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#03 - Vozes de Brumadinho

from Vozes de Brumadinho

9m 30s

#03 - Vozes de Brumadinho

A história de Josiana Resende, enfermeira da Vale, mostra como a sobrevivência foi determinada por uma folga no dia 25 de janeiro de 2019, enquanto sua irmã Juliana e o cunhado Dennis foram tragados por uma avalante de rejeitos de minério. A perda é profunda e emocional, com a família vivendo um processo de dor constante, ansiedade e espera por um encontro com os desaparecidos. Diante disso, os familiares fundaram uma associação para unificar esforços, com foco no local de encontro das “11 joias” — os membros desaparecidos — e na construção de um memorial. Além disso, a luta incluiu a busca por apoio psicológico e de saúde para os parentes, com avanços, mas ainda sem conclusão total. A palavra "joia" é usada como crítica: a Vale dizia ser uma "joia", mas a família entende que os familiares são as verdadeiras joias perdidas. A dor persiste, especialmente na tentativa de contar a realidade para as crianças, que ainda não têm noção do que aconteceu. A luta é diária, enfrentando desafios climáticos e reduções de equipes, mas a comunidade se mantém unida, com um compromisso diário de buscar justiça e resgate para os familiares.

Transcription

1263 Words, 6828 Characters

Portuguese
Nosso podcast brumadinho, um ano depois, uma angustia sem fim, vai contar a história da técnica de enfermagem Josiana Resende. Ela trabalhava para Vale e estava de folga no dia 25 de janeiro de 2019, o que assalvou. A irmã dela, Juliana, de 33 anos e o cunhado Dennis de 37 não tiveram a mesma sorte. Foram soterrados pela avalante de rejeitos de minério de ferro, até hoje o corpo da irmã Juliana não foi encontrado. Josiana, queria que você me lembraço de 25 também, mas não exatamente o momento do acidente, mas antes. Como é que foi com o seu cunhado? Como é que era a rotina Dennis? Olha a rotina deles era acordar deixar os bebês na minha casa, o que a minha mãe que olhava eles para trabalhar, mas nesse dia eles costumavam deixar os meninos a 6 e 20 e nesse dia chegaram a 7 para entregar os meninos. O antônio não dormiu a noite e fez a minha irmã perder hora e ela já deixou ele um pouco atrasada na casa e eles foram de carro para trabalhar. Eu não cheguei a ver ela, sofrei ela passando assim e inibora para para servir isso. O meu irmão que nunca acorda, então cedo assim nesse dia tinha acordado, já estava lá fora, conversou com ela, minha mãe também, o meu pai não queria já tinha saído para trabalhar e foi esse encontro que teve muito rápido, porque ela já estava atrasada e eles foram para a vale de carro. Voltar em um que hora pegar as crianças? Sim que meia? Era o horário que ele chegava. E nesse dia a gente recebeu a notícia e estamos esperando o Mateus. O que essa espera? Olha um tubilhão de sentimento. Chega ser triste, sofrido, anguciante, louquecedou, revivei o lembranso de 25, é um toque no portão horário que ela chegava, que separa e pense, será que ela. E esse não encontro faz com que essas emoções fique todo em paralhada, um sentimento confuso, mas o pior deles realmente é se espera angústia e desespera na inserteza de encontro que a nossa luta para encontrar, mas a gente não tem essa garantia. Vocês montaram uma associação, né? O que ela tem feito com o quinto 8? Olha a gente montou, ela é recente, tem alguns meses fundando um agosto e antes de isso a gente ia nos espaços, usava todos os espaços que eram abertos para a gente para essa luta como comissão de familiares. E depois essa comissão se juntou, se formou a associação e a nossa luta realmente é o encontro das 11 joias que ainda não foi encontrada, tem outros projetos, que é o memorial que a gente está conseguindo, vai ter o lançamento da pedro fundamental, agora realmente está caminhando esse processo de construção. Plano de saúde, a gente teve como conquista para os pais, que realmente os pais ficaram muito debilitados, né? A maior parte deles são pessoas a idosas, então a gente viu essa necessidade, a gente trabalhou para isso, a