freud chamou de pulsão. Que é, pense em pulsão como o quase contrário de instinto. A audita verdinha ouf que traduzir como sendo a mesma coisa. Porque o instinto, o animal, o seu vagin, por exemplo, pode se dizer que ele tem o instinto, o tigre tá com fome, ele vai lá, caça, come, se sacia e acabou. Aí quando ele vai formar de novo, ele vai lá, isso é instinto, né? Perfeito. A gente não é assim que funciona. A gente. A linguagem. Não tem tigre obeso, por exemplo. Não tem tigre, ele pode até estar muito magro, mas por conta de falta de. Nica. Olha o que eu vou te colocar agora. Só existe tigre obeso quando tocado pela linguagem humana. Exato, exato, exato. Dentro dosológicos alimentado de. sabe? Isso é da palavra, né? A gente não come pra saciar um instinto, a gente come por outras razões, porque é prazer ojo, porque é a comida que lembra a comida da minha mãe. A gente come, enfim, porém, outras razões, né? E isso vale para tudo, né? O nosso corpo é marcado.
o sexo, o solidão. O nosso corpo é marcado por isso, então a pulsão é muito distinta do instinto, então é mais ou menos por aí, o nosso corpo ele não é o corpo como o corpo do tigre, o nosso corpo ele tem a marca da linguagem e isso muda tudo, isso muda tudo, você vai fazer assim, então o seu corpo que às vezes o médico, o neurobordista verá e vai dizer, não sei onde isso vem, vem da linguagem e isso é um sintoma de outra ordem, estava pensando em algumas outras coisas pra onde a fala me levou, mas acho que sai muito daqui, porque bom, eu vou lá, eu quero ver realmente o que eu estou ouvindo falar é que no fim do dia, no fim do jogo, depois que passa a regua, depois que a câmera dá um out, só existe desentendimento, você está falando disso? Existe o desentendimento, existe também a ilusão de entendimento, ela é importante também, é importante poder se ludir, mas se ludir com qualidade, se ludir bem de um jeito que no seu favoreço, não se ludir pra ficar ingestando a vida, aí acho que não é muito bom, mas perguntar aqui, para te falar aqui, não, fala você, meu amor, é que eu vi que comentaram aqui sobre narcissismo e aí eu lembrei de uma fala do Freud que tem a ver com isso com solidão também, Freud diz mais ou menos assim que a única coisa que nos salva do nosso amor por nós mesmos, é o nosso amor pelo outro, então existe algo da solidão que pode passar por aí sim, olha o que eu vou dizer e talvez assim a galera da outro judo, os cotes, venho aqui, me criticar e tudo bem, pode que você não abra, que a gente sonha, que é contigo, mas tem solidões que é porque você se ama demais, olha o que eu louco isso, e é o discursão que está por aí, você tem que se amar primeiro, você tem que se amar muito, tudo bem se amar, eu acho que é inclusive inevitável, se o narcissismo é de fundante nosso também, se o narcissismo é de não conseguiria, sabe quem sou eu, tem corpo, então o treaíu, mas se você tem uma de mais, nunca ninguém vai te amatando assim, é uma ótima forma de colocar, se você se ama de mais, nunca ninguém vai te amatando assim, e aí está condenado, não sei se condenado, porque parece uma escolha, não sei se é uma condenação, mas é uma escolha pela solidão, eu me amo tanto que eu prefiro apenas eu me amar, porque aí eu fico entretido nessa fantasia, nessa ilusão de que eu me amo, né? Eu não sei assim, teria que escutar uma mão pra dizer o quão consciente é essa escolha, porque pode ser uma escolha inconsciente, eu posso buscar uma analista e me quechar de solidão, e não saber que eu não to com o outro, justamente porque eu não tô aberto, eu tá com o outro, porque eu tô muito enximmesmado, porque eu tô muito comigo mesmo, isso nem sempre é consciente, isso nem sempre é consciente, ok? mas isso não é resultado de um amor próprio, é, em si mesmo a mente é um amor próprio, eu não sei só a mesma coisa, coloca como um enamoramento de si mesmo, talvez se. porque não na psicanálise, tá, não tô falando do narcisismo psicanalítico, mas tô falando do mito, narcísico, peixe aqui o narciso se ama, gente, o que você tá chamando de amor, né? Pois bem, porque o amor, sendo aquilo que produz um laxo, aquilo que faz relação com o outro, aí é de outra coisa que a gente tá falando, só que pra que isso aconteça, tem que haver falta, né? pra eu poder amar o outro, algo tem que faltar em mim, e no narcisismo não falta? Se eu tô tão recheado com o meu amor próprio, digamos assim, a ponto de nada faltar, a oposu ciência, eu me bastar, eu tô aqui, eu tô no conto, aí as minhas relações com o outro, elas ficam assim, ou muito instrumentalizadas, ou eles estentes, né? ou