A história da empregada doméstica Olanda de Oliveira da Silva conta a dor intensa e prolongada de perder seu filho Robert, de 19 anos, vítima de uma avalanche de rejeitos de minério provocada pela Vale em 25 de janeiro de 2019. Robert, que trabalhava como ajudante geral por cerca de oito meses, foi atingido enquanto viajava em camionete com colegas, e seu corpo só foi encontrado 10 meses depois. A mãe descreve um período de espera devastadora, marcado pela ausência de informações e pela impossibilidade de superar a dor emocional. Ela afirma que o momento de percepção da morte foi quando Robert não retornou após cinco horas, e que a dor não diminui com o tempo, pois as lembranças e objetos como a bolsa dele permanecem como símbolos da tristeza. A mãe reforça que a Vale é responsável não apenas pelas mortes diretas, mas também nos sofrimentos das famílias afetadas, e que a dor nunca será esquecida. Ela enfrenta dificuldades para realizar atividades diárias, já que o estresse e a ansiedade afetam seu dia a dia, e expressa o desejo de que as vítimas sejam lembradas e que a justiça seja reconhecida. A narrativa é um testemunho emocionante de como a perda de um ente querido transforma uma vida, deixando rastros permanentes de angústia, esperança e resistência.
Nosso podcast brumadinho, um ano depois, uma angústia sem fim, vai contar agora a história
da empregada doméstica e olanda de Oliveira Silva, ela é mãe de Robert, que tinha 19 anos
e trabalhava a quase um ano para uma terceirizada da Vale.
Naquele 25 de janeiro de 2019, ao meio de 28, ele estava numa camionete junto a outros
colegas, a caminho do restaurante, quando a avalanche de rejeitos de minero de ferro
o atingiu.
O corpo dele só foi encontrado 10 meses depois.
No dia 28 de janeiro de 2019, nossa equipe conversou com o olanda na praça central de brumadinho.
Na época, estava desesperada a procura do filho.
-Dessa era o primeiro que favorei? -Olanda de Oliveira da Silva, doméstica.
-Lancos anos em 19. -19.
-Será de fazer um pouco tempo que ele trabalhava para ser vissa de uma barragem?
-Sete mês, para empreiteira lá.
-E a sora da chufra no ação.
Sem informação nenhuma, nenhuma, não sei onde ele está.
A última vez que a minha menina recebeu uma ligação, foi que eles estavam dentro da camionete
de baixo da lama, perto o restaurante, até agora nada.
No sábado da alguém ligou para ele, ele falou "eu, eu, eu, eu, acabou, acabou."
Até agora, mais nada, a vinte dias atrás, ele falou "mãe, barragem dominando água,
eu vou ler normal porque eu não entendo disso, não era normal."
-E ele já tinha estranhado alguma coisa então? -E ele já, ele falou comigo.
"Mãe, aquilo não é normal, eu vou ler, meu vinho, e não era normal."
-Isso era tendo para onde agora? -Eu tô indo lá, perda a minha casa lá, no parque da cajoeira,
aonde a lama passou? Não, graças a Deus, não. Não, passou lógica, minha casa é no alto, sabe?
Eu fui lá duas vezes lá em cima, mas chega lá, pega o nome, telefone, pronta, acabou.
Aí, fala os nome que apareceu, os nome que não apareceu, e pronto.
"Dona e Holanda, eu conversei com a senhora naquele dia, não vou perguntar como é que foram aqueles momentos que a senhora já me contou naquela ocasião."
Eu queria saber como foi aquela long espera, porque o corpo do Robert foi um dos últimos aciachado, ainda tem 11 que não foram localizados,
mas o dele foi um dos últimos, foram praticamente 10 meses, como é que foi essa long espera?
A espera é, a gente vai esperando, a dor tá da de aumentando, né? A angústia e a tristeza aumenta aumenta,
e no dia que encontrou ele, eu não sei de dizer se foi de agradecimento, ou de tristeza, porque a esperança é a última que morre, né?
E aí a espera para mim foi longa, foi uma das espera mais grande da minha vida.
E pergunta para a senhora aí, onde é que a senhora teve certeza de que ele tava morto?
Quando ele não mais bateu o portão e nem abriu o portão mais, foi a última batida, que deu.
Quando ele não voltou mais, depois de cinco horas, cinco e meia, ele já não mais voltou.
Aí ele já tava, já tava morto porque se espera até no outro dia, não apareceu, já tava.
Ele tava seu nome engano na senhora me contou na época, ele tava acho que é uns 10 meses na mina, como terceirizado, né? Fazia pouco tempo.
8 para 9 meses, 8 para 9 meses, ele era ajudante geral, ajudante geral, e que tipo de ajuda se era a teve da válida desde então?
Eu tive esse dinheiro aí, né, que eles deram, esse 100 mil, que já hoje não existe mais, que eu já tive que gastar, comprando as coisas, trocando os move, porque eu não aguentava ver as coisas deles,
onde ele sentava mais, e essa ajuda de aluguel só.
Pelo qual, você já teve que lutar muito, inclusive, né?
Eu lutei muito para poder conseguir, porque não é fácil, porque para sair dessa ajuda do aluguel é fácil.
Se eu for lá e falar que eu estou querendo sair, é fácil, mas para mim traz difícil.
Não queria, muito difícil, para mim a mãe foi aborocracia também, não quis.
A senhora tava afastado de trabalhar até recentemente, né? Como é que é a senhora se imaginando daqui para diante? Vai fazer um ano, né?
É, vai fazer um ano, aí daqui para diante eu não sei, porque tomando muito remédio ainda, não sei.
Hoje a senhora não conseguiria trabalhar normalmente? Não, hoje não, hoje é difícil.