gente conseguiu. Plano de saúde para os irmãos, a gente não conseguiu mais ter um grande ganho que foi o tratamento psicológico, psiquiático, até março e a gente está trabalhando para conseguir até alta médica, porque não adianta o tem março e o tratamento ficar pela metade, né? Então a gente está trabalhando nisso também. Queria que você explicasse por que você e o boletinho traz a palavra joia? Olha, foi quando o presidente da Vale, o Fabio, usou que a Vale era uma riqueza, que era uma joia e não poderia estar sendo crucificada como ela estava sendo, e a gente entendeu como uma irronia, né? Uma crítica em relação a nossos familiares, foi o trajante para a gente, e a gente entendeu que não é a Vale, a joia é o nosso familiares que a Vale matou, então por isso a gente chama as nossos entes, né? Como joias? Porque realmente, sim, os monbeiros falam joias, todos trabalham pelo encontro das 11 joias, eu que nos traz um conforto também, saber que eles estão ali trabalhando até que, com o mesmo empenho, com o mesmo afinco, para trazer esse alento para as famílias. Porque vocês têm lutado muito? De mais, muito mesmo, a gente entende que é uma operação muito grande, Mariana já parou em 55 dias quando ocorreu as buscas, né? E aqui, o número de morte foi maior, o dano ambiental, não tanto quanto Mariana, mas em questão de vida humana, aqui se pove muito mais pedas, e a gente entende que essa luta, e até esse acontecido, né? Os monbeiros estão nos apoiando, mas a luta é diária para manter, porque é uma operação enorme, tem outras coisas que no mundo inteiro, no Brasil inteiro, mas eles entenderam que também isso para a gente é um resgate, resgate das vidas dos familiares que precisa fechar esse ciclo, mas a cada etapa, período chuvoso é uma dificuldade, a gente entende que o efetivo diminui o dificultador das buscas realmente complica, mas a gente tem lutado para manter essas buscas e a gente tem conseguido. Eu sei que isso é secundário para você nesse momento, mas eu não posso deixar de também contar a tua história, você de alguma forma é uma sobrevivente, né? A folga de salvo, você já parou mesmo com toda essa preocupação com a turma, você já parou para pensar nisso em relação a você? Olha, é por alto sim, mas eu não parei para, na verdade eu não tive tempo para isso, a luta é tão constante que a gente acaba ficando em segundo plano mesmo, e realmente é a prioridade a encontrar ela, mas eu não parei para entender tudo isso, para entender quantos amigos eu perdi, que eu poderia estar lá, que eu poderia ter morrido, mas quando a gente para pensar, na gente colocando as fotos das pessoas que trabalhou com a gente, que é uma história, que a gente lembra, um sorriso, é uma brincadeira, realmente isso aí já começa a correuê dentro da gente, os dias, né, que passa, até um biscoitinho que a menina que trabalhava comigo é levar para a gente tomar café, e aí outro dia a minha irmã comprou, e aí falou assim, eu trouxe esse biscoitinho, e era o que a Fernando levava para a gente tomar café, então, às vezes a gente é surpreendido por lembranças como essa, mas realmente eu não parei para interiorizar tudo isso, pensava eu que vou fazer depois disso, porque a luta ainda é muito grande, e uma última pergunta, você, sua irmã, e se eu quero deixar um duas crianças, né, de 10 meses na época, que não tinham obviamente a menor noção, e nem tem ainda de tudo que aconteceu, o que você imagina que você vai dizer a eles, ou que talvez eles um dia vão perguntar, olheu imagina que eles possam perguntar, né, como que, que papá e mamãe morreram, o que vai ser uma resposta muito difícil de dar, e ela tem que ser muito trabalhada, tanto para a gente dar essa resposta quanto para eles receberem, eh, eh, essa resposta também, mas, é tudo por etapa, né, hoje o teu coração não diria para de falar o que? Hoje eu não saberei o que dizer pra isso, eu não saberei dizer, porque por mais que a gente tem de encontrar as palavras de uma forma delicada para contar, não existe uma forma que não vai machucar tanto como machuca a gente ainda. [MÚSICA DE FUNDO]