eles estentes, ou eles estentes, muito esvaziadas, né? A gente tá com o outro, porque falta algo, a gente troca com ele isso, e falta, ele dá um pouquinho, ele te dá um pouquinho, é uma troca de faltas, sim, enfim, eu não é que você tá falando, e aí eu queria contar pra galera, de casa, tem que. eu lembro desse momento, é. de bater papos sobre o Lacan, e depois ler, o Lacan, e depois levar o Lacan pra me análise, e aí eu lembro da frase, que amar, é dar o que você não tem, pra alguém que não quer, e que não se faz outra coisa em análise, é não ser falar de amor. né? é que de alguma forma, a gente. a gente fica falando dessas faltas e desses excessos, né? talvez sense da conta disso. um mundo. muitas vezes sense da conta disso. a gente se defende disso, algum jeito, né? isso é em gosto todo. a gente se defende, a gente não quer saber o que a gente sabe, a gente não quer saber o que a gente sabe, e a gente não quer, é se haver com algo que o Freud chamou de castração. sim, né? a gente não quer saber disso, né? e. e aí, assim, o amor, ele é uma relação acima de tudo com a castração. um. pra você amar o outro, você tá numa relação com a sua castração. não sei se eu cheguei lá, fala mais. justamente porque o amor é uma troca de faltas, né? tá. se eu tô todo dano aqui, se nada me falta, se eu tô completo, o que você vai buscar no outro? não, aí. aí eu cara que se trefe no quarto, fica lá se masturbando, mas é uma experiência que, talvez, de até pra dizer que se aproxima um pouco do que seria morte, né? sim, que é esse apartamento do. apartamento é um ótimo palavra, falei sem querer. que é esse apartamento da. do outro, né? um, um, um, um, um, é. eu. nossa que loucura, uma vez, Niga, eu escrevi um poema, e era uma época que eu postava os poemas aqui no insta, talvez eu vou estar muito a time line, eu vou chegar lá, mas era um poema que era. numa dessas madrugada acordada, doida, que era alguma coisa mais ou menos assim, ó, morrer é tirar o eu e ficar o mundo, mas quando fica o mundo, espome o eu, eu tô. eu rimava, tinha métrica, fiquei pensando nessa merda, uma madrugada inteira pra escrever esse lixo, mas era alguma coisa assim, é morte, é quando some o eu e fico o mundo, mas quando some o mundo e fico o eu, o nome disso é solidão, eu chamaria de morte também, e aí é mais a brincadeira é essa, a menina, porque o verso termina com morte, se o verso termina com solidão, tem paralelismo, eu tô falando da mesma coisa, né? é o melhor jeito de criar uma morte em vida, né? é eliminando o mundo, seria em mundo, né? fica você fechadinho consigo mesmo, é o mais próximo que dá pra chegar da morte em vida, tô aqui pensando numa coisa, né? que tem alguma faceta da depressão, que é um pouco sobre isso, não tem? depressão, de se negar a fazer parte dessa coisa, sabe? de não conseguir fazer parte dessa coisa, tem algo que sim, tem algo que sim, a depressão tem uma relação com o imaginário, a depressão tem uma relação, ela diz justamente de uma relação com o desejo, né? então tem algo que passa por aí, mas eu acho que o tema da depressão é um pouco mais complexo que isso. é claro, claro, passa algo por aí. sim, é que quando você tava agora falando, né? dessa, desse isolamento do mundo, na minha cabeça me veio, esse sentimento da depressão, que pode ser esse isolamento do mundo, né? miga, temos três para terminar, por onde você quer? você quer fazer em três minutos? o meujo? pode ser. segundo a folha de São Paulo vai impulsionar a economia, né? vai, vai ser um sucesso. a amiga, tô triste, mas eu tô triste só quando eu penso. é então, não pensar, né? não pensar é uma opção. não, é o meu sintoma. é isso? não sei, sei que decide. eu acho que é isso. é acho engraçado, né? que a gente sempre fala que vai falar de alguma coisa, nunca fala do que a gente fala que ia falar. a gente falou, eu acho. não, a gente nunca fala, amiga. é que a gente não fala tudo, né? porque não dá mesmo. mas acho que a gente falou algo disso e a gente. foi por caminhos aí que. mas acho interessante,