De difícil, porque nem aqui dentro da minha casa que eu poderia fazer tudo rápido, eu não consigo.
A senhora foi a justiça, né? A senhora me relatou em encontro com o funcionário da Vale numa reunião, o que ele disse para a senhora?
Uai, as palavras dele não me incomovei nada, né? Só me deixou muito estressado e nervosa, porque uma pessoa que trabalha lá dentro,
achar que a gente que perdeu familiares tem que ficar calma, porque a Vale essa assina matou milhares de pessoas lá dentro, pra mim 272 pessoas, é milhares de pessoas,
porque matou os familiares que tá cá fora também, né? Não matou só as pessoas lá, matou a gente cá fora, né?
Que a vida parou, dia 25 de janeiro parou, a gente perdeu o chão, a gente não sabe como subir os degraus.
E o que a sora disse para ele? Aí eu falei pra ele que se fosse a família dele que tivesse lá os filhos dele, né?
Que tivesse lá engolina aquela lama, eu queria ver qualquer o sentimento dele de dor, igual é a minha dor, né?
Ele chorou, ele chorou, né? Eu já tava chorando também, porque sei escutada, eu vou dar uma pessoa que tem dinheiro, tem tudo,
né? Palavas negativa, a Vale não tem culpa, a Vale tem culpa ela, essa assina, ela matou não só os parentes da gente que tava lá,
matou a família cá fora também, né? E por mim nunca mais vai cair no esquecimento que enquanto vocês me procuram, eu vou falar a minha dor.
E a sora acha que essa dor um dia vai diminuir, que as lágrimas um dia vão secar?
Eu, a minha não se econão, sabe? Porque eu, eu sei que assim, o dia pode passar, mas quando chega à noite, se olha por um lado, olha por outro,
ou uma imindão matuália pra me secar, já não tem mais, né? Aonde que tá minha roupa, onde que tá minha butina, já não tem mais.
Então, você vai deita na cama e recorra tudo isso, você recorra. Então, a bolsa dele tá lá embaixo, até hoje pronta, fazer um ano, eu não preciso dar bolsa dele, tá lá embaixo.
A bolsa que ele ia viajar no dia 25 de janeiro, 5,5 da tarde, ele ia pra casa de uma namorada dele, nunca mais foi.
Até ali, assim, é dele, tá lá.
Podcast Summary
Key Points:
Robert Oliveira, de 19 anos, foi atingido por uma avalanche de rejeitos de minério em 25 de janeiro de 2019, enquanto trabalhava como terceirizado para a Vale.
O corpo de Robert só foi encontrado 10 meses depois, gerando uma espera dolorosa e prolongada para sua mãe, a olanda de Oliveira da Silva.
A família não recebeu nenhuma informação oficial até o momento em que o corpo foi localizado, e o último contato foi quando Robert disse que "acabou" e que a barragem estava com água muito alta.
A mãe relata que o momento em que percebeu que Robert havia morrido foi quando não houve mais retorno após cinco horas de ausência.
O dinheiro de auxílio que ela recebeu para sustentar a família já foi gasto e a dor emocional persiste, sem diminuir com o passar do tempo.
A mãe afirma que a Vale tem responsabilidade direta pelo acidente, não apenas pelas vítimas diretas, mas também nos impactos emocionais nos familiares afetados.
Ela já foi à reunião com representantes da Vale, onde sentiu apenas estresse e desespero, e pergunta se a dor será esquecida.
A bolsa de Robert, que estava prevista para ser levada para casa de uma namorada no dia 25 de janeiro, continua guardada até hoje como símbolo da perda.
Summary:
A história da empregada doméstica Olanda de Oliveira da Silva conta a dor intensa e prolongada de perder seu filho Robert, de 19 anos, vítima de uma avalanche de rejeitos de minério provocada pela Vale em 25 de janeiro de 2019. Robert, que trabalhava como ajudante geral por cerca de oito meses, foi atingido enquanto viajava em camionete com colegas, e seu corpo só foi encontrado 10 meses depois. A mãe descreve um período de espera devastadora, marcado pela ausência de informações e pela impossibilidade de superar a dor emocional.
Ela afirma que o momento de percepção da morte foi quando Robert não retornou após cinco horas, e que a dor não diminui com o tempo, pois as lembranças e objetos como a bolsa dele permanecem como símbolos da tristeza. A mãe reforça que a Vale é responsável não apenas pelas mortes diretas, mas também nos sofrimentos das famílias afetadas, e que a dor nunca será esquecida. Ela enfrenta dificuldades para realizar atividades diárias, já que o estresse e a ansiedade afetam seu dia a dia, e expressa o desejo de que as vítimas sejam lembradas e que a justiça seja reconhecida.
A narrativa é um testemunho emocionante de como a perda de um ente querido transforma uma vida, deixando rastros permanentes de angústia, esperança e resistência.
FAQs
Robert foi atingido por uma avalanche de rejeitos de minério de ferro enquanto estava em uma camionete, junto a colegas, próximo a um restaurante.
O corpo foi encontrado 10 meses após o acidente, em setembro de 2019.
Ela percebeu que ele não mais voltou após cinco horas de ausência e não bateu mais no portão da casa.
Recebeu 100 mil reais, que já foram gastos com despesas familiares, como troca de móveis e itens de casa.
A mãe acredita que a Vale tem culpa, pois afirma que a empresa matou milhares de pessoas, incluindo familiares fora da empresa e causou forte dor emocional.
Sim, ela afirma que a dor não diminui e que as lágrimas não secam, especialmente ao lembrar do corpo e da bolsa dele que ainda está embaixo da casa.
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