Podcast Summary

Key Points:

  1. Josiana Resende, enfermeira da Vale, sobreviveu porque estava de folga no dia 25 de janeiro de 2019, enquanto sua irmã Juliana e o cunhado Dennis foram assassinados por uma avalante de rejeitos.
  2. A rotina dos familiares incluía deixar os filhos com a mãe de Josiana, mas no dia do acidente, eles chegaram mais tarde, o que atrasou a irmã e a colocou em risco.
  3. A busca por Juliana se tornou um processo emocionalmente devastador, marcado por ansiedade, esperança e o sentimento de perda constante.
  4. A família criou uma associação para unificar esforços, com foco principal no encontro das "11 joias" — os familiares desaparecidos — e na construção de um memorial.
  5. Fortaleceram projetos de apoio, como plano de saúde para os parentes e tratamento psicológico, ainda que o tratamento ainda não tenha sido totalmente concluído.
  6. A palavra "joia" é usada como simbolismo crítico, ao contrário do que a Vale dizia ser "uma joia", a família entende que os familiares são as verdadeiras "joias" que foram perdidas.
  7. A luta é diária e prolongada, enfrentando dificuldades climáticas e redução de equipes de busca, mas os familiares continuam trabalhando com empenho.
  8. A dor é constante, e a família ainda não sabe como responder às crianças sobre a morte de pais, sabendo que a verdade é dolorosa e que não há uma resposta fácil.

Summary:

A história de Josiana Resende, enfermeira da Vale, mostra como a sobrevivência foi determinada por uma folga no dia 25 de janeiro de 2019, enquanto sua irmã Juliana e o cunhado Dennis foram tragados por uma avalante de rejeitos de minério. A perda é profunda e emocional, com a família vivendo um processo de dor constante, ansiedade e espera por um encontro com os desaparecidos. Diante disso, os familiares fundaram uma associação para unificar esforços, com foco no local de encontro das “11 joias” — os membros desaparecidos — e na construção de um memorial.

Além disso, a luta incluiu a busca por apoio psicológico e de saúde para os parentes, com avanços, mas ainda sem conclusão total. A palavra "joia" é usada como crítica: a Vale dizia ser uma "joia", mas a família entende que os familiares são as verdadeiras joias perdidas. A dor persiste, especialmente na tentativa de contar a realidade para as crianças, que ainda não têm noção do que aconteceu.

A luta é diária, enfrentando desafios climáticos e reduções de equipes, mas a comunidade se mantém unida, com um compromisso diário de buscar justiça e resgate para os familiares.

FAQs

A expressão 'as 11 joias' refere-se às pessoas que desapareceram ou morreram no acidente, sendo chamadas de 'joias' como crítica ao conceito da Vale de ser uma 'joia' que foi 'crucificada'. Os familiares consideram que os verdadeiros 'joias' são os entes queridos que foram afetados.

Josiana, que estava de folga, afirmou que a folga a salvou, mas que ainda sente grande dor e angústia por não ter visto a irmã Juliana e o cunhado Dennis antes do acidente.

A associação criada por familiares tem como principais projetos o encontro das 11 joias, o memorial, o lançamento do projeto Pedro Fundamental e o acesso a plano de saúde e tratamentos psicológicos.

A associação busca garantir tratamento completo, pois muitos familiares, especialmente idosos, ficaram profundamente debilitados, e o tratamento psicológico até março foi interrompido, exigindo a continuidade do apoio médico.

A palavra 'joia' é usada como crítica ao discurso da Vale, que dizia que a empresa era uma 'joia' e que não deveria ser 'crucificada'. Os familiares interpretam que, na verdade, são os entes queridos que são as 'joias' perdidas.

A luta começou com ações locais e comissões familiares, que se organizaram em uma associação, e mantém-se diária, com dificuldades climáticas e operacionais, especialmente em períodos chuvosos.

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