é isso, que dá da uma possibilidade para esse encontro né. E a gente acaba trocando as nossas faltas né, para mim é um dos maiores marcadores do amor que eu sinto por você assim, é o fato de que. Eu te falei isso na chapada, de que eu nunca termino um contato com você parecido com que começou e e feio lá tem tem alguma coisa muito doida de ser seu amigo assim de de amar você que é é como se fosse a ali me ah tem uma música da Florence da Machine que ela fala "when food is gone you are my daily need" é que se a comida do mundo acabar se você estornaria a minha necessidade diária. Ah sei lá você é alimento para a alma amigo é recíproco mas não correspondente nunca existe correspondência. Não mas não existe resistência. Não é recíproco, o recíproco, esse procedimento existe o amor é sempre recíproco o que não tem a correspondência. Este menino eu acho que é o contrário nunca existe resistência, o que existe correspondência. É, eu entendo resistência como para você amar alguém essa pessoa tem algo que é condição disso sabe em outras palavras não dá para matar todo mundo então tem algo no outro que é recíproco amor que você investe nele só que não é correspondente porque cada um ama de um jeito né. Olha que engraçado eu chamo de correspondente porque é como se essa pessoa trocaça uma carta com você é uma correspondência e aí às vezes se manda uma carta recebe um bilhete às vezes se manda um bilhete recebe um um manuscrito às vezes se manda uma maçã e recebe um peixe então a corre mas não há isso na minha cabeça doida só a correspondência eu mando e recebo alguma coisa mas não há esse procedimento que eu nunca vou mandar peixe receber peixe. Olha que maluco a gente fala coisas parecidas. Só que com palavras outra. Eu acerto numa boa. Ah e Tião, meu amigo. Também Tião, meu Gui. Eu não vejo a hora da gente poder se ver outra vez. Beijo. A chegando, Beijo. Clica bem. Você também.
Podcast Summary
Key Points:
A conversa começa com a apresentação de Henrique Vicentine, psicanalista e amigo, e a história de como se conheceram via Tinder e um evento de psicanalistas.
O tema central é a solidão, discutida sob diferentes perspectivas
A solidão pode ser paradoxal
A falta de intimidade nas relações contemporâneas é apontada como causa de solidão, mesmo quando se está cercado de pessoas.
A autossuficiência é criticada como confusão com autonomia, pois a dependência do outro é inevitável e parte da condição humana.
A masturbação é explorada como possível expressão de solidão, mas também como forma de investigar a própria fantasia, especialmente em contraste com a pornografia industrializada.
Summary:
A transcrição apresenta um diálogo entre o apresentador e Henrique Vicentine, psicanalista, sobre o tema da solidão. Eles iniciam contando como se conheceram, destacando a amizade e a admiração mútua. A discussão principal aborda a solidão como um fenômeno complexo, que vai além da simples falta de companhia romântica.
Vicentine sugere que a solidão pode ser um dado constitutivo da existência humana, citando a ideia de que "toda criatura viva morre só". Eles exploram o paradoxo de que a solidão pode ser tanto a ausência do outro quanto um excesso de sua presença, como no luto. A conversa critica a superficialidade das relações modernas, onde a intimidade é rara e muitas vezes substituída por uma "encenação da intimidade" e pela busca de inveja alheia.
A autossuficiência é questionada, pois a dependência do outro é inerente à condição humana, desde o nascimento. Por fim, discutem a masturbação como uma faceta da solidão, que pode ser um momento de exploração da fantasia pessoal, mas que atualmente é frequentemente colonizada pela pornografia, limitando a criatividade e a descoberta do desejo próprio. A conversa enfatiza que a solidão não é singular, mas possui múltiplas facetas que precisam ser escutadas e compreendidas em cada contexto.
FAQs
A solidão pode estar ligada ao desamparo constituinte do ser humano, que nasce dependente do outro. A autossuficiência é um equívoco, pois as relações envolvem dependência consentida, e negá-la pode levar a uma solidão mais profunda.
Sim, a solidão pode vir do excesso do outro, como no luto, onde a pessoa ausente ocupa a mente de forma intensa. Isso contrasta com a ideia de que solidão é apenas falta de companhia.
A falta de intimidade, mesmo cercado de pessoas, pode gerar solidão. As relações superficiais ou instrumentalizadas, comuns hoje, dificultam a conexão genuína e aumentam esse sentimento.
A 'solidão gay' é um termo que surgiu de um post, mas a discussão critica abordagens superficiais de autoajuda. A conversa explora a solidão como um fenômeno complexo, não limitado ao amor romântico.
Sim, a masturbação pode ser solidão quando envolve exploração da própria fantasia. Mas também pode ser compartilhada, e a masturbação solitária pode ajudar a entender desejos antes de estar com o outro.
A cultura valoriza a aparência e a inveja, o que leva a relações superficiais e falta de intimidade. Exibir uma vida perfeita pode mascarar a solidão, em vez de criar conexões reais.
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